segunda-feira, 6 de julho de 2009
Relações filiais e interpessoais na infância
Minha relação com meus pais e o foi durante toda a vida deles foi de um grande respeito,consideração.Nunca tive a ousadia de julgá-los ou menosprezá-los,pois quem era eu perante aqueles que me geraram,criaram,aparelharam para uma existência?Era um pequeno fruto,que se eles tinham obrigações por terem trazido a vida,tinha eu muito mais,tanto pela mesma razão,como por terem me conduzido até o momento da decolagem para o mundo,para o exercício do meu livre-arbitrio.Gratidão,eis,para mim,a palavra chave na relação pais e filhos e não é apenas pelo amor,mas também pelo discernimento do papel deles na criação dos filhos.Isso eu entendi,desde do meus primeiros raciocinios.Eles me geraram,deram-me condições de crescer,aprender, dedicaram-se a mim,enfim,nada mais custoso e amoroso que ser pai.Eu os admirava.Tinha um pai responsável,presente,sério,de poucas,mas muito sábias palavras, que me educou pelo exemplo,com firmeza,com autoridade,que infelizmente eu não consegui reproduzir,quando fui pai.Ele,ainda que com pouca erudição,possuía uma grande e sabia cultura,tendo me ensinado de tudo que era necessário,desde a tomar banho("abre o chuveiro,molha-te,fecha o chuveiro,ensaboa o corpo,abre o chuveiro e tira o sabão e antes de se enxugar com a toalha,passa a mão no corpo e tira o excesso de água"),lavar sempre as mãos ao chegar da rua,antes e depois das refeições,a me vestir,limpar os sapatos,lavar as peças intimas,arrumar a cama,logo que levantar,antes mesmo de ir escovar os dentes e lavar o rosto,enfim tive uma educação que me permitiu sempre não dar gafes nas visitas e que me ajudou no resto da vida,principalmente na adolescencia...Nunca cheguei perto dele sem pedir a benção, beijar a mão direita dele e receber um sonoro "Deus te abençoe. Abraços,outros beijos,não,ele era meu pai.Após adulto entendi,melhor ainda,essa educação dura,mas correta e entendi,porque ele muitas vezes disse-me:"Não quero ser teu amigo,quero ser teu pai",ou seja,não te darei a cumplicidade do amigo e sim o exemplo,a correção do pai.Após a infância,já conversava mais comigo,sempre orientando-me e dando exemplos de fatos presenciados,vividos por ele e após adulto eramos um papo só,então de dois amigos,mas sempre com um mais experiente,indicando o melhor caminho,e não mais educando.No entanto nunca deixei de pedir a benção,beijando a destra dele.Com minha mãe já era mais escrachado,fazendo minhas artes e fugindo dela,até vir a célebre frase,que me paralisava:"vou contar para o teu pai".A benção também era pedida,mas também minha mãe não era de afagos.Para a modernidade eu deveria ter grandes problemas psicologicos,criado sózinho,em um casarão,com rigor...De minha parte eu buscava cumprir todas as minhas obrigações de filho e da casa,como manter meu quarto perfeitamente arrumado,limpo,varrido,cama feita e estudos em dia.Portanto tudo perfeito,uma infância tranquila,com uma educação nota dez.Com meu irmão,nas férias dele,aquela relação super fraterna,protetora,amiga,confidente,de saídas,de papos,equilibradíssima.O irmão.Já com o avô materno,que me deixou como legado o nome de guerra,Madeira,os tios,funcionava tudo também na base do respeito,da distância, pedindo a benção,com beija-mão,sem intrometimento nas conversas de adultos.Com os primos,brincadeiras,de pegar,bola de gude,esconder,enfim criancices.Nas malditas visitas,o caos,tanto recebendo,como fazendo,pela necessidade,obrigatória,de não se sujar,de não correr,de ficar comportado,se não era,ao final das mesmas contemplado,com fortes cascudos ou até uma bela surra,sendo dificil saber o que era mais doloroso,se a mão ou o cinto de meu pai.Assim,o jeito era obedecer,o que eu fazia e não me deixou nenhum trauma,como os atuais mestres da educação apregoam.No entanto nunca fui espancado,eram apenas umas cintadas ou cascudos,apenas para que eu não esquecesse de obedecer sempre.Madeira
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O que há de adulto se escorando hoje nos "traumas infantis" não é mole não...
ResponderExcluirUm cascudo aqui e outro lá, problema nenhum...
Frescura demais nos dias que seguem.