domingo, 28 de junho de 2009
Lembranças da nova casa
Rua Antonio Basilio 193,prédio de dois andares,contornando toda a esquina com a rua José Higino,a maior parte inclusive virado para esta.Embaixo a Padaria Laís,frente ampla,em curva,virado para a frente o balcão de pães,com todo tipo de pão,de sal,doce,de sanduíche,tatu,roscas de sal e doce,enfim uma variedade,após ele a caixa registradora e ao lado o balcão de frios com bebidas e laticinios,tendo ao fundo o escritório de meu pai,com uma mesa,onde trabalhava o contador,semanalmente,e ficava um cofre imenso e toda a documentação legal e fiscal da padaria.A seguir,uma entrada para o coração da padaria,o forno a lenha,o balcão para a feitura da massa dos pães,as grandes máquinas para colocar os ingredientes,água,filtrada,massa preparada com trigo(naquele tempo só se colocava trigo mesmo,nada de aditivos,fermento, manteiga,sal,para serem misturados,enquanto os doceiros faziam tortas,bolos e pães doces,com cremes maravilhosos.Muitas vezes acompanhei meu pai nesse organismo panificador e com isso aprendi e ajudei a fazer pães,em momentos de ligação forte com ele.Após essa sala de fabrico vinha o deposito de lenha e ao fundo um quarto para os empregados repousarem.Voltando a frente,já no fim da curva,tinhamos outro balcão para doces,confeitados,chocolates,biscoitos,gulodices,de todos os tipos.A lateral da padaria,virada para a rua José Higino era fechada,pois correspondia a cozinha,vamos assim chamar o local de elaboração do material panificador,não tendo janelas,salvo pequenos exaustores de ventilação.Em cima,nossa casa,com uma escada em curva,entrando-se no sobrado,ao cimo desta,a direita chegava-se a uma grande sala de visitas,com um tapete imenso,que era para mim um campo de futebol de botões,com os botões sendo as peças de meu jogo de damas,pois estas deslizavam melhor no tapete.Toda a frente da sala era de janelões que davam para a rua Antonio Basilio,com uma marquise que protegia os clientes da padaria da chuva e do sol.A mobilia da sala era completada por grandes sofás,para a recepção de visitas e em um canto ficava um radio a válvula,único divertimento da época.Ao meio da sala do lado da porta de acesso,a esquerda de quem entrava,localizava-se o nosso quarto,meu e de meu irmão,Sidonio,ele quando de férias na EPC ou da AMAN.Nosso quarto tinha duas camas de solteiro,dois armarios,uma estante coalhada de livros dele e meus(daí meu gosto imenso pela leitura)e uma escrivaminha para estudarmos e escrevermos.A importância dessa descrição é para explicar mais a frente casos que lá vivenciei.Entrando na casa,a esquerda da escada,saiámos para a sala de jantar,mobiliada por uma ampla mesa de jantar,para doze pessoas,com um aparador ao fundo e uma cristaleira linda,coalhada de cristais,louças chinesas(nunca utilizadas,pois as cristaleiras eram antigamente para enfeite),com entradas laterais,para os dois quartos de meus pais,um de dormir e um de vestir,ambos com móveis de jacarandá grandes e pesados,tradicionais,muito bonitos.Continuando,tinhamos uma área com claraboia(passagem de luz solar)com cadeiras de estar e plantas e após a cozinha com fogão a lenha e fogão tradicional e a seguir um grande terraço,onde eu batia uma bolinha de meia,com o tanque em um canto,tendo a direita um quarto imenso de empregada.Paralelo a cozinha tinhamos uma despensa,um pequeno quarto de costuras,onde minha mãe as fazia e o banheiro enorme,como todos os comodos de então,com banheira,chuveiro,vaso,bidê,imenso,maior mesmo que qualquer quarto de qualquer casa moderna.Enfim pelo tamanho um palacete.Essa descrição ajudará nas demais lembranças a seguir.Madeira
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