terça-feira, 27 de outubro de 2009
O Confiança Atlético Clube e sua importância na minha formação
O Confiança foi imensamente importante na minha formação humanistica,tanto nos meus sentimentos,como nos comportamentos,enfim na minha personalidade e no meu caráter,além de ter me ensinado o que era o trabalho coletivo,a importância de cada uma pessoa individualmente para o resultado final e a saber perder e ganhar,sem vaidades e meas-culpas.Eu era um menino de classe média-média,filho de um comerciante,ou seja com um bom padrão de vida,estudava em um dos melhores colégios do Rio de Janeiro e em vez de frequentar e praticar algum esporte em um clube desse nível,por exemplo,o América,o Tijuca Tenis,fui jogar em um clube de uma fábrica,com a maioria de meus companheiros,operários fabris ou filhos deles.Mas foi graças a essa escolha que,apesar de não ter vaidades,pois meu pai não o permitia(eu nada tinha a mais do que o necessário para o diuturno),não passava qualquer dificuldade e só me relacionava com meninos desse naipe,que aprendi muito sobre gente,sobre convivencia humana.Conheci no Confiança e a eles me afeiçoei meninos que muitas vezes não conseguiam,principalmente ao final do mês,fazer todas as refeições, alguns,aos quinze anos,já sem dentes ou com eles todos podres,cariados,de mãos e pés grosseiros e falando errado,com um nível de escolaridade bem abaixo do meu e me senti bem,ombreando-me a eles,em defesa das mesmas cores,buscando as mesmas vitórias,chorando nas mesmas derrotas.Como isso foi importante,pois cedo ainda convivi e conheci esse lado da vida e pude constatar que o pobre é no mais das vezes,mais correto e sério do que muito abonado.No Confiança eu era mais um atleta,mais um jogador e não o filho do dono da padaria,do Seu Dias.Isso colaborou e muito na minha formação moral e nas minhas relações com os meus subordinados nas minhas andanças posteriores...Lá fui comandado por um treinador com menos estudo que eu já tinha então,o DUCA,com maiusculas,pois com sua simplicidade,ensinou-me a ganhar e a perder,mas principalmente a lutar com todas as minhas forças para vencer,sempre com dignidade,olhando nos olhos dos parceiros e com altivez os rivais.Ensinou-me e depois constatei,as maledicencias,as falsidades do mundo,tanto do mundo da bola,como do mundo total.Saudades do Duca e de suas preleções,das corrigendas severas quando dos erros,da exigencia de fazer o mais simples e objetivo,deixando de lado os enfeites,enfim era um homem de carater,um operário padrão,um treinador de escol,um crioulo que honrava a cor e a brasilidade dela.Lá eu não poderia ser chamado de Theotonio e ainda com agá e então tentaram apelidar-me de "Russo"(esse depois foi meu apelido na Portuguesa Carioca),por ser louro,branquelo,enquanto a maioria do time era de pardos e negros,de Alemão não podia porque já tinha um,o lateral direito,com esse apelido,mas nenhum colou,quando alguém lembrou que o goleiro do Botafogo era um paranaense,louro(só era meio careca)chamado Pianowsky e ficou sendo esse meu nome no Confiança e no Departamento Autonomo,quando o clube a ele se associou..Logo,logo,de Pianowsky,virou Piano e assim,só assim,eu era chamado dentro do Confiança e no futebol amador do Rio de Janeiro.Bem,nos dois anos e meio de infanto-juvenil do Confiança,joguei cerca de 150 partidas,com 80% de vitórias,pois era um excelente time,jogando em seu campo,bem treinado e efetivamente a maioria das partidas contra times de bairros,de rua.Piano,Alemão,Jorge e Carlinhos,Aercio e Deda;Celio,Celsinho,Gizo,Celso e Israel,este foi o time base titular,o que mais vezes jogou,tendo importantes participações de Toninho no meio campo e de Zezinho e Marcio no ataque,estes meio titulares.Alemão,operario da fabrica,era um lateral de excelente marcação,duro,forte;Carlinhos,pela lateral esquerda era o oposto dele,clássico,muito bom no apoio,em uma época em que os laterais não subiam como hoje,foi depois,ao estourar a idade para o Fluminense,para jogar no juvenil;Jorge Berutti era um central vibrante,de muito boa impulsão,excelente cabeceador,apesar de não ser alto,depois passou no concurso no Colégio Naval e fez carreira na Marinha de Guerra;Aercio era um center-half clássico,distribuidor do jogo,como se chamava á época,o tocador de violino e Deda era o meiocampo que recuava e fazia o hoje chamado quarto zagueiro,fechando a entrada da área com o Jorge Berutti,jogava também nas duas laterais,com habilidade,quando necessário;o ataque,sendo que dois dos cinco voltavam para buscar a bola e lançar os pontas(autenticos),enfim para armar as jogadas e que eram pela direita,o Celsinho,mulatinho,ágil e rápido que gostava de correr como a bola(como Zico e hoje Kaká) e o Celso,que era gemeo do ponta direita,o Célio,esse um lançador;esses dois,junto com o Aercio que era o virtuose,eram os cabeças das jogadas de ataque,sempre através dos pontas,velocíssimos,o Celio pela direita e o Israel pela esquerda e cujas jogadas sempre terminavam na cabeça ou nos pés do Gizo,centro-avante,alto e muito forte,que depois foi para o juvenil do fra.Sempre entravam e o time não sentia o Toninho no meio,para cadenciar mais o jogo;o Zezinho,primo do Aercio,nas pontas ou no meio e o Marciano,em uma das pontas.Outros passaram por lá e jogaram conosco,mas o time base,que fez muito sucesso no Departamento Autonomo e em Vila Isabel e adjacencias foi esse.Madeira
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O cara joga numa ponta hoje e é chamado de "ala".
ResponderExcluirMas não é um ponta e não joga como um ponta?
Palhaçadas do futebol "moderno".
Caio