segunda-feira, 29 de março de 2010

De volta a Brasilia e a Interpol(1965)

Estágio de serviço terminado,fui convidado pelo comandante Cel.Heitor de Caracas Linhares para continuar mais um ano,mas já com a opção feita pela Policia Federal,com minha vaga guardada no Interpol e com casamento a vista,agradeci,recebi um baita elogio e voltei para Brasilia,retornando ao meu quarto no posto de identificação não utilizado,a Interpol,onde o Dr.Edson Lasmar recebeu-me muito bem,aos almoços de final de semana na casa do Egydio(não mais Ten.Fernandes,mas meu futuro cunhado)e comecei a procurar um apto para casar.Existia então um órgão de nome GTB(Grupo de Trabalho de Brasilia)responsável pela administração das unidades familiares acompanhando inclusive a ocupação das já distribuídas,ou seja,de saber se estavam de fato ocupadas e por quem,para em caso de irregularidades redistribuí-las.Lá,para minha surpresa e alegria,encontrei como agente investigador,aquele que buscava essas informações o ex-soldado gebiano,então agente auxiliar da PF,Altamir Balbino,em mais uma prova de que Deus traça as linhas futuras.Expliquei meu objetivo ao Balbino,preenchi logo um cadastro,que inclusive era de compromisso de utilização própria(tinha muita gente que locava)e havia também uma clausula de que se eu indicasse um imóvel irregular,esse seria do denunciante,não havendo assim ordem de inscrição ou de atendimento.Foi moleza:o Balbino vasculhou a Asa Sul,onde eu queria morar,pois a Asa Norte era muito deserta então,e encontrou um apto de dois quartos,como eu queria,pois não pretendia morar para sempre em Brasilia,na SQS 409/410,bloco U(bem próximo da L-2 Sul),entrada D apto 301, e informou-me,para que eu fizese a denúncia,que ele seria instado a apurar e confirmando,seria só o andamento burocrático,com notificação em jornais do ocupante irregular e entrada autorizada documentalmente na unidade residencial,através da troca de fechaduras,com a presença de membro do GTB.Assim,no final de 65,eu recebia essa autorização documentada e ocupava o apto.Minhas idas ao Rio,com autorização do chefe continuavam e o namoro com Terezinha mais gostoso do que nunca,com os planos sobre o casamento,mobilia do ap,cores a serem pintadas nos comodos,a cada momento em que eu lá estava e em cartas diárias.Um frenesi só,contínuo.Passei o Natal de 65,como não tinha dinheiro pintando o apto(não pensei que sabia,mas a força do amor é milagrosa o fiz e muito direitinho).Comprei os eletro-domesticos em dez vezes e o dinheiro não deu para tv,comprando apenas geladeira,fogão,com exaustor e radio-vitrola(um móvel que tinha rádio am/fm e ao lado um toca-discos,com lugar para guardá-los).Os móveis tinham sido desenhados por Terezinha e encomendados no Rio,em uma fábrica de móveis,situada perto da central da Brasil,de um grande amigo de meu pai,o João Silva,português e constavam de cama de casal,penteadeira,com espelho e banqueta para o quarto,que tinha armarios embutidos,um sofá-cama para o outro quarto,para as visitas,com uma caminha embutida em baixo e para a sala de visitas,uma mesa com seis cadeira,um móvel,para guardar louças e com prateleiras para objetos vários,que serviria também de divisória na sala,pela colocação entre a parte de alimentação e a parte de visitas onde seria colocado um conjunto de estofados,sofás de três e dois lugares e a radio-vitrola.As guarnições de cama,mesa,banho e as louças e talheres foram todas compradas na Mesbla,no Rio,onde Terezinha como empregada tinha vantagens de preço.Assim,rapidamente tinhamos a casa pronta e com tudo funcionando e funcional.Todo o comprado no Rio foi enviado depois para Brasilia junto com os móveis.Nas janelas foram colocadas cortinas de bambuzinho,muito delicadas e lindas.Enfim ficou um novo e bem montado(foi sintecado)futuro lar.Conforme já entrevisto pelas informações acima sobre o mobiliário o apto tinha a seguinte disposição:entrava-se na sala de jantar,com a mesa e cadeiras próprias e após tinha-se a sala de visitas com os sofás e a radio-vitrola e uma ampla janela,que dava para uma área de estacionamento do prédio em frente.Ao entrar se voltasse para trás,a esquerda,entrava-se na cozinha,que tinha ármarios embutidos,o fogão,com exaustor,a geladeira e ao fundo,separados,por uma muro a lavanderia,com a máquina de lavar e o secador de roupas,com básculas acima.Ainda a esquerda,sem virar-se para a cozinha havia um pequeno corredor,com o banheiro em frente e a esquerda deste o quarto de hospedes(depois quarto do Caio) e a direita o quarto de casal,com os respectivos móveis,ambos com amplas armerios embutidos,que foram coberos com papel de parede e janelas grandes,dando vista para os estacionamentos dos prédios.O banheiro era bem amplo e completo.Não tinha garagem,ficando os carros em vagas demarcadas no chão,com o número do apto,na frente de cada entrada do prédio.Este ap lá está,externamente da mesma forma.Dessa maneira escoou 1965,velozmente,pelo envolvimento nos preparativos do casório...Madeira

Lembranças da adolescencia carioca

Lembranças/marcações pós Portugal e anteriores a Brasilia:o inicio da liberdade vigiada,com possibilidades de passeios de bicicleta e a pé por todo o Rio,chegando a fazer,com duração de quase um dia inteiro,um circuito,subindo pelo Alto da Boa Vista,descendo pelo Joá,passando por Copa,pelo centro da cidade até retornar a casa;os carnavais no Centro Transmontano,sito a avenida Mello Mattos,no Largo da Segunda Feira;os estudos no Externato São José,com os jogos interclasses e contra outros colegios;as bagunças e punições no mesmo;as amizades,até hoje existentes;as idas a galeria Madri,para ir ao cine Madri,na rua Hadock Lobo,encontrando com a turma do Madri,composta de depois famosos como Erasmo Carlos,Roberto Carlos;o sundae do café Palheta na Praça Saens Pena;os cines Carioca,América,Metro Tijuca na praça;o terror de ir ao cine Olinda,onde só iamos em grupo e de maneira nenhuma iamos ao banheiro,pois era o paraíso dos viados,que se aglomeravam no banheiro,onde ofereciam dinheiro por pegadinhas;também na praça,a sinuca do café e bar Eden,hoje já não existente,onde eu era o terror por jogar muito mal,sempre com risco de rasgar o pano da mesa ou de jogar a bola fora,no chão;as peladas com a turma nos campinhos do Colegio Batista;do Confiança Atletico Clube,berço de minhas atividades futebolisticas e meus técnicos,o Duca,no infanto e oe seu Amancio no amador;meu namoro de quase seis anos com a menina mais linda do clube e da fábrica,a Gina;a turma da rua José Higino e o nosso time de futebol de salão,o Higino Atletico Clube;as viagens pelo interior do Rio para jogar futebol;a descoberta da sexualidade e a mandação de brasa adoidada,afinal não existia AIDS,sendo o máximo uam gonorréiazinha(tive uma)logo resolvida com injeções gigantescas,doloridas e nas nadegas de penicilina;o Maraca,com a turma,assistindo a tudo que era jogo,fora do horário de meus jogos;as festas de quinze anos,com as comuns ratas;as idas a praia,basicamente para jogar bola;a Portuguesa Carioca e o conhecimento do mundo e do submundo do futebol,com o prazer de jogar várias vezes no Maraca e de conviver com craques profissionais e de jogar com outros depois grandes jogadores como Gerson,canhotinha de ouro,do juvenil do Flamengo;o curso clássico no Andrews,também repleto de jovens depois famosos,como o ator Cecil Thiré,muitos diplomatas e até ministros,como Luiz Felipe Lampréia e deputados federais como João Agripino;o CPOR e toda a gama de aprendizagem e de camaradagem,com os acampamentos em Gericinó e as marchas;os estágios no BIB,também muito amado;a Cândido Mendes e o ensino tradicional do Direito,com sua classe,categoria;o meu primeiro carro,comprado no Rio,quando estagiava,na primeira vez,ainda como aspirante,no BIB,um Renault Dauphine,verde,1960,que andava bem,apesar de pequenino e incrivel era de quatro portas,que se falasse,falaria muita besteira sobre o mulherio que o frequentava;de enfim tanta coisa e tantas pessoas,todas queridas e que acrescentaram muita coisa ao minha vida,da qual não tenho nenhuma queixa e das quais lembro-me seguidamente...Madeira

Antes do novo ciclo,as recordações da carioquice

O que eu deixava para trás,aos 27 anos e a definitiva decisão de deixar o Rio e "esquecê-lo".Deixava para trás uma série de comportamentos,fruto de infantilidades e da adolescencia,deixava meus pais,o lar paterno,os locais que frequentei e frequentava e estava deixando a solteirice.Mas o que eu levava no meu interior? Lembranças,recordações gostosas,nostalgia,muitas vezes vontade de voltar no tempo e fazer de novo as coisas que fazia com tanto gosto.Vamos então marcar as principais.Na primeira infancia,até os onze anos quando fui para Portugal,lembro e relembro do sobrado da Padaria Lais;das refeições com meus pais,ele sempre muito bem vestido,sentado a cabeceira da mesa,ensinando os comportamentos corretos,nesses momentos;do meu quarto,imenso,com minha cama e a de Sidonio,lado a lado;a presença dele nas férias da AMAN,sempre amigo,companheiro;das surras,sempre merecidas recebidas de meu pai,por falhas comportamentais em assuntos que ele já tinha antes explicado-me qual o comportamento correto;dos meus ataques na padaria aos bolos,balas,refri,em especial ao Grapette(quem bebe,repete),ao Crush,à soda limonada Antartica,ao guaraná Brahma,os principais então;de acompanhar na radio Nacional,em um,à época,moderno rádio a válvulas,que chiava uma barbaridade,os seriados "Anjo",o detetive e "Jeronimo",o heroi do sertão,sempre justiceiros,vencendo o mal;dos meus jogos de botão,jogados no tapete da sala de visitas,com pedras de damas,ou seja os brancos contra os pretos;as visitas aos principais amigos de meus pais e as brincadeiras com os filhos deles,o Luiz João,filho de Seu Joaquim e dona Adelaide,os filhos do compadre de meus pais,seu Gomes,que também era o guarda-livros dele(contador era assim chamado então),o Tinho e a Maria Regina,que era a afilhada de batismo de meus pais e sem que eu soubesse e quizesse a escolhida por eles para ser minha esposa e com quem eu nunca quis nada e meus primos Paulo Cesar,Afonso Celso e José Eduardo,filhos de minha madrinha Adir e meu tio Abel;a minha tia Herminia,gorda,imensa,fisicamente e em bondade e carinho para comigo;o estudo do primário no colegio de Santa Therezinha de Jesus,no Largo da Segunda Feira,de freiras,indo de condução dirigida pelo seu Antenor,um coroa que sofria com a algazarra que faziamos a bordo;os almoços dominicais na casa de meu avô Madeira,com todos os filhos e netos dele reunidos em torno de uma mesa imensa(eramos muitos,uns quinze a vinte)e sempre depois com uma ida a pé para o Maraca,ver o clássico do domingo,levado pelo meu tio Arthur e o Sidonio,este apenas nas férias dele,com um significado especial quando era jogo do Fluminense,pois o meu tio Arthur,também meu padrinho,era Flu doente;das lições de aritmetica de meu padrinho e tio Arthur,referente as quatro operações,que eu já sabia do colegio,mas que ele teimava em ensinar-me e dando-me macetes;dos bondes,abertos,frescos,alegres;os lotações,corredores,andavam loucamente,cortando os bondes e os onibus,estes bem lentos;os carros todos americanos,grandes e pretos:cadillac,rabo de peixe,um luxo,buick,pontiac,oldsmobile,chevrolet,ford,nash, com alguns pequenos europeus,também pretos,volvo(sueco),fiat(italiano)hilmann,citroen(com a mudança em cima,próximo ao volante),onde aprendi a dirigir,pois Sidonio tinha um;carros brancos,tipo limusine,somente para casamentos;minhas peladas com bola de meia com Sidonio,quando em casa,no terraço do sobrado,onde moravamos...Já de Portugal,marcaram-me,os "passeios"em carros de boi,com direito a eu ao espicaçar os bois fazer com que uma vez,ocorresse um capotamento,do qual me safei pulando antes dele virar;os pulos do telhado do paiol de trigo sobre as palhas que acumulavam-se após ser malhado(separado)o trigo da palha;o meu quarto no alto da casa,no vamos chamar de observatório;dos passeios pelo Porto e Lisboa;das festas juninas,com shows de fogos lindos;das festas típicas,com sua roupas coloridas e a presença das sanfonas/acordeons e músicas de letras simplórias;das mesas fartas,com grande variedade e quantidade de comidas saborosas;da estrada sinuosa,ainda de terra,que liga Argeriz a Valpaços,que pela poeira anunciava a distancia a vinda de carros...Madeira

1965,o ano de volta pra Brasilia

1965,correu até o meado,julho,da mesma forma que 64:trabalho no BIB,estudo a noite na FND,cursando o doutorado,que se desenvolvia como no bacharelado(com disciplinas anuais e provas semestrais),excelentes professores,todos catedráticos e a maioria já conhecendo-me por terem sido meus professores na Cândido Mendes,presença constante de Terezinha,enfim uma agradavel rotina,sem maiores fatos.De novo apenas uma correspondencia oficial do DFSP solicitando que eu optasse entre ficar na novel Policia Federal,da qual eu inclusive tinha participado nas discussões da elaboração do decreto que a regulamentou,de número 56.510,quando na chefia da Interpol,pois fazia nesta qualidade parte do Conselho Superior de Policia ou se preferia ficar na PM/DF,então também em fase de reorganização,não nas atribuições,mas na elaboração do quadro de pessoal e na divisão territorial dos batalhões,pois oficialmente eu ainda pertencia a esta,estando à disposição do DFSP(ah,o tal IPM contra mim instaurado face aos acontecimentos de sete de setembro de 63,na estação rodoviária foi arquivado,é óbvio,com a vitória da Revolução).Após muito conversar com Terezinha,por já estar formado em Direito e por poder na Federal servir em qualquer lugar do País,inclusive no Rio ou próximo a ele,onde estavam nossas raízes e nossos parentes,optei por ir para a Federal,ainda como agente,o que batia no enquadramento com o cargo de tenente da GEB e assim foi feito.Por outro lado,com os sentimentos definitivamente firmados entre eu e Terezinha,resolvemos ficar noivos,antes de meu retorno a Brasilia,com o fim do estágio de serviço no EB,o que fizemos junto com o aniversário de inicio de namoro,em sete de abril de 65,com um almoço na casa de Te e a presença de meus pais,que assistiram o pedido oficial.Isto também era necessário para que eu conseguisse residencia em Brasilia,ou seja o fato de estar buscando casa para poder casar.De fato eu com um ano de convivencia direto com Te,com muita conversa,identidade de pontos de vista,sonhos comuns,um forte sentimento de união,com muito amor,entendimento e entrega,já com 27 anos,tendo experimentado de tudo na vida,estava mesmo querendo e precisando de um porto seguro,de um carinho amoroso,de uma companhia constante,amiga,autentica e senti que tinha encontrado em Te,uma bela menina,de dezenove anos,guerreira,corajosa,sofrida,sem reclamos e acima de tudo unida a mim por um amor reciproco,pleno de convicções e certezas.Convicção do acerto da união e certeza de que ficariamos unidos,apesar dos percalços e dificuldades que viessem a ocorrer.Daí o retorno a Brasilia ter sido de alegria pela nova vida que se desenhava a minha/nossa frente e de ansiedade para que logo eu pudesse conseguir a nossa casa,o nosso lar,nos casassemos e eu pudesse ter Te junto a mim,dia e noite.Madeira

Demais atividades em 64/65

Parelelo a vida militar no segundo BIB,estava findando o curso de Direito na minha querida e tradicional Faculdade de Direito Cândido Mendes.Criada no século XIX,sendo o curso de Direito mais antigo no Rio de Janeiro e primeira faculdade de Comercio e de Economia do Brasil,funcionando em um prédio antigo,que serviu como residencia a familia imperial portuguesa,quando chegou ao Brasil,sendo inclusive o prédio tombado,lá tive as aulas de minha formação juridica em amplas salas,de paredes grossas de pedras,com pé direito altíssimo,prédio com formato em "U",com um grande pátio,aberto ao centro.Hoje esse antigo patio está ocupado por uma imensa torre onde funcionam vários cursos da Cândido Mendes.A minha turma tinha cerca de cem alunos e um deles era um cantor da jovem guarda,o Sergio Murilo,que fazia muito sucesso com uma música intitulada "Marcianita".Como em todos os lugares de aulas na frente da sala ficava a mesa e cadeira do professor,sobre um tablado,que colocava os alunos abaixo do mestre,desde logo mostrando o lugar de cada um e com um grande quadro negro,de giz,atrás da mesa do prefessor.Para lá dirigia-me em qualquer bonde ou ônibus ou lotação,que tivesse no letreiro escrito Praça XV,pois todos deixavam-me em frente a mesma.A bela construção hoje está descaracterizada pela construção no patio de um imenso arranha-céu,coisas do modernismo.Foram cinco anos de estudos gostosos,com excelentes professores,juízes,desembargadores,promotores e doutores em Direito,a maioria absoluta com obras primas de Direito publicadas.Às quatro horas da tarde tocava "ordem"(fim do expediente no quartel) e eu me mandava para as aulas,que prolongavam-se até às 23 horas.Então o Rio ainda era tranquilo e sem violencias gratuitas como agora.Daí uma breve e rápida viagem para casa,então já em Vila Isabel,à rua Souza Franco,onde residia com meus pais.Sabados,domingos e feriados(e nas férias)eram com Terezinha,o dia inteiro,na casa dela em Bonsucesso,à rua da Proclamação 876/104,passeando,namorando,indo a um cinema ou no bairro ou na Cinelandia(não tinha ela tv em casa,que também era incipiente).Esportes eu continuava praticando adoidado,agora no quartel,tanto no time de oficiais,como na prática diária de educação física com a soldadesca.Volta e meia ia ao Maraca e ao campo do Bonsucesso,bem próximo e carregava com Terezinha junto.Lá no Bonsucesso vi no então juvenil,jogadores que depois fizeram carreira profissional e ficaram famosos,como os zagueiros do Bonsucesso Renê e Moisés,o Dé no Olaria,o Zico no Flamengo,este aliás quase morto pelo Moisés em um jogo do juvenil Bonsucesso x Flamengo.Com meus pais tudo bem,meu pai feliz da vida,tanto por eu estar perto,como por estar no Exercito como Sidonio,que estava nessa época servindo fora do Rio,acho que no Rio Grande do Sul,em Pelotas.O Confiança e o futebol semi-profissional eu tinha abandonado e com a turma eu tinha diminuido muito o contato,tanto pela falta de tempo,como por estarem namorando ou casando ou se mudado.Jogava,futebol de salão,toda noite de segunda feira,na quadra do Confiança,pelo Clube dos 12,clube organizado,com sede a rua São Francisco Xavier,próximo ao Maraca.Disputamos inclusive o campeonato carioca de clubes de futsal não filiados,promovido pelo jornal "A Noite" e fomos vice-campeões cariocas,em um torneio com cerca de cinquenta clubes de bairros.Lá fiz um grande amigo,o goleiro,o Leão,era o nome dele e eu jogava de ala esquerdo.Lá também,em duas vezes,abri o supercilio,ambas as vezes o esquerdo em cabeçadas indevidas em outras cabeças.Essa era a minha vida,no restante de 64,com a ápice na minha formatura em Direito,no final de dezembro,já devidamente inscrito na OAB/RJ,sob o número(interessante)777.Ao terminar o curso fomos informados pela secretaria da Faculdade que estavam abertas as inscrições para o curso de doutorado em Direito(existia apenas na Faculdade Nacional de Direito,na Praça da República),nas áreas de Direito Público ou Direito Privado e quem tinha média geral no curso acima de oito e de sete por disciplina era só inscrever-se,sendo que as vagas restantes seriam ocupadas através de provas,como no vestibular para ingresso no bacharelado.Como eu tinha média geral de oito virgula quatro e nenhuma disciplina abaixo de sete,fui lá inscrevi-me e comecei a cursar o doutorado em Direito,na área de Direito Público,que mais atraía-me,até pela experiência profissional de policial.Assim fechei 64,formado em Direito,matriculado no doutorado,servindo o EB como Oficial R/2,namorando firmíssimo e apaixonado,decidido a casar logo que resolvesse a minha vida profissional.Madeira

domingo, 28 de março de 2010

1964/65,o estágio de serviço no 2 BIB

Em meados do ano apresentei-me a Divisão Blindada,no então Ministerio da Guerra,ao lado da Central do Brasil e após as formalidades normais fui encaminhado ao Segundo BIB,ao lado da Quinta da Boa Vista,onde apresentei-me ao Comando,na pessoa de um dos oficiais mais brilhantes,educados,cavalheiros que conheci,o Cel Heitor de Caracas Linhares,sendo lotado na Companhia de Comando,que era comandada pelo Capitão Guerra e tinha como sub-comandante o primeiro Tenente Shermann,ambos brilhantes oficiais. Fiquei,como quarto oficial da Cia,como segundo tenente,no comando do pelotão de Metralhadoras, tendo como auxiliar o segundo sargento Medeiros.Outro oficial,o primeiro Ten.Gomes,era o comandante do Pelotão de Morteiros.Foi um ano de excelente convivencia,com muito respeito,aprendizagem,"ene" serviços de Oficial de Dia,com subordinação,nestes serviços,ao sub-comandante do Batalhão,Ten.Cel Autran,este sizudo,sério,que mantinha distancia dos subordinados,ao contrário do Cel Linhares, que por sua figura polida,alta,agradavel mantinha o respeito instintivamente,sem que se sentisse a hierarquia pelo posto,mas sim,pela simples e imponente presença.O Cap.Guerra,comandante da cia,mais baixinho e gordinho já era a figura de "bon vivant",dono de um fusquinha que brilhava e do qual tinha muitos ciúmes,sempre com alguma história para contar.O Ten.Shermann,sub e o administrativo da Cia era moreno,forte,jogava muito bem bola,também mais um amigo que um superior.O Ten.Gomes,lourinho,magrinho,da minha altura,caxias,mas amigo era o meu companheiro de todos os momentos,o orientador nas minhas dúvidas.O Batalhão tinha ainda três outras companhias,duas de fuzileiros blindados,a primeira e a segunda e a companhia de serviços.A primeira companhia era de carros blindados de rodas(pneus)e a segunda de carros blindados half-truck(meia lagarta),ambas treinadas e aptas a acompanhar ações de infantaria motorizadas,ou seja mais rápidas do que a de infantaria a pé.A companhia de serviços era a responsavel pelo trem de combate,ou seja,pelos serviços de logistica(acampamentos,cozinha,manutenção em geral,entre outros),enquanto que a nossa companhia,a de comando,era a responsável pelo apoio as ações e ordens oriundas do comando do Batalhão.Além da instrução diária,da formação de novos recrutas, fizemos o policiamento da parada de sete de setembro do ano e faziamos acampamentos de treinamentos práticos em Tubiacanga,próximo ao aeroporto do Galeão,na Ilha do Governador,aliás,que diferença dos de aluno,pois ao chegarmos já encontravamos nossas barracas armadas.O nosso quartel tinha as instalações ao comprido,em relação ao portão de entrada,que situava-se na av.Marquês de Niteroi.Acessando-se ao viaduto que liga a avenida Maracanã,entre o estadio e a Praça da bandeira,à Quinta da Boa Vista,por baixo do qual passa a linha férrea da Central do Brasil,e junto a qual fica a estação ferroviária de São Cristovão,na qual inclusive nas horas de saída de nossos praças,nossa cia prestava serviço,para evitar problemas com e dos nossos soldados.Bem,à época,o viaduto só tinha saída para a direita,na direção do portão principal da Quinta e para virar para a rua Marquês de Niteroi tinha de passar por baixo do mesmo e retornar.A partir desse retorno ia-se na direção do morro de Mangueira,tendo-se a vista,a direita o muro da Quinta e a esquerda os quartéis,o primeiro a ser avistado,com uma ampla área,onde destacava-se a parte esportiva,também usada por nós do BIB,era o quartel de Artilharia(o 40 GCA) e depois o nosso.Entrando-se no nosso quartel tinha-se à direita o corpo da guarda,onde permanecia o pessoal de serviço,a guarda do quartel,com o pequeno alojamento e as salas do oficial de dia e do sargento-adjunto.A esquerda estava a parede do alojamento da primeira cia.Passada essa entrada,deparava-se com uma avenida de duas mãos de direção e tomando-se a esquerda,tinhamos os alojamentos e as salas de comando da primeira cia e após,com um hall e escada separando(os prédios eram de dois andares)os mesmos da cia de comando.Ali também ficava o cassino de oficiais,ou seja,o local de repouso e jogos,com tv e som,dos oficiais.A direita a segunda cia e depois a cia de serviços.Em frente a essas construções ficavam as garagens e reservas de armamentos.A esquerda o quartel terminava em uma construção imponente,que era onde,em um prédio também de dois andares,ficava o comando do Batalhão e as suas seções.Já a direita o quartel terminava na construção que era o refeitório,imenso,de praças e o de oficiais e a mais a direita o xadrês,a cadeia.Era assim ao comprido o quartel acolhedor,gostoso do Segundo BIB.Lá vivi dias de trabalho maravilhosos,eivados de aprendizagem,camaradagem,seriedade e lá conheci um amigo especial,um verdadeiro irmão,que se apresentou lá para fazer o estagio de instrução,pois tinha acabado de sair do CPOR e foi designado para fazê-lo no BIB e na cia de comando.Tratava-se do então Aspirante Leon Levy.Apresentou-se juntamente com outro aspirante,o Stoliar.O asp.Levy,de familia judia,alto,magro,educadíssimo e estudante de medicina,assim como o Stoliar foi praticamente entregue as minhas orientações,por ser eu também R/2.Foram três meses de convivencia,camaradagem,de troca de conhecimentos entre eu já experiente em ações de FFAA e formando em Direito com ele,academico de medicina.Expediente cedinho,muitas noites dormidas no quartel,como oficial de dia ou por trabalhar cedo no dia seguinte,com meu armario e cama no alojamento de oficiais da cia,com comida excelente e nas férias de oficiais da AMAN,substituindo-os como R/2 mais antigo,no comando da primeira cia e como oficial de manutenção do batalhão.Também disputei muitos jogos internos e contra outros quartéis das redondezas,bem como as olimpíadas da Divisão Blindada,inclusive sendo o escalado nas competições individuais para todas aquelas que nenhum oficial da ativa queria disputar.Assim,aprendi e disputei competições,que nem imaginava um dia fazer,tais como esgrima e arremesso de granada,além é óbvio de futebol de salão,onde cheguei a seleção da DB,sendo após terceiro colocado nas olimpiadas do I Exercito.Na esgrima fui eliminado logo de cara,mas no arremesso de granada até que fui bem,ficando em quinto lugar.Bons tempos.Também foi tempo de representar o batalhão e até o EB,em inúmeras atividades culturais e em homenagens,além de fazer palestras diversas.Na época de férias dos oficiais da AMAN,não só respondi pelo comando de companhias,como fui o oficial de educação física do Batalhão,nas ferias do titular Ten.Nonato,como tirei serviço de superior de dia na Divisão Blindada,no então Ministerio da Guerra,sendo que em um dos serviços o sargento comandante da guarda do QG era o sargento Martinho,que depois deixou o EB e foi ser artista,hoje o sambista Martinho da Vila.Era um sargento muito educado,magrinho,bem fardado,maneiroso e gabarito ou seja buscava fazer tudo certo.Que tempo rico de experiencias e aprendizagens.Não te esqueço,segundo BIB,que hoje não mais está lá instalado e que deixou,dentro das reformulações administrativas do EB,de se chamar BIB,mudando a numeração e passando a chamar-se, 24 Batalhão de Infantaria Motorizada.Madeira

sábado, 20 de março de 2010

Mais Terezinha

Terezinha era magrinha,alta,para o padrão feminino brasileiro,esbelta,muito bonita,usava cabelos bem curtinhos,tipo,à época,de uma cantora italiana,chamada Rita Pavone.Tinha um irmão mais novo que ela o Ismael,nascido em Portugal,na época em que lá moraram e era filha de seu José e dona Hilda.Estes duas figuras humanas impares,pelo tratamento,carinho,atenções foram na realidade meus segundos pais.Ambos baixinhos,ele português,trabalhador,de uma bondade e de uma boa fé impressionantes.Tinha tido uma boa condição de vida,tendo sido proprietário de um bar,mas quando eu o conheci já tinha perdido tudo e trabalhava e muito como feirante.O grande defeito terreno que ele tinha era o da bebida,que já o tinha feito perder tudo que tinha,segundo soube depois por dona Hilda.Seu José não bebia muito,mas ficava bebado logo nos primeiros tragos e aí era furtado,enganado pelos traíras ao seu redor,mas era de uma paz,de uma tranquilidade e sabedoria impressionates.O conheci já feirante e adoentado,pela bebida,mas trabalhando duro e sem reclamar de nada.Saía de casa cerca de duas horas da manhã,para ir de ônibus ao mercado escolher e providenciar a mercadoria na central de compras(trabalhava somente com tomates e era o melhor vendedor dos mesmos em todas as feiras livres em que trabalhava),de lá seguia para o local da feira,que era um em cada dia da semana,onde as cinco horas recebia a barraca para montar e as seis a mercadoria para arrumar e vender.Labutava vendendo até uma/duas horas da tarde,quando desarmava a barraca,esperava o caminhão para levá-la para o depósito,limpava o local onde tinha trabalhado,indo então fazer as contas ou seja pagar a mercadoria,da qual tinha dado uma entrada de madrugada.Chegava em casa cinco/seis horas da tarde,cansado,se arrastando,as vezes se atrasava,ocasiões em que chegava bebado,mas sempre feliz,cantarolando,sem nunca reclamar das dificuldades.Tomava banho,jantava e ia dormir,para dia após dia repetir essa rotina e ganhar merreca.Dona Hilda ia encontrar com ele em algumas feiras,as mais próximas,tanto para ajudá-lo,como para controlá-lo.Ela dedicava-se ao apoio a todos da familia com um desvelo e entrega totais.Ismael já trabalhava também e na Mesbla,com quatorze anos,então era a idade para ingressar no mercado de trabalho e ele e Terezinha ajudavam com todo o salario na manutenção da casa.Ambos tinham parado de estudar,não tinham nem concluído o ginasial e só labutavam.O apto onde todos moravam,ficava no bairro onde tinham se radicado ao voltar de Portugal e tinha outro morador que ocupava um dos dois quartos,um tio de Terezinha,irmão de seu José,o Adelino,(depois tornou-se um grande amigo)que também rateava as despesas.Terezinha nunca teve um quarto e dormia com o Ismael na sala em sofás-camas.Terezinha tinha um canario que a reconhecia e cantava para ela quando ela chegava em casa,chamado Minsk,que depois veio a dar o nome para uma cadela que tivemos em Vitoria,que foi batizada de Minska,em homenagem a ele.De gostoso esse ap tinha uma área aberta,que ventilava bem e onde tinha uma mureta e do outro lado desta as plantas de seu José que sempre arranjava um tempinho para tratar delas,aguando-as e colocando palitos de fósforos usados nelas.Também nessa área é que Terezinha e eu namoravamos,quando não saíamos para ir a um cinema(cine Caruso de Bonsucesso) ou passear no bairro,pois a sala era de jantar e estar e sempre estava coalhada de gente.A família,ainda sem o Ismael que lá nasceu,morou alguns anos em Portugal(cerca de dez anos),na quinta(fazenda) do pai de dona Hilda,que depois conheci,seu Ismael e que era abonado,ocasião em que dona Hilda levou com ela a Ivone,sua sobrinha e prima de Terezinha,face a dificuldades de saúde da mãe dela,dona Alice.Assim Terezinha e Ivone foram criadas juntas,sendo inclusive Ivone quem primeiro foi trabalhar na Mesbla(na seção de cama e mesa) e depois encaminhou Terezinha para lá.Em certa ocasião tive de ameaçar um funcionario da Mesbla,que também era pai de santo,porque ele vivia dando em cima de Te e certo dia ao ir pega-la ele estava junto a ela buzinando no ouvido dela.Marquei a cara dele e no dia seguinte,armado,fui esperá-lo na saída,sem que TE soubesse e dei a ele a dica de que nunca mais encostasse nela ou iria,no minimo levar uma surra.Nessa o Nelson,depois meu compadre foi comigo e ficou de lado,pois poderia dar-se alguma merda,pois afinal de contas estavamos na área dele.Terezinha então na verdade teve sua infância passada no interior de Portugal,na região de Lamego,daí gostar tanto de um bom vinho...Madeira

Terezinha,meu amor

Terezinha ficou em Brasilia quase todo o mês pois estava de férias na Mesbla/Passeio,onde trabalhava desde os quatorze anos na seção de meias femininas,junto com uma colega,que depois veio a ser madrinha da minha filha Cintia,a Cenira.Residia em Bonsucesso,na rua da Proclamação 876 apto 104,bem próximo da rua Teixeira de Castro,pertinho do campo do Bonsucesso,encarando diariamente o onibus 74,Lapa/Bonsucesso,em uma viagem de quarenta minutos,mais ou menos,para o trabalho,sendo o ponto final em frente a Mesbla.Usava um uniforme muito bonito,de saia azul e blusa branca,com meias finas de seda e sapatos pretos,no qual ela ficava ainda mais bonita(a Mesbla era então a maior loja de departamentos do Rio e vendia de tudo,até aviões e só artigos de qualidade,enfim uma loja de luxo),sendo que a sede na rua do Passeio,em frente ao Passeio Público,era um prédio majestoso,de acho dez andares,encimado por um relógio,que era um dos símbolos do Rio,o famoso "relógio da Mesbla",visto,como o da Central,de vários pontos do Rio.Namoro iniciado e firme,Terezinha voltou para o Rio e ficamos nas cartas e nas minhas idas ao Rio eu indo vê-la no trabalho,almoçando com ela e a vendo na saída,colocando-a no ônibus antes de ir para a Faculdade,passando os finais de semana,quando no Rio,o dia inteiro com ela,na casa dela.Deus abençoa os grandes amores e em junho bate no DFSP a minha convocação para o estágio de serviço de um ano no BIB,de imediato convenci o Dr.Edson Lasmar da importancia de eu ir,para concluir minha faculdade e apoiado por ele tratei de me mandar e apresentar-me ao Ministerio da Guerra(depois Ministerio do Exercito),na Divisão Blindada,órgão a que o BIB era subordinado,não sem antes saber que o IPM a que respondia,injustamente,por causa da porradaria no rodoviária de Brasilia,em 1963,tinha sido arquivado e o coronel que o presidia ter sido cassado e ido para a reserva.Novo ciclo iniciava-se,nos meados de 1964,residindo com meus pais,a rua Souza Franco 462/102,servindo como segundo tenente no BIB,ao lado do portão de São Cristovão da Quinta da Boa Vista e formando-me em Direito ao final do ano,comparecendo e todas as aulas e amando e namorando Terezinha.Madeira

1964,mudanças mais radicais

Os três primeiros meses de 1964 transcorreram na mesma toada do ano anterior,com muito trabalho na organização interna da Interpol,com todo o apoio do Dr. Edson Lasmar e com minhas idas ao Rio.No entanto no dia 31 de março ocorreu uma grande reviravolta no País e na minha vida.Voltava eu do Rio de carona com uns conhecidos que também estudavam no Rio,em uma Simca Chambord,quando em Juiz de Fora fomos parados por uma tropa do Exército e aconselhados a voltar para o Rio e a ficarmos em casa,pois estava em curso uma revolução democrática,contra os desmandos irresponsáveis do desgoverno Jango Goulart,que vinha apoiando a quebra de hierarquia nas FFAA e encaminhando o Brasil para um governo comunista,sob a liderança perniciosa de Leonel Brizola,que se aproveitava da fraqueza de seu cunhado presidente.Demos meia volta e fiquei no Rio,na casa dos meus pais,até o dia três de abril,quando consolidada a fuga dos valentões de esquerda,a situação se acalmou,sem a necessidade de confrontos armados sangrentos,voltei para Brasilia e apresentei-me na Interpol.Essa mudança brasileira veio após a se juntar a minha mudança pessoal,pois conheci então a minha futura esposa,uma mulher fabulosa,uma companheira corajosa,forte,leal,amada,que estava então de férias em Brasilia.Após chegar e voltar as minhas lides fui procurar o Fernandes,pois ele após casar continuou muito ligado a mim e sempre eu almoçava na casa dele aos domingos.No domingo subsequente o procurei para o nosso almoço e soube que ele estava na piscina de um hotel,a beira do Lago,com parentes próximos,que estavam de visita.Fui até lá e com ele e a esposa,Ivone,estavam na piscina,em um belo dia de sol,a tia de Ivone,dona Hilda, depois minha sogra e segunda mãe,com a filha,prima-irmão de Ivone,pois esta tinha durante muitos anos sido criada por dona Hilda,de nome Terezinha.Encantei-me com ela,mas foi uma conversa rápida,pois eu não queria almoçar no hotel,nem estava com roupa de piscina,ficando de depois de ir visitá-la no correr da semana.Deixei passar um dia e no dia cinco de abril fui jantar com eles e lá fiquei conversando depois com Terezinha grande parte da noite,ajudando-a no lavar dos pratos e a preparar um doce de abobora para o dia seguinte.Foi marcante e apaixonante,pois nunca tinha conversado com uma pessoa tão inteligente e firme.Senti que ela também tinha balançado e ao final da noite,na hora de ir embora convidei-a para ir ao cinema comigo daí a dois dias,no dia sete de abril,o que ela topou,pois apesar de muito jovem,dezoito anos e de ser moça,sem experiencias de namoro,já era bem independente,pois trabalhava desde os quatorze anos,na Mesbla,para ajudar na manutenção da casa no Rio.Antes de ir embora participei ao Fernandes,Ivone e dona Hilda que estavamos nos acertando e que eu a convidara para ir ao cinema,no que não fomos obstaculizados,pois todos me conheciam bem.Dia sete,nossa data todo mês,foi o inicio de nosso namoro,que durou quase quarenta anos e a data de uma mudança radical em meu modo de viver...Madeira

segunda-feira, 15 de março de 2010

1963 e a ida para a Interpol

Afastado da GEB,lotado na Interpol,onde cheguei em meio de uma tremenda celeuma,com o afastamento do chefe,o Delegado Egberto Assunção,por ter prendido ilegalmente e torturado uma quadrilha,composta de três estrangeiros,um grego e dois libaneses,que tinham iludido um garimpeiro e tomado dele um diamante grande,o maior já encontrado no Brasil Central,que nunca foi encontrado(dizem que eles o venderam para Onassis,o rico armador grego)apesar de tudo que foi feito irregularmente pela nossa Interpol,nessa gestão,que incluiu até viagem ao Uruguai,clandestina,lugar para onde eles tinham fugido.No lugar do Dr.Egberto assumiu outro Delegado Dr. Edson Lasmar,um mineiro tranquilo,sério,humano,inteligente a ele apresentei-me e dentro de uma reestruturação assumi a chefia de uma das duas seções da estrutura do BCN(Bureau Central Nacional),que era a Seção de Estudos,responsavel.dentre outros,pela condução de todos os trabalhos de catalogação de criminosos internacionais e efetivação das diretrizes de busca dentro do Brasil.A outra seção era a de Informações que expedia as ordens de busca e as executava no País.Encontramos os arquivos e a funcionalidade da Interpol uma bagunça,em especial seus arquivos,que eram o coração dos trabalhos.Como eu tinha saído de um regime de trabalho pesado,com escala 24 horas e expediente administrativo nas folgas,pois era o sub-comandante da SE,fiquei me sentindo meio ocioso e tratei de compensar trabalhando aos sabados e até aos domingos na organização da minha seção e de todo o BCN,até para poder continuar a ir ao Rio todo mês,durante um minimo de uma semana,para não interromper meus estudos de Direito,para o que recebi todo o apoio do Dr.Edson Lasmar.Também nessa época tive de mudar do quarto que morava com o Fernandes,pois além de estar afastado do quartel,o Fernandes tinha se casado e mudado para um ap que tinha arrumado na Asa Norte,direito que era dado aos servidores federais que se casavam,já estando em Brasilia ou que se mudavam do Rio para lá.Consegui arrumar autorização para ir morar em um posto de identificação existente na quadra 412-sul,que não tinha sido implementado e portanto estava vazio.Assim fiquei proprietário de um pequeno prédio de alvenaria,em uma região habitada,composto de dois espaços,um virou meu quarto,para o qual levei meu pequeno enxoval de moveis,o outro ficou vazio,tendo ainda um hall de entrada e um banheiro com até banho quente.Que melhora...Enquanto isso Brasilia e o Brasil viviam um tremendo caos administrativo,com a gestão desastrada de Jango e seus asseclas,onde a indisciplina imperava e o sindicalismo dominava,com lideranças despreparadas dando as cartas e eu desperado como agora,que isso tudo está se repetindo.Solidão era o nome do que eu estava passando,vivendo sozinho e ficando sozinho,sem as minhas peladas,saindo só,indo ao cinema ou a um futebol esporadicamente,enfim a vida ficou uma merda,nesse final de ano.As idas ao Rio é que amenizavam,com as idas ao Maraca,visita a turma,já sem namorada,pois era impossível manter o namoro de forma intermitente,mas com a atenção dos meus pais.Namoro em Brasilia era impossível,pois as mulheres de lá já eram casadas,as funcionarias ou então eram para.....,o que já não fazia muito minha cabeça,aos 24/25 anos,pois já tinha aprontado tudo que podia com mulheres,tanto no Rio,como no inicio da minha chegada em Brasilia,com idas,nas folgas a zona e frequentando uns aptos de telefonistas na 412-sul.Nessa época minha diversão máxima era jogar meu futebol e foi então que conheci um gaúcho,jornalista,com quem depois convivi muito,pois foi trabalhar como fiscal de censura e que era reporter de campo nos eventos desportivos de Brasilia,gente finissima,casado com a Sonia,que também trabalhava no DFSP e que faleceu jovem e que hoje,como pioneiro na cobertura esportiva local é nome do principal ginasio desportivo de Brasilia:Nilson Nelson.Contam que no inicio da carreira de reporter Nilson Nelson,cobria um jogo no campo do Guará e ao ser indagado pelo narrador sobre a contusão de um jogador,que estava sangrando na canela,ele entusiasmado respondeu de volta"é verdade o atleta está com um arranhado na perna,donde está correndo o precioso líquido"(ou seja o cara tinha água e não sangue nas veias).Enfim mais um ano de vivencias e aprendizagens,dificeis,mas válidas.Madeira

domingo, 14 de março de 2010

1963,a saída da GEB

Em 1963,após um inicio dentro da rotina anterior,fui convocado para o estágio de instrução(complementação da formação do CPOR),de tres meses,no BIB,conforme eu já tinha deixado escolhido.Assim passei,liberado pelo DFSP,com emprego garantido em Brasilia,ao BIB,onde estagiei como Aspirante R/2,na Companhia de Comando,com êxito,pois além do bom preparo do CPOR,eu estava numa organização militar,com todas as formalidades e comportamentos previstos nos regulamentos militares.Formaturas, serviço de oficial de dia,instrução militar,enfim,nenhum misterio.Foram tres meses de faculdade e de programação carioca...Nessa época,no Rio,comprei meu primeiro carro,um Renalt Dauphine,verde,ano 60,portanto,bem novo,carrinho frágil,mas valente,de quatro portas,ainda que pequenino,no qual derreti o Rio,com mil passeios,idas a praia,rolés noturnos e namoros motorizados.Na volta para Brasilia de carro,fundi o motor do Dauphine e colocando oléo a cada cinquenta km cheguei a Brasilia e lá o troquei por um Mercury verde,de luxo,1949,com o qual fiquei pouco tempo,pois não aguentava os custos,em especial de gasolina,uns quatro/cinco km/litro.Retornando,voltei as atividades da SE,até dar-se a merda que mudou toda a minha vida,fazendo com que eu abandonasse a GEB e a futura carreira na PM e acabasse por adotar,futuramente,uma nova carreira na PF.O fato foi que o Fernandes foi ao Rio para casar e eu fiquei no comando da SE e exatamente no dia do casamento do Fernandes,sete de setembro de 1963,feriado nacional,ocorreu uma grande manifestação estudantil,que apoiadas pelo governo socialista do Jango estavam se tornando comuns e nos dando muito trabalho,que era contra o aumento das passagens de onibus,na estação rodoviária de Brasilia,no cruzamento dos eixos monumentais,o que fez entrar em colapso todo o sistema de transporte,pois os onibus foram impedidos de rodar,o que fez com que milhares de pessoas ficassem isoladas.A SE foi convocada com todo o seu efetivo,para evitar quebra-quebra e manter a ordem e eu fui a frente como comandante em exercício.Mal chegamos,estacionamos ao lado de baixo da rodoviária e ainda embarcados,fui procurado por um tal de Manuelão,um baita negão,lider de alguma categoria,nem quis saber qual,que apresentou-me uma carta da Casa Civil da Presidencia,assinada pelo chefe da mesma,Darcy Ribeiro,que determinava que não fizessemos nada e que esse tal de Manuelão seria o elo de ligação da Presidencia com nós e que deveriamos obedecer ao que ele,Manuelão,falasse,pois ele daria as ordens,o que aliás de há muito o governo populista do Jango já tentava,que era mandar em nós,utilizando a policia para seus interesses excusos.De imediato mandei ele a merda e disse que eu decidiria a hora de agir e que essa estaria subordinada a não haver quebra-quebra,ou seja enquanto houvesse um movimento pacifico,nada fariamos.A tropa ficou embarcada,aguardando minhas ordens e eu observando o movimento.Já ao fim da tarde,a tropa ansiosa,os discursos e palavras de ordem sucedendo-se,os oradores incitaram os populares a quebrar os onibus.De imediato dei ordem de desembarque a tropa e de formação em linha para impedirmos a progressão dos populares contra os onibus.Bem,começou o quebra-quebra e depois tive a certeza de que havia manifestantes armados,pois atiraram contra nós(era tudo orquestrado e eles,esses vagabundos populistas,sindicalistas,sempre buscam que existam vitimas nas confusões,as chamadas vitimas da repressão).Ocorreram alguns confrontos,em especial,nas pontas das nossas linhas e como é óbvio,ocorreram ferimentos em soldados nossos e nenhum grave e em manifestantes,inclusive um a bala,certamente por um dos lidertes deles.Terminado o conflito,recolhi o choque,passando o policiamento normal a tomar conta da rodoviária.No dia seguinte os jornais,radios,sindicatos faziam as maiores críticas e alardeavam um ferido a bala,pela GEB e lá fui eu convocado a presença do chefe de Policia,do DFSP,o Cel.Carlos Molinaro Cairoli(amigo pessoal do Jango,presidente,que era oficial da reserva do EB).Como já tinha mandado levantar,já sabia que nenhum dos meus homens tinha atirado e usado somente o cassetete e gás e o informei disso,mas mesmo assim,fui afastado da SE,sendo mandado para a parte civil do DFSP e lotado,por estar fazendo Direito na Interpol,então em fase de mudanças e passando a responder a um IPM,na então Décima Região Militar.Lá estive umas duas vezes respondendo a interrogatórios e sempre dizendo a verdade,que não tinhamos atirado em ninguém e que apenas tinhamos agido dentro da lei,para proteger o patrimonio público e terminar com a baderna.Depois,com a implantação da Revolução esse IPM foi arquivado,muito justamente,por falta de provas.Madeira

1962 e as atividades da SE

Fevereiro de 1962 a SE estava pronta,enquadrada,com gabarito de fardamento e enquadramento,com dois carros-choques,abertos,com os locais de condução dos soldados virados para fora,o que facilitava o embarque e desembarque rápido,com assento de madeira,sendo que conduzia onze membros de cada lado,com um cabo comandante da fração,a frente,encostado a cabine,de onde receberia,se fosse o caso,ordens e após eles,em ordem de altura dez soldados,sentados todos da mesma forma,ou seja com um braço por trás do companheiro a frente,segurando na barra de segurança e o outro sobre o colo,dando excelente impressão,que conjugava-se a aparencia pessoal perfeita dos membros.Na cabine iam o motorista,o sargento e o tenente comandante do pelotão,em um total de 25 componentes.Tinhamos três pelotões,com essa constituição,tendo a companhia um total de 75 membros combatentes,mais o comandante e um sargenteante,responsavel pela documentação,escalas e outros atos administrativos necessários.O equipamento individual era para os soldados o revolver 38 e um cassetete de madeira,com uma corda para segurá-lo,que conforme treinamento era utilizado principalmente para imobilizar os detidos e quando atacados para defesa pessoal,conforme treinamento,com pancadas em locais que imobilizavam os atacantes,usando-se ainda capacete e coturno.A farda era bege,com cinto de guarnição marrom,com local para o coldre e um porta cassetete.Os cabos conduziam além do revolver 38,um tubo lançador de gás lacrimogeneo e o sargento conduzia além do revolver 38,uma metralhadora INA,todos com capacete.Já o tenente comandante do pelotão usava o bico de pato,como cobertura,o revolver 38 e ocasionalmente o tubo lançador de gás.Já o motorista usava o bico de pato,e apenas o revolver 38 e não abandonava o caminhão choque em hipotese nenhuma.Assim nos deslocavamos e com o treinamento podiamos e muitas vezes dissolviamos passeatas e movimentos,usando a força necessária,com a técnica treinada e a mais indicada ao evento.Tinhamos tudo muito bem treinado e o tenente resolvia qual seria a utilizada,três eram as formações de força:a tropa em coluna,muito usada nos deslocamentos a pé e quando tinha de separar grupos;em linha para empurrar manifestantes e em cunha,para separar e empurrar manifestantes.Quando em outras operações sempre usavamos grupos de três soldados,sendo que um revistava o suspeito e se necessário o imobilizava,com o cassetete,outro dava segurança contra reação do suspeito e o terceiro segurança contra terceiros.A escala era de 24 horas por 48 horas,ou seja um dia,das oito da manhã as oito do dia seguinte,com dois dias de folga.Durante o dia de serviço,ocorriam treinamentos de aperfeiçoamento das técnicas aprendidas,desde as de combate,com todo o equipamento,como as de defesa pessoal e de educação fisica,ou seja a tropa estava sempre pronta,com o comandante a frente,e sempre uniformizada,tendo tempo de embarque e saída minimo,entre o toque de sirene de urgencia e a saída do caminhão choque.Dormiamos fardados,apenas com o cinto de guarnição afrouxado e o capacete ao lado.Como eram três pelotões,ficou um ao comando(inicialmente)do Ten Fernandes,que depois passou-o para o Ten Americo,um carioca bom de trabalho,que depois foi para a Policia Federal,onde foi delegado,um comigo e outro com o Ten.Rezende,um mineiro,que continuou na PM/DF e chegou a Coronel e chefe do Gabinete Militar,ambos escolhidos a dedo,por se enquadrarem aos nossos principios.Depois vieram outros como o Ten.Kalil paranaense,que também foi para a Federal,o Ten.Barbalho,carioca,que ficou na PM e chegou a Coronel,o Ten.Hugo e o Ten.Casimiro,idem.No meu pelotão eu tinha escolhido para motorista o soldado Carvalho,que já tinha dirigido para mim no Trânsito e tinha como meu sargento um capixaba boa gente,muito bem falante,o Simão Zouain.Todos os soldados aptos e bem treinados,tanto que nunca perdemos uma parada,tinham sido recrutados pela altura,aparencia fisica(todos muito fortes),pela experiencia anterior(por exemplo terem sido da Policia do Exercito,a PE)e era mesmo,então,uma tropa de elite.Quando necessário e o foi inúmeras vezes entravamos em prontidão e ficavam os três pelotões a disposição da ação necessária.Como Brasilia não tinha nada e tinhamos folga de dois dias,nós os tenentes,com autorização do Comando Geral,do Ten.João,também carioca e que o permitia,dobravanos serviço e sempre tinha um viajando,indo a sua terra natal,poe cerca de dez dias e eu aproveitava para ir para as aulas na Faculdade e namorar e passear,ficando na casa dos meus pais,em Vila Isabel,indo ao Maraca,dentre outras programas.Era uma volta a civilização,pois Brasilia nada tinha,a não ser muita poeira,incluindo uns redomoinhos de poeira,que a quem pegavam tornavam vermelhos e forçavam um banho imediato.Com isso fechei 62 também com aproveitamento na Faculdade.Dentre os principais serviços tivemos o de isolar locais de ocorrencias significativas,como uma em obras no Hospital Distrital de Base,no centro e no qual houve um deslizamento de terra,que matou alguns operários,ocasião em que conheci um enfermeiro,magrinho,muito eletrico e educado,que trabalhava no hospital,de nome Ney Matogrosso,que depois tornou-se esse artista famoso,que hoje é;de prevenir invasões em conjuntos habitacionais,o que pela escassêz de residencias em Brasilia era habitual,tendo certa vez em que ficamos quase sessenta dias tendo como quartel/base uma quadra da W-3 Sul,que estava com as casas vazias e sob ameaça de invasões;de retirar invasores;de controlar ações de grevistas,evitando quebra-quebra,isolando os locais e permitindo o acesso de quem não queria fazer greve,como o foi em greves do Banco do Brasil e do Banco de Brasilia;policiar a parada de sete de setembro,fazendo o isolamento de toda a área;policiar os grandes eventos como a então famosa corrida automobilistica noturna de Brasilia,as 24 horas de Brasilia;o evento de eleição da Miss Brasil,ocasião em que conheci de perto em dois anos seguidos a Adalgiza Colombo e a Vera Fischer;mas o dia a dia incluia o fechamento da zona de meretricio.Todos os dias tinhamos de entrar na zona e de esvaziá-la,ou seja mandar fechar todos os bares e moteis,mandando para casa ou para os quartos os frequentadores e as mulheres,para assim evitar brigas,mortes,que anterioremente eram frequentes e objetos de manchetes do Correio Braziliense,único jornal local.A tropa embarcava a meia noite e deslocava-se até a Cidade Livre,onde um grupo de combate,com o sargento frente postava-se na entrada principal,para triagens,quando da saída das pessoas e outro grupo,com o tenente a frente e o carro choque entrava por trás,onde a zona acabava e o era em uma elevação,onde desembarcava-se e corria-se todos os puteiros,que eram identicos,ou seja um bar a frente vendendo bebida alcoolica,em especial,cachaça,com música de eletrolas,sempre músicas de Lindomar Castilho,Altemar Dutra,Nelson Gonçalves,Amado Batista e outras próprias de dor de cotovelo,de puteiro,tendo ao fundo,ao lado do balcão,um corredor onde os quartos se dividiam dos dois lados,até o fundo,onde existiam banheiros,tudo de madeira rústica.Como a GEB tinha fama de violenta,face a um conflito,anterior a minha chegada,em um acampamento da Construtora Camargo Correa,junto ao porte fisico e seriedade do pessoal da SE,era fácil,em termos,o serviço.O comandante da fração chegava ao estabelecimento,a fração de tropa,postava-se a porta,para evitar fugas,o cabo ia a máquina de som e a desligava e concomitantemente o comando dava a ordem padrão,que era para todos os presentes,levantarem-se,encostarem-se a parede próxima,colocando antes em cima da mesa o documento de identificação e aguardarem a checagem do documento.Feito isto,eram analisados os documentos e mandados embora os que estavam legal.Os que não eram liberados,por problema de identificação tinham analisado o caso,amparada essa análise só pelo bom senso e após ou presos e conduzidos ao choque ou liberados.Quem estava armado ou se alterava era preso e conduzido para o choque.Normalmente não levavamos ninguém e ao final da noite,davamos uma lição de moral ou um susto,que consistia em colocar para correr,com alguns tiros para o alto.Também logo já conheciamos a maior parte dos frequentadores e eles não nos enfrentavam,assim como os bares tratavam de fechar um pouco antes da hora de nossa chegada e obedeciam a portaria,que estipulava que a zona devia fechar a meia noite,se não muitos dos frequentadores,saíam sem pagar.Obviamente nós tinhamos um mapa da zona e das casas que lá funcionavam e assim não era dificil a missão.De inicio até que foi,pois inclusive andaram atirando,na escuridão,no carro choque,mas depois ficou fácil e organizado.Também,no inicio,tinhamos problemas com os praças das FFAA,que não queriam obedecer nossas ordens,mas com o apoio dos comandos das mesmas,que os puniam,quando participavamos o fato,chamando o oficial de dia da respectiva Força,mantendo o praça detido até a chegada do mesmo.Com isso também não tivemos mais problemas.No inicio do ano,convidado pelo tenente Fernandes,com quem desenvolveria uma amizade intima,fraterna e mais a frente de parentesco,fui morar com ele,dividindo um pequeno quarto,do lado de fora do quartel,mais encostado nele.Era um quarto,em um alojamento de madeira,que possuía oito quartos,com uma única entrada ao centro da construção,pela qual se adentrava a um corredor que dava de cara com o banheiro coletivo,em que ficavam os vasos sanitarios de um lado e do outro os chuveiros,frios;a direita de quem entrava,ficavam os quartos de números cinco a oito e a esquerda os de um a quatro.Nós moravamos no um,o primeiro ou último de quem entrava e ia para a esquerda.Era um quarto que tinha cerca de três metros de largura,com uma profundidade de quatro/cinco metros.A porta abria para dentro e a esquerda do quarto ficava a primeira cama de solteiro,encostada na parede,que era a do Fernandes,a seguir tinha uma mesinha ocupada por uma vitrola e com os únicos oito discos de 78,que o Fernandes tinha e que eram sete do Nelson Gonçalves e um de Alcides Gerardi,escutados nos finais de semana,direto,pelo Fernandes e em seguida tinha a minha cama.Ao fundo e era o meu refresco no verão,tinha uma janela que dava para o mato de Brasilia.A direita,ficavam os armarios,de solteiro,ou seja pequenos,de duas portas,com prateleiras e gavetas de um lado e espaço para cabides do outro.No meio um pequeno corredor para que se chegasse a cama.Era tudo isso o nosso lar,onde na verdade pouco ficavamos,ou seja uma merda,mas jovens,solteiros e querendo melhorar na vida,tudo era uma festa e não haviam maiores reclamações.O maior complicador na verdade era o calor desesperado no verão,tinhamos uma pequeno ventilador e um frio tremendo no inverno e com banho frio/gelado.O que esquentava um pouco as noites e os finais de semana de Brasilia eram as namoradas,das quais lembro uma telefonista,uma turquinha,a Nerri,conhecida através do Egydio,grande usuario das centrais telefonicas,em ligações com Ivone,fechando os detalhes do casamento,outra de nome Terezinha,também telefonista,nada que ver com a nossa Terezinha,a Vilma,no tempo em que ocupavamos as casas na W3-sul e a mais demorada,uma sobrinha de um colega o Ten.Bichara,uma mineirinha,muito bonita,que incluisve valeu umas duas idas de final de semana a BH,de apelido Bequinha,ainda bem pois o nome dela era Modestina...Madeira

1961,eu e as atividades de trânsito

1961,João Goulart Presidente da República,no sistema parlamentarista,situação normalizada e vida que seguiu.Eu assumi minhas funções na Companhia de Trânsito,logo em seguida assumi o comando com a viagem do Marabuto e abraçado com o Código Nacional de Trânsito,dia e noite,estudando direto e tomando parte em todas as ações diariamente,desde a distribuição dos guardas em seus postos de trabalho,observando inclusive o trabalho dos mesmos até as blitzes de trãnsito,efetuadas diariamente em busca de veículos alterados e/ou de motoristas em situação irregular.Muito trabalho,inclusive aos sabados e domingos,nestes com as blitzes.Nessa vida conheci um ser humano especial que me acompanhou depois,como professor colega,nas aulas na ANP e que era o soldado de trânsito Altamir Balbino.Guarda padrão,desde o uso do uniforme ou seja no quesito aparencia pessoal até a seriedade e profissionalismo na atuação.Era tão bom profissional que era escalado nos postos de atuação mais dificil ou por serem de muita movimentação ou pela quantidade de "autoridades"que por lá circulassem.Mulato,carioca,magro,simpatico,sempre pronto a ajudar o próximo,sabia tanto orientar os motoristas como punir os recalcitrantes,aqueles que após orientados teimavam em persistir nas infrações,mas sempre com educação e respeito.A ele afeiçoei-me e só tive lucro,pois apesar da hierarquia sempre foi enquadrado e respeitador,nunca misturando a nossa relação pessoal com a profissional.Logo após estar estabelecido tratei de tirar minha carteira de motorista,pois apesar de dirigir não a possuía.Sabia dirigir porque eu lavava e manobrava o carro de meu irmão Sidonio e depois de colegas como o "melequinha".Assim,dei uns treinos em um jipe da GEB e inscrevi-me para as provas,nas quais fui aprovado sem maiores problemas,mesmo sacaneado pelo meu comanadante,o Ten. João,que era examinador e fez questão de me testar,inclusive determinando que eu parasse em uma ladeira e não deixasse o carro escorrer,o que fiz.Mesmo com muito trabalho,consegui dar uma ou outra fugida rápida ao Rio,sempre com o conhecimento e autorização do comando geral,para assistir algumas poucas aulas e inteirar-me como iam as coisas na faculdade,deixando nessas ocasiões,respondendo pelo comando da Companhia o primeiro sargento,meu adjunto,Latorraca.Também tinha como homem de confiança o meu motorista,o soldado Carvalho,por sinal primo do Balbino,que dirigia uma camionete Ford F-100,com carroceria aberta,onde colocavamos as motos irregulares apreendidas.As noites e nos finais de semana ainda arrumava um tempo para bater uma pelada de futebol de salão,na quadra da GEB,uma quadra de asfalto que comia um tenis por semana.As refeições fazia diariamente no quartel,no rancho dos oficiais,gratuitamente e dormia no alojamento de oficiais também no quartel.Aliás em contraposição a ser um alojamento de madeira e bem coletivo(lá moravamos cerca de vinte oficiais,número que vivia oscilando,pelas mudanças,tanto de chegada de novos membros,como pela saída de quem arranjava um lugar melhor),a sacanagem imperava o tempo todo,bem discreta por causa dos praças e da responsabilidade do colega oficial de dia,mas forte mesmo.Aos novatos e aos que chegavam muito tarde,às vezes bebados,havia sempre um balde de água,colocado cuidadosamente sobre a porta meio encostada e que desabava sobre o novato ou o distraído ao empurrá-la,molhando-o todo;havia,para os que tinham sono pesado e nisto o tenente Elmo Bichara era o campeão(que sono pesado)a colocação da cama,com o infeliz dormindo nela,colocada no meio da quadra de futebol de salão,que ficava bem embaixo do alojamento ou a inefavel colocação na cueca ou na calça do pijama de um tanto de cola goma árabica,levando o incauto dorminhoco a sentir um melado estranho,diferente,no rego do rabo(O Bichara chegou a passar a mão no rabo e cheirar,para saber o que era).Aliás o Bichara foi protagonista de um dos casos mais bizarros que conheci:ele tinha um carro e comprou outro para colocar na praça,ganhar mais um dineiro e dar emprego ao irmão o Carlito,que tinha ido para Brasilia e estava desempregado.Em determinada noite ao sair de um puteiro de luxo na estrada para BH,devidamente mamado,bebado,entrou errado em um trevo,derrapou e deu uma porrada em outro carro(inda bem que sem vitimas),que era o carro dele que era taxi.Em um acidente só destruiu os dois carros dele.Algumas foram mais pesadas e quase redundaram em brigas ou até em ameaça de morte,como por exemplo,quando cagaram no coturno do tenente Edson Caldas,que o calçou e sentiu o pé atolar em algo mole e quando falsificaram uma carta da namorada do tenente Gonzaga desfazendo o namoro e este se desesperou,querendo largar tudo e voltar correndo para o Rio,obviamente tudo isso com a turma na espreita para depois rir do infeliz.Outras historias marcantes foram contadas por um colega,que não vou citar o nome por ainda estar casado e com a mesma mulher e que são muito interessantes:segundo ele,sempre que via uma mulher bonita na rua e estava andando com a esposa,ele fechava o olho do lado da esposa e com o outro "tirava" a passante de alto abaixo;outra era a de que a mulher dele era muito braba e certa vez ele chegou muito tarde em casa,já de madrugada,de umas e outras e ao sentar na cama e começar a tirar os sapatos,a esposa acordou e perguntou,já irada,se ele estava chegando naquela hora e ele cansado,teve como resposta dizer,que não estava era se calçando para ir trabalhar,pois o estavam chamando no quartel,para uma emergencia e mais morto que vivo,teve de sair de casa e ir para o quartel,onde foi dormir o resto da noite;por fim sempre que ele chegava em casa e via a esposa aborrecida,tratava de pegar um colchonete e ir dormir na banheira,conforme a esposa tinha na primeira armação dele,"ensinado".Diversão fora somente uma vez ou outra um cinema em um dos dois únicos cinemas de Brasilia,um no eixo monumental e outro na W-3,respectivamente os cines Brasilia e Cultura,que passavam os filmes bem depois dos lançamentos no Rio e SP.TV não existia então e as noticias escutavamos no radio de um tenente,o Trindade,um goiano gente fina,tranquilo,que tinha em cima de seu armario um grande radio a válvula e que tocava no geral só música sertaneja de radios interioranas de Goiás e Minas Gerais.Com isso chegamos a novembro e ocorreu o retorno do comandante da Companhia,o Ten.Marabuto e passamos a fazer uma dobradinha atuante,que em certa ocasião redundou em um grande conflito e em nós respondermos um inquerito por abuso de poder,tendo então meu batismo policial,pois sem responder a alguns processos(não por corrupção,obviamente),não se consegue exercer essa profissão-sacerdócio.Ocorreu com um motorista completamente irregular e rodando com um carro chapa branca em um domingo,a passeio e que ao ter o carro apreendido por mim e pelo Marabuto negou-se a sair do veículo e a deixar rebocá-lo,o que redundou em ser preso em flagrante e a ser imobilizado e conduzido.Nesse entrevero ele,que se chamava Solivan,teve um dedo quebrado e aí o chefe dele um Ministro do TSE tentou nos pegar,o que não conseguiu,pois o processo contra nós foi arquivado e contra ele também:coisas do Brasil...Em meados de novembro ocorreu mais uma reviravolta em minha vida.O Comando Geral da GEB,mexercido pelo Ten.João Gonçalves Netto recebeu a determinação de criar uma companhia de choque,para controlar os conflitos que ocorriam na Capital Federal,em especial entre praças de todas as FFAA na zona do baixo meretricio,localizado na Cidade Livre,o Nucleo Bandeirante e eu fui um dos escolhidos,juntamente com um tenente que eu já conhecia e com quem me afinava,sendo inclusive meu companheiro de zaga na seleção de futebol de salão dos oficiais da GEB,o Ten.Egydio de Souza Fernandes.Bem,assim deixei o trânsito e tivemos três meses para montar a Companhia,escolhendo os homens,treinando-os,adquirindo o material policial para ações de combate de disturbios civis,pois estreariamos no Carnaval de l962.Dentro desse quadro ainda fui ao Rio,fiz as provas finais,sendo aprovado sem problemas(naquele tempo as provas eram apenas no meio do ano,primeiras provas parciais e no final do ano as segundas e depois as finais,tanto escritas como orais),passei uns dias com meus pais e na GEB toma de dar treinamento,em sala de aula,a parte teórica,na quadra da GEB,as formações de combate,no tatame(criamos uma sala de judô,para dar defesa pessoal e imobilizações)e no estande de tiro,para os treinamentos de tiro policial e eu fiquei com toda essa parte de treinamento,como sub-comandante da Companhia de Serviços Especiais ou simplesmente SE,com ficou conhecida(o Ten.Fernandes foi escolhido,por antiguidade para ser o comandante).Madeira

sábado, 13 de março de 2010

O início da vida em Brasilia

Cerca de uma hora da tarde pisava pela primeira vez o solo árido e vermelho de Brasilia,apresentei-me ao oficial de dia da Base Aérea de Brasilia e perguntei como faria para chegar ao quartel da GEB,pois de lá não tinha como sair,pois estava em uma base aérea e não tinha onibus na porta ou taxi(e eu com pouco dinheiro).De imediato ele colocou-me um uma viatura da FAB,uma kombi azul,que ia para o Plano Piloto,ou seja para o centro de Brasilia e que passaria na porta do quartel da GEB.Cerca das duas horas da tarde,vesgo de fome,apresentei-me ao oficial de dia da GEB,um colewga R-2,Ten Fraga,que recebeu-me com muita camaradagem,encaminhou-me ao alojamento(uma instalação comprida,com conjuntos de cama de solteiro e armario de duas portas,que serviam de divisória da próxima cama de solteiro e que tinha ao fundo um banheiro coletivo,com vários chuveiros de água fria,algumas pias e vasos sanitarios),indicou-me um conjunto que estava vazio,onde coloquei minha bolsa e levou-me para o rancho de oficiais,onde determinou ao garçom(um soldado assim travestido)que providenciasse almoço para mim.Almoçado,fui conduzido ao Gabinete do Comandante da GEB,então um oficial da Força Pública de São Paulo(a PM/SP era assim chamada),do qual não guardei o nome,onde apresentei-me declinei o motivo da minha chegada,apresentei meus documentos e recebi a ordem de apresentar-me ao tenente comandante da segunda seção,a seção de pessoal,o Ten. Geraldo Silva,para apresentação da minha documentação,marcação de meus exames,para admissão e se aprovado,logo a seguir iniciar minhas atividades(e eu que fui pensando que ainda voltaria ao Rio,antes de começar a trabalhar,se aprovado).O Comando da GEB era cargo de confiança do Diretor Geral do DFSP e todas as chefias e comandos eram de paulistas,pois o Presidente da República era o Janio Quadros,que tinha trazido tudo que era paulista para os cargos de chefia federais.No mesmo dia fiz os exames médicos,na realidade,um breve e simples exame clinico,fui declarado apto e marcados para o dia seguinte os exames físicos e intelectual.Assim,no dia 22 de agosto,fiz uma prova,basicamente de Direito Constitucional e Penal,elaborada pela ANP,Academia Nacional de Policia,comandada pelo Cel Mont Serrat,também da Força Pública/SP,que tirei de letra,pois eram duas matérias que eu tinha estudado recente da faculdade e das quais eu gostava muito(devo ter acertado tudo)e a seguir um teste físico aplicado pelo oficial de Educação Física da GEB,que depois tornou-se um grande amigo e que foi morto por um criminoso,absurdamente,no Rio,o Ten.Anselmo Jarbas Muniz Freire,um R-2 de Engenharia,umas duas turmas mais antigo que eu e que tinha curso de educação física.Constava de subir uma corda de uns três/quatro metros de altura,que subi sem utilizar os pés,pois não sabia fazê-lo com esse auxilio,fazer dez barras,sem impulsão,abdominais em um um minuto(não lembro quantos) e quarenta cangurus(pular agachando-se e neste ato trocando as pernas da frente e de trás).Dei um banho:com 21 anos de idade e praticando exercicios,em especial futebol,futebol de salão e volei,foi mole,sendo aprovado com louvor.Daí assinei todos os papéis e fui admitido como funcionário público,lotado no DFSP,como tenente da GEB,sendo o ato publicado no Diário Oficial da União em 23 de agosto de 1961.O dia 23 foi de recebimento de uniforme,de enxoval de roupa de cama e de lotação.Como o quadro de oficiais era muito pequeno fui encaminhado para servir na Companhia de Trânsito,ao lado do quartel,como sub-comandante da mesma,que só tinha um oficial,o Comandante, Ten.Nelson Marabuto Domingues,que estava escalado para fazer um curso fora e eu fui mandado para lá para assumir o comando,logo que ele saísse para o curso,no inicio de setembro.Eu teria portanto de saber toda a legislação de trânsito brasileira,a organização do mesmo em Brasilia e tudo sobre os meus comandados e seus postos de trabalho,em cerca de sete dias.E foi o que fiz,ainda que no meio houvesse um tremendo quiproquó no Brasil.Estudei,dia e noite e encontrei,por ordem divina,uma anjo da guarda que me ajudou muito e que foi um irmão depois,o soldado Altamir Balbino.O que ocorreu e até temi de ser dada última forma no meu ingresso foi que no dia 25 de agosto o Presidente Jãnio Quadros,renunciou(até hoje acho que foi por causa do meu ingresso na GEB)e foram dias de incerteza para todos com a GEB a as FFAA de prontidão e ninguém sabendo direito o que estava acontecendo.E nesse embrulho eu perdido,ainda sem arma,não sabendo se tinha sido publicada no DOU minha admissão e o que fazer.Tratei de cumprir ordens,estudar tudo sobre trânsito e ficar quieto.O comandante da GEB entregou o comando e assumiu automaticamente o oficial do quadro mais antigo,João Gonçalves Neto,ex integrante da Policia Especial no Rio de Janeiro e que tinha ido para lá ainda no governo de JK e o resto foi se normalizando até ser implantado o parlamenatrismo e assumir a Presidencia João Goulart,no dia seis de setembro de 1961,ocasião em que já trabalhei duramente,organizando todo o trânsito das cerimonias,em conjunto com o pessoal de trânsito da Policia do Exército,responsável de tudo próximo ao Presidente.Madeira

1961,um novo ciclo,com o inicio da vida profissional

Na última semana de atividades no CPOR,lá chegou a noticia,não lembro de que forma,de que a PM/DF estava recrutando oficiais,entre oriundos do CPOR,em todo o Brasil,para formar seu quadro de oficiais,bastando lá comparecer,com a documentação pessoal,certidão de bons antecedentes,a carta patente(diploma de oficial das FFAA)e prestar exames de saúde,físico(provas físicas) e prova intelectual,para ser admitido e começar a trabalhar,como Tenente da então denominada GEB/Guarda Especial de Brasilia.Esse fato ocorreu porque com a transferencia da Capital Federal para Brasilia,o pessoal que fazia parte das policias que pertenciam a União,preferiu em sua maioria absoluta,ficar no Rio,passando a pertencer ao Estado recem criado e desistindo de continuar a ser federal,para não ter de mudar para Brasilia,no que aliás,em termos de qualidade de vida,na época,era uma boa ficar no Rio,já consolidada e não encarar Brasilia,sem nada e zero em qualidade de vida.Com isso a União teve de criar às pressas uma policia para Brasilia,optando por buscar para a civil delegados e agentes das cidades de Goiás e Minas,principalmente do interior,chamando-os e para formar a policia fardada,reservistas das FFAA,todos ingressando por esses pentes finos e passando a pertencer ao então DFSP(Departamento Federal de Segurança Pública),pois os órgãos,ou melhor suas estruturas foram transferidos,ainda que sem pessoas.Bem,eu estudava Direito(segundo ano)e nada mais e teria de ficar esperando os estágios no Exército e já acostumado a ter o meu dinheiro,resolvi,decisão tomada de imediato,começar a trabalhar,para não voltar a viver de mesada(o que aliás meu pai me propôs até eu me formar),ir para Brasilia e ver no que ia dar essa proposta de emprego,meio ou melhor bem aérea...Recebi a espada e a carta patente em trinta e um de julho e logo após o reinicio das aulas na Faculdade procurei os professores(e eu tinha um bom nome junto a todos,pois não faltava,participava das aulas e tinha excelentes notas)expliquei minha intenção,negociei as faltas e a partir daí fui fardado a sede do CAN(Correio Aéreo Nacional)da FAB,na então Base Aérea do Galeão,que ainda não era aeroporto de passageiros(o era o Santos Dumont),que era um órgão para levar correspondencia e tudo que mais necessário para o interior do Brasil e em especial,para Brasilia,então carente de tudo(foi inaugurada na marra,sem a minima condição).Lá inscrevi-me para voar para Brasilia e depois recebi um telefonema confirmando meu voo para o dia 21 de agosto,dia de aniversário de meu pai,às sete horas da manhã,com apresentação uma hora antes.Avisei aos meus pais,que não gostaram muito,tendo meu pai oferecido até conseguir emprego no Rio junto a amigos influentes dele,mas convenci-os que iria seguir o meu caminho(E QUE CAMINHOS).Assim preparei-me e com a farda de passeio vestida e a bolsa verde do CPOR,contendo apenas uma muda de roupa civil,pois esperava fazer as provas e ainda voltar ao Rio,viajei.Foi em um DC-3,um avião militar,bi-motor,de hélices,que quando pousado ficava inclinado na direção da traseira e na qual você viajava de lado,em assentos de metal,com um cinto de segurança na cintura,com uma janelinha atrás e na qual tinha uma tampinha redonda no meio que quando o calor estava muito forte,você tirava para ventar dentro um pouco.Voava baixo,fazendo sombra no chão e você via claramente as casas e as pessoas,ainda que estas pequeninas.O voo RioxBrasilia durava no total cerca de seis horas,sendo uma e meia até Belo Horizonte,onde pousava,todos desciam,para o reabastecimento do avião e para fazer as necessidades,pois a bordo não tinha banheiro(era um avião militar),permanecendo no solo cerca de quarenta e cinco minutos,com reembarque e mais duas horas e meia até Brasilia,onde a vista do alto,quando da chegada,era desoladora,pois só se via terra vermelha,muito deserto e avermelhado,com poucas construções,salvo um aglomerado que era a Esplanada dos Ministerios e dois aglomerados,que eram em torno da W-3 Sul e em baixo da L-2 Sul(esses nomes eu soube depois),além de alguns poucos locais de barracos de madeira e ruas de terra,as chamadas cidades satelites,Taguatinga,Gama,Sobradinho,Cidade Livre e Velhacap,onde ficava o quartel da GEB,que no planejamento original era para serem desativadas, destruídas.De bonito mesmo somente o Lago do Paranoá,que se destacava no meio da aridez desertica local.Assim viajei e comecei esse novo ciclo.Madeira

segunda-feira, 8 de março de 2010

A vida em 60/61,fora da Faculdade e do CPOR

Noites na Faculdade,fins de semana nas aulas,quando do período descontinuo e em todos os dias nas férias academicas,no período contínuo no CPOR/RJ e os dias preenchidos por estudos,namoro nos finais de semana,peladas e de chuteira jogos em diversos times sem compromisso,ganhando um dinheirinho amador.Assim,joguei durante alguns meses em um time tradicional de Mendes,o Frigorifico,para onde ia nos sabados de manhã,quando livres,de trem,treinava leve,concentrava e jogava nos domingos a tarde,voltando de trem para casa.Também jogava as peladinhas com a turma,sempre lá no Colegio Batista,namorava muito,lia bastante e organizava-me em uma nova casa,pois meu pai tinha resolvido aposentar-se e vendeu a Padaria Laís e o sobrado em cima e comprou uma casa na Rua Souza Franco 462,em Vila Isabel,bem próximo da Av.Vinte e Oito de Setembro,rua que terminava no então pacifico Morro dos Macacos.O Rio de Janeiro de então era tão pacato que a minha turma da José Higino teve um tempo em que alugava um campo de futebol do Morro da Caixa Dágua,ao final da rua Maria Amália,na Tijuca.Iamos lá jogavamos contra outros times de adolescentes e não existia qualquer problema.O Maracanã era um programa certo com a turma e ia-se(menos eu,que nunca usei)todos juntos,torcedores de times diferentes,com as camisas de seus times,sentando junto e sem qualquer bronca.Lá vi grandes jogos, inesquecíveis de times maravilhosos,tais como o Botafogo de Garrincha e o Santos de Pelé,bem como times estrangeiros,pois naquela época era comum virem times da Europa,fazerem preparação no Brasil e disputarem torneios.Vi o Honved,com Puskas e seus companheiros;Real Madri de Di Stefano;Milan,Benfica e times argentinos e uruguaios excelentes,os primeiros com goleiros espetaculares,como Carrizo e Roma.Também tinha o Torneio Rio x São Paulo com jogos espetaculares e craques,em toda a acepção da palavra,em uma quantidade e de uma qualidade hoje não existente.Também foi um período marcante de minha vida.Madeira

A Formatura como R/2 do EB

Enfim,dois anos de estudos teóricos e práticos e chegou o dia da formatura de recebimento da carta patente de Oficial R/2 do Exército Brasileiro.Após o resultado dos dois anos de preparação e a colocação final,importantíssima,pois as promoções e demais decisões nas forças armadas o são por merecimento(elogios e avaliações de superiores)e por antiguidade,esta decidida,quando a data de ingresso é a mesma pela classsificação nos cursos de formação.Bem,conforme já explicitado,fui muito bem,desde o primeiro ano,tanto que tive durante o segundo ano sempre o exercício de cargos de comando em todos os momentos,terminei o curso como terceiro colocado da Infantaria,em um total de 250 alunos colegas,o que valeu,não ter de adquirir a espada,símbolo do oficialato e recebê-la de presente de um oficial general membro do Alto Comando e ter preferencia para escolher o local dos estágios de aprendizagem(tres meses) e de serviço(um ano).Isto foi bom e fator de muito orgulho de meus pais e irmão,mas foi também triste porque recebi a espada na tribuna de honra do estádio do Vasco da Gama,São Januário,sob o olhar de aprovação dos meus,mas não recebi,como os outros das mãos dos pais,mas dois prazeres não cabem em um saco só,como diz o ditado popular.Esta cerimonia ocorreu no dia 31 de julho de 1961 de manhã,com o estadio cheio,pois eramos no total geral de todas as armas 500 jovens recebendo espada,em um belo dia de sol,no gramado de São Januário e com muita alegria e vibração.A noite ocorreu no Clube Sirio e Libanes,na Lagoa o baile das espadas e na véspera na Igreja da Santa Cruz dos Militares,próximo a Praça XV,ocorreu a missa de benção das espadas,muito linda e emocionante.Valeu em todos os aspectos e ângulos,tanto na aprendizagem da teoria militar,na prática das situações de combate,como principalmente na educação civica de amor a Pátria,na união fraterna,na camaradagem reinante,na sinceridade,sem mentiras e falsidades,fatores que por educação paterna eu já seguia,mas que o amado EB desenvolveu no meu interior.As minhas escolhas para local dos estágios foi mais pela proximidade de minha residencia do quartel,do que de qualquer outra coisa.Escolhi o então Segundo BIB,em São Cristovão,próximo a estação de trem da Central do Brasil,da Mangueira,quase ao lado do portão principal de entrada da Quinta da Boa Vista,onde fiz tanto o de complementação de aprendizagem,de três meses,feito em 1963,como o de serviço,de um ano,em 1964/1965.Valeu CPOR.Ten.R/2 Madeira

segunda-feira, 1 de março de 2010

Ainda o CPOR/RJ

A didática de ensino militar é fabulosa e força o aluno a prestar atenção e a se sentir sono é obrigado a ficar em pé no fundo da sala.Toda aula,lá chamada de instrução,divide os cinquenta minutos em cinco de apresentação do conteúdo, obrigatoriamente e ligando-o ao último lecionado,a seguir o desenvolvimento do assunto,cerca de trinta minutos,com mais cinco de conclusão e sempre uma VI,verificação imediata,sem consulta,nos dez minutos finais,sobre o explicado,valendo nota.Não há quem possa voar,distrair-se,pois se o fizer leva ferro logo de cara.Ao final de cada disciplina tinha a VF,verificação final.Com isso eu ajudado pela minha excelente capacidade de reter os conhecimentos,além de querer aprender e ser um bom oficial,sempre me dava muito bem,não sendo o primeiro por causa de dois cdf.Também para cada aula era distribuída o material(apostila) do ensinado.Já a parte prática de exercicios de campo era também muito puxada,com marchas,com todo os apetrechos de um combatente,no primeiro ano muito pesados e como ainda não existia uma classificação distribuidos aleatoriamente(em uma das marchas eu era o municiador de morteiro 60 e carregava a placa-base do referido,que é pesada para cacete.São a cada ano várias marchas,desde a menor,a primeira,de oito km,com uma noturna de dezesseis,até a maior de trinta e dois km.Já no segundo ano,eu que estava e acabei em terceiro lugar comandava uma companhia e andava com a Colt 45 na cintura,leve e lépido.Os exercicos de tiro,que incluiam a desmontagem e limpeza perfeita do armamento,após o mesmo,eram no estande do EB,na própria Quinta da Boa Vista.As jornadas,de um dia inteiro,eram iniciadas com uma marcha de deslocamento e exercicios de combate e retorno também marchando e cantando canções militares.Quando a noite,após os exercicios de combate noturno,o restante da noite era em bivaque,dormir ao ar livre,no próprio terreno de combate.Os acampamentos,de sete dias,começavam com a montagem da barraca de dois,ou seja,você tinha o seu "de rancho",nome militar do companheiro de barraca ou de qualquer atividade e com ele montava ao chegar a barraca e desmontava no último dia,dentro do que determinava o regulamento,sendo sempre a ida e a volta a pé,marchando e todo o tempo,desde a alvorada,às seis horas até o toque de silencio,às 22 horas,repleto de atividades exaustivas,com ataques e defesas,cavando trincheiras,rastejando,atirando em todas as situações,utilizando a bússola,com o toque de rancho,almoço e de janta,com banheiro/fossa para as necessidades de defecar,banho coletivo,atrás de toldos e refeições em marmitas(no meu primeiro dia do primeiro acampamento estava chovendo e meu arroz com feijão,batata cozida e carne desfiada,boiava,devidamente misturados com a água da chuva).Tudo feito da forma correta e bem aprendido,para se necessário defender a Patria.O nosso comandante,da décima escola era o Capitão Beliard e o nosso sargento o sargento Osvaldo,ambos exigentes,mas amigos,respeitosos com a nossa inexperiencia.Havia uma disputa saudável entre os pelotões no sentido do garbo,do empenho nas atividades diárias,na limpeza do alojamento,na organização da reserva de armamento,que tinha sempre de estar brilhando,assim como nosso uniforme,dos pés à cabeça.Kaol no cinto,palha de aço no armamento,graxa nos sapatos,vinco nas calças,enfim a busca de um gabarito e de uma excelencia,na qual todos se empenhavam,incentivados pelos colegas e para não sofrer sanções disciplinares,das quais a mais temida era a revista(obrigatoriedade de dormir no quartel,apresentando-se antes das 21 horas para a revista/conferencia)e a pior a detenção,ou seja ficar recolhido ao quartel,sem poder ir para casa.Para tanto,bastava uma simples dormida em aula,ao invés de levantar-se e ir para o fim da sala,um sapato mal engraxado,continencia não feita ou não se levantar quando passava um superior,barba mal feita,cabelo não cortado regulamentarmente(máquina zero),farda mal passada,enfim algo que demonstrasse ausencia de cuidados consigo ou com o material a si distribuído.A hora da saída,após um dia de trabalho,era o momento de suspense,pois existia sempre o temor de quem seria o oficial responsável pela revista de uniforme e de como estaria o humor dele,se muito exigente ou de bom humor,liberando pequenos defeitos.Muitas vezes havia implicancia com o cabelo ou barba e o candidato a ir para casa voltava duas/três vezes,muitas vezes com o sangue escorrendo do rosto,de tão escanhoado ou com o sapato brilhando mas não satisfazendo o oficial responsável.Dentre os demais oficiais,comandantes das outras escolas,mas todos instrutores,tinhamos na sexta,o temido Capitão Ortiga,vibrador,um dos que mais massacrava na hora de saída,levando até algodão para passar na barba do aluno e ai se ficasse um fiapo no rosto,na sétima,o Capitão Lacordaire,boa gente,meio avoado,na oitava, o Capitão Pontual,outro vibrador,um baixinho temido,que chegou a general,na nona,o boa praça,Ten.Magno,que tinha feito CPOR e depois se entusiasmou e entrou para a AMAN e por isso entendia bem quem eramos nós e a nossa,a décima,com o Capitão Beliard.Madeira

O CPOR/RJ

15/12/1959 a 31/07/1961,dois anos de estudos teóricos,em sala de aula,puxados e de prática através de exercicios de campo,desde jornadas(um dia ou noite inteiros)a acampamentos(sete dias),marchas,tiro real,enfim tudo o que era necessário para formar um oficial de Infantaria do Exército Brasileiro.O curso dividido,na época,em dois anos e dentro destes em períodos continuos(os em que as atividades eram durante os seis dias da semana),que correspondiam aos períodos de férias academicas e em períodos descontinuos(atividades aos sabados e domingos),que correspondiam as datas de aulas nas faculdades,ou seja,o primeiro de dezembro a fevereiro e em julho e o outro nos demais meses de aulas,lembrando que isso era assim por só poder fazer o CPOR quem já estava cursando curso superior.No primeiro ano aprendia-se a formação básica militar,tal como os regulamentos militares,ordem unida,tiro,maneabilidade e as atividades mais básicas,incluindo faxina de alojamento,de banheiros,guarda de quartel,tal como se fosse um soldado.Já no segundo ano estudava-se as disciplinas referentes a comando como topografia,comando/liderança,planejamento,politicas militares,combate,sendo as mesmas exercidas,tendo os alunos do primeiro ano como subordinados e tendo-se a graduação das atividades pelas notas,ou seja baseado,como tudo nas FFAA,pelo merecimento.Vejam uma pequena diferença do primeiro para o segundo ano:naquele nas marchas você era um subordinado e carregava o amigo inseparavel do soldado,o fuzil,enquanto no segundo ano,a pistola no coldre,na cintura,uma diferença de dois/três quilos...Bem,escolhi a Infantaria,por desejar ser um guerreiro e como bem o diz o lema do infante,poder,quando em combate,ver o branco do olho do inimigo,o que só o infante pode.As demais armas e serviços combatem a distancia(o que é importante e sem as quais o infante não poderia ir ao ataque em condições favoráveis),mas é o infante que combate no corpo a corpo e que ocupa e assegura a ocupação do terreno,portanto algo diferenciado e que assegura a Infantaria,dentro do Exército,o justo título de "Rainha das Armas".Vibrei e muito durante todo o curso,esforçei-me,estudei,cumpri,todas as missões individuais e dei o melhor nas coletivas,terminando o curso como terceiro colocado da Infantaria,sobre 250 alunos e com isso recebendo a espada,de presente,dada por um General,na tribuna de honra do estadio de São Januario,campo do Vasco,onde era a formatura então,dos cerca de 500 aspirantes formados a cada ano.O CPOR tinha sempre 500 alunos de Infantaria,100 de Artilharia,100 de Cavalaria,100 de Engenharia e 100 de Intendencia,sempre metade em cada ano,com um total de 1000 alunos-oficiais em seu quartel,em São Cristovão,encostado no portão da Quinta da Boa Vista de São Cristovão,onde realizavamos nossos exercícios físicos e de ordem unida(marchar),alem de fazer nossos desfiles nas datas cívicas.O CPOR também tinha todo ano olímpiadas,com os esportes de quadra(futebol de salão,volei e basquete)e minha escola,a décima(era em ordem alfabética a alocação do aluno nas escolas ou pelotões,cada um com 50 componentes) marcou época por ser campeão de futebol de salão nos dois anos e invicta.Tinhamos um timaço,jogando com o Wilton(o 1250)como parado,muito forte,o Uagir Matouc(1238/Gico)ala direita,eu(1237/ala esquerda)e o Rufino(1219/atacante,muito rápido),além do Sebastião(1235),que entrava na frente ou como ala,passando eu para parado.Nem lembro quem era o goleiro,pois o time era muito bom,sendo o Gico,craque,juvenil do Botafogo e o Rufino do Vasco.Meu nome de guerra foi me imposto como Madeira e a partir daí seguiu-me por toda a vida e o foi pois por costume do EB,o mesmo é dado quando você se apresenta e de preferencia sendo um sobrenome e antes de chegar ao T,teve um Dias na sexta escola.Assim se tivesse tido um Madeira antes eu teria de ser Theotonio.A minha rotina para chegar ao quartel e iniciar as atividades diárias era sempre a mesma:acordava às quatro e meia da manhã,após deixar de véspera a farda impecável(eu mesmo a passava,bem como engraxava os sapatos e os coturnos,além de fazer brilhar com kaol a fivela dos cintos),fazia a barba,já tendo o cabelo cortado semanalmente a máquina zero,descia,após o banho e vestir parte da farda e ia pelos fundos da padaria pegar pão quentinho,para tomar com café e leite por mim preparados,pois não acordava meus pais,dormindo inclusive com o despertador,daqueles antigos,com duas grandes campaínhas debaixo do travesseiro,para não acordá-los.Após isso na faixa de cinco e quinze da manhã saía de casa e ia a pé até o fim da rua Antonio Basilio,cerca de cinco minutos,onde entrava à esquerda,passando em frente ao quartel da Policia do Exército,na esquina da Barão de Mesquita com a Pinto de Figueiredo,onde pegava o bonde das cinco e meia(ou o 69/Aldeia Campista ou o 70/Andaraí)até a Praça da Bandeira,onde saltava e ia a pé até o quartel,passando em baixo do viaduto em uma andada de mais uns dez minutos.No quartel era só ir para o vestiário e lá trocar,rapidamente,a farda de passeio pela de instrução,de maneira a estar pronto no pátio,cerca das seis horas,para a formatura diária às seis e dez.Era muito gostosa essa rotina,compensada pelas atividades do QTS(quadro de trabalho semanal),onde estava escrita a programação da semana,com seus horários,uniforme,sala e instrutor.Madeira