sábado, 18 de julho de 2009
Externato São José,as traquinagens
Bem,fui impossível nesses anos de ginásio.Inteligente,com muita facilidade de aprendizagem,mas ao mesmo tempo muito ativo,intrometido,resoluto,sem medos e um gozador emérito,da mesma forma que aprendia com facilidade e tinha boas notas,à exceção de em trabalhos manuais,desenho e canto,disciplinas complementares,tinha mau conceito disciplinar.O que me salvava é que,como eu conhecia bem o pai que tinha e assim sabia o limite,antes deste eu parava e dava uma mergulhada,evitando as punições máximas de suspensão(em todos os anos que lá estive só tive uma e se eu não tivesse razão teria custado-me uma forte sova) e expulsão.As punições eram de ficar em pé,de castigo,no fundo da sala,de costas para a turma,virado para a parede;escrever linhas,repetitivas sobre a indisciplina,tipo "não devo falar em aula",em quantidade que aumentava conforme o aumento do erro,que era anotado por cada professor em um local próprio na pauta dele e nas quais ,muitas das vezes,nós enrolavamos,comprando linhas já feitas,em excesso,por outro colega e colocando no meio das feitas pelo responsavel;decorar poemas de autores pátrios e declamá-los para a turma(numa das minhas alterações eu tive de decorar e delamar,Y-Juca-Pyrama;ficar após o término da aula só,no pátio,de frente para uma das árvores,segurando a pasta com cadernos,por mais algum tempo,até um máximo de uma hora;ir para a sala do reitor o que poderia valer uma anotação na caderneta para o pai,o que seria uma advertencia e que repetida mais duas vezes valeria uma suspensão de três dias,sendo que estas tinham de ter na caderneta o ciente do pai.Como elas eram mensais e depois prescreviam,salvo se gravíssimas,quando iam direto para a caderneta,eu tratava de aliviar e me conter quando chegava o meio do mês e eu já estava meio complicado na disciplina.O que que eu arrumava?Eu nunca perdi a ocasião da gozação,da piadinha e a praticava e pratico até hoje,falando ou comportando-me na hora indevida.Outra mania minha,até hoje,é não ficar quieto perante injustiças e mentiras,o que valeu-me até sair da Federal,já burro velho.Nas primeiras as mais comuns foram,por exemplo,colar papéis nas costas de colegas mais babacas,tipo "dê-me um tapa" ou "chute-me na bunda";colocar rabiolas de papel penduradas nas calças da farda;tascar giz ou bolinhas de papel na cabeça dos outros(sempre sentei por ser dos mais altos então nas últimas carteiras);fazer bolinhas de papel mastigá-las e jogá-las com força no teto da sala,que passado algum tempo,após secaren caiam na cabeça de alguém;idem com giletes partidas ao meio,que lá ficavam até o final do ano quando o colégio era limpo para o ano seguinte;escrever,nos intervalos qualquer porcaria no quadro então negro,tal como desenhar o famoso "moita",aqueles olhinhos e mãos atrás de um muro;e o mais grave,soltar a cortina de lona enrolada que protegia a sala do sol e que ao desenrolar-se e cair fazia um barulho terrível,interrompendo a aula;trancar colega no banheiro na hora do recreio;jogar papel higienico molhado no colega dentro do banheiro cagando.enfim todas as molecagens possíveis e criativas.Tive poucas brigas de sair na mão com colegas no colégio(a maioria tive na rua onde morava),só alguns arranca-rabos nos torneios de futebol ou com neguinho que fazia merda e se escondia covardemente,deixando outro ser punido.Das grandes cagadas ressalto duas marcantes:uma quando,acho que na terceira série,nossa sala de aula dava para a horta e o galinheiro da residencia dos irmãos e em determinado intervalo,pulei a janela,capturei uma galinha,levei-a para a sala,com o bico preso e durante o terço a liberei,foi uma merda e castigo após a hora da saída;outra quando amarrei um irmão professor na cadeira dele,pois eles tinham na batina um cordão que amarrava a mesma a cintura,ia até os pés e terminava com um enfeite a ponta,a minha sorte é que era uma irmão gozador que não ficou puto e quebrou meu galho com um esporro alegre.Outra babaquice ocorreu nas aulas de francês,para azar do irmão professor,uma das leituras referia-se a um certo senhor Bousset e deste nome surgiu um dialogo cretino criado pelos alunos e que era o seguinte:imaginava-se que chegava uma visita na casa do referido senhor e ao ser atendido na porta por um empregado do mesmo dava-se a conversação:"o senhor Bousset tá?"Não o senhor Bousset não está.E os filhos do senhor Bousset tão?O senhor Bousset não tem filhos.Ah,eu pensei que o senhor Bousset tinha...Outra era qualquer leitura na lingua francesa que aparecesse a palavra cou(pescoço),que era motivo de inúmeras piadinhas...Uma das minhas colocadas para fora de aula foi em uma classe de latim.Eu estava distraído e o irmão professor o vendo,perguntou-me de repente:Theotonio declina caput no plural:eu que sabia que era palavra neutra e que assim o plural era feito com a no final,levantei e lancei,crente que estava abafando:caputa,caputa e era capita(cabeça)e o resultado foi,além de muita risada,eu fora de sala,pela palhaçada e o pior é que não o foi,foi de distração e não de sacanagem...Aos domingos tinha a missa obrigatória,após a qual recebia-se a caderneta com a nota disciplinar e as presenças e na missa do primeiro domingo do mês o boletim mensal com as notas do mês e havia um rodizio de alunos servindo de coroínha(auxiliar do padre na missa) e apenas uma vez me escalaram,depois nunca mais,pois fiz tudo errado(toquei as sinetas na hora errada,não toquei,esqueci de pegar os bagulhos que tinha de levar para o padre,levando a loucura o colega do outro lado e o padre)e é lógico de sacanagem,para não ter de ir de novo.As do segundo tipo foram algumas poucas vezes com professores,uma das quais valeu a única suspensão,que para a sorte de minha incolumidade física,foi aceita por meu pai,que ainda foi ao colégio e discutiu com o reitor.Existia nos maristas o mau costume,assim entendo,de quando havia uma indisciplina e o professor não descobria o responsável ou este não se acusava,de punir toda a turma e eu nunca aceitei e levantava e engrossava com o mestre e depois lá fora brigava com o covarde que não se acusava,pois eu nunca me escondi,fugi a responsabilidade pelos meus erros.Assim,logo no admissão começou essa minha saga e alguém atirou uma bolinha de papel em algum aluno que sentava na primeira fila e caiu junto ao professor que de costas para a turma escrevia no quadro.Este virou-se e perguntou quem fora e ninguém se acusou.Daí veio a ordem de a turma toda ficar após a hora da saída de castigo.Levantei na hora e reclamei e disse que eu não ficaria e daí sala do reitor,o que se repetiu mais umas duas vezes,em outras séries,até vir a suspensão não aceita por mim,nem por meu pai.Esta forma de ser vigora até hoje para mim:injustiça,não...Com essas posições,companheirismo,não fugindo as responsabilidades e mais os esportes,em especial o futebol,pois sempre fui das seleções do colégio,acabei sendo conhecido e admirado por muitos alunos,especialmente de séries abaixo,de quem inclusive virei protetor contra os trotes babacas da época(jogar talco,apertar casca de tangerina nos olhos,outros).Madeira
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Pergunte a um aluno de hj se as brincadeiras não mudaram um pouco...
ResponderExcluirMuitas delas permanecem, outras tantas foram substituídas por sacanagens mais pesadas e violentas.