segunda-feira, 23 de agosto de 2010

83/95:um novo enfoque nas postagens

A partir de agora fica um pouco mudada a cara destas recordações,pois os meus filhos e netos,para quem predominantemente estou escrevendo,já tem todas as historias que vivenciei de 83 em diante,da instalação definitiva na nossa casa de Bairro de Lourdes,gravadas nas mentes e no coração,tanto por terem participado,já adolescentes/adultos,como por as terem discutido conosco.Assim,tenho apenas de relembrar algumas passagens que não os envolveram ou que foram resolvidas sem que eles fossem consultados,por serem doloridas ou intimas a um casal.Logo amarrarei fatos gostosos de serem lembrados ou especificos de pessoas de nossas relações pessoais ou laborais.
Instalados em definitivo na casa escolhida por Terezinha,com empregos estáveis,os filhos podendo também adquirir estabilidade nos estudos e nas amizades,eu e TE fomos a luta.Eu trabalhando que nem um louco,tendo chegado a ter seis contratos de trabalho na carteira de trabalho,Te tratando de colocar a casa ao gosto dela e aí tome de obras e com dona Hilda e o Adelino vindo morar conosco,pois meu pai tinha falecido e além deles não terem condições de saúde,nem financeira para ficarem morando no Rio,sós,eu de acordo com Te tinhamos resolvido vender os imoveis que ele tinha deixado de herança e pedido que chegassem aos netos e comprar aqui em Vitoria,pois aqui estavamos radicados.Essa parte ficou totalmente por conta de Te.Madeira

terça-feira, 17 de agosto de 2010

1983,a familia,as atividades e a passagem de meu pai

Nesse tempo enfim,apesar da mudança radical no nosso viver,sentiamos todos uma sensação nova por termos nos radicado,parado em um lugar,uma cidade,um Estado,podendo fazer planos,ter referencias,amigos e costumes sedimentados. Enfim,tinhamos uma casa,trabalhos fixos,as crianças em colegios pelo tempo que quizessem,uma nova realidade.O trabalho era exaustivo e diversificado,o que para mim era excelente,pois eu nunca tinha tido marasmo,rotina em minhas atividades profissionais e gostava de agitação.Trabalhava em um monte de lugares tanto por gostar do que estava fazendo como pelas despesas da casa serem altas.Lecionava todas as noites em faculdades(Faesa/UVV),nos sabados em cursinhos,tanto para vestibular(Promove/Nacional de Vila Velha/Bac),como para concursos(Dom Bosco,com o Zé Maria),as tardes,quando haviam cursos na Acadepol,cedido pela CST,durante os dias na CST.Aos sabados de manhã cedinho(a partir de seis e meia,antes de ir dar aulas),jogava uma pelada no Alvares,restando os domingos para a familia e nossos piqueniques nas praias.Te envolvida nos dois trabalhos,sempre pelas manhãs na Transbrasil e as tardes na Creche de Carapina,enfim muito trabalho e cuidados com te e as crianças.83 reservou-nos uma surpresa que foi a passagem de meu pai,seu Dias.Em junho fui avisado por meu irmão Sidonio que o nosso pai estava internado na Beneficencia Portuguesa,no Rio,um hospital no qual ele era associado,com suspeita de cancer no pulmão.Combinamos um encontro lá na sexta feira,aproveitando o final de semana, para vê-lo e tomar as decisões que fossem as melhores para ele.Lá chegando fui direto para a Beneficencia,que ficava no Estácio e encontrei-me com Sidonio e fomos vê-lo.Recebeu-nos reclamando muito que não ia mais ficar lá de jeito nenhum,pois contou que um fdp tinha "mandado ele se virar de bruços e enfiado o dedo no meu rabo"(tinha feito um exame de prostata)e ele não ia aceitar ficar mais lá.Perguntei se ele queria ir para minha casa e ele aceitou.De imediato comprei passagens de avião para ele e minha mãe,até aí alheia a isso tudo,para o dia seguinte um sabado,conseguimos convencer os médicos a deixarem ele sair,ter alta,para tanto tendo de assinar um termo de responsabilidade,pois era de fato um cancer nos pulmões,que já não executavam direito as funções respiratorias.Mais uma vez contei com o Levy,que foi chamado por mim ao hospital,examinou as radiografias dos pulmões,que já eram simplemente duas imensas marcas brancas,sem qualquer transparencia e ele concordou que o caso era terminal e o melhor era dar qualidade de vida nessa reta final de vida dele.No sabado peguei a mãe e as coisas deles lá na casa deles,em Vila Isabel,de taxi,rumamos para o hospital,ele arrumou-se todo,colocando um terno com gravata,tudo com muita dificuldade ao respirar e fomos para o Galeão,de onde voamos para Vitoria,chegando cerca das onze horas em casa.Terezinha preparou o almoço que ele gostava,bife a cavalo com fritas,arroz e feijão,um copo de vinho português e ele sentou-se a cabeceira da mesa,almoçou muito bem e depois foi sentar comigo na varanda,para papearmos.Aparentava estar melhor(o canto do cisne)e umas três horas da tarde pediu para ir deitar e o levamos para o quarto preparado para ele que era o do Caio,por ficar ao lado do meu.A partir daí começou o desligamento dele,o processo de falecimento carnal.Começou a arfar fortemente,a ter dificuldade de falar e as quatro horas chamei médicos lá em casa,vindo o secretario de saúde da Serra,então meu colega de secretariado,o Dr.Fernando Herkenhoff e uma pneumologista,esposa de um dos médicos nefrologistas de Te,o Dr.Kalipson.Esta quis levá-lo para internar em um hospital,onde iria fazer uma traqueotomia,ou seja abrir um buraco na garganta para ele poder respirar.Quando ela falou isso ele virou o bicho,tirou forças do interior,mandou ela sair do quarto e ir embora,pois não iria fazer nada disso e iria ficar ali,junto a nós e tratado por nós.Disse que ali ele tinha as melhores enfermeiras do mundo,que eram Terezinha e dona Hilda que estava lá conosco na época(logo depois veio morar em definitivo lá em casa)e que de lá ninguém o tiraria.Foi orientado então que fosse providenciado um balão de oxigenio e instalado ao lado da cama com tubos de saída de ar para as narinas.Isso foi feito e ele passou a noite mal,assistido direto por Te,dona Hilda e eu,atentos a noite toda aos movimentos e ao sofrimento dele.No dia seguinte,um domingo,ele começou a piorar e não admitia sair de lá,do quarto,quando cerca das onze horas Te chamou-me e avisou que não estava saindo ar do tubo de oxigenio e eu saí correndo para comprar outro,com Flavia,acompanhando-me,sentada em cima do tubo,que foi colocado no banco do carona do nosso Passat.Isso era impossivel pois o tubo estava cheio de ar e não saía.Para quem não acredita em "coisas"do mundo maior,esta foi mais uma prova de que elas existem,pois foi só eu sair de casa para ele falecer,pois ao chegar no Hospital São José,onde iria comprar outro tubo já tinha um telefonema de Terezinha,para que eu voltasse pois ele tinha falecido,ou seja,eu não devia assistir essa passagem,que foi assitida por Te e dona Hilda,uma de cada lado da cama,enquanto minha mãe rezava na sala.Mais um detalhe:após o falecimento dele o tubo de ar voltou a funcionar...A partir daí as duas vestiram ele com um terno,como ele gostava,contratei o enterro,com transporte do corpo para o Rio,onde foi feito o enterro.Após ser velado na sala de casa e tudo acertado,inclusive por Sidonio no cemiterio no Rio,na madrugada,viajamos para o Rio,o corpo dele no carro funebre e eu,Te e Flavia,que quis ir,no nosso carro,seguindo-o.Aliás Flavia mostrou como era ao ir e passar por todo o trauma que é uma morte familiar e o pior lá no cemiterio tivemos de ir assitir,pois tinha de ter uma pessoa da familia,a retirada dos restos mortais de um dos enterrados no sepulcro,onde seria colocado o corpo de meu pai(eram os restos mortais de meu tio e padrinho)e ela assistiu tudo ao meu lado,inclusive com todos os maus odores e a fuga de bichinhos desconhecidos que desataram a correr na primeira réstea de luz,que entrou no caixão.Lá foi ele enterrado e perdi na Terra um pai impar,exemplar,que se eu tivesse seguido mais os comportamentos dele não tinha magoado pessoas que tanto amava.Assim,com a ida dele,a saída da Prefeitura da Serra,o retorno a CST,iniciava-se um período de bonança,que duraria até a aposentadoria de Te e a minha saída da CST,isso por cerca de doze anos,que veremos a partir de agora sem ideia cronologica e sim de lugares e assuntos...Madeira

Eu e a Prefeitura da Serra

Ao assumir o cargo de Secretario Municipal de Administração,em dobradinha com o Secretario da Fazenda,o senhor Erix,um dos mais honestos e competentes homens públicos que conheci e com quem trabalhei,pois eu só poderia bem administrar dentro das condições financeiras da Prefeitura e a chave do cofre era com ele,face a já termos recebido a administração municipal com o orçamento elaborado e em vigor para o ano,deparamo-nos com um grande problema,pois os vencimentos dos funcionarios estavam quatro meses atrasados e mais o décimo terceiro sem ter sido pago.Havia no ar ao mesmo tempo uma grande esperança do funcionalismo no governo Motta e uma ameaça de greve.Tinhamos de agir e rápido e a solução foi ter coragem de fazer os enfrentamentos que se fizessem necessários e isso não faltava ao Seu Eryx e a mim.Suspendemos,sempre com conhecimento e autorização do Motta,todos os pagamentos de fornecedores,fazendo o seu Eryx um pente fino em todas as contas a pagar e solicitando a procuradoria uma análise acurada de todos os contratos feitos na gestão anterior,destacando-se como primeira medida séria a dispensa de uma vaca contratada para todo dia na porta da Prefeitura fazer distribuição de leite para a população(sem qualquer critério,apenas uma grande e esculhambada fila).Eu de minha parte,que tinha cinco áreas subordinadas(setores de pessoal,compras,material, tesouraria e transporte)consegui com o Motta ocupar essas chefias intermediarias com pessoal técnico,todos formados em administração,à exceção de compras onde ele colocou a Bete,excelente funcionaria e de transportes,onde ele colocou o Ralf,excelente em todos os aspectos e tratei de cerrar em cima delas,com acompanhamento direto,vivendo dentro das mesmas,um dia da semana em cada e não deixando sair um papel sem meu conhecimento,ou seja,mesmo sem ser meu perfil tive de centralizar,pois inclusive os adeptos e seguidores da administração anterior lá continuavam.Assim,diariamente eu iniciava os trabalhos,chegando cedo,como sempre foi meu costume,antes de todos os funcionarios,rodava a sede da prefeitura,na praça de entrada do municipio e depois reunia-me com os chefes imediatos e após passava o dia em uma das seções,conversando com todos os funcionarios e acompanhando os trabalhos:iniciando pela de pessoal,na segunda e terminando na de compras,na sexta feira.Na seção de transportes ocorreu um fato interessante,que foi a de algumas pessoas comentarem que para eu falar com todos os que lá trabalhavam seria impossivel porque os motoristas de escavadeiras,tratores,iam apara o interior do municipio e saiam da garagem de madrugada:pois quebraram a cara pois toda terça feira,dia da reunião com o pessoal dos transportes,eu chegava lá às cinco horas da manhã e tomava café com eles e fazia a reunião.Nessas reuniões eu ouvia as reclamações,tomava decisões,as participava,fiscalizava as condições de trabalho,pessoais,incluindo roupa e aparencia pessoal e do material.Recuperamos,com a orientação do chefe do setor,o Ralf,cabra bom de trabalho e muito honesto,outra indicação pessoal do Motta,todas as viaturas,com mão de obra própria.Como a providencia mais urgente era colocar os pagamentos em dia,tomei conhecimento de duas irregularidades e solicitei a audiencia da Procuradoria,que concordou sobre as irregularidades e com isso conseguimos diminuir a folha de pagamento em cerca de mil pessoas,caindo o efetivo da prefeitura de quase quatro mil para pouco menos de três mil funcionarios.Essas falhas encontradas foram a contratação de 715 pessoas no dia 15 de novembro,no dia da eleição e a realização de um concurso público para pessoal de nivel superior que tinha efetivado pouco mais de duzentos amigos da ex administração.Fiz questão de que os primeiros fossem demitidos mais que recebessem integralmente cada dia trabalhado,pois eram pessoas pobres do povo que tudo indicava que tinham sido compradas para votar em determinados candidatos.Já para a outra ilegalidade,foi necessario um inquerito administrativo que confirmou que o concurso tinha sido fraudulento e aí deu repercussão a sua anulação e ameaças a todos nós,mas o anulamos e conseguimos enxugar os gastos e assim em abril já estavamos com os pagamentos de pessoal em dia e o Motta aplaudido.Rodamos então o ano em céu de brigadeiro com o Motta realizando uma ideia excelente,que eram os mutirões em bairros pobres,um final de semana em cada um,com toda a prefeitura lá,atendendo a comunidade,com obras,ações civico-sociais em geral.Com mais alguns ajustes na área de pessoal e com base em estudos que eu tinha solicitado/contratado com um instituto de SP o IPEM,especializado em estudar as estruturas,organograma e funcionalidade de prefeituras no País,conseguimos fechar um quadro de pessoal ideal em cerca de 2.200 funcionarios.Na Secretaria existia a figura de um Sub-Secretário,indicado pelo Motta que era uma pessoa especial,tanto pela educação como pela dedicação ao trabalho e a qual me afeiçoei,Dom Ernani Pinto dos Reis,bispo da Igreja catolica Brasileira,uma dissidencia da Igreja Catolica Romana,com todos os ritos e liturgias identicas e formada por ex padres catolicos,que apenas não desejavam ser subordinados ao Vaticano.Eu deixava com Dom Ernani todo o recebimento de público e das queixas e reclamações em geral,assim como as reuniões de carater politico e ele fazia muito bem esse meio de campo,reunindo-se depois comigo,quando acertavamos quais as respostas as reinvidicações por ele recebidas.Nessa época fiz,para que ele sentisse um pouco as dificuldades de ter responsabilidades maiores que as de apenas estudar,uma sacanagem com o Caio(não era esse o espirito da coisa,mas ficou assim na historia de nosso relacionamento),que foi a de que em uma conversa com o Motta ele dizer que precisava de alguém para ficar em um galpão dele para receber material,atender pessoas e controlar as coisas lá e eu indiquei o Caio,que para lá foi e então é que veio a sacanagem,que nem eu sabia,a existencia lá de cachorro(s) e assim teve o Caio de conviver com odores desagradaveis e em um lugar desagradavel.Para primeira experiencia de trabalho certamente foi tramatizante. Bem,como sempre meu radicalismo,minha vontade de que tudo fosse feito como eu entendia ser certo atrapalhou tudo e fez-me sair da Prefeitura e voltar para a CST(ainda bem,pois na politica eu nunca daria certo)e na época do start-up,inicio da produção siderurgica.Ocorre que com os pagamentos todos em dia,com um quadro de funcionarios redondo tornou-se necessario ao Prefeito saciar os correligionarios e assim o Motta chamou-me e informou que tinha uns nomes para serem contratados e eu rebelei-me e disse que eu não assinaria nenhuma carteira,preferindo que ele me tirasse da Secretaria,puzesse o Dom Ernani que já estava acostumado e bem treinado e eu voltaria para a CST.Ele ainda tentou que eu ficasse,colocando-me como Coordenador Geral,um cargo de nivel de secretario ligado diretamente a ele e eu fiquei sem ter nada para fazer,o que me fez fazer uma carta de demissão e entregar ao Motta em um jantar ao qual convidei ele e Marilda,na Lareira Portuguesa,ao qual compareci com TE e na qual ficou acertado que ela continuaria pelo excelente trabalho que desenvolvia e eu voltaria para a CST...Mais uma decisão impositiva minha,mais uma decisão intempestiva,firme,mas sem medir nada a não ser o que eu achava.Decididamente meu anjo da guarda,meus mentores devem ter se visto,continuadamente,em palpos de aranha,para me ajudarem,pois oportunidades foram postas em minhas mãos e eu as chutava se todos não concordassem comigo,com meus pensamentos ou será que eu sempre estive certo?Será que em alguma o certo,materialmente,não teria sido eu curvar minha coluna e aceitar as regras do jogo???Até agora eu não sei,só sei que no fim ainda deu tudo certo,graças aos meus mentores,a TE,a meus pais,a dona Hilda,a todos enfim que me circundam,se não eu estaria na maior merda...Madeira

Terezinha e a Transbrasil

Já na Transbrasil Te era,como em tudo,exemplar.Compromissada,cmpridora dos deveres com todo rigor,companheira,amiga,orientando e ajudando a todos,colegas e passageiros.O gerente,o Flavio saiu da gerencia,voltando para Fortaleza,terra natal dele,para gerenciar a Transbrasil lá,vieram outros gerentes,o Paulo Machado,depois o Afonso e ela sempre lá brilhando,comprometida,sem nunca faltar ou dar problemas,com plantões muitas vezes em datas nossas ou em Natal e Ano Novo.Lá ficou até aposentar-se e essa história é complexa e foi uma grande briga.Através da Transbrasil fizemos,por ser direito dela,muitas viagens de férias,primeiramente pelo Brasil,como para Aracaju,Maceió,Natal,Fortaleza,Florianopolis,Belem e depois para o exterior,quando a Tranbrasil começou a voar para Orlando,Amsterdam(quando esticamos até a Bruxellas),para Viena,quando esticamos por terra para Praga e Budapest e para Lisboa,quando iamos ver os parentes dela e meus.Foram viagens gratuitas e que compensavam muitas das dificuldades do trabalho dela.A saída dela da Tranbrasil foi pela aposentadoria por motivo de saúde face ao cancer que manifestou-se no seio esquerdo e valeu muita briga dela,comigo ao lado,tanto na companhia,como na pericia do INSS,pois ela não queria essa aposentadoria,por não se achar inválida e de fato não o era,tanto que depois continuou a fazer muita coisa,tanto filantropica,como estudando,fazendo curso superior,o que abordaremos a frente...Madeira

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Terezinha e a Creche de Carapina

Durante os seis anos de mandato do Motta,83/89,TE foi diretora da Creche de Carapina e apoiou a Marilda que sempre que tinha grandes dúvidas a procurava e com ela trocava idéias.A creche situada em Carapina,em uma pequena rua,atrás da via urbana da BR 101 norte,do lado direito de quem vem da Bahia,funcionava em uma casa alugada e de péssimas condições.Suja,sem pintura,com vazamentos e goteiras e o pior com funcionarios efetivos e desinteressados,o que levava as mães a também o serem.As crianças sem fazerem nada,na realidade abandonadas.Era um verdadeiro deposito de crianças,onde as mães as largavam pela manhã e pagavam de tarde,sem se importarem como eram tratadas.Não havia qualquer controle sobre as provisões deixadas semanalmente pela Prefeitura,nem pedidos feitos,sendo deixado lá o que o pessoal da Prefeitura queria.Funcionarios pegavam e levavam para casa muita coisa.TE colocou mãos a obra e desatou a organizar a Creche.De inicio como ela não podia ficar pela manhã,o que era de conhecimento e autorização de Marilda e não era nenhm absurdo pois a maioria dos comissionados trabalhava meio expediente ou até menos,ela colocou como subdiretora,cargo também de confiança,comissionado a Ivone,que ia de manhã,chegava cedinho e fazia com que as ordens de TE fossem cumpridas a risca.Implantou-se livro do ponto;horarios começaram a ser cumpridos;Te arranjou,através de mim,cursos para as funcionarias,desde berçaristas a cozinheiras;foi criada uma peqena secretaria da creche,para controle de matriculas e presença;uniformes foram desenhados por TE e todas as empregadas começaram a andar uniformizadas;mandei a equipe de manutenção da Secretaria consertar todo o prédio e pintar;meu pessoal arrumou uma área do quintal e plantou uma horta,que uma vez por semana,nosso jardineiro/agricultor ia lá dar atenção;armario com chave e cadeado foi colocado para guarda dos alimentos enviados semanalmente pela Prefeitura e LBA e somente a Ivone e Te tinham as chaves e cada entrada de alimentos e material de limpeza que entrava e saía era anotado em livros próprios;Te conseguiu que as carnes ao invés de serem mandadas,o que implicava muitas vezes em atraso na elaboração do almoço e até na qualidade do mandado,que fosse dada uma verba mensal para compra no açougue próximo,o que foi permitido;Te também conseguiu em um quilão próximo que diariamente,antes de ser jogado fora as frutas,verduras e legumes fossem mandados para a creche,onde eram separados e muita coisa aproveitada,para uns sopões que todos na creche tomavam ao fim do dia de trabalho,o que melhorou mais ainda a qualidade da alimentação servida a todos;Te conseguiu com Marilda professoras,para as crianças não ficarem ociosas e aprenderem algo;as crianças passaram a serem recebidas em condições,ou seja,limpas e arrumadas,com o uniforme dado pela Prefeitura vsetido e limpo e entregues de banho tomado,com cabelo lavado e unhas limpas e lanchadas;às mães também foram impostas obrigações pessoais,tais como virem arrumadas buscar as crianças e sendo proibidas de fumarem na porta da creche;também as mães eram dadas nas reuniões mensais palestras sobre como cuidarem das crianças em casa,em especial nas áreas de alimentação e higiene;enfim,em cerca de tres meses uma modificação total,completa,que redundou em ser a Creche de Carapina modelo para todas as demais da Serra,com direito a serem as demais diretoras e supervisoras de creches para lá enviadas para fazer estágio com TE e Ivone.A Creche de Carapina era modelo e elogiada pela LBA,que destinava verba para as creches municipais e as fiscalizava.Foi um trabalho lindo,diferenciado,com as crianças sendo bem tratadas,aprendendo algo,assim como as familias,em um ambiente limpo e agradavel.Com a minha saída no final de 83 da Secretaria o apoio não diminuiu pois continuei a apoiar através de meus contatos nas empreiteiras da CST.Dos trabalhos lá feitos Flavia pode opinar pois ela lá trabalhou como celetista,apoiando Te,na época de Taisinha recem nascida.Nesta atividade TE brilhou e ajudou muita gente,como em toda a sua vida...Madeira

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

1983:Terezinha de novo empregada e eu na Prefeitura da Serra

Terezinha,guerreira,valente,disposta a viver intensivamente pelo tempo que tivesse,pois como ela mesmo lembrava,tinha recebido um rim com mais de sessenta anos,queria voltar a trabalhar e vieram logo dois trabalhos.Um grande amigo meu,companheiro de peladas desde Fortaleza,onde gerenciava a TAP e que tinha nos proporcionado a viagem a Portugal no voo inaugural do Boeing 747 da TAP,entre Fortaleza e Lisboa e a ida de TE a Inglaterra e França,já comentada,o Flavio Wanderley,por coincidencia também tinha vindo morar em Vitoria,para gerenciar a Transbrasil e acompanhou a luta de Te com a doença renal.Conversando com ele e falando da vontade dela em trabalhar ele a convidou para ir trabalhar no setor de reservas da Transbrasil,turnos de seis horas,sentada,em um ambiente bom,limpo,refrigerado.Ela aceitou de imediato e lá foi,sempre no turno da manhã,das sete às treze horas diariamente e com plantões,um final de semana por mes.Teve de fazer cursos em São Paulo,base da Transbrasil,aprender informática,códigos aeronauticos e assim tornou-se uma aeroviária(que trabalha em cia aérea mas no chão),com um salario razoavel e as vantagens trabalhistas,as quais juntou-se o direito a passagens aéreas,para ela e acompanhante nas férias(com isso viajamos bastante).Concomitantemente o Motta,a quem eu já devia tanto,meteu-se em politica e foi eleito Prefeito da Serra e de imediato convidando-me para ir com ela e assumir a Secretaria de Administração,no mandato dele.Eu disse a ele que não era politico,mas que poderia ir para ajudá-lo no inicio da administração(o mandato então era de seis anos),tecnicamente,mas que eu não queria perder o emprego na CST e só iria se ele arrumasse a minha cessão pela CST,ou seja que quando eu quizesse voltar para a CST,lá estivesse meu emprego,minha vaga garantida.Pois ele o conseguiu junto ao Dr. Arthur Gerhardt,Diretor-Presidente da CST e assim tomei posse no cargo de secretario municipal junto com ele,no dia 31 de janeiro de 83.Disso resultou em TE ter dois empregos,pois ela tinha muita vontade de fazer alguma coisa ligada a assistencialismo,a ajudar o próximo,com honestidade,e com ampliação da visão do ajudado e a esposa do Motta,a Marilda,que tinha assumido a Secretaria de Ação Social,sempre reservada a primeira dama,sabedora disso a convidou para exercer o cargo comissionado de Diretora de uma creche municipal,o que TE aceitou,mesmo sabendo que haveria um desgaste fisico,pelo desejo de fazer um trabalho diferenciado(e o fez).Te escolheu uma creche bem pobre,talvez a pior dotada,mas que tinha a vantagem de ser a mais próxima de Vitoria.Foi a creche de Carapina e lá passou a trabalhar todas as tardes,da hora de saída da Transbrasil,chegava lá cerca das treze e trinta,após comer qualquer coisa e ficava até a saída das crianças,dezoito e pouco.Uma leoa e competente...Madeira

terça-feira, 3 de agosto de 2010

A CST,novo emprego e muita aprendizagem(81/82)

Admitido na CST em julho de l981,com a empresa em construção civil e montagem da usina siderurgica,com a segurança patrimonial vivenciando um crise,pois o gerente anterior,um major da reserva do EB,tinha sido demitido por violencias contra operarios das contratadas que faziam as obras,em um total de cerca de cinco mil peões,com a maioria morando na chamada Vila Operaria,local construído pelas empreiteiras para alojar aqueles que não eram do ES e com isso com problemas mil.Brigas,bebedeiras,furtos eram uma constante,agravados pela zona de baixo meretricio,de nome São Sebastião,em frente a portaria da Vila Operaria,ou seja,bastava o peão sair da área da Companhia,em seus horarios de folga e a cinquenta metros estavam as boates e bares com as prostitutas,que passavam de mil,segundo a policia civil capixaba.Prato cheio para muito trabalho e com a segurança sem nenhuma estrutura,planejamento de ações,equipamentos,sendo na realidade um bando,com pretenso treinamento militar,usando capacete,botina militar,o que disfarçava a má formação.Com a demissão do major,escaldada com os comportamentos de força,a alta direção colocara como gerente de segurança um engenheiro e aí,no meu ponto de vista piorou tudo,pois misturou-se o não apropriado militarismo existente com o completo desconhecimento de segurança empresarial do pessoal de engenharia,que tratou então de copiar o que já vivenciara em outras siderurgicas no País.Eu,contratado como adjunto técnico de nível superior,tinha como missão desenvolver estudos de segurança que me fossem solicitados ou determinados pela gerencia e assim pus-me a fazer,sozinho,na minha,em uma sala que recebi,junto com meu enxoval de adjunto,mesa,cadeira,cachorrinho,um pequeno movel para guardar documentos,telefone e material de escritorio,papel,canetas,etc...Estudos chegavam,sobre os mais variados temas e eu com a minha experiencia de segurança patrimonial,pois tinha montado o plano de segurança do Ministerio das Relações Exteriores,o Palacio Itamarati,em Brasilia e o plano de segurança do Edificio Séde do DPF,o Máscara Negra,entre outros,comecei a destrinchá-los,além de preocupar-me com a organização interna da gerencia de segurança,que não tinha um organograma condizente com a importancia e o tamanho da futura maior siderurgica brasileira.Ainda que tendo que pensar em duas realidades diferentes,uma atual a de uma grande construção civil e montagem empresarial e outra de depois ela funcionando,com acesso só de empregados e fornecedores.A gerencia então tinha apenas dois setores um de vigilancia,chefiado por um pedagogo(ah,ah,ah)e outra de identificação e controle de pessoal e material de empreiteiras,o setor de identificação,chefiado por um juiz de paz(ah,ah,ah)que logo foi colocado sob minha orientação.Assim meu tempo ficou todo tomado,pois escrevia muito,elaborando os estudos solicitados,em especial sobre entrada e saída de pessoas e materiais,de medidas para reduzir furtos,extravios de materiais e de controlar e assinar os crachás de pessoal das empreiteiras e de entrada e saída de equipamentos e materiais delas.A isso ainda juntava-se um plantão de final de semana,alternado entre eu e o chefe da vigilancia sobre altercações na Vila Operaria.E ainda,para ganhar dinheiro,dando aulas todas as noites e durante o dia aos sabados,sem contar que de vez em quando a Acadepol,oficiava para a CST e lá ia eu dar umas aulas extras lá,mas isso tudo era moleza,pois a familia estava junto unida e Te,com muito controle medicamentoso,mas com saúde suficiente e muita raça,para tocar a vida.Mais uma vez eu era colocado pelo destino para aprender e aprendi muito sobre o que é uma empresa,ainda mais um multinacional,pois então a CST era um empreendimento Brasil(produção),Italia(comercio internacional) e Japão(tecnologia),com diretores e funcionarios dos três países.Desse período em que fui subordinado aprendi,enfim, a engulir alguns sapos,tais como descobrir que meus estudos,após entregues ao meu gerente,tinham meu nome e assinatura apagados e ele assinava como autor dos mesmos...Em termos a CST era uma prisão,pois ela disponibilizava transporte de onibus para os empregados,refeitorio para as refeições,no caso almoço e depois para você sair de lá,em Carapina,naquela época,era praticamente impossivel,pois teria de andar até a BR e lá pegar um onibus urbano.Com isso nada de perder o onibus da empresa ou de "voar",tendo que trabalhar e trabalhar.Em compensação descobri vantagens tais como FGTS,participação nos lucros,treinamentos,assistencia médica geral de qualidade,hora extra e outras vantagens que nunca tinha tido na vida.Assumi minha condição de empregado da CST e tinha orgulho do uniforme que vestia.Nessa época de Vila Operária,nossa principal preocupação,pelo fato de envolver vida(a outra eram os furtos dos canteiros de material,para o que contratamos uma empresa privada de segurança,a Servitran,que mantinha vigilantes controlando tudo direto)deparamo-nos com o mais grave as bebedeiras e a saída foi colocar duas kombis,sem bancos,no portão de entrada da Vila Operária,que fazia o transporte dos empregados que voltavam das libações alcoolicas e da putaria,até o alojamento da sua empreiteira e que chegaram a ser quarenta.Os que chegavam muito bebados eram literalmente empilhados na kombi e entreges aos vigilantes do alojamento de cada uma.Também tinha uma ambulancia,em sistema de rodizio pelas empreiteiras,que levava os que chegavam machucados,sempre por brigas,ou para a enfermaria da respectiva empreiteira ou para um hospital público de Vitoria.Lembro uma das vezes em que e estava de plantão noturno,em um sabado,chegou um operario com um corte a navalha feito no rosto,na face esquerda,que transpuzera a face,pelo qual apesar do sangue via-se o lado de dentro da boca,a lingua e o ceu da boca...Madeira

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

81/2: enfim um emprego e a familia reunida

Retorno a Vitória,agora com todos tendo a certeza de que era o lugar de morada definitiva,com uma casa própria,escolhida e depois reformada e montada por TE,ao gosto dela,com muito trabalho e em vários lugares,de dia na CST,como adjunto técnico de segurança,ou seja assessor,a noite na FAESA e na UVV,titular das cadeiras de Administração Geral no primeiro ano e de Administração de Empresa e Administração Pública no quarto ano e de Introdução ao Direito em todo o curso básico da UVV,que atendia aos cursos de Direito,Administração e Economia,no primeiro ano,e mais,com autorização da CST,dando aulas,ocasionalmente,ou seja,quando havia cursos na Acadepol de tarde e ainda aos sabados em cursinhos para concursos,especialmente nos do Zé Maria,estava eu com muito,muito trabalho,mas feliz,ganhando o suficiente para pagar a casa,suas despesas,colegio dos filhos e demais compromissos.Aos sabados jogava,juntamente com Egydio uma pelada no Clube Alvares,do qual tinha comprado um titulo de sócio proprietário e aos domingos ia a uma praia com toda a turma, inclusive muitas vezes com o Egydio e turma dele,sendo nosso carro uma lotação,ou seja levando uma vida burguesa.Das idas a praia e dos inefaveis piqueniques,guardo como lembrança os bate-bolas e jogos de frescobol,inicialmente com Egydio e depois,por muitos e muitos anos com o Caio,companheiro em tudo e que após a infancia tornou-se além de um filho,um amigo e companheiro muito especial e querido.Meus pais,dos quais escondi minha saída da Federal,todo ano vinham passar uns dias conosco.Dona Hilda e Adelino morando juntos no Rio,na Ilha do Governador,de graça,em um apto cedido por meu pai,volta e meia vinham nos visitar,passando bastante tempo conosco.Terezinha com um controle rigoroso,tomando remedios muito fortes,corticoides,mas bem,com muita disposição,mostrando a vontade de viver e sem fazer restrições a nada.As crianças crescendo enfim com uma base fixa e podendo fazer e ter amigos.Nesta época consegui mostrar bastante este Estado,onde nos radicamos,inclusive através de um amigo dono de uma empresa de helicopteros aos filhos,pois fizemos um voo de helicoptero saindo do aeroporto de Vitória e sobrevoando todo o litoral da Grande Vitoria até Guarapari.Enfim uma vida normal,sem percalços maiores,transferencias de Estados com mudanças de residencias.Madeira

As dificuldades do meu retorno:81/1

Cheguei em Vitoria,com uma pequena bolsa de mão,sem lugar para morar,nem emprego e tratei de me virar,conseguindo logo um quartinho,alugado de um ex-colega da PF,hoje advogado militante,então papiloscopista,Valdir.Ele morava com a esposa,também papiloscopista,sós,em um ap,no prédio da então Yung,hoje Ricardo-Eletro,na avenida Princesa Isabel e eu lá fui morar,tendo como mobiliario apenas um colchão de solteiro,no chão.A pouca roupa era colocada também no chão e a comida era o que dava para comer.Fui a FAESA e a UVV,onde tinha turmas e apresentei-me sabendo que por estar quase em abril,só poderia voltar em agosto,no segundo semestre,mas tratando de segurar turmas,que de fato vieram,mas na área de administração,pois as de Direito,que eu era o titular,ficaram com o Egydio.Voltei a ACADEPOL e de imediato consegui várias turmas,pois estavam começando vários cursos de formação e eu tinha tempo e prestigio.Enfim fiquei mais tranquilo,pois não passaria mais fome.As noites estavam livres e eu não podia só ficar chorando de saudades de TE e das crianças e de arrependimento pelas minhas atitudes.Assim,por sorte minha,o Diretor da Academia,Dr.Valdir Vitral,que era professor da FADIC,Faculdade de Direito de Colatina,levou-me lá e tinha,em pleno abril,uma vaga para professor de EB,Estudos Brasileiros,face a titular,por motivos particulares,professora Hilaria Pergentino,esposa do dono professor Pergentino,ter de se afastar da sala de aula.Peguei no ato e assim as segundas feiras eu ia na kombi da FADIC,para Colatina,saindo às dezessete horas,onde dava aulas e voltava,chegando no meu quartinho cerca da uma da manhã.Às sextas feiras repetia,mas dormia lá,no alojamento da Faculdade,voltando depois do almoço,por conta da Faculdade,chegando em Vitoria cerca das quinze horas.Lá conheci e convivi com alguns luminares do Direito espiritossantense,como os depois desembargadores Adalto Tristão,Jorge Goes,Sergio Bizzoto.Aos domingos normalmente almoçava no Egydio e telefonava para Te.Foram quatro meses de muitas dificuldades,falta de dinheiro,tristeza,dúvidas, muitas dúvidas sobre meus comportamentos e sobre o futuro de minha familia...Porém,graças aos meus mentores,mesmo sem que eu o merecesse,uma luz abriu-se a nossa frente,pois vi em um anuncio,um recrutamento para ser analista de segurança patrimonial da então em construção CST-Companhia Siderurgica de Tubarão.Em junho,próximo ao retorno do pessoal,com a promessa de entrega de nossa casa pelo inquilino,com quem eu tinha contatado e informado dos meus problemas e que aceitou sair da casa,um pouco antes,sem qualquer multa de qualquer das partes,fiz a seleção e passei,o que com o meu curriculo não deve ter sido muito dificil,pois tanto nas entrevistas,como nos exames fisico e psicologico saí-me bem.Assim,quando o pessoal todo voltou do Ceará,as coisas já estavam melhores,com a nossa casa de volta,idem as aulas nas faculdades,para agosto e um emprego novo e decente,que comecei em julho de 81.O maior trabalho foi o de recuperá-la,pois estava meio bagunçada,mas só ter conseguido que o inquilino saísse sem maiores problemas,já valeu.Será que eu aprendi algo?Acho que não,que ainda fiz mais algumas merdas,mas sempre com uma proteção maior do que eu merecia e mereço...Madeira