terça-feira, 20 de julho de 2010

O Ceará e o desapontamento - fim de 1980

Com a saída da Federal,TE recem transplantada,dividas várias,desde a prestação da casa ao estudo das crianças e como única fonte de renda as aulas,com o convite recebido do Ceará,do dono da Coca-Cola do Nordeste,da Bahia até ao Pará,no Norte,Sergio Philomeno,de uma das familias mais tradicional do Ceará,que inclusive tinha um irmão deputado federal,com um salario excelente,resolvi ir de volta para o Ceará e Te não aceitou a ideia de eu ir sozinho até sentir-me firme para levar a familia e quis ir de imediato.Antes porém Sergio Philomeno mandou-nos,eu e TE para Atlanta,sede da Coca-Cola mundial,para conhecê-la e fazer todos os exames sobre o transplante,o que nos encheu os olhos e assim eu e Te fomos para os States,para Atlanta/Georgia,onde em um hospital mantido pela Coca ela durante três dias,fez uma série de exames sobre o transplante e conhecemos a cabeça mundial da Coca.Nos exames feitos com um profissionalismo e funcionalidade americana,ou seja exames de então última geração,ainda não existentes no Brasil,tivemos como laudo que estava tudo excelente e que os medicos brasileiros tinham feito um trabalho perfeito, excelente,o que fez os medicos que assistiam TE muito felizes e agradecidos.Na volta de Atlanta eu e Te passeamos um pouco pelos States,indo a Orlando e a Disney,onde andamos em um monte de brinquedos,não radicais e depois a Miami,onde ela fez algumas compras e passamos por um aperto,pois certo dia ela teve vontade de ir ao banheiro e o foi em um banheiro em um bar e eu fiquei no corredor,próximo a porta dela,o que foi certo,porque ao ela sair vinham dois negões e iam a cercando e apertando contra a parede se eu não corresse e a abraçasse,avisando essa é minha,poderia dar-se um problema.Também em Miami,onde fala-se mais uma lingua muito parecida com o espanhol,pois grande parte da população é de imigrantes,ao tomarmos o taxi no aeroporto eu quis dar como endereço Miami Beach e não Miami City,para ficar na área litoranea,onde já tinha hospedado-me de vez anterior e deu-me um branco e eu só lembrava de que lá tinha um mini trem para passear e aí eu dizia para o motorista,que para meu azar era americano e não latino,para levar-nos adonde tinha um trencito e ele não entendia e Te ria de mim,mas no fim consegui ir para onde queria.Após isso,sem qualquer despesa,com tudo pago pela Coca-Cola,desde o envio da mudança, incluindo o transporte de nossa cadela,a Agata,passando pela estada em hoteis de luxo de Vitoria e de Fortaleza e aluguel de casa lá,fomos todos juntos,com Joana,para Fortaleza,onde alugamos uma casa no bairro da Aldeota e matriculamos as crianças no Batista Americano de Fortaleza.Isso no final de 80.Unidos começamos nossa nova vida lá,sendo minha missão a de montar uma fundação,com o nome do patriarca,já falecido dos Philomeno,Pedro Philomeno,o que comecei a fazer.Com muito estudo a montei e começamos após a montagem legal a do local funcionamento.Infelizmente e aí mais uma vez entrou o meu radicalismo,Sergio Philomeno pediu-me pra organizar também a parte administrativa da Coca e pronto deu-se a merda.Comecei a organizar pelo organograma e as ligações hierarquicas,entrei pela competencia das áreas e as atribuições dos empregados e daí as medidas organizacionais,o que começou a incomodar os funcionarios antigos e amigos de anos do Sergio Philomeno.Assim,com cerca de três meses,mais ou menos em março de 81,em mais uma reunião de diretoria,no qual eu explanaria mais medidas organizacionais,entre as quais muitas também de economia,sendo a principal a restrição e controle de telefonemas,em especial interurbanos,sobre os quais não existia qualquer controle,com contas estratosféricas.Quando eu,em uma mesa retangular,após distribuir o documento básico,explicava como iria funcionar esses controles,fui interrompido pelo assessor de imprensa da instituição,um jornalista,que eu já conhecia,Venelouis,dono de um pequeno jornal local,pediu a palavra e disse que eu estava dando uma de honesto,mas não o era,porque tinha feito a empresa pagar o transporte de minha cachorra.Fiquei puto e disse para ele que se o tinha feito tinha sido com autorização do Sergio Philomeno,ele respondeu entre dentes que isso era abuso e desonestidade.Resultado: meu espirito de violencia veio a tona,empurrei a cadeira para trás pulei em cima da mesa,segurei-o pelos cabelos e dei-lhe um murro na cara,que quebrou os óculos dele e espirrou sangue e aí veio o susto,pois ninguém sabia,muito menos eu,que ele era careca,pois ao cair da cadeira para trás ele deixou a peruca na minha mão.Deu-se o bafafá,com alguns segurando-me e outros o socorrendo.De imediato o Adilberto,amigão desde os tempos da PF/CE,retirou-me da sala e escondeu-me para não ser preso em flagrante por agressão e lesão corporal.Fiquei escondido até o dia seguinte e o Adilberto conseguiu que não fosse registrada a ocorrencia,o escandalo,que também não interessava a Coca-Cola,nem ao Venelouis,este acho que até pela peruca,segredo pessoal.Soube que ele levou alguns pontos e aprendeu a respeitar um homem que procurava fazer tudo certo.Bom,em poucos meses já arrumava eu um problema,perdia outro bom emprego,tudo por querer ser perfeito e dono da verdade...Resultado final dessa que virou aventura:através do Adilberto,que na época estava passando para a Policia Civil do Ceará,através de concurso para delegado e tinha o bico de assessor para assuntos policiais da Coca-Cola,sendo também amigo pessoal do Sergio Philomeno,rescindi o meu contrato,recebendo tudo,via Adilberto,a quem devo muito,inclusive o retorno,com todas as mordomias da ida.Como nisso já tinha começado o ano letivo das crianças e eu estava desempregado,com a nossa casa em Vitoria alugada,por sinal,a um engenheiro mineiro da CST,que depois viria a ser meu colega,o Geraldo Teodolindo,tive,contra a vontade de TE,de voltar só,para procurar emprego e retomar as minhas turmas,que eu tinha passado para o Egydio.Deixei com TE,via Adilberto,todo o dinheiro que tinha de receber,tanto de salarios até junho de 81,época da volta de todos e eu voltei para me virar,confiando apenas no meu taco,com a cara e a coragem,sem emprego,nem dinheiro...Madeira

Recomeço de vida - 1980

Nunca pensei que sentiria tanto e que sofreria tanto por sair da PF.Levei muito tempo somente pensando nos fatos e sofrendo.Não tinha coragem de passar pela avenida Vitoria,pela frente da PF e noite após noite,deitava e chorava copiosamente,fazendo de tudo para Te não o ver,ou indo para o closet de nosso quarto ou afogando o rosto no meu travesseiro ou ainda indo sentar do lado de fora de casa,ao ar livre,para sentir a friagem da noite me consolar,olhando o ceu e pedindo proteção a DEUS.Relembrava tudo que tinha feito pela PF,os sacrificios que tinha submetido a minha familia,as ausencias,as dificuldades,os parcos salarios,as mudanças de residencia,as viagens continuadas e cada vez sentia-me pior e desamparado.Ao meu pai não tinha coragem de contar por saber que ele iria sofrer muito e sentir muito.Ao Sidonio,que tentou me ajudar,indo falar com o Moacir a respeito,do qual ouviu que eu jogava bola com os agentes,como grande pecado,eu falei e assim fui tocando a vida dando minhas aulas,agora de manhã,tarde e noite,felizmente com Te e as crianças bem.Recebi na época alguns convites.Um foi do grupo Camilo Cola,do Diretor Administrativo da Viação Itapemirim,o José Luiz,que tinha sido meu aluno na FAESA.O convite era para fazer parte da equipe em um cargo administrativo,mas fui lá e depois de saber as condições,ainda que com um excelente salario,não aceitei,pois vi logo que teria vida curta.Segundo ele o comendador Camilo Cola exigia dedicação exclusiva de seu staff,sem hora para nada,a não ser para ele,ou seja,de repente ele te chamava e voce tinha de ir e fazer o que ele quizesse e como quizesse...Não era minha cara.O fábrica de ceramica Eliane,na Serra também chamou-me para Diretor Administrativo,mas as informações também não me agradaram.Fui sondado,através de um parente do governador,meu aluno na FAESA,para ser indicado para superintendente do IBAMA,na época em greve,cargo politico que também agradeci.O Chefe do serviço de informações da Secretaria de Segurança,um coronel da PM,Sebastião Gonçalves,também levou-me ao Secretario e fui convidado a ser delegado da policia civil,naquele tempo era cargo comissionado,não tinha policia de carreira e bastava ser bacharel em direito e ser indicado por algum politico ou alguém amigo do rei e pronto era nomeado,mas sem qualquer garantia,pois se desagradasse algum figuraço estava demitido e eu já vinha pronto e acabado,pois tinha curso de formação de delegado da PF,vários outros cursos,incluisve no exterior e até o curso superior de policia,o que ninguém tinha no ES.Vi logo,que além do baixo salario e do baixo nível,havia tudo que eu combatia na PF ou seja politicagem(e a mais a corrupção e a violencia) e senti que seria aceitar e na primeira batida de frente eu estaria na rua.Então veio um convite qie achei muito bom,mas não foi,pelo contrario era o pior de todos,mas eu não sabia:voltar para o Ceará e montar uma fundação para a Coca-Cola do Nordeste. Conversei com Te,como em todos os fatos e ela achou bom e lá fomos nós de volta para o Ceará,todos juntos,pensando que seria para toda a vida.Às vésperas do embarque vi fotos em um jornal aqui do ES dos agentes da PF em greve,a primeira do órgão,sentados na porta da SR,jogando cartas,ou seja,tudo que acho errado em um órgão policial e que eu combatia ocorrendo,o que até me deu algum alivio,por sentir que a PF que eu idealizava não mais existia...Madeira

sábado, 17 de julho de 2010

Setembro de 80 e a saída doída da PF

Com Terezinha,ainda que com muitas restrições pela proximidade do transplante e com muito medo dos médicos de uma rejeição,mas sentindo-se melhor a cada dia,com ânimo,fomos tocando a vida e eu dedicando-me ao trabalho e brigando com todo mundo,face ao meu sonho de uma policia perfeita.Perfeita como?Sem influencias politicas,sem atendimento a pedidos de pessoas ditas influentes,que não visse a cor ou categoria social das pessoas objeto das apurações,que tratasse efetivamente a todos com atençâo e educação,na qual houvesse clareza nas responsabilidades,uma forte hierarquia,mas uma hierarquia baseada no exemplo vindo das lideranças,dos chefes maiores e sem a presença de sindicatos,de greves,de corporativismo e sem uma clara divisão de grupos tentando dominar a corporação(esta já estava acontecendo) e de qualquer prejuizo ao povo em geral,o que eu via claramente estar para acontecer.Através do que podia eu reclamava à ADPF e não aceitava nada desse tipo.Tive um grande problema ao prender duas socialites,uma filha de um deputado e outra do prefeito da capital,por problemas tributarios e cada dia mais sentia que a revolução tinha acabado,com o Figueiredo fazendo e aceitando conchavos politicos,dando forças aos politicos,em nome dessa pseudo democarcia em que vivemos,na verdade uma tremenda e injusta demagogia,onde os fortes,os ricos,os dominantes economicamente,que são sempre os mesmos perpetuam suas vantagens.Eu que já tinha representado como assessor do DG contra ele algumas vezes,estava sofrendo e desanimado e então com um salario muito pequeno,que complementava com muito esforço dando aulas a noite nas faculdades e em cursinhos aos sabados.Então veio a gota de água,o final de tudo.No mês de agosto,próximo ao final,em uma operação contra tráfico,uma equipe nossa trocou tiros com um traficante,que levava junto esposa e filhos e morreu uma menina que estava com ele,em um sabado a noite.Fui de madrugada para a superintendencia,assumi a apuração,determinei a instauração do inquerito policial para apurar os fatos e lançei no livro de ocorrencias do delegado de dia,conforme era de minha responsabilidade como coordenador policial,mantendo a imprensa afastada do caso.Na segunda apresentei o relatório ao SR e ele virou o bicho comigo esculhambando-me e eu não aceitei e parti para o confronto,pois as medidas eram de responsabilidade policial e não administrativa.Simplificando a história,sem que eu soubesse ele solicitou a Direção Geral a minha suspensão por trinta dias e eu trabalhando normal,ainda que sem dar muito papo a ele.Então já com a punição publicada em boletim reservado,mas que todo mundo acabava sabendo e em todo o Brasil,fui chamado a sala do SR e lá estavam todos os delegados reunidos,para tomar conhecimento da punição que seria lida pelo corregedor.Uma tremenda traição,desmoralizante,que me obrigou a entregar o cargo de coordenador policial,por vergonha,por amor próprio.De imediato afastei-me do serviço e derrotado,acabado,com um imenso amor pela instituição que tinha ajudado a criar,que tinha me entregue de corpo e alma,com prejuízo de todos ao meu redor,em especial de minha familia e fui para casa chorar.Após algns dias de pensamentos tentei me mexer e reverter a situação,mas em Brasilia,mesmo aqueles que me conheciam,na quase totalidade,à exceção de um ou outro como o Marco Antonio,depois também injustiçado e do Anconi,diretor da ADPF,viraram as costas para mim,tendo o DG,o Moacir Coelho negado me receber e mandado a Vitória para saber na verdade o que tinha acontecido(porra após ter assinado a minha punição),um certo Walter Dias,corregedor,que era amigo intimo do SR,o Alexi Daher.Ora,a emenda pior do que o soneto.Fui lá,depus para o esse tal de WD,sabendo que nada adiantaria e senti que o que iria acontecer seria eles no fim acabarem por me demitir e me colocar na rua,pois havia o clima de corporativismo e eu nunca filiei-me a nenhum grupo,muito menos e esse então dominante,dos delegados antigos,oriundos da policia dos distritos de Brasilia,que inclusive tinham birra com os tenentes da GEB,grande parte então já delegados,pois achavam que nós(eu não pois não fazia parte de nenhm grupo)iriamos derrubá-los.Nessa altura Terezinha que acompanhava minha angústia,o sentimento de dor de injustiça por mim sentidos,sem que eu soubesse,tinha sabido pelo Egydio que estava havendo uma reunião de delegados na SR com o WD,para assuntos diversos,fonou para o Alexi e começou a falar com ele ao fone e deixou-o pendurado no fone e correu para lá(moravamos atrás da SR,minutinhos a pé)e invadiu a SR,meteu a mão na porta do gabinete do SR e esculhambou com eles todos,desde o Alexi pela covardia,ao WD pelo maucaratismo e aos delegados locais pelo medo de comentarem qualquer coisa a meu favor.Acabado de falar virou as costas e voltou para casa.Quando eu cheguei em casa e soube fiquei a um tempo orgulhoso dela e do amor que ela nutria por mim e por outro todo torto pelas consequencias e que vieram,pois foi instaurado um inquerito contra ela,no qual eu fui depor e que não deu em nada porque eu liguei-me com Brasilia e negociei com o DG,através do Coordenador Policial Central,Alceu,que era do time deles,o arquivamento desse inquerito,a minha não transferencia já decidida para o Piauí e o sem efeito na minha suspensão desde que eu pedisse demissão do DPF.Óbvio que eu tinha de aceitar pois não podia ir para um Piauí da vida,com a mulher recem transplantada,punido e perseguido e para ficar encostado.Ainda tentei uma licença sem vencimentos de dois anos para o tratamento de familiar doente,mas não aceitaram,só após eu ser removido e aí FIM do DPF.Depois de meu pedido de demissão ser publicado em boletim,foi tornada sem efeito a minha punição e pelo menos saí com a ficha limpa.Assim,no dia de aniversário de TE,17 de setembro de 1980 entrei pela última vez na SR,apenas na portaria,no protocolo geral e dei entrada no pedido de demissão,acompanhado de minha carteira funcional e da minha arma oficial.No entanto ainda tive de voltar mais uma vez ao prédio da PF para prestar um depoimento para o Egydio a pedido dele,que estava afastado de licença médica face a dores na coluna,já operada,por força do acidente sofrido,na capotagem do carro em que estava e do qual eu tinha sido testemunha e o socorrido,o que fiz e assim o ajudei a aposentar-se por invalidez na PF,o que ele conseguiu e o ajudou inclusive a quitar os dois aps,da Mata da Praia e de Guarapari,que eu tinha indicado e ele tinha adquirido financiado pelo Banestes...Madeira

quarta-feira, 14 de julho de 2010

O pós transplante,até setembro de 80

Terezinha passou mais de um mês internada no hospital São José,pós transplante,com diversas ameaças de rejeição ao novo órgão,o que seria trágico.Ela ficava em um apto isolada do mundo,onde ninguém podia entrar,no inicio,todos nós só podendo vê-la da porta,pelo vidro de espia.Com vinte e pouco dias foi abrandada essa vilancia sanitaria e então podiamos entrar no quarto um pouquinho,após lavar bem as mãos e vestir uma indumentaria completa sobre as nossas roupas,com uma touca e uma máscara.Em uma das vezes que eu lá estava com ela,pois iamos sempre diariamente lá,eu de manhã e a tarde,chegou uma das serventes para fazer a higienização do quarto e era novata e foi hilário.Ela colocou a roupa para fazer a limpeza e não colocou a máscara sobre a boca e eu avisei a ela que tinha de colocá-la e virei-me para continuar a conversar com Te e Te desatou a rir e a olhar para a servente.Virei-me e ela tinha posto a máscara sobre os olhos e estava passando o pano no chão sem ver o que estava fazendo...Foi muito gozado.Nesses cerca de quarenta dias foi inclusive a comemoração de quinze anos de Monica,nossa afilhada e eu arrumei a capela da EAMES,para a missa e acabei tendo de ir a tudo sozinho sózinho,pois Te estava na data internada.Vencidas as seguidas rejeições Te foi liberada para ir para a nova casa dela,com o compromisso de fazer um controle rigoroso,através de exames de sangue semanais e de tomar os remedios contra rejeição com rigor,que aliás eram muito caros(depois consegui inscrever Te no programa de recebimento dos remedios e passamos a recebê-los gratuitamente).A equipe do transplante foi sensacional, competente,amiga,dedicada,em especial o Dr. Delson,um nefrologista baixinho,titular de Terezinha,de uma eficiencia e capacidade incomparaveis.Também o chefe da equipe de nefrologia,o Dr. Pio e os demais nefros o Dr.Lauro,o Nilson,o urologista Dr. Fabio e o pai,o dono do hospital,o Dr. Benicio,alem dos angiologistas,Dr. Sandri e Dr. Monteiro e do cardiologista o Dr. jorge França foram de uma dedicação e competencia impar,devendo-se a eles,na parte médica e corpórea o êxito do transplante e na parte espiritual a fé de dona Hilda,com toda a raça e determinação de TE sendo os determinantes para esse transplante ter dado tão certo,apesar de todas as dificuldades de então e muito mais no ES.Joana também foi fator decisivo para tudo correr bem,pois ela deu tranquilidade para Te ao ficar com as crianças,assim como Egydio e Ivone sempre no hospital e depois lá em casa,apoiando em tudo.Joana chegou ao ponto de no inicio das aulas que eu dava nas faculdades ir comigo e as crianças e ficar com eles no patio das faculdades,enquanto eu trabalhava.Março chegou e nós em casa com uma nova e entusiasmada Te,cuidando da casa,plantando uma coisa e outra,mais confiante em uma nova qualidade de vida.Já no trabalho na PF,ao qual não faltei ou deixei de manter tudo em dia as coisas não iam bem,pois o superintendente mostrava a cada dia mais ciúme de mim,dono de uma tremenda insegurança e um indevido medo de que eu tomasse o lugar dele,o que não me passava pela cabeça,tanto pelo lado moral,como pelos meus problemas familiares e eu desejava apenas ficar aqui no ES,quietinho,para não expor Te a mudanças,pois eu sabia que ele não deixaria eu ir para outro local sem toda a familia.O fim,sem que eu soubesse aproximava-se...Madeira

quarta-feira, 7 de julho de 2010

O transplante

O dia 19 de janeiro de 80 foi o dia mais angustiante que passei e nunca vou esquecê-lo.Terezinha como sempre confiante,corajosa,apesar de chateada,por ver na doação feita por dona Hilda uma agressão ao corpo dela,levantou-se cedo,muito enfraquecida, andou pela casa toda,foi a área externa,onde cuidava de algumas plantas que lá existiam e arrumou-se,sem muitas palavras.Chegamos os três(nós e dona Hilda) ao Hospital São José,por ela escolhido para fazer o transplante renal,pois lá fizera sempre todos os procedimentos de hemodialise,na hora aprazada,às oito horas e fomos encaminhados para um quarto.A equipe médica composta de dois nefrologistas,Dr.Lauro e Dr.Delson,com o apoio de um academico,hoje também nefrologista,o Nilson;um urologista,o Dr.Fabio,dono do Hospital e dois angiologistas,Dr. Monteiro e Dr.João Luiz Sandri,todos já amigos,pelo quase um ano de tratamento e de preparo de TE para o transplante estava confiante,mas nervosa,pois seria aquele o sétimo tansplante de rins a ser feito no Estado,de paciente vivo e somente dois pacientes tinham sobrevivido,um de Domingos Martins e o Carlos,um plantador de abacaxi da Serra.Estavam tão preocupados,pois era o primeiro transplante de alguém de mais alguma projeção,que até as vésperas do transplante tentaram convencer Te a ir fazer o transplante em São Paulo,onde eles tinham todos feito residencia e que era muito mais adiantado do que o ES.Ela negou-se sempre com veemencia,alegando que se o problema tinha se manifestado aqui,aqui que seria o transplante,além do que se desse certo ela iria para a casa dela e ficaria perto dos médicos para qualquer emergencia e se desse errado também estaria junto de toda a familia.A força de vontade dela foi contagiante e acabou por motivar a todos nós e a equipe médica.O Levy veio do Rio,com toda o seu conhecimento médico e amor por nós,além da força espiritual e ficou o tempo todo junto comigo,nos corredores do hospital.Dona Hilda já agarrada conosco há muito tempo,com suas rezas e promessas,foi sorrindo para o ato de doação e amor.Egydio e Ivone chegaram cedinho e lá permaneceram o dia todo.Certamente muitas e muitas equipes de protetores espirituais lá estavam.Ás nove horas,após dona Hilda ter sido levada,despedimo-nos de Terezinha no quarto e ela foi para o centro cirurgico,como sempre com muita briga,pois não queria de forma nenhuma ir de maca,deitada,pois alegava que podia ir andando.Por especial deferencia foi em uma cadeira de rodas hospitalar.Ela não era facil,era dona de uma coragem indômita.A expectativa era de demorar cerca de seis horas,todo o procedimento,pois incluía, tirar um dos rins de dona Hilda(que também já tinha feito todos os exames e tudo estava certo,com a única dúvida de que era um rim de sessenta anos de uso) e concomitantemente colocá-lo em Te,a frente,em um espaço no abdomen,já próximo do quadril dianteiro.Eram portanto duas cirurgias feitas ao mesmo tempo e que consistiam no desligamento de várias arterias e veias,do ureter e outros pequenos órgãos,com a respectiva secagem do que não fosase mais funcionar em dona Hilda e a colocação em TE,com as inúmeras ligações dos mesmos tipos dos desligados de dona Hilda.Os rins de Te que não mais funcionavam e estavam secos,ficariam lá no lugar de sempre,mas sem qualquer utilidade,pois não tinha porque retirá-los.Assim,era de se esperar que cerca das três horas da tarde tivessemos o resultado do transplante. Passei esse tempo todo sentado em uma escada próximo a saída do centro cirurgico, rezando e pedindo aos céus que tudo desse certo.Em um momento nesse espaço de tempo de espera angustiada notei qe ao lado direito de onde eu estava sentado tinha uma saída de metal,por onde retiravam os mortos no dia no hospital e o descobri porque saiu um corpo embrulhado em um lençol,que foi retirado por dois enfermeiros.Imaginem o susto e cagaço que senti,que passei.Na hora do almoço dei um pulo em casa e chequei com Joaninha se estava tudo certo com as crianças e Joaninha é certeza de que tudo correr bem,sempre.Carreguei o Levy comigo e ele também não quis comer.Que amigo,que companheiro.Egydio e Ivone não sairam do hospital e comeram qualquer coisa por ali.Também foram e são dois companheiros especiais.Na minha espera passei por um cagaço imenso,pois a escada onde eu estava sentado,era na passagem da saída do CTI e em um momento passou um morto,que tinha empacotado na operação.Imaginem o medo que me assolou,logo dominado.Somente as quatro e meia é que acabou o transplante,passando dona Hilda primeiro para o quarto dela,onde ficou a Ivone a noite com ela e depois Te,ambas cpmo é lógico apagadas,mas segundo os médicos com tudo certo.Indaguei o porquê da demora e soube que na hora da ligação das artérias do rim,já implantado em Te,o Dr.Monteiro tinha perdido uma delas,que lhe escapuliu das mãos e jorrou sangue longe,o que o levou a se deseperar e a começar a gritar e sapatear,pelo medo de dar errado o procedimento,no que foi ajudado pelo outro angiologista,Dr.Sandri,que a recuperou,estancou o sangue e terminou a suturação.O pior veio depois porque,pelos riscos de rejeição,causada por infecção holspitalar,Te teve de ficar em isolamento,sozinha em um quarto e só podiamos vê-la da porta e acenar para ela,o que durou mais de vinte dias,vinte e três dias no total...Madeira

O ano de 79 e suas dificuldades

Um ano de muito trabalho e amor,união no lar.No trabalho,mesmo com a correria para atender TE e as crianças,conseguimos com muito trabalho fazer a SR deslanchar,com muitas reuniões,trabalho diuturno,acompanhamento de todas as operações,sem faltar ao trabalho e ainda acompanhando algumas operações,mais delicadas,tudo isso com muita dificuldade pelo nível de preparo dos delegados,pois era a maioria de final e desinteressada carreira.Tinham inclusive o costume de entregar tudo para o escrivão fazer,apenas assinando e onde o escrivão determinava.Tive de marcar em cima e até ameaçar essas partes para cortar esse costume.As noites aulas nas faculdades,com bom retorno nas avaliações de alunos e direções.Também fazia palestras na ADESG/ES e em colégios particulares sobre drogas.Tive a sorte de voltar a ter Egydio e Ivone junto de nós,pois ele,por motivos particulares tinha resolvido sair de Lorena e pediu-me para arrumar para ele vir para o ES.Com o meu restinho de prestigio consegui fazê-lo e com isso tivemos o apoio deles aqui junto a nós.Foram durante todo esse tempo de lutas companheiros de todos os momentos,tanto de dificuldades,quando estavam ao nosso lado,com o Egydio sempre que pedido doando sangue para TE,como para os de lazer,em churrascos aos domingos,nas diversas praias de Vitoria.Inclusive consegui para o Egydio também dar aulas nas faculdades.Nesse ano fui procurado pelo Secretario de Segurança Pública Gen.José Parente Frota que pediu o auxilio da PF para reabrir a Acadepol, Academia de Policia Civil,para o que pus-me ao dispor.Foi nomeado para reativá-la um juiz de direito aposentado,inteligentíssimo,de quem tornei-me um admirador,o Dr. Valdir Vitral.Com isso,valendo-me da minha experiencia na ANP,onde montei inúmeros cursos e concursos,obviamente junto com equipes,pedi o envio de lá de todo o material de ensino policial atualizado e montamos todos os cursos que eram desejados pela SESP/ES.Como o prédio da Acadepol estava sendo construído na Reta da Penha,atrás da sede da Policia Civil,o primeiro curso nessa reinauguração da Acadepol,de aperfeiçoamento de datiloscopista policial foi dado no pequeno auditório da SR,pois eram cerca de dezoito alunos e das oito disciplinas eu lecionei sete,ficando apenas uma especifica dessa área de atuação policial,que foi ministrada pelo nosso chefe do setor de identificação o Dr.Valdir,já aposentado e hoje conceituado advogado em Vitória.A formatura foi no auditorio do Detran e eu fui o paraninfo da turma.Depois desse fui professor e ajudei a preparar "ene"cursos, durante décadas.A relação com as policias estaduais,tanto a militar como a civil eram boas,em especial com o Cel Sebastião,chefe da DOPS/ES,o então Ten. Mario Natali,então Diretor Geral do DETRAN e com os delegados estaduais.Dentre estes o mais famoso era o delegado titular de crimes contra o patrimonio,Claudio Guerra,muito mal afamado,com quem só tive um encontro,não muito amistoso,mas que só redundou em um afastamento.Este fato ocorreu quando furtaram a bicicleta do Caio,pulando o muro lá de casa,antes de Te reformar a nossa casa,subindo os muros e colocando grades.Fui então a delegacia de crimes contra o patrimonio,onde recebido pelo Claudio Guerra,para registrar a ocorrencia e solicitar diligencias,inclusive levando a nota fiscal da bicicleta.Claudio Guerra recebeu-me e disse que eu não fizesse ocorrencia e levou-me a um deposito com dezenas e dezenas de bicicletas apreendidas e disse-me que escolhesse uma,a que melhor me atendesse e levasse,o que seria mais fácil.Agradeci e fui embora,sem mais comentarios.Bem,o mais dificil do ano foi para TE,que face a não poder beber muita água,nem comer sal e as hemodialises,foi definhando,chegando a pesar pouco mais de trinta quilos,ficando sem forças,a tal ponto que no segundo semestre do ano,nos dias da hemo,não conseguia descer,nem subir as escadas do segundo andar,onde moravamos ao terreo e eu a levava,em ambas as vezes,no meu colo.Durante a tarde do dia em que ela fazia a hemo,ainda tinha algumas forças,mas no dia seguinte estava abatida,permanecendo a maior parte do dia deitada.No entando nunca desanimou e nas noites,deitada,nos meus braços,sempre dizia que ia viver pelo menos até fazer as festas dos quinze anos das meninas(conseguiu muito mais).Também quando informada que a única saída era o transplante e de pessoa viva,de parentesco junto(ascendente ou fraterno),pois o de morto,ainda não estava regulamentado e existiam muitas dúvidas sobre compatibilidade,negava-se a aceitar essa ideía,pois dizia que era mutilar uma pessoa viva.Com isso e com a força espiritual começou,com nosso apoio,meu e de Dona Hilda a procurar orientação espiritual.No ES visitamos vários lugares,inclusive um padre paraplégico em Cobilândia,que diziam que fazia milagres e a casa espirita do IBES,com um cego,que trabalhava com psicografia,o Julinho.Fora ela viajou comigo para Porto das Caixas,próximo a Itaboraí,onde também havia um milagreiro,esteve levada pela madrinha,dona Arlete,com Chico Xavier,estivemos com Zé Arigó,em Palmeira,próximo de Recife,apoiados por um grande companheiro de lá,o Major Hiram,que tinha feito o curso no CEP comigo,Levy veio aqui vê-la,estivemos no Rio,no galpão do Curtume Carioca,onde era recebido e fazia operações espirituais o Dr. Fritz(esqueço o nome do medium),enfim foi uma peregrinação na qual procurei apoiá-la em todas as buscas,até ela convencer-se que tinha de fazer o transplante.Dona Hilda desde o inicio queria doar um dos rins para TE,mas ela também não queria pela idade dela e por entender que ela já tinha pouca saúde.Ismael sondado,já residindo no Ceará,simplesmente deixou de atender nossas ligações telefonicas e não havia outra possibilidade.Daí,com tanto sofrimento e como todas as buscas de cura espiritais tiveram como orientação que a cura dela era terrena,ela concordou em fazer o transplante.Fomos então até o Rio consultar com o maior médico de rins do Brasil,referencia mundial,Dr.José Vicente e ele confirmou que o transplante e de irmão ou pais era a saída e com menos risco de rejeição.Não nos faltou durante todo esse tempo de angústia o apoio espiritual vindo através da mediunidade de dona Hilda,que volta e meia,nas horas de mais dúvidas,em especial às quartas feiras,dia de preto velho,recebia,no nosso quarto o meu mentor espiritual,Pai José,que sempre dava passagem ao compadre seu Boiadeiro,ambos sempre nos animando,com muito carinho e amor.Confesso que me fazia muito bem e que tenho saudades dos papos com Pai José.Convencida de que a cura era na matéria e que nada podiam fazer os espiritos fez-me TE um pedido,pois tinha então certeza de que iria fazer o transplante e que ele iria dar certo:queria fazê-lo e ir morar em casa própria,com algo dela e para ela cuidar.Outra guerra,procurar casa e como ela gostasse.Pois não é que essas decisões foram todas tomadas em novembro e em poucos dias ela tinha localizado a casa que queria,perto da SR,em uma rua tranquila,sem movimento,a avenida Nossa Senhora das Graças 40,que estava a venda.Usei todos os meus conhecimentos e o cargo,me virei,consegui os documentos e o financiamento junto a CEF e como o dono já estava com a nova morada pronta e doido para morar,acertamos tudo e ela marcou a mudança para o dia 18 de janeiro e o transplante para o dia seguinte 19 de janeiro.Que mulher admiravel e corajosa...Madeira

terça-feira, 6 de julho de 2010

A SR que encontrei

À exceção da ANP e da SR/CE em todas as outras comissões ou eu implantei ou recebi com problemas e o mesmo ocorreu no ES.Delegados e agentes às vésperas de aposentadoria,sem vontade,inexistencia de comando,de liderança,baixa produtividade e então coloquei para eles,nas minhas reuniões que comigo se trabalhassem teriam recompensas como folgas extras,mas que policia tinha que trabalhar e muito aos sabados,domingos,feriados e fazendo o trabalho com tecnicidade e dentro da lei.Com muito cuidado passei a acompanhar todas as ações,exigindo as ordens de missão,verificando os meios empregados e os resultados e logo no primeiro dos quase dois anos a produção,principalmente na repressão as drogas e ao contrabando,a primeira por ser o ES rota do tráfico,da maconha vinda do Nordeste por terra e de contrabando pelos portos internacionais/cargueiros do Estado.Também apresentei-me,menos a imprensa,pois agora eu não era o superintendente a todos os órgãos do Estado,com séde em Vitória,visitando a chefia dos públicos de todos os níveis federativos,colocando o DPF a disposição e explicando qual o apoio que podiamos dar e em que estavamos a disposição e agendando reunião na sala de reuniões da SR,com todos os representantes dos órgãos privados que se relacionavam com as diversas áreas de atuação da PF,como farmacias,cias de importação e exportação,cias aéreas,órgãos de diversão,no caso das que eram objeto de controle da nossa censura,enfim em todas.Estabeleci contatos diretos com as policias estaduais,civil e militar e rodoviaria federal,com reuniões e trocas de informações.Passei a fiscalizar as atividades de policia judiciaria,os flagrantes e inqueritos e o cartório,atribuições da coordenação judiciaria,mas por mim exercidas a priori,para evitar a ação de correição posterior.A SR estava instalada na avenida Vitoria, próximo a av.Marechal Campos e em instalações que tinham sido do Estado,hoje já inexistentes.A calçada era recuada para permitir que se estacionasse carros a frente da mesma e à entrada principal dicava a recepção e o protocolo de um lado e a sala do SR e a censura do outro.A partir daì abria-se um patio,ficando as salas das delegacias e das demais repartições para os dois lados.A minha sala ficava para a esquerda,após a pequena sala de aula,que servia para as reuniões de trabalho também.Ao fundo ficava o setor de transporte e a garagem,com uma saída para a rua lateral para as viaturas de serviço e o setor de comunicações e um pequeno xadrêz. Eu praticamente não viajava,salvo algumas incursões de um dia,para conhecer alguma coisa de interesse profissional,como a ida a aldeia indigena de Aracruz,pela responsabilidade da PF para com os indigenas e aos Portos do Estado.Na ocasião pude ajudar uma sobrinha de Terezinha,filha de uma das irmãs da Ivone,a Nailane,que tinha sido raptada por um namorado vagabundo e levada na marra para o interior da Bahia.Meus agentes a localizaram,prenderam o cara e a libertaram.O cara foi posto para sumir da vida dela,com um bom susto e ela devolvida a familia.Tudo isso funcionou bem,mas é óbvio que criou uma baita inveja e mal estar na minha chefia,pois a todo momento vinha alguma referencia sobre os trabalhos por nós desenvolvidos,o que veio,mais a frente,a redundar na merda final,a minha saída do DPF.Nunca culpei ninguém,pois a decisão de sair foi minha,pois antevi,que ia acabar mal,mas poderia também não ocorrer se eu me modificasse,hipotese em que na época nem pensei,dominado por uma imensa autossuficiencia e porque não dizer um orgulho,possivelmente idiota...Madeira

A péssima chegada familiar a Vitória

Chegamos,todos de avião,em Vitória,às 18 horas,em um dia esquecido,no começo do mês de fevereiro e fomos para a nossa nova residencia,já montada e pronta para mais uma vez reiniciarmos nossa vida.No entanto,nessa mesma noite iniciava-se uma batalha pela sobrevivencia feita por Terezinha,que aí reemergiu agora não só como esposa e mãe impar,mas também como uma mulher de fibra,como aliás já tinha mostrado em toda a meninice e adolescencia,face as dificuldades de todo tipo porque tinha passado e sempre vencido.Ao estarmos prontos para deitar,cerca de 22 horas,ela começou a passar mal,com a pressão alta,dificuldades de respirar,peso no peito,um grande inchaço nas pernas e sem estar mais urinando.Comecei a buscar ajuda e quem nos acolheu e tomou todas as providencias foi o Mottinha,amigo recem encontrado e de uma dedicação especial.Ele,atendendo meu SOS telefonico,foi lá para casa com um médico amigo,que depois trabalhou comigo na CST,o Dr.Aulair,que examinou Te e recomendou internação imediata,para retirada de líquido que estava fazendo o inchaço e que fatalmente chegaria aos pulmões e a levaria a morte.Deixamos as crianças dormindo,sob responsabilidade de Joana e Motta nos levou para a Santa Casa,em um morro no centro da cidade,que não conheciamos,ao tempo em que acionava um médico amigo dele,cardiologista,que era então simplesmente o Secretário Estadual de Saúde,o Dr.Gelio Farias,dos mais renomados e competentes do ES.Foi diagnosticado que os rins de Terezinha tinham parado de funcionar e ela teve drenado o excesso de líquido retido e ficou internada,comigo ao lado.No dia seguinte,sempre conduzido pelo Mottinha,pois nada conheciamos da cidade,fomos apresentados ao dono do Hospital São José,próximo a então Rodoviária de Vitória,atrás do SESC,no centro,o Dr.Benicio Pereira,cujo hospital estava se especializando em doenças renais,já tendo inclusive realizado alguns poucos transplantes de rim e especialidade que tinha a frente o filho dele também médico,urologista,o Dr.Fabio Pereira e para lá foi Te para realizar uma série de exames que disesse efetivamente tudo que ela tinha.Veio então a resposta da medicina a pressão alta que tinha começado ainda em Fortaleza,portanto a mais de três anos ae que se descoberto a tempo poderia ter evitado tanto sofrimento dela e o depois ocorrido transplante.Enquanto isso eu tive de apresentar-me a SR e começar a trabalhar e apareceu toda a importancia e amor de Joana,que assumiu cuidar das crianças,da casa,de mim e como Te gostava,com atenção e firmeza.Com todos os exames feitos o diagnóstico confirmou que os rins não estavam mais funcionando,estando totalmente deformados,como duas uvas passas,enrugados,sem as atividades renais,daí os edemas,a falta de urina e a pressão alta.Foi então feita uma sessão de dialise peritonial,que só Te para aguentar com tanta coragem,pois tratou-se de com um tipo de sacarrolhas medicinal abrir um buraco na barriga dela e com um caninho tirar o líquido retido.Dada alta a TE e passada a medicação contra a pressão,pois esta alta iria danificar o coração e prescrita a proibição dela ingerir qualquer quantidade de sal,a obrigação de beber o minimo possível de agua e o veto a qualquer esforço fisico,além de ter em dias alternados de submeter-se a dialise,para limpeza do sangue,o que substituiria o trabalho que teria de ser feito pelos rins.Na primeira semana ainda foi feita a dialise pelo peritonio,enquanto se instalou um "chante" no pulso esquerdo dela,que iria ajudar no bombeamento do sangue quando da hemodialise.Assim,em menos de uma semana tudo estava modificado nas nossas vidas:eu em um novo posto de trabalho,em uma SR cheia de pessoal idoso optante da policia do Rio,só pensando em aposentar-se ou passar os finais de semana lá,desestimulado e desinteressado,com um chefe macaco velho em delegacia distrital e velho em idade;TE,que era muito ativa,recolhida a uma cama praticamente o dia todo,pois bem que tentava e fazia algma coisa,mas logo perdia as forças;as crianças em uma nova cidade,em um colegio novo,com tudo e todos desconhecidos,sem nenhum amigo e a nossa salvação da lavoura foi a Joaninha,que a tudo assumiu e nada deixou faltar a nenhum de nós.Em um desses momentos de Joaninha com os três deixei-a no Parque Moscoso onde tinha uma miniatura de zoológico e ocorreu um incidente com o Caio,que redundou em uma continuada gozação com ele:ele foi dar um biscoito ou algum tipo de alimento aos macacos,na jaula dos mesmos e um dos macacos na ansia de pegar o alimento feriu o mão do Caio,obrigando-nos logo que soubemos a providenciar atendimento médico e vacinação para o Caio.A gozação veio a seguir:foi a conversa de que o macaco,que não tinha sido vacinado contra o Caio,tinha morrido.Para completar o dinheiro,muito menos do que eu ganhava antes,nas outras comissões,não dava para as novas despesas de aluguel,médicos, remedios,exames,outros e tive de me virar e ir dar aulas a noite,no que mais uma vez fui apoiado pelo Mottinha que levou-me a FAESA,uma nova faculdade,apresentou-me,pessoalmente ao dono,o Dr.Antário e que empregou-me de imediato,como professor de EB(Estudos Brasileiros),que estava sem titular.A FAESA ainda ajudou-me nos conhecimentos que fiz e que valeram depois para o Egidio os dois aps que ele comprou,pois o Diretor da Banestes Crédito Imobiliário era professor lá,o Walter Pimentel e ele ofereceu na sala de professores,em papos comigo,em vezes diferentes para mim(o Egydio ainda não dava aulas lá)financiamento na primeira vez para um ap na Mata da Praia,que indiquei para Egydio,que o comprou e logo depois outro em Guarapari,na Praia do Morro,que mesmo eu querendo comprar um lá,pois sempre que ia opara lá eu alugava,não quis,por absoluta incompatibilidade com o local,repassando também para Egydio o financiamento ofercido.O Motta ainda indicou-me para outra faculdade iniciante a hoje UVV,em Vila Velha,onde também fui aproveitado,também face ao meu curriculo e óbvio por ser delegado federal,como titular,para o curso básico,de Introdução ao Direito.Jornada diaria,portanto dobrada,de dia delegado, chefe das operações policiais e a noite professor universitário e tudo isso levando e trazendo Te para as hemodialises,às segundas,quartas e sextas.Eu levantava cedinho,comprava pão,leite e café para Joana fazer nosso café,ajudava as crianças a se arrumarem,dava café,preparava merenda ou dava o dinheiro,as levava para o colegio,voltava levava Te para o Hospital São José para a hemo,pouco antes das oito horas,a deixava lá,às oito estava na SR para o expediente,saía antes das doze e buscava Te,levando-a para casa,ocasião em que pegavamos as crianças no colégio,almoçavamos,menos Te,que comia pouquíssimo,uma batata cozida,um miojo(foi então que o conheci)e depois ela orientava,meio deitada os deveres das crianças e dava as ordens a Joana e eu voltava para o trabalho até às dezoito quando ia para casa,tirava o terno e ia para as faculdades em dias alternados.Sabados e domingos eu tentava animar Te saindo para algum passeio de carro e até para comer fora,algo que ela pudesse.Logo dona Hilda passou a vir e a ficar mais tempo conosco e esse foi o nosso inicio de vida familiar no ES.Vitória então era uma pequena e até desconhecida cidade do Sudeste.Por exemplo Camburi tinha apenas uma pista,com o mar bem pertinho dela,sempre cheia de areia da praia,trazida pelos ventos;esses imensos edificios que hoje a orlam,não existiam,Jardim Camburi muito menos pois só se acessava até lá por caminho de terra.A vida da cidade ainda girava em torno do centro da cidade.Não tinha a terceira e nem a segunda ponte.A Darly Santos também ainda não existia.A rodoviaria ficava no Parque Moscoso,ao lado do colegio Batista e do SESC e dava para apenas três onibus de cada vez.Ir de Vitoria para Vila Velha era um sacrificio,pois era pela atual ponte seca e nos horários que os trens da Vale trafegavam para o Porto,ela era fechada e tinha-se de esperar aquelas centenas de vagões passarem lentamente.Ir a Guarapari era pela BR,pois não existia a Rodovia do Sol,podendo-se até ir pelo esboço da mesma,mas por caminhos tortuosos.Em Guarapari só existia uma ponte e a frente da Praia do Morro era de areia,nãos endo a beira mar asfaltada.Ir para o interior do Estado era na maior parte por estradas de terras,à exceção da BR para Belo Horizonte e essas
estradas na chuva ficavam impraticaveis.A estrada para o Rio estava em obras perenes e trafegava-se nela por caminhos pelo lado de fora em toda a parte entre Campos e Macaé.A diversão era cinema e apenas dois eram bons,confortaveis o Paz,próximo das lojas Americanas e o São Luiz,próximo ao Parque Moscoso.Os demais ou eram poeirinhas ou de filmes pornôs.Canal de Tv era só a Gazeta,assim como jornal,pois os outros eram de escandalos.Em compensação não havia engarrafamento,nem flanelinha,deixando-se o carro estacionado com facilidade nas ruas do centro.Futebol era só no campo da Desportiva,único com iluminação e com conforto.O Rio Branco estava sem campo e o do Vitoria sem condições de utilização.A melhor forma de ir para Vila Velha era pelo aquaviario.Enfim era outra cidade...Madeira

A última temporada familiar em Brasilia e o ES

Os três anos de Brasilia foram para a familia mais tranquilos que os das missões anteriores,pois apesar das viagens pude dar mais tempo para todos,nos finais de semana e nas férias.Apenas,mal lá tinhamos chegado e nos instalados,passamos um grande cagaço com o Caio,que brincando dentro do apto,correu da cozinha para a área de serviço e não viu que a porta de vidro estava fechada e entrou de cabeça e corpo inteiro no vidro estilhaçando-o e se cortando todo;ainda bem que ele protegeu o rosto com o braço e este e um dos joelhos é que sofreram com cortes profundos,muita perda de sangue e dezenas e dezenas de pontos,com as inefáveis cicatrizes até hoje.Para variar eu estava trabalhando e TE se virou sozinha e o levou ao hospital,onde foi todo costurado.Em algumas viagens a serviço levei Terezinha,como a Recife,Campo Grande e Rio.Meus pais lá foram duas vezes,dona Hilda vivia lá.Finais de semana eram preenchidos com piqueniques na beira do lago Paranoá,em cachoeiras próximas a Brasilia,nos parques públicos ou na nova piscina de ondas de Brasilia.Tiramos férias em Lorena,para onde os Fernandes tinham sido transferidos e em Dourados,onde o Ismael tinha sido lotado,nesta com direito a um passeio muito bonito de litorina até Ponta Porã.As crianças estudavam ao lado de nosso apto funcional e em tempo integral,pois havia também a escola classe,no outro horário.Perdemos a Leia que quis voltar para o Maranhão e pedimos a Hilda que nos arrumasse outra menina,educada e amiga,para vir substituí-la e veio a Joana,que vale a nível de dedicação e amizade milhões e milhões.O único senão era a saúde de Terezinha,pois a pressão alta que dera as caras ainda em Fortaleza,manifestara-se com força total em Brasilia.Pesquisado por médicos e com os mais variados exames,não se conseguiu descobrir a causa e TE ficou sendo tratada com remedios para controlar a pressão e com a recomendação de que logo que possível fosse morar ao nível do mar.Eu continuava a jogar minhas peladas de futsal,durante a semana,agora sem qualquer compromisso e jogava,principalmente em uma com o pessoal do INI(Instituto Nacional de Identificação).Certa feita houve um incidente envolvendo Terezinha na nossa superquadra.Em um sabado de manhã ela saiu de carro para ir fazer algumas pequenas compras e ao voltar para casa,entrou correndo dizendo que estava sendo incomodada e depois seguida por um homem desde dentro do supermercado.Pela janela ela mostrou m carro parado embaixo do bloco com um cara no volante.De imediato desci,armado e o Ismael,que estava lá,desceu junto.Enquanto o Ismael para distrair o cara foi pelo lado do motorista e falou algo com ele,eu entrei pela porta do carona e meti o revolver na barriga dele,perguntando aos gritos o que ele queria com a mulher que ele estava seguindo.Ele tomou o maior susto,empalideceu,gaguejou,disse que não sabia que ele era casada(mentira,pois ela estava de aliança),pediu desculpas e se identificou,para provar que não era vagabundo,o que eu já tinha feito,era um tenentinho da FAB.Após o susto lembrei a ele que poderia ter morrido por se meter com mulher casada e ele foi embora rapidamente.Nos estudos consegui acabar no CEUB o curso de Administração,que tinha começado no Ceará,época em que também joguei futebol de campo pelo time do CEUB,tendo inclusive sido inscrito para jogar o campeonato brasileiro de 79,mas do qual acabei participando pouco e só no inicio, por causa das viagens,sendo banco do goleiro Zé Walter,excelente goleiro e gente,em alguns jogos,como contra o Botafogo,em Brasilia.Bem,com o fim do curso e do ano,escolha de mudança para Vitória feita,tratei de em novembro de 78 fazer uma viagem sem a familia a Vitória,aproveitando a volta,pós curso,de um colega que lá era lotado e que iria de carro,o Ivo Americano,genro do Silvio Caldas,que inclusive tinha cantado,a pedido dele,no nosso baile de formatura.Assim vim com ele até Vitória e conheci a cidade e a SR,ficando hospedado em um treiler,que ele tinha estacionado em Manguinhos.Daí voltei a Brasilia e preparei a mudança,entregando o apto funcional,viajando de carro para o Rio(aí já só tinha um carro),deixando as crianças lá com dona Hilda e vindo com TE de carro a Vitória para procurar casa.Aqui eu já tinha sido apresentado a algumas pessoas pelo Ivo e uma delas foi ao João Batista Motta,o Motinha,ex-Censor do DPF,que tinha saído da PF,para ser empresário e ele ajudou-me na busca de residencia,sendo que pela proximidade da SR,por ter um dos melhores colégios do ES praticamente ao lado,o Martim Lutero(onde já matriculamos as crianças,com o diretor o prof.Henrique) e ser um bairro tranquilo,decidimo-nos por morar em Bento Ferreira,em um pequeno prédio de três andares,na rua engenheiro Fabio Ruschi,que tinha um apto,no segundo andar,o 201,vago e com um preço de aluguel que cabia no nosso bolso.Assim,locamos o apto e voltamos para o Rio,para passar os trinta dias de trânsito e enquanto isso aguardar a confirmação da chegada da nossa mudança,que logo que chegou,voltei só e arrumei o ap,conforme já tinha combinado com TE,deixando certa a minha apresentação a SR,onde eu já tinha sido designado Coordenador Regional Policial,segundo na hierarquia,para o inicio de fevereiro,juntamente com o novo Superintendente,um delegado mais antigo,oriundo da policia civil de Brasilia,que prefiro nem dizer o nome,face a sua total incompetencia,na minha avaliação...Madeira

segunda-feira, 5 de julho de 2010

O Curso Superior de Policia e a escolha do ES

No inicio de 78 lá estava eu como assessor de ensino da AGP,na minha vidinha na ANP e de viagens,quando fui convocado para o Curso Superior de Policia,último da carreira de Delegado Federal,um curso de altos estudos policiais.Mais uma vez aluno da ANP,em um curso de fundo estratégico e que asseguraria a chegada ao ultimo degrau da carreira.Curso muito bom,com visão dos problemas de segurança nacional e pública,com muito de planejamento estratégico e muitas visitas técnicas,enfim valia e valeu.Mais,outra vez,fiquei queimado,por ter tentado ser mais verdadeiro que a verdade,de querer tudo certo.Arranjei uma baita briga com o então Diretor da ANP,por ter ele em um problema particular usado como mão de obra,tirando da sala de aula seis alunos para ajudá-lo.Em principio,é óbvio eu nada tinha com isso,mas representei contra ele e mais uma antipatia,agora inclusive com um colega,aumentando a minha má fama de "dono da verdade".E o pior não deu em nada.Terminei o curso em tercero lugar,o que me facilitou na escolha de para onde ir,pois nova lotação era obrigatória.Minha monografia sobre tráfico de drogas e o enquadramento legal foi aprovada com nota nove.Neste curso dei uma grande rata,pois após um dia de aulas,ao sair da Academia,já escuro,cerca das dezoito horas,gritei para um colega já no estacionamento,ao estar entrando no meu carro,que ele não esquecesse que para as aulas do dia seguinte tinha de trazer as andarolas e ele disse que não sabia o que eram andarolas e eu gritei de volta"é um c...... com duas bolas".Nesse momento notei ao meu lado uma delegada,depois Diretora da ANP,Dra Edna Horta e nunca fiquei tão vermelho e torto na vida.Findo o curso,ao saber das vagas existentes, levei para Terezinha os locais e junto escolhemos o Espirito Santo,pela proximidade do Rio de Janeiro,onde estavam nossos pais e demais parentes e amigos.Também influenciou a escolha o fato de Terezinha estar com problemas de saúde,mais especificamente de pressão alta e ter sido recomendado residir ao nível do mar...Madeira

A criação da ADPF,Associação de Delegados de Policia Federal

Minhas viagens às diversas e maiores superintendencias dando cursos e concursos,com reuniões e almoços com os delegados locais e mais o tempo que já tinha de delegado e mais ainda o fato de ter dado aulas nos cursos de formação,ajudaram na luta pela criação da associação dos delegados federais.Em Brasilia,com a presença de todos os delegados lá lotados,foi eleita uma comissão provisória para estruturar a associação,que teve o delegado Muniz Freire,nosso primeiro presidente,que foi estupidamente assassinado em um comemoração familiar no estacionamento do Hotel Sheraton,no Rio e eu como Secretario Geral,o executivo e mais as presenças decisivas e participativas dos delegados Paulo Watanabe,que foi o segundo presidente, Cury,Aldenor,Anconi,Edna,Fontenelle,enfim todos os delegados de Brasilia e com muita participação,com reuniões semanais,aos sabados,em um posto de identificação da Asa Sul,que estava vazio,emprestado para ser nossa séde provisória.Após muitas discussões e assembleias gerais,que traçaram o nosso modelo,em suas linhas gerais,que teve como base as nossas particularidades e os estatutos de associações de delegados estaduais,a nós enviados,fui encarregado de preparar a minuta do estatuto e do regimento interno e da nossa honraria maxima,a medalha de honra ao mérito"Tiradentes".Posteriormente todos aprovados em assembléia geral,com a presença pela primeira vez de representantes das superintendencias,antes só consultados por correspondencia e que também teve a eleição do primeiro Conselho Diretor,o que deu vida a ADPF.Toda essa documentação está com a minha neta Taís,inclusive os mapas de votação,onde eu apareço como o mais votado no Brasil,para exercer cargo no Conselho Diretor,que após eleito escolhia os nomes para os cargos,em votação somente de seus membros.Nas duas ocasiões,tanto na para a montagem da associação,como na após pronta,graças ao conhecimento e as minhas lutas,fui eleito,mas depois pedi para ecercer o cargo burocratico de Secretario Geral,pelas minhas rixas com a Direção Geral,pois o presidente é que se reuniria com o DG para levar as reinvidicações da categoria e eu é óbvio não era a pessoa indicada.Hoje,rei morto é rei posto e entendo que até com razão,pois abandonei o barco,sou citado,apenas nominalmente no site da ADPF,como mais um,mas tenho a consciência de quanto lutei,arrisquei-me e produzi na luta pela criação e instalação da ADPF.Também conduzi o concurso pela criação da logomarca da ADPF e da medalha Tiradentes,além de tê-los registrados no INPI.Valeu e esta foi uma das minhas boas causas na PF...Madeira

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Os cursos volantes e o curso no DEA/USA

Com meus conflitos com o DG,eu não parava na séde e vivia viajando para dar aulas nos cursos volantes.Titular da disciplina Investigação Policial,tendo sempre ao meu lado meu companheiro irmão Altamir Balbino,responsavel pela parte prática,que era inclusive filmada para os debates posteriores,eram os cursos um sucesso.Nesses três anos fomos a todos os grandes estados,levando esses conhecimentos,em cursos de quinze dias,um por mês.AM,PA,CE,PE,BA,MS/MT(ainda juntos e o curso foi em Campo Grande,ocasião em que conheci e jantei com um dos maiores goleiros do Brasil e o maior do FLU,Carlos Castilho,que treinava o Operario local e estava hospedado no hotel em que ficamos e eu o vendo um dia jantar só,fui a ele,identifiquei-me,como carioca,tricolor e delegado e batemos um longo papo)GO,RJ,MG,PR,RS,enfim em todos,e mais aulas na ANP.Esses cursos eram custeados pelo DEA/Drug Enforcement Administration,agência federal americana de combate as drogas e tinham a presença de um agente especial deles acompanhando.Eu coordenava o curso,nos aspectos administrativos e no fim aplicava após as minhas aulas as provas e fazia a festa de formatura.Nas horas de folga,sabados e domingos,conhecia todos os locais turisticos da cidade e do interior proximo.Também comecei a fazer a cabeça dos delegados locais da necessidade de criarmos um associação nacional de delegados da PF,para nos unir,defender e promover o aperfeiçoamento profissional e cultural.Também,quando não havia esses cursos do DEA,eu viajava para aplicar os concursos que estavam sendo lançados e bombando.Apliquei-os no PI,PE,RS,RJ,CE,dentre outros.Esse foi o lado bom do tempo de AGP,as viagens e o dinheiro das diárias.Esse conhecimento valeu-me ser indicado pelo DEA para fazer o curso de aperfeiçoamento anti-drogas nos USA,em Washington e New York,de quatro meses de duração,o que fiz,saindo a delegação brasileira em primeiro lugar na colocação final,pois eles avaliavam o grupo.Nós eramos seis delegados brasileiros,quatro do DPF(eu,Barros,Marcilio e Máximo,que foi meu colega de ap alugado em Washington),um do Estado de Minas,o Domingos e um do RS,o Valmir.No dia em que chegamos,uma sexta pela manhã,após um voo em que conhecemos e nos divertimos com um cantor,ainda não gospel e assim moleque e brincalhão toda a vida,o Nelson Ned,fomos recebidos por agentes do DEA no aeroporto de Washington e colocados em um hotel turista,com essa primeira diaria pór conta do DEA.Tratamos de no domingo catar um aparthotel para residirmos,pois em hotel não dava,face ao custo elevado.Já com indicação dos colegas que tinham feito o curso anteriormente,alugamos uma quitinete,cada uma para duas pessoas,em frente a Igreja de Saint Paul,que o presidente americano de então,Jimmy Carter,frequentava aos domingos,para o culto das dez horas,sendo nesse horário proibido entrar ou sair de casa e mesmo chegar a janela.Meu companheiro era o delegado Máximo,companheiro desde a GEB,onde era patrulheiro(trabalhava no RP)e que era um camaradão.A quitinete tinha uma sala/quarto imensa,onde tinha duas camas próximo da janela,uma cozinha a esquerda da entrada e atrás o banheiro,com banheira com chuveiro e vaso.Interessante era que o prédio,como muitos e muitos nos USA,era todo construído com um material tipo compensado,só sendo de alvenaria a área de escape de incendio,este com total isolamento do restante.Com isso quando o Máximo ia se desapertar no banheiro,na covardia do cinco contra um,ele batia na parede do banheiro e tremia todo o quarto.Também certa vez o policial venezuelano,o Carlos,doidinho e bom de copo,chegou tocado e deu um pontapé na parede e a afundou e depois se justificou que tinha feito o estrago ao tentar matar uma cucaracha(barata) na parede.Era bom e confortável e muito bem situado,pois iamos a pé para a séde do DEA,para as aulas,bem como para o centro da cidade.Faziam o curso delegados ou chefes(tinha de ser do nível de chefia,de comandante)do Chile,dos Carabineiros,Venezuela,Italia,Antilhas Holandesas,Peru,Espanha e nós engulimos eles todos.Toda a metodologia de ensino era em cima de "cases" verdadeiros,aplicados após uma pequena aula prática e com uma avaliação.Nós sempre acabavamos primeiro,ficando com meio dia ou até um dia inteiro livre e com o resultado sempre certo ou próximo dele.A nossa tradutora,dona Nancy,brasileira,funcionária do DEA,disse-nos que isso era uma constante,em todas as turmas de brasileiros que faziam o curso lá e que os demais tradutores reclamavam que ela trabalhava menos.Curso excelente com a parte teórica nas salas de aula do DEA em Washington e a prática em New York,esta recheada de visitas a CIA/FBI e escritorio local do DEA.Dos States,desta morada de quatro meses guardo algumas lembranças e aprendizagens muito boas.Estive lá entre maio e setembro,com muito calor e aprendizado da forma americana de comportar-se e ver o resto do mundo.Bem,eles não se preocupam com as pessoas ao redor,buscando fazer as coisas corretas ao modo deles e pronto.Comem muito fast food e na hora do almoço,no verão,compram seus imensos sanduiches,superrecheados,colocam de tudo dentro,com copos imensos de coca-cola,vão para o gramado das praças públicas,que são inúmeras,sentam-se ao chão e comem de lamber os beiços.É impressionante ver a quantidade de pessoas comendo dessa forma.Pois bem,ao terminar de comer recolhem todos os papéis e migalhas e as praças ficam impecáveis de limpas.Fomos no Valentine s Day(dia dos namorados local)a uma manhã de recreação com almoço na casa de um dos instrutores e foi marcante,por dois motivos básicos.Primeiro a recreação que incluiu um jogo de voley no gramado da casa e depois brincadeiras americanas bem cretinas,das quais lembro-me bem do campeonato de cuspe de caroço de melancia a distancia.Coisa de americano.Nesse dia tambem marcou-me o apoio dado aos donos da casa,pois tudo era feito com divisão das tarefas,nas quais nós nos incorporamos,devidamente coagidos.Desde montar a rede de voley a após o almoço catar o lixo e lavar as louças,tudo dividido entre todos e tanto homens,como mulheres.Também assisti as principais solenidades cívicas de 4 de julho,data nacional deles,emocionantes,eivadas de patriotismo.Efetivamente eles se acham superiores ao resto do mundo.No estágio em New York vimos procedimentos de segurança,que ainda não chegaram ao Brasil.Todas as salas dos órgãos de segurança nacional são travadas e só acessam a ela quem tem ou as digitais ou o fundo de olho registrado,dependendo da sala.As operações policiais são extremamente sérias e muito duras,não se admitindo,mesmo se inocente,qualquer desobediencia a uma ordem dada por um agente da lei.Um dos problemas que tivemos foi namorar e ficamos todos quatro meses virgens,a base de muita punheta.Motivo é que as americanas são ruins de dar para estrangeiro,salvo as prostitutas,para as quais fomos desencorajados pelos instrutores,face aos riscos de sermos assaltados pelos cafetões delas,por sermos estrangeiros.Quanto as cidades,Washington é uma cidade planejada,toda com visão de prestação de serviços públicos e os principais pontos a Casa Branca,o Congresso e outros são todos funcionais.Em frente a Casa Branca,dentro do espirito democrático,diariamente existem pessoas ou grupos fazendo manifestações contra algo,com cartazes ou megafones,andando de um lado para outro,mas que não tentem invadí-la...Aliás as policias,que são inúmeras,nos três níveis,muito descentralizadas,tendo até policia municipal especializada em estacionamentos públicos,que são imensos,para cinco mil carros e por aí.Já para as atividades privadas toda a segurança é feita através de empresas privadas,contratadas,como a Brinks e a Wells Fargo.Já New York é a cidade cosmopolita,com gente de tudo que é origem,com muita diversão,em especial na área do Radio-City e Times Square,com muitos teatros e locais de shows.Lá vi um show de "sex on the table",onde dentre outras coisas diferentes,vi um indiano(assim dizia a propaganda),magro,esqueletico, que após entrar no palco,sentou-se ao chão,de pernas cruzadas e de braços cruzados,sem mover um músculo,fechou os olhos e fez o penis endurecer e ejacular,numa prova do dominio da mente sobre o corpo.È coalhada de biroscas de sex shop,com corredores onde você,tem uma série de quartinhos,com tudo que é tipo de sacanagem.Você escolhe,coloca uma moeda,a cortina se abre e pessoas fazem o que você escolheu assitir a putaria que escolheu.Após algns minutos acaba e a cortina se cerra.Também a nível de compras é uma loucura;tem tudo,em especial eletroeletronicos e por preços baratos.Valeu o curso e conhecer e entender o modo americano de vida...Madeira