terça-feira, 1 de setembro de 2009

O Higino Atlético Clube(1)

Momentos bons e loucos da turma,em especial do Higino Atlético Clube vem a memória volta e meia.Vamos enfileirar alguns,sem ordem cronológica,apenas dentro da primeira metade da década de cinquenta,ou seja,no período correspondente ao então ginásio e aos estudos no Marista,de 51 a 57,dos onze aos dezesseis anos de idade.O Higino viveu,mais ou menos esse tempo,pois depois veio exército,cientifico(fui fazer o clássico em Botafogo,no Colégio Andrews),namoros,empregos,enfim,estavámos todos,passando da meninice,chegando ao fim da adolescencia e por conseguinte,mudando os hábitos,mas não apagando os laços de amizade existentes.No Higino Atlético Clube arranjavamos jogo toda a semana,em qualquer dia a noite,contra o infanto e o juvenil dos incontáveis clubes de bairro,com quadra,existentes no Rio,Sempre fizemos jogos duros,principalmente o juvenil,que era bom.O então futebol de salão era jogado,com dois na defesa e dois no ataque,bem ortodoxamente e com muito vigor físico,não valendo gol de dentro da área,da qual o goleiro não podia sair,sob pena de ter anotada falta direta contra o time.Eu e o Damião tinhamos muita força física e baixavamos o pau,sem contemplações,enquanto o Toni e o Antonio Carlos,na frente chutavam bem e tinham também um bom físico,em especial o Toni,que era fortíssimo,sendo o Antonio Carlos,que jogava no juvenil da Portuguesa carioca(depois levou-me para jogar lá),canhoto,bom de bola e exímio driblador.No gol ou o Luis Carlos,"melequinha",sem grande técnica,mas muito raçudo ou o Nelson,malandrérrimo,que sabia tudo de bola.Lembro-me de que jogamos contra o Grajaú,tanto o Tenis como a Atlética,o Vila Isabel,a Atlética Carioca(onde depois fui jogar e disputar o campeonato carioca juvenil em 56),o Raio de Sol(onde o goleiro do primeiro time era um radialista iniciante,Washington Rodrigues,depois apelidado de "Apolinho",que ficou famoso e foi até técnico do Flamengo),o Maxwell,o Galitos,o Papitos,o Montanha,o Social Ramos Clube,o Municipal,o Maracanã,o Andaraí,o América,todos da zona norte do Rio e o Carioca da Gávea,o Fluminense(então um dos melhores de futebol de salão do Rio,que tinha como segundo goleiro o depois comediante famoso José de Vasconcellos),o Flamengo,na quadra da Praia do Flamengo,próxima da sede da UNE e outros que não lembro.A maioria dos clubes de bairro citados hoje não existem mais,basicamente pela especulação imobiliária.Também jogamos em quadras alugadas,contra outro clubes de turmas,principalmente em quartéis e escolas,enfim,contra quem aceitasse o nosso oficio solicitando uma partida amistosa,lá estavamos,indo de bonde,quando próximo ou de lotação,quando longe,após reunirmo-nos no bar ao lado da padaria Elba,na esquina da José Higino com a Conde de Bonfim.Este local ou a porta da vila José Higino eram os locais onde nos reuniamo-nos toda noite e direto nos fins de semana.Eu era o diretor de esportes e responsável por arrumar jogos,semanalmente.O clube vivia de mensalidades pagas pelos jogadores,de sócios contribuintes,que eram todos os nossos parentes e moradores das redondezas,de festinhas para arrecadar,de brindes e sorteios,sendo muito comuns,umas cartelas com nomes femininos,compradas em papelarias,com o nome sorteado escondido e que no fim ainda conseguiamos,pois os brindes eram uma porcaria,ficar com eles e fazer um novo sorteio,com uma nova cartela.Quem lavava os uniformes era cada usuário,que o recebia acautelado,sendo proibido a utilização fora dos jogos.Tinhamos até um madrinha eleita e que no fim era quem fazia e costurava para nós,os escudos e fazia outro serviçinhos do lar.Ela era irmã de um do nossos,a Marly,formada pela Escola Normal e já professora pública,o que então era sinonimo de alguém importante no Rio.Nossas cores eram o verde e amarelo,camisa amarela toda amarela,números verdes, com o escudo em formato de losango,com as letras maiusculas em verde, HAC,dentro, seguindo no tamanho o formato do losango,ou seja crescendo,ficando o A como o maior,por ser a do meio do losango,calções verdes e meias zebrads verde e amarelo.Bonito mesmo.Talvez tenhamos sido os precursores da numeração louca atualmente existente,pois como não disputavamos nada oficial,salvo pequenos torneios de bairro ou de jornal,colocamos números extravagante nas camisas,sendo eu,de sacanagem o 24,o Damião 13(português doido,que certa vez comprou um tenis de número maior e na sapataria do pai colocou por dentro uma biqueira de pau,para acertar melhor a canela dos outros)o Toni 99(o maior número,como ele era o maior) e o Antonio Carlos 11(um atrás do outro,pois era uma bichona,contida por exigência da época),e o Inácio 51(beque reserva,que bebia muito bem).Até futebol de campo jogamos,com maus resultados,pois não tinhamos onze bons de bola e da mesma idade.Madeira

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