terça-feira, 28 de julho de 2009
Externato São José,os esportes
Os irmãos maristas além de terem um excelente ensino davam a maior força para a prática esportiva.A cada semestre eram realizados e de forma muito bem organizada campeonatos internos interclasses,de todos o esportes,por ano de estudo e depois também entre os anos,ou seja de todo o ginásio e do cientifico.Assim,tinhamos atividades de competição em futebol,basquete,voley e atletismo,esportes coletivos e de ping-pong individual,além das peladas no recreio maior,de farda mesmo,o que nos levava,após o mesmo a entrar em sala,para rezar o terço e ter aula de religião,tremendamente suados,empoeirados e elétricos.Também realizavam em cada semestre os jogos maristas,desses esportes,contra o Internato São José,da Usina da Tijuca,onde sempre tomavamos ferro,em todos os esportes,menos basquete(nossos times eram muito bons),pelo simples fato dos jogos serem sempre lá no Internato,pois as instalações eram muito melhores e como internos por terem tempo de treinar e muito as seleções deles,enqunto nós iamos com a cara e a coragem.Para piorar,por exemplo no futebol, nosso campo era de sete contra sete,com árvores no meio e o deles,onde aconteciam as partidas,gramado de onze jogadores.Normalmente tomavamos uma lavada,principalmete no segundo tempo,pelo cansaço.Nossa quadra de basquete e voley era de terra e lá jogavamos em um ginasio.Não davamos vexame,nem faziamos palhaçada,mas era desigual para cacete.Para piorar mais ainda lá eles tinham material de primeira e nós cada um levava seu material,sendo tudo cobrado nos nossos torneios internos,desde aluguel da bola as camisas.Nos jogos maristas ainda no submetiam a ir jogar obedecendo a divisão interna deles,pois lá eles tinham uma divisão interna total das areas de utilização dos alunos(dormitório,refeitório,área de recreio,biblioteca,campos de futebol,áreas de esporte,tudo enfim separado,que eles denominavam de menores(tinham primário lá,o que não tinhamos no Externato),médios(ginásio) e maiores(cientifico),enquanto nós faziamos tudo separado por ano.Quando ainda no quarto ano ginasial,eu já jogava no time principal,correspondente aos maiores deles e lembro que um dos nossos,moleque toda vida,fez uma grande gozação.Foi o Oto,um lourinho,nosso ponta direita,que entrou em campo imitando ter um defeito fisico,que o impedia de correr direito;lançada uma bola para ele,deixou-a escorrer pela lateral,mostrando uma grande dificuldade para andar;ficou um tempo sem receber a bola,até que o lateral esquerdo deles,entendeu que ele seria uma figura decorativa;então lanaçada uma bola para ele livre,desatou a correr,lépido e rápido e fez o gol:foi expulso...Mas foi muito bom para mim também essa parte,pois lá calcei chuteiras pela primeira vez e disputei torneios organizados com juiz,contagem de pontos,premios e sempre com grande torcida,pois todos os alunos eram obrigados a assistir os jogos,daí advindo,para nós que jogavamos uma proeminencia junto a professores e aos colegas,principalmente aqueles que não jogavam,ficando assim "famoso" no colégio.Também ocasionalmente jogavamos com outros colegios,como o Colegio Militar,que era pertinho e o Colégio São Bento,que utilizava o campo do Flamengo,na Gávea,onde joguei,ainda ginasiano,por duas ou tres vezes,isto porque eu era titular da seleção do colégio,de futebol e de voley(antes que perguntem então ainda não existia futebol de salão,que chegou depois ao Brasil),como goleiro,posição que escolhi e na qual,no campo mais me dei bem,como relatarei mais a frente.Em um dos anos do ginásio caí na mesma sala do Fernando Sampaio,colega e excelente goleiro e nesse ano joguei nos torneios interclasses de zagueiro,batendo adoidado,o que alguns anos depois me ajudou,quando fui jogar salão,pela colocação e força que aprendi a utilizar no nosso campinho.Também,jogava de beque em todos o rachas dos recreios.Foi inesquecivel,gostoso,muito bom,foi onde aprendi muito sobre futebol,conjunto, coletivo,sobre manhas,sobre esforço(lá não existia morcego,chupasangue),entrega,sendo que cada rodada era comentada,discutida por todo o colégio,antes dos jogos e depois as atuações dos alunos jogadores.Dentro da sala de aula rodava um jornalzinho"O Marreta" criado pelo Vicente Bozó(apelido),com comentários sobre tudo e em especial sobre os jogos e um outro imenso grande(tenho um exemplar guardado comigo),inspiração de um o nossos craques o Flavio Lage,que rodava as segundas feiras,colorido,só sobre a rodada anterior,com entrevistas,notas para o jogadores,perfeito mesmo.Grandes colegas,qu ainda hoje se encontram no Rio,os que lá fizeram a carreira profissional e que ainda hoje encontram-se mensalmente e com todos nós anualmente.Os irmãos Sampaio,Flavio Lage,os irmãos Teixeira,os irmãos Nogueira,Danilo,Governo,Murilo,Armando,Lopes,Palito,Pedro Paulo,enfim uma pleiade de bons peladeiros e de inteligencias,que nunca esquecerei.Também na parte esportiva,valeu,Externato São José,ensino marcante,com os esportes adicionando valores e com colegas de escol.Madeira
sábado, 18 de julho de 2009
Externato São José,as traquinagens
Bem,fui impossível nesses anos de ginásio.Inteligente,com muita facilidade de aprendizagem,mas ao mesmo tempo muito ativo,intrometido,resoluto,sem medos e um gozador emérito,da mesma forma que aprendia com facilidade e tinha boas notas,à exceção de em trabalhos manuais,desenho e canto,disciplinas complementares,tinha mau conceito disciplinar.O que me salvava é que,como eu conhecia bem o pai que tinha e assim sabia o limite,antes deste eu parava e dava uma mergulhada,evitando as punições máximas de suspensão(em todos os anos que lá estive só tive uma e se eu não tivesse razão teria custado-me uma forte sova) e expulsão.As punições eram de ficar em pé,de castigo,no fundo da sala,de costas para a turma,virado para a parede;escrever linhas,repetitivas sobre a indisciplina,tipo "não devo falar em aula",em quantidade que aumentava conforme o aumento do erro,que era anotado por cada professor em um local próprio na pauta dele e nas quais ,muitas das vezes,nós enrolavamos,comprando linhas já feitas,em excesso,por outro colega e colocando no meio das feitas pelo responsavel;decorar poemas de autores pátrios e declamá-los para a turma(numa das minhas alterações eu tive de decorar e delamar,Y-Juca-Pyrama;ficar após o término da aula só,no pátio,de frente para uma das árvores,segurando a pasta com cadernos,por mais algum tempo,até um máximo de uma hora;ir para a sala do reitor o que poderia valer uma anotação na caderneta para o pai,o que seria uma advertencia e que repetida mais duas vezes valeria uma suspensão de três dias,sendo que estas tinham de ter na caderneta o ciente do pai.Como elas eram mensais e depois prescreviam,salvo se gravíssimas,quando iam direto para a caderneta,eu tratava de aliviar e me conter quando chegava o meio do mês e eu já estava meio complicado na disciplina.O que que eu arrumava?Eu nunca perdi a ocasião da gozação,da piadinha e a praticava e pratico até hoje,falando ou comportando-me na hora indevida.Outra mania minha,até hoje,é não ficar quieto perante injustiças e mentiras,o que valeu-me até sair da Federal,já burro velho.Nas primeiras as mais comuns foram,por exemplo,colar papéis nas costas de colegas mais babacas,tipo "dê-me um tapa" ou "chute-me na bunda";colocar rabiolas de papel penduradas nas calças da farda;tascar giz ou bolinhas de papel na cabeça dos outros(sempre sentei por ser dos mais altos então nas últimas carteiras);fazer bolinhas de papel mastigá-las e jogá-las com força no teto da sala,que passado algum tempo,após secaren caiam na cabeça de alguém;idem com giletes partidas ao meio,que lá ficavam até o final do ano quando o colégio era limpo para o ano seguinte;escrever,nos intervalos qualquer porcaria no quadro então negro,tal como desenhar o famoso "moita",aqueles olhinhos e mãos atrás de um muro;e o mais grave,soltar a cortina de lona enrolada que protegia a sala do sol e que ao desenrolar-se e cair fazia um barulho terrível,interrompendo a aula;trancar colega no banheiro na hora do recreio;jogar papel higienico molhado no colega dentro do banheiro cagando.enfim todas as molecagens possíveis e criativas.Tive poucas brigas de sair na mão com colegas no colégio(a maioria tive na rua onde morava),só alguns arranca-rabos nos torneios de futebol ou com neguinho que fazia merda e se escondia covardemente,deixando outro ser punido.Das grandes cagadas ressalto duas marcantes:uma quando,acho que na terceira série,nossa sala de aula dava para a horta e o galinheiro da residencia dos irmãos e em determinado intervalo,pulei a janela,capturei uma galinha,levei-a para a sala,com o bico preso e durante o terço a liberei,foi uma merda e castigo após a hora da saída;outra quando amarrei um irmão professor na cadeira dele,pois eles tinham na batina um cordão que amarrava a mesma a cintura,ia até os pés e terminava com um enfeite a ponta,a minha sorte é que era uma irmão gozador que não ficou puto e quebrou meu galho com um esporro alegre.Outra babaquice ocorreu nas aulas de francês,para azar do irmão professor,uma das leituras referia-se a um certo senhor Bousset e deste nome surgiu um dialogo cretino criado pelos alunos e que era o seguinte:imaginava-se que chegava uma visita na casa do referido senhor e ao ser atendido na porta por um empregado do mesmo dava-se a conversação:"o senhor Bousset tá?"Não o senhor Bousset não está.E os filhos do senhor Bousset tão?O senhor Bousset não tem filhos.Ah,eu pensei que o senhor Bousset tinha...Outra era qualquer leitura na lingua francesa que aparecesse a palavra cou(pescoço),que era motivo de inúmeras piadinhas...Uma das minhas colocadas para fora de aula foi em uma classe de latim.Eu estava distraído e o irmão professor o vendo,perguntou-me de repente:Theotonio declina caput no plural:eu que sabia que era palavra neutra e que assim o plural era feito com a no final,levantei e lancei,crente que estava abafando:caputa,caputa e era capita(cabeça)e o resultado foi,além de muita risada,eu fora de sala,pela palhaçada e o pior é que não o foi,foi de distração e não de sacanagem...Aos domingos tinha a missa obrigatória,após a qual recebia-se a caderneta com a nota disciplinar e as presenças e na missa do primeiro domingo do mês o boletim mensal com as notas do mês e havia um rodizio de alunos servindo de coroínha(auxiliar do padre na missa) e apenas uma vez me escalaram,depois nunca mais,pois fiz tudo errado(toquei as sinetas na hora errada,não toquei,esqueci de pegar os bagulhos que tinha de levar para o padre,levando a loucura o colega do outro lado e o padre)e é lógico de sacanagem,para não ter de ir de novo.As do segundo tipo foram algumas poucas vezes com professores,uma das quais valeu a única suspensão,que para a sorte de minha incolumidade física,foi aceita por meu pai,que ainda foi ao colégio e discutiu com o reitor.Existia nos maristas o mau costume,assim entendo,de quando havia uma indisciplina e o professor não descobria o responsável ou este não se acusava,de punir toda a turma e eu nunca aceitei e levantava e engrossava com o mestre e depois lá fora brigava com o covarde que não se acusava,pois eu nunca me escondi,fugi a responsabilidade pelos meus erros.Assim,logo no admissão começou essa minha saga e alguém atirou uma bolinha de papel em algum aluno que sentava na primeira fila e caiu junto ao professor que de costas para a turma escrevia no quadro.Este virou-se e perguntou quem fora e ninguém se acusou.Daí veio a ordem de a turma toda ficar após a hora da saída de castigo.Levantei na hora e reclamei e disse que eu não ficaria e daí sala do reitor,o que se repetiu mais umas duas vezes,em outras séries,até vir a suspensão não aceita por mim,nem por meu pai.Esta forma de ser vigora até hoje para mim:injustiça,não...Com essas posições,companheirismo,não fugindo as responsabilidades e mais os esportes,em especial o futebol,pois sempre fui das seleções do colégio,acabei sendo conhecido e admirado por muitos alunos,especialmente de séries abaixo,de quem inclusive virei protetor contra os trotes babacas da época(jogar talco,apertar casca de tangerina nos olhos,outros).Madeira
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Externato São José,o ensino
O ensino marista é modelo no País e tem razão de o ser.Fiz um ginásio,que agora tenho certeza do mais alto nível,com diversidade didática,cobrança dos conhecimentos passados,seriedade,disciplina.Professores,irmãos maristas na maioria,(eu tive apenas um professor leigo,de História,prof.Tarlé)muito bem preparados,sendo especialistas em alguma disciplina,rodando as salas,conforme horário de aulas e tendo cada turma um irmão titular,que era o responsável final pela disciplina,pelas aulas de religião e pela turma nas formaturas,nas missas,nas quermesses(eram comuns e se davam para arrecadar fundos,consistindo em barraquinhas de comidas,doadas pelas familia e de jogos juvenis diversos).Não esqueçamos que era um colégio apenas de meninos,não sendo meninas bem-vindas,em momento algum.Aliás arrecadar fundos era uma especialidade católica,sendo tudo alugado,cobrado,desde a bolinha e as redes do pingpong aos uniformes para os torneios de futebol,basquete,voley,outros.Algumas coisas foram aprendidas por decoreba,hoje tão condenadas,mas que para essas,somente dessa forma,como,por exemplo,a tabuada,que até hoje sei toda e vejo que os jovens atualmente não sabem.Havia as famosas e gostosas "batalhas",que consistiam em ser dado um tema para ser estudado,em qualquer disciplina,e no dia da aula,dividia-se a turma em dois grupos iguais,através de sorteio,que ficavam em pé,nas laterais da sala e então,sorteava-se,qual grupo ia fazer a primeira pergunta.Preparado o ambiente da batalha,cada equipe tendo um lider escolhido,sempre o mais cobra na disciplina,resolvido quem ia atirar primeiro,começava.Obviamente,ia se escolhendo,para fazer as perguntas,os alunos que não queriam nada,com notas ruins e para fazê-la,os melhores,a partir do capitão.Feita a pergunta,sendo o mediador o professor,que aproveitava ia dando pontos pelos acertos,se o perguntado acertava era dele a próxima pergunta ao grupo adverso.Se não soubesse ou errasse estava morto e sentava-se.Ganhava a batalha e pontos o grupo que ficasse com mais guerreiros em pé ao final do tempo de aula ou quando um grupo dizimasse todos os inimigos.Era sensacional,divertido,aprendia-se,enfim um show.As aulas de religião,únicas diárias,eram um saco,antecedidas pela reza do terço e logo após o recreio maior,de trinta minutos,onde jogava-se grandes peladas,de todos os esportes.Vejam bem,que loucura,você todo suado,cansado,cheio de poeira,voltar para a sala e rezar um terço inteiro,sendo o primeiro e o último mistérios de pé...Só em colégio católico...Após,emendando,aula de cinquenta minutos de religião católica,eivada de ameaças de fogo do inferno,com um baita enumeração de pecados mortais e veniais.Este era a única coisa negativa no ensino marista,que levei na flauta,ou seja,cagando e andando,porque não acreditava em nada do que eles ensinavam sobre Deus,mas mesmo assim valeu porque aprendi muita coisa sobre história antiga e sobre Jesus Cristo.Mas,por justiça devo agradecer todo o ensino marista,que deu-me uma base incrível,principalmente nas disciplinas sócio-humanísticas,área onde identifiquei-me e segui,pois fiz clássico,conseguindo passar em vestibulares,concursos,a ter uma boa redação e conhecimento geral.Sempre fiquei nas turmas entre o quarto/oitavo lugar sobre quarenta alunos,não sendo melhor,por ser dizimado,ficar sempre com cinco,só para passar,nas disciplinas complementares de canto(desafinava e não conseguia distinguir os sons no diapasão),trabalhos manuais(colava ou serrava tudo torto) e desenho(marcava as folhas seguintes por não conseguir desenhar de leve).Foi muito bom,de muito valor,uma escola especial.Alguns irmãos marcaram-me,como professores,como Fidelis,baixinho,cabeçudo,sabia tudo de matemática,Demetrio,de ciências,Ruperto,Fabiano,meu fã no futebol e Renato,meu primeiro professor titular no admissão e no primeiro ano ginasial.Madeira
sábado, 11 de julho de 2009
Externato São José,o meu ginásio(lay-out)
De 1951 a 1956,do admissão ao ginásio,seis anos de ensino marista,de qualidade impar,de disciplina e aprendizagem,de muito esporte e de desenvolvimento físico,cultural,com muitas amizades que deixaram marcas.Instalações excelentes,em um amplo terreno,à rua Barão de Mesquita,próximo a praça Saens Peña,com o Colégio Militar mais a frente na esquina com a São Francisco Xavier e daí ao estadio do Maracanã,um pulo.A entrada do colégio já impressionava com portões de grade de ferro pesados,um amplo e claro pátio,com estátuas,à esquerda do fundador dos Maristas e a direita de São José e em frente uma porta de madeira de lei,gigantesca,toda trabalhada,que dava ao prédio uma aparencia de nobreza,que ele na verdade tinha.A partir daí encontrava-se uma construção clara,de dois andares,com um pátio interno quadrado,grande,descoberto e de areia no centro,que só tinha por finalidade dar um espaço de ventilação e amplitude,pois o que existia eram a salas de aula,em torno dessa abertura,com um piso de ladrilho sóbrio,muito bonito.A direita da entrada estava a sala mais temida,a do reitor,que era o diretor,o responsável pela disciplina,a quem cabia a aplicação das penalidades de suspensão e expulsão.A esquerda estava a secretaria,para pagamentos,retirada e entrega de documento em geral.Nos cantos esse quadrado estavam as escadas para as salas de aula do segundo andar.Nas laterais as salas do terréo,que eram dos menores,para evitar as escadas,do admissão,em especial.O ensino Marista era referencia e ainda é e tinha fila para matrícula,tendo durante os anos cinquenta e seguintes sempre três e até quatro turmas de cada série,separadas por letras,ou seja A,B,C e D e om o alunos colocados por ordem de número de matricula e após em ordem alfabética e assim quase todos os anos que lá estudei os colegas da série foram os mesmos,mas os de sala mudaram.Bem,do lado de fora nas laterais das salas,existiam quadras de basquete e volei e muitas árvores,mas na realidade eram espaços para claridade e ventilação das salas.Já ao fim desse quadrado gigante,que não era fechado,abria-se a área do recreio e que era concomitantemente o nosso campo de futebol.Lá faziamos ginástica,denominada "calistenica",três vezes por semana e disputavamos,ao domingos,pela manhã,após a missa,os campeonatos inter-classes,por série,com oito jogadores em cada time,um torneio por semestre.Era um campo de terra batida,com oito imensas e frondosas árvores,alinhadas perfeitamente,quatro de um lado e quatro de outro,a cerca de cinco metros das laterais.Mantendo-se a descrição reta,a partir da entrada principal,depois do campo tinhamos um espaço coberto,grande,comprido,no tamanho do campo,mais ou menos,uns sessenta metros,onde ao fundo ficavam os banheiros e a frente várias mesas de ping-pong.Do lado esquerdo dessa área coberta,onde ficavamos quando chovia,ficava a cantina,que eu não frequentava,por trazer minha suculenta merenda da padaria Lais.Atrás dos gols tinhamos a direita,a igreja,grande,onde cabiam todos os alunos nas missas de domingo,obrigatórias e que,após as mesmas era o momento de receber as cadernetas com as presenças e notas de disciplina de cada semana e no fim do mês,junto,o boletim com as notas mensais.A esquerda era o acesso a uma das áreas proibidas aos alunos,o refeitório e os quartos dos irmãos professores,à exceção de em um dos cantos,o esquerdo do laboratório de ciências.Entre esta construção e a cantina existia uma passagem para chegar-se a quadra de basquete e volei e uma área de atletismo,com pista para corrida e caixa de saltos em altura e distância utilizados nas competições internas e no treinamento das seleções do colégio,pois disputavamos tudo que era torneio estudantil.As salas eram amplas para quarenta alunos,com carteira de dois lugares,janelões grandes,com cortinas de lona grossa,para proteção do sol,levantadas por meio de cordas que as enrolavam e a lousa ao lado da porta,o que tornava impossível qualquer fuga para matar aula ou saída não autorizada.A frente da lousa,que cobria toda extensão da parede,tinha um grande tablado,onde circulava o professor e de subida proibida aos alunos,no meio do qual estava a mesa do mestre.As carteiras duplas onde sentavam-se os alunos eram definidas,no primeiro dia de aula do ano,pela altura,ficando os mais altos no fundo da classe e como a entrada em sala era feita em forma,com o mais altos a frente,que quando tocava o segundo sinal,entravam e dirigiam-se aos seus lugares,sem tumultos.Após todos sentarem-se é que o professor que ficava na porta esperando todos entrarem e sentarem,assomava a porta,quando todos tinham de levantar-se,aguardando o mestre subir ao tablado e autorizar que nós nos sentassemos.Esta é a descrição física do colégio e de parte de sua rotina.Madeira
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Puberdade e adolescencia,segundo ciclo
O retorno de Portugal,com a reinstalação no sobrado,que ficara sob o cuidados de Sidonio,já formado,tenente do Exército brasileiro,servindo em um das mais importantes unidades,o glorioso Regimento Sampaio,na Vila Militar,marcou o reinicio dos estudos e o principio de uma liberdade vigiada,para mim.Vejam que educação esmerada,com príncipios claros,limites idem,conhecimento do mundo aos poucos.Buscando sempre o melhor ensino do Rio e próximo de casa,meu pai encaminhou-me para o Externato São José,dos Irmãos Maristas,à rua Barão de Mesquita,bem perto lá de casa,cerca de dois quilometros,sendo plausivel ir a pé ou pegar um bonde,ao fim da rua Antonio Basilio,na esquina com a Pinto de Figueiredo com a Barão de Mesquita.Era coisa de minutos chegar lá,a pé,quinze e de bonde cinco,se tanto.Lá após um teste de português e matemática,tirado de letra,fui matriculado,em 1951,no admissão,uma série intermediária que existia entre o primário e o ginasial,estes ambos de quatro anos de duração,já sendo assim,naquela época de nove anos o ciclo fundamental do ensino brasileiro.Em casa tudo continuava na mesma,agora reforçado para meu gaudio com a presença mais constante de meu irmão,que salvo quando estava de serviço ou em manobras,dividia o quarto comigo e os programas que eram coerentes com a minha idade.Amigo incondicional,conversava direto comigo,tirava todas as dúvidas própria da puberdade,com seus primeiros pelos e apelos do sexo.Eu lia os livros dele,as obras de nomeados autores portugueses,brasileiros e estrangeiros,do quais lembro-me bem de um livro que li e reli inúmeras vezes pela descrição picante das relações amorosas dos personagens intitulado"O crime do Padre Amaro",de Eça de Queiróz e outro complicadíssimo,que quase fundiu minha cabeça,de Dostowesky,intitulado,"a loura dolicocéfala",alem de ter lido de cabo a rabo,"os Lusíadas" do grande Luis Vaz de Camões,isso sem citar todos os demais livros,centenas,que faziam parte da biblioteca particular de meu pai,esta só de livros de autores lusos,como Almeida Garrett,Alexandre Herculano,Manuel Maria Barbosa du Bocage,Padre Antonio Vieira,os já citados Eça e Camões e de Sidonio,esta eclética,com autores como José de Alencar,Gonçalves Dias,Castro Alves,Olavo Bilac,Machado de Assis,Euclides da Cunha,Jorge Amado e com grande parte deles de guerras e de grandes guerreiros,como Napoleão,Duque de Caxias,outros.Eu de minha parte,além dos livros ganhos na infância tinha todos os escritos de Monteiro Lobato,meu guru de histórias infanto-juvenís.Então era colégio pela manhã,estudo e leitura a tarde,com umas saidinhas para bater uma bola,com uma turma de meninos vizinhos,a noite papo com eles na esquina da padaria,andar de bicicleta nas proximidades de casa,uma Monark azul,grande,de freio contra-pedal,na qual eu aprontava muito,com grande equilibrio e habilidade,ganhando corridas no bairro,equilibrando-me nela,sem as mãos,ficando em pé nela,dando finos,com apenas um acidente,quando quase caí no rio Maracanã e me arranhei todo e com uma ocorrencia policial,pois eu tinha mania de pegar carona nos bondes e onibus,pendurando-me neles de bicicleta,sendo puxado por uma das mãos e em uma dessas ocasiões fui detido por uma radio-patrulha e levado para a casa,onde por sorte minha quem nos recebeu foi Sidonio,que escutou a história e conversou comigo,nada falando com o pai,se não seria uma baita surra,pela vergonha de ter-me envolvido com a policia;também fiz uma áfrica,em ter certa ocasião,já mais taludo,ter feito,junto com três colegas a volta do Rio de bicicleta,o que durou praticamente todo o dia,tendo subido,puxado por um bonde até o Alto da Boa Vista,descido pelo Joá e voltado pela Zona Sul e Centro, até em casa e,por fim,aos domingos o almoço com meu avô Madeira e após o Maracanã. Interessante foi como aprendi a andar de bicicleta,tendo como professor meu pai,que deu-me a bicicleta,mandou-me montar nela,segurar o guidon,após o impulso inicial,no caso dado por um empurrão dele e olhar para frente sempre,nunca para o chão ou para as rodas,que eu não cairia,pois a bicicleta andando manteria meu equilibrio e para parar seria só freiar e quando ela estivesse parando colocar os pés no chão e assim foi ele empurrou-me,pedalei,dando velocidade e não caí.Não sei onde ele aprendeu isso,mas funcionou.Eu não era brigão,mas me meti em algumas brigas,sempre indigestas e nas quais acabei apanhando.Uma foi na casa de meu avô,quando instigado por um sobrinho dele,o Zeca,saí para brigar com um cara maior do que eu e mais velho,de nome Leopoldo e levei um cacete,para aprender que tamanho é documento.Em outra lá em um campinho da turma da José Higino,em uma pelada,comprei briga com um criolo forte,baixo,mas atarracado,de apelido Boneco e foi foda:dei minhas porradas,mas apanhei bastante...Madeira
terça-feira, 7 de julho de 2009
Argeriz/Valpaços/Trás-os-Montes/Portugal(ciclo intermediário)
Por acaso justamente ao fim da infância e inicio da puberdade,ao dez anos,foi trocada toda a minha forma de viver,pois fomos,meus pais e eu,morar um ano,1950,em Portugal,em uma remota aldeia,Argeriz,relativamente próximo da fronteira com a Espanha.Lá,meu pai tinha uma quinta,uma propriedade rural,com uma bela casa,muitas árvores frutíferas,macieiras,pereiras,videiras,castanheiras,oliveiras,outras,bem como plantações de trigo,batata,centeio,outras e algum gado,tanto bovino,como caprino e suíno,além de local para fazer o vinho e o azeite,os denominados "lagar".A casa era composta de uma ampla cozinha e local de refeições,com uma gostosa lareira,que servia de fogão e também de fonte de luz e calor e em seguida tinha uma imensa sala de visitas e de jantar,mobiliada para tanto,com uma pequena varanda,da qual se via a parte da frente da propriedade.A partir da sala,entrando a esquerda existiam os dois quartos,todos imensos,com móveis pesados,antigos,tendo no do meu pai um cofre,onde ele guardava os passaportes e dinheiro.No corredor de acesso aos quartos havia uma escada de acesso a um mirante,que também era um quartinho,com uma cama de solteiro,arrumado,no qual eu gostava de dormir.Era costume nas casas antigas ter esse mirante,para ver se ao longe a chegada de mensageiros e de fato neste caso viamos até muito longe a estrada poeirenta,ainda de terra batida,que ligava Argeriz a Valpaçoes,sede do municipio.Em baixo da casa havia um porão,imenso,onde no inverno,que era muito frio,recolhiam-se os animais e ao lado um deposito,onde guardavam-se os pequenos barris de vinho,de azeite,em outros vasilhames diversos os frutos e pendurado uvas,presuntos,salsichões,tudo objeto das safras e preservado pelo frio do local,até a futura safra.Saindo da casa,pela lateral,próximo a escada,havia a saída para o quintal,com figueiras e a casinha,local para urinar e defecar,pois no interior não existia banheiro,pois não tinha água corrente,sendo toda a água carregada de uma fonte existente a frente da mesma.Na retrete(o cagador)frio de doer,após obrar e limpar,jogava-se um tipo de cal,para corroer as fezes.No inverno era terrível sair de perto da lareira,quentinho e ir lá fora.Bem,nesse ano,extraoficialmente,frequentei,o colégio local,como ouvinte,pois o meu pai era amigo do professor,de nome Martins e conseguiu com ele que eu assitisse as aulas,que eram classes,agrupadas de alunos,só homens,sem ideia de ano e que ensinava,apenas aritmética,lingua portuguesa,história,geografia e ciências.A escola funcionava na casa do professor,sendo acessada pela entrada da casa,passando-se pela varanda e indo reto para uma pequena sala,com cadeiras e mesas comuns,cerca de 15/20,com um quadro negro ao fundo.A direita da varanda então ficava a morada do professor Martins.Eu já sabia de tudo e ficava quieto,só observando e fazendo os deveres.Fora isso,muita molecagem,trepando em todas as árvores,no telhado do paiol,que ficava a uns cinquenta metros da casa e de lá pulando em cima da palha do trigo,Também fazia incursões pelo campo,observando tudo,experimentando frutos,vendo os costumes lusos,andando de carro de boi, trabalhando ou melhor atrapalhando os que trabalhavam,isto quando não viajava com meus pais,para conhecer algum parente ou lugar de Portugal.Na propriedade,como em toda Argeriz,não havia água encanada,nem luz eletrica,sendo esta substituida por grandes candeeiros e aquela carregada em pesados cântaros.Assim,as noites eram frias e escuras,só sendo bom perto da lareira,na cozinha,comendo frutas,presuntos,pão caseiro,castanhas e papeando,com meu pai contando histórias de sua vida, principalmente de quando criança.Foi um ano,mais solto,ainda que no limites da quinta,onde aprendi muito de outra forma de viver,a do interior e na Pátria-Mãe.Madeira
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Máximas de Seu Dias,filosofo luso,meu pai
Meu pai,depois é que concluí,era um coração enorme,que ajudava todo mundo e um tremendo gozador.Colocava apelido em todo mundo,obviamente só para consumo interno,ou seja entre nós,que ele os usava.Também tinha uma de série palavras ou frases,criadas,que me marcaram e vamos aqui imortalizá-las:"até o talo",a pessoa estava totalmente comprometida,envolvida com algo;"quem tem cu apertado não faz trato com pica grossa",não assumir compromisso maior que as suas possibilidades de o cumprir;"para vencer em qualquer coisa tem de ter apetite",uma variável de qualquer vitória prescinde de 95% de transpiração e 5% de inspiração;"pai não é amigo,é pai",mostrando a diferença entre educar e ser compassivo,ser bonzinho,não impor os limites indipensáveis a formação de uma criança;"filhos não podem ser em maior quantidade do que as mãos e os ouvidos",declarando que os filhos devem ter a atenção e os cuidados dos pais e sendo em maior número que as mãos,como conduzí-los e que os ouvidos como escutá-los;"como diz o outro",para contar algo de origem popular;"cacuí",que era dito quando determinado assunto não o interessava ou o resultado do mesmo não lhe importava;"quem muito abaixa,aparece as calçinhas",informando que perdoar sempre,ceder sempre,tinha como resultado o abuso,a repetição do fatos;"eu não sou burro",quando não entendia algo e resolvia que devia aprendê-la;"pedir soda",significando que a pessoa queria desistir de alguma empreitada;"temos uma boca e duas orelhas",significando que temos de ouvir mais do que falar;"quem fala demais,dá bom dia a cavalo",mesma idéia da anterior,ou seja falar menos e escutar mais;"pobreza é sempre de conhecimento,nunca financeira",essa o Lula deveria escutar e pensar,indicando que para se crescer financeiramente,o melhor caminho é o estudo,a aprendizagem;"ler a bonadicha",que é chamar a atenção de alguém,dar um esporro,corrigir alguém;"ele come sardinha e arrota caviar",que significa que a pessoa está contando vantagem;"mijar fora do pinico",querendo dizer que a pessoa estava fazendo algo errado,algo que não deveria fazer ou fazendo de forma errada;"um dia você vai entender",sinalizando que só a vivência,muitas vezes,nos faz compreender aas coisas que ocorrem ao nosso redor;"quem não tem competencia não se estabelece",significando que só se deve entrar em uma empreitada com conhecimento total de como a mesma funciona;"fazer cortezia com o chapéu dos outros",querendo dizer que muitas vezes as pessoas fazem favores ou os prometem,confiando em terceiros e não em sua capacidade;"arreganhar os dentes",quando uma pessoa ria a toa,se abria para outra;"azedar o sangue",quando alguém demonstrava ódio por outra ou por uma situação;"não aguenta um gato morto pelo rabo",para dizer que a pessoa achava que faria coisas,qe na realidade não conseguiria fazer por incompetencia/fraqueza;"não tem onde cair morto",significando que a pessoa não tinha condições financeiras;"farinha pouca,meu feijão primeiro",significando que primeiro devemos cuidar dos nossos interesses e depois dos dos outros.Quando eu apresentei Terezinha a ele,tempos depois soltou mais uma das dele:"ela é magrinha,mas é forte que nem um cavalo",dizendo algo que depois seria comprovado no todo,que Te apesar de aparentemente frágil era muito forte e corajosa.Essas são as que me lembro agora.Quanto aos apelidos ele era impagável,pois batia os olhos e comparava a pessoa a alguma coisa ou marcava uma caracteristica física da mesma,advindo daí os apelidos para referencia dele.Assim,todo os meus tios tinham apelido,apenas entre nós conhecidos.Tio Ari era o "perna fina",por motivo óbvio;a esposa dele,tia Santese era a "Mineira",porque era nascida em Ubá/MG;o tio Abel era o "colete",pois sempre estava com um vestido;o tio Manduca era o "macumbeiro",pois tinha um altar repleto de orixás,nos fundos da casa;um primo de minha mãe,baixinho e gordinho,de nome Antonio,era o"batoque",nome,em Portugal,de pequenas e redondas,pipas de vinho;outro primo,o José,irmão do Antonio,tinha um dedo da mão defeituoso e assim era o Zé Dedão";um amigo que era tremendamente devagar,o João Silva,era o "João Mole";outro o Joaquim era o "João da Matta",nome da rua onde ele morava.Cachorro magro,de rua era chamado por ele de "carestia".Esse era o meu pai,sério,nas coisas sérias e um tremendo gozador naquilo que cabia.Madeira
Relações filiais e interpessoais na infância
Minha relação com meus pais e o foi durante toda a vida deles foi de um grande respeito,consideração.Nunca tive a ousadia de julgá-los ou menosprezá-los,pois quem era eu perante aqueles que me geraram,criaram,aparelharam para uma existência?Era um pequeno fruto,que se eles tinham obrigações por terem trazido a vida,tinha eu muito mais,tanto pela mesma razão,como por terem me conduzido até o momento da decolagem para o mundo,para o exercício do meu livre-arbitrio.Gratidão,eis,para mim,a palavra chave na relação pais e filhos e não é apenas pelo amor,mas também pelo discernimento do papel deles na criação dos filhos.Isso eu entendi,desde do meus primeiros raciocinios.Eles me geraram,deram-me condições de crescer,aprender, dedicaram-se a mim,enfim,nada mais custoso e amoroso que ser pai.Eu os admirava.Tinha um pai responsável,presente,sério,de poucas,mas muito sábias palavras, que me educou pelo exemplo,com firmeza,com autoridade,que infelizmente eu não consegui reproduzir,quando fui pai.Ele,ainda que com pouca erudição,possuía uma grande e sabia cultura,tendo me ensinado de tudo que era necessário,desde a tomar banho("abre o chuveiro,molha-te,fecha o chuveiro,ensaboa o corpo,abre o chuveiro e tira o sabão e antes de se enxugar com a toalha,passa a mão no corpo e tira o excesso de água"),lavar sempre as mãos ao chegar da rua,antes e depois das refeições,a me vestir,limpar os sapatos,lavar as peças intimas,arrumar a cama,logo que levantar,antes mesmo de ir escovar os dentes e lavar o rosto,enfim tive uma educação que me permitiu sempre não dar gafes nas visitas e que me ajudou no resto da vida,principalmente na adolescencia...Nunca cheguei perto dele sem pedir a benção, beijar a mão direita dele e receber um sonoro "Deus te abençoe. Abraços,outros beijos,não,ele era meu pai.Após adulto entendi,melhor ainda,essa educação dura,mas correta e entendi,porque ele muitas vezes disse-me:"Não quero ser teu amigo,quero ser teu pai",ou seja,não te darei a cumplicidade do amigo e sim o exemplo,a correção do pai.Após a infância,já conversava mais comigo,sempre orientando-me e dando exemplos de fatos presenciados,vividos por ele e após adulto eramos um papo só,então de dois amigos,mas sempre com um mais experiente,indicando o melhor caminho,e não mais educando.No entanto nunca deixei de pedir a benção,beijando a destra dele.Com minha mãe já era mais escrachado,fazendo minhas artes e fugindo dela,até vir a célebre frase,que me paralisava:"vou contar para o teu pai".A benção também era pedida,mas também minha mãe não era de afagos.Para a modernidade eu deveria ter grandes problemas psicologicos,criado sózinho,em um casarão,com rigor...De minha parte eu buscava cumprir todas as minhas obrigações de filho e da casa,como manter meu quarto perfeitamente arrumado,limpo,varrido,cama feita e estudos em dia.Portanto tudo perfeito,uma infância tranquila,com uma educação nota dez.Com meu irmão,nas férias dele,aquela relação super fraterna,protetora,amiga,confidente,de saídas,de papos,equilibradíssima.O irmão.Já com o avô materno,que me deixou como legado o nome de guerra,Madeira,os tios,funcionava tudo também na base do respeito,da distância, pedindo a benção,com beija-mão,sem intrometimento nas conversas de adultos.Com os primos,brincadeiras,de pegar,bola de gude,esconder,enfim criancices.Nas malditas visitas,o caos,tanto recebendo,como fazendo,pela necessidade,obrigatória,de não se sujar,de não correr,de ficar comportado,se não era,ao final das mesmas contemplado,com fortes cascudos ou até uma bela surra,sendo dificil saber o que era mais doloroso,se a mão ou o cinto de meu pai.Assim,o jeito era obedecer,o que eu fazia e não me deixou nenhum trauma,como os atuais mestres da educação apregoam.No entanto nunca fui espancado,eram apenas umas cintadas ou cascudos,apenas para que eu não esquecesse de obedecer sempre.Madeira
sábado, 4 de julho de 2009
Os demais familiares,parentes e amigos
Na infância já existia o costume de aos domingos almoçar toda a família na casa de meu avô materno,Antonio Madeira.Português,baixinho,gordo,viúvo(não conheci minha avó materna)era bonachão,pacifico,amigo,conciliador,tudo que desejava era paz e amor e aos domingos reunia todos os filhos,filhas e conjuges em sua casa,próxima a Praça Saens Peña,à rua Conselheiro Zenha 82,para um suculento almoço.A casa era imensa com cinco quartos e nela moravam três dos filhos,com conjuges e netos.Completando a casa tinha uma sala de costuras,uma despensa,para a guarda de mantimentos,um banheiro gigante,como todos os comodos e uma cozinha,com fogão a lenha.Alem disso tinha um baita quintal e um conjunto de três quartos aos fundos onde moravam dois sobrinhos dele solteirões.Fora ficava ainda a lavanderia,com uma grande tanque,uma horta, galinheiro e um deposito,além de um cantinho com um altar de umbanda de um tio meu,o Manduca.Para meu gaudio tinha porão,alto,escuro,que eu sempre explorava,saindo imundo de lá.Era um belo casarão.Lá reuniam-se,ao meio dia pontualmente,eu,meus pais,os tios que lá residia:meu tio Abel,português,dono de uma armazem,à época chamado de "casa de secos e molhados",o Armazem Combate,à rua Carlos de Vasconcelos,esquina com Alzira Brandão(vascaíno roxo,sócio de carteirinha,que não perdia um jogo de Vasco),com a esposa,tia Adir(ela irmã de minha mãe e minha madrinha de batismo)e os três filhos,todos meninos(Paulo Cesar,Afonso Celso e José Eduardo);o meu tio Arthur,irmão de minha mãe,meu padrinho,viúvo,dono de um loja de ferragens,também na Tijuca,fluminense doente,associado,que foi quem me induziu,junto com meu irmão a ser tricolor;minha tia Herminia,gordíssima,um doce de pessoa, bondosa, tranquila,irmã de minha mãe,casada com o tio Manduca,um figuraço,macumbeiro de primeira,não fazia porra nenhuma,vivia caçando gambá e outros bichos do mato,no morro da Babilonia,que ficava pertinho,à rua Almirante Crochane,atrás da fábrica de bebidas Antartica Paulista e que criavam,apesar de morarem juntos,o filho de meu tio Arthur,o Arnaldo,que era hidrocéfalo(fruto de uma parto mal feito,que feriu a cabeça dele e matou a mãe,tia Maria Luiza,que não conheci)que andava em um carrinho de madeira,de rodas de rolimã,pois a cabeçona não permitia que ele ficasse em pé e andasse(depois quando adulto aprendeu a equilibrar a cabeça e a andar,formando-se inclusive em técnico de contabilidade).A essa fauna juntavam-se os não residentes lá,além de nós,meu tio Ari,irmão de minha mãe,gerente geral da maior loja de artigos do lar do Rio,a casa Oliveira Leite,a maior e mais chique loja de utensilios domésticos do Rio,situada no centro do Rio,com a esposa Santese,que não tinham filhos.Este tinha volta e meia um conflito com meu pai,pois cismava de querer gozar os portugueses,mesmo sendo filho de um,e meu pai ficava muito puto e discutia com ele.Certa vez ocorreu algo mais grave,que não recordo qual o motivo e sei que meu pai correu atrás dele para agredí-lo e ele correu em volta da mesa de refeições,gritando por socorro.Foi vexamoso e conseguimos segurar meu pai,que ficou um tempo sem ir lá almoçar.Em um domingo de Carnaval quando iamos,como sempre de bonde para almoçar lá,eu e meu pai nos envolvemos em uma baita briga no bonde 66,o Usina da Tijuca.Oocrreu que o bonde estava cheio de foliões,fantasiados ou não,que mexiam com todo mundo.Minha mãe sentou na beirada do banco,próximo aos degraus de acesso e eu do lado dela e meu pai foi no estribo,em pé,como era de costume.Alguém mexeu com ela,acho que passou a mão nas pernas dela,em uma parada na praça Saens Pena e ela reclamou e meu pai sentou um murro no cara que começou a sangrar.Nesse momento,eu com meus quatorze/quinze anos,fui descer para ajudá-lo e vi um cara vindo para cima e segurei-me nos balaústres e dei com os dois pés no peito do cara,que caiu longe.Nessa altura deu-se a maior confusão e nós,eu e ele,tratamos de nos evadir face ao sangue existente nos caras.Fugimos por lados diferentes e nos encontramos depois,inclusive com a mãe,na casa do avô Madeira.Nunca sabemos o que mais aconteceu.Em Petropolis residia um tio de minha esposa,aposentado,viúvo,que morava em um hotel,no centro da cidade,o Tio Aires,que uma vez por mês visitavamos,indo e voltando de trem,uma viagem linda,pela serra acima;lá almoçavamos com ele,andavamos a pé pelo centro de Petropolis,tomavamos um café e voltavamos.Era muito bom.Assim,com esse bando,a clã estava completa e fazia a parte familiar com que eu convivia,sempre aos domingos.Meu pai tinha no Brasil mais três irmãos,dois dos quais ele perdeu o contato,pois foram morar no interior do Paraná.O outro,residia em um suburbio do Rio,Irajá,era o tio Antonio e volta e meia iámos visitá-lo e a esposa,de nome Santa,não tinham filhos,mas era uma visita boa,pois iamos de bonde e a casa era com um grande quintal,cheio de árvores frutiferas,nas quais eu trepava,divertindo-me muito.Amigos de meus pais,que visitavámos ou recebiamos em casa,nos domingos a noite ou nos aniversários,eram o seu Joaquim e esposa Adelaide,com o filhos Luiz João e Maria Regina(enfim uma menina para brincar de médico),um português,dono de padaria,que a tinha comprado com ajuda financeira de meu pai e daí a amizade;o seu João Silva e esposa,sem filhos,idem e o seu Agostinho e familia,o guarda-livros da padaria,que tornou-se compadre de meu pai ao dar a filha,para ele batizar,a Regina,que minha mãe,no futuro iria fazer de tudo para eu namorar e casar.A esses resumiu-se o restante das minhas relações de familia e de conhecimento,até os dez anos e a ida para Portugal.Detalhe:as visitas e festas de aniversário,inclusive as minhas,eram tortura profunda,pois eu tinha de colocar um merda de uns terninhos,com gravata e tudo,de calças curtas e não podia me sujar,correr,desmanchar o cabelo,impecavelmente endurecido,fixado que era com Gumex.Madeira
sexta-feira, 3 de julho de 2009
A infância e meu circulo familiar íntimo
Cresci tendo sempre ao meu lado meu pai,João Dias Pereira,minha mãe Aracy Madeira Dias e meu irmão,Sidonio Barroso Dias,companheiro de quarto,quando das férias,pois era interno,filho do primeiro casamento de meu pai.Nosso lar rodava redondinho,como era de costume então,décadas de 40 e 50,ou seja,o pai,trabalhava,era o provedor, autoridade máxima,sempre sentando às refeições à cabeceira da mesa,primeiro a ser servido e que autorizava depois a todos se servirem,aquele que dava a última, derradeira,definitiva palavra;a mãe,do lar ou doméstica,como informava ao ser lhe perguntada a profissão(a única exceção para uma mulher trabalhar fora era ser professora primária),cuidava da casa e dos filhos,sempre apoiada em uma empregada doméstica,que residia com a familia,em um quarto nos fundos da casa.O marido era o guerreiro,o que ia a luta defender o pão de cada dia e a esposa era a intendente, responsável pela retaguarda,pelo fluxo de alimentação,vestuário,limpeza,outros.Aos filhos cabia estudar,preparar-se para seguirem,quando adultos,a mesma toada dos pais,conforme o sexo.As meninas eram totalmente preparadas para o lar,devendo serem,como se falava à época,prendadas,ou seja saberem cuidar da casa,sendo com isso tolhidas em todas as iniciativas que não fossem desse tipo.Os meninos,deveriam ser imagem e semelhança do pai,de preferencia seguindo a mesma profissão e "herdando"os clientes deste.Bem,com meus pais era assim mesmo,apenas eu e Sidonio é que tinhamos de ser mais que meu pai,dono de padaria.Sidonio foi encaminhado e era vocacionado,ainda bem,para a carreira militar e eu,meu pai sonhava,deveria ser diplomata,fazer Direito(pré-requisito)e depois o Itamarati.Para isso o necessário eram os estudos e assim era o procurado por meu pai,colocando-nos nos melhores e consequentemente mais caros colégios,sendo muito cobrado de nós a aprendizagem e as notas.Educação,respeito,disciplina e estudo estes os valores que eu tinha de cultivar,vinte e quatro horas por dia.Foi fácil,pois era de minha índole e eu gostava de ler,de conhecer coisas novas.Cercado por essa atmosfera cresci.Um pai trabalhador,exemplar "chefe de familia",honesto, leitor compulsivo,apesar de semialfabetizado,indômito,companheiro,que sabia dar e negar,conforme o que fosse melhor para mim.Constante,sempre junto nas refeições,nas observações sobre os trabalhos escolares,sabendo deles,punindo,sem perdão nas falhas,mas defendendo-me quando via que eu estava com a razão,este foi o pai.Minha mãe cumpria suas obrigações e era a responsável pela intermediação divina,pois era uma carola de primeira,não perdendo uma missa,ladainha,ou algo equivalente,que representasse alguns pontos junto aos céus.Nenhum dos dois era dado a afagos,beijos e abraços,sendo a nossa relação franca,cordial,respeitosa,de subordinação minha,mas sem agarramentos,entendendo meu pai,que a função dele era de educação e não de amizade,mas no final da vida foi,além do pai,um grande amigo.Aliás ele sempre dizia que antes de ser meu amigo ele era meu pai.Com isso minha infância foi marcada por muita responsabilidade,por missões,acima de tudo,em especial,na primeira fase,até os dez anos,quando a ida a Portugal e a puberdade deram uma aliviada nisso,em especial trouxeram-me para fora do circulo familiar fechado em que vivia.O terceiro personagem dessa minha vida infantil,meu irmão foi como meus pais,fabuloso.Só convivia com ele nas férias escolares,pois,fruto do primeiro casamento de meu pai,ele já estava em colégio interno,nos Maristas,no Internato São José,na Usina da Tijuca e ao acabar o ginasial,passou em concurso para cadete do Exército e foi fazer a Escola Preparatória de Cadetes em Porto Alegre,isso aos quatorze anos de idade.Com isso só vinha para casa nas férias de fim de ano,pois a distância e os custos não ajudavam nas férias de junho.Dezembro e janeiro era quando eu tinha meu companheiro de quarto,incrível,amigo,que fazia todas as minhas vontades,atendia minhas ânsias,saindo comigo para tudo que eu gostava e queria fazer,uma ida a Praça Saens Peña,um cinema(até então não existia ainda o Maracanã e eu não tinha descoberto a paixão pelo futebol),praia,outros.Também era o companheiro e adversário de peladas com bola de meia(fiz muitas na minha infância)as tardes,um golzinho demarcado,jogadas antes de escurecer,no quintal do sobrado,um contra um e ele às vezes me deixava ganhar.Esses foram os protagonistas de minha infância,até os dez anos,quando fomos morar um ano(1950)em Portugal,o que ocorreu juntamente com a minha puberdade e a passagem para a adolescência.Madeira
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Meu primeiro colégio:alfabetização e primário
Colégio da Companhia de Santa Terezinha de Jesus,localizado no Largo da Segunda Feira,à rua São Francisco Xavier,bem na esquina com a Conde de Bonfim,lá situa-se este colégio das Irmãs Terezianas e foi onde iniciei meus estudos,sendo alfabetizado e fazendo os quatro anos do então curso primário.Pré-primário,com duração de um ano, quando fui alfabetizado e foi mole,pois em casa eu,sózinho,mas rodeado de jornais e revistas,já reconhecia letras e brincava de as juntar.Foram quatro anos,de estudos sérios,com muitas atividades,leituras,indo de ônibus escolar,dirigido pelo seu Antenor,um velhinho simpatico e cuidadoso,que me pegava e deixava na padaria,mas também com muita disciplina e castigos,quando fazia bagunça ou falava em aula.Minha professora titular foi a Madre Alzira,uma mulata,gorda,já com alguma idade,que ensinava muito bem,exigia muito,ruim de nota,que usava sem dó,nem piedade um palmatória,que para que não nos esquecessemos de seu poder corretivo,ficava pendurada atrás da mesa dela,que ficava sobre um estrado,mantendo-a em uma posição bem superior e aumetando a distancia e o temor da mestra.Antes desta correção havia o de ficar em pé,a frente da turma,virado para a parede,As salas eram amplas,de pé direito alto,as turmas eram separadas,meninos de um lado e meninas de outro,sendo até o recreio separado.As madres,todas vestidas de preto,pareciam urubus,buscando sempre algo de errado,para avançarem e nos punirem.No recreio,comia meu suculento sanduiche de presunto,com refrigerante,trazido da padaria,com algum chocolate de complementação.As brincadeiras,nesse intervalo de recreio,eram de pegar,aquela correria que sempre redundava em joelhos esfolados,pique,bandeira,chutar pedrinha ou chapinha de garrafa e era em um grande e comprido patío,com algumas palmeiras imperiais.Lá foi a minha aprendizagem de fazer guerra de giz,fazer e jogar aviãozinho,arremessar bolinha de papel,usando a regua de madeira,colocar rabo de papel nos outros,tudo regado a boas notas nas provas e más notas em comportamento.Lá também apareceu o meu lado de justiceiro,certamente parte de minha personalidade e parte do exemplo de meu lar,onde reinava a verdade acima de tudo,custasse o que custasse,com um delicadeza bem lusitana.Havia,na minha sala um garoto babaca,todo malhadinho,pintadinho,que com isso tinha o apelido de "Abelha" e volta e meia era cascudado pelos outros colegas,longe dos olhos das madres,na hora do intevalo.Eu buscava não deixar que fizessem isso com ele,tirando-o de perto do grupo.Bem determinado dia um grupo grande resolveu levar as réguas,naquele tempo de madeira para o recreio e dar uma surra de régua no Abelha e eu ao perceber isso entrei na frente dele e briguei com o grupão,com muitos pontapés e tapas,até ser um verdadeiro escandalo e as madres verem e intervirem.Mais um castigo.De lembrança a satisfação de ter sido correto com minhas idéias e alguns arranhões e manchas roxas.Nunca mais voltei nesse colégio e poucas são essas recordações.Mas valeu pela alfabetização excelente,com muita leitura,pela disciplina imposta,hoje em desuso,da qual guardo como lembrança principal a de ter de levantar quando a professora entrava em sala,onde já estavam todos os alunos e de levantar,após o sinal de término,para ela sair,só após os alunos sairem,ordenadamente e pelos primeiros conhecimentos,em especial da lingua pátria e de nosso País.Madeira
quarta-feira, 1 de julho de 2009
A localização, no coração da Tijuca
Na esquina das ruas Antonio Basilio com José Higino,tendo em frente um quartel da Corpo de Bombeiros,naquela rua e um distrito policial nesta e a frente,em outro cruzamento da José Higino com a avenida Maracanã,esta de duas pistas,com o rio Maracanã ao centro,era a localização da padaria e do nosso sobrado.Seguindo a José Higino,passava-se pela rua Maria Amália e chegava-se,cerca de cem metros depois a rua Barão de Mesquita,das principais,que tinha linha de bonde e ligava os bairros do centro até o Meyer,passando por Aldeia Campista,Andaraí,Grajaú,Lins de Vasconcellos.Voltando a rua José Higino a cerca de cinquenta metros estava a principal rua da Tijuca,a Conde de Bonfim,por onde passavam os bondes,ônibus e lotações e que se iniciava no largo da Segunda Feira e estendia-se até a Usina da Tijuca,passando pelo coração da Tijuca,a Praça Saens Peña,que ficava distante lá de casa,menos de um quilometro.A rua Antonio Basilio,descendo-a,cerca de cento e cinquenta metros,chegava-se a rua Pinto de Figueiredo,onde entrando-se a direita em trinta metros estava-se na Praça Saens Peña e a esquerda,passava-se a avenida Maracanã e estava-se na Barão de Mesquita,tendo em frente a padaria Universal,que fora de meu pai e na própria o quartel da Polícia do Exercito.Daí ao estadio do Maracanã ia-se a pé em cerca de quinze minutos,e a cerca de dois quilometros.Por isso eu fui um grande frequentador dele,tanto pela proximidade,como por então não haver violencia,nem nas ruas,nem nos estadios,sentando-se as torcidas junto,com as camisas se entrelaçando.Portanto moravámos mesmo no coração da Tijuca,então o bairro mais nobre da zona norte,tanto pelas residencias,como pela proximidade do centro do Rio,pois do inicio da Tijuca,no largo da Segunda Feira,estava-se a pouquissimos quilometros do centro,era só passar pelo largo do Estácio,entrar no canal do Mangue e aí estava a praça Onze e a avenida Presidente Vargas,com a Central do Brasil e a Igreja da Candelária ao fim.Três quilometros,se tanto.Na direção contrária estava um local paradisiaco,logo após o fim da Tijuca,após uma subida de carro ou bonde tortuosa,de cerca de quatro quilometros,o Alto da Boa Vista,local da floresta da Tijuca,com a celebre Cascatinha,cheia de verde,limpa,organizada,fresquinha no verão.Portanto morei em um paraíso,com tudo próximo,fácil,sem trânsito ensandecido,sem violencia,indo-se a pé ou de bonde ou se apressado de ônibus ou lotação.Na Praça Saens Peña a cinelândia da zona norte,com nada menos de sete cinemas:Eskie Tijuca;Metro-Tijuca,que ar refrigerado maravilhoso;Carioca,para filmes clássicos;America,especializado em faroeste;Tijuca,poeirinha,de cadeiras de madeira e baratinho,de filmes mais velhos;do outro lado o Olinda,o de maior quantidade de cadeiras,quase quatro mil e lugar de encontro e ataque da viadagem,sendo impossível ir-se ao banheiro sozinho;atrás o Santo Afonso,anexo a Igreja de santo Afonso,dos padres da Igreja,de todos os tipos e preços,que mantiveram-se inalterados durante toda a minha juventude.Além disso a Praça,principal lugar de reunião,no centro de familias e crianças pequenas,com um laguinho,onde era costume atirar-se as bichas que saíssem do armario,pois então,viado tinha de ser enrustido,até mesmo se casando,quando tivesse mais idade.Já nas calçadas o que se via eram as filas para o cinema e grupos de jovens papeando e paquerando as meninas que passavam.Também eram lugares de frequencia para as familias e casais de namorados o café Palheta,ao lado do cine Carioca,onde se lanchava muito bem,com um grande sortimento de salgados e doces e um milkshake delicioso;para os jovens o café e bar Eden,que em cima tinha um imenso salão de sinuca,onde todos da Tijuca aprenderam a jogá-la.Outro lugar era a loja de discos,próxima ao cine Olinda,o Palácio da Música,onde iámos escutar os lançamentos e as músicas dos filmes recem vistos nos cinemas próximos.Já as meninas não saiam,quando em grupo ou sós,da loja Sloper,de bijuterias,artigos femininos,em geral.Também era local de encontro,aí juntos,rapazes e moças,o Tijuca Tenis Clube,encostado a Praça,cem metros,onde sucediam-se os celebres bailes de quinze anos,as domingueiras dançantes,sempre,como todo mundo se conhecia,conseguindo-se descolar um convite.Em frente a este a Igreja dos Sagrados Corações,onde fui batizado e onde,nesta ou na de Santo Afonso,todas as familias assistiam as missas dominicais,batizados e casamentos.Madeira
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