terça-feira, 11 de maio de 2010

Mais alguns fatos profissionais na DR/PR

Ao chegar a então Delegacia Regional e assumir pela primeira vez a função de autoridade policial processante e cumulativamente,ao abrir as gavetas da mesa do Delegado,encontrei na última gaveta uma palmatória e um telefone a magneto.Chamei o chefe do setor de investigações,um negão,já de cabelos brancos,de nome Ademar e perguntei o que significava aquilo e ele disse-me que eram os meios de interrogatório dele.Logo comigo que não aceito e nunca pratiquei a tortura ou deixei fazê-lo e ainda mais responsável pela disciplina "Técnica de Interrogatório"na ANP é que aconteceu isso e de imediato determinei que sumisse com aqueles instrumentos de "trabalho" dele,dei o manual da citada disciplina para ele estudar e disse que eu faria os interrogatórios sempre que necessário.Logo eu soube que ele tinha ironizado minhas determinações e queria ver eu tirar algum serviço de alguém,o que ignorei,sabendo que o tempo dar-me-ia razão.Ao ser transferido de lá recebi dele palavras que serviram como uma homenagem,reconhecendo que tinha aprendido comigo coisas que nunca pensou saber e agradecendo-me.Dentre as ações da repressão as drogas estava o total controle das drogas medicamentosas(de receituário retido e guarda em cofres)nas farmacias,além do controle dos livros de lançamentos da venda desses remedios,que eram então,juntamente com a maconha as drogas que circulavam e essze acompanhamento nós faziamos diuturnamente,através das nossas equipes volantes.Também era atribuição nossa acompanhar os exames antidopping feitos,por lei estadual(era o Paraná o único Estado que o fazia)após os jogos de futebol profissional.Com isso acompanhei bem o futebol paranaense em 71 e 72,inclusive assistindo alguns jogos de dentro do campo,tendo inclusive acompanhado um dos mais inteligentes treinadores de futebol,na época no Coritiba,que dizia-se que mudava um jogo no intervalo,o famoso Elba de Padua Lima,o Tim.Como autoridade processante novata fazia meus flagrantes e inqueritos com o Código de Processo Penal e minhas apostilas da ANP,bem como a legislação anti drogas,abertas na minha mesa,além de viver as estudando,principalmente nas viagens.Nesse aspecto,escolhi um padrinho,ou seja alguém que tivesse mais vivencia em procedimentos de policia judiciaria e nas dúvidas o consultava.Foi o meu anjo da guarda e orientador:Dr. Raul Ketter,um alemaozão,experiente,honesto e amigo que fiz.Conheci e muito bem,até por ter de saber os locais onde ia trabalhar e com riscos,todo o interior do PR,inclusive suas belezas naturais e suas potencialidades.Como diferente lembro da Colonia Genoveva,em Guarapuava,de origem alemã,onde só se falava alemão e todos os costumes o eram,parecendo que não se estava no Brasil.Em contraponto Asaí,na realidade ashai,por do sol em japonês,onde só tinha japa e se falava direto japonês,lugar com uma agricultura pujante,um verdadeiro cinturão verde.Lapa,encostada em Curitiba,com formações rochosas milenares,assim como Vila Velha/Ponta Grossa,isso sem falar de Foz e Guaíra as quais já me referi.Na época do inverno,com muitas estradas sem asfalto,de barro avermelhado,lembro bem que andavamos com o fusca derrapando de lado,buscando seguir dentro das trilhas já existentes e ainda assim muitas vezes tendo de colocar nos pneus correntes,para diminuir a possibilidade de atolarmos e/ou de sairmos da estrada.No interior fizemos em Campo Mourão um inquerito brabo,pois o cabeça da disseminação das drogas farmacologicas era,depois descobrimos,o filho do Prefeito e dono da única farmacia local.Lá também conheci o primeiro boteco vinte e quatro horas,que nunca fechava e para isso nem portas tinha.Contava-se lá que ele não tinha portas porque anteriormente tinha pegado fogo e estava cheio e por isso tiraram as portas.Nessa mesma ocorrencia de incendio,contava o povo local,que logo que o fogo alastrou-se(era de madeira o bar)lembraram-se de que tinha um aleijadinho que era levado para lá e colocado sentado para assistir e marcar os pontos dos jogos de sinuca e que ninguém tinha visto.Quando já lamentavam a morte do mesmo chegava correndo o delegado local que tinha sido avisado do fogo e ao lhe informarem da morte do aleijado,respondeu que ele é que tinha chegado correndo de rastos na delegacia e tinha falado do fogo.Em Curitiba ocorreu o único acidente sério de carro em que me envolvi:certo dia,com um fusca da PF,dirigia-me para o trabalho quando na reta do Centro Cívico ao ultrapassar um onibus que estava parado em um ponto,uma mulher,que depois em soube ter vindo da roça e ser o primeiro dia em Curitiba,saiu correndo pela frente do coletivo e bateu no paralama direito do carro que eu dirigia,sendo atirada para o alto e caindo em cima do capô.Como eu estava devagar,ela não sofreu nada demais,salvo alguns hematomas e um puta susto.Levei-a para o hospital e verificado que nada tinha de grave levei-a para casa dela,sem maiores problemas.Mas foi um grande susto ser atropelado por um pedestre.Além das ações da minha Delegacia eu ainda tinha de presidir os crimes praticados contra os indigenas,tutelados da União,tendo certa vez passado pelo desagradavel ato de presidir a exumação de um deles assassinado(é terrível esse ato,com o fedor e os pedaços já em decomposição sendo retirados)e de mandar a equipe da Delegacia de Repressão ao Tráfico de Pessoas,pela qual eu respondia,visitar os puteiros e levantar se havia casos de tráfico de brancas,ou seja de favorecimentos a prostituição ou de levar mulheres da vida para outro País.Outro fato interessante,nas andanças pelo interior paranaense,eram as nossas horas de descanso(eu e João Vicente),ocasião em que sempre iamos aos indefectíveis parques de diversão,que existiam em todas as cidades interioranas e lá a diversão era ir para a barraca de tiro ao alvo.Lá o João Vicente,goiano,caçador de primeira,pegava duas das espingardas e as regulava,pois todas eram,propositalmente desreguladas,para o dono da barraca ganhar seu dinheirinho.A partir daí eu e ele ganhavamos um monte de maços de cigarro,balas,bolas e enfim os premios que quizessemos,pois acertavamos todas.Esses premios a maior parte não ficavamos com eles ou devolvendo-os ou dando para alguma criança perto.Resultado é quando voltavamos os donos das barracas ficavam escabriados e até nos pediam para não atirar...Outro fato interessante era quando resolviamos conhecer a zona do baixo meretricio da cidade e era fácil:perguntavamos na recepção do hotel onde era a paroquia,a casa do padre e era só ir na direção oposta...Portanto aí eu fui policial:drogas,indios e putas...É mole???Madeira

Um comentário:

  1. Não é mole não. Lembro bem de Vila Velha, das grutas e da viagem de trem (acho que é isso). E a história do aleijadinho é muito boa.

    CAIO

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