segunda-feira, 1 de março de 2010

Ainda o CPOR/RJ

A didática de ensino militar é fabulosa e força o aluno a prestar atenção e a se sentir sono é obrigado a ficar em pé no fundo da sala.Toda aula,lá chamada de instrução,divide os cinquenta minutos em cinco de apresentação do conteúdo, obrigatoriamente e ligando-o ao último lecionado,a seguir o desenvolvimento do assunto,cerca de trinta minutos,com mais cinco de conclusão e sempre uma VI,verificação imediata,sem consulta,nos dez minutos finais,sobre o explicado,valendo nota.Não há quem possa voar,distrair-se,pois se o fizer leva ferro logo de cara.Ao final de cada disciplina tinha a VF,verificação final.Com isso eu ajudado pela minha excelente capacidade de reter os conhecimentos,além de querer aprender e ser um bom oficial,sempre me dava muito bem,não sendo o primeiro por causa de dois cdf.Também para cada aula era distribuída o material(apostila) do ensinado.Já a parte prática de exercicios de campo era também muito puxada,com marchas,com todo os apetrechos de um combatente,no primeiro ano muito pesados e como ainda não existia uma classificação distribuidos aleatoriamente(em uma das marchas eu era o municiador de morteiro 60 e carregava a placa-base do referido,que é pesada para cacete.São a cada ano várias marchas,desde a menor,a primeira,de oito km,com uma noturna de dezesseis,até a maior de trinta e dois km.Já no segundo ano,eu que estava e acabei em terceiro lugar comandava uma companhia e andava com a Colt 45 na cintura,leve e lépido.Os exercicos de tiro,que incluiam a desmontagem e limpeza perfeita do armamento,após o mesmo,eram no estande do EB,na própria Quinta da Boa Vista.As jornadas,de um dia inteiro,eram iniciadas com uma marcha de deslocamento e exercicios de combate e retorno também marchando e cantando canções militares.Quando a noite,após os exercicios de combate noturno,o restante da noite era em bivaque,dormir ao ar livre,no próprio terreno de combate.Os acampamentos,de sete dias,começavam com a montagem da barraca de dois,ou seja,você tinha o seu "de rancho",nome militar do companheiro de barraca ou de qualquer atividade e com ele montava ao chegar a barraca e desmontava no último dia,dentro do que determinava o regulamento,sendo sempre a ida e a volta a pé,marchando e todo o tempo,desde a alvorada,às seis horas até o toque de silencio,às 22 horas,repleto de atividades exaustivas,com ataques e defesas,cavando trincheiras,rastejando,atirando em todas as situações,utilizando a bússola,com o toque de rancho,almoço e de janta,com banheiro/fossa para as necessidades de defecar,banho coletivo,atrás de toldos e refeições em marmitas(no meu primeiro dia do primeiro acampamento estava chovendo e meu arroz com feijão,batata cozida e carne desfiada,boiava,devidamente misturados com a água da chuva).Tudo feito da forma correta e bem aprendido,para se necessário defender a Patria.O nosso comandante,da décima escola era o Capitão Beliard e o nosso sargento o sargento Osvaldo,ambos exigentes,mas amigos,respeitosos com a nossa inexperiencia.Havia uma disputa saudável entre os pelotões no sentido do garbo,do empenho nas atividades diárias,na limpeza do alojamento,na organização da reserva de armamento,que tinha sempre de estar brilhando,assim como nosso uniforme,dos pés à cabeça.Kaol no cinto,palha de aço no armamento,graxa nos sapatos,vinco nas calças,enfim a busca de um gabarito e de uma excelencia,na qual todos se empenhavam,incentivados pelos colegas e para não sofrer sanções disciplinares,das quais a mais temida era a revista(obrigatoriedade de dormir no quartel,apresentando-se antes das 21 horas para a revista/conferencia)e a pior a detenção,ou seja ficar recolhido ao quartel,sem poder ir para casa.Para tanto,bastava uma simples dormida em aula,ao invés de levantar-se e ir para o fim da sala,um sapato mal engraxado,continencia não feita ou não se levantar quando passava um superior,barba mal feita,cabelo não cortado regulamentarmente(máquina zero),farda mal passada,enfim algo que demonstrasse ausencia de cuidados consigo ou com o material a si distribuído.A hora da saída,após um dia de trabalho,era o momento de suspense,pois existia sempre o temor de quem seria o oficial responsável pela revista de uniforme e de como estaria o humor dele,se muito exigente ou de bom humor,liberando pequenos defeitos.Muitas vezes havia implicancia com o cabelo ou barba e o candidato a ir para casa voltava duas/três vezes,muitas vezes com o sangue escorrendo do rosto,de tão escanhoado ou com o sapato brilhando mas não satisfazendo o oficial responsável.Dentre os demais oficiais,comandantes das outras escolas,mas todos instrutores,tinhamos na sexta,o temido Capitão Ortiga,vibrador,um dos que mais massacrava na hora de saída,levando até algodão para passar na barba do aluno e ai se ficasse um fiapo no rosto,na sétima,o Capitão Lacordaire,boa gente,meio avoado,na oitava, o Capitão Pontual,outro vibrador,um baixinho temido,que chegou a general,na nona,o boa praça,Ten.Magno,que tinha feito CPOR e depois se entusiasmou e entrou para a AMAN e por isso entendia bem quem eramos nós e a nossa,a décima,com o Capitão Beliard.Madeira

2 comentários:

  1. Curioso como todos esses procedimentos - algodão na barba, kaol na fivela, vinco nas calças, pernoite etc - se mantiveram décadas depois, inalteráveis pela disciplina militar.

    Mas faz tempo que os soldados passam a metade do ano de serviço caiando meio-fio e árvores e sendo liberados ao meio-dia.

    CAIO

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  2. Isso porque os imbecis que estão no Governo não serviram ou não entenderam a escola,na paz,que são as FFAA e que com mais recursos,fariam um trabalho excelente de formação de cidadãos brasileiros...

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