segunda-feira, 6 de julho de 2009

Máximas de Seu Dias,filosofo luso,meu pai

Meu pai,depois é que concluí,era um coração enorme,que ajudava todo mundo e um tremendo gozador.Colocava apelido em todo mundo,obviamente só para consumo interno,ou seja entre nós,que ele os usava.Também tinha uma de série palavras ou frases,criadas,que me marcaram e vamos aqui imortalizá-las:"até o talo",a pessoa estava totalmente comprometida,envolvida com algo;"quem tem cu apertado não faz trato com pica grossa",não assumir compromisso maior que as suas possibilidades de o cumprir;"para vencer em qualquer coisa tem de ter apetite",uma variável de qualquer vitória prescinde de 95% de transpiração e 5% de inspiração;"pai não é amigo,é pai",mostrando a diferença entre educar e ser compassivo,ser bonzinho,não impor os limites indipensáveis a formação de uma criança;"filhos não podem ser em maior quantidade do que as mãos e os ouvidos",declarando que os filhos devem ter a atenção e os cuidados dos pais e sendo em maior número que as mãos,como conduzí-los e que os ouvidos como escutá-los;"como diz o outro",para contar algo de origem popular;"cacuí",que era dito quando determinado assunto não o interessava ou o resultado do mesmo não lhe importava;"quem muito abaixa,aparece as calçinhas",informando que perdoar sempre,ceder sempre,tinha como resultado o abuso,a repetição do fatos;"eu não sou burro",quando não entendia algo e resolvia que devia aprendê-la;"pedir soda",significando que a pessoa queria desistir de alguma empreitada;"temos uma boca e duas orelhas",significando que temos de ouvir mais do que falar;"quem fala demais,dá bom dia a cavalo",mesma idéia da anterior,ou seja falar menos e escutar mais;"pobreza é sempre de conhecimento,nunca financeira",essa o Lula deveria escutar e pensar,indicando que para se crescer financeiramente,o melhor caminho é o estudo,a aprendizagem;"ler a bonadicha",que é chamar a atenção de alguém,dar um esporro,corrigir alguém;"ele come sardinha e arrota caviar",que significa que a pessoa está contando vantagem;"mijar fora do pinico",querendo dizer que a pessoa estava fazendo algo errado,algo que não deveria fazer ou fazendo de forma errada;"um dia você vai entender",sinalizando que só a vivência,muitas vezes,nos faz compreender aas coisas que ocorrem ao nosso redor;"quem não tem competencia não se estabelece",significando que só se deve entrar em uma empreitada com conhecimento total de como a mesma funciona;"fazer cortezia com o chapéu dos outros",querendo dizer que muitas vezes as pessoas fazem favores ou os prometem,confiando em terceiros e não em sua capacidade;"arreganhar os dentes",quando uma pessoa ria a toa,se abria para outra;"azedar o sangue",quando alguém demonstrava ódio por outra ou por uma situação;"não aguenta um gato morto pelo rabo",para dizer que a pessoa achava que faria coisas,qe na realidade não conseguiria fazer por incompetencia/fraqueza;"não tem onde cair morto",significando que a pessoa não tinha condições financeiras;"farinha pouca,meu feijão primeiro",significando que primeiro devemos cuidar dos nossos interesses e depois dos dos outros.Quando eu apresentei Terezinha a ele,tempos depois soltou mais uma das dele:"ela é magrinha,mas é forte que nem um cavalo",dizendo algo que depois seria comprovado no todo,que Te apesar de aparentemente frágil era muito forte e corajosa.Essas são as que me lembro agora.Quanto aos apelidos ele era impagável,pois batia os olhos e comparava a pessoa a alguma coisa ou marcava uma caracteristica física da mesma,advindo daí os apelidos para referencia dele.Assim,todo os meus tios tinham apelido,apenas entre nós conhecidos.Tio Ari era o "perna fina",por motivo óbvio;a esposa dele,tia Santese era a "Mineira",porque era nascida em Ubá/MG;o tio Abel era o "colete",pois sempre estava com um vestido;o tio Manduca era o "macumbeiro",pois tinha um altar repleto de orixás,nos fundos da casa;um primo de minha mãe,baixinho e gordinho,de nome Antonio,era o"batoque",nome,em Portugal,de pequenas e redondas,pipas de vinho;outro primo,o José,irmão do Antonio,tinha um dedo da mão defeituoso e assim era o Zé Dedão";um amigo que era tremendamente devagar,o João Silva,era o "João Mole";outro o Joaquim era o "João da Matta",nome da rua onde ele morava.Cachorro magro,de rua era chamado por ele de "carestia".Esse era o meu pai,sério,nas coisas sérias e um tremendo gozador naquilo que cabia.Madeira

Um comentário:

  1. Tenho as melhores lembranças dele, e algumas nessa linha "sacana", sempre com aquelas tiradas cortantes e precisas.

    Grande "Seu Dias"!

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