sábado, 13 de março de 2010
1961,um novo ciclo,com o inicio da vida profissional
Na última semana de atividades no CPOR,lá chegou a noticia,não lembro de que forma,de que a PM/DF estava recrutando oficiais,entre oriundos do CPOR,em todo o Brasil,para formar seu quadro de oficiais,bastando lá comparecer,com a documentação pessoal,certidão de bons antecedentes,a carta patente(diploma de oficial das FFAA)e prestar exames de saúde,físico(provas físicas) e prova intelectual,para ser admitido e começar a trabalhar,como Tenente da então denominada GEB/Guarda Especial de Brasilia.Esse fato ocorreu porque com a transferencia da Capital Federal para Brasilia,o pessoal que fazia parte das policias que pertenciam a União,preferiu em sua maioria absoluta,ficar no Rio,passando a pertencer ao Estado recem criado e desistindo de continuar a ser federal,para não ter de mudar para Brasilia,no que aliás,em termos de qualidade de vida,na época,era uma boa ficar no Rio,já consolidada e não encarar Brasilia,sem nada e zero em qualidade de vida.Com isso a União teve de criar às pressas uma policia para Brasilia,optando por buscar para a civil delegados e agentes das cidades de Goiás e Minas,principalmente do interior,chamando-os e para formar a policia fardada,reservistas das FFAA,todos ingressando por esses pentes finos e passando a pertencer ao então DFSP(Departamento Federal de Segurança Pública),pois os órgãos,ou melhor suas estruturas foram transferidos,ainda que sem pessoas.Bem,eu estudava Direito(segundo ano)e nada mais e teria de ficar esperando os estágios no Exército e já acostumado a ter o meu dinheiro,resolvi,decisão tomada de imediato,começar a trabalhar,para não voltar a viver de mesada(o que aliás meu pai me propôs até eu me formar),ir para Brasilia e ver no que ia dar essa proposta de emprego,meio ou melhor bem aérea...Recebi a espada e a carta patente em trinta e um de julho e logo após o reinicio das aulas na Faculdade procurei os professores(e eu tinha um bom nome junto a todos,pois não faltava,participava das aulas e tinha excelentes notas)expliquei minha intenção,negociei as faltas e a partir daí fui fardado a sede do CAN(Correio Aéreo Nacional)da FAB,na então Base Aérea do Galeão,que ainda não era aeroporto de passageiros(o era o Santos Dumont),que era um órgão para levar correspondencia e tudo que mais necessário para o interior do Brasil e em especial,para Brasilia,então carente de tudo(foi inaugurada na marra,sem a minima condição).Lá inscrevi-me para voar para Brasilia e depois recebi um telefonema confirmando meu voo para o dia 21 de agosto,dia de aniversário de meu pai,às sete horas da manhã,com apresentação uma hora antes.Avisei aos meus pais,que não gostaram muito,tendo meu pai oferecido até conseguir emprego no Rio junto a amigos influentes dele,mas convenci-os que iria seguir o meu caminho(E QUE CAMINHOS).Assim preparei-me e com a farda de passeio vestida e a bolsa verde do CPOR,contendo apenas uma muda de roupa civil,pois esperava fazer as provas e ainda voltar ao Rio,viajei.Foi em um DC-3,um avião militar,bi-motor,de hélices,que quando pousado ficava inclinado na direção da traseira e na qual você viajava de lado,em assentos de metal,com um cinto de segurança na cintura,com uma janelinha atrás e na qual tinha uma tampinha redonda no meio que quando o calor estava muito forte,você tirava para ventar dentro um pouco.Voava baixo,fazendo sombra no chão e você via claramente as casas e as pessoas,ainda que estas pequeninas.O voo RioxBrasilia durava no total cerca de seis horas,sendo uma e meia até Belo Horizonte,onde pousava,todos desciam,para o reabastecimento do avião e para fazer as necessidades,pois a bordo não tinha banheiro(era um avião militar),permanecendo no solo cerca de quarenta e cinco minutos,com reembarque e mais duas horas e meia até Brasilia,onde a vista do alto,quando da chegada,era desoladora,pois só se via terra vermelha,muito deserto e avermelhado,com poucas construções,salvo um aglomerado que era a Esplanada dos Ministerios e dois aglomerados,que eram em torno da W-3 Sul e em baixo da L-2 Sul(esses nomes eu soube depois),além de alguns poucos locais de barracos de madeira e ruas de terra,as chamadas cidades satelites,Taguatinga,Gama,Sobradinho,Cidade Livre e Velhacap,onde ficava o quartel da GEB,que no planejamento original era para serem desativadas, destruídas.De bonito mesmo somente o Lago do Paranoá,que se destacava no meio da aridez desertica local.Assim viajei e comecei esse novo ciclo.Madeira
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