domingo, 14 de março de 2010

1961,eu e as atividades de trânsito

1961,João Goulart Presidente da República,no sistema parlamentarista,situação normalizada e vida que seguiu.Eu assumi minhas funções na Companhia de Trânsito,logo em seguida assumi o comando com a viagem do Marabuto e abraçado com o Código Nacional de Trânsito,dia e noite,estudando direto e tomando parte em todas as ações diariamente,desde a distribuição dos guardas em seus postos de trabalho,observando inclusive o trabalho dos mesmos até as blitzes de trãnsito,efetuadas diariamente em busca de veículos alterados e/ou de motoristas em situação irregular.Muito trabalho,inclusive aos sabados e domingos,nestes com as blitzes.Nessa vida conheci um ser humano especial que me acompanhou depois,como professor colega,nas aulas na ANP e que era o soldado de trânsito Altamir Balbino.Guarda padrão,desde o uso do uniforme ou seja no quesito aparencia pessoal até a seriedade e profissionalismo na atuação.Era tão bom profissional que era escalado nos postos de atuação mais dificil ou por serem de muita movimentação ou pela quantidade de "autoridades"que por lá circulassem.Mulato,carioca,magro,simpatico,sempre pronto a ajudar o próximo,sabia tanto orientar os motoristas como punir os recalcitrantes,aqueles que após orientados teimavam em persistir nas infrações,mas sempre com educação e respeito.A ele afeiçoei-me e só tive lucro,pois apesar da hierarquia sempre foi enquadrado e respeitador,nunca misturando a nossa relação pessoal com a profissional.Logo após estar estabelecido tratei de tirar minha carteira de motorista,pois apesar de dirigir não a possuía.Sabia dirigir porque eu lavava e manobrava o carro de meu irmão Sidonio e depois de colegas como o "melequinha".Assim,dei uns treinos em um jipe da GEB e inscrevi-me para as provas,nas quais fui aprovado sem maiores problemas,mesmo sacaneado pelo meu comanadante,o Ten. João,que era examinador e fez questão de me testar,inclusive determinando que eu parasse em uma ladeira e não deixasse o carro escorrer,o que fiz.Mesmo com muito trabalho,consegui dar uma ou outra fugida rápida ao Rio,sempre com o conhecimento e autorização do comando geral,para assistir algumas poucas aulas e inteirar-me como iam as coisas na faculdade,deixando nessas ocasiões,respondendo pelo comando da Companhia o primeiro sargento,meu adjunto,Latorraca.Também tinha como homem de confiança o meu motorista,o soldado Carvalho,por sinal primo do Balbino,que dirigia uma camionete Ford F-100,com carroceria aberta,onde colocavamos as motos irregulares apreendidas.As noites e nos finais de semana ainda arrumava um tempo para bater uma pelada de futebol de salão,na quadra da GEB,uma quadra de asfalto que comia um tenis por semana.As refeições fazia diariamente no quartel,no rancho dos oficiais,gratuitamente e dormia no alojamento de oficiais também no quartel.Aliás em contraposição a ser um alojamento de madeira e bem coletivo(lá moravamos cerca de vinte oficiais,número que vivia oscilando,pelas mudanças,tanto de chegada de novos membros,como pela saída de quem arranjava um lugar melhor),a sacanagem imperava o tempo todo,bem discreta por causa dos praças e da responsabilidade do colega oficial de dia,mas forte mesmo.Aos novatos e aos que chegavam muito tarde,às vezes bebados,havia sempre um balde de água,colocado cuidadosamente sobre a porta meio encostada e que desabava sobre o novato ou o distraído ao empurrá-la,molhando-o todo;havia,para os que tinham sono pesado e nisto o tenente Elmo Bichara era o campeão(que sono pesado)a colocação da cama,com o infeliz dormindo nela,colocada no meio da quadra de futebol de salão,que ficava bem embaixo do alojamento ou a inefavel colocação na cueca ou na calça do pijama de um tanto de cola goma árabica,levando o incauto dorminhoco a sentir um melado estranho,diferente,no rego do rabo(O Bichara chegou a passar a mão no rabo e cheirar,para saber o que era).Aliás o Bichara foi protagonista de um dos casos mais bizarros que conheci:ele tinha um carro e comprou outro para colocar na praça,ganhar mais um dineiro e dar emprego ao irmão o Carlito,que tinha ido para Brasilia e estava desempregado.Em determinada noite ao sair de um puteiro de luxo na estrada para BH,devidamente mamado,bebado,entrou errado em um trevo,derrapou e deu uma porrada em outro carro(inda bem que sem vitimas),que era o carro dele que era taxi.Em um acidente só destruiu os dois carros dele.Algumas foram mais pesadas e quase redundaram em brigas ou até em ameaça de morte,como por exemplo,quando cagaram no coturno do tenente Edson Caldas,que o calçou e sentiu o pé atolar em algo mole e quando falsificaram uma carta da namorada do tenente Gonzaga desfazendo o namoro e este se desesperou,querendo largar tudo e voltar correndo para o Rio,obviamente tudo isso com a turma na espreita para depois rir do infeliz.Outras historias marcantes foram contadas por um colega,que não vou citar o nome por ainda estar casado e com a mesma mulher e que são muito interessantes:segundo ele,sempre que via uma mulher bonita na rua e estava andando com a esposa,ele fechava o olho do lado da esposa e com o outro "tirava" a passante de alto abaixo;outra era a de que a mulher dele era muito braba e certa vez ele chegou muito tarde em casa,já de madrugada,de umas e outras e ao sentar na cama e começar a tirar os sapatos,a esposa acordou e perguntou,já irada,se ele estava chegando naquela hora e ele cansado,teve como resposta dizer,que não estava era se calçando para ir trabalhar,pois o estavam chamando no quartel,para uma emergencia e mais morto que vivo,teve de sair de casa e ir para o quartel,onde foi dormir o resto da noite;por fim sempre que ele chegava em casa e via a esposa aborrecida,tratava de pegar um colchonete e ir dormir na banheira,conforme a esposa tinha na primeira armação dele,"ensinado".Diversão fora somente uma vez ou outra um cinema em um dos dois únicos cinemas de Brasilia,um no eixo monumental e outro na W-3,respectivamente os cines Brasilia e Cultura,que passavam os filmes bem depois dos lançamentos no Rio e SP.TV não existia então e as noticias escutavamos no radio de um tenente,o Trindade,um goiano gente fina,tranquilo,que tinha em cima de seu armario um grande radio a válvula e que tocava no geral só música sertaneja de radios interioranas de Goiás e Minas Gerais.Com isso chegamos a novembro e ocorreu o retorno do comandante da Companhia,o Ten.Marabuto e passamos a fazer uma dobradinha atuante,que em certa ocasião redundou em um grande conflito e em nós respondermos um inquerito por abuso de poder,tendo então meu batismo policial,pois sem responder a alguns processos(não por corrupção,obviamente),não se consegue exercer essa profissão-sacerdócio.Ocorreu com um motorista completamente irregular e rodando com um carro chapa branca em um domingo,a passeio e que ao ter o carro apreendido por mim e pelo Marabuto negou-se a sair do veículo e a deixar rebocá-lo,o que redundou em ser preso em flagrante e a ser imobilizado e conduzido.Nesse entrevero ele,que se chamava Solivan,teve um dedo quebrado e aí o chefe dele um Ministro do TSE tentou nos pegar,o que não conseguiu,pois o processo contra nós foi arquivado e contra ele também:coisas do Brasil...Em meados de novembro ocorreu mais uma reviravolta em minha vida.O Comando Geral da GEB,mexercido pelo Ten.João Gonçalves Netto recebeu a determinação de criar uma companhia de choque,para controlar os conflitos que ocorriam na Capital Federal,em especial entre praças de todas as FFAA na zona do baixo meretricio,localizado na Cidade Livre,o Nucleo Bandeirante e eu fui um dos escolhidos,juntamente com um tenente que eu já conhecia e com quem me afinava,sendo inclusive meu companheiro de zaga na seleção de futebol de salão dos oficiais da GEB,o Ten.Egydio de Souza Fernandes.Bem,assim deixei o trânsito e tivemos três meses para montar a Companhia,escolhendo os homens,treinando-os,adquirindo o material policial para ações de combate de disturbios civis,pois estreariamos no Carnaval de l962.Dentro desse quadro ainda fui ao Rio,fiz as provas finais,sendo aprovado sem problemas(naquele tempo as provas eram apenas no meio do ano,primeiras provas parciais e no final do ano as segundas e depois as finais,tanto escritas como orais),passei uns dias com meus pais e na GEB toma de dar treinamento,em sala de aula,a parte teórica,na quadra da GEB,as formações de combate,no tatame(criamos uma sala de judô,para dar defesa pessoal e imobilizações)e no estande de tiro,para os treinamentos de tiro policial e eu fiquei com toda essa parte de treinamento,como sub-comandante da Companhia de Serviços Especiais ou simplesmente SE,com ficou conhecida(o Ten.Fernandes foi escolhido,por antiguidade para ser o comandante).Madeira

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