quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Outras da turma da José Higino

Nossos programas juntos eram,na maioria absoluta ligados ao futebol,como jogar pelada com bola de borracha no meio da rua,pois passava um carro de meia em meia hora,se tanto,com as balisas sendo transversais,ou seja,entre a parede de uma casa e uma árvore de um lado da rua e a outra da mesma forma do outro lado,dando assim uma dimensão maior ao nosso campo,isso com as inevitáveis reclamações de alguns vizinhos chatos,mas como as casas de então eram recuadas,com jardins,sem vidros quebrados,apenas com as puladas de muro para recuperar a bola.Depois nos aperfeiçoamos e descobrimos terreno baldios,dois ou três,em todos esses anos,onde com as nossas mãos,roçando,limpando,fazendo as traves,com madeira,pregos comprados,marcando com cal as laterais e as áreas e tendo assim um campinho bem arrumadinho,para grandes peladas e até jogos contra,aí já com bolas de couro,a famosa número cinco,como era chamada.Também,no inicio,bem criança,brincavamos de bandeira e carniça,que hoje estão em desuso,brincadeiras de correr e pular,como era o hábito de meninos então.O nosso código para chamar um aos outros era simples,era só ficar quicando a bola na frente da casa do colega até ele aparecer na janela e ser informado da pelada ou novo encontro,pois a maioria era combinada com antecedencia.A noite o comum era encontro na esquina para ficar jogando conversa fora,sempre sobre mulheres e futebol.Domingo era dia de praia de manhã(sabados eram então dias úteis,com aulas e trabalho normalmente,com algumas áreas de comércio,fechando às quatorze horas,na chamada "semana inglêsa,enquanto outras iam até às dezoito horas)e futebol no Maraca às tardes,sem problemas,com alguns indo com as camisas de seus times e sentando juntos,sendo torcedores e não inimigos como hoje.Também iamos para o Maraca nas noites de quarta,dia de jogos entre um grande e um pequeno,sendo os domingos sempre para os clássicos.Nos feriados ou domingos sem futebol,nas férias do jogdores,entre o natal e o carnaval,que correspondiam as férias escolares,iamos bater uma bola na Quinta ou no Alto da Boa Vista,nos gramados de lá,onde se fazia picniques e podia se pisar na grama.Também incrementava-se as idas a praia,de lotação,em especial Leme e Copacabana,então ainda bem selvagens,ou seja vazias.Passeios mais longos ocasionais ocorriam,como ir de barca as ilhas de Paquetá e Governador,para pegar uma praia.Para a praia,qualquer uma,sempre levava-se uma bola para jogar um pouco.Bicicleta,poucos tinham,eu tinha e não ligavamos muito não,justamente porque a maioria não tinha.O cinema na praça Saens Peña era um programa ou para a manhãs de domingo,principalmente se estivesse chovendo ou para as noites e era precedido de uma juntada de dinheiro(uma vaquinha) para irem todos que queriam,inclusive os que estavam duros.As matinês,nas manhãs de domingo eram nos cines América,sempre de mocinho,faroeste ou no Carioca,chanchada brasileira,com Oscarito,Grande Otelo e outros excelentes comediantes,ambos antecedidos de um jornal esportivo,o canal 100,que passava os melhores momentos do clássico da rodada anterior e de uma série de faroeste,que passava por capitulos.Duas grandes corridas/fugas ocorreram nessa época:uma quando andando pela rua Barão de Mesquita,em uma noite voltando de uma pelada,ao passar por um casarão soturno,imenso,que era residencia do jornalista de O Cruzeiro,principal revista carioca,David Nasser,resolvemos mexer no muro e em um buraco deparamos com um revolver:resultado:desatamos a correr,com medo do dono do mesmo aparecer e nos pegar;o outro foi quando um dos nossos,de brincadeirinha,mexeu em uma pilha de latas de leite condensado Moça(até hoje não gosto deste alimento,deve ter sido um trauma),fez com que a pilha desmoronasse e uma das latas caiu na cabeça de um cara fortão que estava de lado,cortando a cabeça dele,quando o cara passou a mão na cabeça e viu o sangue escorrendo,nós desatamos a correr,cada um para sua casa.Esta foram as diversões na minha adolescencia.Madeira

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