terça-feira, 25 de maio de 2010

Mais DR/MA(2)

O nosso prédio era alugado,tinha dois andares,uma área externa boa,grande e era situado na avenida Osvaldo Cruz,mais ou menos no meio dela,que era mais conhecida como rua Grande,que começava no centro de São Luiz e ia até a estrada para o aeroporto do Tirical.Ficava em uma esquina,sendo de passagem obrigatória para todos que viessem das praias para o centro,tendo a esquerda o principal ginasio de esportes e shows da cidade,com a garagem,já descrita,lateralmente e a entrada principal bem imponente a frente.No terreo ficava uma pequena varanda,área de espera de visitantes,com um pequeno sofá de três lugares e entrando na casa a recepção e o protocolo,que vedavam o acesso ao interior do prédio e a direita de quem entrava as delegacias, que eram abertas e constavam de uma mesa para o agente chefe das investigaçõse e um arquivo atrás para guarda dos documentos.Após as mesmas ficava a cozinha e antes desta os banheiros.A esquerda funcionava a censura e a comunicação social,responsável pelos contatos com a imprensa.Após a cozinha ficavam duas celas para presos,grandes,uma de cada lado do corredor,que ia dar na garagem.Uma escada suntuosa,de madeira preta,em curva,levava ao segundo andar,onde ficava atrás da subida da mesma a área administrativa,a frente o cartório,e a seguir a sala do Delegado Regional,com seu banheiro em frente e a seção de informações,ou seja,nesse andar ficava o comando e as áreas ligadas diretamente a ele.Era uma minucula estrutura tanto de pessoal,como de meios fisicos,mas fizemos milagres e com isso fortaleci a ideia de que se entregando ao labor,consegue-se resultados,ou seja não adianta ficar reclamando,o negócio é trabalhar com denodo,com dedicação e tendo a posição de lider,pois mesmo com agentes velhos,de inicio desmotivados,tirei leite de pedra e demos um banho.No segundo ano de minha administração,1973,recebemos dez agentes novinhos recem saídos da ANP e aí é que fizemos o maior salseiro,tanto no trabalho,como nos esportes.Lembro,dentre outros do Valacir,gaúcho,o Couto,o Samuel,e o Hely,o Pessoa e aí fiz um time de futsal que ganhou tudo no Norte e Nordeste.Desafiamos as DRS próximas a disputarem torneios e fomos jogar contra as do CE,PI e RN e ganhamos todas.Fizemos o mesmo com as repartições públicas locais,federais e estaduais e ganhamos da PM,da policia civil,do INSS,chefiado por um grande amigo,genro do Sarney,o Dr. Wilson Valle,INCRA e só tinhamos como adversário a altura o time de oficiais do Batalhão do Exército,mas que ainda assim ganhavamos,mas com muita dificuldade.Quando nas datas festivas do EB eramos convidados para disputar torneios festivos,já se sabia que a final eramos nós e eles e que sairia faísca do encontro do Cap.Marcio,machão,violento e o Dr. Madeira,que não fazia por menos,pois nenhum dos dois gostava e aceitava perder.Enchemos a DR de troféus e a nós de medalhas.Todos os torneios que disputamos ganhamos.Nosso time base era o Amadeu(servente),Valacir(jogava muito,tranquilo)e eu;Pessoa e Franklim,com os ótimos,Couto,Hely na reserva.O Pessoa,Jurandy Pessoa,excelente atleta e profissional tornou-se um amigo e depois foi atrás de mim para a já SR/CE,em Fortaleza,teve um inicio de enfrentamento por mim provocado.Ele é alto e forte e chegou em São Luiz com fama de matador,pois tinha sido oficial da PM/CE e tinha em confrontos por lá,ocorrido mortes.Avisaram-me que ele era violento e perigoso e logo que ele tomou posse,chamei-o a minha sala e abri o jogo,falando tudo que sabia e que ele tinha dois caminhos e que tratasse de escolher logo:ou trabalhava certinho,com lealdade e teria todo o meu apoio ou errasse e eu o colocaria na rua,pois estava em estágio probatório e portanto na minha mão.Nunca me deu trabalho e sempre foi um excelente companheiro,corajoso e leal.Nada como ser autentico e falar pela frente,olhos nos olhos...Madeira

Mais DR/MA

Nunca cheguei atrasado ou tarde nos meus locais de trabalho,sempre chegando antes do horário do pessoal e saindo depois do horário.Com isso logo de cara peguei o agente chefe das investigações da delegacia de repressão a entorpecentes,área quente lá,pois o MA era e é um grande produtor de maconha,que lá é da melhor qualidade,face a duas caracteristicas que agradam a planta "cannabis sativa":calor e muita água,o que é próprio do MA,tentando me enrolar.Mario Alves,um agente optante,ex-policial carioca,altão,já coroa,que era mais um que lá estava esperando a hora de se aposentar,muito afável e disciplinado,já estava no prédio da DR,na delegacia dele,com um monte de mapas do MA abertos em cima da mesa,isso sempre que eu chegava,cerca de sete e quinze,após deixar o Caio no colegio/creche Becacine e o expediente só começava as oito horas.Isso fez-me desconfiar e o meu dia de trabalho que começava com uma inspeção na limpeza e manutenção do prédio,seguido por uma visita a sala de radio para pegar as correspondencias recebidas por esse meio de comunicação e depois na minha sala,onde as despachava e esperava as oito horas para ir para a porta receber os funcionários e com eles visitar as suas áreas de trabalho,em uma inspeção diuturna.Resolvi dar trela a ele e comecei a dar incertas e descobri que depois que eu iniciava a minha rotina ele fechava os mapas e ia papear nas vizinhanças,fumar um cigarrinho,ou seja ia voar.Chamei-o e avisei que já tinha descoberto as enrolações dele e que ele parasse ou iria se fu na minha mão.Ele confessou que eu era o primeiro delegado com que ele trabalhava que ficava a frente de tudo e que saía da sala da chefia e que ele sempre enrolou eles todos...O restante do pessoal,quando da minha chegada,à exceção dos escrivães era todo idoso e desmotivado e eu os motivei,criando um rodizio nas viagens a serviço,para todos ganharem diárias(a PF pagava muito mal então)e se envolverem nas atividades policiais,sentindo-se valorizados.Instituí também dois dias de educação física,com prática desportiva(pelada de futsal ou de futebol na praia) e banho de piscina ou de mar após.Também forcei muitos a retomarem os estudos,conseguindo bolsas para eles.Também sempre estava do lado deles nas diligencias em São Luiz ou levava algum comigo,além do escrivão,quando era no interior,ou seja,comecei a dar valor a eles.Consegui cursos para alguns em Brasilia,na ANP e eles deram-me respostas ótimas,pois a DR/MA,nas estatísticas de produção saiu em um ano do último lugar,dentre as então trinta e tantas descentralizadas para sexta/sétima posição,perdendo apenas para as das grandes cidades,como SP,RJ...Lembro bem do Franklim,auxiliar fiel,que dirigia para mim,dos mecanicos já citados,do chefe da censura o Mateus,um cranio,auxiliado pela Jesus,do Pedro Alves,chefe do SI(informações),do Wanilde,do Altair,da turma da estação rádio Ivam e companhia,do Donato,excelente profissional,o chefe da identificação,do Amadeu e esposa, contratados,responsáveis pela limpeza da DR,crioulo valioso,leal e trabalhador,goleiro do nosso time,que ganhava tudo em São Luiz e na area administrativa uma das melhores equipes com que labutei:Ivone na coordenação administrativa,auxiliada pela Norma na área de orçamento e financeira e pela Magnolia na chefia de pessoal.Que equipe:honesta, trabalhadora,super competente,com os trabalhos sempre perfeitos,elogiados pela nossa Séde e pelo TCU....Madeira

As ações na DR/MA

Em um golpe de sorte na segunda ao assumir a Delegacia foi colocado para mim uma carta anonima de denúncia que havia uma grande carga de contrabando,que incluía também drogas,em um navio cargueiro que estava ancorando no porto de São Luiz.Segundo a denúncia em um dos tanques de água,que dão equilibrio ao navio, estava cheio de muamba.Eu tinha duas decisões a tomar ou não acreditava e não corria riscos ou invadia o navio(eu era a única autoridade policial)e se verdade faria meu nome logo de cara ou não acreditava e não corria riscos logo de inicio.O risco era que teriamos inclusive de cortar partes de aço internas.Bem resolvi arriscar e lá fomos nós.O ruído ao som de pancadas era meio oco e mandei providenciar um maçarico e um soldador e seguindo o desenho da carta anonima furamos o local e "bingo" encontramos mais de três toneladas de bagulho e drogas de tudo que é tipo.Resultado foi a PF em todas as matérias jornalisticas da semana.Em cima disso criei mais força para modificar tudo na DR.Mandei recuperar e pintar o prédio,os veículos e tratei e não pedir nada e sim me virar com o que eu tinha.Aliás nunca pedi meios ou levei equipes comigo:sempre me virei com o que eu tinha,tratando sim de melhorar os meios,recuperando os materiais e elevando o moral do pessoal.Tinhamos dois ótimos mecanicos,o Davi e o Ferreira,botei-os para fazer estágios de atualização nas concessionárias locais da Wolks,na Chevrolet e no Toyota,pois tinhamos três fuscas descaracterizados,uma Veraneio e um jipe Toyota,para o interior maranhense,quase todo de estradas vicinais,verdadeiros caminhos de boi.Dei a eles o ferramental necessário,organizei a pequena oficina,lateral ao prédio,mandei colocar um tanque e ao lado uma pia,com sabão e papel para enxugarem-se,o primeiro para lavar as peças e o outro as mãos,um carrinho para entrarem debaixo dos carros e no fim,mandei fazer dois macacões azuis para cada um e avisei que a partir de então teriam de estar sempre com a roupa limpa,sendo totalmente proibido limpar as mãos na roupa ou estarem sujos,tendo de estarem limpos como enfermeiros,se não seriam demitidos(eram celetistas).Ficaram impecáveis e meu setor de manutenção de veículos era limpíssimo,assim como as viaturas que eram devolvidas ao fim das viagens a serviço ou na cidade,sempre limpas,responsabilidade de quem as usasse.As delegacias na ausencia de delegados eram chefiadas pelos agentes,tudo sob a minha responsabilidade final e eu sozinho.Eu fazia os flagrantes que chegavam,presidia os inquéritos, dividindo-os entre os dois escrivães,o Souza e o Mafra,ambos maranhenses, formados,concursados,excelentes,mas eu me desgastava pois nunca permiti que o escrivão conduzisse o procedimento,fazendo questão de tomar os depoimentos(e não simplemente delegar ao escrivão,o que é errado,mas comum,e nessa onda o delegado apenas os assina),de dar os despachos do próprio punho(todo despacho de autoridade datilografado é sinal de que o escrivão o fez e a autoridade apenas assina)e de redigir o relatório final,que nunca fiz remissivo,ou seja,dizendo que conforme as fls tais e sim relatando o apurado passo a passo.Assim o trabalho era gigantesco,mas como eu gostava:correto,sério,caxias.No meio desse tiroteio ainda viajava ao interior do MA,junto com o escrivão titular do feito,para tomar depoimentos e proceder diligências.Para tal,tanto por não ter estradas decentes,dentro do MA,salvo na direção de Terezina/PI e de Belem/Pa,estas todas asfaltadas,como por para os cerca de 14 municipios da denominada baixada maranhense somente se poder ir de barco,na maior parte do ano,naquela época,nós iamos,também para ser rápido,de teco-teco,aviões monomotores,que faziam linha ou eram locados,saindo de São Luiz de manhã e voltando a tardinha,enquanto havia luz do sol.As vésperas das viagens contatavamos por radio com o delegado local,normalmente um sargento ou cabo da PM/MA e avisavamos da nossa ida,pedindo apoio no local de pouso e nas diligencias que fossem necessárias.Não haviam aeroportos e os pousos eram em campos de pastagens, normalmente gramados traiçoeiros e nos quais para pousar antes os pilotos tinham de dar rasantes para espantar o gado que lá pastava...Depois de alguns meses chegou,cantado por mim,o Dr. Lais Loureiro Alves,colega do curso de Delegado para ser o meu coordenador policial e presidir inqueritos,o que aliviou-me um pouco,não muito porque então pude apertar a parte administrativa e de relações públicas.Com o Laís lá acabaram dando-me uma missão boca podre no Pará e a Direção Geral determinou que eu me deslocasse para Belem,onde acabei ficando cerca de noventa dias no total,para apurar,instaurando inquerito policial,casos de grilagem de terras próximo a Belem,em São Miguel do Guamá,região de terras muito férteis,pois a suspeita de autoria era de funcionarios do governo paraense e de fato o responsavel,o lider da quadrilha era um major da PM/PA,unido a outras autoridades cartorarias e de membros dos poderes paraenses.Por isso que tinha que ir alguém de fora do Pará e sobrou para mim,mas a missão foi cumprida.Interessante foi que a pericia que solicitei na documentação das terras suspeitas de grilagem,em livros do cartório de registro de imóveis de Belem,todos os assentamentos do século XIX,com as folhas esmaecidas e comidas por cupim,mostrou que as falhas feitas pelos cupins tinham sido feitas com gilete,eta cupins técnicos...Madeira

sexta-feira, 14 de maio de 2010

O Maranhão de 1972 e minha chegada

Somente os maranhenses podem lembrar e entender o que era o Maranhão no inicio da década de setenta,ou seja uma pobreza absoluta.Choque principalmente para quem era carioca,sempre a capital do País,lá criada,e após uma passagem por Curitiba,modelo de urbanismo,como era o caso de Terezinha,seria e foi um tremendo choque.Para mim,por ser militar,não ter costume de luxos,ter morado em barracos em Brasilia,foi tudo minimizado e até fácil.São Luiz era e é belíssima,em termos de belezas naturais:praias lindas,sem poluição,com os carros indo até a beira da água,pelo tipo de areia,clima gostoso,sempre com uma aragem fresca,ausencia de frio,enfim,em termos de natureza,o paraíso.Mas,era então,de uma pobreza franciscana,tendo apenas um edificio de aptos,com o segundo em construção,casas velhas,que eram de dois tipos,ou bangalôs,como a que consegui alugar,com um pequeníssimo jardim a frente e a casa relativamente grande ou porta e janela,que eram a maioria,conforme o nome diz com a porta na rua e uma janela ao lado,normalmente casas compridas,pois eram todas grandes,face aos maranhenses serem chegados a uma clã,ou seja morarem todos os parentes juntos,sob o mesmo teto.Nos quartos em todas elas existiam ganchos de redes,pois tambem são chegados a dormir em redes.Ruas estreitas,casa velhas e mal cuidadas,ruas sujas com asfalto todo arrebentado,enfim uma calamidade.Não existia matadouro de animais de corte e assim os bovinos e congeneres eram abatidos em um largo,no meio da rua,em um bairro periférico,acho que no Anil e transportados na carroceria de jipes,abertas,até aos açougues,diariamente,para venda ao público.Em cima das carnes ia um homem,armado com um pedaço de pau,que ia espanando as moscas e os demais animais que tentassem pousar ou tirar as carnes...Verduras e legumes não se encontrava e o jeito era comer o que a terra produzia.Antes de apresentar-me lá e assumir o comando,mantive contatos com Brasilia,com a nossa séde e soube do porquê eu estar indo para lá e qual era a missão principal.Esta era a de implantar lá a verdadeira Polícia Federal,imparcial,séria,cumpridora da sua missão doesse a quem doesse.E porque isso?Porque quem estava lá à frente da Delegacia era um Promotor de Justiça do Estado,Dr.Dominici,que não era dos nossos quadros e era natural de lá,o que não estava repercutindo bem,para a nossa Direção Geral.Também recebi do nosso Centro de Informações,que eu tinha ajudado a implantar,um resumo de tudo que tinha na Delegacia e de todo o pessoal que lá estava,com suas alterações e avaliações funcionais.Em resumo era uma tremenda "boca podre",daí a minha escolha,ou seja,quem faz as coisas certas só se fode.A Delegacia funcionava encostada ao centro da cidade,na avenida Getulio Vargas,também conhecida como rua Grande,em um prédio alugado de dois andares,com garagem,tinha poucos servidores,uns cinquenta para cobrir todo o Estado,que era uma grande plantador e exportador de maconha,face ao seu clima ser favorável ao plantio da mesma,poucas viaturas,com seus servidores dividindo-se em dois grupos:uma parte de pessoal velho,optante da policia civil do Rio,que lá estava apenas fazendo tempo para se aposentar,a maioria vivendo de licença médica e se mandando para o Rio e a outra parte de nativos maranhenses,que viviam ancorados nos seus interesses e de suas amizades.Bom,pelo menos eu chegaria sabendo o que me aguardava.Essa característica tornava-os perigosos,principalmente para quem chegasse de fora,pois fatalmente tentariam enredá-lo e conduzí-lo,só que eu chegava sabendo de tudo,quem era cada um dos meus futuros subordinados.Inclusive chegava sózinho,pois o único Delegado lá lotado estava de licença médica no Rio.Era o Dr.Laís Loureiro Alves,que tinha feito o curso de Delegado comigo,era também optante e de idade e que depois tornou-se,no dia a dia de trabalho um grande colega.Assim,eu assumiria e não poderia ser só o administrador,tendo de ser também a autoridade processante.Bem,para sentir como seria a barra o vi,logo ao desembarcar no aeroporto de Tirirical.Para minha surpresa tinham descoberto a data/hora da minha chegada e estava lá uma equipe,em um sabado(eu tinha escolhido o sabado para no final de semana andar pela cidade,fazer um reconhecimento,conversar com populares,para levantar a fama da PF e tinha um encontro agendado com o representante do SNI para o MA,o cmt Rangel,um brilhante oficial da Marinha de Guerra,que ficava baseado em Fortaleza,séde do SNI,indo direto a São Luiz)esperando-me,com carro ostensivo,preto e amarelo,com todo o escândalo possivel.Alguns agentes,todos velhos,de cabelos brancos,cariocas vivenciados em macetes dos distritos do Rio,saudaram-me com muito carinho.Fiquei puto,mas fiquei firme e agradeci,pedi que me conduzissem a um hotel,que ficasse no centro da cidade,fiquei calado durante o trajeto e lá chegando agradeci e liberei-os até segunda,quando deveriam pegar-me no hotel,às sete horas da manhã.No final de semana liguei-me com Terezinha e já dei uma palha do que a esperava,mas sem apavorà-la,pois isso eu sabia que ocorreria quando ela chegasse e depois passeei a vontade,andei todo o centro da cidade,lanchei em umas barraquinhas perto da rodoviária,onde pedi um cachorro quente,conforme cartaz anunciava e comi um pão com carne moída dentro(até que gostei),fui ao um jogo de futebol do campeonato maranhense,no estadio municipal Nhozinho Santos,nome de seu idealizador,entre Sampaio Correa e Moto Clube,o primeiro para quem comecei logo a torcer era tricolor,mas nas cores verde,vermelho e amarelo e o segundo rubro-negro.A história do Sampaio Correa é muito interessante:um grupo de peladeiros,que jogava ao lado do aeroporto de São Luiz,resolveu fundar um time organizado e como não chegaram a um acordo sobre o nome a ser dado ao clube,decidiram que dariam ao clube o nome e as cores do primeiro avião que pousasse no dia seguinte a ata de fundação.Quis o destino que fosse um avião boliviano,com as cores da Bolivia,verde,vermelho e amarelo e que era batizado com o nome de um heroi boliviano,Sampaio Correa.Por isso o Sampaio Correa é chamado por sua torcida de "minha bolivia querida" e seus torcedores são chamados de "bolivianos".Madeira

Meados de 1972 e nova mudança profissional

No inicio de 72 ocorrerram as provas de progressão funcional,a distância,para subida de nível na carreira,nas quais dei-me muito bem e logo após um concurso interno para o preenchimento de cargos de assessoria da Direção Geral do DPF,no qual fui inscrito face as minhas notas e colocações nos cursos já feitos na ANP.Pela primeira e única vez em minha vida fui primeiro colocado(sempre fiquei entre os primeiros,sendo principalmente o terceiro lugar uma constante).O resultado foi que fui indicado para ir ser assessor do Diretor Geral,em Brasilia.Pô,eu tinha saído de Brasilia,vendido meu ap e queria fazer carreira e voltar para lá,essa não...Disse um não forte,mesmo sabendo que poderia significar um retrocesso na minha carreira e segui meus trabalhos,que estavam repercutindo lá Paraná,onde eu também fazia palestras nos colégios sobre os riscos do uso das drogas e também pelo Brasil,pois eu fazia parte da equipe da ANP de cursos volantes e principalmente nos resultados dos meus trabalhos na repressão ao tráfico.A DRE(Delegacia de Repressão a Entorpecentes)da DR/PR de uma das últimas colocações na apreensão de drogas,prisões de traficantes e flagrantes feitos,passou para uma das primeiras no País,batendo semana após semana,seus números.Então veio a recompensa,recompensa(?) e fui indicado,desta vez sem possibilidade de dizer não,o que também não me interessava,pois a indicação era para ser o Delegado Regional no Maranhão,ou seja,a possibilidade de ser o chefão,o que dava-me a chance de comandar a minha maneira,de liderar a todos,acompanhar a tudo e realizar tudo da minha forma,a enfim chegar ao ápice da carreira,ainda muito jovem,trinta e dois anos e com uma carreira de pouco menos de três anos de Delegado,mesmo tendo antes exercido tais funções.Deve ter sido um choque a noticia para Terezinha,principalmente por ser Curitiba uma cidade padrão,em todos os aspectos e só termos um pauperrima ideia do que seria São Luiz,mas ela como sempre companheira,entendeu que era uma carreira e uma promoção.Sabiamos apenas que lá teriamos de novo um clima tropical a nossa espera.Assim,aproveitamos os meses de junho/julho,auge do frio,para entrarmos em trânsito,tendo eu levado ela,as crianças e Hilda de ônibus para o Rio(nosso carro,a Variant foi no caminhão da mudança),onde ficaram no apto de Bonsucesso com dona Hilda,tendo eu mandado a mudança para o MA de caminhão,com uma ocorrencia triste,a do nosso cachorro,um viralatas que as crianças tinham adotado,correndo atrás do caminhão da mudança e sumindo com ele na esquina.Eu permaneci mais um tempo só em Curitiba até passar as Delegacias.Quem fez a nossa mudança foi a transportadora do então presidente do Coritiba,o Chinês(apelido)Dr.Evangelista.Lembro-me do dia de minha despedida de Curitiba,onde voltaria depois várias vezes,tanto para dar cursos,como a passeio:foi um sabado,dia dois de junho,com um sol lindo,céu sem uma nuvem,mas com um frio de dois graus,em um vôo da VARIG,às dez horas da manhã,para São Luiz.Nem preciso dizer a fossa que tomou conta de Cenira e Mauro,agarrados que estavam com a gente.Valeu,Curitiba,cidade educação,cidade cultura,povo educado,tranqilo,reservado, mas muito bom.Madeira

terça-feira, 11 de maio de 2010

Mais lembranças pessoais do Paraná

Em casa com Terezinha segurando tudo,amparada pela Hilda e pela dona Hilda,que volta e meia passava tempos conosco,seguia tudo bem,o que me permitiu ainda fazer um curso de finais de semana da ADESG(Associação de Diplomados da Escola Superior de Guerra),que me valeu alguns novos conhecimentos de profissionais das áreas da Justiça,FFAA e altos empresários.Também fechei,a distância,o curso de História(o último ano foi nas coxas,mas eu já tinha feito o nome no CEUB,até por jogar no time de futebol),com direito até a festa de formatura em dezembro,na qual fomos eu e Te,com as crianças ficando com dona Hilda e Hilda em Curitiba.Em julho ainda fui brindado com a possibilidade de participar dos Jogos Universitários Brasileiros em Porto Alegre,passando o onibus da delegação em Curitiba para me pegar.Foi mais um experiencia e tanto,sendo nosso treinador o ex jogador do Vasco,o Bougleux,tendo jogado nos estadios do Gremio,o Olimpico e no do Internacional,o Beira-Rio.Vencemos,na fase classificatória Mato Grosso e perdemos para os gaúchos,que depois foram os campeões,nos quais o destaque era o Ivo Wortman,ja profissional do Inter.Lá ficamos hospedados no colégio Julio de Castilhos,conhecido como Julinho.Na mesma época Terezinha,que ficou no Rio,fez a ligadura das trompas,antes que viessem mais filhos,pois ela engravidava,como eu dizia,só com o cheiro do meu esperma.De Curitiba ficaram as lembranças das viagens com Cenira e Mauro,das visitas recebidas,com as quais sempre almoçavamos ou jantavamos em Santa Felicidade,bairro italiano,de muita e deliciosa comida e um vinho que Terezinha adorava,tanto que certa feita,quando estavamos com um casal amigo do Rio,Alcione e Carlos Roberto,o Santos,ela bebeu vinho com tanto gosto que fomos convidados a conhecer a adega do restaurante Madalosso e lá Te e Santos começaram a experimentar os vários tipos de vinho e vi pela primeira e última vez Te de porre.Foi uma noite insana pois ela agarrava-se a mim na cama,que segundo ela não parava de rodar e tentava rezar e saía uma oração ininteligivel e com as falas todas trocadas.Lá em cima deviam estar recebendo essas rezas como se fossem hieroglificas.Outro fato interessante,também com Alcione e Cantos foi a ida a passeio/compras a Foz.Fomos e voltamos de onibus leito,passeamos muito e fizemos algumas compras no Paraguai,mas na volta,com as compras feitas e transportadas no bagageiro do onibus,em baixo,em cada parada do ônibus o Santos levantava e descia e ficava olhando o porta bagagens,para se assegurar que ninguém iria mexer nas compras dele.Foi uma noite comprida e gozada.Também são inesquecíveis os lanches na Confeitaria da Familias,na rua XV de Novembro,onde encontram-se os doces mais saborosos do País,em especial os mil folhas e os lanches noturnos,na rede de cachorro-quente "Tipiti-dog",que tinha nas principais praças de Curitiba,treilers, nos quais você não precisava saltar do carro para lanchar,fazendo o pedido de dentro do carro e eles traziam em bandeijas,que eram presas nas janelas do carro,o que para o frio curitibano era ótimo.Centro cultural como Curitiba o era e é também viviamos indo a shows e peças de teatro,tanto no Teatro Guaira,como no Teatro Paiol,em forma de anfiteatro,adaptado de um antigo paiol do Exército,daí o nome,lembrando-me bem de um do Viniicus de Moaris e Toquinho,neste,que foi espetacular.Passeio marcante era sempre a Paranaguá,de litorina,pela serra do Cadeado,mas uma vez fomos de carro lá e teve duas ocorrencias dignas de nota:em uma na pracinha de Paranaguá,estavam dois caras em uma das esquinas e eu,de sacanagem,passei umas cinco vezes por lá,sem sair da rotatória e eles ficaram doidinhos,principalmente porque nas últimas duas eu me abaixei e dirigi olhando pelo canto do volante,parecendo que o carro estava sem motorista;o outro fato foi de que,contavam como piada,mas nós confirmamos que lá existia um restaurante que fechava para almoço...O dono era um ex pracinha da FEB e ele só abria o restaurante quando a litorina chegava e depois do pessoal da litorina almoçar,entre 11 e meio dia ele fechava para ele e empregados almoçarem e reabria às treze horas...No Carnaval de 72,Terezinha e Cenira pediram para relembrar os carnavais que elas passavam juntas no Rio e aí arranjei convites para o baile de gala do Coritiba,um dos mais badalados então e as duas fantasiaram-se de romanas,com vestes pretas,cheias de dourados.Eu e o Mauro ficamos na mesa conversando e então vimos que havia um frangote as perseguindo.Levantei-me e quando ele passou atrás delas o avisei que eram casadas e que caisse fora.O cara na volta seguinte continuou,dei-lhe uma bolacha que ele rodou e caiu deitado no meio do salão.A partir daí não mais o vi.No ano de 71 houve a passagem de seu José,no Rio de cancer e eu estava em Fortaleza dando aulas em um curso volante da ANP,para policiais estaduais,sobre drogas e ela foi para o enterro,com as crianças e Hilda de avião,com o dr.Moupir Amaral a apoiando em tudo.Nessa ausencia dela arrombaram a casa e levaram quase nada,pois nunca tivemos joias ou valores,sendo na realidade perdido as coisas de pérolas que eu tinha trazido do Japão:um broche,com a inicial dela um T em perolas e um colar.Triste é encontrar a casa toda revirada e tudo atirado pelo chão.Outra lembrança que ficou foi o do frio,incrivel,doído,com todos nós usando agasalhos e mais agasalhos,eu de ceroulas(ridiculo),colocando bacias de metal no chão do banheiro com alcool e acendendo,além de abrir o chuveiro no máximo da água quente para conseguir tirar a roupa e tomar banho.Também antes de deitar as crianças ou passavamos os lençois e fronhas ou deitavamos um pouco para esquentarmos o leito deles e eles poderem dormir.De dia pareciam robôs de tanta roupa.Nos sabados e domingos de inverno,a noite,quando queriamos lanchar fora,iamos todos de pijamas de lã,a uma rede de treilers de lanche,a Tipiti,que trazia os lanches nos carros,para não se ter de saltar no frio.Ruim foi que as crianças lá tiveram várias vezes,apesar de todos os cuidados,infecções de ouvido,o que é muito dolorido,face ao frio.Também recordo-me de sempre haver na casa,do lado de fora,nos jardins e na garagem e não se podia bobear se não também dentro de casa,sapos e rãs,pois a casa ficava encostada a uma mata virgem.Por fim,lá trocamos face ao tamanho da familia de carro,pegando uma Variant vermelha,semi-nova,que era do Gen.Alcindo,cuidadoso e cimento dela,dando o fusca de entrada e complementando uma merreca.Aí a familia dava.O Gen. Alcindo era um figuraço.Excelente administrador,sabia conduzir os comandados com maestria.Grande contador de casos.Em um deles contava que existia um ricaço em Curitiba,cheio de manias,que tinha mania de limpeza e assim mandou colocar no telhado da casa,em todos os locais em que passarinhos podiam pousar,milhares de pregos,para o impedir;da mesma forma essa mesma figura,era doido para pegar uma mulher linda,que sempre o esnobava;em determinado dia ele que tinha dois carros,um mais velho para dias de chuva e um novo para os dias limpos,tinha saído com este novo e lindo e começou a chover;nessa ocasião viu em um ponto de ônibus a tal mulher e doido por ela parou o carro e ofereceu carona;a mulher assentiu,mas ao preparar-se para entrar no carro,ele viu que ela estava com os sapatos sujos e ele disse para ela não entrar e se mandou,dizendo:perco a mulher,mas sujr meu carro novo,não;por fim o general tinha uma frase muita inteligente a respeito do penis:"penis é igual a caneta tinteiro,se usar demais a tinta acaba e se não usar a tinta seca".Muito sábio...Madeira

Mais alguns fatos profissionais na DR/PR

Ao chegar a então Delegacia Regional e assumir pela primeira vez a função de autoridade policial processante e cumulativamente,ao abrir as gavetas da mesa do Delegado,encontrei na última gaveta uma palmatória e um telefone a magneto.Chamei o chefe do setor de investigações,um negão,já de cabelos brancos,de nome Ademar e perguntei o que significava aquilo e ele disse-me que eram os meios de interrogatório dele.Logo comigo que não aceito e nunca pratiquei a tortura ou deixei fazê-lo e ainda mais responsável pela disciplina "Técnica de Interrogatório"na ANP é que aconteceu isso e de imediato determinei que sumisse com aqueles instrumentos de "trabalho" dele,dei o manual da citada disciplina para ele estudar e disse que eu faria os interrogatórios sempre que necessário.Logo eu soube que ele tinha ironizado minhas determinações e queria ver eu tirar algum serviço de alguém,o que ignorei,sabendo que o tempo dar-me-ia razão.Ao ser transferido de lá recebi dele palavras que serviram como uma homenagem,reconhecendo que tinha aprendido comigo coisas que nunca pensou saber e agradecendo-me.Dentre as ações da repressão as drogas estava o total controle das drogas medicamentosas(de receituário retido e guarda em cofres)nas farmacias,além do controle dos livros de lançamentos da venda desses remedios,que eram então,juntamente com a maconha as drogas que circulavam e essze acompanhamento nós faziamos diuturnamente,através das nossas equipes volantes.Também era atribuição nossa acompanhar os exames antidopping feitos,por lei estadual(era o Paraná o único Estado que o fazia)após os jogos de futebol profissional.Com isso acompanhei bem o futebol paranaense em 71 e 72,inclusive assistindo alguns jogos de dentro do campo,tendo inclusive acompanhado um dos mais inteligentes treinadores de futebol,na época no Coritiba,que dizia-se que mudava um jogo no intervalo,o famoso Elba de Padua Lima,o Tim.Como autoridade processante novata fazia meus flagrantes e inqueritos com o Código de Processo Penal e minhas apostilas da ANP,bem como a legislação anti drogas,abertas na minha mesa,além de viver as estudando,principalmente nas viagens.Nesse aspecto,escolhi um padrinho,ou seja alguém que tivesse mais vivencia em procedimentos de policia judiciaria e nas dúvidas o consultava.Foi o meu anjo da guarda e orientador:Dr. Raul Ketter,um alemaozão,experiente,honesto e amigo que fiz.Conheci e muito bem,até por ter de saber os locais onde ia trabalhar e com riscos,todo o interior do PR,inclusive suas belezas naturais e suas potencialidades.Como diferente lembro da Colonia Genoveva,em Guarapuava,de origem alemã,onde só se falava alemão e todos os costumes o eram,parecendo que não se estava no Brasil.Em contraponto Asaí,na realidade ashai,por do sol em japonês,onde só tinha japa e se falava direto japonês,lugar com uma agricultura pujante,um verdadeiro cinturão verde.Lapa,encostada em Curitiba,com formações rochosas milenares,assim como Vila Velha/Ponta Grossa,isso sem falar de Foz e Guaíra as quais já me referi.Na época do inverno,com muitas estradas sem asfalto,de barro avermelhado,lembro bem que andavamos com o fusca derrapando de lado,buscando seguir dentro das trilhas já existentes e ainda assim muitas vezes tendo de colocar nos pneus correntes,para diminuir a possibilidade de atolarmos e/ou de sairmos da estrada.No interior fizemos em Campo Mourão um inquerito brabo,pois o cabeça da disseminação das drogas farmacologicas era,depois descobrimos,o filho do Prefeito e dono da única farmacia local.Lá também conheci o primeiro boteco vinte e quatro horas,que nunca fechava e para isso nem portas tinha.Contava-se lá que ele não tinha portas porque anteriormente tinha pegado fogo e estava cheio e por isso tiraram as portas.Nessa mesma ocorrencia de incendio,contava o povo local,que logo que o fogo alastrou-se(era de madeira o bar)lembraram-se de que tinha um aleijadinho que era levado para lá e colocado sentado para assistir e marcar os pontos dos jogos de sinuca e que ninguém tinha visto.Quando já lamentavam a morte do mesmo chegava correndo o delegado local que tinha sido avisado do fogo e ao lhe informarem da morte do aleijado,respondeu que ele é que tinha chegado correndo de rastos na delegacia e tinha falado do fogo.Em Curitiba ocorreu o único acidente sério de carro em que me envolvi:certo dia,com um fusca da PF,dirigia-me para o trabalho quando na reta do Centro Cívico ao ultrapassar um onibus que estava parado em um ponto,uma mulher,que depois em soube ter vindo da roça e ser o primeiro dia em Curitiba,saiu correndo pela frente do coletivo e bateu no paralama direito do carro que eu dirigia,sendo atirada para o alto e caindo em cima do capô.Como eu estava devagar,ela não sofreu nada demais,salvo alguns hematomas e um puta susto.Levei-a para o hospital e verificado que nada tinha de grave levei-a para casa dela,sem maiores problemas.Mas foi um grande susto ser atropelado por um pedestre.Além das ações da minha Delegacia eu ainda tinha de presidir os crimes praticados contra os indigenas,tutelados da União,tendo certa vez passado pelo desagradavel ato de presidir a exumação de um deles assassinado(é terrível esse ato,com o fedor e os pedaços já em decomposição sendo retirados)e de mandar a equipe da Delegacia de Repressão ao Tráfico de Pessoas,pela qual eu respondia,visitar os puteiros e levantar se havia casos de tráfico de brancas,ou seja de favorecimentos a prostituição ou de levar mulheres da vida para outro País.Outro fato interessante,nas andanças pelo interior paranaense,eram as nossas horas de descanso(eu e João Vicente),ocasião em que sempre iamos aos indefectíveis parques de diversão,que existiam em todas as cidades interioranas e lá a diversão era ir para a barraca de tiro ao alvo.Lá o João Vicente,goiano,caçador de primeira,pegava duas das espingardas e as regulava,pois todas eram,propositalmente desreguladas,para o dono da barraca ganhar seu dinheirinho.A partir daí eu e ele ganhavamos um monte de maços de cigarro,balas,bolas e enfim os premios que quizessemos,pois acertavamos todas.Esses premios a maior parte não ficavamos com eles ou devolvendo-os ou dando para alguma criança perto.Resultado é quando voltavamos os donos das barracas ficavam escabriados e até nos pediam para não atirar...Outro fato interessante era quando resolviamos conhecer a zona do baixo meretricio da cidade e era fácil:perguntavamos na recepção do hotel onde era a paroquia,a casa do padre e era só ir na direção oposta...Portanto aí eu fui policial:drogas,indios e putas...É mole???Madeira

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Principais ocorrencias a frente da Delegacia no PR

Como sempre dei sorte nas minhas decisões incovenientes ou pelo menos diferentes do comum.Ocorre que logo após eu ter apresentado-me e iniciado minhas atividades houve a mudança do Delegado regional saindo o Gen.Denizart e assumindo outro General da reserva do EB,Alcindo Pereira Gonçalves,inteligente,trabalhador,sempre bem humorado, amigo,com quem me relacionei muito bem,pois com o antecessor eu com uma semana já estava queimado.Ocorre que ao me apresentar-me fui informado que o tal de Denizart era grosso e que tratava todo mundo aos pontapés e achava que os delegados da PF eram uns bostas.Bem,eu disse aos colegas que comigo ele estava fu,pois eu não aceitaria e não deu outra,pois em determinado dia fui falar algo com ele e ele quis gritar comigo e ele era um coroa,de cabelos brancos,magro,alto,empinado,mas eu estava no auge da minha forma fisica e nunca levei mesmo desaforo para casa e eu o avisei "o senhor trate de falar comigo baixo e de me respeitar se não vou lhe enfiar a mão na cara,derrubando-o dessa cadeira e depois vou gritar para virem lhe socorrer,dizendo que o senhor caiu da cadeira"(que era giratória).Ele ficou lívido e eu fui para o lado da mesa dele e da cadeira,onde ele estava sentado e ele ficou calmo rapidinho e parou de falar alto.Nada como um mais maluco,para resolver o problema.Eu sabia que eu estaria em algum momento fu,mas dei sorte,mais uma vez e ele caiu fora de lá.Lá dei uma escorregada administrativa feia e de bobeira mesmo e se não fosse inimigo de mentiras e se não assumisse todas as cagadas que faço,não sei o que ocorreria.Ocorre que fui fazer um trabalho em Foz e lá ao usar as dependencias da delegacia local,chefiada pelo delegado estadual,dr.Alfeu,recebi dele de presente duas calças jeans,coisa barata se comprada no Paraguai,que ele tinha apreendido e não tinha feito a devida apreensão e instaurado o competente inquérito policial,limitando-se a mantê-las na delegacia e dando de presente a autoridades locais e visitantes,ou seja as distribuiu e eu otário as recebi e em Curitiba dei as duas para a Hilda por serem muito grandes.Ocorre que alguém denunciou o delegado e foi instaurado processo na Justiça Federal sobre o caso.Intimado a depor contei a verdade,confirmando o fato.Nesse momento vi o juiz e o procurador ficarem enrascados,pois já tinham prestado depoimento vários outros agraciados,tais como juízes,desembargadores,enfim várias autoridades e todos disseram não ter recebido nada e daí,tinham mentido e só restou a eles me liberarem,achando que eu era doido e arquivarem o processo,se não...De outra vez,eu estava respondendo pela Delegacia de Estrangeiros,face a férias do titular e recebemos um alemão irregular no Pais e que era alcoolatra,dependente total de bebida e que tremia muito e não conseguia nem falar nas crises de abstinencia.Chamei o consul da Alemanha para as providencias administrativas que o caso requeria,de inicio ouví-lo em cartório e ele não conseguia ficar sentado,nem falar nada.Então dei uma de invencionice e com o de acordo do consul,mandei comprar uma garrafa de cachaça de pior qualidade que houvesse.Foi impressionante.Ele bebeu de um gole todo o conteúdo da garrafa e ficou em um estado de consciência bom,que permitiu dar o depoimento,devidamente traduzido pelo consul e assiná-lo.Depois colocamos ele no xadrêz e dormiu o dia todo,sendono dia seguinte entregue aos cuidados do consul.Também lá passei pela desagradavel experiencia,depois repetida na vida pessoal,de assistir,então presidindo,uma exumação,no caso de um indio assassinado e em um inquerito por mim presidido.É tétrico e mal cheiroso.Também lá pela primeira vez assisti a terrível cena de receber uma mãe,aos prantos,pedindo que fossemos prender o filho,por não aguentar mais ser furtada,ameaçada se não entregasse o dinheiro da aposentadoria dela,para ele ir comprar drogas.Lá estourei muito local de drogas e conheci o que é o vicio e suas consequencias.Após a GEB,de outra forma,onde agi e enfrentei disturbios de massa,foi o outro local em que fui policia na expressão da palavra e que me faz rir de criticos de ações da policia,pois eles não sabem da adrenalina que é participar de um tiroteio,que é conviver com sobressaltos,de enterrar companheiros e consolar seus familiares.É muito fácil criticar,sem ter vivenciado.Madeira

As atividades policiais na DR/Paraná

Ao apresentar-me na Delegacia Regional do DPF no Paraná o fiz ao Gen Denizart,da reserva do EB,que tinha como Chefe de Gabinete,ou seja o responsavel pela parte funcional/administrativa,un delegado da policia civil do PR,Moupir Amaral,com quem me relacionei muito bem e que sempre apoiou-me muito.Fui designado para chefiar como titular a Delegacia de Repressão a Entorpecentes,que ninguém queria,pois era a "boca podre",face aos nossos hermanos paraguaios e sua desorganização interna,na área policial,sendo então(e ainda hoje)Foz do Iguaçu,uma das principais portas de entrada das drogas em nosso País.Como o foco principal era na região fronteiriça recebi também acumulativamente a Delegacia de Repressão ao Tráfico de Pessoas,responsavel pelo comercio de brancas,como era chamada a retirada de prostitutas do País e também pela apuração de crimes cometidos contra os indigenas.A partir daí ou eu fazia o meu nome a ferro e fogo ou não faria carreira e seria mais um Delegado "banana".Decidi é óbvio fazer tudo certo e muito bem,tanto por vergonha na cara como por ter aprendido com meu pai e no EB que missão se cumpre e muito bem e então com o apoio de Terezinha,valente como era,que tocou praticamente sozinha a casa e a educação dos filhos,inclusive aprendendo a dirigir e liberando-me para tocar a minha carreira e então vivi durante os quase dois anos que lá trabalhei,praticamente no interior,trocando tiros com traficantes e fazendo flagrantes,com grandes apreensões de drogas,naquele tempo só maconha e alguma cocaína,mas muito pouca.Mandava a minha equipe levantar os dados de arquivo ou com a policia civil e até mesmo indo ao interior e depois eu ia com o meu escrivão,excelente em todos os aspectos, inteligente,trabalhador,corajoso o João Vicente Campos de Carvalho e com o apoio das instalações da delegacia de policia local,onde faziamos os flagrantes e deixavamos os presos.Iamos normalmente em um fuscão de placas frias,com o armamento pessoal, nossos revolveres.38 e cada um com uma metralhadora INA.45,escondida dentro de uma caixa,que tinhamos bolado,identica a um violino.Em Curitiba ficavam outros agentes,com ordens de missão fizando investigações e prisões em flagrante,lavradas pelo delegado de plantão,escala a que eu não concorria,pelas viagens.As diligencias e prisões mais complicadas eram em Foz e Guaíra pelo tráfico internacional,com a presença de traficantes mais bem armados e paraguaios,mas sempre fui muito bem protegido pelos meus proterores e nunca matamos ninguém ou nos ferimos,também graças aos nossos planejamentos serem muito bem feitos.Era inclusive muito comum ao estourarmos os "muquifos" haver a fuga dos vagabundos que deixavam a mercadoria,o que por sermos poucos,não os pewrseguiamos,até por já termos os nomes e as prisões posteriores serem questão de tempo.Madeira

1971,morando no Paraná

Eu e Te,com o apoio de Cenira e Mauro,conseguimos,no inicio de dezembro,dentro do período de trânsito,alugar uma casa em uma rua tranquila,ao lado das obras do futuro instituto de educação,atrás do Palacio Iguaçu,sede do Governo estadual,rua de terra,que terminava em uma área densamente florestada(hoje parque do Papa),dentro do que Terezinha sonhava.Ficava na rua Manoel Eufrázio 1520,no bairro do Ahú de Baixo,bem próximo do centro de Curitiba e também da sede da PF.Também tinha na esquina uma padaria,uma mercearia e atravessando a rua uma creche e colegio de primário,portanto nos atendendo em todos os quesitos.A casa,para onde mudamos de vez no inicio de l971,tinha a frente uma pequena área gramada com uma imensa hortensia em um canto,com um muro baixo e uma varanda,onde ficava a porta da sala de estar/visitas.Lateralmente tinha o portão da garagem e a entrada de carros,em um corredor,que dava acesso ao fundo a garagem fechada,a esquerda da qual estava uma área maior gramada,que servia para brincadeiras em geral.A frente desta e ao lado da garagem ficava a lavanderia e as dependencias de empregada,no caso a adotada Hilda.Dentro a casa era muito grande,muito espaçosa,com uma ampla sala de visitas e após a mesma a sala de jantar e três quartos,com um banheiro muito amplo.Um quarto era nosso de casal e os outros um para o Caio e o outro para Flavia e Cintia,com a cozinha,também muito grande ao fundo,dando saída para a área de fundos.Compramos todos os móveis novos,brancos,modulados,da Guelmann,marca famosa,pois os nossos como foram feitos sob medida para o apto de Brasilia,foram vendidos junto com o apto de lá.A casa ficou linda e toda novinha.O inicio lá foi maravilhoso,tudo rodando redondinho,inclusive não tendo ainda o único grande defeito/problema de Curitiba:o frio fdp,que só descobrimos a partir de maio/junho.Aliás os proprios curitibanos dizem que em Curitiba só existem duas estações:o frio e a rodoferroviária.Lá Cintia foi batizada pela Cenira e Mauro,na Igreja de Santa Terezinha e a exceção de continuas dores de ouvido e gripes das crianças na estação invernosa o resto foi magnifico.Que Estado maravilhoso,que cultura e educação,com uma limpeza de ruas incrivel,é o Paraná,um padrão de urbanismo.A creche excelente,professores preparados,limpeza de primeira,enfim foi uma excelente escolha a nossa em iniciar minha carreira de delegado,de autoridade policial,a frente de uma delegacia em um estado tão adiantado.Tinhamos o nosso fusquinha 69,tirado em consórcio em Brasilia e nos finais de semana passeavamos tudo em volta,com Mauro e familia(tinham dois filhos meninos,maos velhos que os nossos),neste caso em uma kombi das Casas Massom,gerenciada por ele.Assim,conhecemos Paranaguá,principal porto do sul,este em viagens de litorina,pela Serra do Cadeado,parte da Serra do Mar,via Antonina e Morretes,cidades históricas,fomos várias vezes a Foz do Iguaçu,para passear nas cataratas e para compras em porto Presidente Strosner,hoje Ciudad de Leste,a Guaíra e suas sete quedas,que hoje não mais existe,pois foi inundada para dar lugar ao lago de Itaipu e a hidroeletrica de mesmo nome,a Apucarana,Guarapuava,Londrina,Maringá, cidade canção,Ponta Grossa e sua cidade de pedras,Vila Velha,bem como o fizemos nas cidades catarinenses próximas,Joinville e Blumenau,além de Floripa.Isto tudo nos feriados proongados,quando não paravamos em casa,pois durante a semana eu é que estava em operações pelo interior do Estado.Dona Hilda sempre passando alguns dias conosco e muitas visitas de meus pais,do Egydio e pessoal e de colegas e amigos de infância.Dentre estas destaco uma volta por todo o interior do Paraná,em que,aproveitei uma estada de dois amigos de infância,o Nilton e o Hertz,quando rodamos todo o interior e conheci os sete saltos de Guaíra,que era um local muito mais bonito do que as Cataratas do Iguaçu,pela diversidade dos mesmos e nos quais,em um recanto,tomamos banho nús.Foram quase dois anos muito bons,com férias no Rio e no Hotel Fazenda Três Pinheiros,todos juntos.Também muito futebol,tanto pelo time de futebol de salão da Delegacia Regional,como pelo time do bairro,o Brasinha Futebol Clube,que disputava campeonatos regionais,normalmente aos domingos pela manhã,onde eu era o goleiro titular e algumas peladas no Clube Militar de Curitiba,aos sabados a tarde,em um campinho de terra,seguido de uma saúna,quando não estava viajando.Aos domingos,ia muitas vezes ver os jogos dos campeonatos paranaense e brasileiro,nos estadios locais,o Couto Pereira do Coritiba,o Durival de Brito,então do Ferroviário,hoje Paraná e o do Atlético Paranaense,o gigante da Baixada,sendo que nos jogos locais eu assistia de dentro do campo,pelas minhas funções.Em Curitiba,à entrada da garagem de lá de casa passei um dos grandes cagaços de minha vida,pois certa vez,enquanto TE abria o portão da garagem o Caio,pequenino ainda pendurou-se na porta do carona do nosso fusquinha e eu não vi e quando arranquei para colocar o carro na garagem ele caiu e TE gritou e eu freei e fiquei imobilizado pois não sabia onde ele estava,se embaixo da roda,do lado do carro,enfim,uma interrogação,da qual só livrei-me após TE correr e puxá-lo do lado do carro.Ainda bem que nada demais ocorreu...Madeira

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Algumas operações importantes na década de 60,na PF

Além de quase termos,eu e Dr. Edson Lasmar,localizado e prendido o nazista Josef Mengele,mas foi graças as nossas investigações que difundidas deram ocasião ao delegado da policia civil de SP.Fleury de prendê-lo,envolvi-me em outras ações policiais importantes.Uma foi realizada,juntamente com outro delegado e ex-colega tenente gebiano,lourinho como eu,José Carlos Gentil e foi de levantamento sobre desvio de pedras preciosas dos garimpos fluviais do rio Araguaia.A partir de informes oriundos da Federação de Assistencia aos Garimpeiros/FAG de que aviões de pequeno porte estavam entrando irregularmente no País e levando para o exterior sacos e sacos de pedras preciosas dos nossos garimpos,eu e o Gentil,com documentos frios de garimpeiros,com uma estória de cobertura,de que estariamos fazendo levantamentos de garimpeiros da região,embarcamos de onibus para Goiania,sem os documentos de policiais e de lá de avião da VASP para Marabá/Pará,onde em nome da FAG,alugamos um penta,pequeno barco a motor e seguimos até o encontro do rio Tocantins com o Araguaia,a partir de onde,já tendo tido um curso sobre pedras preciosas,sua extração,valor,etc,passamos a conversar com garimpeiros e a fotografar os garimpos.Foi cerca de um mês de comer só o que se pescava,com arroz e farinha(que não suporto),beber água do rio e fazer as necessidades no mesmo rio,lá tomar banho e lavar as mudas de roupa,dormir em redes e as noites em terra em casinholas feitas para guardar cereais,em especial o milho,que eram altas e fechadas para que houvesse defesa contra animais ferozes,como as onças.Essas dormidas eram muito duras,pois eram desniveladas,face as espigas de milho o serem.A missão foi cumprida,confirmada em relatório,com muitas fotos e depoimentos mas custou-me uma amebiase,que foi recorrente durante muito tempo.O que foi feito a respeito depois desconheço.Outra foi a de uma investigação,esta muito mais perigosa,também com documentos frios,pois destinou-se a comprovar corrupção de membros da PF em SP.Queixa prestada,de carater sigilosa,informava e pedia providencias a respeito de achaques feitos a comerciantes por policiais da área de fazendaria,que para não processá-los por seus crimes fiscais.Fui escalado,estudei o caso,recebi documentos frios e fui de onibus para SP,onde foi acertado um encontro meu,suposto advogado de um comerciante achacado,para acertar o pagamento do suborno.Hospedei-me em um hotel furreca mesmo, ao lado da rodoviária de SP,com gravador por mim montado e confirmei tudo,marcando para daí a uma semana o pagamento,para dar tempo de montar o flagrante.Voltei a sede e foi feito o mesmo,sendo presos e expulsos dois escrivães,dois agentes e um delegado.Fiquei fora dessa parte,é óbvio...Outra participação importante foi no interrogatório dos estudantes presos no congresso da UNE em Ibiúna/SP.Na época eu estava fazendo o curso de inteligencia no CEP e como eram muitos os presos,centenas e centenas,nós fomos ajudar nos interrogatórios pois já tinhamos feitos essa disciplina e que foram feitos em uma fortaleza da Baía de Guanabara,onde eles estavam detidos.A maioria absoluta hoje é ministro ou pelo menos alta(e rica)autoridade desse desgoverno atual e durou alguns dias,pois eram muitos e ocorreu sem qualquer problema ou violencia,tendo eles contado tudo que perguntado,fácil, fácil,pois todos são muito valentes agora,que estão no poder e distorcem os fatos,apoiados pela midia de esquerda ou a traição,como nos crimes que cometeram,muitos,depois,dessa primeira violação da lei.Madeira

Ainda de Brasilia,meus chefes e subordinados mais marcantes

Na GEB o meu comandante foi o Tenente João Gonçalves Netto,o nosso cabo João,grosso,ex-policia especial do Rio,amigo,gozador,que passou por um grande drama familiar,do qual participei diretamente,ao auxiliar na busca dos sobreviventes.O Ten. João mandou a familia composta pela esposa Selma e três filhos homens, crianças,para o Rio,onde ela iria submeter-se a uma operação para ligar as trompas.O onibus,de noite,caiu no rio Prata(acidente famoso à época/1962),onde uma chuva muito forte tinha derrubado a ponte sobre o mesmo,morrendo a maioria dos passageiros,inclusive os filhos dele.O Egydio foi para o local ajudar nas buscas e eu fiquei no comando e o carro do Egydio capotou,prendendo-o em baixo e aí fui eu para lá socorrer o Egydio e ajudar nas buscas.Infelizmente só me foi possível reconhecer os corpos dos filhos dele e trazer o Egydio de volta com problemas na área do tronco,dos quais levou quase um mês recuperando-se.Mas o destino é sempre benigno e o João e Selma tiveram depois uma filha,que eles tanto tinham querido antes.Enquanto isso o Egydio era tratado por mim,que fazia os curativos e dava uma sopinha na boquinha.Aliás de outra feita ele teve uma hepatite e eu lhe dava para comer doses maciças de doces,também na boquinha.Depois na Interpol tive um chefe brilhante,equilibradíssimo,tranquilo,muito inteligente,policial e gentleman,o Dr.Edson Lasmar,a quem devo muitas atenções e ensinamentos.Na Divisão de Operações tive vários diretores,todos oficiais do Exercito.O primeiro foi o general da reserva,Avany de Arroxellas Medeiros,sistemático,trabalhador,sempre presente,que tinha a mania de economia,indo sempre às salas e abrindo as janelas,alternadamente, dizendo que assim o vento circulava e não era necessario ar refrigerado ligado.Depois veio o Gen.Dionisio Maciel do Nascimento Junior(o avô do Luquinha),alto,magro,elegante,sério,parecia um lord inglês,também muito bem preparado,o chefe,daqueles que logo se sabia onde ele estava quem era o chefe.Depois veio um major da ativa,o então major de Infantaria Vicente de Albuquerque, jovem,operacional,sempre a frente,discutindo as ações,enfim um lider.O Major Vicente estava servindo no quartel em SP,quando o capitão Lamarca cometeu o infame e covarde ato de desertar e por ele soubemos toda a história de mentiras e covardia do Lamarca,hoje heroi dos vermelhos a frente da Nação Brasileira.Depois na ANP tive como Diretor o major Walter Milton Aranha de Oliveira,sério,meticuloso,como bom artilheiro,com quem muito aprendi.Já subordinados,todos muito companheiros e capazes,destaco o inesquecivel Altamir Balbino,competente e irmão;o Waucrence Carvalho,motorista,educado e sombra;os meus sargentos Valentim,instrutor de defesa pessoal da SE e o sargento do meu pelotão,Simão Zouain,capichaba,maneiroso;na Interpol,o craneo Paulo Brum,poliglota e muito inteligente e no SI o Dórea e de novo o Balbino.Já nos pares,dentre os tenentes não esqueço os colegas de SE,todos competentes e comprometidos,tendo chegado ao oficialato superior na PM/DF,dentre eles o Estevam Iemini de Rezende,mineiro,modelo de oficial,o Hugão,negão amigo,simples,competente,enfim todos,sem exceções e a PM/DF é a prova,pois eles a fizeram:lá vão alguns nomes,dos mais ligados a mim,sem que signifique qualquer restrição ou diminuição profisional ou pessoal aos não citados,pois de todos guardo uma recordação nostalgica e fraterna:Barbalho,Omar Dau,Padua(também o meu competente dentista),Paulo,Brandão,Edilson,Caldas,Cardoso,Amaral,Cunha,enfim todos,incluindo ainda aqui os mais antigos,eles os verdadeiros pioneiros,Fraguinha,Hugo Costa, Pastore,Geraldo Silva,Coutinho,todos os demais e aqueles que foram para a PF e lá foram delegados junto comigo,como Marabuto,Romão,João Alberto ou peritos como Prata,Meira,Zaranza, enfim foi efetivamente uma pleiade e que deu origem tanto a PM/DF como aos quadros da PF.Madeira

sábado, 1 de maio de 2010

Dez anos de Brasilia e mais algumas lembranças

Ainda vale a pena relembrar fatos diversos ocorridos comigo e/ou os meus em Brasilia.Em muitos deles o Egydio é o parceiro do fato.Certa vez,quando moravamos juntos,ele de repente começou a falar alto,no meio da noite(o que ele nunca tinha feito)e eu acordei e prestei atenção:ele dizia o seguinte:"ou eu ou você;os dois não;eu não aguento mais".Preocupei-me,pensei que ele estava surtando e abri os olhos e preparei-me para me embucetar com ele,pois julgava que estava falando comigo.Então ele levantou,abaixou-se,pegou um sapato dele,que usava sem meias e era bem fedido,abriu a porta e o atirou do lado de fora do quarto...Que alivio!!!Em outra ocasião o time da GEB,de futebol de campo,o Dinamo,em que jogavamos,foi realizar um amistoso na cidade satelite de Cruzeiro,hoje chamado de Cruzeiro Velho,em um campo horrivel de barro vermelho e nós fomos de onibus,o que não era comum,com todos os demais jogadores,sargentos e praças.Findo o jogo,nos afastamos do grupo e fomos beber algo,face a sede imensa.O pessoal entendeu que já tinhamos ido,pois geralmente nós iamos de carro e foram embora para o quartel,deixando-nos para trás.Resultado fomos,cansados,já mortos,a pé para o quartel,todos sujos,andando cerca de duas horas,pois à época não havia celular,nem outro meio de comunicação,isso tudo no escuro...Quando jogavamos no Minas Brasilia,em um jogo da preliminar que assistiamos,o ponta direita do adversário recebeu um carrinho do nosso lateral,o Amaral e caiu fora de campo em uma área cheia de cascalho e arranhou-se todo.O Egydio levantou-se da arquibancada,ajudou o cara todo ensanguentado a levantar-se e disse-lhe:"pode voltar,mas cuidado pois na próxima vez ele vai te dar uma porrada maior ainda..."Em outro jogo no campo da Aeronautica,o Egydio marcava o ponta direita(ele jogava de lateral esquerdo ou apoiador),um negão,que em determinado momento deixou a mostra,ao cair,um baita penis preto e o Egydio disse"o que é isso negão?"ao que o cara respondeu:gostou?é grande,né?e o Egydio rapidamente respondeu:"não é que está sujo e fedendo..."Já com Terezinha o mais marcante foi quando com o dinheiro certinho para as compras do mês,ela grávida do Caio,dentro da subsistencia(mercadinho)da associação dos servidores do DFSP,esbarrou e derrubou uma garrafa de vinho bem cara e naquele mês tivemos de levar menos comida e pagar um vinho não bebido...Em outra feita estavamos em casa,no quarto,conversando,em um sabado a noite,duros,sem dinheiro para mais nada,na base do pão com ovo no lanche e ovo com arroz no almoço,quando tocaram a companhia.De imediato,fizemos ainda mais silencio(ainda bem que a sala estava escura,de luz apagada)e deixamos as pretensas visitas tocarem a campaínha até cansarem e irem embora.No dia seguinte eu soube que tinha sido o meu chefe imediato e eu disse-lhe que tinhamos saído...Pô,eu nunca frequentei a casa ou convidei para minha casa chefe ou subordinado para visitas,para não haver mistura de profissão com amizade.Não posso esquecer também as competições de futebol que participei e ganhei,tais como o campeonato de futebol de profissioanais liberais,no qual como goleiro do time dos militares,fomos campeões de Brasilia.Era um timaço que reunia oficiais das FFAA e do DPF tinha eu,o Egydio e o Rezende.Também pelo Minas-Brasilia fui campeão brasiliense de futebol de salão em 1969,em um timaço
no qual eu era o então beque parado e que tinha cracaços como Axel e Guairacá.Também no futebol society o timaço campeão brasiliense da nossa super quadra,em que jogavamos eu,o Egydio e o Mougli.Tudo isso comprovado com as faixas de campeão guardadas.Outras recordações dos Fernandes são uma de Ivone e outra do meu sobrinho Raul.A Ivone,recem casada,teve pedido por um médico um exame de urina e ela colheu o material e o levou para o laboratorio,só que como não sabia a quanitidade levou uma garrafa de refri de um litro cheia...Já o Raul,lá pelos seus cinco/seis anos foi avisado pelo Egydio que ia no dia seguinte ao médico pediatra e começou a chorar e a reclamar que não tinha nada no pé,porque que ir ao pediatra...Madeira