segunda-feira, 14 de junho de 2010
O Ceará
Ao contrário do Maranhão,em especial em comparando as capitais,Fortaleza já era cosmopolita,recebendo muito bem o forasteiro,uma cidade grande,onde você era mais um e não alguém considerado como um rival,um espoliador.Cidade grande,com,muita diversão e movimento,com grandes engarrafamentos,na noite,pela avenida Beira-Mar,plena de restaurantes,bares e boates,com vôos internacionais,com muitas familias de grandes posses e prestigio politico junto ao Governo Central.No entanto era ainda dominada politicamente por familias de coronéis no interior e de coroneis mesmo na administração do Estado.Fortaleza tinha o centro rodando em torno do Largo do Ferreira,principal praça,com muito comercio e de todo tipo,um excelente e lindo teatro,José de Alencar,e a vida noturna nas praias onde estavam clubes de primeira ordem,dos quais destacava-se o Ideal,frequentado pelas maiores fortunas e estrelas cearenses,chique mesmo,situado na Aldeota,o bairro social.Também lá ficava o Nautico Cearense,ao qual associei-me,muito bom,mas menos afetado,com um restaurante excelente e outros como o Diário,menos badalados,mais simples.Tinha,já,hotéis excelentes em toda a orla,praias excelentes,mas perigosas em comparando com São Luiz e uma área a ser desbravada naquela ocasião,a denominada praia do Futuro,hoje já integrada a cidade.Tinha uma excelente parque aquatico,o Beach Park,próximo e até hoje excelente local para diversão.As praias ao redor,tanto para o norte,como para o Sul,eram excelentes e era o local onde ficavam as casas de veraneio dos ricaços e em algumas nós fomos passar o dia ou o final de semana.A que mais nos marcou foi a de Morro Branco,das mais próximas e Canoa Quebrada e Jeriquaquara,as mais longinquas.O mercado central era uma atração a parte e lá comprava-se de tudo a preço de ocasião.Alimentação tinha de todo tipo,desde a local(o que era predominante no MA)até a nacional e internacional.Futebol,sempre cheio o Castelão,estadio a altura de qualquer outro no País,com os times da capital dominando,Ceará,Fortaleza(ao qual identifiquei-me,por ser tricolor,ainda que com as três cores diferentes,das do meu FLU,era vermelho,azul e branco) e o Ferroviário,também tricolor,com as cores do São Paulo,por eles chamado de Ferrim.As tardes de domingo eram o divisor de águas para os homens cearenses.Lá os finais de semana masculino começavam nas tardes/noites de sexta feira,a partir do fim do expediente no trabalho.Então ao invés de ir para a casa,os homens iam para os bares que já frequentavam e reuniam-se para jogar conversa fora,enchendo a cara,ou como diziam lá tomando um mé.Daí chegavam em casa mamados,com as mulheres,amelias,esperando com um jantarzinho,dormiam e emendavam no sabado,junto a familia,mas bebendo todas.Noite de sabado,uma saída com a esposa para alguma reunião com amigos,onde tomavam todas(como bebiam).No domingo pela manhã uma praia ou clube,sempre com a familia e depois do almoço Castelão,onde já chegavam e não bebiam mais,para que na segunda voltassem ao trabalho sem ressaca.Esse era o fim de semana típico do homem de Fortaleza de classe média.Aliás,lá contam uma historia de um que tentou sair desse costume arranjando uma amante,com quem se encontrava sempre que tinha jogo no Castelão e que quebrou a cara.Ele dizia a esposa que ia ao jogo,levava um radinho de pilha e pegava a amante e ia para um motel.Na volta para casa,no horario do final do jogo,escutava os comentarios no radio do carro e chegava em casa comentando o jogo.Com o tempo sabendo que a esposa não se interessava por futebol e nem escutava o que ele comentava ao chegar em casa,deixou de levar o radio e de ouvir no carro até o resultado do jogo.Até que a casa caiu:determinado domingo ele fez o programa de sempre e ao chegar em casa a esposa começou a fazer perguntas sobre o jogo e ele a mentir,a inventar,até ela estourar e dizer a ele que não tinha ocorrido o jogo,face a ter havido uma pane eletrica que tinha deixado a região do Castelão sem luz...O interior,que vim a conhecer muito bem,em visitas de inspeção e mesmo em operações,era bem rico,na maior parte das áreas,com cidades marcantes como Juazeiro do Norte,berço do Padim Ciço,Padre Cícero,com uma bela imagem gigante dele,Canindé,em homenagem a São Francisco,ambas cidades religiosas,com grandes manifestações de fé,romarias e pagamento de promessas,nas datas santas,Crato,próximo de Juazeiro,Barbalha,a grande e importante Sobral(terra do Ciro Gomes),Aracati,principal centro pesqueiro e histórico,Quixadá,com uma pedra igual a uma galinha gigante,Quixeramobim,enfim já era o Estado.Governado por coronéis,tanto na tradição como na patente,lá convivi com dois governadores da reserva do exército,coronéis Cesar Cals e Adauto Bezerra,com a mais famosa figura da politica cearense,o também coronel Virgilio Tavora,o senador Mauro Benevides,presidente do Senado,dando-me bem com todos,sem qualquer problema.Também o foi com a maior autoridade federal,o comandante da 10 RM,Gen.Milton Tavares,o Miltinho,o comandante,inflexível,duro,sério,correto,depois substituído,para minha sorte,por um novo general,recem promovido Florimar Campelo,que tinha sido meu Diretor Geral no DPF e que comigo tinha viajado ao Japão.Assim,com tudo conhecido,ao trabalho.Madeira
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Minhas lembranças do Ceará ainda são vivíssimas, especialmente dos clubes sociais (faltou citar o do Banco do Brasil e o do Banco do Nordeste, lembra?), das praias, de Mucuripe, do Castelão e do Getúlio Vargas, do centro zoneado e sempre lotado onde eu ia comprar minhas revistas e aos cinemas. Lembro ainda bem de uma ida nossa para Quixeramobim num jogo de torneio da Federal. Futsal, acho que ficamos num hotel/pensão por lá.
ResponderExcluirCAIO
Confere todas essas lembranças...Velho
ResponderExcluir