domingo, 28 de junho de 2009
Lembranças dos primeiros cinco anos(primeiro ciclo)
28 de outubro de 1939,nove horas da manhã de um sábado,eu nascia em casa,à rua Tomáz Coelho número 35,no então bairro de Aldeia Campista,bem próximo a Praça Saens Peña,na Tijuca,como era de costume então,de parto normal,pelas mãos de uma parteira de origem alemã,se não me engano,chamada Helga.Fazia um dia lindo de primavera e é óbvio que eu não me lembro disso,porra,foram meus pais que me contaram,muitos anos depois.Destes primeiros anos de vida recordo-me apenas da casa,que tinha uma pequena escada de acesso,a partir do portão da rua,entrando-se à sala de visitas,com os quartos ao fim de um pequeno corredor,com as janelas grandes,altas,dotadas de venezianas,que escureciam ou não os comodos,conforme fechadas ou abertas e toda a casa com um pé direito muito alto,que levava,como em todas as casa de então,a termos umas vassouras muito compridas para varrer o teto de teias de aranha e de outras sujeiras.As paredes eram,como em todos os lares com dois tons de pintura,um mais escuro e todo lascadinho,com uma tinta oleosa,que não permitia que sujeiras e marcas,provenientes de batida de pés ou de vassouras a marcassem e outra,a partir de mais ou menos um metro e meio,para cima,de outra cor e de tinta comum.Com isso era só passar um pano molhado na parte debaixo que ela estava sempre limpa e brilhando e as casas estavam sempre com a pintura em dia,pois a parte de cima não era manchada por ninguém.A casa tinha poucos móveis e não me lembro de ter aprontado nada.Lembro apenas de minhas idas,com minha mãe Aracy até a esquina da rua Tomáz Coelho com a rua Barão de Mesquita,onde ficava a Padaria Universal,que pertencia a meu pai,o Seu Dias,o que já era uma festa e um passeio,pois lá ganhava balas e doces adoidado,pois meu pai,talvez pelas dificuldades que ele passou na vida,não era rigoroso comigo com guloseimas,desde que na hora das refeições eu comesse bem,direito.Nada lembro-me sobre fraldas,chupeta,quanto tempo mamei e outras frescuras de pais,pois os meus nunca me relataram nada e eu nunca perguntei,mas devo como toda criança ter feito muita cagada(o que aliás fazemos de alguma forma a vida toda),não devendo no entanto nunca ter quebrado nada ou esculhambado,pois senão o pau comia,visto que isto sucedeu-se depois,a partir dos cinco anos e destas eu me lembro bem,como vou relatar,mais a frente.Aos cinco anos,mais ou menos,mudamos-nos para a rua Antonio Basilio,bem próximo,devendo rondar aí uma distância de um quilometro entre as duas residencias,pois meu pai,após um ano em outra padaria em Botafogo,comprou a Padaria Lais,naquela rua,na esquina com a Rua José Higino e eu concomitantemente comecei a estudar e agora sim começarão as minhas lembranças e lambanças.Madeira
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