domingo, 14 de março de 2010
1963,a saída da GEB
Em 1963,após um inicio dentro da rotina anterior,fui convocado para o estágio de instrução(complementação da formação do CPOR),de tres meses,no BIB,conforme eu já tinha deixado escolhido.Assim passei,liberado pelo DFSP,com emprego garantido em Brasilia,ao BIB,onde estagiei como Aspirante R/2,na Companhia de Comando,com êxito,pois além do bom preparo do CPOR,eu estava numa organização militar,com todas as formalidades e comportamentos previstos nos regulamentos militares.Formaturas, serviço de oficial de dia,instrução militar,enfim,nenhum misterio.Foram tres meses de faculdade e de programação carioca...Nessa época,no Rio,comprei meu primeiro carro,um Renalt Dauphine,verde,ano 60,portanto,bem novo,carrinho frágil,mas valente,de quatro portas,ainda que pequenino,no qual derreti o Rio,com mil passeios,idas a praia,rolés noturnos e namoros motorizados.Na volta para Brasilia de carro,fundi o motor do Dauphine e colocando oléo a cada cinquenta km cheguei a Brasilia e lá o troquei por um Mercury verde,de luxo,1949,com o qual fiquei pouco tempo,pois não aguentava os custos,em especial de gasolina,uns quatro/cinco km/litro.Retornando,voltei as atividades da SE,até dar-se a merda que mudou toda a minha vida,fazendo com que eu abandonasse a GEB e a futura carreira na PM e acabasse por adotar,futuramente,uma nova carreira na PF.O fato foi que o Fernandes foi ao Rio para casar e eu fiquei no comando da SE e exatamente no dia do casamento do Fernandes,sete de setembro de 1963,feriado nacional,ocorreu uma grande manifestação estudantil,que apoiadas pelo governo socialista do Jango estavam se tornando comuns e nos dando muito trabalho,que era contra o aumento das passagens de onibus,na estação rodoviária de Brasilia,no cruzamento dos eixos monumentais,o que fez entrar em colapso todo o sistema de transporte,pois os onibus foram impedidos de rodar,o que fez com que milhares de pessoas ficassem isoladas.A SE foi convocada com todo o seu efetivo,para evitar quebra-quebra e manter a ordem e eu fui a frente como comandante em exercício.Mal chegamos,estacionamos ao lado de baixo da rodoviária e ainda embarcados,fui procurado por um tal de Manuelão,um baita negão,lider de alguma categoria,nem quis saber qual,que apresentou-me uma carta da Casa Civil da Presidencia,assinada pelo chefe da mesma,Darcy Ribeiro,que determinava que não fizessemos nada e que esse tal de Manuelão seria o elo de ligação da Presidencia com nós e que deveriamos obedecer ao que ele,Manuelão,falasse,pois ele daria as ordens,o que aliás de há muito o governo populista do Jango já tentava,que era mandar em nós,utilizando a policia para seus interesses excusos.De imediato mandei ele a merda e disse que eu decidiria a hora de agir e que essa estaria subordinada a não haver quebra-quebra,ou seja enquanto houvesse um movimento pacifico,nada fariamos.A tropa ficou embarcada,aguardando minhas ordens e eu observando o movimento.Já ao fim da tarde,a tropa ansiosa,os discursos e palavras de ordem sucedendo-se,os oradores incitaram os populares a quebrar os onibus.De imediato dei ordem de desembarque a tropa e de formação em linha para impedirmos a progressão dos populares contra os onibus.Bem,começou o quebra-quebra e depois tive a certeza de que havia manifestantes armados,pois atiraram contra nós(era tudo orquestrado e eles,esses vagabundos populistas,sindicalistas,sempre buscam que existam vitimas nas confusões,as chamadas vitimas da repressão).Ocorreram alguns confrontos,em especial,nas pontas das nossas linhas e como é óbvio,ocorreram ferimentos em soldados nossos e nenhum grave e em manifestantes,inclusive um a bala,certamente por um dos lidertes deles.Terminado o conflito,recolhi o choque,passando o policiamento normal a tomar conta da rodoviária.No dia seguinte os jornais,radios,sindicatos faziam as maiores críticas e alardeavam um ferido a bala,pela GEB e lá fui eu convocado a presença do chefe de Policia,do DFSP,o Cel.Carlos Molinaro Cairoli(amigo pessoal do Jango,presidente,que era oficial da reserva do EB).Como já tinha mandado levantar,já sabia que nenhum dos meus homens tinha atirado e usado somente o cassetete e gás e o informei disso,mas mesmo assim,fui afastado da SE,sendo mandado para a parte civil do DFSP e lotado,por estar fazendo Direito na Interpol,então em fase de mudanças e passando a responder a um IPM,na então Décima Região Militar.Lá estive umas duas vezes respondendo a interrogatórios e sempre dizendo a verdade,que não tinhamos atirado em ninguém e que apenas tinhamos agido dentro da lei,para proteger o patrimonio público e terminar com a baderna.Depois,com a implantação da Revolução esse IPM foi arquivado,muito justamente,por falta de provas.Madeira
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