sexta-feira, 30 de abril de 2010

Marcas que Brasilia deixou nesses quase dez anos

Houve nesse inicio de minha vida profissional duas Brasilias.Uma enquanto solteiro e policial militar e outra casado e policial federal.Enquanto solteiro,algumas namoradas,após terminar o namoro de cinco/seis anos com a Gina,no Rio,muito futebol no quartel,pelo time de futebol de salão de oficiais da GEB(excelente time), continuas idas ao Rio,para estudar e namorar,uma forte e fraterna amizade com o Egydio,operações de risco,enquanto oficial comandante de um pelotão da tropa de choque,combatendo invasões de terras e prédios,fechando a zona de baixo meretricio,combatendo a fracassada revolta dos sargentos,quando os prendemos em operação conjunta com o EB,garantindo eventos como a parada militar de sete de setembro e corridas de carro em rua,isso em uma Brasilia deficiente em tudo,com a maior parte das ruas de terra vermelha,dificuldade de diversões,dois cinemas e dois clubes sociais,campos de futebol de terra batida e as quadras de asfalto(um tenis por semana),cidades satelites pobres,de chão de terra batida,com a maioria das residencias de madeira,verdadeiros casebres,enfim uma monotonia só,da qual eu me livrava praticando muito esporte.Depois,com a vinda da revolução um progresso continuo,pela certeza de que poderiam os empresários investirem,com o Plano Piloto crescendo,em especial a Asa Norte e a cidades satelites e eu em atividades burocráticas,de chefia,na Interpol e depois na ANP,muito bem casado,com muito amor,um lar organizado,a companheira ao lado,com meus pais e sogros(verdadeiros segundos pais)apoiando,com filhos de perfeita saúde,inteligentes e bonitos,com algumas necessidades de dinheiro,que faziamos recair sobre nós,eu e Terezinha,mas bem mais sobre mim,não deixando recair sobre os filhos,tudo vencido com muita união e amor.Na Interpol,ainda com o Dr. Edson Lasmar na chefia geral,ficamos uma semana em SP,na pista de Josef Mengele,mas ele nos escapou,caindo depois,graças as informações mandadas pela central da Interpol e por nós repassadas,através de ações do Delegado de SP Fleury.Quase que nós realizamos esse feito.Outras grandes prisões de criminosos internacionais foragidos para o nosso Brasil foram efetuadas graças a informações passadas por nós,tal como a prisão do mafioso italiano Tomaso Buscheta.Na ANP,através de muito esforço,preparei versões de manuais policiais e trabalhei na elaboração de apostilas,tais como as de segurança fisica de estabelecimentos e a de técnicas de interrogatório,além de ter escrito e difundido um opúsculo denominado "O que é a Interpol",na qual explicava para as nosas regionais e para as policias estaduais como funcionava a Interpol,que eu chefiava.Depois no curso,uma preparação excelente em nove meses de aulas em tempo integral a muitas vezes até noturnas,para estar capacitado a exercer as funções de Delegado de Policia Federal.Valeu Brasilia,onde dei meu suor,sempre com muita honestidade e dedicação e que me deu o retorno de um salario de sobrevivencia,mas em um emprego estável.Madeira

1970,nasce Cintia e novos encargos profissionais

No inicio um ano igual ao anterior,agora com uma menina em casa e direto com dona Hilda no apoio,pois estavamos sem empregada.De vez em quando seu José aparecia e ficava uns dias conosco e idem meus pais,estes em geral uma vez por ano.Muito trabalho,pouco dinheiro,muito amor,paz e calma.A grande novidade foi uma nova e inesperada gravidêz de Terezinha.Confiando no período do resguardo nos descuidamos e pimba,veio outro filho,aliás filha.Aliás esse era o principal problema de Te,pois conforme ela mesmo dizia ela engravidava até somente com o cheiro de meu esperma e naquele tempo não existia anticoncepcionais e usava-se a então famosa tabelinha,um cartão no qual escrevia-se o ciclo menstrual da mulher e só se tinha relações sexuais nas datas não ferteis(o que logiamente tinha de dar problemas,erros) ou usava-se camisinha,algo tremendamente desconfortavel e que nós tentamos apenas uma vez e não deu certo,pois simplesmente eu a perdi após o coito ao terminar a camisinha ficou dentro dela...Foi assim um tempo de muita dificuldade para Terezinha,com Flavia pequena,mamando,ainda precisando de colo(ainda bem que tinha a Hilda,com quem ela era muito agarrada),com barriga(mas,em compensação ajudava o fato do Caio estar na creche e o apoio de dona Hilda),mas ela como sempre inteligente e raçuda,tocou tudo muito bem.Para complicar mais,tinha o curso de História a noite e foi,após o carnaval,lançado um curso interno de acesso ao cargo de autoridade policial,Delegado,baseado em ter curso superior de Direito,estar no último cargo imediatamente abaixo desse,ter boa ficha funcional e fazer testes de conhecimentos, de saúde e psicologicos,nos quais concorri e fui aprovado.Daí,em tempo integral, continuei na ANP,mas agora como aluno,fazendo o curso de formação de Inspetor de Policia Federal,cargo de autoridade policial,que à época corresponderia ao de comissário de policia,ou seja,um delegado iniciante,novato,ficando a terminologia Delegado para os em fim de carreira.Na realidade isso foi uma proposta dos então já delegados,cerca de trinta,que tinham entrado direto nessas funções,oriundos a em maioria de delegacias de Brasilia e queriam ter e manter essa diferenciação,mesmo sem inclusive o preparo para exercer tais funções na área de policia judiciária federal.Foi um curso excelente,com professores da UNB,nas disciplinas academicas,de juízes,procuradores,outros muito bem preparados.Fim do ano,formatura,apto a presidir inqueritos policiais,atividades de investigação,preparado em tiro policial,em defesa pessoal,dominando os códigos penal e processual penal,em toda a parte referente a ação de policia judiciária,a chefiar equipes,enfim um Delegado de Policia Federal,como logo depois foi transformado o cargo de inspetor que era uma excrescencia administrativa,face as atribuições serem as mesmas.Terminei em terceiro lugar o curso e tendo então do direito de ser o terceiro entre os cinquenta formandos a escolher o local onde queria servir ao DPF,como autoridade processante.Como estava pequeno o apto,com a chegada de Flavia,Cintia e de Hilda,nossa nova auxiliar,pois era de dois quartos e como em Brasilia meu espaço de crescimento estava pequeno,pois lá já tinha exercido os cargos mais importantes e estava iniciando um novo ciclo profissional,resolvemos escolher um Estado para ir e que não fosse Rio e SP,pois esses além de tumultuados,tinham a vida cara e assim escolhemos Curitiba/Paraná,cidade modelo em urbanismo e relativamente próxima do Rio.Quanto a Hilda,uma verdadeira filha,que chegou a nossa vida de forma divina,ou seja enviada pelos mentores maiores,pois bateu lá em casa,procurando emprego,com cerca de quinze/dezesseis anos,gordinha, muito bonita e tranquila,portando um endereço manuscrito meio ilegível e que nada realidade estava incompleto,impossibilitando que a encaminhassemos ao mesmo e que ao ser recebida por Te,que com ela conversava,viu Flavia,engatinhar para ela e colocar-se no colo, encantando-se as duas mutuamente.Ela sem ter para onde ir,sendo de Goiania,de onde veio com umas parcas roupas,com Flavia achegando-se a ela,nós com necessidade de alguém,enfim de imediato foi contratada e passou a fazer parte de nossa clã.O pré natal de Cintia correu bem,com o Dr. Paulo o acompanhando,como nas gravidêz anteriores,mas com uma grande novidade,pois Cintia resolveu não esperar o momento da ida para o Rio,para fazer o parto com o Levy,como combinado,na mesma maternidade dos irmãos e nasceu de repente antes do tempo previsto,em dez de setembro,quando era esperada,para fins de outubro.Nasceu assim em Brasilia,de manhã cedo,cerca das oito horas,no hospital da L-2 Sul,com o Dr. Paulo,que enfim conseguiu fazer um parto de Terezinha,pois ele só fazia os pré-natais.Ao contrário dos outros nasceu mirradinha,prematura,mas perfeita,como o é hoje,linda e logo ficou forte.O fim de 1970,após muitas dificuldades financeiras,no ano,prometia melhoras consideráveis com o salario de Delegado,bem melhor do que de agente e então já nomeado,vendemos o apto de Brasilia,pois não pretendiamos voltar a morar lá e tratamos de deixar as crianças no Rio com dona Hilda,nossa eterna aliada e ir a Curitiba escolher uma casa para alugar e comprar novos móveis,pois os que tinhamos eram sob medida do apto.Lá também tinhamos um ponto de apoio que era a Cenira,colega durante muitos anos de Te na Mesbla,com quem dividia as vendas na seção de meias,como únicas vendedoras,que lá morava por ter se casado com um gerente geral das então famosas Casas Massom,a maior e mais afamada loja de joias do Brasil,com sede em Porto Alegre e lojas nas grandes capitais do Sul e Sudeste,o Mauro,que eu já conhecia,de jogar futebol de salão,pois ele tinha sido jogador juvenil do Grajaú e eu da Atlética Carioca.Eles nos apoiaram muito em todas as buscas e orientações de compras.No final do ano entrei em trânsito,trinta dias para se apresentar na nova sede,tempo para procurar casa e fazer a mudança,que sempre eram acoplados as férias,para dar mais tempo de se acomodar.Adeus Brasilia.Madeira

Ainda 1969,nasce Flavia

Em fins de setembro levei Terezinha para o Rio,já de carro novo,um fusca 1969,tirado no consórcio,primeiro carro zero km,com Caio,após ter tido de dispensar uma doméstica,nossa primeira auxiliar,a Leia,uma goiana,que tinha batido a nossa porta pedindo emprego e que foi uma excelente auxiliar e que então retornou para o interior de Goiás.Lá esperariamos no ap de dona Hilda,em Bonsucesso,o nascimento de Flavia,que recebeu este nome de última hora,pois a ideia inicial de Te era batizá-la de Luciana,mas na época tinha uns festivais de música e uma delas que fez sucesso chamava-se Luciana e foi uma epidemia de lucianas,o que levou Te a mudar o nome para Flavia,o que convenhamos é mais bonito.Também nessa época já tinha se enraízado lá em casa,isso desde após o nascimento do Caio e sempre que dona Hilda estava conosco, principalmente ás quartas feiras,o nosso"culto no lar",com ela,dona Hilda, recebendo/incorporando o espirito de meu padrinho,certamente a quem dei e dou muito trabalho,Pai José de Aruanda quase sempre com o seu compadre,Seu Boiadeiro.Nunca fomos de fazer trabalhos,nem nos foi pedido isso,havendo muitas conversas,onde ouviamos,não sendo dado a pedidos,pois sempre,mesmo sem entender,achei que meus problemas são meus e eu que tenho de resolvê-los.Nessas conversas era recorrentes sempre orientações para fazermos o bem,prestar caridade ao próximo,ser correto e recebiamos passes e conforto face a quaisquer dificuldades porque passassemos.Coisas muito limpas e boas,sendo que os recebiamos com muito carinho e alegria.Bem,setembro chegou ao fim e Flavia não nasceu,vindo a nascer em dois de outubro,passados alguns dias dos nove meses previstos.Lá dentro devia estar muito bom.No entanto se demorou a decidir o dia de vir ao mundo,nesse dia acelerou.Eram cerca de quatro horas da tarde quando Te sentiu as contrações do parto,a levei de carro correndo para a maternidade,em Mesquita,chuvia uma chuva bem fininha,uma garoa e ao parar o carro e ir ajudá-la a saltar estourou a bolsa de água ao ela se dobrar para saltar da parte de trás do fusca e entrei com ela correndo levando-a para sala de parto.Enquanto ela lá ficava no trabalho de parto corri de carro e fui buscar o Levy,pois não existia celular e ele estava em outro hospital trabalhando.Só me lembro muito bem dele em uma vemaguette correndo na minha frente e eu atrás,já escuro,com uma chuva fina,persistente,muitas vezes derrapavamos e enfim chegamos e um médico nissei,que estava de plantão na maternidade já tinha recebido a Flavia por volta das seis horas da tarde,hora da "Ave-Maria".Tudo bem,enfim e como Caio,já que nossas familias eram do Rio,a registrei como nascida na casa de seu José e dona Hilda,à rua Proclamação 876 apto 104,em Bonsucesso.Então não se exigia nem um comprovante do hospital,bastando um dos pais ir ao cartório e declarar o nascimento e os dados familiares,que foi o que fiz.Flavia nasceu grande e forte,maior do que o Caio,clarinha e gordinha.Dentro da nossa filosofia de que padrinhos tinham de ser pessoas próximas,mas que não tivessem laços sanguíneos,escolhemos o Nelson,meu amigo e colega de muitos e mutos anos e a esposa Sylvilea para padrinhos de Flavia e assim,na Igreja que tinhamos casado e onde o Caio já tinha sido batizado,a Igreja de santa Terezinha,na Mariz e Barros e lá batizamos Flavia.Após isso deixei Te e Caio no Rio,com dona Hilda e voltei ao novo trabalho na ANP,querida e amada,onde aperfeiçoei-me e ensinei com muito tesão sempre,voltandopara buscá-los quando do meu aniversario,quando fomos de carro para Brasilia,com Te e Caio no bando de trás e Flavia deitada na parte de trás do banco traseiro,naquele pequeno bagageiro que tem nos fuscas.Madeira

sábado, 24 de abril de 2010

1969,lá vem a primeira filha e mais uma briga funcional

1969,já apto e muito bem preparado,no modelo mlitar,ou seja com muito descortinio e prática,para as novas funções,dediquei-me as mesmas,inclusive mantendo contatos seguidos com outros órgãos da área de informações e contrainformações,hoje denominada,"inteligencia".Com muito esforço e persistencia e apoio de auxiliares competentes,como o Balbino e o Dórea,rodamos bem.Em casa a novidade de Terezinha grávida e com acompanhamento da gravidez em Brasilia,com um excelente obstetra,Dr.Paulo,no hospital da L-2 Sul,bem pertinho de casa e já acertando fazer o parto no Rio,com o Levy,na mesma maternidade São José em Mesquita,onde o Caio nascera.Este muito bem,após algumas dificuldades naturais dele,tais como não querer mamar no seio,o que nos obrigava(eu ficava no apoio,ao lado)a tirar o leite de Te para um chuquinha,onde então ele mamava.Também era bem agitado a noite(desde então gostava da noite) e de dia,tendo andado muito cedo e já estando em creche com um ano.Tinha o quarto só dele onde brincava sem incomodar muito com suas centenas e centenas de carrinhos de plástico pequeninos,com que fazia intermináveis e encurvadas filas.Também tinha uma caixa grande de madeira,onde guardava os brinquedos,esvaziando-a no inicio da manhã e guardando todos os brinquedos a noite.Na época não tinhamos carro e usavamos o carro que o Egydio tinha direito como chefe da garagem,eu dirigindo,pois ele nunca quis aprender.Sempre estavamos juntos.Para buscar melhorar e ter um carro novo,eu tinha feito um consorcio de um fusca e para trabalhar o carro oficial buscava-me em casa,onde tudo corria muito bem,com o importante apoio de dona Hilda que vivia lá e visitas ocasionais de meus pais.Minhas peladas e jogos continuavam intensamente,durante a semana de salão e mirim(society)na superquadra em que morava e nos finais de semana no Minas Brasilia,de onde tinha um título de sócio proprietário.Estava tudo excelente,após as dificuldades iniciais do primeiro ano de casamento,com dinheiro suficiente,mas esta vida é para lutas e dificuldades continuas e lá vinha mais uma.Lá pelo inicio do segundo semestre ocorreu uma reunião dos órgãos de informações da séde do já DPF,pois tinha sido trocado o nome e fomos informados,eu e o chefe da DOPS,o companheiro Firmiano Pacheco,também ex-tenente da GEB,ele oriundo da PM/SP,também formado em Direito,um baita expert em policia politica,que nossos setores seriam fundidos,ou seja o serviço de informações da DOPS seria integrado ao nóvel Centro de Informações do DPF,por mim montado.OK,ordem não se discute,cumpre-se,até aí tudo bem,mas,fomos informados de que os dois ficariamos com nossos cargos comissionados e os dois comandariamos as ações do centro.É óbvio que de imediato não aceitei,avisei ao chefe de gabinete do Diretor Geral que eu não dividia comando e que eu estava fora.Indisciplina?Ainda bem que meus mentores acalmaram meus chefes,pois encarar a revolução,um coronel do EB e dizer que não faria algo,só meio doido ou ferrenho defensor de seus principios como eu.Fui então transferido para a Academia Nacional de Policia,no setor policial sul,onde encontrei na direção da mesma o major do EB Walter Aranha,que designou-me para chefiar a seção de cursos e concursos,cargo de função gratificada,uma merreca a mais e lá procedi a mais uma montagem de uma área da PF,pois lá não existia nada,nem concursos,nem cursos de formação,apenas um ou outro curso de atualização.Isso deu uma baixa de salario de cerca de 40% e voltaram as vacas magras com Terezinha grávida,já próximo de dar a luz,prevista para setembro.Muito trabalho,montando cursos,traduzindo apostilas do inglês,muito mais pelo conhecimento do que pelo da língua,dando aulas,nos cursos que lá ocorriam e então estudando a noite,pois tinha sido criado em Brasilia uma nova universidade,o CEUB,Centro Integrado Universitário de Brasilia e que ofereceu cursos superiores,com ingresso direto e com aproveitamento de disciplinas,a quem já tinha algum outro curso superior da mesma área e eu tratei de inscrever-me e passei a cursar uma área que muito me atraía:História.Sem dinheiro para pagar tratei de fazer testes e para ser bolsista fui jogar futebol de campo no CEUB,pois alem do filho do dono ser fanatico por futebol e um bom centro avante,o Adilson Peres,era uma forma de disseminar a marca.Com isso chegamos ao título de Brasilia e a disputar o então primórdio do campeonato brasileiro,a Taça de Prata.O interessante era que os nossos treinos eram das seis às oito horas da manhã/madrugada,no campo dos bomneiros,próximo ao Palacio do Planalto,pois todos trabalhavam. Madeira

sexta-feira, 23 de abril de 2010

1968:começam as mudanças profissionais

1968 no inicio repetia o ano anterior,mas o combate a subversão e o engajamento da PF no combate a mesma,levou a Alta Direção da PF a resolver centralizar as informações em um órgão novo,deixando na DOPS apenas as operações,ou seja,um órgão de inteligencia e um de ação,pois ambas as ações eram feitas pela DOPS/PF,na área federal policial.Para não mexer na estrutura e face a já existir na mesma uma Divisão de Operações,órgão da Direção Geral,onde havia,três serviços,um de Informações,onde situava-se a Interpol,outro de Planejamento e o terceiro de Operações,todos lá existentes apenas para casos de grandes operações,que extrapolassem as divisas estaduais e/ou as fronteiras do País,sobrou para mim,dentro do meu setor,dividí-lo em dois,uma parte para continuar a atender a Interpol e outro para passar a desenvolver os serviços de inteligencia de mais alto nível,ou seja de centralizar,analisar e emcaminhar os dados de casos que ultrapassassem esses limites,para os demais órgãos de informações das cúpulas dos órgãos de segurança e para o SNI e abastecer a Direção Geral de tais dados,a quem cabia determinar as providencias,que em principio eram a de o serviço de planejamento elaborar e o serviço de operações coordenar as ações.Nenhum dos serviços fazia ações/operações,apenas as "craneavam" e acompanhavam.Bem,ordem dada e cumprida,designei o Paulo Brum,já com experiencia total e dominio das coisas da Interpol,para chefiá-la e trouxe um novo colega,o Dórea para ajudar-me a montar as novas atividades,ficando assim com duas linhas de trabalho,antagonicas,pois a Interpol é proibida pelo seu regulamento geral de tratar de casos politicos,mas deu para fazê-lo.Então para minha surpresa,no segundo trimestre fui matriculado,sem consulta,juntamente com o Dórea,em um curso de inteligencia,de formação de analista(não era operacional)de informações,com duração de seis meses,no Centro de Estudos de Pessoal do Exército,no Forte do Leme,no Rio de Janeiro,destinado apenas oficiais das FFAA,a partir do posto de capitão.Com uma baba de diária,além é óbvio dos salários,mais as passagens aéreas,vendi o Gordini e mandei-me com Te e Caio para o Rio e alugamos um apto de temporada na praia do Leme,na rua Gustavo Sampaio,próximo ao forte e a uma quadra do mar,para estudar.O curso foi sensacional,dificil,no sistema de ensino militar,que eu já conhecia bem por causa dos dois anos de CPOR,formatura de madrugada,estudo o dia todo,provas dificeis,uma em cima da outra,sempre objetivas,com a papirada de estudo grossa,verdadeiros calhamaços,que eu estudava andando no calçadão da Praia.Disciplinas tais como tudo sobre a ideologia comunista,as ações de defesa contra as atividades de subversão,sabotagem,espionagem, ataques terroristas,entradas e penetrações,técnicas de entrevista e interrogatório,com a parte desportiva sempre,sendo lá o basquete predominante(aprendi atá a jogar direitinho),pois o comandante gostava de jogá-lo e colocava os alunos oficiais para jogarem com ele(o comandante era o então Cel Otavio Costa,depois General Chefe da Comunicação Social do Governo).Também tivemos parte práticas,mas nunca houve ou ocorreu qualquer treinamento ou incentivo a prática de tortura ou ao cometimento de qualquer comportamento anti-ético ou imoral,o que aliás munca um membro das FFAA brasileiras faria.Daí a certeza,pelo conhecimento de todas as operações feitas e do preparo dos nossos oficiais eu poder desmentir todas essas acusações feitas pelos que se dizem vitimas de algozes da "ditadura",que não houve em nosso País,havendo sim,mas negada por eles,em Cuba,por exemplo.Quando no Rio,frequentando o curso,ocorreu uma operação,particular e inesperada,feita por mim e pelo Dorea,a pedido dele.Ocorreu que em determinado dia a irmã dele o procurou chorosa,desesperada,pedindo para que ele recuperasse a filha,sobrinha dele,que estava sob o dominio de um espanhol,dono de um puteiro na rua do Catete,mascarado de hotel,que a obrigava a se prostituir.O Dorea me pediu apoio e de posse do endereço lá fomos nós.Após imobilizar o porteiro com a carteirada e o revolver em punho,o forçamos a levar-nos até o aposento do cafetão.Entramos sorrateiros no quarto e ouvimos gritos no banheiro.Meti o pé na porta e encontramos o cafiola trepando dentro da banheira,cheia de água(não era a sobrinha do Dorea)e demos um monte de gritos e mandamos ele ficar quieto,o que foi ridiculo,pela situação.Desengachado da mulher que estava no colo dele,mandamos ele ficar de pé e ela e eram duas figuras ridiculas,ela bem baranga e ele careca,baixinho,gordinho.Após eles vestidos o interrogamos e ele confirmou que ela estava sob a guarda dele e que tinha de faturar diariamente uma quantia x.Ficamos lá com os três detidos,esperando ela vir ao hotel,o que ocorrendo a levamos,após dar um cagaço nele(maior ainda que o susto na banheira).Foi hilário...De volta a Brasilia,ao trabalho e ao lar,tratei o resto do ano de organizar,nos moldes determinados e aprendido o novel serviço de inteligencia da PF,do qual orgulho-me de ter sido o primeiro cabeça,que depois foi chamado de Centro de Informaçõese hoje é a Divisão de Inteligencia da PF.Portanto trabalho duro e duplo,tendo inclusive perdido a reunião anual da Interpol,que ainda bem foi no Rio de Janeiro.No comando do denominado SI/DO,ou seja centro de informações da Divisão de Operações da Direção Geral tive ocasião de ajudar o Levy,a quem tanto devia e ainda devo.Ele já médico,trabalhava também em Paracambi e um curandeiro ou algo semelhante começou a criar problemas com ele,recem chegado a localidade.Ele relatou-me o fato e eu expedi um pedido de busca contando a historia e o cara foi preso pelo pessoal da nossa SR/Rio e saiu de circulação,resolvendo-se o problema.Em outubro com o aumento das violencias pela esquerda armada e covarde,com assassinatos de autoridades estrangeiras,sequestro de diplomatas,mortes de policiais,sem chance de e defesa,como a de um tenente nissei da PM/SP,veio o AI-5,que acompanhei da sala da Direção Geral e um 1969 pesado.Madeira

1967,rotina,tranquilidade,Interpol organizada,com Congresso no Japáo

1967 foi um ano sem novidades,dominado por uma rotina gostosa,com muito trabalho,ainda longe das lutas politicas,só dedicado a Interpol,que já tinha conseguido colocar à minha moda,com as duas seções funcionado,a de Estudos comandada por um então agente,depois delegado brilhante,dono de um inglês fluente,ex-professor do Yazigi,o gaúcho Paulo Nasi Brum,que inclusive depois substituiu-me na chefia geral,responsavel pela análise de toda a documentação recebida e das orientações à seção de Informações,que as difundia,esta chefiada por outro companheiro,Luiz Carlos Guedes e tinhamos os arquivos muito bem organizados,assim como todos os controles burocraticos.Ainda lá trabalhavam o meu grande e especial amigo Altamir Balbino,responsável pelas investigações em Brasilia e outros agentes.Em casa tudo tranquilo,com muito amor e companheirismo,com almoço sempre em casa,as noites umas peladinhas de futebol society,sempre com o Egydio junto e aos sabados e domingos no Minas Brasilia,com jogos pelo mesmo,de futebol de campo(um gramado gostoso)e muita piscina,sempre eu,Te e Caio junto com Ivone/Egydio e os filhos,pois além da Monica,nossa afilhada,eles já tinham tido o segundo filho,dois meses antes do Caio,em outubro,o Raul.O Egydio nunca aprendeu a dirigir ou teve carro e assim sempre eu ia buscá-los e deixá-los.Nosso ap todo prontinho,completo,tudo novo,sob medida,enfim uma felicidade só.Viagens poucas,a não ser uma muito grande,em setembro,para o congresso anual da Interpol,em Kioto/Japão.Fomos eu,o Paulo Brum e o Diretor Geral do então já DPF(nome mudado de DFSP)Cel.Florimar Campelo e esposa que só ficaram conosco no Japão.Como era uma viagem longa,para o país nosso antípoda,arranjamos eu e o Paulo a possibilidade de tirarmos uns dias de dispensa,para curtirmos uns dias a mais dessa viagem única.Assim e com passaporte diplomático,o abridor de portas e facilidades,como ter prioridades,não ter revistas em aeroportos,enfim um tapete vermelho,fizemos um roteiro maravilhoso,tanto para ir como para voltar,com o trabalho no meio.Fomos pelo Pacifico e voltamos pela Europa.A descrição dos locais está no meu blog sobre viagens e lugares conhecidos.A ida,quinze dias antes da data de inicio do congresso,foi pelo México,USA,direto para Hollywood,onde ficamos hospedados e conhecemos tudo,com passeios em todo o entorno,chegando a Long Beach e Las Vegas,de lá fomos para o Havaí,onde nos hospedamos em Honolulu,em um hotel em frente a praia de Waikiki,por uma semana.Daí direto para Tóquio e de trem bala para Kioto,onde fizemos o congresso,com uma atuação brilhante,parte cultural linda e passeios a Osaka,Nara,outros.Na volta a Toquio um tempo para conhecê-la e para compras e as fiz através de mimica,comprando muitas perolas,lá baratíssimas.De Toquio além de sua grandeza,com uma avenida de comércio feérica,a Ginza,lembro de uma ocorrencia,envolvendo eu e o Paulo Brum,que foi determinado dia,após semanas só ouvindo e falando inglês,ao estarmos descendo de elevador do apto no hotel para a recepção,entrou uma pessoa no elevador e perguntou "desce?" e nós não entendemos,somente algum tempo depois é que notamos,já na rua,que o que tinhamos ouvido era em português.Retorno via Mediterraneo e Atlântico,com direito a cortezias de estadas e passeios à Tailandia,onde fomos,eu e o Paulo,com uma noitada,onde além de comermos tailandesas,comemos sapo com talharim,sabendo-o apenas depois do jantar,Paquistão,Libano,com passeios ao redor,como ao vale de Balbeck(Siria),Roma e Lisboa,onde separei-me do Paulo e fui até a casa de meu pai,que lá estava passando uma temporada,em Argeriz.Enfim um trabalho que virou passeio,com muita mordomia,conhecendo lugares lindos.Ah,Terezinha ficou com o Caio no Rio,na casa de Dona Hilda.Foi bom demais e inesquecível.Dona Hilda e seu José nos visitavam com frequencia e tudo corria muito bem.Caio dava um banho de inteligencia,jogou a chupeta fora em um passeio no Lago do Paranoá e nunca mais aceitou,isso com poucos meses de idade e andou com sete para oito meses e de uma forma muito interessante. Caio logo que ficou durinho foi posto em um andador e um dia apareceu na cozinha,onde Te estava preparando o almoço do lado de fora do andador o empurrando, para surpresa dela e a partir daí não mais o usou.Ano tranquilo...Madeira

sábado, 17 de abril de 2010

O DFSP e o movimento revolucionário

Antes de março de 1964 o DFSP vivia uma situação dúbia,com a parte legal transferida para Brasilia/DF,onde existiam funcionarios lá admitidos,como eu,com um concurso interno em cada órgão,que tocavam a Capital Federal,desde antes da sua inauguração,com equipamentos lá adquiridos e com pessoal,instalações,equipamentos no Rio,no novo Estado da Guanabara,a exceção de alguns que aceitaram ser transferidos para Brasilia ou no caso para a Policia Federal para algum Estado,a maioria absoluta próxima de se aposentar e que queriam mesmo era a segurança de uma aposentadoria federal.Bem,essa situação perdurou desde a inauguração de Brasilia e só foi resolvida pela Revolução Democratica de 1964.Logo após a mesma,em 1964 ainda saiu a lei 4483 que criou a Policia Federal e em 1965 o Decreto 1965 que a regulamentou.O Movimento de 64,sou testemunha ocular e documental,impediu a transformação de nosso País em um satélite da URSS,com um governo comunista,que hoje tenta,agora de forma mais dissimulada o mesmo,o que na época foi impedido pelo povo em marchas pelas ruas,em vários Estados,sendo a principal a famosa marcha dos cem mil pela democracia,no Rio de Janeiro.O Brasil no desgoverno de Jango era um sem fim de movimentos denominados sociais(como agora),financiados por meios ilicitos(como agora),de greves,de violencias,que só não deram certo,porque tentaram minar as FFAA e seus principios de disciplina e hierarquia.Pós movimento seguia o Brasil na busca de uma reorganização da Pátria,quando as forças vermelhas,derrotadas sem derramamento de sangue,com uma fuga em massa dos subversivos do País,voltaram a se manifestar e então de forma covarde,através de atentados,com bombas e assassinatos,em lugares públicos,atingido inocentes,como no atentado no aeroporto de Guararapes,em Recife/PE,o primeiro da longa série de covardias feitas.Então e o que eles queriam,que se absorvesse ataques criminosos,assassinatos,roubos,com flores? Foi montado então uma estrutura de combate(não de ataques,mas sim de defesa)a esses atos criminosos,para prisão e indiciamento na Lei de Segurança Nacional dos autores dos delitos.Essa estrutura era composta,sob a direção da força armada terrestre(o Exercito Brasileiro),por pessoal treinado,dos varios graus hierarquicos das FFAA,da PF e das policias estaduais.Havia o CONDI,Conselho de Defesa Integrada,situado da sede dos Exércitos,abrangendo vários Estados,com reuniões mensais de análise dos resultados e do andamento das atividades de defesa,a quem eram subordinados os CODI,Centro de Defesa Interna,situado nos Estados,com as mesmas funções na sua área e subordinado ao comando militar da área e os DOI,Destacamento de Operações Interna,estes órgãos de ações na área do comando.Todos os agentes,pessoal operacional,no geral praças profissionais,como cabos e sargentos e investigadores e agentes das policias civis eram preparados com cursos de operações de informações,em geral no CEP,Centro de Estudos de Pessoal,do EB,situado no Leme/RJ e no SNI e nos órgãos de informações federais e os analistas,responsáveis pelo planejamento e análise das operações,também muito bem preparados eram os oficiais e delegados.Nunca a,por eles,denominada repressão,deu inicio a uma única operação ou ataque,agindo sempre em resposta a ataques e outros crimes praticados.Todos os que atuavam nos órgãos de defesa usavam carteiras da Policia Federal,os de nivel superior de Delegado eo de nivel médio de Agente de Policia Federal,com codinomes,daí muitas vezes recair acusações à PF.Assim,a PF trabalhou e muito na defesa constitucional,dentro do esquema existente,tendo vários agentes sido mortos,sempre covardemente,nunca em combate,pois como bons vermelhos sempre foram insidiosos e falsos.Torturas,mortes ocorreram e dos dois lados,pois era uma verdadeira guerra,apenas tem de ficar claro,apesar de hoje haver uma grande distorção,que nunca iniciada pelos órgãos governamentais e lembrando ainda que eles,dentro dos códigos deles,terem o "justiçamento",ou seja eles mesmo matavam aqueles que achavam fracos ou que poderiam desistir da luta armada.E esse pessoal hoje é indenizado com o dinheiro dos nossos impostos,na vergonhosa bolsa-ditadura...Madeira

Equipamentos do DFSP

O armamento no inicio do DFSP era o revolver 38,acautelado a cada policial ao tomar posse,com direito a uma carga de munição(seis cartuchos),que só era trocado se gasto em operação e a metralhadora INA,que era acautelada aos órgãos,na pessoa do chefe maior e que só podia ser cedida aos policiais para e durante as operações que prevessem a possibilidade.Bom,os policiais que eram operacionais,ou seja que trabalhassem em áreas de confronto,como repressão ao tráfico e ao contrabando e,em especial,nas fronteiras,tinham sua arma particular que era a que usavam nas operações,tanto para se adaptarem totalmente a mesma,como para poderam desfazer-se dela,se necessário.Isso era uma constante e ainda é hoje em dia.Usavamos,quando em operações sigilosas,documentos frios,ou seja,com dados ou profissões outras.As viaturas eram 90% não ostensivas,ou sejam descaracterizadas,de cores comuns,com placas frias,pois toda policia judiciária é investigativa e para isso necessita de não ser percebida.A maioria dessas viaturas eram fuscas e algumas veraneio.Já as para estourar,fazer prisões e apreensões eram ford f-100,pretas e amarelas,com sirene e xadrêz.Não queimavamos agentes usando viaturas ostensivas,nem usavamos passes livres ou carteiradas,para permitir boas investigações.As equipes de abordagem e prisão eram conhecidas e ostensivas,mas os que investigavam nunca.Já na área administrativa tinhamos instrumentos de trabalho que hoje já não existem mais,sendo peças de museu,explicando:para tirar cópias a máquina era uma copiadora a calor,chamada de "thermo-fax",que tirava cópias a quente,em um papel amarronzado, cortante,de pouca vida útil(nada dessas copiadoras modernas);documentos eram levados de um setor para outro em mãos de mensageiros,fechados em envelopes,com seus dados lançados em pequenos cadernos,onde o recepcionista do setor assinava o recebimento;documentos de serviço eram remetidos para outros Estados em malotes diários,expedidos pelo protocolo central dos órgãos,ou seja havia primeiro a remessa por protocolo para o protocolo central,que separava por malote para as superintendencias regionais,indo então tudo por avião dos Correios para o destino;correspondencia urgente era remetida,já datilografada,em formulários próprios,para a Divisão de Comunicações,que funcionava no oitavo andar e que então os remetia para o destino,por telex,sendo que quando era para a sede da Interpol na França ou para outra congenere eram codificados,em um código próprio da Interpol;na Divisão de Comunicações havia também a possibilidade de as chefias falarem via rádio com outras chefias nos Estados,em casos de urgencia(isso com muito chiado e quando conseguia-se a comunicação;as difusões de pedidos de captura feitas para as regionais,cerca de 25 superintendencias então,eram feitas em lotes de cinco,com original e as cópias carbonadas,tudo datilografado,em máquinas de escrever macânicas,pois nem elétricas existiam então,repetindo-se assim cinco vezes a elaboração de cada oficio circular;o arquivamento dos documentos era feito em dossiês,imensos,guardados em grandes arquivos de aço,com chaves,em pastas suspensas e as fichas de localização em ficharios idem,normalmente de oito a dez gavetas.Portanto hoje tudo obsoleto e mastodôntico,ridiculo mesmo.Madeira

O DFSP então e suas instalações

Na parte administrativa o DFSP situava-se em dois locias:um para funcionamento das repartições,conforme instituídas em seu organograma e outro para as instalações de órgãos técnicos.A primeira funcionava no edificio sede do BNDE(então não tinha o s final de social),que fora construído para o mesmo e estava com a maior parte de seus andares vazios,por ainda não ter sido transferido do Rio,situado no setor bancario sul,próximo da rodoviária e lá ocupavamos do segundo andar ao oitavo.Nos segundo e terceiro andares funcionava a parte burocrática,tais como a administração de pessoal e protocolo,praticamente ocupando todo o segundo andar e a coordenação central administrativa,responsável pelo orçamento e finanças,no terceiro.No quarto andar funcionava a então a Coordenação Central Judiciaria(Corregedoria e disciplina) e órgãos da Policia Federal de Segurança(Censura,DOPS)e no quinto lá estavamos nós da Divisão de Operações,que constava dos setores de Informações(onde localizava-se a Interpol),o de Planejamento e o de Operações.Essa Divisão fora criada então para coordenar,acompanhar as operações de carater nacional e internacional,ou seja,que devessem ser coordenadas ou realizadas pela Sede e não pelas regionais.Isto ocorria quando elas envolviam mais de um Estado ou havia interesses maiores fossem nacionais ou internacionais.O sexto e o setimo andares hospedavam a Policia Federal de Investigações e abrigava os órgãos de investigações constitucionais,tais como repressão a entorpecentes,ao contrabando e descaminho,ao controle de estrangeiros,a repressão aso crimes contra indigenas.No oitavo andar funcionava o gabinete do Diretor Geral e seus órgãos de apoio tais como gabinete,assessorias de pessoal,de ensino policial,juridica,comunicação social e mais a Divisão de Comunicações,com seu aparelhos de telex e rádio.No setor policial sul,ao fim da W-3 sul,situava-se os órgãos técnicos e de apoio as atividades policiais.Uma área muito grande e aberta,toda construída para essa finalidade e portanto uma área de destinação especifica e preparada para tal e que acabou por ser,como narrarei mais a frente,uma das causas da minha saída da Policia Federal,encontrava-se de frente para a pista,para a rua,a Academia Nacional de Policia,em um prédio excelente,sobre pilotis,de três andares,amplo,com salas de aula claras,grandes,de excelente acústica,que tinha em frente o anfiteatro,dentro de um espelho de água,com duas salas inclinadas,amplas,onde inclusive era fácil dar aulas de,por exemplo interdição de local de crime(dei muitas aulas lá) pela facilidade de todos os alunos verem de uma perspectiva de cima..Seguindo pelo estacionamento da ANP,encontravamos um ginásio excelente,com quadras polivalentes,uma maior principal,com arquibancadas e outra lateral menor,ambas com um piso sintético maravilhoso,tendo em baixo do mesmo,subterrâneo,o estande tiro,para treinamento e competições de tiro policial(de curto alcance).Do outro lado da rua e ainda lá estão,dois dos mais bem aparelhados institutos de tecnologia policial do Brasil,os Institutos de Criminalistica,para exames periciais e o de Identificação,para exames e levantamentos papiloscopicos.Ao lado destes estava a superintendencia regional do DF.Já atrás do ginásio da ANP havia uma quadra descoberta e um amplo terreno para exercícios físicos e uma rua interna,após a qual encontrava-se a divisão de serviços gerais,subordinada a coordenação central administrativa,que fazia a manutenção de todas as viaturas do DPF e tinha ainda um posto de serviço médico,para atendimentos de emergencia e o setor gráfico para impressão de toda a literatura policial e dos boletins de serviço.Era um área excelente e em um local excelente,era porque hoje grande parte não mais pertence ao DPF.Madeira

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Como era o então DFSP:parte legal e administrativa

De 1960 até 1965 o DFSP viveu uma situação legal e administrativa louca,"sui generis".Com a inauguração da Capital Federal e a criação do Estado da Guanabara, o Departamento Federal de Segurança Pública,órgão de segurança federal,subordinado ao Ministerio da Justiça foi transferido para Brasilia,mas apenas no papel,pois não poderia transferir todo o pessoal para lá,deixando o novo Estado sem servidores e sem que Brasilia comportasse e tivesse residencias para todo esse pessoal,se transferido.Assim,criou-se a figura do optante,ou seja dos funcionários que não desejavam ir para Brasilia,que poderiam optar por ficar na Policia do Estado e aqueles que desejavam continuar na área federal,poderiam optar para tal.A maioria optou por ficar na estadual,onde já estavam estabelecidos,além dos confortos da Cidade Maravilhosa,optando por continuarem federais apenas aqueles que estavam com aposentadoria próxima,em número muito menor,mas mesmo assim impossíveis de serem mandados para Brasilia,face ao problema de moradia.Logo foi para Brasilia toda a estrutura legal,os cargos,que já encontraram lá pessoas,como nós da GEB, trabalhando,conhecendo Brasilia e sua problemática e legalmente em um quadro de pessoal da NOVACAP,órgão tipo Prefeitura,de carater federal,recebendo pela União,responsável pela construção de Brasilia.Logo,também nós,já lá instalados,tivemos de optar por ir para os quadros da policia civil ou para as vagas da PM,pois como dito desta a maioria não quis ir para Brasilia.Em mais um jeitinho brasileiro,através de ajustes legais,pois todos já eram funcionários,foram criadas leis,expedidos decretos,criando ou regulamentando as policias da Guanabara,com os policiais da União que lá já estavam e quiseram continuar,a de Brasilia,com pessoal que quis ir do Rio(próximo a zero),a PM e o BM a maioria da GEB e um pequeno contigente vindo do Rio e o embrião da Policia Federal,propriamente dita,que iniciou-se com a criação nos oito maiores Estados(RJ,SP,MG,RS,PR,BA,PE,e CE) de um tal de Serviço Nacional de Repressão ao Contrabando,comandado por generais do EB e com agentes optantes que tiveram interesse em sair do Rio.Com a revolução veio a decisão de criar-se uma policia com jurisdição em todo o País para ser a policia judiciária da União,em apoio a Justiça Federal,recem criada,para combater os chamados crimes interestaduais e de interesse do Brasil e do Mundo,ou seja de carater internacional. Tais eram no inicio,listados na lei 4483/64,que institucionalizou a PF,os crimes de tráfico de drogas,tráfico de pessoas,controle de estrangeiros,contrabando e descaminho,contra a ordem politica e social,contra os indigenas e outros de interesse nacional ou que ultrapassassem a competencia e as divisas dos Estados.Em 1965 veio o decreto 56510/65 que detalhou todas as áreas,formas de atuação,bem como as demais competencias e atribuições do ainda então DFSP.Nessa dança eu fui da GEB,base futura da PM/DF,passei para a Policia Civil de Brasilia e depois,por opção fui para o DFSP.O decreto organizador previa um Diretor Geral,com Chefia de Gabinete e três coordenadores centrais,baseados em Brasilia,um Policial,responsável final por todas as ações de policia,um Judiciário,pelas ações de correição e disciplinares e um administrativo,pela administração central orçamentária-financeira e de pessoal.Órgãos perifericos eram as superintendencias regionais nos estados,que tinham a mesma organização,em um nível menor,denominadas de regionais,ao invés de centrais.Haviam ainda os órgãos técnicos de apoio,como os Institutos de Criminalistica e Identificação e a Academia Nacional de Policia.O quadro de pessoal era composto das carreiras policiais:Delegado,Inspetor(nível superior,bacharel em Direito),agente e agente auxiliar e escrivão(nível médio) e das carreiras técnicas de peritos(curso superior),papiloscopistas(médio) e técnicos de censura(superior).Este foi o DFSP que conheci,que teve mais a frente a extinção dos cargos de Inspetor,transformado em Delegado e de agente auxiliar e seu nome transformado em DPF,Departamento de Policia Federal.Os cargos da coordenação administrativa eram de carreiras não policiais,tais como administradores,contadores,técnicos variados de área administrativa.Madeira

O nascimento do primogenito Caio Fabio

Enfim dezembro chegou e ansiedade da chegada do nosso filho iria ter um fim.Avisados pelo obstetra de Te que o nascimento seria próximo ao Natal,mandamo-nos para o Rio,de avião(fato raro e só possível graças aos dolares juntados,pois antes sempre era de onibus,muito mais barato)e fomos para Bonsucesso,para a casa de dona Hilda e seu José.Acertei os finalmente do parto com o Levy,amigo/irmão,que estava formando-se e já fazia residencia na Maternidade São José em Mesquita,na Baixada Fluminense,então tranquila e aprazivel,como todo o Rio de Janeiro,que ele faria o parto.Acertado com ele fomos conhecer a maternidade,um predio rosa,de dois andares,muito limpo,bonito,acolhedor,que foi por nós aprovado.Isso foi lá pelo dia 20de dezembro e a seguir saí em campo,com o dinheirinho juntado e fui comprar um carro usado para poder levar Te para a maternidade na hora do parto.Consegui encontrar na rua São Francisco Xavier,próximo ao largo do Maracanã,em um anúncio de jornal um carro,que dava para pagar a vista e que eu já conhecia por ter tido um similar,menos potente,mas de resto igual:era um Gordini III,azul forte,e igual,no desenho ao Dauphine que eu tinha tido e que tinha vendido para casar.Comprei-o e a placa dele era 3-06-03,ainda lembro-me bem.Feliz,com tudo correndo bem e com a vida finaceira equilibrada era só aguardar o aviso da chegada do Caio e este veio de forma inesperada.No dia 22 de dezembro,fomos,mais uma vez eu e Te,agora de carro,para ver qual o melhor caminho(antes tinhamos ido de carona com o Levy)e levar uma recordação para o Levy,que já tinha dito que não cobraria pelos serviços de obstetricia dele e do anestesista,colega dele e ainda conseguiu uma série de descontos nas despesas da maternidade.Demos a ele uma pasta médica de couro completa,com todo o equipamento do dia-a-dia médico.De lá,de Mesquita,retornamos via Meyer,para passar na Mesbla de lá e comprarmos uma banheira para o nenem,pois era o que faltava.Pois bem foi acabar de pegar e pagar a banheira e Te começou a sentir as contrações do parto e foi uma baita correria,para ainda ir a Bonsucesso para pegar a bolsa com as coisas dela e do nenem,já pronta,avisar ao Levy pelo fone(fixo,é óbvio) e correr para a maternidade,onde chegamos já na madrugada do dia 23 de dezembro,eu,Te e dona Hilda.Lá,Te para a sala do parto e eu e dona Hilda,na recepção andando de um lado para o outro,até o aviso,cerca de três horas da manhã,de que tinha nascido um menino,saudavel,perfeito e para o qual já tinhamos nome escolhido(para menina ainda tinhamos dúvidas) e que estava entre Caio Fabio ou Caio Tarsio,ficando o primeiro depois.Alegria,regozijo e no dia seguinta 24,véspera de Natal,um brigueiro tremendo de Te com o Levy e a direção médica da maternidade,pois ela que de fato estava muito bem,queria ir passar o Natal em casa,não aceitando de jeito nenhum a ideía de ficar na maternidade mais um dia,ou seja o de Natal.Como sempre,depois eu descobri bem a personalidade forte dela,ela venceu e assim,na tarde do dia 24,voltamos para Bonsucesso,para o quarto da dona Hilda e seu José,que foram dormir na sala até nossa volta para Brasilia.Foi um Natal diferente,alegre,com um novo membro da família,que era tranquilo e não enchia o saco as noites ou mesmo de dia.Caio só era ruim para mamar e Te tinha muitas vezes de tirar o leite e guardar em chuquinhas e ficava com os seios feridos,rachados.Levy deu toda a assistencia pós parto e após o ano novo,devidamente autorizados,rachamos,de carro,em uma viagem longa,mas totalmente calma e planejada,nos minimos detalhes as paradas e com dona Hilda junta no apoio,de volta para o nosso ap,que já tinha o quarto pronto para o Caio e que constava de um berço de vime,muito prático e bonito,com um véu antimosquito.Antes de voltar porém providenciamos acertar o batizado do Caio,na Igreja de Santa Terezinha,onde tinhamos nos casado e no mesmo mês de fevereiro,um ano após o casamento,quando eu estaria de férias e ele já mais crescido e eu tinha de apresentar o meu filho aos seus avós paternos,meus pais,com quem eu estava rompido desde o casamento,face as cagadas de minha mãe na festa do casório.Era uma obrigação de filho e um direito dos avós e do neto recem nascido.Assim,conhecedor dos hábitos dos meus pais,coloquei Terezinha e o Caio no carro e fui em uma tarde a casa deles,na rua Souza Franco,onde eu tinha morado alguns anos e que ainda tinha meu quarto pronto.Lá chegando,deixei Terezinha no carro,com quem já tinha me entendido a respeito dessa necessidade lógica e filial,toquei a campaínha e quando meu pai apareceu à janela pedi para ele abrir a porta pois eu tinha de lhe apresentar o neto.Ele abriu as portas eu subi com o Caio ao colo e lhe mostrei o neto,bem como a minha mãe,ambos se emocionaram,ele perguntou por Terezinha,eu disse que ela estava lá em baixo,no carro,pois eu não tinha deixado ela subir,pelas ofensas a ela e familia feitas.De imediato ele pediu que a fosse buscar,pois queriam desculpar-se e ficarmos todos em paz.Eu respondi que só o faria se ela quizesse;desci,fui ao carro,falei com Te e ela,demonstrando a grandeza espiritual que tinha,concordou e assim todos nós,graças ao Caio,nos reconciliamos.Os padrinhos do Caio foram o Egydio e a Ivone,íntimos,que sempre nos apoiaram e a nós a eles,tendo inclusive já ligações de compadrio,pois eles forma padrinhos nossos de casamento e nós da primeira filha deles a Monica. Também aproveitando o final de ano fiz as provas no doutorado,sendo aprovado com excelentes notas,passando a mão no meu diploma.Madeira

domingo, 11 de abril de 2010

1966,a gravidêz de Terezinha e minha primeira viagem internacional pela Interpol

Após o retorno da lua de mel e a volta a rotina do trabalho na chefia da Interpol,com um lindo e novo lar,tudo novo na vida,vem em abril,quando faziamos dois anos de namoro,de enlevo com Terezinha,a noticia da gravidez dela e então sem a minima condição de saber qual o sexo da criança,sendo tudo uma espera do dia de nascimento,também sempre meio chutado,mas que seria no final do ano.Os cuidados com Terezinha se redobraram,com almoço sempre em casa,finais de semana integrais junto e a presença constante de dona Hilda,passando sempre alguns dias,todos os meses com a gente em nossa casa,mas ainda dando atenção a Ivone,que tinha gerado,no ano anterior uma menina,primeiro filho dela e do Egydio e que nos tinha sido dada em batismo,nossa afilhada,Monica.Assim,os domingos sempre eram no Minas de manhã e o resto na casa deles,com papos e sonhos fraternos.Nesse ano,no mês de setembro,ocorreu a conferencia anual da Interpol,reunião dos chefes de Interpol do mundo todo e que nesse ano foi em Berna,capital da Suiça,para onde fui,junto com um outro DPF,Dr.Gilberto Alves Siqueira,com passaporte diplomático,de capa vermelha,que abre portas mesmo,em todos os aspectos de prioridades e fomos via Paris.Foi meu batismo internacional,salvo a estada de um ano em Portugal,quando ainda era criança e logo representando meu País e no Velho Mundo.Bem,como é óbvio e como Terezinha estava muito bem de gravidêz,apesar das dificuldades financeiras que passavamos(pouco dinheiro face as muitas prestações:móveis,eletrodomésticos,outros),deixei-a no Rio,na casa de dona Hilda e aproveitei a viagem,na ida com tempo em Paris,apenas para deixar o aeroporto e pegar um trem de luxo para Berna,mas na volta para ficar cinco dias em Paris,visitando-a toda e de lá ir para Portugal e conhecer os parentes de Terezinha que lá viviam.Na reunião da Interpol aprendi muito,representei o Brasil em reuniões tematicas,em especial de combate a drogas e dinheiro falso e nas plenárias,isso tudo durante dez dias,com todas as noites tendo atividades culturais e festividades,muito lindas e no final de semana no meio do congresso passeios espetaculares,dos quais o mais lindo foi pelos lagos suiços,nos Alpes,bordeando as fronteiras lacustres com Alemanha e Itália.Depois Paris,com passeios seguidos,conhecendo Louvre,Tulherias,Champs Eliseés,Arco do Triunfo,Torre Eiffel,Folies Bergères,Montmatre,enfim tudo,aproveitando quinze dias de dispensa que eu tinha conseguido com minha chefia maior.Depois cinco dias em Portugal,onde fui recepcionado pela chefia da Interpol portuguesa,ficando dois dias em Lisboa e lá hospedado no hotel Tivoli,conduzido a passeios em todos os lugares turisticos de lá e no entorno(Cascais,Sintra,Mafra,Fátima,outros) e depois fui para o Porto e Lamego,onde passei três dias na casa do avô de Terezinha e parentes,tendo sido tratado no colo,literalmente.Foi uma estréia internacional maravilhosa e da qual voltei ainda com bastantes dolares,das diárias economizadas,que deram para comprar depois uma carro para receber o primogenito,na maternidade.Volta e mais cuidados maiores Terezinha,grávida,com compras feitas fiado em um supermercado que a associação de funcionários do DFSP tinha e que em uma determinada vez nos deixou com dificuldades,pois faziamos uma lista apertada,só do necessário mesmo,pois tinhamos todo o meu pagamento comprometido com as coisas compradas para o apto em dez vezes.Eu recebia vinte e dois mil cruzeiros e pagava de prestações dezenove mil,restando três mil para comer e sobreviver.Em uma das compras,com a listinha amarradinha,curtinha,Te,de bata,ao virar-se para pegar alguma compra,o vestido enrolou e derrubou quebrando uma garrafa de vinho...que obviamente tivemos de pagar e deixar de comprar alguma coisa para comermos.Muitas vezes no final do mês era só pão e ovo.A viagem,com seus dolares,veio representar um grande desafogo,acrescentado com o fim das prestações em dez vezes(setembro acabaram) e de repente ficamos com dinheiro sobrando,depois de muitos meses de dificuldades,podendo então até comprar uma TV,único eletro que não tinhamos,pois eu tinha preferido comprar até máquina de lavar para poupar Te,mas o dinheiro não tinha dado para a TV.Foi uma festa,pois Te não aguentava mais ficar em casa sózinha e só poder escutar rádio ou os poucos discos que tinhamos.Como ela dizia o que ela mais escutava era o estalar do sinteco novo...Madeira

segunda-feira, 5 de abril de 2010

1966:enfim um homem sério e com novas responsabilidades

1966 inicia com casamento marcado para cinco de fevereiro,apto pronto,pintado por mim,mobiliado com móveis feitos sob medida.No trabalho tudo ótimo engrenado, doutorado nos finalmente,uma nova vida abrindo-se,com uma mudança radical nos costumes.Fim da solidão,de ficar as noites,sabados e domingos só,de comer cada dia em um lugar.Também para Terezinha uma nova forma de viver.Enfim ia ter uma casa,um quarto,as coisas dela,parando de trabalhar(saiu do emprego na Mesbla no inicio do ano),passando a cuidar da casa e dos filhos que viriam.Casamento acertado na Igreja de Santa Terezinha,na rua Mariz e Barros,quase em frente ao Instituto de Educação,próximo a Praça da Bandeira,no Rio.Padrinhos escolhidos,o sendo para nós dois um e mesmo casal:Egydio e Ivone Fernandes,pois ela tinha uma relação fraterna com Ivone e ainda com ligações sanguíneas e eu com o Fernandes.Nossos pais foram descartados por já serem pais;meu irmão servindo fora do Rio,longe(acho que estava em Pelotas/RS)e assim o mesmo casal padrinhos dos dois.Tinha ainda um casal que depois ficou tão irmãos como os Fernandes.Antes de casarmos fizemos o indispensável curso de noivos da Igreja Católica e fizemos os exames pré nupciais,então recomendados,mas que poucos casais faziam e que consistiam em exames clinicos individuais e em exames de sangue para saber da compatibilidade sanguínea,que dando certo,OK,como deram,garantia filhos perfeitos(e foram).A festa de casamento foi contratada,assim como o buffet,para o Centro Transmontano,na avenida Melo Mattos,no Largo da Segunda Feira,onde meu pai tinha sido diretor e era sócio benemérito,para logo após o casório,que foi em um sabado às dezoito horas,na realidade ocorreu às dezenove,pois Terezinha,como toda noiva atrasou,apenas extrapolou,pois atrasou uma hora e o casamento das dezenove teve de passar a frente do nosso.Eu a esperei,como depois em toda a vida conjugal,com calma,tranquilo,comendo pipoca na porta da Igreja,junto com os colegas da turma da José Higino,todos meus convidados.Casamento realizado,votos trocados,festa,com alterações,após nossa saída,fomos para a nossa lua de mel,que foi com a primeira noite no Hotel Glória,tradicional,então o melhor do Rio,juntamente com o Copacabana Palace,com viagem no dia seguinte,domingo pela manhã,de ônibus(tinha vendido meu Dauphine 60 para casar)para Engenheiro Passos,encostada em Rezende,no inicio da estrada para Caxambu e São Lourenço,no Hotel Fazenda Três Pinheiros,indicado por Dona Hilda,pois fora lá que ela passara a sua lua de mel.Para nossa surpresa ao chegarmos a rodoviária do Rio encontramos três colegas da turma da José Higino,indo no mesmo ônibus para São Lourenço de férias.Foi aquela esculhambação...A lua de mel,que durou vinte dias,em Três Pinheiros,pois além dos oito dias de gala tirei mais trinta dias de férias.Foram dias de muito amor,muito papo,descanso e prática de esportes,ponto forte da fazenda,com leite no curral e jogos de salão,futebol,volei e muita piscina e muito sol e calor(fevereiro).O costume de tirar férias no Hotel Fazenda Tres Pinheiros permeneceu por muitos anos,enquanto estavamos morando em Brasilia,quando todas as ferias iamos para lá todos nós.Também fizemos todos os passeios ao redor,como Caxambu,São Lourenço(encontramos lá a turma),Rezende,AMAN.Ficamos no apto 3,no prédio principal da fazenda,instalações antigas,mas confortáveis,gostosas,com refeições deliciosas.Retorno ao Rio,já próximo de voltarmos para Brasilia e inaugurarmos nosso ap e então eu soube de que minha mãe tinha aprontado na festa do nosso casamento,logo após nossa saída.Minha mãe sempre posicionou-se contra meu casamento com Terezinha,no que meu pai,mais conciliador, também concordava,mas dava-me liberdade de escolha.Depois eu descobri que ela queria,porque queria,escolher minha esposa(ainda de certa forma costume então)e até já tinha escolhido:teria de ser a afilhada dela,Regina,filha do compadre deles,o guarda livros de meu pai,o seu Gomes.Motivos de minha mãe:era prendada,professora formada e rica e Terezinha para ela era o oposto:tinha só o primário,era pobre e vendedora da Mesbla.Meu pai pensava igual,mas entendia que a escolha tinha de ser minha.Ela certamente desconhecia o amor e a força deste.Desde o inicio eu via isso(só não sabia da eleita por ela)e falava para eles que a escolha era minha,que eu tinha largado nossa casa justamente para ser independente e o era e assim resolvia tudo sem depender deles ou pedir nada.Bem.minha mãe logo que eu saí foi com a irmã,minha madrinha e tia Adir,até a mesa de Dona Hilda e seu José e começou a ofendê-los dizendo que tinham conseguido dar o golpe do baú(e nós casando no maior aperto,na maior m)e minha madrinha(com quem nunca mais falei)arremessou uns docinhos na familia de Dona Hilda,que respondeu,ou seja a festa terminou em baixaria completa,com guerra de doces,que aliás estavam deliciosos.Sabedor dos fatos,deixei Terezinha em casa e sem ela saber fui até a casa de meus pais,onde paguei uma geral na minha mãe e saí,informando-os que não iria mais procurá-los,o que cumpri até o nascimento do Caio.De volta a Brasilia,feliz,com esposa ao lado,ap novinho, mobiliado a nosso gosto,minhas peladas engrenadas,aos sabados jogando pelo time de futebol de campo do Minas Brasilia Tenis Clube,ao qual tinha associado-me,assim como o Egydio(enquanto isso Ivone e Terezinha ficavam na piscina)e ainda a noite um campeonato de futebol society na quadra onde morava,com o trabalho tendo-me reservado uma surpresa,pois houve a transferencia do Dr.Edson Lasmar e aí fui promovido a chefe da Interpol no Brasil,com aumento salarial,ou seja 1966 foi só de felicidades e êxitos...Madeira