segunda-feira, 1 de março de 2010

O CPOR/RJ

15/12/1959 a 31/07/1961,dois anos de estudos teóricos,em sala de aula,puxados e de prática através de exercicios de campo,desde jornadas(um dia ou noite inteiros)a acampamentos(sete dias),marchas,tiro real,enfim tudo o que era necessário para formar um oficial de Infantaria do Exército Brasileiro.O curso dividido,na época,em dois anos e dentro destes em períodos continuos(os em que as atividades eram durante os seis dias da semana),que correspondiam aos períodos de férias academicas e em períodos descontinuos(atividades aos sabados e domingos),que correspondiam as datas de aulas nas faculdades,ou seja,o primeiro de dezembro a fevereiro e em julho e o outro nos demais meses de aulas,lembrando que isso era assim por só poder fazer o CPOR quem já estava cursando curso superior.No primeiro ano aprendia-se a formação básica militar,tal como os regulamentos militares,ordem unida,tiro,maneabilidade e as atividades mais básicas,incluindo faxina de alojamento,de banheiros,guarda de quartel,tal como se fosse um soldado.Já no segundo ano estudava-se as disciplinas referentes a comando como topografia,comando/liderança,planejamento,politicas militares,combate,sendo as mesmas exercidas,tendo os alunos do primeiro ano como subordinados e tendo-se a graduação das atividades pelas notas,ou seja baseado,como tudo nas FFAA,pelo merecimento.Vejam uma pequena diferença do primeiro para o segundo ano:naquele nas marchas você era um subordinado e carregava o amigo inseparavel do soldado,o fuzil,enquanto no segundo ano,a pistola no coldre,na cintura,uma diferença de dois/três quilos...Bem,escolhi a Infantaria,por desejar ser um guerreiro e como bem o diz o lema do infante,poder,quando em combate,ver o branco do olho do inimigo,o que só o infante pode.As demais armas e serviços combatem a distancia(o que é importante e sem as quais o infante não poderia ir ao ataque em condições favoráveis),mas é o infante que combate no corpo a corpo e que ocupa e assegura a ocupação do terreno,portanto algo diferenciado e que assegura a Infantaria,dentro do Exército,o justo título de "Rainha das Armas".Vibrei e muito durante todo o curso,esforçei-me,estudei,cumpri,todas as missões individuais e dei o melhor nas coletivas,terminando o curso como terceiro colocado da Infantaria,sobre 250 alunos e com isso recebendo a espada,de presente,dada por um General,na tribuna de honra do estadio de São Januario,campo do Vasco,onde era a formatura então,dos cerca de 500 aspirantes formados a cada ano.O CPOR tinha sempre 500 alunos de Infantaria,100 de Artilharia,100 de Cavalaria,100 de Engenharia e 100 de Intendencia,sempre metade em cada ano,com um total de 1000 alunos-oficiais em seu quartel,em São Cristovão,encostado no portão da Quinta da Boa Vista de São Cristovão,onde realizavamos nossos exercícios físicos e de ordem unida(marchar),alem de fazer nossos desfiles nas datas cívicas.O CPOR também tinha todo ano olímpiadas,com os esportes de quadra(futebol de salão,volei e basquete)e minha escola,a décima(era em ordem alfabética a alocação do aluno nas escolas ou pelotões,cada um com 50 componentes) marcou época por ser campeão de futebol de salão nos dois anos e invicta.Tinhamos um timaço,jogando com o Wilton(o 1250)como parado,muito forte,o Uagir Matouc(1238/Gico)ala direita,eu(1237/ala esquerda)e o Rufino(1219/atacante,muito rápido),além do Sebastião(1235),que entrava na frente ou como ala,passando eu para parado.Nem lembro quem era o goleiro,pois o time era muito bom,sendo o Gico,craque,juvenil do Botafogo e o Rufino do Vasco.Meu nome de guerra foi me imposto como Madeira e a partir daí seguiu-me por toda a vida e o foi pois por costume do EB,o mesmo é dado quando você se apresenta e de preferencia sendo um sobrenome e antes de chegar ao T,teve um Dias na sexta escola.Assim se tivesse tido um Madeira antes eu teria de ser Theotonio.A minha rotina para chegar ao quartel e iniciar as atividades diárias era sempre a mesma:acordava às quatro e meia da manhã,após deixar de véspera a farda impecável(eu mesmo a passava,bem como engraxava os sapatos e os coturnos,além de fazer brilhar com kaol a fivela dos cintos),fazia a barba,já tendo o cabelo cortado semanalmente a máquina zero,descia,após o banho e vestir parte da farda e ia pelos fundos da padaria pegar pão quentinho,para tomar com café e leite por mim preparados,pois não acordava meus pais,dormindo inclusive com o despertador,daqueles antigos,com duas grandes campaínhas debaixo do travesseiro,para não acordá-los.Após isso na faixa de cinco e quinze da manhã saía de casa e ia a pé até o fim da rua Antonio Basilio,cerca de cinco minutos,onde entrava à esquerda,passando em frente ao quartel da Policia do Exército,na esquina da Barão de Mesquita com a Pinto de Figueiredo,onde pegava o bonde das cinco e meia(ou o 69/Aldeia Campista ou o 70/Andaraí)até a Praça da Bandeira,onde saltava e ia a pé até o quartel,passando em baixo do viaduto em uma andada de mais uns dez minutos.No quartel era só ir para o vestiário e lá trocar,rapidamente,a farda de passeio pela de instrução,de maneira a estar pronto no pátio,cerca das seis horas,para a formatura diária às seis e dez.Era muito gostosa essa rotina,compensada pelas atividades do QTS(quadro de trabalho semanal),onde estava escrita a programação da semana,com seus horários,uniforme,sala e instrutor.Madeira

Nenhum comentário:

Postar um comentário