terça-feira, 8 de junho de 2010
Ainda a DR/MA(4)
O interior do Maranhão era tétrico,com cidades paupérrimas e assim,sempre que ia ao interior,para realizar procedimentos processuais e um dos que mais ocorriam eram crimes de responsabilidade de prefeitos(Decreto-Lei 201)e na realidade eles nem sempre tinham culpa ou eram culpados,face a falta de preparo para exercerem tal função,eu ia de teco-teco,junto com o escrivão,normalmente o Souza,engrenando com a autoridade estadual local,para que ela intimasse as pessoas a serem inquiridas,preparasse um local na sala dele e nos pegasse no campo de pouso,nos quais,para pousar tinhamos de antes dar alguns rasantes que espantassem o gado que lá pastava.Eram áreas abertas de pasto,onde aos solavancos o aviãozinho parava.Com isso chegavamos de manhã cedo e voltavamos a tarde,ainda claro,pois senão não dava,face ao vôo ser todo visual.Se chovesse tudo adiado.Nas poucas vezes em que tinhamos de dormir,apesar da oferta dos prefeitos de dormirmos na casa deles,o que não podia ser aceito,o faziamos no único estabelecimento federal existente:o hospital do Funrural,que era na verdade uma construção rude,onde em camas hospitalares de ferro nos deitavamos e descansavamos(dormir era impossivel,pois nas outras estavam lavradores doentes,gemendo ou,como em uma das vezes,um defunto)e isso sempre agarrado com a bagagem no peito ou debaixo da cabeça.Certa feita conseguimos uma pensão,em Bacabal e foi também algo novo.Você alugava não um quarto,mas sim uma rede,a pegava e levava para um grande sala,com ganchos nas paredes,pendurava a rede alugada e dormia(descansava),mas agarrado a sua mala,que se não poderia sumir a noite.Com a chegada dos agentes novos concursados,todos muito bons,veio um o Samuel,excelente para mato e combate a plantações de maconha e sempre que saía em diligencia,voltava com a Toyota cheia de maconha e presos em flagrante.Mas,certa vez,uma das primeiras vezes que saiu,chegou a minha sala feliz,com um preso e me disse doutor,olha prendemos esse cara inclusive com uma arma.Eu respondi,ótimo,cadê a arma?Samuel,orgulhoso respondeu:está com ele,na cintura dele,para caracterizar o flagrante...Quase morri de susto e voei em cima do cara e o desarmei...Em uma das minhas ausencias a serviço eu estava em Brasilia e recebi orientação para voltar urgente para o Maranhão,pois estava havendo lá um conflito diplomático,face a prisão pelo Dr.Laís,meu substituto do consul boliviano.Retornei e encontrei o Laís com ordem de prisão dada pela Justiça Federal,pelo Juiz Dr.Alberto Madeira(meu xará),face a ter desobedecido a uma ordem judicial e ter mantido preso de forma ilegal o consul boliviano no MA.O que ocorreu é que esse consul,ou melhor representante consular em São Luiz,intrometeu-se em algum procedimento policial de responsabilidade do Laís e o desrespeitou e o Laís o prendeu em flagrante por desacato.Até aí tudo bem,apenas o Laís o recolheu ao xadrêz comum e ele tinha direito a prisão especial,o que reclamado à Justiça Federal,foi determinado ao Laís providenciar.O Laís,tira velho do Rio,simplesmente pegou um pedaço de papel e escreveu do próprio punho "prisão especial",colou nas grades e o manteve no xadrês comum,na Delegacia,quando deveria ter negociado com a PM ou o EB o recolhimento dele em uma sala especial.Foi fogo convencer o Juiz Federal que não tinha havido falta de respeito a ele,mas consegui contornar tudo.Outro episódio digno de nota e que valeu-me também decisões de risco foi,já no segundo ano de direção,o fato de ter recebido dois casais de presos subversivos,pelo pessoal do Exército,na região de Pindaré-Mirim,que tinham a obrigação de lá formar uma célula comunista para guerrilha rural.Ambos os casais(eram casados)apresentavam marcas de pancadas(o que não quer dizer que todos os presos fossem torturados)e eles foram simplesmente deixados na Delegacia para que fosse feito o inquerito,com base na Lei de Segurança Nacional.De imediato determinei a efetivação de exame de corpo de delito e encaminhei a informação dos fatos ao Juiz Auditor da Justiça Militar que ficava em Fortaleza, relatando como tudo tinha ocorrido e a partir de que momento a PF era a responsável pelos presos.De novo tocou rebú:o Madeira está maluco, escrevendo esse ocorrido,contra a Revolução,mas eu não ia era manchar minha reputação,acobertando algo que era ilegal.Também com a comprovação de que eram casados,os mantive presos,durante o tempo que lá estivessem respondendo o IPM,juntos,ou seja,um casal em cada cela e não os homens em uma e as mulheres em outra,o que inclusive redundou em uma gravidêz em dos casais,além de ter mandado providenciar roupa de cama para casal.Agradeceram-me muito,mas foi a minha consciência que assim o determinou.No Maranhão fiz ainda mais um curso da ADESG,conhecendo mais das politicas estratégicas nacionais e do Nordeste e Norte...Madeira
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Rapaz, essa história da "prisão especial" rende um quadro humorístico maravilhoso...
ResponderExcluirCAIO