segunda-feira, 15 de março de 2010

1963 e a ida para a Interpol

Afastado da GEB,lotado na Interpol,onde cheguei em meio de uma tremenda celeuma,com o afastamento do chefe,o Delegado Egberto Assunção,por ter prendido ilegalmente e torturado uma quadrilha,composta de três estrangeiros,um grego e dois libaneses,que tinham iludido um garimpeiro e tomado dele um diamante grande,o maior já encontrado no Brasil Central,que nunca foi encontrado(dizem que eles o venderam para Onassis,o rico armador grego)apesar de tudo que foi feito irregularmente pela nossa Interpol,nessa gestão,que incluiu até viagem ao Uruguai,clandestina,lugar para onde eles tinham fugido.No lugar do Dr.Egberto assumiu outro Delegado Dr. Edson Lasmar,um mineiro tranquilo,sério,humano,inteligente a ele apresentei-me e dentro de uma reestruturação assumi a chefia de uma das duas seções da estrutura do BCN(Bureau Central Nacional),que era a Seção de Estudos,responsavel.dentre outros,pela condução de todos os trabalhos de catalogação de criminosos internacionais e efetivação das diretrizes de busca dentro do Brasil.A outra seção era a de Informações que expedia as ordens de busca e as executava no País.Encontramos os arquivos e a funcionalidade da Interpol uma bagunça,em especial seus arquivos,que eram o coração dos trabalhos.Como eu tinha saído de um regime de trabalho pesado,com escala 24 horas e expediente administrativo nas folgas,pois era o sub-comandante da SE,fiquei me sentindo meio ocioso e tratei de compensar trabalhando aos sabados e até aos domingos na organização da minha seção e de todo o BCN,até para poder continuar a ir ao Rio todo mês,durante um minimo de uma semana,para não interromper meus estudos de Direito,para o que recebi todo o apoio do Dr.Edson Lasmar.Também nessa época tive de mudar do quarto que morava com o Fernandes,pois além de estar afastado do quartel,o Fernandes tinha se casado e mudado para um ap que tinha arrumado na Asa Norte,direito que era dado aos servidores federais que se casavam,já estando em Brasilia ou que se mudavam do Rio para lá.Consegui arrumar autorização para ir morar em um posto de identificação existente na quadra 412-sul,que não tinha sido implementado e portanto estava vazio.Assim fiquei proprietário de um pequeno prédio de alvenaria,em uma região habitada,composto de dois espaços,um virou meu quarto,para o qual levei meu pequeno enxoval de moveis,o outro ficou vazio,tendo ainda um hall de entrada e um banheiro com até banho quente.Que melhora...Enquanto isso Brasilia e o Brasil viviam um tremendo caos administrativo,com a gestão desastrada de Jango e seus asseclas,onde a indisciplina imperava e o sindicalismo dominava,com lideranças despreparadas dando as cartas e eu desperado como agora,que isso tudo está se repetindo.Solidão era o nome do que eu estava passando,vivendo sozinho e ficando sozinho,sem as minhas peladas,saindo só,indo ao cinema ou a um futebol esporadicamente,enfim a vida ficou uma merda,nesse final de ano.As idas ao Rio é que amenizavam,com as idas ao Maraca,visita a turma,já sem namorada,pois era impossível manter o namoro de forma intermitente,mas com a atenção dos meus pais.Namoro em Brasilia era impossível,pois as mulheres de lá já eram casadas,as funcionarias ou então eram para.....,o que já não fazia muito minha cabeça,aos 24/25 anos,pois já tinha aprontado tudo que podia com mulheres,tanto no Rio,como no inicio da minha chegada em Brasilia,com idas,nas folgas a zona e frequentando uns aptos de telefonistas na 412-sul.Nessa época minha diversão máxima era jogar meu futebol e foi então que conheci um gaúcho,jornalista,com quem depois convivi muito,pois foi trabalhar como fiscal de censura e que era reporter de campo nos eventos desportivos de Brasilia,gente finissima,casado com a Sonia,que também trabalhava no DFSP e que faleceu jovem e que hoje,como pioneiro na cobertura esportiva local é nome do principal ginasio desportivo de Brasilia:Nilson Nelson.Contam que no inicio da carreira de reporter Nilson Nelson,cobria um jogo no campo do Guará e ao ser indagado pelo narrador sobre a contusão de um jogador,que estava sangrando na canela,ele entusiasmado respondeu de volta"é verdade o atleta está com um arranhado na perna,donde está correndo o precioso líquido"(ou seja o cara tinha água e não sangue nas veias).Enfim mais um ano de vivencias e aprendizagens,dificeis,mas válidas.Madeira

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