terça-feira, 8 de junho de 2010
Lembranças pessoais do Maranhão(1)
Logo após a minha assunção ao cargo de Delegado Regional do DPF no Maranhão,que no correr da minha direção(junho de 72 a junho de 74,pois na época era de dois anos o mandato direcional na PF)foi transformada a nomenclatura em Superintendencias Regionais,chegou de avião a turma toda,Te,Caio,Flavia e Cintia e a agregada Hilda,que foram alojadas em um sitio na estrada para São José de Ribamar,na área rural de São Luiz,arrumado graciosamente pelo dono de um comércio,velho amigo e colaborador da PF,conhecido como Parguinha,o sobrenome dele era Parga,um senhor muito sério,de idade,baixinho e magrinho,isso enquanto procurassemos casa e chegasse a nossa mudança,o que demorou aí uns quinze dias.Era um sitio agradavel,com muitas árvores frutíferas e muito espaço,mas que a noite era deserto e lugubre e para piorar,logo na primeira noite,ao Terezinha arrumar a cama das crianças deparou com uma baita aranha,o que tornou a estada lá preocupante.Em São Luiz então só havia um edificio,bem próximo ao centro da cidade,o edificio Caiçara e que não tinha nem um ap vago.Começamos a procurar,com a ajuda dos nativos do DPF,principalmente o Franklim,meu motorista,um bangalô,ou seja uma casa grande,afastada da rua,com um pequeno jardim ou simulacro disso e só conseguimos um vazio(não era comum alugar-se residencias por lá,pois ninguém,salvo um ou outro funcionário federal ir trabalhar e morar lá é que poderia alugar),de excelente localização.Ficava e ainda está lá à rua Getulio Vargas,ou rua Grande nos costumes locais,número 1828,próximo a DR,ao centro da cidade,ao lado do estádio de futebol(único então)Nhozinho Santos,do qual tornei-me frequentador assíduo,pois só ia para lá quando ouvia o foguetório da entrada em campo dos times,tornando-me simpatico ao time de futebol do Sampaio Correa,por ser tricolor,porém sendo as cores,verde,vermelho e amarelo e que tinha em frente,do outro lado da rua,a única casa de espetaculos(à exceção do Teatro Carlos Gomes,aliás lindo,de estilo do século XIX)e que ficava no caminho das praias,estas todas grandes,excelentes e lindas,são as verdadeiras atrações de São Luiz.A casa tinha um pequeno e maltratado jardim e que continuou assim,pois o que não havia lá era jardineiro,uma varanda e dava de frente para a rua Grande,sendo de esquina,dando as janelas dos quartos e da sala para a rua lateral,salvo o quarto de casal que dava para esse pequeno desenho de jardim e de frente para a rua Grande.Após entrar-se no portão de muro baixo no jardim tinha uma pequena varanda e as portas,a esquerda para o quarto de casal,que vedamos em definitivo e em frente a da sala de visitas.A esquerda desta tinha o quarto que ficou para o Caio e voltando a entrada do quarto de casal.Continuando,a esquerda,a partir do quarto do Caio,havia um corredor,que levava a cozinha e a sala de jantar,com dois quartos grandes,um ficou para as meninas e outro para Hilda e um pequeno que ficou como quarto para leitura,onde colocamos livros,discos,outros bagulhos.A cozinha era grande,assim como os quartos e as salas.Após a cozinha tinha uma escada pela qual descia-se para a garagem,a lavanderia,na realidade um grande tanque coberto e um porão tenebroso,escuro,onde diziam os vizinhos eram acorrentados os escravos.O pé direito(altura do teto)no interior da casa era muito alto,cerca de uns cinco metros,só sendo possível limpá-lo com vassouras de cabos muito altos e tinha mais algo lugubre como o porão,um sotão.O banheiro,grande e único da casa, ficava ao fim do corredor,já próximo da cozinha.Na chegada à casa e quando Terezinha a aprovou,também não teve outra solução,ela ficou aterrorrizada,mas foi no banheiro que ela desmontou e sentou-se no vaso e chorou ao ver que a descarga da mesma era de cordinha,algo completamente já aquela época ultrapassado.Outra lance diferente foi a instalação da nossa máquina de lavar,que acho,pelo menos nas redondezas foi a primeira,pois eu tive de ensinar a fazê-lo,desde a instalação da parte eletroca até as entradas e saída de água.Quando ela foi posta a funcionar foi uma festa a alguns vizinhos vieram ver.Para completar as lembranças da casa,depois de morando,começamos a escutar uns barulhos no sotão a noite,tipo rato andando e solicitei a SUCAM,órgão federal de combate a malaria e doenças tropicais uma limpeza,desratização do sotão e eles nada encontraram lá,garantindo os funcionarios da mesma,que o sotão estava limpo e se havia algum barulho era de"visage",ou seja assombração,dos tempos dos escravos que lá tivessem sido maltratados...Madeira
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Dessa disposição de cômodos me lembrava vagamente, mas da entrada, dos fundos e desse quarto de música e livros (onde eu ficava escutando discos como "Eu te amo meu Brasil, eu te amo") lembro-me bastante bem.
ResponderExcluirCAIO