sexta-feira, 30 de outubro de 2009
A Associação Atlética Portuguesa Carioca
Estourada a idade no infanto juvenil do Confiança eu pretendia continuar jogando lá pelo juvenil,apesar de saber que este não disputaria nenhum torneio,mas eu nunca tinha pensado em ser profissional de futebol,gostando apenas de jogar e eu sentia-me bem no Confiança,mas o destino é quem resolve e o Antonio Carlos,a bichinha que comigo jogava no Higino,morador na José Higino,estava treinando no juvenil da Portuguesa e levou-me para um teste,já que estavam formando o time para disputar o campeonato carioca de 1957.Fui,treinei e fiquei,já titular do time.Treinavamos duas vezes por semana no campo do Abrigo Cristo Redentor,pois a Portuguesa tinha recem reingressado na primeira divisão carioca e não tinha campo,esse campo que ficava entre Manguinhos e Bonsucesso,na avenida Itaoca,às terças e quintas,as tardes,sendo as terças a parte fisica,o denominado individual,constante de aprimoramento fisico,ginastica e a parte técnica,cobranças de faltas,escanteios e as quintas os coletivos.Na época a maior parte do primeiro semestre era para o Torneio RioxSão Paulo e os times pequenos ficavam treinando e fazendo amistosos,a maior parte pelo interior do então Estado do Rio.O tecnico era um um ex-lateral direito do Bangu,o Mendonça,que ficou famoso,por ter em 1951,a perna direita quebrada pelo Didi,ao que constava propositalmente,pois ele estava batendo,machucando todo mundo com sua virilidade.Nosso time era um time mediano,com uma zaga alta e boa no jogo aéreo,dois laterais de boa categoria e um ataque de bom poder de fogo.Desse time fizeram sucesso e carreira o quarto zagueiro,magro,esguio,excelente no cabeceio,que depois foi contratado pelo Vasco,para substituir o campeão do mundo Orlando,o Bibino,que no Vasco ganhou o apelido de Russo e lá fez muito sucesso,o centro avante o Lua,um crioulo alto,forte,mas rápido,que chegou a ir para o Santos,mas lá sumiu e o meia armador,o Borges,que depois foi para o Bonsucesso e o Botafogo,onde teve muito êxito.Também joguei contra e assim conheci,pelo menos dentro de campo,alguns jogadores que depois fizeram sucesso no profissional,tais como Gerson,o canhotinha de ouro,que era armador no Canto do Rio,Miguel,zagueiro central do Vasco,que depois jogou no até no Flu,Carlinhos,apoiador,cracaço,do Flamengo,Djalma Dias,zagueiro central do América,dentre outros.Quando iniciou-se o campeonato a Portuguesa tinha conseguido fazer um aluguel do campo do Kosmos Futebol Clube,na zona rural do Rio,uma estação de trem após Campo Grande,no bairro do mesmo nome e lá começou a mandar seus jogos,para onde nos deslocavamos de trem,cada um as suas expensas,na sexta feira,com hora de apresentação até às vinte horas,para concentrar e jogar no domingo.Os treinos continuaram da mesma forma,sendo que os das terças no Abrigo Cristo Redentor.Fizemos um campeonato mediano e sobre doze times(Flu,Fla,Vasco,Botafogo,America,Bangu,os denominados seis grandes e nós os pequenos,de menor poder aquisitivo,Portuguesa, Madureira,Olaria,Bonsucesso,São Cristovão e Canto do Rio,que apesar de ser do Estado do Rio,Niteroi,era convidado da Federação e disputava o campeonato carioca,portanto doze,fomos setimos,ou seja,o primeiro dos pequenos,tendo no curriculo o fato de termos derrotado o América,então o melhor time juvenil do Rio e justamente na inauguração do nosso campo em Kosmos,por 4x3.Lá na Portuguesa fiquei conhecido como Russo,apelido dado pelo Mendonça,nosso técnico.Nossas derrotas para os grandes foram todas apertadas,por exemplo para o Flu,dois 2x1 e com os pequenos nos ombreamos tendo mais vitorias que derrotas.Com isso tive oportunidade de jogar e conhecer todos os campos dos times do Rio de Janeiro,das Laranjeiras/Gavea,onde já tinha jogado pelo infanto do Confiança,ao Maracanã,onde joguei o Torneio Inicio,que era a apresentação dos times, com os jogos sendo eliminatorios,de 10x10 minutos e se empatado decisão por penaltis e mais as partidas contra os grandes.O melhor gramado era o do Bangu e depois Maracanã e Caio Martins.São Cristovão,Olaria(rua Bariri) eram os alçapões pelo apertado que eram e são,apesar do Olaria,recente ter invertido a posição do campo.Também continuei e até melhorei as regalias de jogador,com massagista e médico,concentração,com refeições,onibus bom,vitaminas,inclusive com uma baita e dolorida injeção de vitamina B12,na veia,às terças feiras.O bicho era bom e como lá era profissionalismo eu ficava com ele.Na vitória contra o America,os dirigentes portugueses entusiasmados deram um excelente bicho,se não me engano quatrocentos cruzeiros(no infanto do Confiança era de 25 a 50...).Outra sorte imensa que dei foi que nesse ano e foi somente nesse ano,os juvenis é que faziam as preliminares dos profissionais,com a ideia de se descobrir revelações e além disso,como chamariz para os jogos e para essas descobertas,os jogos dos juvenis dos clássicos eram transmitidos pela TV Continental,canal 9,logico em preto e branco,que era uma emissora que só passava esportes e que tinha como narrador,um iniciante, chamado Leo Batista.Com isso,na escola(o Andrews)acabei ficando conhecido e na minha rua mais falado.Outro fator de sorte e que contribuiu decisivamente para o meu amadurecimento foi o de treinarmos as quintas feiras contra os profissionais,o primeiro time,a partir do momento que fomos para Kosmos.Eu lá com dezoito anos enfrentando os chutes e manhas de profissionais,concentrando com eles e ouvindo e sabendo as historias de bastidores.Madeira
Os então ainda não tão famosos
Nessa época tive ocasião dever,conhecer,encontrar muitas pessoas que já eram na época famosos ou que viriam a ser depois.Não podemos esquecer que quando reporto-me
a esses ciclos de adolescencia,em um Rio de Janeiro pequenino,falamos em uma cidade espalhada,dividida em zonas urbana,suburbana e rural,as quais só se chegava de trem e maria fumaça,com bondes sendo a principal forma de transporte urbano,taxis apenas nos pontos e chamados por telefone de numeração de quatro digitos,poucos onibus,sem televisão e com radios apenas em AM,a válvulas e recheados de chiados,com jornais matutinos e vespertinos,uma capital com cerca de setecentos mil habitantes,que a zona sul terminava em Copacabana,sendo Ipanema e Leblon ainda praias selvagens,com poucas casas e a Barra um mundão de areia,todos nos bairros conheciam-se e também na cidade eram os famosos vistos e funcionando como pessoas comuns,ou seja,ainda que admirados,andavam livremente pelas ruas.Assim,vi ou até conheci muitas figuras marcantes,famosas.O Presidente Getulio Vargas,com o seu guardacostas Gregorio Fortunato estiveram em um festejo na frente da padaria Laís,dentro do carro preto conversível presidencial,bem pertinho de minhas vistas.Os casamentos de artistas era sempre na igrejinha da Gloria ou na Calendária e eu quando menor era carregado por minha mãe para assistí-los com ela.Lembro-me bem,pois quase fui esmagado do casamento de Luis Mendes e Daisy Lucidi,de Cesar de Alencar e não sei quem.Os conjuntos e as orquestas que tocavam nas festas eram de maestros/cantores que depois fizeeram fama.Vi tocando,cantando perto de mim,Severino Araújo e sua orquestra Tabajara;Rui Rey e sua banda;Erlon Chaves e sua orquestra,ouvi,nessas ocasiões,ainda iniciando,Silvio Cesar,Wilson Simonal,Quarteto em Cy,Osvaldo Nunes,outros.Um dos cinemas que frequentavamos era o Cine Madri,que ficava em uma galeria,ampla,com lojas dos dois lados e ao fundo de um lado o cine e do outro o café Madri,que era frequentado pela turma do cine Madri,que era composta por uma turma de jovens cantores,que moravam nas proximidades,na rua do Matoso e que eram Roberto Carlos,Erasmo Carlos,Tim Maia,Osvaldo Nunes,outros.Numa vila quase em frente,em diagonal a padaria Lais,na José Higino,após o rio Maracanã,morava a Zezé Macedo(Biscoito em um quadro com o Chico Anisio),que era magra e feia que nem a necessidade.Jogadores de futebol também moravam nos bairros,na casa dos pais e na Tijuca morava o Zagalo,que também tinha estudado no Externato,uns seis anos a minha frente,enfim você esbarrava em famosos,muitos que ficaram mais famosos depois.Tenho de fato muitas lembranças da Tijuca,minha Tijuca.Madeira
a esses ciclos de adolescencia,em um Rio de Janeiro pequenino,falamos em uma cidade espalhada,dividida em zonas urbana,suburbana e rural,as quais só se chegava de trem e maria fumaça,com bondes sendo a principal forma de transporte urbano,taxis apenas nos pontos e chamados por telefone de numeração de quatro digitos,poucos onibus,sem televisão e com radios apenas em AM,a válvulas e recheados de chiados,com jornais matutinos e vespertinos,uma capital com cerca de setecentos mil habitantes,que a zona sul terminava em Copacabana,sendo Ipanema e Leblon ainda praias selvagens,com poucas casas e a Barra um mundão de areia,todos nos bairros conheciam-se e também na cidade eram os famosos vistos e funcionando como pessoas comuns,ou seja,ainda que admirados,andavam livremente pelas ruas.Assim,vi ou até conheci muitas figuras marcantes,famosas.O Presidente Getulio Vargas,com o seu guardacostas Gregorio Fortunato estiveram em um festejo na frente da padaria Laís,dentro do carro preto conversível presidencial,bem pertinho de minhas vistas.Os casamentos de artistas era sempre na igrejinha da Gloria ou na Calendária e eu quando menor era carregado por minha mãe para assistí-los com ela.Lembro-me bem,pois quase fui esmagado do casamento de Luis Mendes e Daisy Lucidi,de Cesar de Alencar e não sei quem.Os conjuntos e as orquestas que tocavam nas festas eram de maestros/cantores que depois fizeeram fama.Vi tocando,cantando perto de mim,Severino Araújo e sua orquestra Tabajara;Rui Rey e sua banda;Erlon Chaves e sua orquestra,ouvi,nessas ocasiões,ainda iniciando,Silvio Cesar,Wilson Simonal,Quarteto em Cy,Osvaldo Nunes,outros.Um dos cinemas que frequentavamos era o Cine Madri,que ficava em uma galeria,ampla,com lojas dos dois lados e ao fundo de um lado o cine e do outro o café Madri,que era frequentado pela turma do cine Madri,que era composta por uma turma de jovens cantores,que moravam nas proximidades,na rua do Matoso e que eram Roberto Carlos,Erasmo Carlos,Tim Maia,Osvaldo Nunes,outros.Numa vila quase em frente,em diagonal a padaria Lais,na José Higino,após o rio Maracanã,morava a Zezé Macedo(Biscoito em um quadro com o Chico Anisio),que era magra e feia que nem a necessidade.Jogadores de futebol também moravam nos bairros,na casa dos pais e na Tijuca morava o Zagalo,que também tinha estudado no Externato,uns seis anos a minha frente,enfim você esbarrava em famosos,muitos que ficaram mais famosos depois.Tenho de fato muitas lembranças da Tijuca,minha Tijuca.Madeira
As festas da adolescencia
Nesse novo ciclo sumiram as molecagens de rua,pois já era um rapaz,fazendo o curso clássico.Assim foram trocadas as molecagens de rua,com toda a turma,que constavam,além das peladas quase diuturnas,de brincadeiras como bandeira,carniça,bola de gude,pipa(eu não consegui nunca empinar uma pipa,era muito ruim nisso),subir até a Usina da Tijuca de bonde e descer por dentro do leito pedregoso do rio Trapicheiros até próximo de casa e outras,por atividades"mais adultas",tais como comparecer a festas de quinze anos,que era um hit na Tijuca,ir ao cinema,fraudando a idade,jogar cartas(buraco e sete e meio,principalmente),ficar na esquina apenas batendo papo,sacanear aos outros,tipo,de noite amarrar uma nota de cinco cruzeiros,através de um furo a uma linha preta e colocá-la do outro lado da calçada e quando alguém a via e se abaixava para pegá-la,puxar a nota e rir da pessoa,o que muitas vezes nos valia uma boa corrida,enfim,uma "baita evolução".As festas de debutante,que ocorriam praticamente todo sabado,a maioria no Tijuca Tenis e outras nas residencias grandiosas que havia,eram sempre com musica ao vivo,um conjunto ou uma orquestra quando no clube e tinham os convites disputados pelos adolescentes à tapa.Sempre alguém da turma arrumava convite e distribuia e os que queriam ir e não conseguiam convite,dava-se um jeito de mostrar o convite e depois pela grade do jardim ou pela janela se passava para o colega penetrar.Eram festas ricas,com muita comida e bebida,sem restrições,que começavam às nove,dez horas,com a valsa do "debut" a meia noite.Nesta quem gostava de dançar e o fazia bem se acabava,o que não era o meu caso e assim eu só fui a umas poucas,abrindo mão de meus convites e não penetrando.Dentre as que eu vi assisti duas gafes de colegas.Em uma ele após se lambuzar de doces,virou-se para um coroa,que estava alegre,brincando com o nosso grupo e disse"tô com a mão suja e o jeito vai ser limpar na cortina,aqui atrás",obtendo como resposta"não faz isso não que eu sou o dono da casa e vou te botar para fora".De outra feita ele irreverente como só,ao receber a oferta por uma senhora de docinho de côco,respondeu a ela"minha senhora por um docinho de côco eu sou capaz até de dar a bunda".Essas festas acabavam normalmente às quatro horas da madrugada,ocasião em que voltavamos a pé para casa,sem qualquer perigo,ficando ainda batendo papo na esquina e rindo dos fatos ocorridos na festa até cinco,seis horas.Eu pouquíssimas vezes fiz esse programa,salvo em janeiro,mês de férias futebolisticas,pois eu sempre tinha jogo no domingo cedo pelo Confiança e depois pela Portuguesa(nesta inclusive com concentração),mas nas vezes que fiz foram marcantes.Elas sempre terminavam com a gente comendo pão fresquinho e bebendo leite idem,apanhados no portão de alguma casa,pois então o padeiro,o leiteiro e o jornaleiro colocavam no portão das casas os pedidos feitos.Também tinhamos o costume de,muitas vezes,com nada para fazer, pegar um lotação e irmos até a Praça XV comer angu no carrinho do "Angu do Gomes",de que eu não gostava mas ia junto por companheirismo.Outra onda era ir até as gafieiras da Lapa,os dancing club,sendo os mais famosos a Estudantina e a Avenida,e lá assistir as "taxi-girls" e os "pés de valsa" se exibindo,aliás sendo um de nós um excelente dançarino,o Sergio Gomes.Madeira
Ainda o Confiança Atlético Clube
Nessa época o Confiança também ensinou-me a comparecer as festas de um clube de bairro,as homenagens e a ter a minha primeira namorada firme,firme mesmo,pois demorou até eu mudar-me para Brasilia,em 1961,portanto,cinco anos de namoro sério.Desde que cheguei ao Confiança fui diferente dos demais jogadores,pois não morava no bairro,não trabalhava na fábrica,estudava,vestia-me bem(comparando com os demais),falava mais articulado,comportava-me com fidalguia,respeitando a todos,mas sem envolver-me com os comportamentos deles,além de ser louro.Porém face a ter um comportamento descontraído,amigo,sem reclamar com ninguem,nem de nada,acabei sendo um diferencial e logo era o capitão do time,fato que eu nunca tinha visto então nos times que enfrentei ou sobre os quais li,de um goleiro ser o capitão.Com isso acabei sendo objeto de paqueras e logo,logo comecei a namorar uma lourinha,que trabalhava na fábrica,baixinha,de uns olhos verdes lindos,muito ajeitadinha,que assistia a todos os jogos e morava ao lado do campo.Chamava-se Georgina,apelido Gina.Naquele tempo os pais tinham de autorizar e a familia toda palpitava e eu não fui uma unanimidade,pois alguns achavam que era demais para ela e os meus pais,quando souberam,quiseram me jantar,por ser ela uma operária.No entanto eu gostava dela e a namorei durante muito tempo,só terminando mesmo quando mudei-me para Brasilia.O namoro então era de mão dada,com dia e hora marcada,na porta de casa ou nas proximidades,passeando pela rua,ocasião em que em algum canto da rua escura,pelas árvores que impediam a passagem da luz dos postes,aproveitava-se e se trocava beijos e amassos freneticos(naquele tempo não ocorriam assaltos,nem violencias nas ruas).Eu namorava as terças,quintas e sabados,das oito às dez da noite,invariavelmente e a via durante os jogos.Foi também no lado afetivo um bom tempo,que faz parte das recordações do Confiança.Madeira
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Mais de Confiança Atlético Clube
No infanto,que é o assunto dessa época(depois falarei do primeiro time),além desses inúmeros amistosos,disputei o primeiro campeonato carioca oficial,patrocinado pela Federação Metropolitana,da categoria infanto-juvenil do Rio de Janeiro.Houve uma divisão por chaves,sendo uma de clubes da zona sul e centro,outra da zona suburbana e outra da zona rural do Rio de Janeiro,sendo convidados os clubes que tinham campo,inscrição regular,sendo o campeonato em turno e returno,dentro das chaves e classificando-se para o turno final os dois primeiros colocados de cada zona.Nossa chave tinha o Fluminense,Flamengo,Botafogo,nós e o Rio de Janeiro,também do D.A.Nas outras chaves tinha Olaria,Bonsucesso,Oiti,Campo Grande,outros.Foi a ocasião de jogar com árbitros famosos,como Antonio Viug,Amilcar Ferreira e de jogar,pela primeira vez nos campos do Fluminense(nas Laranjeiras),Flamengo(na Gávea),Botafogo(ainda em general Severiano)e no campo do Rio de Janeiro que era o do Olaria.Fizemos uma campanha mediana,ou seja,ficamos em terceiro lugar,não passando para a fase final.Mas,estreamos ganhando em nosso campo de Fluminense por 1x0 e empatando com o mesmo Flu em 0x0 lá(que emoção ganhar de meu time de coração);perdemos as duas para o Botafogo,2x1 lá e 3x0 em casa(o time deles era muito bom)ganhamos as duas do Rio de Janeiro,3x1,em casa e 3x0 na rua Bariri e perdemos as duas para o fra,a primeira na Gávea por 5x1(jogamos uma partida desastrosa,todos nós,ou seja,trememos...) e a de volta,roubada,por 3x0.Roubada,porque eles chegaram atrasados cerca de uma hora e o juiz negou-se a dar o WO previsto no regulamento e nós entramos cabisbaixos na partida,mas mesmo que tivessemos ganho não nos teriamos classificado,pois o fra teria um ponto a mais.O campeão da nossa chave foi o Botafogo,invicto,ganhou todas de todos e era o melhor time,mas o campeão geral foi o Olaria.Foi ótimo,sensacional e senti o peso da responsabilidade de disputar um campeonato oficial e inclusive com cobertura da midia.Também no Confiança aprendi a lidar com roupeiro,que era o seu Almeida,um senhor grosseiro,que cuidava das nossas chuteiras,limpando-as,tirando os pregos,com pé-de-ferro,conservando-as com sebo,entregando-nos o uniforme limpinho,passado e recebendo-o suado,sujo,enlameado e que era lavado pela esposa dele.Seu Almeida também era quem cortava a grama do campo,marcava com cal as linhas,cuidava das bolas e em troca recebia salario da fábrica e morava em um casinha em um canto do terreno.Ele e a esposa eram as pessoas que faziam tudo pelo time.Bem,comigo ele nunca foi grosso,pelo contrário,eu era o queridinho deles e tudo meu era melhor,mais limpo,mais cheiroso e eu era atendido melhor e primeiro.Motivo é que eu sempre ia procurar e abraçar a esposa dele e a ele,tratando-os com carinho e certa e principalmente é que eu sempre dei para ele o "bicho",que recebia.Todo time de futebol à época,mesmo sendo amador dava um dinheirinho,que no nosso caso vinha da fábrica,na rubrica de manutenção do time de futebol,que era fixo e para cobrir as despesas de transporte e alimentação do dia do jogo e quando em disputa de torneios era aumentado em caso de vitorias ou empates.Lá no infanto ainda me lembro era de vinte e cinco cruzeiros,todo domingo,que era pago no vestiário após o jogo e eu recebia e passava direto para as mãos do seu Almeida,pois isso eu ganhava por semana de meu pai e não me fazia falta nenhuma.Daí eu ter me tornado peixe do Seu Almeida.Também lá pela primeira vez conheci a figura do massagista,algo sensacional e que eu adorava.O massagista do infanto era o Nilton,também empregado da fábrica,branco,com curso de enfermagem,que nos massageava(quem queria)antes dos jogos com uma mistura de vaselina e mentol,que esquentava mesmo e depois do jogo,após o banho e de nos secarmos bem,com talco.Eu não perdia uma oportunidade de ser massageado.Ali,no Confiança,conheci pois gente,aprendi a comportar-me,a conviver com pessoas menos favorecidas,a lutar até o último minuto por vitórias e a tudo que um futeboleiro fazia,tinha e passava.Valeu e muito Confiança...Tenho muitas saudades e excelentes recordações.Madeira
Ainda o Confiança Atlético Clube
A fábrica de tecidos Confiança Industrial datava de 1894 e chegou a ser a maior do Rio de Janeiro,logo ombreada pela Bangu Tecidos.Hoje como lembrança dela,lá estão imponentes a chaminé,com suas iniciais no topo,parte de suas instalações,ocupadas por um mega hiper mercado,instalado na mesma construção,além das casas ao redor,todas construídas no século retrasado para abrigar os trabalhadores da fábrica e suas familias,sendo as de dois andares para o corpo gerencial e as térreas para os operários.O clube surgiu no século seguinte,na década de 20 para que os empregados tivessem um lugar para seus momentos de lazer.O campo foi construído na rua Silva Teles,com tamanho oficial,arquibancada de madeira,com tribuna de honra e sede social ao lado,com salão de festas no segundo andar e administração e jogos de salão no térreo.Frequentei muitas vezes as festas que ocorriam aos domingos,depois dos jogos das 19 às 22/23 horas e onde os atletas eram figuras ilustres e reverenciadas pelos associados.Tinhamos duas camisas,como todo time à época,uma oficial e a outra a branca,que era uma alternativa,somente usada quando as cores do time visitante confundiam-se com as do time da casa e somente pelo time da casa,que as deixava de sobreaviso até ver a cor da camisa do visitante.Todos os times então jogavam de calções brancos(era a única cor de calção de futebol) e meias listadas das cores do clube.A nossa oficial era toda verde,com gola e a beira das mangas com duas listas pretas,tendo uma vermelha entre elas e no peito,ao centro da camisa em listas horizontais,o mesmo,ou seja,uma preta,uma vermelha e outra preta,tendo no meio o escudo do CAC,que era todo verde,com as listas já citadas em diagonal e com uma bola amarela(naquele tempo só existiam bolas marrons)embaixo,no canto direito do escudo.A camisa alternativa ou segundo uniforme era igual,apenas a cor principal da camisa era o branco ao invés do verde.O campo era todo cercado com alambrado,aprovado para jogos oficiais,sendo os vestiários embaixo das arquibancadas,sendo o nosso do lado esquerdo de quem entrasse em campo,ou seja de quem estava sentado na arquibancada.Do lado direito ficava o vestiário do visitante e no meio dos dois o dos juízes.Por um pequeno corredor entravamos em campo,que era todo gramado,sempre com uma torcida grande de sócios,empregados da fábrica e de moradores da vizinhança.Vale lembrar que o Confiança chegou a disputar o campeonato carioca,logo após a sua fundação,na decada de 20,ficando sempre na posição intermediária da tabela,quinto,sexto lugar,deixando de fazê-lo quando foi implantado o profissionalismo,que não interessava a fábrica e passando então a ser filiado ao Departamento Autonomo,que era ligado a Federação Metropolitana de Futebol e que foi criado para administrar os campeonatos dos clubes que não quiseram tornar-se profissionais.Nestes,que disputei pelo Confiança,tanto como infanto-juvenil,como no amador(primeiro time)o Confiança chegou a ser campeão carioca.Madeira
O Confiança Atlético Clube e sua importância na minha formação
O Confiança foi imensamente importante na minha formação humanistica,tanto nos meus sentimentos,como nos comportamentos,enfim na minha personalidade e no meu caráter,além de ter me ensinado o que era o trabalho coletivo,a importância de cada uma pessoa individualmente para o resultado final e a saber perder e ganhar,sem vaidades e meas-culpas.Eu era um menino de classe média-média,filho de um comerciante,ou seja com um bom padrão de vida,estudava em um dos melhores colégios do Rio de Janeiro e em vez de frequentar e praticar algum esporte em um clube desse nível,por exemplo,o América,o Tijuca Tenis,fui jogar em um clube de uma fábrica,com a maioria de meus companheiros,operários fabris ou filhos deles.Mas foi graças a essa escolha que,apesar de não ter vaidades,pois meu pai não o permitia(eu nada tinha a mais do que o necessário para o diuturno),não passava qualquer dificuldade e só me relacionava com meninos desse naipe,que aprendi muito sobre gente,sobre convivencia humana.Conheci no Confiança e a eles me afeiçoei meninos que muitas vezes não conseguiam,principalmente ao final do mês,fazer todas as refeições, alguns,aos quinze anos,já sem dentes ou com eles todos podres,cariados,de mãos e pés grosseiros e falando errado,com um nível de escolaridade bem abaixo do meu e me senti bem,ombreando-me a eles,em defesa das mesmas cores,buscando as mesmas vitórias,chorando nas mesmas derrotas.Como isso foi importante,pois cedo ainda convivi e conheci esse lado da vida e pude constatar que o pobre é no mais das vezes,mais correto e sério do que muito abonado.No Confiança eu era mais um atleta,mais um jogador e não o filho do dono da padaria,do Seu Dias.Isso colaborou e muito na minha formação moral e nas minhas relações com os meus subordinados nas minhas andanças posteriores...Lá fui comandado por um treinador com menos estudo que eu já tinha então,o DUCA,com maiusculas,pois com sua simplicidade,ensinou-me a ganhar e a perder,mas principalmente a lutar com todas as minhas forças para vencer,sempre com dignidade,olhando nos olhos dos parceiros e com altivez os rivais.Ensinou-me e depois constatei,as maledicencias,as falsidades do mundo,tanto do mundo da bola,como do mundo total.Saudades do Duca e de suas preleções,das corrigendas severas quando dos erros,da exigencia de fazer o mais simples e objetivo,deixando de lado os enfeites,enfim era um homem de carater,um operário padrão,um treinador de escol,um crioulo que honrava a cor e a brasilidade dela.Lá eu não poderia ser chamado de Theotonio e ainda com agá e então tentaram apelidar-me de "Russo"(esse depois foi meu apelido na Portuguesa Carioca),por ser louro,branquelo,enquanto a maioria do time era de pardos e negros,de Alemão não podia porque já tinha um,o lateral direito,com esse apelido,mas nenhum colou,quando alguém lembrou que o goleiro do Botafogo era um paranaense,louro(só era meio careca)chamado Pianowsky e ficou sendo esse meu nome no Confiança e no Departamento Autonomo,quando o clube a ele se associou..Logo,logo,de Pianowsky,virou Piano e assim,só assim,eu era chamado dentro do Confiança e no futebol amador do Rio de Janeiro.Bem,nos dois anos e meio de infanto-juvenil do Confiança,joguei cerca de 150 partidas,com 80% de vitórias,pois era um excelente time,jogando em seu campo,bem treinado e efetivamente a maioria das partidas contra times de bairros,de rua.Piano,Alemão,Jorge e Carlinhos,Aercio e Deda;Celio,Celsinho,Gizo,Celso e Israel,este foi o time base titular,o que mais vezes jogou,tendo importantes participações de Toninho no meio campo e de Zezinho e Marcio no ataque,estes meio titulares.Alemão,operario da fabrica,era um lateral de excelente marcação,duro,forte;Carlinhos,pela lateral esquerda era o oposto dele,clássico,muito bom no apoio,em uma época em que os laterais não subiam como hoje,foi depois,ao estourar a idade para o Fluminense,para jogar no juvenil;Jorge Berutti era um central vibrante,de muito boa impulsão,excelente cabeceador,apesar de não ser alto,depois passou no concurso no Colégio Naval e fez carreira na Marinha de Guerra;Aercio era um center-half clássico,distribuidor do jogo,como se chamava á época,o tocador de violino e Deda era o meiocampo que recuava e fazia o hoje chamado quarto zagueiro,fechando a entrada da área com o Jorge Berutti,jogava também nas duas laterais,com habilidade,quando necessário;o ataque,sendo que dois dos cinco voltavam para buscar a bola e lançar os pontas(autenticos),enfim para armar as jogadas e que eram pela direita,o Celsinho,mulatinho,ágil e rápido que gostava de correr como a bola(como Zico e hoje Kaká) e o Celso,que era gemeo do ponta direita,o Célio,esse um lançador;esses dois,junto com o Aercio que era o virtuose,eram os cabeças das jogadas de ataque,sempre através dos pontas,velocíssimos,o Celio pela direita e o Israel pela esquerda e cujas jogadas sempre terminavam na cabeça ou nos pés do Gizo,centro-avante,alto e muito forte,que depois foi para o juvenil do fra.Sempre entravam e o time não sentia o Toninho no meio,para cadenciar mais o jogo;o Zezinho,primo do Aercio,nas pontas ou no meio e o Marciano,em uma das pontas.Outros passaram por lá e jogaram conosco,mas o time base,que fez muito sucesso no Departamento Autonomo e em Vila Isabel e adjacencias foi esse.Madeira
domingo, 25 de outubro de 2009
A paixão pela prática futebolistica
Aos quinze anos,quando estava findando o segundo ciclo,ainda no ginasial do Externato,movido pela paixão pelo futebol,que praticava lá,resolvi tentar um clube e jogar em um campo oficial,com juiz,com torcida,disputando campeonatos organizados. Perto de casa,a cerca de dez minutos a pé,na rua Silva Teles,descobri um clube,que disputava o campeonato amador da então Federação Metropolitana de Futebol,o Confiança Atletico Clube,mantido pela Fábrica de Tecidos Confiança Industrial. Naquele tempo não existia esse inicio cedo de se jogar futebol em clubes,tipo fraldinha,mirim,infantil,sub isso,sub aquilo.Futebol com pouca idade era nos colegios,disputando os torneios colegiais,internos ou intercolegiais.Começava-se e sabiamente aos quinze para dezesseis anos no infanto-juvenil,ia-se até os dezoito anos,quando se estourava a idade e os que eram bons eram promovidos ao juvenil,que ia até os vinte anos,depois é que se era profissionalizado,também apenas os bons e ia-se jogar nos aspirantes que faziam a preliminar dos profissionais.Nos aspirantes os bons passavam no máximo um ano e subiam para o profissional ou largavam o profissionalismo e iam fazer outra coisa.Alguns teimavam em ficar eternamente no aspirante,quando não conseguiam subir para os titulares e acabavam na situação chamada de come e dorme,ou seja ficavam no clube encostados,apenas completando o número para os treinamentos,em troca de salarios ínfimos.Outros iam jogar em clubes do interior por merreca,através do nome de ter jogado no juvenil ou no aspirante do clube tal do Rio de Janeiro.Era uma máquina moedora que de dois em dois anos te levava ao ápice ou te expelia,pois este era o tempo de estar subindo outra leva que tinha estourado a idade.Alguns craques ou bem aventurados conseguiam subir com menos idade,pulando do juvenil(dezoito anos)direto para o profissional,mas era raro.Pelé,Edu e alguns outros poucos foram as exceções.Bem,fui ao Confiança e apresenteiu-me pedindo para fazer um teste no infanto-juvenil,apresentei minha certidão de nascimento,comprovei ter mais de dezesseis anos e na primeira quinta feira de 1956,dia dos testes e do treino coletivo para o jogo dos domingos pela manhã,às nove horas,compareci e fui testado pelo DUCA,um crioulo magrinho,muito sério e trabalhador,empregado da fábrica,que era também o técnico do infanto e fui de imediato colocado debaixo das traves para mim imensas,pois no Externato elas eram de cinco metros e lá elas tinham os mais de sete metros regulamentares,assim como me pareceu a grande área e o campo todo,de dimensões oficiais,sendo submetido a um bombardeio pelo DUCA,que chutava muito bem e colocado,pois era também o lateral direito ou esquerdo do primeiro time do Confiança.Bem saí-me muito bem,sendo de imediato colocado como um dos que participaria do treino coletivo a seguir.Como era inicio do ano o infanto estava sendo reformulado,tanto porque alguns tinham estourado a idade,como outros tinham ido embora,para outros clubes e assim fui logo chamado para jogar no time,bem como fui logo sendo escalado como titular.Aí comecei minha carreira,amadora sempre,de jogador de futebol.Nesse ano jogamos só amistosos,sempre com muito êxito,pois alem do time ser muito bom e treinado,pois todas as quintas,às 15h30 nos apresentavamos lá e treinavamos e sempre com uma peneira antes,um individual,constante de dez voltas em torno do campo e depois exercicios de aquecimento,seguido do coletivo,titulares contra reservas e finalizado com treinamento de faltas e penaltis,até escurecer,a maioria dos jogos era contra times de esquina,pois poucos times tinham a categoria infanto-juvenil.A partir desse ano,eu já estava decidido a sair do Externato e assim aos domingos eu ia lá correndo as sete da manhã,assistia a missa e pegava a caderneta,pois era obrigatório,pegava um bonde na porta,na Barão de Mesquita e as oito e trinta apresentava-me no Confiança,para o jogo,às nove horas.Era uma baita correria,mas era muito bom.Normalmente,aos sabados jogava ainda com a minha turma uma peladinha,na linha,em nossos campinhos e durante a semana a noite as peladas ou jogos do Higino de futebol de salão.Era bola adoidado,para ninguém botar defeito.Sobrava para namorar,que era com dia marcado,às tardes,na situação já descrita ou às terças,quintas e sabados a noite e durante o dia,pelas manhãs colegio e as tardes estudo e molecagens já descritas também.Era muito bom...Madeira
sábado, 24 de outubro de 2009
Adolescencia,o terceiro ciclo,o Colegio Andrews
Dezessete anos,adolescencia firmada,sexualidade em ebulição,inteligencia e conhecimentos em desenvolvimento,fim do ginasial,resolvo,por absoluta incompatibilidade com as disciplinas da área de exatas,matematica,algebra e geometria e mais com fisica e quimica,cursar o clássico voltando-me então para a área das ciencias humanas e sociais.Converso com meu pai e ele sábio como sempre ao invés de criar problema ou impor-me algo,entende e vislumbra carreiras boas nessas áreas,indicando-me o Direito e a Diplomacia.A partir daí libera-me para escolher um colegio que tivesse o clássico,pois os Maristas não o tinham.Na zona Norte apenas o Instituto Lafayette o tinha,mas era muito mal afamado,quanto a qualidade do ensino e meu pai não admitia um mal ensino pago,que a época chamava-se um colegio pagou-passou.Procurei no resto do Rio e fui encontrar em Botafogo o Colegio Andrews,da familia Flexa Ribeiro,considerado um dos melhores ou mesmo o melhor,que pelo menos era o mais caro então.Meu pai não titubeou e bancou tudo,com o trabalho honesto e duro dele,na padaria Lais.Começava o desligamento da minha turma e da boa vida juvenil,pois em três anos estaria fazendo vestibular e logo servindo o Exercito.O Andrews,excelente colégio,com professores catedráticos(de notável saber,efetivos em universidades),autores de livros didáticos e consagrados,exigentes,que ensinavam muito bem e cobravam muito,como os professores Olmar de latim,Matoso Camara de Português,Madame Marie de francês,Leontsinis de Geografia,Dante de História e que nada ficou a dever ao Externato São José dos Maristas,onde eu estivera até então.Lá era misto e novas emoções aguardavam-me,pois nunca estudara em sala com meninas e então o comportamento era outro,mas retraído,educado,gentil,cavalheiro.Nada de palavrões e brincadeiras violentas ou sujas.Estava tornado-me um homem,um adulto.Além disso os alunos eram todos filhos de ministros,desembargadores,juízes,senadores,deputados,um terror.Alguns da minha turma,que hoje são ou foram,pois já se aposentaram,altas autoridades,como Luiz Felipe Lampreia,ex-ministro de Relações Exteriores,João Agripino Filho,filho de ex-governador da Paraíba,Cecil Thiré,filho da Tonia Carreiro,Francisco de Paula Machado,filho do presidente do Jockey Clube,o filho do dono dos cinemas Severiano Ribeiro,que não lembro o nome,Noelza Guimarães, socialite,que foi casada com o Marcio Braga,ex-presidente do fra e muitos outros que foram e são manchete no Rio de Janeiro.Foram três anos em que eu aprendi muito na área de humanas e sociais,tendo lá estudado,além da lingua pátria,seis horas de latim,por semana,em todos os três anos e mais frances,ingles,espanhol,grego,historia,geografia,filosofia,sociologia, psicologia,enfim um banho de conhecimentos.Foram três anos madrugando,pegando um onibus da linha Horto às seis horas da manhã(eram cinquenta minutos de viagem)no ponto final,no alto da rua José Higino,para começar as aulas as sete e dez minutos e ir até cerca de meio dia,para retornar em mais cerca de uma hora de onibus,mas valeu.A única falha do Andrews era não dar atenção nenhuma a prática de esportes,que eu até tentei dar um incremento,arranjando uma peladinhas,mas não deu certo,pois além de não ser prática do colegio,os colegas tinham suas turmas,seus esportes e clubes,onde já estavam integrados.Mas,valeu Andrews,pela complementação,e agora direcionada,de minha formação intelectual.Madeira
Os namoros
Bem,como toda a turma demorei muito a ter namorada firme,pois não tinhamos tempo para isso,face as obrigações estudantis,futebolisticas e de sacanagem,sendo mesmo mais gostoso ficar com a turma do que namorar,pois este inclusive só poderia ser certinho,com compromisso e não como é hoje para mandar brasa.Namoro era,quando os pais deixavam que ocorresse,e já na faixa de dezoito anos,na sala ou na varanda da casa,com alguem por perto,olhando.Mesmo se você conseguisse ficar só era praticamente impossivel tocar em qualquer parte do corpo da menina,salvo no rosto,único lugar descoberto e de fácil acesso.Mesmo nesse nada de beijos,pois os beijos que conheciamos eram os dos artistas de filmes americanos,que eram comportados e dados por amor,segundo a concepção de então.Além dos costumes e da educação rigida das meninas,onde tudo era pecado e proibido,para não ficar falada e poder casar de veu e grinalda na igreja,existia um calhamaço de roupas a serem desabotoadas ou retiradas para se tocar em um simples seio,quanto mais nas coxas.As mulheres usavam vestido ou saia e blusa(mulher não usava calça comprida,que aliás não existia para mulheres)e em baixo deles um arsenal de enchimentos,tais eram:se de vestido um corpete feito de um material duríssimo e mantido duro por hastes de ferro na horizontal,acolchoadas e que iam dos seios até a calcinha,que servia para modelar o corpo,tornando-o um violão e mais uma combinação,meias finas,sendo os vestidos abaixo dos joelhos.Nas festas os vestidos eram "tomara que caia",ocasião em que nos era permitido ver o colo das mesmas,mas sem decotes.Se de saia e blusa,como nos uniformes escolares,o mesmo,apenas substituindo a combinação por uma anágua.Enfim mal havia tempo para um beijo,nos poucos momentos em que se conseguia ficar a sós,quanto mais para tentar explorar um corpo.Na praia ou piscina maiôs Catalina de corpo inteiro.Eu nunca vi um umbigo ou coxa de menina conhecida enquanto adolescente.Voltando as namoradas,existiram as namoradas platonicas,estas desde os onze anos,aquelas que nos limitavamos a conversar e conversas infantis e no máximo em pegar na mão(nem um beijo)e depois já adolescente e mais sacanas buscavamos conseguir não ter o compromisso e ter uma namorada com uns sarros aqui e ali.Na primeira categoria lembro de uma menina vizinha,muito bonita,que eu ia de bicicleta para a casa dela as tardes,na rua Maria Amalia,bem próximo e ficava de papo no portão,como dizia meu pai"arrastando a asa"para ela.Chamava-se Maria Lucia.Na viagem de navio para Portugal,logo depois desta brinquei muito a bordo e com exclusividade,pois eramos os únicos da mesma idade,com uma lourinha,chamada Suzana.Na vila,na José Higino tinha uma moreninha muito bonita,normalista que também tive um desses namoros bobinhos,chamada Vera.Depois já na adolescencia tive as primeiras que pude namorar sem ter o compromisso,por razões diversas,que foram a Leda,mineira,que morava com os tios e que frequentei a casa dela,as tardes,quando eles não estavam em casa,pois trabalhavam e onde pude então com limites,mas com alguma liberdade namorar.Enfim,sem ser com uma prostituta,pude abraçar,beijar e acariciar um exemplar do sexo oposto.Até ela mudar para Niteroi(ainda fui lá algumas vezes atrás dela)foi um tempo muito bom,de namoro com compromisso,pois os tios não sabiam das idas as tardes,mas sabiam do namoro.Depois dela houve a Cenilda,também nessa mesma batida.Estas foram as primeiras namoradas e nessa faixa de idade.Madeira
A descoberta do sexo e as iniciações da turma da José Higino(1)
A perseguição ao sexo continuou após o fim das boquinhas já relatadas e então surgiram outras alternativas.Descoberta pelo Nelson a seguinte foi um hotel inaugurado na rua Pareto,próximo a praça Saens Pena,onde na verdade funcionava um puteiro,onde,administrado por espanhóis,que eram os maiores cafetões do Rio e donos de todos os rendez-vous cariocas,tinha duas mulheres e onde por vinte cruzeiros fazia-se sexo.Bem,vinte cruzeiros era muito dinheiro,pois a entrada de cinema era na faixa de tres cruzeiros e o transporte coletivo era na faixa de centavos,mas sempre se tinha tutu para,juntado com muito sacrificio de sorvetes e saídas.Lá toda a turma ia com a mesma mulher,pois era a melhor.Era uma nordestina grande,imensa,farta de seios e coxas,cujo nome não tenho certeza,mas deveria ser Maria de qualquer coisa,ou Socorro ou Conceição.Foram grandes e envergonhadas trepadas,pois adolescente de quinze,dezesseis anos,tudo era desajeitado,com medo,com vergonha.Logo também foi descoberto na rua Conde de Bonfim 500(hoje nenhum desses prédios existe mais) um grupo de teatro amador,com placa a porta e tudo,denominado de GTCA-Grupo Teatral Chico e seus Artistas.Chico era o cabeça e dono da casa e do grupo e era uma tremenda bichona,branca,careca,de voz pastosa,que abria as portas do grupo para qualquer coisa,desde para papos,até para sexo.Era um casarão amplo com uma grande sala que servia para os ensaios e apresentações e vários quartos que serviam para as fornicações.Falsos e pretensos artistas lá se reuniam,assim como pessoas de todo tipo,inclusive prostitutas e uma viadagem enorme.Lá também frequentamos durante algum tempo e lá também descarregavamos nossa libido,inclusive muitas vezes,que maravilha,recebendo dinheiro para transarmos.Afinal um adolescente branquinho,limpinho,de boa familia era um pitéu.Ainda bem que nunca ninguém tentou comer nenhum dos nossos,pois eramos machos em busca de predar e não frangas.As mulheres que lá frequentavam eram na verdade barangas,mas naquela idade e para nós com a testerona aquecendo todo o corpo,eram lindas.Ainda bem que naquela época não havia aids,sendo que o máximo que ocorria era uma gonorreiazinha,logo debelada com uma baita e dolorida injeção,nas nadegas,de penicilina.Também,ocasionalmente,levados pelo Melequinha,que se apropriava do carro do pai dele,um Studebaker 51,bonitão,duas cores,nos aventuravamos na rua Alice,onde existiam os puteiros de melhor qualidade ou de bonde iamos para a zona do Mangue,de baixo meretricio mesmo.Nestes lugares a maior parte das vezes iamos só para olhar as mulheres que ficavam em exposição nas salas de entrada das casas,em uma verdadeira exposição.Na rua Alice porque era caro e tinha-se de beber algo e no Mangue porque tinha policiamento e aí as bichinhas que ficavam nas portas controlando o acesso dos fregueses ficavam com medo da policia criar problemas por sermos menores,mas quando tinhamos dinheiro e não tinha policia por perto lá iamos nós.Naquele tempo não existia tanto cuidado com a idade,sendo de senso comum que isso era problema dos pais.Drogas não existiam,salvo bebidas alcoolicas que mesmo assim eram vendidas sem que se perguntasse a idade do bebedor e cigarro todo mundo usava,mas no geral apenas em festas ou para se exibir.Estas foram as descobertas e as atividades sexuais,sempre em grupo,pois nunca saía um sozinho para qualquer desses programas,indo um grupo sempre,isso dos quinze,dezesseis, dezessete anos,depois lentamente substituídas por namoros e saídas particulares, individuais.Madeira
Assinar:
Postagens (Atom)