segunda-feira, 21 de junho de 2010

Outros fatos na SR/CE(2)

Dentre os fatos a serem lembrados e anotados,estão os seguintes:Lá tive,a convite do comandante da Base Aérea de Fortaleza,oportunidade de fazer um voo em um Mirage e passei o resto do dia,deitado passando mal.É óbvio que ocorreu por não estar meu organismo acostumado,preparado para tal feito.Era um treinamento e fui na carlinga,sentado e equipado como um copiloto.Deram-me um uniforme de piloto,que além de ser refrigerado,tinha um equipamento que quando dos mergulhos apertava nos braços e pernas,evitando assim o excesso de sangue no cerebro e o consequente desmaio.O voo é lindo e de dificil descrição.Após a decolagem alcança-se uma velocidade incrivel,onde tudo lá embaixo passa depressa demais.A hora do bombardeio é dificil,pois após descer relativamente com calma,em diagonal,para localização perfeita do alvo,após soltar as bombas o avião tem de subir rápido para não pegar o deslocamento do ar do efeito das bombas e os ataques anti aéreos de terra.O momento onde mais aperta o fardamento e que é mais vertiginoso é o de metralhamento,pois neste momento é necessário descer em mergulho e subir logo após as rajadas também em ascendencia fortíssima,para fugir do fogo inimigo.Ainda ganhei de brinde voltar para a Base de cabeça para baixo,que foi o que o piloto fez comigo.É de dificil relato você olhar para cima e ver a terra,a cidade...Outro acontecimento foi uma visita que fiz ao açude de Orós,em um teco-teco do DNOS,Departamento Nacional de Obras Contra a Seca,órgão federal responsável pela administração do mesmo.No mesmo fiz um passeio de lancha em toda a extensão,mas o marcante foi o retorno.No teco tivemos de trazer um caixão com um defunto,para ser enterrado em Fortaleza.O dificil foi o pouso em Fortaleza,pois o caixão não tinha amarração e ele escorregou para cima de mim,pois estava atrás de minha cadeira,que era a que seria de um copiloto e pousamos comigo todo torto,meio de lado segurando o caixão para ele não virar e cair um defunto sobre mim...Outra ocorrencia foi a da prisão do principal matador do Nordeste,Arino Suassuna,que preso pela policia cearense,levou um cacete para confessar e não fez.Como dentre os crimes perpetrados por ele estava o de falsificações de CNHs,ele foi repassado para nós para responder o devido inquérito.Entregue,foi recebido todo cheio de marcas de pancada e ao fazer na manhã seguinte a chegada dele a minha visita ao xadrez,perguntei quem era ele e o que tinha ocorrido e ele não falou nada.Determinei ao meu chefe da Seção de Custódia que providenciasse escolta e o levasse ao posto médico municipal,o que foi feito,sendo ele medicado e recebido os remedios necessários.Ao chegar e ser levado para o Cartório,falou que nunca tinha sido bem tratado por nenhuma policia e assim ia contar tudo sobre os crimes cometidos e assim o fez.Após esse depoimento ele foi devolvido a Polinter do Ceará.Isso tudo ocorreu no mês de dezembro,alguns dias antes do Natal de 76 e na noite dessa data,eu estava em casa e recebi um telefonema urgente do nosso plantonista,dizendo que o Delegado chefe da Polinter queria falar comigo.Fonei para ele e o mesmo apavorado disse-me que o Arino Suassuna tinha fugido e deixado avisado que ia matá-lo e perguntou-me o que ele iria fazer.Eu lhe respondi que ele tinha um grande problema e a nós da Federal ele não estava querendo matar.Desejei-lhe um Feliz Natal e me acabei de rir.Um outro fato e muito engraçado envolveu uma das minhas equipes de ronda noturna.Onde eu chefiei sempre fiz o meu pessoal em escala trabalhar as noites e finais de semana(em geral nesses dias policia não trabalha,só bandido) e uma dessas equipes,chefiada pelo Adilberto,pegou um sujeito falsificando,adulterando,uma bomba de gasolina,em uma época em que havia muita fraude nos preços da mesma.Preso,ele foi conduzido e contra qualquer principio meu,um agente excelente por sinal,tinha dado com uma ripa,umas palmadas nas nadegas do criminoso.No dia seguinte,ao entrar na garagem e ir vistoriar os carros e depois o xadrez,escutei o preso gemendo e o chamei para ver o que era.Ele relatou os fatos e disse que não estava conseguindo sentar.Chamei o Adilberto e equipe e confirmado o ocorrido,dei 24 horas para o autor da agressão consertar a bunda do cara,pois tinha de recolhê-lo a penitenciaria e encaminhar o flagrante para a Justiça Federal,ele ficar em condições de isso ser feito.Assim agi por serem agentes excelentes,honestos,trabalhadores.Isto rendeu-me um dos fatos mais hilários da minha carreira,pois no dia seguinte,ao fazer a mesma peregrinação matutina da chegada a SR,encontrei no xadrez o agente sentado na parte de baixo do beliche de cimento,com o preso deitado de bruços em seu colo,com as calças arriadas,sendo passada a pomada Hipoglós na bunda do mesmo.Soube então que o agente tinha passado a noite toda,de duas em das horas fazendo aquelas massagens circulares nas nadegas do preso.E não é que ficou perfeito.Foi assim que descobri que Hipoglós tira mesmo qualquer hematoma...Madeira

2 comentários:

  1. Primeiro: essa história da pomada é excelente!

    Segundo: de um jato a um Teco-Teco, que diferença!

    Terceiro: velho, acho que o natal não era de 77 (já não estávamos em Brasília nesse ano?).

    Abçs.

    CAIO

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  2. Tem razão.Foi em 76.Já estou corrigindo.

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