sexta-feira, 3 de julho de 2009
A infância e meu circulo familiar íntimo
Cresci tendo sempre ao meu lado meu pai,João Dias Pereira,minha mãe Aracy Madeira Dias e meu irmão,Sidonio Barroso Dias,companheiro de quarto,quando das férias,pois era interno,filho do primeiro casamento de meu pai.Nosso lar rodava redondinho,como era de costume então,décadas de 40 e 50,ou seja,o pai,trabalhava,era o provedor, autoridade máxima,sempre sentando às refeições à cabeceira da mesa,primeiro a ser servido e que autorizava depois a todos se servirem,aquele que dava a última, derradeira,definitiva palavra;a mãe,do lar ou doméstica,como informava ao ser lhe perguntada a profissão(a única exceção para uma mulher trabalhar fora era ser professora primária),cuidava da casa e dos filhos,sempre apoiada em uma empregada doméstica,que residia com a familia,em um quarto nos fundos da casa.O marido era o guerreiro,o que ia a luta defender o pão de cada dia e a esposa era a intendente, responsável pela retaguarda,pelo fluxo de alimentação,vestuário,limpeza,outros.Aos filhos cabia estudar,preparar-se para seguirem,quando adultos,a mesma toada dos pais,conforme o sexo.As meninas eram totalmente preparadas para o lar,devendo serem,como se falava à época,prendadas,ou seja saberem cuidar da casa,sendo com isso tolhidas em todas as iniciativas que não fossem desse tipo.Os meninos,deveriam ser imagem e semelhança do pai,de preferencia seguindo a mesma profissão e "herdando"os clientes deste.Bem,com meus pais era assim mesmo,apenas eu e Sidonio é que tinhamos de ser mais que meu pai,dono de padaria.Sidonio foi encaminhado e era vocacionado,ainda bem,para a carreira militar e eu,meu pai sonhava,deveria ser diplomata,fazer Direito(pré-requisito)e depois o Itamarati.Para isso o necessário eram os estudos e assim era o procurado por meu pai,colocando-nos nos melhores e consequentemente mais caros colégios,sendo muito cobrado de nós a aprendizagem e as notas.Educação,respeito,disciplina e estudo estes os valores que eu tinha de cultivar,vinte e quatro horas por dia.Foi fácil,pois era de minha índole e eu gostava de ler,de conhecer coisas novas.Cercado por essa atmosfera cresci.Um pai trabalhador,exemplar "chefe de familia",honesto, leitor compulsivo,apesar de semialfabetizado,indômito,companheiro,que sabia dar e negar,conforme o que fosse melhor para mim.Constante,sempre junto nas refeições,nas observações sobre os trabalhos escolares,sabendo deles,punindo,sem perdão nas falhas,mas defendendo-me quando via que eu estava com a razão,este foi o pai.Minha mãe cumpria suas obrigações e era a responsável pela intermediação divina,pois era uma carola de primeira,não perdendo uma missa,ladainha,ou algo equivalente,que representasse alguns pontos junto aos céus.Nenhum dos dois era dado a afagos,beijos e abraços,sendo a nossa relação franca,cordial,respeitosa,de subordinação minha,mas sem agarramentos,entendendo meu pai,que a função dele era de educação e não de amizade,mas no final da vida foi,além do pai,um grande amigo.Aliás ele sempre dizia que antes de ser meu amigo ele era meu pai.Com isso minha infância foi marcada por muita responsabilidade,por missões,acima de tudo,em especial,na primeira fase,até os dez anos,quando a ida a Portugal e a puberdade deram uma aliviada nisso,em especial trouxeram-me para fora do circulo familiar fechado em que vivia.O terceiro personagem dessa minha vida infantil,meu irmão foi como meus pais,fabuloso.Só convivia com ele nas férias escolares,pois,fruto do primeiro casamento de meu pai,ele já estava em colégio interno,nos Maristas,no Internato São José,na Usina da Tijuca e ao acabar o ginasial,passou em concurso para cadete do Exército e foi fazer a Escola Preparatória de Cadetes em Porto Alegre,isso aos quatorze anos de idade.Com isso só vinha para casa nas férias de fim de ano,pois a distância e os custos não ajudavam nas férias de junho.Dezembro e janeiro era quando eu tinha meu companheiro de quarto,incrível,amigo,que fazia todas as minhas vontades,atendia minhas ânsias,saindo comigo para tudo que eu gostava e queria fazer,uma ida a Praça Saens Peña,um cinema(até então não existia ainda o Maracanã e eu não tinha descoberto a paixão pelo futebol),praia,outros.Também era o companheiro e adversário de peladas com bola de meia(fiz muitas na minha infância)as tardes,um golzinho demarcado,jogadas antes de escurecer,no quintal do sobrado,um contra um e ele às vezes me deixava ganhar.Esses foram os protagonistas de minha infância,até os dez anos,quando fomos morar um ano(1950)em Portugal,o que ocorreu juntamente com a minha puberdade e a passagem para a adolescência.Madeira
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Tenho excelentes lembranças dos meus avós paternos, e uma em especial (que parece, de início, uma bobagem)- aquele refrigerante (quase sempre uma coca-cola) geladíssimo que catávamos assim que chegávamos da rua.
ResponderExcluirMaravilha pura.