segunda-feira, 29 de março de 2010

Antes do novo ciclo,as recordações da carioquice

O que eu deixava para trás,aos 27 anos e a definitiva decisão de deixar o Rio e "esquecê-lo".Deixava para trás uma série de comportamentos,fruto de infantilidades e da adolescencia,deixava meus pais,o lar paterno,os locais que frequentei e frequentava e estava deixando a solteirice.Mas o que eu levava no meu interior? Lembranças,recordações gostosas,nostalgia,muitas vezes vontade de voltar no tempo e fazer de novo as coisas que fazia com tanto gosto.Vamos então marcar as principais.Na primeira infancia,até os onze anos quando fui para Portugal,lembro e relembro do sobrado da Padaria Lais;das refeições com meus pais,ele sempre muito bem vestido,sentado a cabeceira da mesa,ensinando os comportamentos corretos,nesses momentos;do meu quarto,imenso,com minha cama e a de Sidonio,lado a lado;a presença dele nas férias da AMAN,sempre amigo,companheiro;das surras,sempre merecidas recebidas de meu pai,por falhas comportamentais em assuntos que ele já tinha antes explicado-me qual o comportamento correto;dos meus ataques na padaria aos bolos,balas,refri,em especial ao Grapette(quem bebe,repete),ao Crush,à soda limonada Antartica,ao guaraná Brahma,os principais então;de acompanhar na radio Nacional,em um,à época,moderno rádio a válvulas,que chiava uma barbaridade,os seriados "Anjo",o detetive e "Jeronimo",o heroi do sertão,sempre justiceiros,vencendo o mal;dos meus jogos de botão,jogados no tapete da sala de visitas,com pedras de damas,ou seja os brancos contra os pretos;as visitas aos principais amigos de meus pais e as brincadeiras com os filhos deles,o Luiz João,filho de Seu Joaquim e dona Adelaide,os filhos do compadre de meus pais,seu Gomes,que também era o guarda-livros dele(contador era assim chamado então),o Tinho e a Maria Regina,que era a afilhada de batismo de meus pais e sem que eu soubesse e quizesse a escolhida por eles para ser minha esposa e com quem eu nunca quis nada e meus primos Paulo Cesar,Afonso Celso e José Eduardo,filhos de minha madrinha Adir e meu tio Abel;a minha tia Herminia,gorda,imensa,fisicamente e em bondade e carinho para comigo;o estudo do primário no colegio de Santa Therezinha de Jesus,no Largo da Segunda Feira,de freiras,indo de condução dirigida pelo seu Antenor,um coroa que sofria com a algazarra que faziamos a bordo;os almoços dominicais na casa de meu avô Madeira,com todos os filhos e netos dele reunidos em torno de uma mesa imensa(eramos muitos,uns quinze a vinte)e sempre depois com uma ida a pé para o Maraca,ver o clássico do domingo,levado pelo meu tio Arthur e o Sidonio,este apenas nas férias dele,com um significado especial quando era jogo do Fluminense,pois o meu tio Arthur,também meu padrinho,era Flu doente;das lições de aritmetica de meu padrinho e tio Arthur,referente as quatro operações,que eu já sabia do colegio,mas que ele teimava em ensinar-me e dando-me macetes;dos bondes,abertos,frescos,alegres;os lotações,corredores,andavam loucamente,cortando os bondes e os onibus,estes bem lentos;os carros todos americanos,grandes e pretos:cadillac,rabo de peixe,um luxo,buick,pontiac,oldsmobile,chevrolet,ford,nash, com alguns pequenos europeus,também pretos,volvo(sueco),fiat(italiano)hilmann,citroen(com a mudança em cima,próximo ao volante),onde aprendi a dirigir,pois Sidonio tinha um;carros brancos,tipo limusine,somente para casamentos;minhas peladas com bola de meia com Sidonio,quando em casa,no terraço do sobrado,onde moravamos...Já de Portugal,marcaram-me,os "passeios"em carros de boi,com direito a eu ao espicaçar os bois fazer com que uma vez,ocorresse um capotamento,do qual me safei pulando antes dele virar;os pulos do telhado do paiol de trigo sobre as palhas que acumulavam-se após ser malhado(separado)o trigo da palha;o meu quarto no alto da casa,no vamos chamar de observatório;dos passeios pelo Porto e Lisboa;das festas juninas,com shows de fogos lindos;das festas típicas,com sua roupas coloridas e a presença das sanfonas/acordeons e músicas de letras simplórias;das mesas fartas,com grande variedade e quantidade de comidas saborosas;da estrada sinuosa,ainda de terra,que liga Argeriz a Valpaços,que pela poeira anunciava a distancia a vinda de carros...Madeira

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