terça-feira, 3 de agosto de 2010

A CST,novo emprego e muita aprendizagem(81/82)

Admitido na CST em julho de l981,com a empresa em construção civil e montagem da usina siderurgica,com a segurança patrimonial vivenciando um crise,pois o gerente anterior,um major da reserva do EB,tinha sido demitido por violencias contra operarios das contratadas que faziam as obras,em um total de cerca de cinco mil peões,com a maioria morando na chamada Vila Operaria,local construído pelas empreiteiras para alojar aqueles que não eram do ES e com isso com problemas mil.Brigas,bebedeiras,furtos eram uma constante,agravados pela zona de baixo meretricio,de nome São Sebastião,em frente a portaria da Vila Operaria,ou seja,bastava o peão sair da área da Companhia,em seus horarios de folga e a cinquenta metros estavam as boates e bares com as prostitutas,que passavam de mil,segundo a policia civil capixaba.Prato cheio para muito trabalho e com a segurança sem nenhuma estrutura,planejamento de ações,equipamentos,sendo na realidade um bando,com pretenso treinamento militar,usando capacete,botina militar,o que disfarçava a má formação.Com a demissão do major,escaldada com os comportamentos de força,a alta direção colocara como gerente de segurança um engenheiro e aí,no meu ponto de vista piorou tudo,pois misturou-se o não apropriado militarismo existente com o completo desconhecimento de segurança empresarial do pessoal de engenharia,que tratou então de copiar o que já vivenciara em outras siderurgicas no País.Eu,contratado como adjunto técnico de nível superior,tinha como missão desenvolver estudos de segurança que me fossem solicitados ou determinados pela gerencia e assim pus-me a fazer,sozinho,na minha,em uma sala que recebi,junto com meu enxoval de adjunto,mesa,cadeira,cachorrinho,um pequeno movel para guardar documentos,telefone e material de escritorio,papel,canetas,etc...Estudos chegavam,sobre os mais variados temas e eu com a minha experiencia de segurança patrimonial,pois tinha montado o plano de segurança do Ministerio das Relações Exteriores,o Palacio Itamarati,em Brasilia e o plano de segurança do Edificio Séde do DPF,o Máscara Negra,entre outros,comecei a destrinchá-los,além de preocupar-me com a organização interna da gerencia de segurança,que não tinha um organograma condizente com a importancia e o tamanho da futura maior siderurgica brasileira.Ainda que tendo que pensar em duas realidades diferentes,uma atual a de uma grande construção civil e montagem empresarial e outra de depois ela funcionando,com acesso só de empregados e fornecedores.A gerencia então tinha apenas dois setores um de vigilancia,chefiado por um pedagogo(ah,ah,ah)e outra de identificação e controle de pessoal e material de empreiteiras,o setor de identificação,chefiado por um juiz de paz(ah,ah,ah)que logo foi colocado sob minha orientação.Assim meu tempo ficou todo tomado,pois escrevia muito,elaborando os estudos solicitados,em especial sobre entrada e saída de pessoas e materiais,de medidas para reduzir furtos,extravios de materiais e de controlar e assinar os crachás de pessoal das empreiteiras e de entrada e saída de equipamentos e materiais delas.A isso ainda juntava-se um plantão de final de semana,alternado entre eu e o chefe da vigilancia sobre altercações na Vila Operaria.E ainda,para ganhar dinheiro,dando aulas todas as noites e durante o dia aos sabados,sem contar que de vez em quando a Acadepol,oficiava para a CST e lá ia eu dar umas aulas extras lá,mas isso tudo era moleza,pois a familia estava junto unida e Te,com muito controle medicamentoso,mas com saúde suficiente e muita raça,para tocar a vida.Mais uma vez eu era colocado pelo destino para aprender e aprendi muito sobre o que é uma empresa,ainda mais um multinacional,pois então a CST era um empreendimento Brasil(produção),Italia(comercio internacional) e Japão(tecnologia),com diretores e funcionarios dos três países.Desse período em que fui subordinado aprendi,enfim, a engulir alguns sapos,tais como descobrir que meus estudos,após entregues ao meu gerente,tinham meu nome e assinatura apagados e ele assinava como autor dos mesmos...Em termos a CST era uma prisão,pois ela disponibilizava transporte de onibus para os empregados,refeitorio para as refeições,no caso almoço e depois para você sair de lá,em Carapina,naquela época,era praticamente impossivel,pois teria de andar até a BR e lá pegar um onibus urbano.Com isso nada de perder o onibus da empresa ou de "voar",tendo que trabalhar e trabalhar.Em compensação descobri vantagens tais como FGTS,participação nos lucros,treinamentos,assistencia médica geral de qualidade,hora extra e outras vantagens que nunca tinha tido na vida.Assumi minha condição de empregado da CST e tinha orgulho do uniforme que vestia.Nessa época de Vila Operária,nossa principal preocupação,pelo fato de envolver vida(a outra eram os furtos dos canteiros de material,para o que contratamos uma empresa privada de segurança,a Servitran,que mantinha vigilantes controlando tudo direto)deparamo-nos com o mais grave as bebedeiras e a saída foi colocar duas kombis,sem bancos,no portão de entrada da Vila Operária,que fazia o transporte dos empregados que voltavam das libações alcoolicas e da putaria,até o alojamento da sua empreiteira e que chegaram a ser quarenta.Os que chegavam muito bebados eram literalmente empilhados na kombi e entreges aos vigilantes do alojamento de cada uma.Também tinha uma ambulancia,em sistema de rodizio pelas empreiteiras,que levava os que chegavam machucados,sempre por brigas,ou para a enfermaria da respectiva empreiteira ou para um hospital público de Vitoria.Lembro uma das vezes em que e estava de plantão noturno,em um sabado,chegou um operario com um corte a navalha feito no rosto,na face esquerda,que transpuzera a face,pelo qual apesar do sangue via-se o lado de dentro da boca,a lingua e o ceu da boca...Madeira

2 comentários:

  1. Pedagogo e juiz de paz? Pra vc ver o grau de amadorismo e risco nesse início de CST...

    Que, aliás, deve ter lembrado bastante o início de Brasília (cheia de peões, puteiros e mil confusões).

    CAIO

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  2. De fato foi bem parecido.A diferença foi a de que eu não tinha o poder de policia...Madeira

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