terça-feira, 11 de maio de 2010

Mais lembranças pessoais do Paraná

Em casa com Terezinha segurando tudo,amparada pela Hilda e pela dona Hilda,que volta e meia passava tempos conosco,seguia tudo bem,o que me permitiu ainda fazer um curso de finais de semana da ADESG(Associação de Diplomados da Escola Superior de Guerra),que me valeu alguns novos conhecimentos de profissionais das áreas da Justiça,FFAA e altos empresários.Também fechei,a distância,o curso de História(o último ano foi nas coxas,mas eu já tinha feito o nome no CEUB,até por jogar no time de futebol),com direito até a festa de formatura em dezembro,na qual fomos eu e Te,com as crianças ficando com dona Hilda e Hilda em Curitiba.Em julho ainda fui brindado com a possibilidade de participar dos Jogos Universitários Brasileiros em Porto Alegre,passando o onibus da delegação em Curitiba para me pegar.Foi mais um experiencia e tanto,sendo nosso treinador o ex jogador do Vasco,o Bougleux,tendo jogado nos estadios do Gremio,o Olimpico e no do Internacional,o Beira-Rio.Vencemos,na fase classificatória Mato Grosso e perdemos para os gaúchos,que depois foram os campeões,nos quais o destaque era o Ivo Wortman,ja profissional do Inter.Lá ficamos hospedados no colégio Julio de Castilhos,conhecido como Julinho.Na mesma época Terezinha,que ficou no Rio,fez a ligadura das trompas,antes que viessem mais filhos,pois ela engravidava,como eu dizia,só com o cheiro do meu esperma.De Curitiba ficaram as lembranças das viagens com Cenira e Mauro,das visitas recebidas,com as quais sempre almoçavamos ou jantavamos em Santa Felicidade,bairro italiano,de muita e deliciosa comida e um vinho que Terezinha adorava,tanto que certa feita,quando estavamos com um casal amigo do Rio,Alcione e Carlos Roberto,o Santos,ela bebeu vinho com tanto gosto que fomos convidados a conhecer a adega do restaurante Madalosso e lá Te e Santos começaram a experimentar os vários tipos de vinho e vi pela primeira e última vez Te de porre.Foi uma noite insana pois ela agarrava-se a mim na cama,que segundo ela não parava de rodar e tentava rezar e saía uma oração ininteligivel e com as falas todas trocadas.Lá em cima deviam estar recebendo essas rezas como se fossem hieroglificas.Outro fato interessante,também com Alcione e Cantos foi a ida a passeio/compras a Foz.Fomos e voltamos de onibus leito,passeamos muito e fizemos algumas compras no Paraguai,mas na volta,com as compras feitas e transportadas no bagageiro do onibus,em baixo,em cada parada do ônibus o Santos levantava e descia e ficava olhando o porta bagagens,para se assegurar que ninguém iria mexer nas compras dele.Foi uma noite comprida e gozada.Também são inesquecíveis os lanches na Confeitaria da Familias,na rua XV de Novembro,onde encontram-se os doces mais saborosos do País,em especial os mil folhas e os lanches noturnos,na rede de cachorro-quente "Tipiti-dog",que tinha nas principais praças de Curitiba,treilers, nos quais você não precisava saltar do carro para lanchar,fazendo o pedido de dentro do carro e eles traziam em bandeijas,que eram presas nas janelas do carro,o que para o frio curitibano era ótimo.Centro cultural como Curitiba o era e é também viviamos indo a shows e peças de teatro,tanto no Teatro Guaira,como no Teatro Paiol,em forma de anfiteatro,adaptado de um antigo paiol do Exército,daí o nome,lembrando-me bem de um do Viniicus de Moaris e Toquinho,neste,que foi espetacular.Passeio marcante era sempre a Paranaguá,de litorina,pela serra do Cadeado,mas uma vez fomos de carro lá e teve duas ocorrencias dignas de nota:em uma na pracinha de Paranaguá,estavam dois caras em uma das esquinas e eu,de sacanagem,passei umas cinco vezes por lá,sem sair da rotatória e eles ficaram doidinhos,principalmente porque nas últimas duas eu me abaixei e dirigi olhando pelo canto do volante,parecendo que o carro estava sem motorista;o outro fato foi de que,contavam como piada,mas nós confirmamos que lá existia um restaurante que fechava para almoço...O dono era um ex pracinha da FEB e ele só abria o restaurante quando a litorina chegava e depois do pessoal da litorina almoçar,entre 11 e meio dia ele fechava para ele e empregados almoçarem e reabria às treze horas...No Carnaval de 72,Terezinha e Cenira pediram para relembrar os carnavais que elas passavam juntas no Rio e aí arranjei convites para o baile de gala do Coritiba,um dos mais badalados então e as duas fantasiaram-se de romanas,com vestes pretas,cheias de dourados.Eu e o Mauro ficamos na mesa conversando e então vimos que havia um frangote as perseguindo.Levantei-me e quando ele passou atrás delas o avisei que eram casadas e que caisse fora.O cara na volta seguinte continuou,dei-lhe uma bolacha que ele rodou e caiu deitado no meio do salão.A partir daí não mais o vi.No ano de 71 houve a passagem de seu José,no Rio de cancer e eu estava em Fortaleza dando aulas em um curso volante da ANP,para policiais estaduais,sobre drogas e ela foi para o enterro,com as crianças e Hilda de avião,com o dr.Moupir Amaral a apoiando em tudo.Nessa ausencia dela arrombaram a casa e levaram quase nada,pois nunca tivemos joias ou valores,sendo na realidade perdido as coisas de pérolas que eu tinha trazido do Japão:um broche,com a inicial dela um T em perolas e um colar.Triste é encontrar a casa toda revirada e tudo atirado pelo chão.Outra lembrança que ficou foi o do frio,incrivel,doído,com todos nós usando agasalhos e mais agasalhos,eu de ceroulas(ridiculo),colocando bacias de metal no chão do banheiro com alcool e acendendo,além de abrir o chuveiro no máximo da água quente para conseguir tirar a roupa e tomar banho.Também antes de deitar as crianças ou passavamos os lençois e fronhas ou deitavamos um pouco para esquentarmos o leito deles e eles poderem dormir.De dia pareciam robôs de tanta roupa.Nos sabados e domingos de inverno,a noite,quando queriamos lanchar fora,iamos todos de pijamas de lã,a uma rede de treilers de lanche,a Tipiti,que trazia os lanches nos carros,para não se ter de saltar no frio.Ruim foi que as crianças lá tiveram várias vezes,apesar de todos os cuidados,infecções de ouvido,o que é muito dolorido,face ao frio.Também recordo-me de sempre haver na casa,do lado de fora,nos jardins e na garagem e não se podia bobear se não também dentro de casa,sapos e rãs,pois a casa ficava encostada a uma mata virgem.Por fim,lá trocamos face ao tamanho da familia de carro,pegando uma Variant vermelha,semi-nova,que era do Gen.Alcindo,cuidadoso e cimento dela,dando o fusca de entrada e complementando uma merreca.Aí a familia dava.O Gen. Alcindo era um figuraço.Excelente administrador,sabia conduzir os comandados com maestria.Grande contador de casos.Em um deles contava que existia um ricaço em Curitiba,cheio de manias,que tinha mania de limpeza e assim mandou colocar no telhado da casa,em todos os locais em que passarinhos podiam pousar,milhares de pregos,para o impedir;da mesma forma essa mesma figura,era doido para pegar uma mulher linda,que sempre o esnobava;em determinado dia ele que tinha dois carros,um mais velho para dias de chuva e um novo para os dias limpos,tinha saído com este novo e lindo e começou a chover;nessa ocasião viu em um ponto de ônibus a tal mulher e doido por ela parou o carro e ofereceu carona;a mulher assentiu,mas ao preparar-se para entrar no carro,ele viu que ela estava com os sapatos sujos e ele disse para ela não entrar e se mandou,dizendo:perco a mulher,mas sujr meu carro novo,não;por fim o general tinha uma frase muita inteligente a respeito do penis:"penis é igual a caneta tinteiro,se usar demais a tinta acaba e se não usar a tinta seca".Muito sábio...Madeira

3 comentários:

  1. Ainda tenho lembranças de boa parte disso tudo: dos sapos e rãs (e caranguejeiras), do Apolo (o cachorro), do frio intenso, da rua de terra na frente da casa (enorme), do grande jardim na frente a da grande área atrás, da garagem em que caberiam 5 carros etc etc etc.

    CAIO

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Aí,Velho,eu não lembrava mais do nome do cachorro,mas lembro-me bem de,vocês não assistiram,ao caminhão da mudança indo embora ele correndo atrás e latindo.Deu um puta nó na garganta...

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