terça-feira, 30 de junho de 2009
A padaria Laís
Outra referencia da infância é a padaria Laís,de propriedade de meu pai e onde passei muitos momentos em minha vida.Já descrita anteriormente,lá,nas férias e em horas de estudo vagas eu ficava,sapeando tudo,aprendendo sobre fabrico de pães e doces e sobre a atividade comercial em geral.Assistia meu pai a gerenciando, recebendo e pagando matéria prima,como carregamentos de farinha de trigo,açucar, sal,fermento,outros,tudo em grandes sacos,bem como a lenha para o forno.Também o acompanhava no escritório fazendo os cálculos de debitos e haver,fazendo ao fim do dia o caixa,após arriar as largas e pesadas portas de aço de correr,acompanhando a fiscalização já corrupta,mas a qual meu pai nunca deu uma propina ou um lanchinho,pois dizia que além de não ser correto,se desse uma vez teria de dar sempre,tornando-se refem dos fiscais.Isto já contado em outro blog,na época da ditadura Vargas,valeu-lhe uma prisão absurda de mais de trinta dias,logo revogada pela Justiça.Na área de fabricação dos pães e doces via os confeteiros preparando-os,colocando no forno a lenha,aquecido pela madrugada,cerca das duas horas da manhã,quando os pães já estavam prontos,pois a faina da venda estendia-se das sete da manhã às nove da noite,o fechamento das contas e arrumação dos balcões das nove às dez/onze horas,iniciando-se o fabrico às dez horas,quando chegavam os padeiros, para este turno,que estendia-se até às cinco/seis da manhã,quando já estavam os entregadores arrumando as carrocinhas para as entregas e os balcões arrumados para a abertura às sete horas.Meu pai trabalhava direto,como dono e responsável,de dia,subindo para o sobrado,para dormir somente após a chegada de todos os empregados do turno da noite.Muitas vezes faltava algum e ele emendava,o substituindo até duas/três horas da madrugada,quando só faltava colocar os pães no forno.Naquele tempo todo o comercio rodava direto de segunda a sabado,em horário integral e padarias aos domingos também,apenas todo o comercio fechava para almoço do meio-dia às 14 horas,ocasião em que meu pai almoçava e tirava uma sesta,um sono pós alimentação.A noite ele subia para jantar cerca das 19 horas e descia a seguir para o resto da atividade laboral,até a hora do fechamento.Então não havia violencia contra o comercio em geral,apenas algumas tentativas oportunistas de pegar uma ou outra coisa que ficava em exposição.Também para felicidade nossa em frente a padaria,na rua José Higino funcionou por muito tempo a delegacia de policia da Tijuca,que depois mudou para a rua Conde de Bonfim e havia uma relação de respeito com os policiais,que não eram tão corruptos como hoje(a corrupção existia muito na fiscalização da prefeitura e era de merreca,o que nunca levaram com meu pai,que fazia tudo certo,não sonegando ou descumprindo tabelamentos).O fabrico de pão de sal e da bisnaga era por fornada ou seja dentro da previsão de venda e em horários certos e a massa da venda era pelos entregadores com as carrocinhas.Estas eram grandes de duas rodas e eram empurradas pelos entregadores,empregados contratados da Padaria(eram bem maiores que as carrocinhas de sorvete),todas desenhadas por fora,com propaganda da padaria,com interior com madeirame e local externo com sacos para colocar os pães.Levavam apenas o que era encomendado pelos fregueses e deixavam na porta da casa dos mesmos e ninguém pegava,mexia,isto em três levas,uma pela madrugada,entre seis e sete horas,outra entre onze e meio-dia e outra ao anoitecer.Eram os pães para as familias comerem nas três refeições diárias,sempre fresquinho,quentinho e entregue em domicilio.Ninguém pagava ao entregador,pois as encomendas eram feiras na padaria em seis livros grandes,um para cada freguesia,que era o nome do roteiro de cada carrocinha e pago no fim do mês direto no caixa da padaria.Esses roteiros correspondiam a determinada direção,a determinadas ruas e eram numeradas as rotas,com o número respectivo.Nos intervalos os empregados das mesmas as limpavam e arrumavam para a próxima entrega.Quem desejasse pão extra,fosse de sal ou doce,ia direto ao balcão da padaria e o escolhia e comprava.Grande parte dessas pessoas,moradores conhecidos,tinham cadernetas individuais,onde anotava-se todas as compras,pagas ao final do mês.Assim,na realidade só era pago na hora o que era consumido por passantes ou pessoas que tinham perdido o crédito,por não pagar ou atrasar,o que não era comum,pois imperava nas décadas de 40 e 50 o respeito ao compromisso,como dizia meu pai valia o fio do bigode.Ah e não havia concorrencia?Havia,porém também havia fidelidade do comprador por conhecer a honestidade do comerciante,a qualidade dos produtos,tendo algumas vezes entregadores de padarias próximas tentado atravessar o nosso negócio,mas a padaria Laís,do seu Dias era muito forte e boa e não abria espaço para outros.Também havia um sindicato dos proprietários de padaria,do qual meu pai depois foi diretor,que era muito sério e acompanhava todo o movimento e cobrava ética a todos.Além disso o Rio era pequeno e todos conheciam-se e respeitavam-se.A parte gostosa das permanencias na padaria era comer de tudo que era gulodice,sanduiches de presunto,mortadela,salaminho,pães doces,doces(quindim,mãe-benta,queijadinha,cocadas,muitos outros),refrigerantes(à época,guaraná champagne da antartica,guaraná brahma,grapette,crush,soda limonada,coca-cola),chocolates da berhing e da lacta,deste o mais famoso eram os cigarrinhos de chocolate e balas,das quais era obrigatório,se houvesse tosse,os rebuçados de Lisboa,tudo liberado,apenas com a obrigação de às refeições comer tudo que tivesse.Eu que não era besta,cumpria as regras todas,certinho. Isto tudo acompanhei e vivi,com muito orgulho do pai trabalhador e honesto que aprendi a admirar e imitar.Madeira
segunda-feira, 29 de junho de 2009
O sobrado
O sobrado,assim meu pai chamava a nossa residencia.De fato era muito grande e imponente.Lá passei cerca de dez anos confinado,explicando bem,dos cinco aos quinze anos só saía com meus pais ou meu irmão na férias dele ou para ir de condução para o colégio.Foi a forma de meu pai educar-me.Meus dias eram passados,só,em casa,estudando,lendo muito,pois ganhava livros e livros dele,tendo sido possuidor e leitor das maiores e melhores coleções,tais como,as obras completas de Monteiro Lobato;uma coleção maravilhosa,de dois tomos,intitulada"os grandes benfeitores da humanidade",onde eram descritas as invenções que mudaram o curso da vida no planeta,tais como as máquinas a vapor(Fulton e Stephenson),as aeronaves(Santos Dumont,os irmãos Wright,padre Bartolomeu de Gusmão),as vacinas(casal Pierre e Marie Curie),o telefone(Grahamm Bell),o pararraios(Benjamim Franklim),a lâmpada elétrica(Thomaz Alva Edson)e todas as grandes descobertas da idade moderna(ainda lembrei de algumas),mais as obras completas de Luiz Vaz de Camões e de todos os grandes mestres da literatura portuguesa,pois meu pai era muito patriota e ligado a Portugal,daí o nome dos filhos,meu irmão Sidonio,em homenagem ao presidente português,quando ele nasceu(Sidonio Paes) e o meu em homenagem ao embaixador português no Brasil,quando nasci(Theotonio Pereira).Também,desde cedo,lia vários jornais e revistas,pois meu pai,assinava dois jornais,diariamente,um matutino,o Diário Carioca e outro vespertino O Globo,além de revistas,como o Cruzeiro e para minha mãe as revistas,Fon-fon e a Revista do rádio.Fora a leitura,em casa,a noite,ouvia,com bastante chiados,dois seriados de aventura,que se sucediam na Radio Nacional,sob o patrocinio do trio maravilhoso Regina,talco,sabonete e lavanda Regina e que eram,"Jeronimo,o herói do sertão",às 18:30 e às 18:45 o "Anjo",um detetive,ambos combatendo os malfeitores,que então não estavam no Governo do Brasil.De dia,quando não estava estudando ou lendo jogava botão,em diputadíssimos campeonatos,que seguiam o calendário e as tabelas dos campeonatos de então,ou seja,o RioxSão Paulo,no primeiro semestre e o campeonato carioca,a partir de maio/junho.Sabado era dia útil,normal,com aula e tudo e aos domingos era o dia social,com almoço da familia,na casa de meu avô Antonio Madeira,à rua Conselheiro Zenha 82,também na Tijuca,próximo a Praça Saens Peña e as noites a visitas,que eram um saco,tanto as feitas,como as recebidas,mas eram os momentos de brincar com primos e "amiguinhos".Nas férias era muita pelada,de bola de meia,no terraço,com meu irmão,quando ele chegava para as férias dele,saídas com ele para ir a praia e aos domingos o Maracanã,ver o clássico da semana,juntamente com meu padrinho e tio Arthur,todos tricolores,em uma época em que o FLUZÃO ganhava em todas as categorias e esportes.Nos feriados,em geral,era dia de piquenique e lá íamos nós,eu,meu pai e minha mãe,com um delicioso farnel,para ou Ilha do Governador(não tinha ponte)ou ilha de Paquetá,ambos os passeios de barca,ou ainda para a Quinta da Boa Vista.Enfim,um vida,para os padrões de hoje monotona,mas gostosa,simples,amiga, saudável,de valores familiares e de exemplos paternos,além de ter me proporcionado conhecimentos eruditos fabulosos.As refeições eram sempre,durante a semana,em casa,com nós três e mais Sidonio,nas férias,sentando juntos,com meu pai a cabeceira,sempre muito bem vestido,comandando-as.Ninguém podia faltar ou atrasar-se e cada um tinha a sua missão,mesmo com empregada,que só fazia a comida.Minha mãe a trazia para a mesa e servia a todos,sempre primeiro meu pai e eu era o responsável por colocar a mesa,prato,talheres,suportes,tudo enfim e de tirá-la ao fim das refeições.Também nos quartos de dormir cada um tinha de fazer a sua cama e de arrumá-lo,cabendo a empregada a missão de varrer e espanar.Roupa suja era colocada no cesto,próximo ao tanque e cabia a empregada,lavá-la e passá-la.Minhas aulas eram pela manhã,cabendo a mim descer a padaria,entrar nela,ainda fechada,pelos fundos,pegar o pão e estar pronto,de café tomado às 06:45,quando a condução vinha pegar-me na porta da padaria.A tarde,após o almoço,estudo,ao lado da mãe,que costurava ou ocupava-se de alguma tarefa doméstica.Foram muitos bons e educativos esses momentos.Ah,eu tinha de diariamente engraxar meus sapatos,que tinham de estar brilhando,além de pentear meus cabelos impecavelmente,com Gumex.As minhas artes,quando ficava sozinho,eram dentro de casa e bem aventureiras.Foram sempre arriscadas e meus pais delas não sabiam.Consistiam em descer pela grade das varandas e andar sobre a marquise,passando assim de meu quarto para a sala de visitas e vice-versa,sempre com cuidado de pisar apenas nas partes de sustentação da marquise;outra era por uma escada de madeira,subir ao sotão e lá andar,também pisando somente nos caibros,pelo meio da poeira,teias de aranha,por toda a parte de cima da casa,às vezes tirando as telhas,para olhar em volta,principalmente o que ocorria nas casas em volta e sempre pintava um mudançazinha de roupa de alguma vizinha bonita(naquele tempo avistar um pedaçinho da coxa,já era motivo de festa);outra,era descer pelos fundos do terraço para o telhado da padaria e voltar,sem qualquer motivo,só para gastar o tempo e as energias;também constava de deixar,sem querer,querendo,cair alguma coisa na casa da vizinha do lado da rua Antonio Basilio,a D. Mariazinha,um viúva chata,que vinha reclamar com meu pai,que me dava uma corrigenda,mas não deixava de com ela defender-me,dizendo uma célebre frase:"ora tu moras embaixo..."Aliás as corrigendas que não foram muitas,ainda bem pois a mão dele era pesada,o foram sempre merecidas e apenas quando eu não cumpria,de imediato,alguma ordem ou horário.Este foi,em minha vida,o sobrado.Madeira
domingo, 28 de junho de 2009
Lembranças da nova casa
Rua Antonio Basilio 193,prédio de dois andares,contornando toda a esquina com a rua José Higino,a maior parte inclusive virado para esta.Embaixo a Padaria Laís,frente ampla,em curva,virado para a frente o balcão de pães,com todo tipo de pão,de sal,doce,de sanduíche,tatu,roscas de sal e doce,enfim uma variedade,após ele a caixa registradora e ao lado o balcão de frios com bebidas e laticinios,tendo ao fundo o escritório de meu pai,com uma mesa,onde trabalhava o contador,semanalmente,e ficava um cofre imenso e toda a documentação legal e fiscal da padaria.A seguir,uma entrada para o coração da padaria,o forno a lenha,o balcão para a feitura da massa dos pães,as grandes máquinas para colocar os ingredientes,água,filtrada,massa preparada com trigo(naquele tempo só se colocava trigo mesmo,nada de aditivos,fermento, manteiga,sal,para serem misturados,enquanto os doceiros faziam tortas,bolos e pães doces,com cremes maravilhosos.Muitas vezes acompanhei meu pai nesse organismo panificador e com isso aprendi e ajudei a fazer pães,em momentos de ligação forte com ele.Após essa sala de fabrico vinha o deposito de lenha e ao fundo um quarto para os empregados repousarem.Voltando a frente,já no fim da curva,tinhamos outro balcão para doces,confeitados,chocolates,biscoitos,gulodices,de todos os tipos.A lateral da padaria,virada para a rua José Higino era fechada,pois correspondia a cozinha,vamos assim chamar o local de elaboração do material panificador,não tendo janelas,salvo pequenos exaustores de ventilação.Em cima,nossa casa,com uma escada em curva,entrando-se no sobrado,ao cimo desta,a direita chegava-se a uma grande sala de visitas,com um tapete imenso,que era para mim um campo de futebol de botões,com os botões sendo as peças de meu jogo de damas,pois estas deslizavam melhor no tapete.Toda a frente da sala era de janelões que davam para a rua Antonio Basilio,com uma marquise que protegia os clientes da padaria da chuva e do sol.A mobilia da sala era completada por grandes sofás,para a recepção de visitas e em um canto ficava um radio a válvula,único divertimento da época.Ao meio da sala do lado da porta de acesso,a esquerda de quem entrava,localizava-se o nosso quarto,meu e de meu irmão,Sidonio,ele quando de férias na EPC ou da AMAN.Nosso quarto tinha duas camas de solteiro,dois armarios,uma estante coalhada de livros dele e meus(daí meu gosto imenso pela leitura)e uma escrivaminha para estudarmos e escrevermos.A importância dessa descrição é para explicar mais a frente casos que lá vivenciei.Entrando na casa,a esquerda da escada,saiámos para a sala de jantar,mobiliada por uma ampla mesa de jantar,para doze pessoas,com um aparador ao fundo e uma cristaleira linda,coalhada de cristais,louças chinesas(nunca utilizadas,pois as cristaleiras eram antigamente para enfeite),com entradas laterais,para os dois quartos de meus pais,um de dormir e um de vestir,ambos com móveis de jacarandá grandes e pesados,tradicionais,muito bonitos.Continuando,tinhamos uma área com claraboia(passagem de luz solar)com cadeiras de estar e plantas e após a cozinha com fogão a lenha e fogão tradicional e a seguir um grande terraço,onde eu batia uma bolinha de meia,com o tanque em um canto,tendo a direita um quarto imenso de empregada.Paralelo a cozinha tinhamos uma despensa,um pequeno quarto de costuras,onde minha mãe as fazia e o banheiro enorme,como todos os comodos de então,com banheira,chuveiro,vaso,bidê,imenso,maior mesmo que qualquer quarto de qualquer casa moderna.Enfim pelo tamanho um palacete.Essa descrição ajudará nas demais lembranças a seguir.Madeira
Lembranças dos primeiros cinco anos(primeiro ciclo)
28 de outubro de 1939,nove horas da manhã de um sábado,eu nascia em casa,à rua Tomáz Coelho número 35,no então bairro de Aldeia Campista,bem próximo a Praça Saens Peña,na Tijuca,como era de costume então,de parto normal,pelas mãos de uma parteira de origem alemã,se não me engano,chamada Helga.Fazia um dia lindo de primavera e é óbvio que eu não me lembro disso,porra,foram meus pais que me contaram,muitos anos depois.Destes primeiros anos de vida recordo-me apenas da casa,que tinha uma pequena escada de acesso,a partir do portão da rua,entrando-se à sala de visitas,com os quartos ao fim de um pequeno corredor,com as janelas grandes,altas,dotadas de venezianas,que escureciam ou não os comodos,conforme fechadas ou abertas e toda a casa com um pé direito muito alto,que levava,como em todas as casa de então,a termos umas vassouras muito compridas para varrer o teto de teias de aranha e de outras sujeiras.As paredes eram,como em todos os lares com dois tons de pintura,um mais escuro e todo lascadinho,com uma tinta oleosa,que não permitia que sujeiras e marcas,provenientes de batida de pés ou de vassouras a marcassem e outra,a partir de mais ou menos um metro e meio,para cima,de outra cor e de tinta comum.Com isso era só passar um pano molhado na parte debaixo que ela estava sempre limpa e brilhando e as casas estavam sempre com a pintura em dia,pois a parte de cima não era manchada por ninguém.A casa tinha poucos móveis e não me lembro de ter aprontado nada.Lembro apenas de minhas idas,com minha mãe Aracy até a esquina da rua Tomáz Coelho com a rua Barão de Mesquita,onde ficava a Padaria Universal,que pertencia a meu pai,o Seu Dias,o que já era uma festa e um passeio,pois lá ganhava balas e doces adoidado,pois meu pai,talvez pelas dificuldades que ele passou na vida,não era rigoroso comigo com guloseimas,desde que na hora das refeições eu comesse bem,direito.Nada lembro-me sobre fraldas,chupeta,quanto tempo mamei e outras frescuras de pais,pois os meus nunca me relataram nada e eu nunca perguntei,mas devo como toda criança ter feito muita cagada(o que aliás fazemos de alguma forma a vida toda),não devendo no entanto nunca ter quebrado nada ou esculhambado,pois senão o pau comia,visto que isto sucedeu-se depois,a partir dos cinco anos e destas eu me lembro bem,como vou relatar,mais a frente.Aos cinco anos,mais ou menos,mudamos-nos para a rua Antonio Basilio,bem próximo,devendo rondar aí uma distância de um quilometro entre as duas residencias,pois meu pai,após um ano em outra padaria em Botafogo,comprou a Padaria Lais,naquela rua,na esquina com a Rua José Higino e eu concomitantemente comecei a estudar e agora sim começarão as minhas lembranças e lambanças.Madeira
sábado, 27 de junho de 2009
O porquê deste...
A longevidade e o tempo disponível com o cessar das atividades laborais levam a continuados momentos de recordações de toda a existência de um ser humano.Assim tem sido comigo e com a erupção da memória remota,adormecida pela necessidade da luta pela sobrevivência,ora aposentada,a cada instante vejo-me,face a comentários de terceiros ou a fatos lidos ou assistidos,relembrando passagens vivenciadas,desde à mais tenra infância,alcançando a adolescência e a maturidade.Mas é impressionante como hoje recordo de nomes completos de colegas do primário,de rostos,de passagens hilárias da puberdade,as quais nunca antes,em todos esses anos de vida,tinham me vindo à cabeça.Na realidade,como já sou dado a ficar matutando meus erros e possíveis acertos(poucos,é óbvio),comecei a ficar preocupado com a profusão de lembranças e o que fazer com elas.Pensei em escrever uma autobiografia,um livro,depois vários contos,em seguida já não sabia o quê e como fazer.Enquanto isso o redemoinho aumentava e em cascata,noite e dia,cenas vividas repetiam-se em meus pensamentos e com isso rendi-me e decidi:vou escrever e como a modernidade e a instantaneidade virtual tornam mais atual e rápida,optei por um novo blog,fechado,pois estes escritos são apenas para vocês,filhos e netos,depositários únicos de meu passado,com vocês e por vocês vivido,que entenderão,espero,a partir desses conhecimentos entender mais e melhor,este,agora velho,pai/avô e suas posições.Ah,mas eu não já escrevi sobre minhas vivências e experiências nos dois blogs já conhecidos?Sim,mas agora não escrevo sobre os outros,sobre minhas passagens com outros;não escrevo sobre nós,ainda que ocasionalmente assuntos desse jaez se imiscuam neste novo blog e sim sobre momentos dificeis ou alegres e não irei,como nos anteriores conduzir os temas,que serão levados pelo que no momento de escrever,diariamente espero,vier a tona em meus pensamentos.É lógico que procurarei não deixar que de tão informal seja este bagunçado e assim buscarei conduzí-lo com pelo menos uma ordem cronológica das lembranças,anotando aquelas que se intrometerem com estas,para relato mais a frente.Espero com isso freiar a catarata de lembranças e a angústia de repartí-las com outros,acalmando assim meu cérebro.Buscarei contar com minúcias e principalmente com molecagem,ou seja as histórias mais alegres,ainda que não vá conseguir deixar de relatar também as emocionantes,ou seja,dessa vez quem vai falar é o passado,com toda sua força.Vamos lá e a partir de amanhã,comportem-se como bons leitores e participem,como em um reality show,dando contribuições,com perguntas,observações,vaias e aplausos.Meu amor eterno a cada um de vocês que participou,a partir do nascimento,destas lembranças.Madeira,pai e avô babaca...
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