As historias que rolavam sobre o futebol profissional carioca eram muitas e terríveis e obviamente de dificil comprovação e por isso nunca comprovadas.Dentre as que corriam e de que me lembro cito as referentes ao técnico Yustrich,ex-goleiro do Atlético Mineiro,muito grande e forte e era de que ele batia em jogador que não se esforçasse em campo ou que não cumprisse suas ordens a risca;havia também a de que
o goleiro Veludo do Fluminense,muito bom goleiro,mas eterno reserva de Castilho,o maior goleiro de clube que eu vi jogar,titular em um clássico contra o Flamengo,levou seis gols suspeitos e que teria sido comprado em troca da mobilia da casa dele,pois estava se casando e não a tinha;de que o goleiro titular da Portuguesa,de nome Antoninho,com quem eu treinava,excelente goleiro,elástico e corajoso,era viado e que o homem dele era o colega de time e zagueiro central,um negão chamado Juvaldo,que depois foi para o Santos e lá brilhou;também na Portuguesa conheci,em fim de carreira e já muito alquebrado moralmente,pela culpa sobre ele lançada,o goleiro da seleção brasileira de 50,Moacyr Barbosa,crioulo educado,exscelente pessoa e goleiro elastico e corajoso;lembro que a maioria dos craques de então eram movidos a gratificações extras e diferenciadas,dadas por baixo dos panos,por diretores e benemeritos dos clubes;que os grandes faziam o que queriam por terem força politica e votos na Federação,pois naquele tempo não havia o voto unitário e assim os votos eram por titulos conquistados(quem não tinha nenhum,tinha direito a um voto) e juntando por exemplo Flu,Fla e Bota ou Vasco já tinham votos suficientes para impor o que quizessem a todos os demais.Com isso entendi porque quando disputei pelo infanto-juvenil do Confiança,todos os jogadores dos times grandes pareciam(e eram) muito mais velhos,ou seja,gatos.Mas foi muito bom e rendeu-me duas grandes alegrias,que foram ser convocado para os treinos da seleção brasileira juvenil,que ia jogar o sulamericano da categoria na Venezuela e que era formada apenas por jogadores do Rio de Janeiro(fomos convocados três goleiros,sendo eu,o Miltão do America e o Miguel do Vasco,sendo que este chegou ao profissional do Vasco),da qual solicitei dispensa,forçado pelas ideias do meu pai,que não concordava eu eu parar meus estudos por cerca de um mes e a outra foi a de ser convidado a ir para os aspirantes do Atlético Mineiro,convidado pelo então técnico do Galo,o Newton Annet,que tinha sido técnico do Canto do Rio e tinha me visto jogar e do qual também abri mão por decisão paterna,tendo eu no meu íntimo concordado com ambas as interferencias de Seu Dias.Estourada a idade ou assinava com a Portuguesa,para ir para os aspirantes,onde já estava o goleiro anterior a mim no juvenil,hoje meu amigo e que depois veio para o Espirito Santo e brilhou,sendo inclusive o recordista nacional em tempo sem tomar gol,o Jorge Reis ou parava,já que parar de estudar nem pensar.Antes de decidir minha vida futebolistica disputei algumas partidas pelo interior do Rio e de Minas,no come e dorme,composto de pessoal que tinha estourado a idade dos juvenis e reservas eternos dos titulares,para não ficar parado e ganhar algum dinheiro;em uma dessas partidas amistosas presenciei um fato que aumentou meu horror e temor por bombas juninas:o nosso half direito,hoje volante,o Haroldo,um negão,ao jogarmos um amistoso em uma cidade não mais lembrada o nome,resolveu soltar um rojão na hora da entrada de nosso time em campo,já que o time da acsa o tinha feito:resultado o rojão saiu por baixo e ele perdeu dois dedos do meio da mão direita;Disto resultou que como eu namorava a Gina e vivia lá pelo Confiança,souberam disso e chamaram-me para aos dezoito anos ser titular no primeiro time,pulando os aspirantes e eu topei,pois amava e ainda hoje,mesmo sem que ele exista mais,amo o Confiança Atletico Clube,o meu tricolor,verde,vermelho e preto,onde calçei as minhas primeira chuteiras e aprendi tudo sobre futebol.Madeira
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
A Associação Atlética Portuguesa Carioca
Estourada a idade no infanto juvenil do Confiança eu pretendia continuar jogando lá pelo juvenil,apesar de saber que este não disputaria nenhum torneio,mas eu nunca tinha pensado em ser profissional de futebol,gostando apenas de jogar e eu sentia-me bem no Confiança,mas o destino é quem resolve e o Antonio Carlos,a bichinha que comigo jogava no Higino,morador na José Higino,estava treinando no juvenil da Portuguesa e levou-me para um teste,já que estavam formando o time para disputar o campeonato carioca de 1957.Fui,treinei e fiquei,já titular do time.Treinavamos duas vezes por semana no campo do Abrigo Cristo Redentor,pois a Portuguesa tinha recem reingressado na primeira divisão carioca e não tinha campo,esse campo que ficava entre Manguinhos e Bonsucesso,na avenida Itaoca,às terças e quintas,as tardes,sendo as terças a parte fisica,o denominado individual,constante de aprimoramento fisico,ginastica e a parte técnica,cobranças de faltas,escanteios e as quintas os coletivos.Na época a maior parte do primeiro semestre era para o Torneio RioxSão Paulo e os times pequenos ficavam treinando e fazendo amistosos,a maior parte pelo interior do então Estado do Rio.O tecnico era um um ex-lateral direito do Bangu,o Mendonça,que ficou famoso,por ter em 1951,a perna direita quebrada pelo Didi,ao que constava propositalmente,pois ele estava batendo,machucando todo mundo com sua virilidade.Nosso time era um time mediano,com uma zaga alta e boa no jogo aéreo,dois laterais de boa categoria e um ataque de bom poder de fogo.Desse time fizeram sucesso e carreira o quarto zagueiro,magro,esguio,excelente no cabeceio,que depois foi contratado pelo Vasco,para substituir o campeão do mundo Orlando,o Bibino,que no Vasco ganhou o apelido de Russo e lá fez muito sucesso,o centro avante o Lua,um crioulo alto,forte,mas rápido,que chegou a ir para o Santos,mas lá sumiu e o meia armador,o Borges,que depois foi para o Bonsucesso e o Botafogo,onde teve muito êxito.Também joguei contra e assim conheci,pelo menos dentro de campo,alguns jogadores que depois fizeram sucesso no profissional,tais como Gerson,o canhotinha de ouro,que era armador no Canto do Rio,Miguel,zagueiro central do Vasco,que depois jogou no até no Flu,Carlinhos,apoiador,cracaço,do Flamengo,Djalma Dias,zagueiro central do América,dentre outros.Quando iniciou-se o campeonato a Portuguesa tinha conseguido fazer um aluguel do campo do Kosmos Futebol Clube,na zona rural do Rio,uma estação de trem após Campo Grande,no bairro do mesmo nome e lá começou a mandar seus jogos,para onde nos deslocavamos de trem,cada um as suas expensas,na sexta feira,com hora de apresentação até às vinte horas,para concentrar e jogar no domingo.Os treinos continuaram da mesma forma,sendo que os das terças no Abrigo Cristo Redentor.Fizemos um campeonato mediano e sobre doze times(Flu,Fla,Vasco,Botafogo,America,Bangu,os denominados seis grandes e nós os pequenos,de menor poder aquisitivo,Portuguesa, Madureira,Olaria,Bonsucesso,São Cristovão e Canto do Rio,que apesar de ser do Estado do Rio,Niteroi,era convidado da Federação e disputava o campeonato carioca,portanto doze,fomos setimos,ou seja,o primeiro dos pequenos,tendo no curriculo o fato de termos derrotado o América,então o melhor time juvenil do Rio e justamente na inauguração do nosso campo em Kosmos,por 4x3.Lá na Portuguesa fiquei conhecido como Russo,apelido dado pelo Mendonça,nosso técnico.Nossas derrotas para os grandes foram todas apertadas,por exemplo para o Flu,dois 2x1 e com os pequenos nos ombreamos tendo mais vitorias que derrotas.Com isso tive oportunidade de jogar e conhecer todos os campos dos times do Rio de Janeiro,das Laranjeiras/Gavea,onde já tinha jogado pelo infanto do Confiança,ao Maracanã,onde joguei o Torneio Inicio,que era a apresentação dos times, com os jogos sendo eliminatorios,de 10x10 minutos e se empatado decisão por penaltis e mais as partidas contra os grandes.O melhor gramado era o do Bangu e depois Maracanã e Caio Martins.São Cristovão,Olaria(rua Bariri) eram os alçapões pelo apertado que eram e são,apesar do Olaria,recente ter invertido a posição do campo.Também continuei e até melhorei as regalias de jogador,com massagista e médico,concentração,com refeições,onibus bom,vitaminas,inclusive com uma baita e dolorida injeção de vitamina B12,na veia,às terças feiras.O bicho era bom e como lá era profissionalismo eu ficava com ele.Na vitória contra o America,os dirigentes portugueses entusiasmados deram um excelente bicho,se não me engano quatrocentos cruzeiros(no infanto do Confiança era de 25 a 50...).Outra sorte imensa que dei foi que nesse ano e foi somente nesse ano,os juvenis é que faziam as preliminares dos profissionais,com a ideia de se descobrir revelações e além disso,como chamariz para os jogos e para essas descobertas,os jogos dos juvenis dos clássicos eram transmitidos pela TV Continental,canal 9,logico em preto e branco,que era uma emissora que só passava esportes e que tinha como narrador,um iniciante, chamado Leo Batista.Com isso,na escola(o Andrews)acabei ficando conhecido e na minha rua mais falado.Outro fator de sorte e que contribuiu decisivamente para o meu amadurecimento foi o de treinarmos as quintas feiras contra os profissionais,o primeiro time,a partir do momento que fomos para Kosmos.Eu lá com dezoito anos enfrentando os chutes e manhas de profissionais,concentrando com eles e ouvindo e sabendo as historias de bastidores.Madeira
Os então ainda não tão famosos
Nessa época tive ocasião dever,conhecer,encontrar muitas pessoas que já eram na época famosos ou que viriam a ser depois.Não podemos esquecer que quando reporto-me
a esses ciclos de adolescencia,em um Rio de Janeiro pequenino,falamos em uma cidade espalhada,dividida em zonas urbana,suburbana e rural,as quais só se chegava de trem e maria fumaça,com bondes sendo a principal forma de transporte urbano,taxis apenas nos pontos e chamados por telefone de numeração de quatro digitos,poucos onibus,sem televisão e com radios apenas em AM,a válvulas e recheados de chiados,com jornais matutinos e vespertinos,uma capital com cerca de setecentos mil habitantes,que a zona sul terminava em Copacabana,sendo Ipanema e Leblon ainda praias selvagens,com poucas casas e a Barra um mundão de areia,todos nos bairros conheciam-se e também na cidade eram os famosos vistos e funcionando como pessoas comuns,ou seja,ainda que admirados,andavam livremente pelas ruas.Assim,vi ou até conheci muitas figuras marcantes,famosas.O Presidente Getulio Vargas,com o seu guardacostas Gregorio Fortunato estiveram em um festejo na frente da padaria Laís,dentro do carro preto conversível presidencial,bem pertinho de minhas vistas.Os casamentos de artistas era sempre na igrejinha da Gloria ou na Calendária e eu quando menor era carregado por minha mãe para assistí-los com ela.Lembro-me bem,pois quase fui esmagado do casamento de Luis Mendes e Daisy Lucidi,de Cesar de Alencar e não sei quem.Os conjuntos e as orquestas que tocavam nas festas eram de maestros/cantores que depois fizeeram fama.Vi tocando,cantando perto de mim,Severino Araújo e sua orquestra Tabajara;Rui Rey e sua banda;Erlon Chaves e sua orquestra,ouvi,nessas ocasiões,ainda iniciando,Silvio Cesar,Wilson Simonal,Quarteto em Cy,Osvaldo Nunes,outros.Um dos cinemas que frequentavamos era o Cine Madri,que ficava em uma galeria,ampla,com lojas dos dois lados e ao fundo de um lado o cine e do outro o café Madri,que era frequentado pela turma do cine Madri,que era composta por uma turma de jovens cantores,que moravam nas proximidades,na rua do Matoso e que eram Roberto Carlos,Erasmo Carlos,Tim Maia,Osvaldo Nunes,outros.Numa vila quase em frente,em diagonal a padaria Lais,na José Higino,após o rio Maracanã,morava a Zezé Macedo(Biscoito em um quadro com o Chico Anisio),que era magra e feia que nem a necessidade.Jogadores de futebol também moravam nos bairros,na casa dos pais e na Tijuca morava o Zagalo,que também tinha estudado no Externato,uns seis anos a minha frente,enfim você esbarrava em famosos,muitos que ficaram mais famosos depois.Tenho de fato muitas lembranças da Tijuca,minha Tijuca.Madeira
a esses ciclos de adolescencia,em um Rio de Janeiro pequenino,falamos em uma cidade espalhada,dividida em zonas urbana,suburbana e rural,as quais só se chegava de trem e maria fumaça,com bondes sendo a principal forma de transporte urbano,taxis apenas nos pontos e chamados por telefone de numeração de quatro digitos,poucos onibus,sem televisão e com radios apenas em AM,a válvulas e recheados de chiados,com jornais matutinos e vespertinos,uma capital com cerca de setecentos mil habitantes,que a zona sul terminava em Copacabana,sendo Ipanema e Leblon ainda praias selvagens,com poucas casas e a Barra um mundão de areia,todos nos bairros conheciam-se e também na cidade eram os famosos vistos e funcionando como pessoas comuns,ou seja,ainda que admirados,andavam livremente pelas ruas.Assim,vi ou até conheci muitas figuras marcantes,famosas.O Presidente Getulio Vargas,com o seu guardacostas Gregorio Fortunato estiveram em um festejo na frente da padaria Laís,dentro do carro preto conversível presidencial,bem pertinho de minhas vistas.Os casamentos de artistas era sempre na igrejinha da Gloria ou na Calendária e eu quando menor era carregado por minha mãe para assistí-los com ela.Lembro-me bem,pois quase fui esmagado do casamento de Luis Mendes e Daisy Lucidi,de Cesar de Alencar e não sei quem.Os conjuntos e as orquestas que tocavam nas festas eram de maestros/cantores que depois fizeeram fama.Vi tocando,cantando perto de mim,Severino Araújo e sua orquestra Tabajara;Rui Rey e sua banda;Erlon Chaves e sua orquestra,ouvi,nessas ocasiões,ainda iniciando,Silvio Cesar,Wilson Simonal,Quarteto em Cy,Osvaldo Nunes,outros.Um dos cinemas que frequentavamos era o Cine Madri,que ficava em uma galeria,ampla,com lojas dos dois lados e ao fundo de um lado o cine e do outro o café Madri,que era frequentado pela turma do cine Madri,que era composta por uma turma de jovens cantores,que moravam nas proximidades,na rua do Matoso e que eram Roberto Carlos,Erasmo Carlos,Tim Maia,Osvaldo Nunes,outros.Numa vila quase em frente,em diagonal a padaria Lais,na José Higino,após o rio Maracanã,morava a Zezé Macedo(Biscoito em um quadro com o Chico Anisio),que era magra e feia que nem a necessidade.Jogadores de futebol também moravam nos bairros,na casa dos pais e na Tijuca morava o Zagalo,que também tinha estudado no Externato,uns seis anos a minha frente,enfim você esbarrava em famosos,muitos que ficaram mais famosos depois.Tenho de fato muitas lembranças da Tijuca,minha Tijuca.Madeira
As festas da adolescencia
Nesse novo ciclo sumiram as molecagens de rua,pois já era um rapaz,fazendo o curso clássico.Assim foram trocadas as molecagens de rua,com toda a turma,que constavam,além das peladas quase diuturnas,de brincadeiras como bandeira,carniça,bola de gude,pipa(eu não consegui nunca empinar uma pipa,era muito ruim nisso),subir até a Usina da Tijuca de bonde e descer por dentro do leito pedregoso do rio Trapicheiros até próximo de casa e outras,por atividades"mais adultas",tais como comparecer a festas de quinze anos,que era um hit na Tijuca,ir ao cinema,fraudando a idade,jogar cartas(buraco e sete e meio,principalmente),ficar na esquina apenas batendo papo,sacanear aos outros,tipo,de noite amarrar uma nota de cinco cruzeiros,através de um furo a uma linha preta e colocá-la do outro lado da calçada e quando alguém a via e se abaixava para pegá-la,puxar a nota e rir da pessoa,o que muitas vezes nos valia uma boa corrida,enfim,uma "baita evolução".As festas de debutante,que ocorriam praticamente todo sabado,a maioria no Tijuca Tenis e outras nas residencias grandiosas que havia,eram sempre com musica ao vivo,um conjunto ou uma orquestra quando no clube e tinham os convites disputados pelos adolescentes à tapa.Sempre alguém da turma arrumava convite e distribuia e os que queriam ir e não conseguiam convite,dava-se um jeito de mostrar o convite e depois pela grade do jardim ou pela janela se passava para o colega penetrar.Eram festas ricas,com muita comida e bebida,sem restrições,que começavam às nove,dez horas,com a valsa do "debut" a meia noite.Nesta quem gostava de dançar e o fazia bem se acabava,o que não era o meu caso e assim eu só fui a umas poucas,abrindo mão de meus convites e não penetrando.Dentre as que eu vi assisti duas gafes de colegas.Em uma ele após se lambuzar de doces,virou-se para um coroa,que estava alegre,brincando com o nosso grupo e disse"tô com a mão suja e o jeito vai ser limpar na cortina,aqui atrás",obtendo como resposta"não faz isso não que eu sou o dono da casa e vou te botar para fora".De outra feita ele irreverente como só,ao receber a oferta por uma senhora de docinho de côco,respondeu a ela"minha senhora por um docinho de côco eu sou capaz até de dar a bunda".Essas festas acabavam normalmente às quatro horas da madrugada,ocasião em que voltavamos a pé para casa,sem qualquer perigo,ficando ainda batendo papo na esquina e rindo dos fatos ocorridos na festa até cinco,seis horas.Eu pouquíssimas vezes fiz esse programa,salvo em janeiro,mês de férias futebolisticas,pois eu sempre tinha jogo no domingo cedo pelo Confiança e depois pela Portuguesa(nesta inclusive com concentração),mas nas vezes que fiz foram marcantes.Elas sempre terminavam com a gente comendo pão fresquinho e bebendo leite idem,apanhados no portão de alguma casa,pois então o padeiro,o leiteiro e o jornaleiro colocavam no portão das casas os pedidos feitos.Também tinhamos o costume de,muitas vezes,com nada para fazer, pegar um lotação e irmos até a Praça XV comer angu no carrinho do "Angu do Gomes",de que eu não gostava mas ia junto por companheirismo.Outra onda era ir até as gafieiras da Lapa,os dancing club,sendo os mais famosos a Estudantina e a Avenida,e lá assistir as "taxi-girls" e os "pés de valsa" se exibindo,aliás sendo um de nós um excelente dançarino,o Sergio Gomes.Madeira
Ainda o Confiança Atlético Clube
Nessa época o Confiança também ensinou-me a comparecer as festas de um clube de bairro,as homenagens e a ter a minha primeira namorada firme,firme mesmo,pois demorou até eu mudar-me para Brasilia,em 1961,portanto,cinco anos de namoro sério.Desde que cheguei ao Confiança fui diferente dos demais jogadores,pois não morava no bairro,não trabalhava na fábrica,estudava,vestia-me bem(comparando com os demais),falava mais articulado,comportava-me com fidalguia,respeitando a todos,mas sem envolver-me com os comportamentos deles,além de ser louro.Porém face a ter um comportamento descontraído,amigo,sem reclamar com ninguem,nem de nada,acabei sendo um diferencial e logo era o capitão do time,fato que eu nunca tinha visto então nos times que enfrentei ou sobre os quais li,de um goleiro ser o capitão.Com isso acabei sendo objeto de paqueras e logo,logo comecei a namorar uma lourinha,que trabalhava na fábrica,baixinha,de uns olhos verdes lindos,muito ajeitadinha,que assistia a todos os jogos e morava ao lado do campo.Chamava-se Georgina,apelido Gina.Naquele tempo os pais tinham de autorizar e a familia toda palpitava e eu não fui uma unanimidade,pois alguns achavam que era demais para ela e os meus pais,quando souberam,quiseram me jantar,por ser ela uma operária.No entanto eu gostava dela e a namorei durante muito tempo,só terminando mesmo quando mudei-me para Brasilia.O namoro então era de mão dada,com dia e hora marcada,na porta de casa ou nas proximidades,passeando pela rua,ocasião em que em algum canto da rua escura,pelas árvores que impediam a passagem da luz dos postes,aproveitava-se e se trocava beijos e amassos freneticos(naquele tempo não ocorriam assaltos,nem violencias nas ruas).Eu namorava as terças,quintas e sabados,das oito às dez da noite,invariavelmente e a via durante os jogos.Foi também no lado afetivo um bom tempo,que faz parte das recordações do Confiança.Madeira
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Mais de Confiança Atlético Clube
No infanto,que é o assunto dessa época(depois falarei do primeiro time),além desses inúmeros amistosos,disputei o primeiro campeonato carioca oficial,patrocinado pela Federação Metropolitana,da categoria infanto-juvenil do Rio de Janeiro.Houve uma divisão por chaves,sendo uma de clubes da zona sul e centro,outra da zona suburbana e outra da zona rural do Rio de Janeiro,sendo convidados os clubes que tinham campo,inscrição regular,sendo o campeonato em turno e returno,dentro das chaves e classificando-se para o turno final os dois primeiros colocados de cada zona.Nossa chave tinha o Fluminense,Flamengo,Botafogo,nós e o Rio de Janeiro,também do D.A.Nas outras chaves tinha Olaria,Bonsucesso,Oiti,Campo Grande,outros.Foi a ocasião de jogar com árbitros famosos,como Antonio Viug,Amilcar Ferreira e de jogar,pela primeira vez nos campos do Fluminense(nas Laranjeiras),Flamengo(na Gávea),Botafogo(ainda em general Severiano)e no campo do Rio de Janeiro que era o do Olaria.Fizemos uma campanha mediana,ou seja,ficamos em terceiro lugar,não passando para a fase final.Mas,estreamos ganhando em nosso campo de Fluminense por 1x0 e empatando com o mesmo Flu em 0x0 lá(que emoção ganhar de meu time de coração);perdemos as duas para o Botafogo,2x1 lá e 3x0 em casa(o time deles era muito bom)ganhamos as duas do Rio de Janeiro,3x1,em casa e 3x0 na rua Bariri e perdemos as duas para o fra,a primeira na Gávea por 5x1(jogamos uma partida desastrosa,todos nós,ou seja,trememos...) e a de volta,roubada,por 3x0.Roubada,porque eles chegaram atrasados cerca de uma hora e o juiz negou-se a dar o WO previsto no regulamento e nós entramos cabisbaixos na partida,mas mesmo que tivessemos ganho não nos teriamos classificado,pois o fra teria um ponto a mais.O campeão da nossa chave foi o Botafogo,invicto,ganhou todas de todos e era o melhor time,mas o campeão geral foi o Olaria.Foi ótimo,sensacional e senti o peso da responsabilidade de disputar um campeonato oficial e inclusive com cobertura da midia.Também no Confiança aprendi a lidar com roupeiro,que era o seu Almeida,um senhor grosseiro,que cuidava das nossas chuteiras,limpando-as,tirando os pregos,com pé-de-ferro,conservando-as com sebo,entregando-nos o uniforme limpinho,passado e recebendo-o suado,sujo,enlameado e que era lavado pela esposa dele.Seu Almeida também era quem cortava a grama do campo,marcava com cal as linhas,cuidava das bolas e em troca recebia salario da fábrica e morava em um casinha em um canto do terreno.Ele e a esposa eram as pessoas que faziam tudo pelo time.Bem,comigo ele nunca foi grosso,pelo contrário,eu era o queridinho deles e tudo meu era melhor,mais limpo,mais cheiroso e eu era atendido melhor e primeiro.Motivo é que eu sempre ia procurar e abraçar a esposa dele e a ele,tratando-os com carinho e certa e principalmente é que eu sempre dei para ele o "bicho",que recebia.Todo time de futebol à época,mesmo sendo amador dava um dinheirinho,que no nosso caso vinha da fábrica,na rubrica de manutenção do time de futebol,que era fixo e para cobrir as despesas de transporte e alimentação do dia do jogo e quando em disputa de torneios era aumentado em caso de vitorias ou empates.Lá no infanto ainda me lembro era de vinte e cinco cruzeiros,todo domingo,que era pago no vestiário após o jogo e eu recebia e passava direto para as mãos do seu Almeida,pois isso eu ganhava por semana de meu pai e não me fazia falta nenhuma.Daí eu ter me tornado peixe do Seu Almeida.Também lá pela primeira vez conheci a figura do massagista,algo sensacional e que eu adorava.O massagista do infanto era o Nilton,também empregado da fábrica,branco,com curso de enfermagem,que nos massageava(quem queria)antes dos jogos com uma mistura de vaselina e mentol,que esquentava mesmo e depois do jogo,após o banho e de nos secarmos bem,com talco.Eu não perdia uma oportunidade de ser massageado.Ali,no Confiança,conheci pois gente,aprendi a comportar-me,a conviver com pessoas menos favorecidas,a lutar até o último minuto por vitórias e a tudo que um futeboleiro fazia,tinha e passava.Valeu e muito Confiança...Tenho muitas saudades e excelentes recordações.Madeira
Ainda o Confiança Atlético Clube
A fábrica de tecidos Confiança Industrial datava de 1894 e chegou a ser a maior do Rio de Janeiro,logo ombreada pela Bangu Tecidos.Hoje como lembrança dela,lá estão imponentes a chaminé,com suas iniciais no topo,parte de suas instalações,ocupadas por um mega hiper mercado,instalado na mesma construção,além das casas ao redor,todas construídas no século retrasado para abrigar os trabalhadores da fábrica e suas familias,sendo as de dois andares para o corpo gerencial e as térreas para os operários.O clube surgiu no século seguinte,na década de 20 para que os empregados tivessem um lugar para seus momentos de lazer.O campo foi construído na rua Silva Teles,com tamanho oficial,arquibancada de madeira,com tribuna de honra e sede social ao lado,com salão de festas no segundo andar e administração e jogos de salão no térreo.Frequentei muitas vezes as festas que ocorriam aos domingos,depois dos jogos das 19 às 22/23 horas e onde os atletas eram figuras ilustres e reverenciadas pelos associados.Tinhamos duas camisas,como todo time à época,uma oficial e a outra a branca,que era uma alternativa,somente usada quando as cores do time visitante confundiam-se com as do time da casa e somente pelo time da casa,que as deixava de sobreaviso até ver a cor da camisa do visitante.Todos os times então jogavam de calções brancos(era a única cor de calção de futebol) e meias listadas das cores do clube.A nossa oficial era toda verde,com gola e a beira das mangas com duas listas pretas,tendo uma vermelha entre elas e no peito,ao centro da camisa em listas horizontais,o mesmo,ou seja,uma preta,uma vermelha e outra preta,tendo no meio o escudo do CAC,que era todo verde,com as listas já citadas em diagonal e com uma bola amarela(naquele tempo só existiam bolas marrons)embaixo,no canto direito do escudo.A camisa alternativa ou segundo uniforme era igual,apenas a cor principal da camisa era o branco ao invés do verde.O campo era todo cercado com alambrado,aprovado para jogos oficiais,sendo os vestiários embaixo das arquibancadas,sendo o nosso do lado esquerdo de quem entrasse em campo,ou seja de quem estava sentado na arquibancada.Do lado direito ficava o vestiário do visitante e no meio dos dois o dos juízes.Por um pequeno corredor entravamos em campo,que era todo gramado,sempre com uma torcida grande de sócios,empregados da fábrica e de moradores da vizinhança.Vale lembrar que o Confiança chegou a disputar o campeonato carioca,logo após a sua fundação,na decada de 20,ficando sempre na posição intermediária da tabela,quinto,sexto lugar,deixando de fazê-lo quando foi implantado o profissionalismo,que não interessava a fábrica e passando então a ser filiado ao Departamento Autonomo,que era ligado a Federação Metropolitana de Futebol e que foi criado para administrar os campeonatos dos clubes que não quiseram tornar-se profissionais.Nestes,que disputei pelo Confiança,tanto como infanto-juvenil,como no amador(primeiro time)o Confiança chegou a ser campeão carioca.Madeira
O Confiança Atlético Clube e sua importância na minha formação
O Confiança foi imensamente importante na minha formação humanistica,tanto nos meus sentimentos,como nos comportamentos,enfim na minha personalidade e no meu caráter,além de ter me ensinado o que era o trabalho coletivo,a importância de cada uma pessoa individualmente para o resultado final e a saber perder e ganhar,sem vaidades e meas-culpas.Eu era um menino de classe média-média,filho de um comerciante,ou seja com um bom padrão de vida,estudava em um dos melhores colégios do Rio de Janeiro e em vez de frequentar e praticar algum esporte em um clube desse nível,por exemplo,o América,o Tijuca Tenis,fui jogar em um clube de uma fábrica,com a maioria de meus companheiros,operários fabris ou filhos deles.Mas foi graças a essa escolha que,apesar de não ter vaidades,pois meu pai não o permitia(eu nada tinha a mais do que o necessário para o diuturno),não passava qualquer dificuldade e só me relacionava com meninos desse naipe,que aprendi muito sobre gente,sobre convivencia humana.Conheci no Confiança e a eles me afeiçoei meninos que muitas vezes não conseguiam,principalmente ao final do mês,fazer todas as refeições, alguns,aos quinze anos,já sem dentes ou com eles todos podres,cariados,de mãos e pés grosseiros e falando errado,com um nível de escolaridade bem abaixo do meu e me senti bem,ombreando-me a eles,em defesa das mesmas cores,buscando as mesmas vitórias,chorando nas mesmas derrotas.Como isso foi importante,pois cedo ainda convivi e conheci esse lado da vida e pude constatar que o pobre é no mais das vezes,mais correto e sério do que muito abonado.No Confiança eu era mais um atleta,mais um jogador e não o filho do dono da padaria,do Seu Dias.Isso colaborou e muito na minha formação moral e nas minhas relações com os meus subordinados nas minhas andanças posteriores...Lá fui comandado por um treinador com menos estudo que eu já tinha então,o DUCA,com maiusculas,pois com sua simplicidade,ensinou-me a ganhar e a perder,mas principalmente a lutar com todas as minhas forças para vencer,sempre com dignidade,olhando nos olhos dos parceiros e com altivez os rivais.Ensinou-me e depois constatei,as maledicencias,as falsidades do mundo,tanto do mundo da bola,como do mundo total.Saudades do Duca e de suas preleções,das corrigendas severas quando dos erros,da exigencia de fazer o mais simples e objetivo,deixando de lado os enfeites,enfim era um homem de carater,um operário padrão,um treinador de escol,um crioulo que honrava a cor e a brasilidade dela.Lá eu não poderia ser chamado de Theotonio e ainda com agá e então tentaram apelidar-me de "Russo"(esse depois foi meu apelido na Portuguesa Carioca),por ser louro,branquelo,enquanto a maioria do time era de pardos e negros,de Alemão não podia porque já tinha um,o lateral direito,com esse apelido,mas nenhum colou,quando alguém lembrou que o goleiro do Botafogo era um paranaense,louro(só era meio careca)chamado Pianowsky e ficou sendo esse meu nome no Confiança e no Departamento Autonomo,quando o clube a ele se associou..Logo,logo,de Pianowsky,virou Piano e assim,só assim,eu era chamado dentro do Confiança e no futebol amador do Rio de Janeiro.Bem,nos dois anos e meio de infanto-juvenil do Confiança,joguei cerca de 150 partidas,com 80% de vitórias,pois era um excelente time,jogando em seu campo,bem treinado e efetivamente a maioria das partidas contra times de bairros,de rua.Piano,Alemão,Jorge e Carlinhos,Aercio e Deda;Celio,Celsinho,Gizo,Celso e Israel,este foi o time base titular,o que mais vezes jogou,tendo importantes participações de Toninho no meio campo e de Zezinho e Marcio no ataque,estes meio titulares.Alemão,operario da fabrica,era um lateral de excelente marcação,duro,forte;Carlinhos,pela lateral esquerda era o oposto dele,clássico,muito bom no apoio,em uma época em que os laterais não subiam como hoje,foi depois,ao estourar a idade para o Fluminense,para jogar no juvenil;Jorge Berutti era um central vibrante,de muito boa impulsão,excelente cabeceador,apesar de não ser alto,depois passou no concurso no Colégio Naval e fez carreira na Marinha de Guerra;Aercio era um center-half clássico,distribuidor do jogo,como se chamava á época,o tocador de violino e Deda era o meiocampo que recuava e fazia o hoje chamado quarto zagueiro,fechando a entrada da área com o Jorge Berutti,jogava também nas duas laterais,com habilidade,quando necessário;o ataque,sendo que dois dos cinco voltavam para buscar a bola e lançar os pontas(autenticos),enfim para armar as jogadas e que eram pela direita,o Celsinho,mulatinho,ágil e rápido que gostava de correr como a bola(como Zico e hoje Kaká) e o Celso,que era gemeo do ponta direita,o Célio,esse um lançador;esses dois,junto com o Aercio que era o virtuose,eram os cabeças das jogadas de ataque,sempre através dos pontas,velocíssimos,o Celio pela direita e o Israel pela esquerda e cujas jogadas sempre terminavam na cabeça ou nos pés do Gizo,centro-avante,alto e muito forte,que depois foi para o juvenil do fra.Sempre entravam e o time não sentia o Toninho no meio,para cadenciar mais o jogo;o Zezinho,primo do Aercio,nas pontas ou no meio e o Marciano,em uma das pontas.Outros passaram por lá e jogaram conosco,mas o time base,que fez muito sucesso no Departamento Autonomo e em Vila Isabel e adjacencias foi esse.Madeira
domingo, 25 de outubro de 2009
A paixão pela prática futebolistica
Aos quinze anos,quando estava findando o segundo ciclo,ainda no ginasial do Externato,movido pela paixão pelo futebol,que praticava lá,resolvi tentar um clube e jogar em um campo oficial,com juiz,com torcida,disputando campeonatos organizados. Perto de casa,a cerca de dez minutos a pé,na rua Silva Teles,descobri um clube,que disputava o campeonato amador da então Federação Metropolitana de Futebol,o Confiança Atletico Clube,mantido pela Fábrica de Tecidos Confiança Industrial. Naquele tempo não existia esse inicio cedo de se jogar futebol em clubes,tipo fraldinha,mirim,infantil,sub isso,sub aquilo.Futebol com pouca idade era nos colegios,disputando os torneios colegiais,internos ou intercolegiais.Começava-se e sabiamente aos quinze para dezesseis anos no infanto-juvenil,ia-se até os dezoito anos,quando se estourava a idade e os que eram bons eram promovidos ao juvenil,que ia até os vinte anos,depois é que se era profissionalizado,também apenas os bons e ia-se jogar nos aspirantes que faziam a preliminar dos profissionais.Nos aspirantes os bons passavam no máximo um ano e subiam para o profissional ou largavam o profissionalismo e iam fazer outra coisa.Alguns teimavam em ficar eternamente no aspirante,quando não conseguiam subir para os titulares e acabavam na situação chamada de come e dorme,ou seja ficavam no clube encostados,apenas completando o número para os treinamentos,em troca de salarios ínfimos.Outros iam jogar em clubes do interior por merreca,através do nome de ter jogado no juvenil ou no aspirante do clube tal do Rio de Janeiro.Era uma máquina moedora que de dois em dois anos te levava ao ápice ou te expelia,pois este era o tempo de estar subindo outra leva que tinha estourado a idade.Alguns craques ou bem aventurados conseguiam subir com menos idade,pulando do juvenil(dezoito anos)direto para o profissional,mas era raro.Pelé,Edu e alguns outros poucos foram as exceções.Bem,fui ao Confiança e apresenteiu-me pedindo para fazer um teste no infanto-juvenil,apresentei minha certidão de nascimento,comprovei ter mais de dezesseis anos e na primeira quinta feira de 1956,dia dos testes e do treino coletivo para o jogo dos domingos pela manhã,às nove horas,compareci e fui testado pelo DUCA,um crioulo magrinho,muito sério e trabalhador,empregado da fábrica,que era também o técnico do infanto e fui de imediato colocado debaixo das traves para mim imensas,pois no Externato elas eram de cinco metros e lá elas tinham os mais de sete metros regulamentares,assim como me pareceu a grande área e o campo todo,de dimensões oficiais,sendo submetido a um bombardeio pelo DUCA,que chutava muito bem e colocado,pois era também o lateral direito ou esquerdo do primeiro time do Confiança.Bem saí-me muito bem,sendo de imediato colocado como um dos que participaria do treino coletivo a seguir.Como era inicio do ano o infanto estava sendo reformulado,tanto porque alguns tinham estourado a idade,como outros tinham ido embora,para outros clubes e assim fui logo chamado para jogar no time,bem como fui logo sendo escalado como titular.Aí comecei minha carreira,amadora sempre,de jogador de futebol.Nesse ano jogamos só amistosos,sempre com muito êxito,pois alem do time ser muito bom e treinado,pois todas as quintas,às 15h30 nos apresentavamos lá e treinavamos e sempre com uma peneira antes,um individual,constante de dez voltas em torno do campo e depois exercicios de aquecimento,seguido do coletivo,titulares contra reservas e finalizado com treinamento de faltas e penaltis,até escurecer,a maioria dos jogos era contra times de esquina,pois poucos times tinham a categoria infanto-juvenil.A partir desse ano,eu já estava decidido a sair do Externato e assim aos domingos eu ia lá correndo as sete da manhã,assistia a missa e pegava a caderneta,pois era obrigatório,pegava um bonde na porta,na Barão de Mesquita e as oito e trinta apresentava-me no Confiança,para o jogo,às nove horas.Era uma baita correria,mas era muito bom.Normalmente,aos sabados jogava ainda com a minha turma uma peladinha,na linha,em nossos campinhos e durante a semana a noite as peladas ou jogos do Higino de futebol de salão.Era bola adoidado,para ninguém botar defeito.Sobrava para namorar,que era com dia marcado,às tardes,na situação já descrita ou às terças,quintas e sabados a noite e durante o dia,pelas manhãs colegio e as tardes estudo e molecagens já descritas também.Era muito bom...Madeira
sábado, 24 de outubro de 2009
Adolescencia,o terceiro ciclo,o Colegio Andrews
Dezessete anos,adolescencia firmada,sexualidade em ebulição,inteligencia e conhecimentos em desenvolvimento,fim do ginasial,resolvo,por absoluta incompatibilidade com as disciplinas da área de exatas,matematica,algebra e geometria e mais com fisica e quimica,cursar o clássico voltando-me então para a área das ciencias humanas e sociais.Converso com meu pai e ele sábio como sempre ao invés de criar problema ou impor-me algo,entende e vislumbra carreiras boas nessas áreas,indicando-me o Direito e a Diplomacia.A partir daí libera-me para escolher um colegio que tivesse o clássico,pois os Maristas não o tinham.Na zona Norte apenas o Instituto Lafayette o tinha,mas era muito mal afamado,quanto a qualidade do ensino e meu pai não admitia um mal ensino pago,que a época chamava-se um colegio pagou-passou.Procurei no resto do Rio e fui encontrar em Botafogo o Colegio Andrews,da familia Flexa Ribeiro,considerado um dos melhores ou mesmo o melhor,que pelo menos era o mais caro então.Meu pai não titubeou e bancou tudo,com o trabalho honesto e duro dele,na padaria Lais.Começava o desligamento da minha turma e da boa vida juvenil,pois em três anos estaria fazendo vestibular e logo servindo o Exercito.O Andrews,excelente colégio,com professores catedráticos(de notável saber,efetivos em universidades),autores de livros didáticos e consagrados,exigentes,que ensinavam muito bem e cobravam muito,como os professores Olmar de latim,Matoso Camara de Português,Madame Marie de francês,Leontsinis de Geografia,Dante de História e que nada ficou a dever ao Externato São José dos Maristas,onde eu estivera até então.Lá era misto e novas emoções aguardavam-me,pois nunca estudara em sala com meninas e então o comportamento era outro,mas retraído,educado,gentil,cavalheiro.Nada de palavrões e brincadeiras violentas ou sujas.Estava tornado-me um homem,um adulto.Além disso os alunos eram todos filhos de ministros,desembargadores,juízes,senadores,deputados,um terror.Alguns da minha turma,que hoje são ou foram,pois já se aposentaram,altas autoridades,como Luiz Felipe Lampreia,ex-ministro de Relações Exteriores,João Agripino Filho,filho de ex-governador da Paraíba,Cecil Thiré,filho da Tonia Carreiro,Francisco de Paula Machado,filho do presidente do Jockey Clube,o filho do dono dos cinemas Severiano Ribeiro,que não lembro o nome,Noelza Guimarães, socialite,que foi casada com o Marcio Braga,ex-presidente do fra e muitos outros que foram e são manchete no Rio de Janeiro.Foram três anos em que eu aprendi muito na área de humanas e sociais,tendo lá estudado,além da lingua pátria,seis horas de latim,por semana,em todos os três anos e mais frances,ingles,espanhol,grego,historia,geografia,filosofia,sociologia, psicologia,enfim um banho de conhecimentos.Foram três anos madrugando,pegando um onibus da linha Horto às seis horas da manhã(eram cinquenta minutos de viagem)no ponto final,no alto da rua José Higino,para começar as aulas as sete e dez minutos e ir até cerca de meio dia,para retornar em mais cerca de uma hora de onibus,mas valeu.A única falha do Andrews era não dar atenção nenhuma a prática de esportes,que eu até tentei dar um incremento,arranjando uma peladinhas,mas não deu certo,pois além de não ser prática do colegio,os colegas tinham suas turmas,seus esportes e clubes,onde já estavam integrados.Mas,valeu Andrews,pela complementação,e agora direcionada,de minha formação intelectual.Madeira
Os namoros
Bem,como toda a turma demorei muito a ter namorada firme,pois não tinhamos tempo para isso,face as obrigações estudantis,futebolisticas e de sacanagem,sendo mesmo mais gostoso ficar com a turma do que namorar,pois este inclusive só poderia ser certinho,com compromisso e não como é hoje para mandar brasa.Namoro era,quando os pais deixavam que ocorresse,e já na faixa de dezoito anos,na sala ou na varanda da casa,com alguem por perto,olhando.Mesmo se você conseguisse ficar só era praticamente impossivel tocar em qualquer parte do corpo da menina,salvo no rosto,único lugar descoberto e de fácil acesso.Mesmo nesse nada de beijos,pois os beijos que conheciamos eram os dos artistas de filmes americanos,que eram comportados e dados por amor,segundo a concepção de então.Além dos costumes e da educação rigida das meninas,onde tudo era pecado e proibido,para não ficar falada e poder casar de veu e grinalda na igreja,existia um calhamaço de roupas a serem desabotoadas ou retiradas para se tocar em um simples seio,quanto mais nas coxas.As mulheres usavam vestido ou saia e blusa(mulher não usava calça comprida,que aliás não existia para mulheres)e em baixo deles um arsenal de enchimentos,tais eram:se de vestido um corpete feito de um material duríssimo e mantido duro por hastes de ferro na horizontal,acolchoadas e que iam dos seios até a calcinha,que servia para modelar o corpo,tornando-o um violão e mais uma combinação,meias finas,sendo os vestidos abaixo dos joelhos.Nas festas os vestidos eram "tomara que caia",ocasião em que nos era permitido ver o colo das mesmas,mas sem decotes.Se de saia e blusa,como nos uniformes escolares,o mesmo,apenas substituindo a combinação por uma anágua.Enfim mal havia tempo para um beijo,nos poucos momentos em que se conseguia ficar a sós,quanto mais para tentar explorar um corpo.Na praia ou piscina maiôs Catalina de corpo inteiro.Eu nunca vi um umbigo ou coxa de menina conhecida enquanto adolescente.Voltando as namoradas,existiram as namoradas platonicas,estas desde os onze anos,aquelas que nos limitavamos a conversar e conversas infantis e no máximo em pegar na mão(nem um beijo)e depois já adolescente e mais sacanas buscavamos conseguir não ter o compromisso e ter uma namorada com uns sarros aqui e ali.Na primeira categoria lembro de uma menina vizinha,muito bonita,que eu ia de bicicleta para a casa dela as tardes,na rua Maria Amalia,bem próximo e ficava de papo no portão,como dizia meu pai"arrastando a asa"para ela.Chamava-se Maria Lucia.Na viagem de navio para Portugal,logo depois desta brinquei muito a bordo e com exclusividade,pois eramos os únicos da mesma idade,com uma lourinha,chamada Suzana.Na vila,na José Higino tinha uma moreninha muito bonita,normalista que também tive um desses namoros bobinhos,chamada Vera.Depois já na adolescencia tive as primeiras que pude namorar sem ter o compromisso,por razões diversas,que foram a Leda,mineira,que morava com os tios e que frequentei a casa dela,as tardes,quando eles não estavam em casa,pois trabalhavam e onde pude então com limites,mas com alguma liberdade namorar.Enfim,sem ser com uma prostituta,pude abraçar,beijar e acariciar um exemplar do sexo oposto.Até ela mudar para Niteroi(ainda fui lá algumas vezes atrás dela)foi um tempo muito bom,de namoro com compromisso,pois os tios não sabiam das idas as tardes,mas sabiam do namoro.Depois dela houve a Cenilda,também nessa mesma batida.Estas foram as primeiras namoradas e nessa faixa de idade.Madeira
A descoberta do sexo e as iniciações da turma da José Higino(1)
A perseguição ao sexo continuou após o fim das boquinhas já relatadas e então surgiram outras alternativas.Descoberta pelo Nelson a seguinte foi um hotel inaugurado na rua Pareto,próximo a praça Saens Pena,onde na verdade funcionava um puteiro,onde,administrado por espanhóis,que eram os maiores cafetões do Rio e donos de todos os rendez-vous cariocas,tinha duas mulheres e onde por vinte cruzeiros fazia-se sexo.Bem,vinte cruzeiros era muito dinheiro,pois a entrada de cinema era na faixa de tres cruzeiros e o transporte coletivo era na faixa de centavos,mas sempre se tinha tutu para,juntado com muito sacrificio de sorvetes e saídas.Lá toda a turma ia com a mesma mulher,pois era a melhor.Era uma nordestina grande,imensa,farta de seios e coxas,cujo nome não tenho certeza,mas deveria ser Maria de qualquer coisa,ou Socorro ou Conceição.Foram grandes e envergonhadas trepadas,pois adolescente de quinze,dezesseis anos,tudo era desajeitado,com medo,com vergonha.Logo também foi descoberto na rua Conde de Bonfim 500(hoje nenhum desses prédios existe mais) um grupo de teatro amador,com placa a porta e tudo,denominado de GTCA-Grupo Teatral Chico e seus Artistas.Chico era o cabeça e dono da casa e do grupo e era uma tremenda bichona,branca,careca,de voz pastosa,que abria as portas do grupo para qualquer coisa,desde para papos,até para sexo.Era um casarão amplo com uma grande sala que servia para os ensaios e apresentações e vários quartos que serviam para as fornicações.Falsos e pretensos artistas lá se reuniam,assim como pessoas de todo tipo,inclusive prostitutas e uma viadagem enorme.Lá também frequentamos durante algum tempo e lá também descarregavamos nossa libido,inclusive muitas vezes,que maravilha,recebendo dinheiro para transarmos.Afinal um adolescente branquinho,limpinho,de boa familia era um pitéu.Ainda bem que nunca ninguém tentou comer nenhum dos nossos,pois eramos machos em busca de predar e não frangas.As mulheres que lá frequentavam eram na verdade barangas,mas naquela idade e para nós com a testerona aquecendo todo o corpo,eram lindas.Ainda bem que naquela época não havia aids,sendo que o máximo que ocorria era uma gonorreiazinha,logo debelada com uma baita e dolorida injeção,nas nadegas,de penicilina.Também,ocasionalmente,levados pelo Melequinha,que se apropriava do carro do pai dele,um Studebaker 51,bonitão,duas cores,nos aventuravamos na rua Alice,onde existiam os puteiros de melhor qualidade ou de bonde iamos para a zona do Mangue,de baixo meretricio mesmo.Nestes lugares a maior parte das vezes iamos só para olhar as mulheres que ficavam em exposição nas salas de entrada das casas,em uma verdadeira exposição.Na rua Alice porque era caro e tinha-se de beber algo e no Mangue porque tinha policiamento e aí as bichinhas que ficavam nas portas controlando o acesso dos fregueses ficavam com medo da policia criar problemas por sermos menores,mas quando tinhamos dinheiro e não tinha policia por perto lá iamos nós.Naquele tempo não existia tanto cuidado com a idade,sendo de senso comum que isso era problema dos pais.Drogas não existiam,salvo bebidas alcoolicas que mesmo assim eram vendidas sem que se perguntasse a idade do bebedor e cigarro todo mundo usava,mas no geral apenas em festas ou para se exibir.Estas foram as descobertas e as atividades sexuais,sempre em grupo,pois nunca saía um sozinho para qualquer desses programas,indo um grupo sempre,isso dos quinze,dezesseis, dezessete anos,depois lentamente substituídas por namoros e saídas particulares, individuais.Madeira
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
A descoberta do sexo e as iniciações da turma da José Higino(1)
De inicio as punhetas,formalizadas após algum tempo alisando o pinto,geralmente no banho,sempre amparadas em alguma lembrança de alguma canela de uma menina vizinha(era o máximo visto) ou na de alguma gostosa vista na praia com um maiô Catalina ou ainda e nestas com direito a melar a página,nas fotos das misses quando do concurso Miss Brasil e posteriormente Miss Universo,fotos estampadas na revista "O Cruzeiro".Outra fonte de estímulo eram as revistas pornográficas suecas,coloridas eivadas de fotos de grandiosas e indecentes trepadas e outras putarias ou nesta linha as revistas desenhadas de Carlos Zéfiro de histórias de sacanagens.Ambos esses tipos de revista eram objeto de troca ou emprestimo e eram por todos guardadas embaixo dos colchões.A demora no banho entregava,mas candidamente mentia-se,alegando dor de barriga ou que se estava muito sujo.Depois foi a enrabação geral do nosso atacante Antonio Carlos,já descrita,que passou a desapertar a turma praticamente toda,aguentando todo o time juvenil(os outro ainda eram muito pequenos),tudo com um forte espirito de companheirismo e grande dedicação a nossa satisfação.Durante um tempo,até ocorrer a desconfiança e a pessoa ser devolvida para o interior do Rio,de onde tinha vindo,houve o primeiro conhecimento generico com uma "perseguida","periquita" ou nome similar,da Maria,empregada de um dos colegas o José Heitor,goleiro reserva do juvenil.Ele grande sacana,como era comum então,o filho do dono da casa aprender com a empregada os mistérios do amor,traçou a empregada,a Maria,pois os pais dele saiam de casa,face a ambos trabalharem o dia todo e ele quando não estava no colégio,ou seja a tarde ficava sozinho com ela,acabou por comê-la.Como bom adolescente falou para algum dos colegas,não lembro quem e este o convenceu a também comparecer e daí,no fim,tinha uns cinco ou seis comendo a Maria,no quarto dela ou no sofá da sala,dentro da casa dele,sempre com ele ou outro olhando para ver e avisar se o pais dele voltassem antes para casa.Lógico que ela era mal comida,que não sabimos das coisas,mas mesmo assim foi um milagre ela não ter engravidado.Foi um tempo bom,cheio de aventura e prazer novo:enfim conheciamos uma perereca...Dentro dessa história houve lances hilários e que acabaram por detonar a putaria dentro da casa do colega.Em um o Sergio dá Sorte,que era mais novo,do infanto,foi levado,por encher muito o saco dos maiores,para comer a Maria e não houve meio dele o conseguir,face ao nível de ansiedade que o dominou.Enqunto esperavamos do lado de fora,na varanda da casa,ele só suava em bicas e nada.Chegamos a remeter um do nossos maiores epecialistas em sacanagem,o Nelson,para ajudá-lo e nada foi conseguido.Outra vez,o Melequinha,por ser um grosseiro,um tremendo porra louca,foi excluído da esbórnia,que era organizada,com dia e hora marcada,para não levantar suspeitas,ficando inclusive a turma que comia Maria brincando com algum jogo na varanda do terreo,enquanto um estava lá dentro a comendo,pois bem o Melequinha tentou escalar um poste e entrar na casa pela varanda do segundo andar...Óbvio,quase foi linchado pela turma que não queria voltar a tocar bronha.Por fim a gota dágua que encerrou essa história foi com o Zé Carlos,figura complicada,grosso que doía que quis ir e lá,depois é que soubemos dessa parte da história,não conseguia fazer a penetração por ser avantajado e (ela era comida no quartinho dela ou no sofá da sala de visitas)pegou o cacete e o colocou no pote de manteiga que ainda estava na mesa do café,lambuzando-o para fazer o serviço.Como ele não contou para ninguém e depois tampou o pote,deu-se a merda,com o Heitor tendo de explicar a mãe o que ele tinha feito no pote de manteiga.Depois dessa acabou o ciclo Maria,não sei se os pais do Heitor desconfiaram ou os vizinhos e ela voltou para o interior,tendo conhecido as partes íntimas de meia duzia de carioquinhas.E quem era Maria?Mais velha que a gente,seus vinte e poucos anos,certamente já não mais virgem,pois não creio que tenha sido o Heitor o primeiro,bem rude,cabocla no falar e nos modos,branca,cabelo meio ruim,pernas e coxas grossas,seios rijos,de altura normal,com falha dentária,alguns dentes já expulsos da boca,nada que atraísse olhares,mas também nada que adolescente não atacasse.Foi a descoberta do sexo,acho que de todos nós,ou pelo menos do órgão sexual feminino.Após Maria,continuamos nas masturbações,mas passamos a catar mulheres,mesmo da chamada vida fácil.Algum dos nossos descobriu,ao passar próximo ao muro da fábrica da Brahma,na avenida Maracanã,que duas irmãs que moravam próximo em uma casa de comodos na José Higino,costumavam a ir para lá fornicar.Casa de comodo ou cabeça de porco era como chamavam-se construções grandes,com muitos quartos,numerados que eram alugados e com banheiros coletivos no fundo dos corredores onde ficavam os quartos.Seriam um tipo de pensões,hoteis horizontais,sem refeições,onde moravam pessoas mais pobres.Essas duas irmãs tinham caracteristicas físicas diferentes,mas ambas anômalas e ambas nos pés.Uma era aleijada das duas pernas,só andava de cadeira de rodas,que movia com uma manivela,com a mão direita e a irmã,até ajeitadinha,tinha uma perna mais curta e manquitolava.Bem as duas se viravam e faziam um dinheirinho lá no escuro atrás a Brahma.A do carrinho era só no boquete e a outra em pé,enconstadinha no muro,sendo necessário,como na piada,colocar para começar um tijolo debaixo da perninha seca dela e depois era a festa.Pronto estavamos feito,pois descobriramos uma nova orgia sexual.Era um tal de fazer vaquinha e ir para a Brahma e por dez cruzeiros nos realizavamos,inclusive com um novo modo de prazer.Mas toda festa tem fim e o cortiço,a casa de comodos foi interditada e depois demolida e perdemos mais essa boquinha.Madeira
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Outras da turma da José Higino
Nossos programas juntos eram,na maioria absoluta ligados ao futebol,como jogar pelada com bola de borracha no meio da rua,pois passava um carro de meia em meia hora,se tanto,com as balisas sendo transversais,ou seja,entre a parede de uma casa e uma árvore de um lado da rua e a outra da mesma forma do outro lado,dando assim uma dimensão maior ao nosso campo,isso com as inevitáveis reclamações de alguns vizinhos chatos,mas como as casas de então eram recuadas,com jardins,sem vidros quebrados,apenas com as puladas de muro para recuperar a bola.Depois nos aperfeiçoamos e descobrimos terreno baldios,dois ou três,em todos esses anos,onde com as nossas mãos,roçando,limpando,fazendo as traves,com madeira,pregos comprados,marcando com cal as laterais e as áreas e tendo assim um campinho bem arrumadinho,para grandes peladas e até jogos contra,aí já com bolas de couro,a famosa número cinco,como era chamada.Também,no inicio,bem criança,brincavamos de bandeira e carniça,que hoje estão em desuso,brincadeiras de correr e pular,como era o hábito de meninos então.O nosso código para chamar um aos outros era simples,era só ficar quicando a bola na frente da casa do colega até ele aparecer na janela e ser informado da pelada ou novo encontro,pois a maioria era combinada com antecedencia.A noite o comum era encontro na esquina para ficar jogando conversa fora,sempre sobre mulheres e futebol.Domingo era dia de praia de manhã(sabados eram então dias úteis,com aulas e trabalho normalmente,com algumas áreas de comércio,fechando às quatorze horas,na chamada "semana inglêsa,enquanto outras iam até às dezoito horas)e futebol no Maraca às tardes,sem problemas,com alguns indo com as camisas de seus times e sentando juntos,sendo torcedores e não inimigos como hoje.Também iamos para o Maraca nas noites de quarta,dia de jogos entre um grande e um pequeno,sendo os domingos sempre para os clássicos.Nos feriados ou domingos sem futebol,nas férias do jogdores,entre o natal e o carnaval,que correspondiam as férias escolares,iamos bater uma bola na Quinta ou no Alto da Boa Vista,nos gramados de lá,onde se fazia picniques e podia se pisar na grama.Também incrementava-se as idas a praia,de lotação,em especial Leme e Copacabana,então ainda bem selvagens,ou seja vazias.Passeios mais longos ocasionais ocorriam,como ir de barca as ilhas de Paquetá e Governador,para pegar uma praia.Para a praia,qualquer uma,sempre levava-se uma bola para jogar um pouco.Bicicleta,poucos tinham,eu tinha e não ligavamos muito não,justamente porque a maioria não tinha.O cinema na praça Saens Peña era um programa ou para a manhãs de domingo,principalmente se estivesse chovendo ou para as noites e era precedido de uma juntada de dinheiro(uma vaquinha) para irem todos que queriam,inclusive os que estavam duros.As matinês,nas manhãs de domingo eram nos cines América,sempre de mocinho,faroeste ou no Carioca,chanchada brasileira,com Oscarito,Grande Otelo e outros excelentes comediantes,ambos antecedidos de um jornal esportivo,o canal 100,que passava os melhores momentos do clássico da rodada anterior e de uma série de faroeste,que passava por capitulos.Duas grandes corridas/fugas ocorreram nessa época:uma quando andando pela rua Barão de Mesquita,em uma noite voltando de uma pelada,ao passar por um casarão soturno,imenso,que era residencia do jornalista de O Cruzeiro,principal revista carioca,David Nasser,resolvemos mexer no muro e em um buraco deparamos com um revolver:resultado:desatamos a correr,com medo do dono do mesmo aparecer e nos pegar;o outro foi quando um dos nossos,de brincadeirinha,mexeu em uma pilha de latas de leite condensado Moça(até hoje não gosto deste alimento,deve ter sido um trauma),fez com que a pilha desmoronasse e uma das latas caiu na cabeça de um cara fortão que estava de lado,cortando a cabeça dele,quando o cara passou a mão na cabeça e viu o sangue escorrendo,nós desatamos a correr,cada um para sua casa.Esta foram as diversões na minha adolescencia.Madeira
Higino Atlético Clube(2)
A maior sacanagem com o Higino ocorreu na sua dissolução.Conforme já falei a chegada ao segundo grau,de então,começou a nos separar na turma,face a irmos estudar longe, a começarmos a ter namoradas,a sermos mas sérios,alguns a trabalharem e com isso o Higino comçou a não ter jogos,a não jogar mais e havia um bom dinheiro em caixa.Resultado:a diretoria reuniu-se e resolveu acabar com o clubeco e que a grana existente seria destroçada pelos membros diretores em putarias,como um remuneração pelo trabalhos prestados por tantos anos,cabendo aos demais apenas ficarem com os uniformes.Assim,eu,Nelson,Osvaldo e alguém mais que era diretor,não me lembro quem, fomos para a esbórnia,gastando a grana em um final de semana,na zona do Mangue e em bebidas e passeios(Paquetá,praias,Quinta da Boa Vista,outros),sem gastarmos um tostão nosso,tudo às custas do caixa do extinto Higino.Não preciso nem dizer a merda que deu,com reclamações mil,que levavamos na gozação.Felizmente o resto da turma acabou aceitando e fim de papo,pois eles entenderam que não daria para todo mundo mamar...Outros lances,que eu lembro são:uma vez fomos jogar futebol de campo no Engenho de Dentro,no campo do Galitos F.C.e como não tinha vestiários,tivemos de deixar as roupas com que viemos dentro do nosso gol,com o nosso goleiro o Nelson tomando conta.De outra vez jogando no campo do Porcão,no Galeão,na Ilha do Governador,em um corner contra nós,fui marcar a balisa na primeira trave e senti um forte cheiro de merda e reclamei com o Nelson,nosso goleiro e ele confessou que foi dar um peido e tinha se cagado todo,o que aliás foi excelente pois ninguém ficava dentro de nossa área.Aliás o Nelson,padrinho de batismo de minha filha Flavia,era o mais agarrado comigo,pois tinhamos uma fortíssima simpatia,saindo sempre juntos,para todos os lugares.Era um figura impar,com resposta para tudo,de uma inteligencia privilegiada.Outro lance decisivo na vida do Higino foi a chegada do Antonio Carlos para morar na rua.Era um pouco mais velho que a gente,mas um companheirão,que jogava muito bem,era até ponta esquerda do juvenil da Portuguesa Carioca,para onde me levou para jogar depois.Nós todos achavamos que ele era viado,mas enrustido,como era imposição na época.Bem,fomos jogar em Sepetiba,onde a familia do Raul,nosso Diretor Social tinha uma casa de praia e onde arranjaram um jogo contra o time local.Bem lá tinhamos de dormir todos em camas de casal,dois a dois ou até tres e o Nelson e o Toni,principalmente este,um tarado de pimeira,resolveram tentar comê-lo e o plano foi encostar a cama de casal na parede e colocar o Antonio Carlos no canto da parede e de noite,no escuro,alisá-lo.Não deu outra coisa e de noite o Toni,que foi o primeiro,o enrabou,o mais silenciosamente possível,mas com todo mundo atento,fingindo que estava dormindo.Moral da história,a partir daí houve um revezamento e todo mundo comia o nosso atacante,reservadamente.Acho que foi a partir daí que o time teve um subida de produção,com muitas vitórias,pois diminuiram as punhetas,mas logo veio,talvez pelo cansaço,um decréscimo de produção...Outro episódio foi um jogo no ginásio do Colégio Batista,contra um time do morro do Salgueiro,o Rei de Espadas(nome interessante,não?),onde levei uma porrada no rosto de um dos crioulos que o compunham e caí durinho(o que era dificilimo,pois sempre joguei muito duro)e o Toni,que era muito forte,ameaçou o cara que tinha me chutado,ajoelhando-se e mandando o cara chutá-lo no rosto e como o cara não o fez,botou o time deles todinho para correr aos gritos e pontapés,enqunto eu era socorrido.De outra feita fomos jogar na quadra do Confiança,onde eu jogava futebol de campo e algum do nossos entrou violento em um adversário,o que redundou em quase sermos linchados,pela torcida,composta de operários da fábrica de tecidos Confiança,tendo todos corrido para o vestiário e trancado o mesmo,só conseguindo ir embora,face a minha mediação e pedidos pois eu jogava lá.Tempos gostosos e inesquecíveis,que eu viveria de novo,se possível...Madeira
terça-feira, 1 de setembro de 2009
O Higino Atlético Clube(1)
Momentos bons e loucos da turma,em especial do Higino Atlético Clube vem a memória volta e meia.Vamos enfileirar alguns,sem ordem cronológica,apenas dentro da primeira metade da década de cinquenta,ou seja,no período correspondente ao então ginásio e aos estudos no Marista,de 51 a 57,dos onze aos dezesseis anos de idade.O Higino viveu,mais ou menos esse tempo,pois depois veio exército,cientifico(fui fazer o clássico em Botafogo,no Colégio Andrews),namoros,empregos,enfim,estavámos todos,passando da meninice,chegando ao fim da adolescencia e por conseguinte,mudando os hábitos,mas não apagando os laços de amizade existentes.No Higino Atlético Clube arranjavamos jogo toda a semana,em qualquer dia a noite,contra o infanto e o juvenil dos incontáveis clubes de bairro,com quadra,existentes no Rio,Sempre fizemos jogos duros,principalmente o juvenil,que era bom.O então futebol de salão era jogado,com dois na defesa e dois no ataque,bem ortodoxamente e com muito vigor físico,não valendo gol de dentro da área,da qual o goleiro não podia sair,sob pena de ter anotada falta direta contra o time.Eu e o Damião tinhamos muita força física e baixavamos o pau,sem contemplações,enquanto o Toni e o Antonio Carlos,na frente chutavam bem e tinham também um bom físico,em especial o Toni,que era fortíssimo,sendo o Antonio Carlos,que jogava no juvenil da Portuguesa carioca(depois levou-me para jogar lá),canhoto,bom de bola e exímio driblador.No gol ou o Luis Carlos,"melequinha",sem grande técnica,mas muito raçudo ou o Nelson,malandrérrimo,que sabia tudo de bola.Lembro-me de que jogamos contra o Grajaú,tanto o Tenis como a Atlética,o Vila Isabel,a Atlética Carioca(onde depois fui jogar e disputar o campeonato carioca juvenil em 56),o Raio de Sol(onde o goleiro do primeiro time era um radialista iniciante,Washington Rodrigues,depois apelidado de "Apolinho",que ficou famoso e foi até técnico do Flamengo),o Maxwell,o Galitos,o Papitos,o Montanha,o Social Ramos Clube,o Municipal,o Maracanã,o Andaraí,o América,todos da zona norte do Rio e o Carioca da Gávea,o Fluminense(então um dos melhores de futebol de salão do Rio,que tinha como segundo goleiro o depois comediante famoso José de Vasconcellos),o Flamengo,na quadra da Praia do Flamengo,próxima da sede da UNE e outros que não lembro.A maioria dos clubes de bairro citados hoje não existem mais,basicamente pela especulação imobiliária.Também jogamos em quadras alugadas,contra outro clubes de turmas,principalmente em quartéis e escolas,enfim,contra quem aceitasse o nosso oficio solicitando uma partida amistosa,lá estavamos,indo de bonde,quando próximo ou de lotação,quando longe,após reunirmo-nos no bar ao lado da padaria Elba,na esquina da José Higino com a Conde de Bonfim.Este local ou a porta da vila José Higino eram os locais onde nos reuniamo-nos toda noite e direto nos fins de semana.Eu era o diretor de esportes e responsável por arrumar jogos,semanalmente.O clube vivia de mensalidades pagas pelos jogadores,de sócios contribuintes,que eram todos os nossos parentes e moradores das redondezas,de festinhas para arrecadar,de brindes e sorteios,sendo muito comuns,umas cartelas com nomes femininos,compradas em papelarias,com o nome sorteado escondido e que no fim ainda conseguiamos,pois os brindes eram uma porcaria,ficar com eles e fazer um novo sorteio,com uma nova cartela.Quem lavava os uniformes era cada usuário,que o recebia acautelado,sendo proibido a utilização fora dos jogos.Tinhamos até um madrinha eleita e que no fim era quem fazia e costurava para nós,os escudos e fazia outro serviçinhos do lar.Ela era irmã de um do nossos,a Marly,formada pela Escola Normal e já professora pública,o que então era sinonimo de alguém importante no Rio.Nossas cores eram o verde e amarelo,camisa amarela toda amarela,números verdes, com o escudo em formato de losango,com as letras maiusculas em verde, HAC,dentro, seguindo no tamanho o formato do losango,ou seja crescendo,ficando o A como o maior,por ser a do meio do losango,calções verdes e meias zebrads verde e amarelo.Bonito mesmo.Talvez tenhamos sido os precursores da numeração louca atualmente existente,pois como não disputavamos nada oficial,salvo pequenos torneios de bairro ou de jornal,colocamos números extravagante nas camisas,sendo eu,de sacanagem o 24,o Damião 13(português doido,que certa vez comprou um tenis de número maior e na sapataria do pai colocou por dentro uma biqueira de pau,para acertar melhor a canela dos outros)o Toni 99(o maior número,como ele era o maior) e o Antonio Carlos 11(um atrás do outro,pois era uma bichona,contida por exigência da época),e o Inácio 51(beque reserva,que bebia muito bem).Até futebol de campo jogamos,com maus resultados,pois não tinhamos onze bons de bola e da mesma idade.Madeira
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Quem era quem na turma ou o Higino Atlético Clube
A minha turma,conhecida na Tijuca como a turma da José Higino,na década de 50,cujos componentes duradouros já citei,vai sofrer agora o debulhamento da forma de ser,enquanto adolescente,de cada um,sem qualquer ordem,apenas na realidade como ficou marcado em minha lembrança.Também vão ficar clareados os apelidos.Começo pelo Nelson,companheiro fiel,padrinho de batismo da minha filha Flavia,inteligente,amigo de ficar agarrado,vascaíno,peladeiro de primeira,goleiro malandro,apesar de roliço,era de enervar o adversário,peitudo,sem medo de divididas e que como eu não gostava de perder nem porrinha,piadista,filho único de uma figura adorada por todo nós,Seu Félix,que era o porteiro da sede social do Jockey Clube,no centro do Rio,na avenida Rio Branco e que vestia um unifome que mais parecia o de um almirante,sendo tremendamente afável,parando para conversar conosco sempre que vinha chegando em casa,era morador da vila.Nelson era dotado de um inglês excelente e fez carreira profissional,na maturidade,em cargos gerenciais na Cia de Cigarro Souza Cruz,na Usina da Tijuca.Osvaldo,o "olhão",por ter os olhos salteados,para fora,botafoguense,magrinho,companheiro sempre presente,tocava uma bola redonda,sempre de primeira,também morador na Vila,depois enveredou pela carreira de bancário e hoje é Diretor Social e Esportivo no Tijuca Tenis Clube,o clube da elite tijucana,próximo a Praça Saens Peña,que tinha um irmão,menor,Paulo Roberto,que adorava ficar junto com nós e por ser menor foi apelidado de Bebê,que por sinal já faleceu.Nilton e Nelio Nobre,irmãos,filhos do então Rei Momo,que à época era vitalicio,ambos botafoguenses,o primeiro peladeiro de escol,zagueiro e o Nelio,mais novo,goleiro,já falecido.Nilton fez carreira na área de representação comercial farmaceutica.Os irmãos Toni e Carlos Roberto,apelidos "Vaco" e "Santos",botoguenses,alunos do Colégio Militar,peladeiros,sendo o Toni,um atacante do tipo chuta tudo que vem pela frente,pois era muito forte,moradores da Vila,netos de ingleses,morando com eles a avó britanica.Os apelidos eram porque o Toni,cujo nome era William Anthony Smith chamar uma pessoa curta de "vaco",ao invés do tradicional "burro",Já o Carlos Roberto só falava do Nilton Santos,zagueiro do Botafogo,imitando-o ao jogar bola,daí Santos,para nós ou "caroaberto",quando chamado pela avó inglesa,que não conseguia falar Carlos Alberto.Sergio Gomes,ou Sergio da Sorte,pois qualquer que fosse o sorteio ele ganhava,além de achar dinheiro na rua e fazer goals impossíveis,que carambolavam em vários outros jogadores e acabavam entrando.Tricolor,companheirão,irmão da musa da Vila,onde morava,pois tinha uma das irmãs alta e muito bonita,mais velha,parecida com a Sofia Loren.Fez carreira na área ótica,sendo um técnico excelente,sempre na mema ótica,na Praça Saenz Peña.Luiz Carlos,o "melequinha da primavera",apelido por ter uma carne esponjosa em uma das narinas,que a primeira vista parecia uma meleca,morador da Vila,meio doidão,brigão,onde ia passear ou jogar arrumava briga.Forte e genioso,depois perdemos contato com ele.Era o nosso goleiro do juvenil do HAC(Higino Atletico Clube),dono de nenhuma técnica,mas de uma coragem indescritivel.Aliás o juvenil do HAC só tinha figuras dificeis.Formado pelo Meleca ou José Heitor no goal,Damião e Inácio,na defesa e eu e Toni na frente.Então o futebol de salão era jogado no doisxdois,ficando na reserva o pessoal do infanto que tinha feito a preliminar.José Heitor,estudava no Colégio Militar e foi o único desses que lá estudaram que fez carreira militar.Damião era um português,baixinho,vascaíno,morador na Vila,grosso,mas esforçadíssimo,que trabalhava com sapatos com o pai dele.Inácio era um mulatinho alto,espigado,muito magro,botafoguense,que morava com duas tias solteironas,pelo que sabiamos órfão,excelente companheiro,zagueiro rebatedor,que bebia muito já naquela idade e cachaça,em especial,"samba em berlim".Como é óbvio faleceu cedo de cirrose hepática.Neste time entrou depois,aliás foi entrado(depois virou a comida do time,pois era viado),um novo morador na Vila,Antonio Carlos,que jogava muito bem e que depois foi jogar na Portuguesa Carioca e me levou para lá.Canhoto,dono de um bom drible e chute a gol,era um excelente companheiro,que ficava dentro do armário,pois então não podia ninguem assumir sexualidade diferente.Depois de todo mundo da turma comê-lo deu mais trabalho mantê-lo dentro do armario.O infanto era composto pelo Nelson no gol,Nelio na reserva,Osvaldo ou o Jacques,morador de outra vila,que como bom judeu fez carreira no comercio e hoje é rico,dono de uma grande rede de lojas de móveis com e Nilton ou Sergio Eiras,"o tomate",na defesa e Luiz Carlos,o"cacau"ou o Hertz,outro companheiro já falecido,flamenguista chato e Sergio Gomes,o "da sorte"na frente.Sergio Eiras era um moreno que jogava muita bola e chutava muito forte e que dizia que ia dar um tomate,um chute forte,daí o apelido e o Cacau era apelido de familia.Flamenguista roxo,jogava muito bem,com um bom drible,mas um chute muito ruim.Tinha um irmão mais velho o Vitinho,que também jogava bem,mas que nunca quis jogar com a gente.Ambos também estudavam no Colégio Militar.Na reserva do infanto tinha o Paulo Roberto,o "Bacalhau",por não ser muito chegado a um banho,que jogava bem.Como membros da tuma,mas que acabavam por se distanciar por não jogarem bola,tinha o Raul,que ainda pelo menos ia aos jogos,estudante da Escola Técnica Federal,flamenguista,que foi inclusive presidente do HAC,o Abelardo,aluno do Colégio Militar,o José Carlos,o "alicate",pelas pernas arqueadas.Alguns outros passaram pela turma,meteoricamente,por terem morado pouco tempo na Vila ou nas proximidades,como os irmãos Edmar e Alcides,que moraram na casa da esquina da Vila,o Jacozinho,que morava em um outra vila próxima,a mesma em que morava o Raul,no número 270.Portanto foi em torno do futebol que uniu-se esse grupo de adolescentes,para jogar uniformizados,organizadamente,nas quadras dos clubes sociais do Rio,como no campo do Juca,um campinho de pelada de terra,de cinco contra cinco,mais goleiro,que ficava no fim da rua Uruguai e que depois transformou-se em um clube o Tijuca Country Club,em jogos amistosos,disputando inclusive torneios,para jogar peladas em terrenos baldios(chegamos a construir campinhos de seis/sete jogadores,com autorização dos donos) e depois chegamos a ter quadra alugada mensal para nós,um tempo foi o ginásio do Colégio Batista,bem próximo,no alto da própria rua José Higino,outro foi no Confiança e para juntos ir assitir jogos no Maraca,ir ao cinema na Saenz Peña,ir a zona do mangue,ir a praia de Copacabana,a Quinta,ao Alto,ir aos bailes de debutantes,enfim a viver uma adolescencia gostosa,sacana,mas sem maldade e violência,aprendendo a diferenciar o bem do mal,o bom do mau,através da troca de opiniões e vivencias,parcas,mas intensas e compartilhadas,conforme ainda vou descrever.Madeira
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
A minha turma:a turma da José Higino
Paralelo as atividades escolares,nesse ciclo ginasiano,de tanto passar pela rua José Higino fechei conhecimento com os também adolescentes que residiam na mesma e que iam a padaria de meu pai comprar balas,pão e outros para suas casas.À época,apesar de não haver perigo como atualmente no Rio,era de costume uma comunhão entre os vizinhos,todos conhecendo-se e relacionando-se,resolvendo-se tudo no bairro,salvo as compras de roupas,móveis,outras grandes,que eram feitas em lojas tradicionais no centro do Rio,onde se ia de bonde,tranquilamente e de forma rápida.Então,conheci e fiquei amigo de todos ao redor,em especial dos moradores da travessa José Higino,situada no número 237,uma grande vila,com muitas casas,onde moravam é lógico muitos jovens e logo unidos pelos gostos comuns,em especial pelo futebol.Formavam a turma da José Higino,que se reunia de dia na entrada da vila,para bater uma bola no meio da rua de paralepipedos,normalmente bola de borracha,ou na porta da padaria Laís,a noite,onde eu descolava umas balas ou chocolates para eles,que eram o Nelson,companheiro especial,que tinha os mesmos gostos que eu e que sempre saíamos juntos,os irmãos Osvaldo e Paulo Roberto,o bebê,Sergio Gomes,o Sergio da Sorte,Inácio,Hertz,Damião, Jacques,o Jacó,Sergio Eiras,o tomate,os irmãos Smith,Tony e Carlos Roberto,o Santos,Luiz Carlos,o melequinha,José Heitor,Raul,Zé Carlos,Luiz Carlos,o Cacau,Paulo Roberto,o Bacalhau,que foram os que mais tempo moraram e conviveram comigo.O melequinha,assim apelidado por ter uma pequena carne esponjosa na ponta de uma das narinas era um figuraço.Dele foram alguns dos melhores momentos vivenciados então.Algumas deles:certa vez,por um acaso tinhamos mais um pouco de dinheiro e fomos para os puteiros da rua Alice,uma rua na zona sul,que é uma ladeira e fomos no carro do pai dele,um velho "studebaker",na volta com ele dirigindo loucamente,em uma das curvas,passou por nós uma roda,com pneu e desatamos arir,até o carro arriar e notarmos que o pneu era do nosso carro;outro foi em um jogo de futsal em que ele goleiro do juvenil do Higino,no que não era bom,mas era louco,raçudo,se atirando em todas as bolas e com isso salvando muitos gols,ele pegou uma bola em cima da linha do gol e o time adversario reclamou,colocando o juiz em dúvida:rapidamente,melequinha,com a bola nas mãos e o jogo correndo,mostrou ao juiz que a bola não tinha entrado,através dele entrar para dentro do gol,na explicação:de imediato o juiz então marcou o gol;outro foi quando ele se apaixonou por uma dama da noite(uma puta) e a gilete escreveu o nome dela na perna,tatuando-se assim a sangue:detalhe o nome dela(devia ser de guerra)era Jeanete Charlene...Foram anos memoráveis com aprendizagem no Externato e amizades no bairro,ou melhor,à época na rua,pois tudo era muito ligado a rua onde ficava a casa,pois prédios de apartamentos não existiam.Meu dia útil dividia-se em frequentar o colégio pelas manhãs,chegar,de bonde por volta de meio-dia e pouco,ficar na esquina da Conde de Bonfim com a José Higino,junto a carrocinha de Kibon do vendedor de nome Arnaldo,onde chegavam todos até a uma hora e se reuniam,para combinar o resto do dia,que incluía sempre bater uma bolinha,no meio da rua,de inicio,pois após passamos a descobrir terrenos baldios e a "construir" campinhos de futebol,depois iamos todos almoçar em suas casas,fazer os deveres escolares,correndo,logo após o almoço,na faixa de três horas a nos reunirmos para o racha,mais tarde ao escurecer o banho e depois ficar na esquina ou da padaria,Antonio Basilio com José Higino,quando eu tinha de ficar ajudando o pai ou na esquina de Conde de Bonfim com José Higino,na porta do bar Elba,sempre jogando conversa fora.Às vezes,quando tinhamos dinheiro, iamos a um cinema na praça Saens Pena ou ver um jogo no ginásio de esportes do Colégio Batista,no alto da José Higino.Isto tudo enquanto não chegamos aos quinze anos,na época idade básica para o adolescente poder sair só e prolongar a noite,sem maiores problemas,após o qual começamos voos mais altos,como ir para o Maracanã sós,nas noites de jogos(quartas e sabados),a Praça Quinze,centro do Rio,de lotação,para comer um angu no carrinho do Angu do Gomes(eu só acompanhava pois não suporto angu) e ir aos inefáveis bailes de debutantes.Aos sabados,após as aulas(então havia aulas aos sabados),domingos, feriados e férias aí era um sem fim de ideias,tais como descer o rio Maracanã,desde a Usina da Tijuca,pelo seu leito pedregoso,pisando nas pedras,passeios ao Alto da Boa Vista,Quinta da Boa Vista,Praia de Copacabana,muita pelada,enfim uma adolescencia espetacular,movimentada,ao mesmo tempo pura e sacana,como vou descrever mais a frente,o contrário da infância,preso e só em casa,mas que também valeu.Algumas figuras bizarras marcaram esse tempo;um era um coroa doido,ex combatente,que chamavamos de "coronel",que de terno andava pelas ruas,contando as historias de guerra e que quando começava a encher o saco,nós o colocavamos para correr imtando barulho de bombas:ele colocava as mãos nos ouvidos e saía correndo com medo das explosões;outro era o "Pedro Maluco",um doidinho,de seus trinta anos,que usava as calças altas e andava quicando e com quem batiamos altos papos´só de asneiras e de preferncia de sexo.Também tinhamos o mau costume de passar trotes,em especial para um açougue,de um luso,que tinha o número de fone do estabelecimento de 2-2222 e que atendia o fone dizendo"é tudo dois" e nós diziamos separar e enfia no rabo ou perguntavamos áí para qualquer açougue,se tinha coração de galinha,pé de porco,orelha de porco e com as respostas positivas,diziamos a gracinha:então o senhor é um monstro,pois tem coração de galinha....Como era de se esperar tanta pelada redundou na criação de um clube,o Higino Atletico Clube,o HAC,que tinha como escudo essas letras dentro de um losango e tinha as cores verde e amarelo,imitando,em um rasgo de criatividade,as cores da seleção brasileira e a distribuição igual,camisa amarela,calção verde e meias zebradas verde e amarelo,que tinha dois times um juvenil e outro infanto-juvenil,conforme o tamanho e idade dos jogadores.A frente vamos esmiuçar mais isso tudo.Madeira
As marcas maristas em lembranças agradaveis
Seis anos marcantes,bem vividos,gostosos,plenos de aprendizagem,de amizades, respeito,esportes,enfim sempre lembranças de coisas boas.As instalações a um tempo sóbrias e acolhedoras,os professores,competentes,a um tempo sérios e amigos.Os professores titulares,do primeiro,no admissão,o Irmão Renato,jovem,louro,de topetinho,nos acompanhava e torcia nos jogos interclasses,ao último,o querido Irmão Ruperto,o "bule",apelido que ganhou pela maneira de comportar-se ao escutar as perguntas,encostando uma das mãos no quadro negro e a outra na cintura,lembrando um bule de café,passando pelos professores irmãos Fidelis,de matemática;Demetrio,de ciências,com sua famosa frase"o que fazer com um montalhão de lampadinhas esmagalhadas",após uma demonstração na aula;Fabiano,de música e outros, outros,inclusive,então,o único que não era irmão,era leigo,o professor Tarlé,a quem devo todos os meus,para o atual nível de estudo,elevados conhecimentos de geografia e história.Colegas,inesquecíveis,dos quais não conseguirei citar todos,sendo mais ligados a mim os esportistas,que praticavam algum esporte comigo ou que moravam próximo,o que levava a companhia a se prolongar fora de aula e nas férias.Vamos citar alguns,sem que não signifique menos importância dos não citados:os irmãos Sampaio,Fernando,goleiro rival,entre aspas e Betinho,que moravam na Dona Delfina e onde nas horas vagas eu ia bater uma bolinha na rua;idem o Gustavo Cicconi,morador da rua José Higino,a cem metros de minha casa,com quem jogava gol a gol sempre;o Ronaldo Bastos Braga,idem,que infelizmente faleceu na adolescencia,na casa de quem também eu ia bater uma bolinha;Paulo José,depois comandante do Corpo de Bombeiros/DF;os irmãos Teixeira,Sergio e José,craques de bola;Pedro Paulo,Palito, Armando,Murilo,os irmãos Lage,sendo o Flavio das nossas turmas,os irmãos Nogueira,Paulo Cesar e Ricardo,Brandão,Plácido e dentre os não boleiros mais muito ligados a mim por serem da parte bagunceira,em especial o Vicente Bozó,autor de um jornal feito aa mão,em tirinhas,"O Murrinha",distribuído em sala,com desenhos sensacionais.E as seleções esportivas do colégio,das quais sempre fiz parte,com seus jogos contra outros colégios,como Colegio Militar,São Bento,Santo Inácio,contra este sempre jogando na Gávea,campo do Flamengo,Internato São José,juvenil do América e a de voley,idem.As missas,aos domingos,antes da entrega das cadernetas semanais e do boletim mensal,as quermesses nas datas festivas,enfim um desfiar de recordações todas super agradaveis.Obrigado,Externato São José.Madeira
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Eu e o catolicismo
Para não ficar mal explicada minha situação de conflito,desde à época de aluno marista,com os príncipios da Igreja Católica,vou clarear todos os pontos.De inicio meu respeito a Igreja e a seus seguidores e minha gratidão pelos ensinamentos valiosos dela recebidos,tais como os de amar a Deus,nosso Pai Maior,respeitar os nossos pais terrenos,não furtar,não matar,enfim os básicos presentes no dez mandamentos,bem como as virtudes pregadas.Isso tudo é muito verdadeiro e importante.Os meus embates e discordâncias estão basicamente no enclausuramento das verdades por ela pregadas,ou seja,pelo arraigamento de ideias,para mim,ultrapassadas e principalmente pelos tais dogmas,ou seja pela impossibilidade de se estudar aprofundadamente,de se discutir as versões dela sobre fatos,muitos até de carater histórico.Existirá atrás disso o que?Medo de ter de mudar sua versões?De se concluir que o Papa e ela erram,como erraram nas cruzadas e na inquisição?A mim me incomoda que o Vaticano,que já se modernizou em algumas coisas,resista,com argumetos pífios a muitas outras.Assim,minha inteligência não concorda,ou pelo meno gostaria muito de ver discutidas questões tais como o celibato do sacerdotes;a não permissão de mulheres como sacerdotizas;o fato de igrejas e padres,que não maioria não tem outra atividade,terem horário de funcionamento das mesmas,sendo comum encontrar-se igrejas fechadas;as atividades politicas de sacerdotes;a tal de vida oculta de Jesus Cristo,que nos ensinou por palavras e mais por atos como comportar-nos;a santíssima trindade e a confusão(não para mim)de Cristo ser filho de Deus e Deus;a perene culpa lançada sobre cada um de nós do pecado original(por que eu tenho de já ao nascer ter culpa pelos possíveis erros de Adão e Eva);por que um padre,homem como eu,tem o poder infinito de me ouvir em confissão e perdoar minhas culpas,em troca de orações recitadas monologamente e por que se eu morrer repentinamente,sem um padre próximo e sem poder receber a extrema-unção vou para o inferno,enquanto outro que falece com tempo a recebe e vai para o chamado céu?Aliás,esta outra dificil de engolir.Céu e inferno???Que Pai é esse que não perdoa e só o faz enquanto você está na vida terrena e através de emissários?Depois é só porrada!!E demonios?Que diabos é isso?Deus deixa,conforma-se com a existencia de seres eternamente maus??Entendo que no século XXI desejar ter e manter fiéis pelo medo é meio ignaro...Lugares de paz,dentro de seus templos,hinos religiosos lindos,tradição secular,heróis e heroínas,fatos históricos marcantes,tudo isso tem a Igreja Católica,só falta um toque de modernismo,abrir as portas as pesquisas cientificas,atualizar-se,modificar a forma de conquistar e manter os fiéis,discutir,sem medo e mudar algumas verdades,que hoje soam mal,creio ser o melhor caminho para estancar a perda acentuada de seguidores e principalmente recuperar a credibilidade abalada por escandãlos sexuais e financeiros sucessivos,além de eliminar a figura social do católico "não praticante",como aqueles nela criados denominam-se,face a não comparecerem ao seus oficios...Madeira
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Discordâncias com os Maristas
Na realidade nunca tive discordâncias com os Irmãos Maristas,em seus aspectos educacionais,todos do mais alto nível,mas com os dogmas católicos.Sempre fui contestador e só concordo com o que me convence e não com o que me dizem simplesmente.Como toda organização religiosa,em especial a católica,apostólica, romana,ou você aceita,no todo,o que lhe é dito ou está cometendo algum pecado,alguma heresia.Bem,desde que me entendo,que não concordo,ou melhor não concordava(pois hoje posiciono-me religiosamente como espirita,pois esta antes de ser religião é filosofia e ciência,tendo a coragem de recomendar aos seus seguidores que,em caso de conflito entre o dito pelo lado religioso com o dito pela ciência,que se acredite nesta),como com a história dos dogma,ou seja,de que você tem de simplesmente crer,sem discussão.Eu,a partir de sete,dez anos,já implicava com algumas colocações,de crença obrigatória,tais como "fogo do inferno",obrigatoriedade da confissão ao padre,com algumas rezas para ser perdoado,que a hostia é o corpo e o vinho o sangue de Cristo,a infabilidade do Papa e outras baboseiras.Meu raciocinio lógico impedia-me de crer em um Deus,Pai Eterno,implacável,que perdoava o tempo todo,através de um padre confessor,mas que Ele não perdoava,caso você morresse sem a extrema-unção,mandando-o direto,por toda a eternidade para um inferno,comandado por um rival Dele,o aterrorizador diabo!!!Brincadeira,em pleno século XX,ameaças e medos colocados para o fiéis.Tudo era pecado,ou venial ou mortal,mas pecaminoso e proibido.No colégio essas aberrações eram colocadas nas aulas de religião,após ser rezado o terço,isto diariamente e após o recreio maior,de meia hora,onde jogavamos animadas peladas,estando portanto suados e excitados.Resultado é que era o momento máximo de minhas esculhambações,distrações,papos,desenhos sacanas ns folhas dos meus cadernos,enfim algo ridiculo para mim e no qual algumas poucas vezes,por respeito ao professores ou aos colegas carolas,fiz questionamentos aos professores,tais como,porque Deus permitia haver tanta maldade,tanta dor na Terra e vinha a resposta cretina de que era tudo por culpa de Adão e Eva,do chamado pecado original... Brincadeira...O resultado só podia ser esse a minha descrença em uma religião de ameaças,de respostas inadequadas,sem sentido,sem lógica,onde por ausencia de argumentos vinha logo as ameaças de você estar pecando,de ser dogma e assim não ter de ser explicado e sim acreditado,na marra.Com isso,certa vez fiz a minha traquinagem máxima,acho que foi no terceiro ginasial,quando a nossa sala era do lado de uma horta e do galinheiro que abastecia a cozinha dos irmãos e então antes da entrada do professor,pulei a janela,peguei uma galinha,amarrei o bico e trouxe para a sala,soltando-a depois,no auge do terço,em sala,o que redundou em uma baita punição e uma bela surra em casa.Também havia um rodizio para ser sacristão na missa dos domingos e em todos os anos de colégio só uma vez testaram-me nessas funções,pois imaginavam que eu faria merda e não deu outra,toquei a sineta nas horas erradas e me enrolei todo na entrega dos apetrechos da consagração,ou seja das hostías e do vinho.Mesmo assim foi muito bom,pois aprendi muito historicamente sobre o Catolicismo e sua principal figura,na qual acredito,que é Jesus Cristo,mestre e que não fundou nenhuma religião e sim propôs e exemplificou uma filosofia de vida terrena,bastando conhecê-la e seguí-la para termos a consciência tranquila ao findar nossas vidas.Ah,aí vai mais uma história em que não acredito e concordo,a das três pessoas em uma só,ou seja de que Jesus e Deus,sejam apenas uma pessoa espiritual,o que aliás ele mesmo o negou ao chamar o Pai no auge das dores da crucuficação.Madeira
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Concordancias com os Irmãos Maristas
Durante os anos em que fui aluno marista,no Externato São José/RJ,tive muito mais motivos de alegrias e acertos com a instituição do que de discordancias.As concordancias foram com o ensino,excelente,professores bem preparados,dedicados,que sabiam ensinar e cobrar,inclusive com as hoje tão mal faladas decorebas,mas indipensáveis para algumas áreas,como a aritmética,onde saber a taboada de cór é um imperativo e que até hoje me auxilia,fazendo eu as contas antes de vendedores acabarem de as lançar na calculadora.Na disciplina também eram muito bons,com variedade de punições e calibradas pelas reincidencias,sendo as mais aplicadas,como já dito as famosas linhas,com frases curtas sobre o erro cometido e que iam aumentando a medida que repetiam-se os erros(por exemplo,escrever cem linhas sobre"não devo falar em aula"),sendo zerada a punição a cada mês,após o lançamento da nota mensal de comportamento.Aqui havia um comercio de troca de linhas entre os punidos,pois sempre se escrevia a mais,guardando para a próxima alteração ou para trocar ou até vender para um colega,que a colocava no meio das escritas por ele.Também o eram o ficar em pé no fundo da sala,se quieto de frente assistindo a aula,se continuasse perturbando de costas para a turma.Dentro da graduação ainda tinha a de ficar após a aula,em pé,de frente para uma árvore,por nós chamado de segurar árvore,por quinze ou trinta minutos depois da saída.Por fim a terrível suspensão das aulas por três dias,acompanhada do retorno com os pais.Esta era precedida pela famosa frase:"Fulano saia da sala e apresente-se ao reitor".Nessa area eu só não concordava e não concordo quando,ocorreu umas duas ou três vezes,vinham as tais punições coletivas,ou seja quando ocorria um alteração disciplinar em sala e não identificado o autor,o professor queria punir toda a turma,tirando o recreio(esta não era punição habitual) ou prendendo todos após a hora da saída.Nestes momentos sempre rebelei-me e criei caso até ou aparecer o autor,por vontade própria ou o professor voltar atrás.Minhas notas sempre foram muito boas,pela facilidade de aprendizagem e pela excelencia do ensino,sendo ruins,o que sempre me impediu de ser um dos tres primeiros(minha melhor colocação mensal foi um quarto lugar,ficando sempre entre o sexto e o oitavo lugar em turmas de quarenta alunos),as disciplinas complementares,tipo desenho(sempre marquei a folha de baixo,pela força com que desenhava);trabalhos manuais(eu me colava todo ou serrava a madeirite errado)e canto orfeonico,onde eu sempre definava.Na disciplina sempre ficava no regular!!!Fora isso só tenho excelentes recordações do ensino marista,dos professores e colegas com quem convivi e com quem aprendi muito,mas muito mesmo.Madeira
terça-feira, 28 de julho de 2009
Externato São José,os esportes
Os irmãos maristas além de terem um excelente ensino davam a maior força para a prática esportiva.A cada semestre eram realizados e de forma muito bem organizada campeonatos internos interclasses,de todos o esportes,por ano de estudo e depois também entre os anos,ou seja de todo o ginásio e do cientifico.Assim,tinhamos atividades de competição em futebol,basquete,voley e atletismo,esportes coletivos e de ping-pong individual,além das peladas no recreio maior,de farda mesmo,o que nos levava,após o mesmo a entrar em sala,para rezar o terço e ter aula de religião,tremendamente suados,empoeirados e elétricos.Também realizavam em cada semestre os jogos maristas,desses esportes,contra o Internato São José,da Usina da Tijuca,onde sempre tomavamos ferro,em todos os esportes,menos basquete(nossos times eram muito bons),pelo simples fato dos jogos serem sempre lá no Internato,pois as instalações eram muito melhores e como internos por terem tempo de treinar e muito as seleções deles,enqunto nós iamos com a cara e a coragem.Para piorar,por exemplo no futebol, nosso campo era de sete contra sete,com árvores no meio e o deles,onde aconteciam as partidas,gramado de onze jogadores.Normalmente tomavamos uma lavada,principalmete no segundo tempo,pelo cansaço.Nossa quadra de basquete e voley era de terra e lá jogavamos em um ginasio.Não davamos vexame,nem faziamos palhaçada,mas era desigual para cacete.Para piorar mais ainda lá eles tinham material de primeira e nós cada um levava seu material,sendo tudo cobrado nos nossos torneios internos,desde aluguel da bola as camisas.Nos jogos maristas ainda no submetiam a ir jogar obedecendo a divisão interna deles,pois lá eles tinham uma divisão interna total das areas de utilização dos alunos(dormitório,refeitório,área de recreio,biblioteca,campos de futebol,áreas de esporte,tudo enfim separado,que eles denominavam de menores(tinham primário lá,o que não tinhamos no Externato),médios(ginásio) e maiores(cientifico),enquanto nós faziamos tudo separado por ano.Quando ainda no quarto ano ginasial,eu já jogava no time principal,correspondente aos maiores deles e lembro que um dos nossos,moleque toda vida,fez uma grande gozação.Foi o Oto,um lourinho,nosso ponta direita,que entrou em campo imitando ter um defeito fisico,que o impedia de correr direito;lançada uma bola para ele,deixou-a escorrer pela lateral,mostrando uma grande dificuldade para andar;ficou um tempo sem receber a bola,até que o lateral esquerdo deles,entendeu que ele seria uma figura decorativa;então lanaçada uma bola para ele livre,desatou a correr,lépido e rápido e fez o gol:foi expulso...Mas foi muito bom para mim também essa parte,pois lá calcei chuteiras pela primeira vez e disputei torneios organizados com juiz,contagem de pontos,premios e sempre com grande torcida,pois todos os alunos eram obrigados a assistir os jogos,daí advindo,para nós que jogavamos uma proeminencia junto a professores e aos colegas,principalmente aqueles que não jogavam,ficando assim "famoso" no colégio.Também ocasionalmente jogavamos com outros colegios,como o Colegio Militar,que era pertinho e o Colégio São Bento,que utilizava o campo do Flamengo,na Gávea,onde joguei,ainda ginasiano,por duas ou tres vezes,isto porque eu era titular da seleção do colégio,de futebol e de voley(antes que perguntem então ainda não existia futebol de salão,que chegou depois ao Brasil),como goleiro,posição que escolhi e na qual,no campo mais me dei bem,como relatarei mais a frente.Em um dos anos do ginásio caí na mesma sala do Fernando Sampaio,colega e excelente goleiro e nesse ano joguei nos torneios interclasses de zagueiro,batendo adoidado,o que alguns anos depois me ajudou,quando fui jogar salão,pela colocação e força que aprendi a utilizar no nosso campinho.Também,jogava de beque em todos o rachas dos recreios.Foi inesquecivel,gostoso,muito bom,foi onde aprendi muito sobre futebol,conjunto, coletivo,sobre manhas,sobre esforço(lá não existia morcego,chupasangue),entrega,sendo que cada rodada era comentada,discutida por todo o colégio,antes dos jogos e depois as atuações dos alunos jogadores.Dentro da sala de aula rodava um jornalzinho"O Marreta" criado pelo Vicente Bozó(apelido),com comentários sobre tudo e em especial sobre os jogos e um outro imenso grande(tenho um exemplar guardado comigo),inspiração de um o nossos craques o Flavio Lage,que rodava as segundas feiras,colorido,só sobre a rodada anterior,com entrevistas,notas para o jogadores,perfeito mesmo.Grandes colegas,qu ainda hoje se encontram no Rio,os que lá fizeram a carreira profissional e que ainda hoje encontram-se mensalmente e com todos nós anualmente.Os irmãos Sampaio,Flavio Lage,os irmãos Teixeira,os irmãos Nogueira,Danilo,Governo,Murilo,Armando,Lopes,Palito,Pedro Paulo,enfim uma pleiade de bons peladeiros e de inteligencias,que nunca esquecerei.Também na parte esportiva,valeu,Externato São José,ensino marcante,com os esportes adicionando valores e com colegas de escol.Madeira
sábado, 18 de julho de 2009
Externato São José,as traquinagens
Bem,fui impossível nesses anos de ginásio.Inteligente,com muita facilidade de aprendizagem,mas ao mesmo tempo muito ativo,intrometido,resoluto,sem medos e um gozador emérito,da mesma forma que aprendia com facilidade e tinha boas notas,à exceção de em trabalhos manuais,desenho e canto,disciplinas complementares,tinha mau conceito disciplinar.O que me salvava é que,como eu conhecia bem o pai que tinha e assim sabia o limite,antes deste eu parava e dava uma mergulhada,evitando as punições máximas de suspensão(em todos os anos que lá estive só tive uma e se eu não tivesse razão teria custado-me uma forte sova) e expulsão.As punições eram de ficar em pé,de castigo,no fundo da sala,de costas para a turma,virado para a parede;escrever linhas,repetitivas sobre a indisciplina,tipo "não devo falar em aula",em quantidade que aumentava conforme o aumento do erro,que era anotado por cada professor em um local próprio na pauta dele e nas quais ,muitas das vezes,nós enrolavamos,comprando linhas já feitas,em excesso,por outro colega e colocando no meio das feitas pelo responsavel;decorar poemas de autores pátrios e declamá-los para a turma(numa das minhas alterações eu tive de decorar e delamar,Y-Juca-Pyrama;ficar após o término da aula só,no pátio,de frente para uma das árvores,segurando a pasta com cadernos,por mais algum tempo,até um máximo de uma hora;ir para a sala do reitor o que poderia valer uma anotação na caderneta para o pai,o que seria uma advertencia e que repetida mais duas vezes valeria uma suspensão de três dias,sendo que estas tinham de ter na caderneta o ciente do pai.Como elas eram mensais e depois prescreviam,salvo se gravíssimas,quando iam direto para a caderneta,eu tratava de aliviar e me conter quando chegava o meio do mês e eu já estava meio complicado na disciplina.O que que eu arrumava?Eu nunca perdi a ocasião da gozação,da piadinha e a praticava e pratico até hoje,falando ou comportando-me na hora indevida.Outra mania minha,até hoje,é não ficar quieto perante injustiças e mentiras,o que valeu-me até sair da Federal,já burro velho.Nas primeiras as mais comuns foram,por exemplo,colar papéis nas costas de colegas mais babacas,tipo "dê-me um tapa" ou "chute-me na bunda";colocar rabiolas de papel penduradas nas calças da farda;tascar giz ou bolinhas de papel na cabeça dos outros(sempre sentei por ser dos mais altos então nas últimas carteiras);fazer bolinhas de papel mastigá-las e jogá-las com força no teto da sala,que passado algum tempo,após secaren caiam na cabeça de alguém;idem com giletes partidas ao meio,que lá ficavam até o final do ano quando o colégio era limpo para o ano seguinte;escrever,nos intervalos qualquer porcaria no quadro então negro,tal como desenhar o famoso "moita",aqueles olhinhos e mãos atrás de um muro;e o mais grave,soltar a cortina de lona enrolada que protegia a sala do sol e que ao desenrolar-se e cair fazia um barulho terrível,interrompendo a aula;trancar colega no banheiro na hora do recreio;jogar papel higienico molhado no colega dentro do banheiro cagando.enfim todas as molecagens possíveis e criativas.Tive poucas brigas de sair na mão com colegas no colégio(a maioria tive na rua onde morava),só alguns arranca-rabos nos torneios de futebol ou com neguinho que fazia merda e se escondia covardemente,deixando outro ser punido.Das grandes cagadas ressalto duas marcantes:uma quando,acho que na terceira série,nossa sala de aula dava para a horta e o galinheiro da residencia dos irmãos e em determinado intervalo,pulei a janela,capturei uma galinha,levei-a para a sala,com o bico preso e durante o terço a liberei,foi uma merda e castigo após a hora da saída;outra quando amarrei um irmão professor na cadeira dele,pois eles tinham na batina um cordão que amarrava a mesma a cintura,ia até os pés e terminava com um enfeite a ponta,a minha sorte é que era uma irmão gozador que não ficou puto e quebrou meu galho com um esporro alegre.Outra babaquice ocorreu nas aulas de francês,para azar do irmão professor,uma das leituras referia-se a um certo senhor Bousset e deste nome surgiu um dialogo cretino criado pelos alunos e que era o seguinte:imaginava-se que chegava uma visita na casa do referido senhor e ao ser atendido na porta por um empregado do mesmo dava-se a conversação:"o senhor Bousset tá?"Não o senhor Bousset não está.E os filhos do senhor Bousset tão?O senhor Bousset não tem filhos.Ah,eu pensei que o senhor Bousset tinha...Outra era qualquer leitura na lingua francesa que aparecesse a palavra cou(pescoço),que era motivo de inúmeras piadinhas...Uma das minhas colocadas para fora de aula foi em uma classe de latim.Eu estava distraído e o irmão professor o vendo,perguntou-me de repente:Theotonio declina caput no plural:eu que sabia que era palavra neutra e que assim o plural era feito com a no final,levantei e lancei,crente que estava abafando:caputa,caputa e era capita(cabeça)e o resultado foi,além de muita risada,eu fora de sala,pela palhaçada e o pior é que não o foi,foi de distração e não de sacanagem...Aos domingos tinha a missa obrigatória,após a qual recebia-se a caderneta com a nota disciplinar e as presenças e na missa do primeiro domingo do mês o boletim mensal com as notas do mês e havia um rodizio de alunos servindo de coroínha(auxiliar do padre na missa) e apenas uma vez me escalaram,depois nunca mais,pois fiz tudo errado(toquei as sinetas na hora errada,não toquei,esqueci de pegar os bagulhos que tinha de levar para o padre,levando a loucura o colega do outro lado e o padre)e é lógico de sacanagem,para não ter de ir de novo.As do segundo tipo foram algumas poucas vezes com professores,uma das quais valeu a única suspensão,que para a sorte de minha incolumidade física,foi aceita por meu pai,que ainda foi ao colégio e discutiu com o reitor.Existia nos maristas o mau costume,assim entendo,de quando havia uma indisciplina e o professor não descobria o responsável ou este não se acusava,de punir toda a turma e eu nunca aceitei e levantava e engrossava com o mestre e depois lá fora brigava com o covarde que não se acusava,pois eu nunca me escondi,fugi a responsabilidade pelos meus erros.Assim,logo no admissão começou essa minha saga e alguém atirou uma bolinha de papel em algum aluno que sentava na primeira fila e caiu junto ao professor que de costas para a turma escrevia no quadro.Este virou-se e perguntou quem fora e ninguém se acusou.Daí veio a ordem de a turma toda ficar após a hora da saída de castigo.Levantei na hora e reclamei e disse que eu não ficaria e daí sala do reitor,o que se repetiu mais umas duas vezes,em outras séries,até vir a suspensão não aceita por mim,nem por meu pai.Esta forma de ser vigora até hoje para mim:injustiça,não...Com essas posições,companheirismo,não fugindo as responsabilidades e mais os esportes,em especial o futebol,pois sempre fui das seleções do colégio,acabei sendo conhecido e admirado por muitos alunos,especialmente de séries abaixo,de quem inclusive virei protetor contra os trotes babacas da época(jogar talco,apertar casca de tangerina nos olhos,outros).Madeira
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