segunda-feira, 28 de junho de 2010
As atividades na AGP
Como assessor da área de ensino,com o beneplácito do chefe,o Cel Maurilio Holanda,que excelente carater e pessoa,e experiente,pois sabia dos meus atritos com o DG,passei a ficar mais tempo na ANP,que na assessoria,onde só ia esporadicamente vê-lo e pegar alguma ordem de estudo,de parecer novo.Dentre estas esteve a de um pleito,encaminhado pelo Ministerio da Justiça,que estava recebendo o então Patrulha Rodoviária Federal e que a estava transformando em Policia Rodoviária Federal,na qual era solicitado um parecer do DPF na pretensão de membros da mesma em que ela tivesse autoridades processantes em seus quadros,que fizessem os flagrantes e presidissem os inqueritos policiais de crimes cometidos nas rodovias federais,por eles encontrados/descobertos.Como é óbvio e claramente inconstitucional dei um parecer contrário,que foi aprovado pela Assessoria Juridica e assunto morto.Houve outro que foi mais uma briga com o Moacir Coelho,que perdi,mas escrevi e disse poucas e boas,ocorreu em outro pedido de parecer sobre a doação dos dois aviões que o DPF tinha comprado,antes da gestão dele,para a FAB,sob a alegação do Moacyr Coelho que o DPF não precisava de avião,pois tinha policiais em todas as unidades federativas.Dei parecer contrário,pois nossa legislação previa e prevê ações integradas e feitas em vários Estados e que hoje em dia manda-se pessoal de um local para o outro.Ele não aceitou minha argumentação e doou os aviões a FAB(depois o DPF teve de comprar e comprou os que aí estão hoje com muita utilidade).Outro parecer,este inclusive gerou uma representação minha(é uma das poucas coisas que guardei cópia e está com minha neta Taís),mas que também perdi,foi a doação das instalações da ANP no setor polical sul para o então DASP,face a construção das novas instalações em Sobradinho.Argumentei que eram duas coisas diferentes e que as novas deveriam ser utilizadas para os cursos de formação,pois inclusive tinham local para internamento(quartos,refeitorios,cozinha) e as instalações da antiga,no setor policial sul,ao lado dos institutos de criminalistica e de identificação,com estande subterraneo,ginasio excelente,anfiteatro,salas de aula,feita para ser utilizada por órgão policial,ficasse para cursos de aperfeiçoamento,para cursos que não precisasse de pernoite,para cursos de meio expediente,para reuniões de planejamento,mas não adiantou e tudo foi doado.Representei contra ele no Conselho Superior de Policia e nada adiantou.Mais desgaste,mais batida de frente,contra o homem de confiança do Gen Figueiredo,oriundo do SNI também.Com isso passei cada vez mais a ficar na ANP,onde tinha sala e a dedicar-me a dar aulas,a apoiar as atividades de ensino e viajar todo mês,de uma semana a quinze dias,para dar cursos volantes,de todas as areas,sendo as minhas disciplinas Investigação Policial e Técnicas de Interrogatório.Com isso fugia das confusões,das fofocas da Séde e fazia o que gostava.Viajei nesses três anos de assessoria o Brasil todo,do Amazonas ao Rio Grande do Sul e foi muito bom,tanto pelas diárias,como por ter ficado conhecido e defendido minhas idéias sobre o nosso DPF,não dos militares da reserva,lá empregados...Madeira
A chegada a Brasilia/DF
Pronto para trabalhar,após ter recebido as chaves de um excelente apto funcional na Asa Norte,SQN 302,com três quartos,suíte,closet,dependencias de empregada,enfim muito bom e de os móveis terem chegado e nós termos arrumado a casa,apresentei-me ao Cel.Moacyr Coelho,pronto para o serviço e começou a "porca a torcer o rabo".Era de fato inicio de uma guerra particular que durou cerca de quatro anos,entre eu e ele, e nem com a saída dele do DPF eu podia contar,pois ele era da reserva do EB e iria ficar os seis anos do Presidente,o Gen. Figueiredo.No meu primeiro dia,nesta apresentação já começou o enfrentamento e o pior,enquanto eu tinha esse arranca rabo,Te tinha o carro dela,o Passat,abalrroado por um onibus na entrada da Rodoviária,fato que só soube depois ao ir embora para casa,muito pu..Quanto ao embate,o Moacyr Coelho quis dar-me uma enquadrada,no tocante aos tais gastos de recepções(que eu dava para meus funcionarios,como recompensa da produção e a entrega as atividades policiais) e eu respondi mal,dizendo entre outras coisas que o DPF era meu,que ele estava ali de passagem,que um dia ele iria embora e eu e o DPF seguiriamos,apesar dele.Nisto houve altercações de voz,que levaram o segurança e motorista dele,o Isvami,que ficava na ante sala dele e que tinha sido meu soldado na GEB,a dizer-me posteriormente,que quase invadiu a sala,preocupado em não sair uma briga córporea.Foi um péssimo inicio de relacionamento,que se deteriorou continuadamente e acabou na minha intempestiva saída do DPF,decisão que até hoje eu analiso e tenho dúvidas se foi uma decisão correta.Para meu orgulho pessoal pode até ter sido certa,mas para minha familia,ainda tenho dúvidas e para minha velhice(valor de aposentadoria)foi sumamente prejudicial.Enfim agora não adianta sofrer,nem mesmo lamentar.Após a primeira batalha com o Moacyr Coelho apresentei-me para trabalhar ao Cel.Maurilio Hollanda,também da reserva do EB,excelente pessoa,educado, trabalhador,minucioso nas coisas que fazia,enfim foi muito bom trabalhar com ele que era o assessor chefe,que tinha ligada a ele três assessorias,de pessoal,de ensino e financeira,que trabalhavam para estudar e dar pareceres em apoio as decisões da Direção Geral.A mim coube a de ensino,que estava vaga,o que não significava que não pudesse ou fizesse outros estudos e isto foi sopa no mel,pois era uma área que eu gostava,já tinha me envolvido muito,quando fiquei na ANP e que tinha experiencia,tanto por dar aulas,como por ser licenciado em História.Instalei-me em uma sala ampla,com toda a estrutura necessária,no oitavo andar do novo e recem inaugurado prédio sede do DPF,no setor de autarquias sul,o apelidado "máscara negra",por seus vidros foscos,escurecidos,onde até hoje funciona o DPF.Instalei-me e logo passei aos estudos,recebendo como primeira missão a de minutar o plano de segurança do novo prédio,o que fiz e creio ainda estar em vigor.O plano consistia basicamente em controlar totalmente os acessos externos,com ampla identificação de pessoas e material e,como novidade,também a frequencia aos andares,que por isso foram "batizados"com cores,nas bandeiras das portas e nos crachás dos que lá trabalhavam.A isso adicionava-se uma ronda constante,que se encontra-se alguém,funcionário ou não,com crachá de cor diferente era detido e levado ao delegado de dia,para explicar-se.Os andares quinto,onde funcionava o centro de informações e o oitavo,direção geral,tinham ainda a frequencia totalmente,à exceção dos lá lotados,vedada,com um agente a saída dos elevadores e escadas e portas com segredo.Na área externa,das dezoito horas de um dia às seis horas do seguinte e mais aos finais de semana e feriados,o dia inteiro,havia sempre dois agentes guardando a frente e os fundos do prédio,tudo sob a responsabilidade de um delegado de plantão,escala a qual concorri muitas vezes e que era responsável,tanto pela segurança institucional,com por fora do expediente receber as comunicações de ocorrencias de todo o Brasil...Madeira
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Dois anos de gestão e a remoção para a séde
Primeiro semestre de 76 e eu já sabia de que ao fazer dois anos tinha de ir para outro posto.Não tinha ideia de para onde iriam mandar-me.No entanto também nem imaginava que ali estava desenhando-se minha saída da PF.As coisas corriam bem,a SR com excelente produção,tendo sempre aprovadas as contas pelo TCU,o pessoal motivado,trabalhando com entusiasmo,um excelente conceito público,mas como sempre eu começava a estragar as coisas.Um pouco antes de findar meu tempo,comprei uma briga que não era minha e isso custou-me problemas,junto a Direção Geral do DPF,após ter saído de lá.Ocorreu que um determinado sujeito,que nem lembro-me do nome,mas que era importante na cidade,estava sendo ouvido na SR e ao ser informado pelo Delegado titular do inquerito que seria indiciado,rebelou-se e criou um enfrentamento dentro da SR.Eu,ao invés de determinar ao CRJ(corregedor regional)de ir lá e resolver,fui eu mesmo e lá,após informar-me do caso,disse ao "cara" que ele seria indiciado de qualquer maneira,até a força.Isso resultou em uma serie de cartas anonimas endereçadas a altas autoridades federais e locais e até a colocação de algumas dentro de livros nas faculdades de Direito,tudo contra mim.Concomitantemente,eu que sempre em datas especiais,como dia de criação da Federal e Natal,oferecia algum evento para os funcionarios e familiares,legalmente,com a verba de encargos diversos,fui chamado atenção pelo DG,o Cel.Moacyr Coelho e dei uma má resposta,dizendo que as contas estavam sempre sendo aprovadas pelo TCU e eu continuaria a fazê-lo,independente dele gostar ou não.Agora sei que foi o inicio de uma briga particular com o DG e que foi o que redundou em minha saída do DPF.Em todo caso,com a minha folha de serviços,os elogios e feitos a frente dos setores que diriji em minha carreira,ele teve que me engolir e ao haver o tempo de saída,mandou convidar-me para ser assessor dele,lotado na Assessoria Geral de Planejamento,AGP, órgão de apoio ao DG,do gabinete dele,cargo para o qual eu já tinha sido selecionado quando estava no Paraná,em concurso interno.Uma pretensa promoção,mas para mim um castigo,pois era cargo burocrático e não policial,como eu gostava de trabalhar.Então solicitei apartamento funcional,a que tinha direito,pois não tinha moradia em Brasilia e logo que tudo acertado,mandei-me,em julho de 76,com o pessoal(menos o Ismael,que fez concuros para agente do DPF,passou,fez o curso de formação e foi lotado lá,tendo então se unido com a Marilene)para Brasilia,tirando os trinta dias de trânsito parte em Fortaleza em um hotel a beira da praia e parte no Rio,mandando os dois carros com a mudança e fazendo a viagem de avião.Levava de Fortaleza boas e más recordações,dentre estas o inicio de problemas de saúde de Terezinha,que às vésperas de nos mudarmos começou a apresentar um quadro de pressão alta de dificil debelação e controle,que por mais que procurassemos,com todos os exames clinicos possíveis,não foi descoberto.Pelo menos nessa época descobrimos o Espiritismo, através de um amigo local,conselheiro do TCE/CE,Dr.José Claudio,que nos deu o Evangelho segundo o Espiritismo,de Alan Kardec e com ele aprendemos o beabá de nossa religião e filosofia.Ainda lá pude muito mais do que combater,dentro da lei,a subversão criminosa,violenta existente,de acompanhar todas as operações ocorridas no País,pois como SR eu era convidado para as reuniões de defesa nacional,tanto a nível de Estado do Ceará,neste,com reuniões semanais,como a nível de Nordeste e do Brasil,nestas comparecendo as reuniões mensais do CONDI/IV Exercito(Conselho de Defesa Interna do Nordeste),realizadas em Recife.Nestas eram mostradas fotos e apresentados relatorios a todas as altas autoridades de segurança nacional presentes(comandantes das FFAA,SRs do DPF,Secretarios de Segurança Pública).valeu Fortaleza/Ceará...Madeira
quinta-feira, 24 de junho de 2010
O Ceará,a familia e os mais próximos
Ficamos instalados no edificio Pres,Kennedy,em Mucuripe no meu primeiro ano de gestão(74).Depois mudamos para um outro ap térreo,em um prédio pequeno de três andares,que tinha inclusive um pequeno jardim na frente,bastante amplo e arejado em uma rua simpatica,rua Thomaz Pompeu,no coração da Aldeota,mas bem próximo à praça Portugal,onde tinha nos finais de semana uma feirinha de artezanato e alimentação excelente,do Clube Ideal e da zona litoranea,no inicio da Beira-Mar.As visitas,à exceção de dona Hilda rarearam,como no Maranhão,face a distancia do Rio,nossa base familiar e de amizades.As crianças foram estudar no Colégio Alvorada,onde inclusive a Cintia foi aluna da Marilene,que depois conheceu o Ismael,já separado da esposa a Tania e com quem veio a se casar.O Caio depois foi estudar no Colégio Batista Americano Cearense,onde,pasmem,escolheu como uma das atividades complementares aprender a tocar bateria(isto já na nossa segunda passagem por Fortaleza,em 1981).Também lá o Caio teve um dos seus vários acidentes;neste ele prendeu o pé embaixo de um balanço,daqueles compridos,em uma pracinha próxima de casa e torceu o tornozelo,o que valeu a ele o primeiro gesso.Lá também,mal nós chegamos,sem conhecer direito as praias e os perigos das mesmas e ainda com o Maranhão na cabeça,onde não há perigo,passei um grande aperto com a Cintia,ainda pequena,pois entrei com ela na água,na praia de Iracema e fomos atingidos,por uma onda e ela caiu dos meus braços e ia sendo levada pelas ondas para o mar,quando,ainda tonto agarrei-a de qualquer maneira e graças a Deus,foi só um susto.O Ismael eu levei comigo para o Ceará,após ele separar-se da Tania que voltou para o Rio,com as filhas.Lá ele foi contratado pelo DPF e foi trabalhar na Censura,em serviços de apoio,não policiais,tendo depois se radicado lá,feito concurso para o DPF,passado,sendo efetivado e casado com a Marilene,que tinha sido professora da Cintia,no Colegio Alvorada.Nossas férias foram tiradas uma em uma viagem de navio,um cruzeiro,no Ana Neri de Fortaleza a Manaus e retorno e outra em Portugal,pois ganhamos as passagens de cortezia,no voo inaugural da TAP,em um jumbo,na linha Fortaleza/Lisboa,ocasião em que pela primeira vez Te voltou,agora adulta,a Portugal e ao local onde tinha morado,na Tarouca,por muitos anos,quando criança,revendo parentes e conhecidos de então.Também então a levei,tudo em um carro alugado,a casa em Valpaços/Argeriz,onde eu tinha morado por um ano.Foi emocionante.Terezinha também foi convidada(tudo gratuito) em uma excursão,só de mulheres,esposas de gente importante,de ricaços de Fortaleza,pelo interior da Inglaterra e França:desembarcaram em Londres e de lá,por cerca de dez dias foram de onibus de turismo pelo interior da Inglaterra na direção de Dover,porto de ligação pelo canal da Mancha com a França,onde após a travessia aportaram em Calais e foram passeando até Paris,de onde voltaram para o Brasil.Nesta viagem ficavam duas a duas mulheres nos aps e Terezinha contou que passou um aperto,pois no meio da viagem a companheira de quarto menstruou e pediu a Te que colocasse nela um OB,que era um lançamento,pois ela não estava conseguindo.Te ficou apavorada,sem entender a mulher,negou-se e ficou tudo bem. Terezinha,com algum tempo livre fez o supletivo do segundo grau,complementando assim seus estudos básicos e fez curso de inglês.Lá troquei de carro,trocando a Brasilia azul,comprada no Maranhão por um Passat,primeiro de uma linhagem que tive(uns dez sucessivamente) e mais a frente,quando já preparava-me para ser transferido(não sabia para aonde),comprei um Ford,para ficar um comigo e outro com ela.Foi a época das vacas gordas,ganhando bem,em relação ao que ganhava,sem o cargo comissionado.Tudo corria bem.Durante a semana muito trabalho,administrativo e por isso resolvi fazer o curso superior de administração,cursando a Faculdade Estadual de Administração do Ceará,às noites.Nos finais de semana,iamos todos para uma praia,longe do centro ou a um clube,em geral mais a primeira,sempre procurando variar,para conhecer e ir para as praias mais vazias.Como no Maranhão iamos,com os convites da censura a todas as peças e shows que por lá apareciam e eram apresentadas no Teatro José de Alencar.Para quebrar o mal estar que havia com a classe dos artistas,como já fazia no Maranhão,sempre oferecia um almoço aos artistas,durante a estada no CE.Assim almoçei com Dercy Gonçalves,Chico Anisio,Renato Aragão,que inclusive foi lá em casa e tirou retrato com as meninas e outros que não me lembro.As tardes de domingo ia para o Castelão ver os jogos lá realizados,normalmente junto como Adilberto,sempre na tribuna de honra,nas cadeiras da PF.Convivi com autoridades decentes,como os governadores Cesar Cals e Adauto Bezerra.Relacionei-me,sempre com muito cuidado com algumas figuras importantes do Estado,como os senadores Virgilio Tavora e Mauro Benevides,com Tasso Jeressaiti,esse mesmo que aí está como senador,empresário sério,competente,também com deputados federais,diretores de órgãos públicos.Em uma das poucas visitas que fiz,pois selecionava com muito cuidado os convites,não indo a maioria,fomos passar um domingo na casa de um cara importante,com a manhã na piscina e após o almoço,à beira da mesma.Então Te cometeu uma de suas gafes mais famosas.Estavam as mulheres em uma rodinha jogando conversa fora,sempre no Nordeste as mulheres fazem uma roda delas e os homens outra só deles e aí a conversa caiu em tipo masculino e Te disse que só não gostava,suportava,homem,sem nenhum cabelo no peito.Nunca vi um homem botar tão rápido uma camisa e era o dono da casa,que era totalmente pelado,liso no peito...Como no Maranhão recebi os títulos de cidadão cearense e fortalezense,ambos propostos pelo MDB,o que era esquisito face a situação politica,mas que comprovava a lisura e imparcialidade com que eu me comportava diariamente,no exercício das minhas funções policiais.Fiz inúmeras palestras sobre o DPF,tendo bolado material publicitário,em vários órgãos,tanto públicos,como politicos.No dia do DPF,que era a data da criação legal,criei e montei uma exposição,em praça pública,no Largo do Ferreira,centro nervoso de Fortaleza,com nossas apreensões,fotos e informações,o que projetou bem a PF.Tudo que relato neste blog,tem comprovação,estando as fotos com a minha querida neta Taís.Foi uma boa gestão,com resultados profissionais muito bons...Madeira
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Outros fatos na SR/CE(2)
Dentre os fatos a serem lembrados e anotados,estão os seguintes:Lá tive,a convite do comandante da Base Aérea de Fortaleza,oportunidade de fazer um voo em um Mirage e passei o resto do dia,deitado passando mal.É óbvio que ocorreu por não estar meu organismo acostumado,preparado para tal feito.Era um treinamento e fui na carlinga,sentado e equipado como um copiloto.Deram-me um uniforme de piloto,que além de ser refrigerado,tinha um equipamento que quando dos mergulhos apertava nos braços e pernas,evitando assim o excesso de sangue no cerebro e o consequente desmaio.O voo é lindo e de dificil descrição.Após a decolagem alcança-se uma velocidade incrivel,onde tudo lá embaixo passa depressa demais.A hora do bombardeio é dificil,pois após descer relativamente com calma,em diagonal,para localização perfeita do alvo,após soltar as bombas o avião tem de subir rápido para não pegar o deslocamento do ar do efeito das bombas e os ataques anti aéreos de terra.O momento onde mais aperta o fardamento e que é mais vertiginoso é o de metralhamento,pois neste momento é necessário descer em mergulho e subir logo após as rajadas também em ascendencia fortíssima,para fugir do fogo inimigo.Ainda ganhei de brinde voltar para a Base de cabeça para baixo,que foi o que o piloto fez comigo.É de dificil relato você olhar para cima e ver a terra,a cidade...Outro acontecimento foi uma visita que fiz ao açude de Orós,em um teco-teco do DNOS,Departamento Nacional de Obras Contra a Seca,órgão federal responsável pela administração do mesmo.No mesmo fiz um passeio de lancha em toda a extensão,mas o marcante foi o retorno.No teco tivemos de trazer um caixão com um defunto,para ser enterrado em Fortaleza.O dificil foi o pouso em Fortaleza,pois o caixão não tinha amarração e ele escorregou para cima de mim,pois estava atrás de minha cadeira,que era a que seria de um copiloto e pousamos comigo todo torto,meio de lado segurando o caixão para ele não virar e cair um defunto sobre mim...Outra ocorrencia foi a da prisão do principal matador do Nordeste,Arino Suassuna,que preso pela policia cearense,levou um cacete para confessar e não fez.Como dentre os crimes perpetrados por ele estava o de falsificações de CNHs,ele foi repassado para nós para responder o devido inquérito.Entregue,foi recebido todo cheio de marcas de pancada e ao fazer na manhã seguinte a chegada dele a minha visita ao xadrez,perguntei quem era ele e o que tinha ocorrido e ele não falou nada.Determinei ao meu chefe da Seção de Custódia que providenciasse escolta e o levasse ao posto médico municipal,o que foi feito,sendo ele medicado e recebido os remedios necessários.Ao chegar e ser levado para o Cartório,falou que nunca tinha sido bem tratado por nenhuma policia e assim ia contar tudo sobre os crimes cometidos e assim o fez.Após esse depoimento ele foi devolvido a Polinter do Ceará.Isso tudo ocorreu no mês de dezembro,alguns dias antes do Natal de 76 e na noite dessa data,eu estava em casa e recebi um telefonema urgente do nosso plantonista,dizendo que o Delegado chefe da Polinter queria falar comigo.Fonei para ele e o mesmo apavorado disse-me que o Arino Suassuna tinha fugido e deixado avisado que ia matá-lo e perguntou-me o que ele iria fazer.Eu lhe respondi que ele tinha um grande problema e a nós da Federal ele não estava querendo matar.Desejei-lhe um Feliz Natal e me acabei de rir.Um outro fato e muito engraçado envolveu uma das minhas equipes de ronda noturna.Onde eu chefiei sempre fiz o meu pessoal em escala trabalhar as noites e finais de semana(em geral nesses dias policia não trabalha,só bandido) e uma dessas equipes,chefiada pelo Adilberto,pegou um sujeito falsificando,adulterando,uma bomba de gasolina,em uma época em que havia muita fraude nos preços da mesma.Preso,ele foi conduzido e contra qualquer principio meu,um agente excelente por sinal,tinha dado com uma ripa,umas palmadas nas nadegas do criminoso.No dia seguinte,ao entrar na garagem e ir vistoriar os carros e depois o xadrez,escutei o preso gemendo e o chamei para ver o que era.Ele relatou os fatos e disse que não estava conseguindo sentar.Chamei o Adilberto e equipe e confirmado o ocorrido,dei 24 horas para o autor da agressão consertar a bunda do cara,pois tinha de recolhê-lo a penitenciaria e encaminhar o flagrante para a Justiça Federal,ele ficar em condições de isso ser feito.Assim agi por serem agentes excelentes,honestos,trabalhadores.Isto rendeu-me um dos fatos mais hilários da minha carreira,pois no dia seguinte,ao fazer a mesma peregrinação matutina da chegada a SR,encontrei no xadrez o agente sentado na parte de baixo do beliche de cimento,com o preso deitado de bruços em seu colo,com as calças arriadas,sendo passada a pomada Hipoglós na bunda do mesmo.Soube então que o agente tinha passado a noite toda,de duas em das horas fazendo aquelas massagens circulares nas nadegas do preso.E não é que ficou perfeito.Foi assim que descobri que Hipoglós tira mesmo qualquer hematoma...Madeira
Outros fatos na SR/CE
Os maiores problemas da alçada da PF no Ceará,na época,estavam na corrupção nas prefeituras,no contrabando que entrava pelo porto de Mucuripe,pela fabricação de armas na área do Cariri(impressionante como eles fabricavam lá armas e boas) e pelo crimes contra a Lei de Segurança Nacional(crimes politicos) e pelas rotas de passagem de maconha oriunda do Maranhão.Como a SR rodava redondo foi só manter e criar algumas inovações,que depois foram levadas para outras SRs.As principais foram a criação da sala de planejamento,a qual só tinham acesso as equipes que iriam fazer alguma operação de vulto e que eu tinha visto no SNI/Rio,quando estagiei lá e que consistia em uma sala que tinha nas paredes colado(em tamanho imenso,tendo até de se subir em escada para ver algumas áreas)o mapa do Ceará,com tudo mapeado nele,desde em verde as forças amigas(órgãos das FFA,delegacias e destacamentos da PM/CE,postos da policia rodoviaria federal,outros)com todos os dados deles(nome dos titulares com meios de encontrá-los,endereço,efetivo,equipamentos,outros),em vermelho os dados dos crimes cometidos,rotas percorridas,outros,aeroportos,rodovias de todos os níveis,meios de transporte e comunicação,tudo enfim que pudesse ser utilizado em qualquer planejamento operacional e atualizado diariamente pela equipe responsavel.Foi o primeiro no DPF e fez sucesso,sendo citado como modelo.A outra foi a da criação e instalação do primeiro EI,escritorio de informações,montado fora da SR,em endereço só conhecido por mim,mas que lá nunca fui,chefiado por um agente,que fez um estágio no SNI e que não era conhecido em Fortaleza,o Justino,com mais dois agentes novatos,que vieram direto da ANP para lá,não sendo conhecidos nem pelos colegas.Esse escritório tinha uma EC,estoria de cobertura,de que lá funcionava um escritorio xis,com as atividades de busca de informes totalmente oculta,no fim da sala,utilizando para tal a chamada verba secreta,que antes era usada apenas para a compra de informantes,agora também para pagar aluguel e todas as demais necessidades pecuniárias da busca de dados de informações.Também valeu-me muitos elogios.Pena que depois tudo que foi criado,inovado por mim,foi esquecido,sendo sobrepujado pela inveja e certamente pela minha total inabilidade e orgulho próprio,em uma briga violenta com o Diretor Geral e equipe da Coordenação Central Judiciária,quando em Brasilia e depois no ES,que valeu-me o fim de meu amor com o DPF...Madeira
Alguns fatos da SR
Na SR/CE pude pela primeira vez dedicar-me apenas a parte administrativa,sempre porém controlando as atividades policiais,como responsável final.Diariamente ao chegar a SR eu entrava no carro do Superintendente,pela garagem,muitas vezes dirigido,pelo motorista Souza,velho conhecido dos tempos de GEB(o Raimundo só saía comigo quando iamos a RM ou a algum lgar mais elaborado),bem antes do inicio do expediente(este era às 8h e eu chegava entre sete e sete e meia) e inspecionava os carros,no tocante a limpeza e apresentação e as celas,perguntando aos presos o que os levara a estarem ali.Após isso ia a recepção e plantão e lia o livro de ocorrencias,para saber o que tinha ocorrido na noite da véspera.Após isso ia a minha sala,deixava meu paletó,via a agenda do dia e ia para a porta assistir a chegada dos funcionários burocratas e cumprimentá-los.Diariamente visitava todas as repartições,batendo um papo com o pessoal e sabendo das ocorrencias e reinvidicações.Mantinha um horário de despachos com as chefias imediatas,os coordenadores(policial,judiciário e administrativos) e com os órgãos diretamente ligados a mim(censura,comunicação social e comunicações). Dentre os convites recebidos,respondia a todos,com cartões da comunicação social e selecionava os que não eram sociais ou que não eram babações,para comparecer.Por exemplo,festas de homenagens eu estava fora,aos compromissos com os órgãos públicos federais,ia,com os estaduais,apenas nos de nível de governo e secretarias,mas em alguns mandando representantes.Era preciso cuidado com envolvimentos e mesmo sabendo,por ter feito o levantamento preliminar,antes de assumir,quem eram os escorregadios,tinha de precaver-me.Formei logo a parte esportiva da SR,com time de futsal masculino e de volei feminino e todos os sabados passavamos as tardes na quadra da ASCB,cedida pelo delegado local dela,o Dr. Mozart,um velhinho muito educado e amigo da PF,que no entanto só se referia a mim,como Dr. Madeiro.Acho que ele achava Madeira feminino.Passamos depois a jogar pelo interior e a receber,no ginasio Paulo Sarazate,o melhor de Fortaleza e visitar as SRs próximas,nas datas cívicas,com as quais jogavamos e ganhavamos sempre e com isso tinhamos um monte de taças.No ano seguinte que estava lá inclusive disputamos o campeonato cearense e fomos vice-campeões,perdendo para o SUMOV,na época o melhor time de futsal do Brasil,por 2x1.Era um timaço,que tinha o Silvestre(agente na Maritima) ou o Oscar(Censura) no gol;eu,o Monteiro(agente da Maritima,depois formou-se em advogado e saiu da PF),o Valdir(um gaúcho,cracaço) e o Adilberto(agente e amigo de fé).Também jogavam e bem e tinha ainda,o Jorge Luis,o Jobel, o Barreto(da Censura),o Pereira,(idem).No apoio tinhamos um agente idoso,optante,vindo do Rio,educado e companheiro,o Hamilton,um faz tudo e o nosso técnico,o Maninho,gerente da principal loja de material esportivo de Fortaleza e metido em esportes locais.Foi o melhor time de salão que joguei,melhor mesmo que o de Brasilia,o Minas-Brasilia,pelo qual fui campeão brasiliense em 1970.Ainda no Ceará fiz mais um curso de atualização da ADESG,no qual fui também palestrante.Também na SR/CE,como sempre fiz nos lugares que chefiei fazia comemorações nas datas civicas ou de confraternização e em uma dessas no restaurante da AABB,no almoço de Natal,após todos terem chegado e ter sido autorizado o inicio da refeição,um dos garçons ao entrar com uma enorme travessa de arroz,tropeçou e se estabacou com tudo no chão e foi um oh geral,com muitas risadas abafadas,mas em seguida as coisas pioraram,pois o garçon seguinte escorregou no arroz já derramado e foi-se a segunda travessa ao chão:parecia um filme pastelão...Madeira
terça-feira, 15 de junho de 2010
A SR/CEARÁ(pessoal e instalações)
Como a SR/MA a congenere do Ceará funcionava em um prédio alugado,bem maior,próximo ao centro de Fortaleza,na rua Pereira Filgueiras número 4,em uma curva da rua,tendo instalações dos dois lados da curva,mas na mesma calçada.Na entrada principal o prédio tinha dois andares,com uma recepção a frente e todos os órgãos administrativos no térreo e os policiais, incluindo o meu gabinete,no segundo andar.Por dentro,pelo lado do cartório,acessava-se ao subsolo,onde ficavam as celas e a parte de transporte,como a manutenção e a garagem.Na parte lateral ficava a censura e a entrada de carros oara a garagem.Em um outro prédio,na área nobre da cidade,a Aldeota,funcionava a parte de controle de estrangeiros e de expedição de passaportes,frequentada por consules e gente chique.Eram instalações principais não apropriadas para serem policiais,mas amplas e bem cuidadas,limpas e com,pelo menos, entrada separada de presos e de agentes quando chegavam de operações,bem como os carros.O pessoal,em número expressivo,que dava para cobrir bem todas as nossas atividades,já compreendia um grande número de delegados e agentes novos,recem formados pela ANP.Funcionavam todas as delegacias com delegados,com as seções de operações de cada uma com agentes na chefia e equipes completas.O coordenador policial era o delegado José Armando Costa,cearense,uma turma após a minha,sumamente íntegro e competente,sendo mais um homem de gabinete que operacional,mas que para aquela função era o ideal.Próximo a minha saída ele foi transferido para o RN,para ser o SR e assumiu outro cearense,da minha turma de delegado,meu colega tenente da GEB,o João Alberto Xavier e que depois veio a me substituir.Delegados conhecidos e competentes lá estiveram comigo,dos quais cito o José Guido Dias,que foi chefe da Maritima,baixinho,exemplar,eximio atirador,também ex-tenente da GEB e o Américo Bahia Galvão,tambem ex-tenente gebiano,inclusive da SE comigo,que foi meu Coordenador Juciciário.Na Censura,então órgão vital,tinha o Dr. Oscar,do quadro da Censura e que depois foi o coordenador administrativo,além de muito bom goleiro.Agentes excelentes,competentes e dedicados,compunham nossa equipe,dos quais destaco o Adilberto Leite Gomes,Jorge Luis e Jobel,todos por sinal depois,através de concurso público,delegados de carreira da Policia do Estado do Ceará.Lá chegando como sempre não levei ninguém comigo,apesar de muitos pedidos,tanto de pessoas de Brasilia,como do Maranhão com quem tinha trabalhado.Mantive a equipe que estava,com pequenos ajustes de hierarquia.Dessa equipe destaco ainda os membros femininos,dentre elas a Naisi,chefe da comunicação social,esposa do Jobel,a Lucia,a Edna,a Gercia e a Francisca,que depois foi delegada PF.Na Censura trabalhava um dos agentes mais brilhantes que conheci,que resolvia qualquer pepino,o Pereira.Que cara desenrolado!No Cartório,com escrivães excelentes tinha um que além de policial era um poeta de primeira o Célio,que tinha inclusive livros publicados.O chefe da Seção de Transportes era o Raimundo Florentino,ex-gebiano,também motorista do superintendente,que também era desenrolado resolvendo rápido e bem qualquer problema da nossa frota,além de se vestir muito bem,um "dândi".Enfim uma excelente equipe,que tinha é óbvio uns traíras,uns viracasacas,que tinham como ídolo sempre quem estivesse no comando,mas isso é comum em todos os setores da vida.Ao contrário das minhas outras chefias essa eu encontrava mais organizada,pois o responsavel por montar a SR tinha sido o Dr. Laudelino Coelho,delegado extremamente honesto,duro,sério,confiável,pouco querido justamente por sua rudeza e que tinha passado a chefia para o delegado João Batista Xavier,tendo com Coordeenador Policial outro delegado Roberto Porto,ambos também extremamente trabalhadores e duros.Assim,a produção era boa,a SR reconhecida,apenas considerada muito fechada,motivo creio,que conjugado com meu bom trabalho no Maranhão,levou-me para lá.Como no MA havia alguns antecedentes de práticas fortes lá e assim caberia a mim modificar essa fama...Madeira
segunda-feira, 14 de junho de 2010
O Ceará
Ao contrário do Maranhão,em especial em comparando as capitais,Fortaleza já era cosmopolita,recebendo muito bem o forasteiro,uma cidade grande,onde você era mais um e não alguém considerado como um rival,um espoliador.Cidade grande,com,muita diversão e movimento,com grandes engarrafamentos,na noite,pela avenida Beira-Mar,plena de restaurantes,bares e boates,com vôos internacionais,com muitas familias de grandes posses e prestigio politico junto ao Governo Central.No entanto era ainda dominada politicamente por familias de coronéis no interior e de coroneis mesmo na administração do Estado.Fortaleza tinha o centro rodando em torno do Largo do Ferreira,principal praça,com muito comercio e de todo tipo,um excelente e lindo teatro,José de Alencar,e a vida noturna nas praias onde estavam clubes de primeira ordem,dos quais destacava-se o Ideal,frequentado pelas maiores fortunas e estrelas cearenses,chique mesmo,situado na Aldeota,o bairro social.Também lá ficava o Nautico Cearense,ao qual associei-me,muito bom,mas menos afetado,com um restaurante excelente e outros como o Diário,menos badalados,mais simples.Tinha,já,hotéis excelentes em toda a orla,praias excelentes,mas perigosas em comparando com São Luiz e uma área a ser desbravada naquela ocasião,a denominada praia do Futuro,hoje já integrada a cidade.Tinha uma excelente parque aquatico,o Beach Park,próximo e até hoje excelente local para diversão.As praias ao redor,tanto para o norte,como para o Sul,eram excelentes e era o local onde ficavam as casas de veraneio dos ricaços e em algumas nós fomos passar o dia ou o final de semana.A que mais nos marcou foi a de Morro Branco,das mais próximas e Canoa Quebrada e Jeriquaquara,as mais longinquas.O mercado central era uma atração a parte e lá comprava-se de tudo a preço de ocasião.Alimentação tinha de todo tipo,desde a local(o que era predominante no MA)até a nacional e internacional.Futebol,sempre cheio o Castelão,estadio a altura de qualquer outro no País,com os times da capital dominando,Ceará,Fortaleza(ao qual identifiquei-me,por ser tricolor,ainda que com as três cores diferentes,das do meu FLU,era vermelho,azul e branco) e o Ferroviário,também tricolor,com as cores do São Paulo,por eles chamado de Ferrim.As tardes de domingo eram o divisor de águas para os homens cearenses.Lá os finais de semana masculino começavam nas tardes/noites de sexta feira,a partir do fim do expediente no trabalho.Então ao invés de ir para a casa,os homens iam para os bares que já frequentavam e reuniam-se para jogar conversa fora,enchendo a cara,ou como diziam lá tomando um mé.Daí chegavam em casa mamados,com as mulheres,amelias,esperando com um jantarzinho,dormiam e emendavam no sabado,junto a familia,mas bebendo todas.Noite de sabado,uma saída com a esposa para alguma reunião com amigos,onde tomavam todas(como bebiam).No domingo pela manhã uma praia ou clube,sempre com a familia e depois do almoço Castelão,onde já chegavam e não bebiam mais,para que na segunda voltassem ao trabalho sem ressaca.Esse era o fim de semana típico do homem de Fortaleza de classe média.Aliás,lá contam uma historia de um que tentou sair desse costume arranjando uma amante,com quem se encontrava sempre que tinha jogo no Castelão e que quebrou a cara.Ele dizia a esposa que ia ao jogo,levava um radinho de pilha e pegava a amante e ia para um motel.Na volta para casa,no horario do final do jogo,escutava os comentarios no radio do carro e chegava em casa comentando o jogo.Com o tempo sabendo que a esposa não se interessava por futebol e nem escutava o que ele comentava ao chegar em casa,deixou de levar o radio e de ouvir no carro até o resultado do jogo.Até que a casa caiu:determinado domingo ele fez o programa de sempre e ao chegar em casa a esposa começou a fazer perguntas sobre o jogo e ele a mentir,a inventar,até ela estourar e dizer a ele que não tinha ocorrido o jogo,face a ter havido uma pane eletrica que tinha deixado a região do Castelão sem luz...O interior,que vim a conhecer muito bem,em visitas de inspeção e mesmo em operações,era bem rico,na maior parte das áreas,com cidades marcantes como Juazeiro do Norte,berço do Padim Ciço,Padre Cícero,com uma bela imagem gigante dele,Canindé,em homenagem a São Francisco,ambas cidades religiosas,com grandes manifestações de fé,romarias e pagamento de promessas,nas datas santas,Crato,próximo de Juazeiro,Barbalha,a grande e importante Sobral(terra do Ciro Gomes),Aracati,principal centro pesqueiro e histórico,Quixadá,com uma pedra igual a uma galinha gigante,Quixeramobim,enfim já era o Estado.Governado por coronéis,tanto na tradição como na patente,lá convivi com dois governadores da reserva do exército,coronéis Cesar Cals e Adauto Bezerra,com a mais famosa figura da politica cearense,o também coronel Virgilio Tavora,o senador Mauro Benevides,presidente do Senado,dando-me bem com todos,sem qualquer problema.Também o foi com a maior autoridade federal,o comandante da 10 RM,Gen.Milton Tavares,o Miltinho,o comandante,inflexível,duro,sério,correto,depois substituído,para minha sorte,por um novo general,recem promovido Florimar Campelo,que tinha sido meu Diretor Geral no DPF e que comigo tinha viajado ao Japão.Assim,com tudo conhecido,ao trabalho.Madeira
A transferencia do Maranhão para o Ceará-1974
Nesse inicio do já DPF era comum e acertado que de dois em dois anos,mais ou menos como nas FFAA,trocava-se os cabeças das Superintendencias,tanto para oxigená-las,como para evitar "intimidades" com o pessoal da terra.Assim,eu sabia que meados de 1974,eu teria de ir para outro Estado,para outra comissão.Não sabia para onde.Nessa época fui sondado para assumir o cargo de assessor da Direção Geral da PF,cargo para o qual eu já tinha inclusive me habilitado,através de concurso interno,quando ainda no Paraná,tendo sido inclusive,pela primeira e única vez,em minha vida,o primeiro colocado em todos os testes,objetivos e psicologicos.Não aceitei,pois tinha saído de Brasilia,há pouco mais de quatro anos e ainda queria rodar mais o Brasil,indo para a Capital apenas mais próximo do fim da carreira.Em junho fui informado da minha saída e de que iria para o Ceará,para ser o Superintendente,por indicação do Comando da Décima Região Militar,aprovada pela agência do SNI/CE,face aos excelentes trabalhos a frente da SR/MA.Já tinha dado cursos pela Academia em Fortaleza(era aonde eu estava quando do falecimento de seu José)e tirado férias com a turma toda em 1973 e sabia da excelencia da cidade,principalmente em comparando com São Luiz.terezinha aprovou,guerreira que ela era,pronta para estar junto de mim e tratamos da mudança e após "ene" homenagens e choradeiras,passei a SR para o novo Coordenador(Laís tinha ido embora para o Rio,para aposentar-se)Dr.João Rodrigues,que tinha sido agente na DR/Paraná,e que eu já conhecia bem.Após mandar a mudança fomos todos embora,dessa vez de carro para Fortaleza e lá nos hospedamos durante o período de trânsito na colonia de férias da ASCB(Associação dos Servidores Civis do Brasil),da qual eu era associado e aonde já tinha ficado anteriormente,no bairro Aldeota,o mais chique de Fortaleza,isso tudo,aproveitando inclusive as férias escolares do meio do ano.Tratamos de procurar moradia,antes,desta vez,de começar a trabalhar.Aproveitei também o tempo para conseguir,junto a sede,ao CI,a ficha funcional dos membros da SR/CE e sua atuação,também procurando o SNI local e sabendo todas as informações disponíveis,de maneira a quando fosse começar saber com quem estava lidando e os pontos fortes e fracos da superintendencia.Conseguimos um apto grande,de três quartos e dependencias,como precisavamos,na praia de Mucuripe,na avenida Presidente Kennedy 4444,mais conhecida na giria local como avenida Beira-Mar,em um andar elevado(não lembro mais qual era),de frente para o mar,com uma vista linda,paradisiaca.Não me lembro mais da divisão interna do apto,pois lá ficamos menos de um ano.O local era muito tranquilo,já no fim da avenida,sem o reboliço da parte de boates e clubes da avenida,com restaurantes e um bom comércio e uma praia,onde bati muita bola com o Caio.Matriculamos as crianças no Colégio Alvorada,relativamente perto e muito bem indicado e frequentado e a mudança tendo chegado,já estava eu pronto para mais um desafio,em terras desconhecidas,de costumes outros e com um grupo grande,cerca de trezentos comandados,de origens diversas,mas a maioria da terra,com as FFAA ao redor(Capitania dos Portos,Base Aérea,RM,SNI),politicos de projeção,uma terra de coronéis,enfim teria de coadunar meu modo de trabalhar,independente,sem levar desaforos para casa e sem medos de enfrentamentos,com cuidados novos,contra cascas de banana e fofocas,o que no PR eu não tinha tido e no MA tinha conseguido tirar de letra.Para completar o Ceará era a terra do Ministro da Justiça,Dr.Armando Falcão,uma águia,que inclusive tinha tornado-se um "amigo"da revolução(Sarney o era,mas era olhado com alguma desconfiança),homem que tinha bastante força no governo revolucionário.Mas era minha carreira e eu tinha mesmo de encarar.Então estava pronto para assumir a SR/CE e no dia marcado lá compareceu o novo Diretor-Geral do DPF,um Cel da reserva do Exército,Moacir Coelho,oriundo dos quadros do SNI,homem de informações,sisudo e desconfiado,como bom homem dessa comunidade,que na presença de todas as altas autoridades locais,federais e estaduais,de generais a governador,senadores,juízes,deu-me posse e foi o inicio de mais uma etapa de minha carreira,enquanto policial federal...Madeira
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Lembranças pessoais do Maranhão(4)
As visitas de dona Hilda lá rarearam,pois era muito longe,só de avião,que era muito caro.Mas,com ela lá,também manifestava-se meu padrinho,Pai José e seu amigo,seu Boiadeiro,sempre nos orientando,animando,confortando.Em uma das idas dela veio o pedido de ajudarmos o Ismael e familia,o que já tinhamos feito,certa feita,quando em Curitiba,quando ele recem casado com Tania,teve um entrevero e ela teve de ir passar uns tempos conosco lá,até ele ir buscá-la e se acertarem.Lógico aceitamos e vieram eles e eu arrumei um bom emprego para o Ismael no Banco do Estado do Maranhão,com o Dr. Eduardo e que ele na realidade fazia através de nosso serviço de informações, onde ele aprendeu tudo(formularios,atividades,outros) e aplicava no banco.A Tania contratei para trabalhar na administração da delegacia,arrumei casa e mobiliei para eles e assim recomeçaram mais uma vez a vida de casados,ficando conosco enquanto ficamos lá.Também no Maranhão Te fez curso de francês,na Aliance Française e terminou o ginásio,pois ela só tinha o primário e inteligente e raçuda como era,tinha de crescer,sendo um absurdo se ficasse somente como dona de casa.Os horários que as crianças estavam no colégio e o apoio de Hilda facilitaram tudo.No Natal e Ano Novo de 72,resolvi tirar férias e ir para o Rio de carro,na possante Variant.Colocamos na parte trazeira,após rebater o banco de trás,um colchonete,os travesseiros e lá viajaram Hilda e as três crianças.Na frente eu dirigindo e Te,de co-piloto.Foi uma viagem épica,de vários dias,por estradas no interior do Piauí de terra,com almoço em um puteiro em Piripiri,que quando notado por Terezinha ela voltou para o carro com as meninas e só almoçamos eu e Caio,dormida a primeira em Petrolina na divisa de Pernambuco com Bahia,deste lado fica Juazeiro,no dia seguinte em Salvador,onde já tinha alugado um ap na ASCB,Associação dos Servidores do Brasil,que já não existe,em plena praia de Amaralina e onde ficamos dois dias,descansando e passeando,depois esticamos até Pedro Canário,na divisa da Bahia com o Espirito Santo,onde dormimos,terminando pela travessia de balsa de Niteroi para o Rio,pois ainda não havia a ponte Rio/Niteroi.Resultado:no Rio vendi a Variant,voltamos de avião e no Maranhão comprei uma Brasilia azul,zero km.Nas outras férias resolvemos fazer um cruzeiro maritimo até Manaus,em companhia de nossos compadres,Nelson e Sylvileia,padrinhos de Flavia,que moravam em Belem,onde o Nelson era gerente geral da cia de cigarros Souza Cruz.De avião fomos para Belem,onde ficamos alguns dias passeando e depois pegamos o navio brasileiro de cruzeiro Anna Neri e seguimos pelos rios amazonicos,em uma viagem espetacular até Manaus,onde ele ficou ancorado por dois dias,para as compras na zona franca local.As crianças ficaram com dona Hilda,como sempre,que foi para São Luiz passar uns tempos conosco.Por fim,as vésperas de sair do Maranhão perdemos a Hilda,pois ela conheceu um rapaz,seu esposo até hoje,o Antonio Carlos,apelido de infância Totó,funcionario estadual,formado em administração,com quem se casou,tendo três filhos e netos e passando a morar em definitivo lá.Interessante foi que para casar com Hilda o Totó sofreu na mão de Te e de dona Hilda,pois o namoro foi acompanhado de muito perto,arrochado mesmo e só sendo permitido o casório,após ele montar casa,com todos os pertences,indo as duas até contar as quantidades de toalhas de cama e mesa...Perdemos a Hilda e arrumamos uma outra,esta maranhense,também sem família,a Léa,mulata,mais alta,magra,que nos acompanhou até Brasilia,quando resolveu voltar para o Maranhão e então a Hilda nos arranjou a Joana,que até hoje nos apoia...Madeira
Lembranças pessoais do Maranhão(3)
Outras ocorrencias de realce foram uma com o Laís e a minha turma e outra comigo e Caio.Nesta,certa noite,Caio começou a queixar-se de dores nas articulações,ficando todo rigido,sem conseguir dobrar os joelhos e braços e eu o coloquei no carro e rumei,com ele gemendo para o hospital,isso na faixa de meia-noite.As ruas do centro de São Luiz são apertadas e só cabe um carro de cada vez e já próximo do hospital,deparei-me a minha frente com um caminhão de lixo parado,esperando os lixeiros pegarem o mesmo.Saltei,rápido e pedi ao motorista que puxasse o caminhão até uma esquina próxima,para eu passar e fdp disse que eu esperasse.Naquele tempo eu andava armado o tempo todo e puxei a arma e encostei na cabela dele:nunca vi um caminhão de lixo sumir tão rápido e deixando para trás os lixeiros.Com o Caio era uma virose e medicado ficou sem as dores e logo bom.Já com o Laís,em uma das minhas viagens a serviço,Terezinha,que tinha aprendido a dirigir em Curitiba e o fazia muito bem,pegou as crianças e com a Tania,esposa do Ismael,que já morava lá,com a Isadora,filha mais velha deles,resolveu ir a praia do Calhau,deserta e perigosa,mas foi uma curiosidade dela.O nosso carro,a Variant vermelha,na hora dela voltar,atolou na areia,pois no Maranhão em todas as praias os carros vão até perto da água.Ela,a Tania e a Hilda não conseguiram desatolá-lo e pediram ajuda a um morador,único,que estava a porta do casebre,olhando tudo e sem nada fazer para ajudar e ele tirou sarro delas e disse que se virassem.Elas se viraram e com muito esforço conseguiram sair e voltar para casa,mas Te passou pela Delegacia para pedir ao Franklim para ver se tinha quebrado algo embaixo do carro e contou a ele o ocorrido.Resultado o Franklim falou com o Laís e este mandou uma equipe buscar o cara,que levou uns tapas para aprender a respeitar mulheres e crianças.Eu só soube disso depois ao retornar.Outro fato foi uma porradaria que arrumei no ginásio de esportes da cidade,que ficava logo atrás da Delegacia,em uma pracinha.Jogavamos lá,o time do DPF,contra determinada equipe e a torcida dessa,começou a nos ofender e a zombar de nós,que não tinhamos torcida,só nos jogadores,cerca de dez e eles uns cinquenta.A coisa chegou em um ponto de atirarem chapinhas e pedrinhas em nós.Aloprei e parti para cima,pulando a pequena cerca e distribuindo porrada a torto e direito,no que fui acompanhado por todos os nossos,destacando-se o agente Pessoa,grande e muito forte.Eles então começaram a fugir,correndo para fora do ginásio e nós atrás batendo,completando com um chute na porta de um fusca em que alguns estavam,que afundou.Nunca vi um ginasio esvaziar tão rápido...Madeira
Lembranças pessoais do Maranhão(2)
Instalados,buscamos o melhor colégio e creche para colocarmos o Caio,que desde Brasilia,dos dois anos frequentava creches e escolas,a Flavia e a Cintia e o melhor,o mais famoso,onde os filhos dos liustres ficavam era o Colégio/Creche Becassine,que tinha esse nome de origem francesa,como muitas outras coisas lá,face a ocupação francesa no passado.Como no caso da casa,que apavorou Te e era considerada para os padrões locais excelente,também o colegio foi um choque.Um deles era o de as crianças beberam água em um filtro,onde tinha apenas uma canequinha e que servia a todos os alunos.Te fez os nossos levarem cada um sua canequinha,é óbvio.Também apanhamos e muito da alimentação,pois lá não tinha,nem chegava a maioria das frutas,verduras e legumes que nós conheciamos e o jeito foi nos adaptarmos ao que era natural do lugar.Assim,nem lembro os nomes de todas,pois é muito farto de frutos próprios,mas era um tal de cupuaçu,seriguela,buriti,sapoti,sei lá,um monte...Para compensar nunca comemos tanto peixe bom e barato e frequentamos tantas praias bonitas,tranquilas,de grandes faixas de areia,onde inclusive os carros chegavam próximo a água:Olho d Água,Ponta de Areia,Calhau(esta então deserta e cheia de pedras),Raposa e Araçagi,a que mais frequentavamos,por ser mais isolada e sem linha de onibus urbano,o que garantia maior privacidade,mas todas enfim são diferentes,de uma areia dura,que não fica agarrada,aguas tépidas e tranquilas,sem riscos,onde pode-se andar com agua pelas pernas por muito tempo,uma delicia para crianças,sendo ruim apenas uma época do ano em que venta muito,chegando a areia a doer nas pernas.O maranhense é desconfiado,meio abaianado(preguiçoso),macumbeiro de mão cheia,lá existindo muitos centros de umbanda e de candomblé,os chamados "Tambor de Mina" e "Tambor de Crioula",sendo de dificil aceitação o forasteiro e só consegui ganhá-los depois de algum tempo e isso porque jogava igual com todos.Ameaças verbais lá não recebi,como em outros locais,em especial no Ceará,mas logo após ter iniciado minhas atividades e instaurar vários inquéritos contra Prefeitos(Dec-Lei 201,sobre crimes de responsabilidades de prefeitos e vereadores),certa manhã ao sair para ir para a DR,de manhã,lá pelas sete e meia,abri a porta e bem na frente dela,dentro de casa,na varanda,estava um belo despacho de macumba,com muita farinha amarela,galinha preta,enfim completo,do qual desviei-me e mandei a Hilda colocar no lixo e jogar fora.Mas foi a unica provocação.No quesito diversão,além das praias,que não perdiamos um final de semana,existiam os clubes sociais,que nós em geral não frequentavamos,principalmente para manter minha independencia e que eram o Casino Maranhense,neste até que eu ainda batia minhas peladas de futsal,o Litero Português,o clube chique,da alta sociedade,de bailes magnificos e o Jaguarema,de grandes peladas de futebol de campo,onde o craque principal era o então secretario da fazenda estadual e depois governador José Reinaldo,que aliás jogava muito bem.Nas festas do palacio,quando civicas,em datas históricas,em geral almoços ou jantares,nós,eu e TE,iamos em todas,representando o DPF.Uma festa diferente no Maranhão era o Carnaval:lá à época nas ruas ainda predominava o "entrudo",uma brincadeira de séculos passados,que consistia em as pessoas sairem em carros abertos,com grandes barris de água suja e tipos de seringas gigantes,que eram cheias com essas águas e aspergidas nos outros carros e em transeuntes.Obviamente só andamos pelas ruas um dia,para conhecermos e nas outras ficavamos pelas praias,para não nos aborrecermos e nos sujarmos.As poucas peças de teatro que por lá apareciam,também iamos,pois tinha a censura Federal,um camarote,que usavamos.Aliás,ao chegar lá,nenhum dos meus antecessores ia ao teatro e na primeira vez,que mandei pegar os ingressos do nosso camarote,a bichinha que dirigia o teatro encrespou com o meu pessoal e criou problema,o que me fez mandar trazê-lo detido para a DR e nunca mais ocorreram problemas conosco.Na casa de shows em frente a nossa casa ocasionalmente nós iamos e lá vimos o inicio da carreira de Alcione,então uma jovem mulata,magra(incrivel,não é?),que cantava muito bem e que também cantou em muitas festividades no Palacio dos Leões,sede do governo maranhense,pois era protegida dos Sarney.Também lá assisti,mais de uma vez,um outro jovem cantor e compositor maranhense,Nonato Buzar.Tive ocasião de fazer algumas amizades muito boas,tais como Wilson Valle,um gentleman,alto,boa pinta,com um bigode de cabtor mexicano,esposo de Conceição Sarney,a Concy,irmão de Sarney,que era superintendente do INSS e que nunca deu-me problemas,com quem bati grandes papos e nos apoiava em tudo;o Dr.Eduardo,presidente do BEM,Banco do Estado do Maranhão,outro gentleman,um cara que tinha vindo de Brasilia,dono de uma classe,que ajudei ao criar o centro de inteligencia do banco,para descobrir e combater fraudes bancarias e onde empreguei o Ismael,que tinha ido morar lá no Maranhão;o Dr. Gabriel,médico do Estado,que atendia a todos do DPF,na unidade hospitalar onde era um dos médicos e diretores,que tinha uma história sensacional:ele tinha o defeito físico de ter três ovos e contavam que ele quando fazia a faculdade de medicina ganhava dinheiro dos calouros apostando quantos ovos ele e qualquer colega veterano tinham e o calouro,óbvio,dizia quatro e eles no banheiro mostravam que tinham cinco,pois ele tinha três e aposta ganha...Madeira
terça-feira, 8 de junho de 2010
Lembranças pessoais do Maranhão(1)
Logo após a minha assunção ao cargo de Delegado Regional do DPF no Maranhão,que no correr da minha direção(junho de 72 a junho de 74,pois na época era de dois anos o mandato direcional na PF)foi transformada a nomenclatura em Superintendencias Regionais,chegou de avião a turma toda,Te,Caio,Flavia e Cintia e a agregada Hilda,que foram alojadas em um sitio na estrada para São José de Ribamar,na área rural de São Luiz,arrumado graciosamente pelo dono de um comércio,velho amigo e colaborador da PF,conhecido como Parguinha,o sobrenome dele era Parga,um senhor muito sério,de idade,baixinho e magrinho,isso enquanto procurassemos casa e chegasse a nossa mudança,o que demorou aí uns quinze dias.Era um sitio agradavel,com muitas árvores frutíferas e muito espaço,mas que a noite era deserto e lugubre e para piorar,logo na primeira noite,ao Terezinha arrumar a cama das crianças deparou com uma baita aranha,o que tornou a estada lá preocupante.Em São Luiz então só havia um edificio,bem próximo ao centro da cidade,o edificio Caiçara e que não tinha nem um ap vago.Começamos a procurar,com a ajuda dos nativos do DPF,principalmente o Franklim,meu motorista,um bangalô,ou seja uma casa grande,afastada da rua,com um pequeno jardim ou simulacro disso e só conseguimos um vazio(não era comum alugar-se residencias por lá,pois ninguém,salvo um ou outro funcionário federal ir trabalhar e morar lá é que poderia alugar),de excelente localização.Ficava e ainda está lá à rua Getulio Vargas,ou rua Grande nos costumes locais,número 1828,próximo a DR,ao centro da cidade,ao lado do estádio de futebol(único então)Nhozinho Santos,do qual tornei-me frequentador assíduo,pois só ia para lá quando ouvia o foguetório da entrada em campo dos times,tornando-me simpatico ao time de futebol do Sampaio Correa,por ser tricolor,porém sendo as cores,verde,vermelho e amarelo e que tinha em frente,do outro lado da rua,a única casa de espetaculos(à exceção do Teatro Carlos Gomes,aliás lindo,de estilo do século XIX)e que ficava no caminho das praias,estas todas grandes,excelentes e lindas,são as verdadeiras atrações de São Luiz.A casa tinha um pequeno e maltratado jardim e que continuou assim,pois o que não havia lá era jardineiro,uma varanda e dava de frente para a rua Grande,sendo de esquina,dando as janelas dos quartos e da sala para a rua lateral,salvo o quarto de casal que dava para esse pequeno desenho de jardim e de frente para a rua Grande.Após entrar-se no portão de muro baixo no jardim tinha uma pequena varanda e as portas,a esquerda para o quarto de casal,que vedamos em definitivo e em frente a da sala de visitas.A esquerda desta tinha o quarto que ficou para o Caio e voltando a entrada do quarto de casal.Continuando,a esquerda,a partir do quarto do Caio,havia um corredor,que levava a cozinha e a sala de jantar,com dois quartos grandes,um ficou para as meninas e outro para Hilda e um pequeno que ficou como quarto para leitura,onde colocamos livros,discos,outros bagulhos.A cozinha era grande,assim como os quartos e as salas.Após a cozinha tinha uma escada pela qual descia-se para a garagem,a lavanderia,na realidade um grande tanque coberto e um porão tenebroso,escuro,onde diziam os vizinhos eram acorrentados os escravos.O pé direito(altura do teto)no interior da casa era muito alto,cerca de uns cinco metros,só sendo possível limpá-lo com vassouras de cabos muito altos e tinha mais algo lugubre como o porão,um sotão.O banheiro,grande e único da casa, ficava ao fim do corredor,já próximo da cozinha.Na chegada à casa e quando Terezinha a aprovou,também não teve outra solução,ela ficou aterrorrizada,mas foi no banheiro que ela desmontou e sentou-se no vaso e chorou ao ver que a descarga da mesma era de cordinha,algo completamente já aquela época ultrapassado.Outra lance diferente foi a instalação da nossa máquina de lavar,que acho,pelo menos nas redondezas foi a primeira,pois eu tive de ensinar a fazê-lo,desde a instalação da parte eletroca até as entradas e saída de água.Quando ela foi posta a funcionar foi uma festa a alguns vizinhos vieram ver.Para completar as lembranças da casa,depois de morando,começamos a escutar uns barulhos no sotão a noite,tipo rato andando e solicitei a SUCAM,órgão federal de combate a malaria e doenças tropicais uma limpeza,desratização do sotão e eles nada encontraram lá,garantindo os funcionarios da mesma,que o sotão estava limpo e se havia algum barulho era de"visage",ou seja assombração,dos tempos dos escravos que lá tivessem sido maltratados...Madeira
Ainda a DR/MA(4)
O interior do Maranhão era tétrico,com cidades paupérrimas e assim,sempre que ia ao interior,para realizar procedimentos processuais e um dos que mais ocorriam eram crimes de responsabilidade de prefeitos(Decreto-Lei 201)e na realidade eles nem sempre tinham culpa ou eram culpados,face a falta de preparo para exercerem tal função,eu ia de teco-teco,junto com o escrivão,normalmente o Souza,engrenando com a autoridade estadual local,para que ela intimasse as pessoas a serem inquiridas,preparasse um local na sala dele e nos pegasse no campo de pouso,nos quais,para pousar tinhamos de antes dar alguns rasantes que espantassem o gado que lá pastava.Eram áreas abertas de pasto,onde aos solavancos o aviãozinho parava.Com isso chegavamos de manhã cedo e voltavamos a tarde,ainda claro,pois senão não dava,face ao vôo ser todo visual.Se chovesse tudo adiado.Nas poucas vezes em que tinhamos de dormir,apesar da oferta dos prefeitos de dormirmos na casa deles,o que não podia ser aceito,o faziamos no único estabelecimento federal existente:o hospital do Funrural,que era na verdade uma construção rude,onde em camas hospitalares de ferro nos deitavamos e descansavamos(dormir era impossivel,pois nas outras estavam lavradores doentes,gemendo ou,como em uma das vezes,um defunto)e isso sempre agarrado com a bagagem no peito ou debaixo da cabeça.Certa feita conseguimos uma pensão,em Bacabal e foi também algo novo.Você alugava não um quarto,mas sim uma rede,a pegava e levava para um grande sala,com ganchos nas paredes,pendurava a rede alugada e dormia(descansava),mas agarrado a sua mala,que se não poderia sumir a noite.Com a chegada dos agentes novos concursados,todos muito bons,veio um o Samuel,excelente para mato e combate a plantações de maconha e sempre que saía em diligencia,voltava com a Toyota cheia de maconha e presos em flagrante.Mas,certa vez,uma das primeiras vezes que saiu,chegou a minha sala feliz,com um preso e me disse doutor,olha prendemos esse cara inclusive com uma arma.Eu respondi,ótimo,cadê a arma?Samuel,orgulhoso respondeu:está com ele,na cintura dele,para caracterizar o flagrante...Quase morri de susto e voei em cima do cara e o desarmei...Em uma das minhas ausencias a serviço eu estava em Brasilia e recebi orientação para voltar urgente para o Maranhão,pois estava havendo lá um conflito diplomático,face a prisão pelo Dr.Laís,meu substituto do consul boliviano.Retornei e encontrei o Laís com ordem de prisão dada pela Justiça Federal,pelo Juiz Dr.Alberto Madeira(meu xará),face a ter desobedecido a uma ordem judicial e ter mantido preso de forma ilegal o consul boliviano no MA.O que ocorreu é que esse consul,ou melhor representante consular em São Luiz,intrometeu-se em algum procedimento policial de responsabilidade do Laís e o desrespeitou e o Laís o prendeu em flagrante por desacato.Até aí tudo bem,apenas o Laís o recolheu ao xadrêz comum e ele tinha direito a prisão especial,o que reclamado à Justiça Federal,foi determinado ao Laís providenciar.O Laís,tira velho do Rio,simplesmente pegou um pedaço de papel e escreveu do próprio punho "prisão especial",colou nas grades e o manteve no xadrês comum,na Delegacia,quando deveria ter negociado com a PM ou o EB o recolhimento dele em uma sala especial.Foi fogo convencer o Juiz Federal que não tinha havido falta de respeito a ele,mas consegui contornar tudo.Outro episódio digno de nota e que valeu-me também decisões de risco foi,já no segundo ano de direção,o fato de ter recebido dois casais de presos subversivos,pelo pessoal do Exército,na região de Pindaré-Mirim,que tinham a obrigação de lá formar uma célula comunista para guerrilha rural.Ambos os casais(eram casados)apresentavam marcas de pancadas(o que não quer dizer que todos os presos fossem torturados)e eles foram simplesmente deixados na Delegacia para que fosse feito o inquerito,com base na Lei de Segurança Nacional.De imediato determinei a efetivação de exame de corpo de delito e encaminhei a informação dos fatos ao Juiz Auditor da Justiça Militar que ficava em Fortaleza, relatando como tudo tinha ocorrido e a partir de que momento a PF era a responsável pelos presos.De novo tocou rebú:o Madeira está maluco, escrevendo esse ocorrido,contra a Revolução,mas eu não ia era manchar minha reputação,acobertando algo que era ilegal.Também com a comprovação de que eram casados,os mantive presos,durante o tempo que lá estivessem respondendo o IPM,juntos,ou seja,um casal em cada cela e não os homens em uma e as mulheres em outra,o que inclusive redundou em uma gravidêz em dos casais,além de ter mandado providenciar roupa de cama para casal.Agradeceram-me muito,mas foi a minha consciência que assim o determinou.No Maranhão fiz ainda mais um curso da ADESG,conhecendo mais das politicas estratégicas nacionais e do Nordeste e Norte...Madeira
Mais DR/MA(3)
Alguns fatos marcaram minhas memórias maranhenses.No tocante ao Estado o dominio,já então dos Sarney,que inclusive conseguiu,junto Revolução,fazer o seu sucessor,um velhinho simpatico,até competente,mas frouxo e dominado pelas raposas politicas,locais:Pedro Neiva de Santana.Ele era o governador de fachada e os secretarios e demais auxiliares eram indicações politicas e gente de confiança dos Sarney,que já dominavam a politica e os meios de comunicação locais,no todo,desde o incipiente canal de TV,as radios e o principal jornal"O Imparcial"(ridiculo o nome,não?)onde Edson Vidigal,depois ministro de tribunal superior,era na época reporter e muitas vezes fui entrevistado por ele.As datas cívicas todas eram comemoradas com jantares no Palacio dos Leões e eu estava neles,por obrigação,pois no Estado,após o comandante da guarnição do Exército,o Cel Agostinho(gente boa,bonachão,amigo,leal),face a inexistencia de guarnições da Marinha e Aeronautica,eu era a maior autoridade federal.Lá iamos eu e Terezinha as recepções palacianas.Duas delas me marcaram:em uma a esposa do Sarney,dona Marli,escorregou no meio do salão e tomou um tombo feio e o arcebispo do Maranhão,Dom Mota,uma bichona enrustida,soltou a franga e desatou a gritar,quando viu a dona Marli caída"Meu Deus,meu Deus,dona Marli caiu,acudam,acudam" e isso desmunhecando.Ridículo e vexaminoso.Em outra,ocorreu uma falha no buffet e ocorreu um atraso enorme,eram três horas e o pessoal morto de fome(eu e Te não,pois sempre faziamos um boquinha antes de sair de casa,pois não sabiamos o que nos esperava)e simplesmente o pessoal,os elegantes,a alta sociedade maranhense,comeu a decoração,que era toda feita de frutas locais.Lembro de gente descascando abacaxi e comendo...Cerca de duas semanas após a minha assunção ao posto de Delegado Regional fui convidado para uma reunião com a CNBB/MA,ou seja com todos os bispos do Maranhão e aceitei de imediato,mesmo sabendo que poderia ser crucificado,pois havia uma história de que um ano antes dois padres estrangeiros,depois deportados,teriam sido torturados na PF.Ao chegar no prédio da diocese fui recebido e encaminhado a uma sala onde já estavam todos os dez ou onze bispos,com a sala disposta como uma sala de interrogatório,em U,com eles me cercando.Sem medos ou problemas,sentei-me e o inicio da conversa foi conduzida por Dom Helio Campos,bispo de Viana,cidade do interior,que tinha muito registros de atividades subversivas e era um dos chamados bispos vermelhos,que seguiam o bispo de São Felix do Araguaia,Dom Pedro Casaldaliga(acho que era esse o nome desse falso pastor),que tinha criado um modelo de imagem de Jesus Cristo,no qual ele conduzia a foice e o martelo,ou seja pregava um comunismo cristão.Bem,dom Helio logo de cara fez umas perorações cretinas sobre violencia e cristianismo e na bucha perguntou-me o que eu achava de policiais covardes e torturadores.Calçei minhas esporas e respondi,com uma pergunta,dizendo que após ele responder-me eu lhe responderia:"O que o senhor acha de padres pedofilos,viados,que traem o compromisso do celibato e mentem diariamente para os paroquianos?"Tocou barata voa e foi um falatório na sala,quando levantei-me e disse alto:"Quando tiverem essa resposta eu volto e nós continamos nossa reunião"Nunca mais tive problema lá com a Igreja Católica...Também no referente ao Estado tive lá pela imparcialidade com que procurei sempre conduzir-me,tratando a todos da mesma forma,sem privilegiar os poderosos,tratando a oposição,o MDB,da mesma forma que a ARENA,ao terminar o meu mandato,o reconhecimento do Estado,recebendo os títulos de cidadão ludovicense(de São Luiz) e maranhense,outorgados respectivamente pela Câmara de Vereadores e pela Assembléia Legislativa e ambos propostos por edis e paralamentares do MDB,o que valeu inclusive medos de auxiliares e de colegas,por ser a oposição que me reconhecia e não o pessoal da Revolução.Madeira
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