domingo, 14 de março de 2010
1962 e as atividades da SE
Fevereiro de 1962 a SE estava pronta,enquadrada,com gabarito de fardamento e enquadramento,com dois carros-choques,abertos,com os locais de condução dos soldados virados para fora,o que facilitava o embarque e desembarque rápido,com assento de madeira,sendo que conduzia onze membros de cada lado,com um cabo comandante da fração,a frente,encostado a cabine,de onde receberia,se fosse o caso,ordens e após eles,em ordem de altura dez soldados,sentados todos da mesma forma,ou seja com um braço por trás do companheiro a frente,segurando na barra de segurança e o outro sobre o colo,dando excelente impressão,que conjugava-se a aparencia pessoal perfeita dos membros.Na cabine iam o motorista,o sargento e o tenente comandante do pelotão,em um total de 25 componentes.Tinhamos três pelotões,com essa constituição,tendo a companhia um total de 75 membros combatentes,mais o comandante e um sargenteante,responsavel pela documentação,escalas e outros atos administrativos necessários.O equipamento individual era para os soldados o revolver 38 e um cassetete de madeira,com uma corda para segurá-lo,que conforme treinamento era utilizado principalmente para imobilizar os detidos e quando atacados para defesa pessoal,conforme treinamento,com pancadas em locais que imobilizavam os atacantes,usando-se ainda capacete e coturno.A farda era bege,com cinto de guarnição marrom,com local para o coldre e um porta cassetete.Os cabos conduziam além do revolver 38,um tubo lançador de gás lacrimogeneo e o sargento conduzia além do revolver 38,uma metralhadora INA,todos com capacete.Já o tenente comandante do pelotão usava o bico de pato,como cobertura,o revolver 38 e ocasionalmente o tubo lançador de gás.Já o motorista usava o bico de pato,e apenas o revolver 38 e não abandonava o caminhão choque em hipotese nenhuma.Assim nos deslocavamos e com o treinamento podiamos e muitas vezes dissolviamos passeatas e movimentos,usando a força necessária,com a técnica treinada e a mais indicada ao evento.Tinhamos tudo muito bem treinado e o tenente resolvia qual seria a utilizada,três eram as formações de força:a tropa em coluna,muito usada nos deslocamentos a pé e quando tinha de separar grupos;em linha para empurrar manifestantes e em cunha,para separar e empurrar manifestantes.Quando em outras operações sempre usavamos grupos de três soldados,sendo que um revistava o suspeito e se necessário o imobilizava,com o cassetete,outro dava segurança contra reação do suspeito e o terceiro segurança contra terceiros.A escala era de 24 horas por 48 horas,ou seja um dia,das oito da manhã as oito do dia seguinte,com dois dias de folga.Durante o dia de serviço,ocorriam treinamentos de aperfeiçoamento das técnicas aprendidas,desde as de combate,com todo o equipamento,como as de defesa pessoal e de educação fisica,ou seja a tropa estava sempre pronta,com o comandante a frente,e sempre uniformizada,tendo tempo de embarque e saída minimo,entre o toque de sirene de urgencia e a saída do caminhão choque.Dormiamos fardados,apenas com o cinto de guarnição afrouxado e o capacete ao lado.Como eram três pelotões,ficou um ao comando(inicialmente)do Ten Fernandes,que depois passou-o para o Ten Americo,um carioca bom de trabalho,que depois foi para a Policia Federal,onde foi delegado,um comigo e outro com o Ten.Rezende,um mineiro,que continuou na PM/DF e chegou a Coronel e chefe do Gabinete Militar,ambos escolhidos a dedo,por se enquadrarem aos nossos principios.Depois vieram outros como o Ten.Kalil paranaense,que também foi para a Federal,o Ten.Barbalho,carioca,que ficou na PM e chegou a Coronel,o Ten.Hugo e o Ten.Casimiro,idem.No meu pelotão eu tinha escolhido para motorista o soldado Carvalho,que já tinha dirigido para mim no Trânsito e tinha como meu sargento um capixaba boa gente,muito bem falante,o Simão Zouain.Todos os soldados aptos e bem treinados,tanto que nunca perdemos uma parada,tinham sido recrutados pela altura,aparencia fisica(todos muito fortes),pela experiencia anterior(por exemplo terem sido da Policia do Exercito,a PE)e era mesmo,então,uma tropa de elite.Quando necessário e o foi inúmeras vezes entravamos em prontidão e ficavam os três pelotões a disposição da ação necessária.Como Brasilia não tinha nada e tinhamos folga de dois dias,nós os tenentes,com autorização do Comando Geral,do Ten.João,também carioca e que o permitia,dobravanos serviço e sempre tinha um viajando,indo a sua terra natal,poe cerca de dez dias e eu aproveitava para ir para as aulas na Faculdade e namorar e passear,ficando na casa dos meus pais,em Vila Isabel,indo ao Maraca,dentre outras programas.Era uma volta a civilização,pois Brasilia nada tinha,a não ser muita poeira,incluindo uns redomoinhos de poeira,que a quem pegavam tornavam vermelhos e forçavam um banho imediato.Com isso fechei 62 também com aproveitamento na Faculdade.Dentre os principais serviços tivemos o de isolar locais de ocorrencias significativas,como uma em obras no Hospital Distrital de Base,no centro e no qual houve um deslizamento de terra,que matou alguns operários,ocasião em que conheci um enfermeiro,magrinho,muito eletrico e educado,que trabalhava no hospital,de nome Ney Matogrosso,que depois tornou-se esse artista famoso,que hoje é;de prevenir invasões em conjuntos habitacionais,o que pela escassêz de residencias em Brasilia era habitual,tendo certa vez em que ficamos quase sessenta dias tendo como quartel/base uma quadra da W-3 Sul,que estava com as casas vazias e sob ameaça de invasões;de retirar invasores;de controlar ações de grevistas,evitando quebra-quebra,isolando os locais e permitindo o acesso de quem não queria fazer greve,como o foi em greves do Banco do Brasil e do Banco de Brasilia;policiar a parada de sete de setembro,fazendo o isolamento de toda a área;policiar os grandes eventos como a então famosa corrida automobilistica noturna de Brasilia,as 24 horas de Brasilia;o evento de eleição da Miss Brasil,ocasião em que conheci de perto em dois anos seguidos a Adalgiza Colombo e a Vera Fischer;mas o dia a dia incluia o fechamento da zona de meretricio.Todos os dias tinhamos de entrar na zona e de esvaziá-la,ou seja mandar fechar todos os bares e moteis,mandando para casa ou para os quartos os frequentadores e as mulheres,para assim evitar brigas,mortes,que anterioremente eram frequentes e objetos de manchetes do Correio Braziliense,único jornal local.A tropa embarcava a meia noite e deslocava-se até a Cidade Livre,onde um grupo de combate,com o sargento frente postava-se na entrada principal,para triagens,quando da saída das pessoas e outro grupo,com o tenente a frente e o carro choque entrava por trás,onde a zona acabava e o era em uma elevação,onde desembarcava-se e corria-se todos os puteiros,que eram identicos,ou seja um bar a frente vendendo bebida alcoolica,em especial,cachaça,com música de eletrolas,sempre músicas de Lindomar Castilho,Altemar Dutra,Nelson Gonçalves,Amado Batista e outras próprias de dor de cotovelo,de puteiro,tendo ao fundo,ao lado do balcão,um corredor onde os quartos se dividiam dos dois lados,até o fundo,onde existiam banheiros,tudo de madeira rústica.Como a GEB tinha fama de violenta,face a um conflito,anterior a minha chegada,em um acampamento da Construtora Camargo Correa,junto ao porte fisico e seriedade do pessoal da SE,era fácil,em termos,o serviço.O comandante da fração chegava ao estabelecimento,a fração de tropa,postava-se a porta,para evitar fugas,o cabo ia a máquina de som e a desligava e concomitantemente o comando dava a ordem padrão,que era para todos os presentes,levantarem-se,encostarem-se a parede próxima,colocando antes em cima da mesa o documento de identificação e aguardarem a checagem do documento.Feito isto,eram analisados os documentos e mandados embora os que estavam legal.Os que não eram liberados,por problema de identificação tinham analisado o caso,amparada essa análise só pelo bom senso e após ou presos e conduzidos ao choque ou liberados.Quem estava armado ou se alterava era preso e conduzido para o choque.Normalmente não levavamos ninguém e ao final da noite,davamos uma lição de moral ou um susto,que consistia em colocar para correr,com alguns tiros para o alto.Também logo já conheciamos a maior parte dos frequentadores e eles não nos enfrentavam,assim como os bares tratavam de fechar um pouco antes da hora de nossa chegada e obedeciam a portaria,que estipulava que a zona devia fechar a meia noite,se não muitos dos frequentadores,saíam sem pagar.Obviamente nós tinhamos um mapa da zona e das casas que lá funcionavam e assim não era dificil a missão.De inicio até que foi,pois inclusive andaram atirando,na escuridão,no carro choque,mas depois ficou fácil e organizado.Também,no inicio,tinhamos problemas com os praças das FFAA,que não queriam obedecer nossas ordens,mas com o apoio dos comandos das mesmas,que os puniam,quando participavamos o fato,chamando o oficial de dia da respectiva Força,mantendo o praça detido até a chegada do mesmo.Com isso também não tivemos mais problemas.No inicio do ano,convidado pelo tenente Fernandes,com quem desenvolveria uma amizade intima,fraterna e mais a frente de parentesco,fui morar com ele,dividindo um pequeno quarto,do lado de fora do quartel,mais encostado nele.Era um quarto,em um alojamento de madeira,que possuía oito quartos,com uma única entrada ao centro da construção,pela qual se adentrava a um corredor que dava de cara com o banheiro coletivo,em que ficavam os vasos sanitarios de um lado e do outro os chuveiros,frios;a direita de quem entrava,ficavam os quartos de números cinco a oito e a esquerda os de um a quatro.Nós moravamos no um,o primeiro ou último de quem entrava e ia para a esquerda.Era um quarto que tinha cerca de três metros de largura,com uma profundidade de quatro/cinco metros.A porta abria para dentro e a esquerda do quarto ficava a primeira cama de solteiro,encostada na parede,que era a do Fernandes,a seguir tinha uma mesinha ocupada por uma vitrola e com os únicos oito discos de 78,que o Fernandes tinha e que eram sete do Nelson Gonçalves e um de Alcides Gerardi,escutados nos finais de semana,direto,pelo Fernandes e em seguida tinha a minha cama.Ao fundo e era o meu refresco no verão,tinha uma janela que dava para o mato de Brasilia.A direita,ficavam os armarios,de solteiro,ou seja pequenos,de duas portas,com prateleiras e gavetas de um lado e espaço para cabides do outro.No meio um pequeno corredor para que se chegasse a cama.Era tudo isso o nosso lar,onde na verdade pouco ficavamos,ou seja uma merda,mas jovens,solteiros e querendo melhorar na vida,tudo era uma festa e não haviam maiores reclamações.O maior complicador na verdade era o calor desesperado no verão,tinhamos uma pequeno ventilador e um frio tremendo no inverno e com banho frio/gelado.O que esquentava um pouco as noites e os finais de semana de Brasilia eram as namoradas,das quais lembro uma telefonista,uma turquinha,a Nerri,conhecida através do Egydio,grande usuario das centrais telefonicas,em ligações com Ivone,fechando os detalhes do casamento,outra de nome Terezinha,também telefonista,nada que ver com a nossa Terezinha,a Vilma,no tempo em que ocupavamos as casas na W3-sul e a mais demorada,uma sobrinha de um colega o Ten.Bichara,uma mineirinha,muito bonita,que incluisve valeu umas duas idas de final de semana a BH,de apelido Bequinha,ainda bem pois o nome dela era Modestina...Madeira
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