segunda-feira, 2 de agosto de 2010

As dificuldades do meu retorno:81/1

Cheguei em Vitoria,com uma pequena bolsa de mão,sem lugar para morar,nem emprego e tratei de me virar,conseguindo logo um quartinho,alugado de um ex-colega da PF,hoje advogado militante,então papiloscopista,Valdir.Ele morava com a esposa,também papiloscopista,sós,em um ap,no prédio da então Yung,hoje Ricardo-Eletro,na avenida Princesa Isabel e eu lá fui morar,tendo como mobiliario apenas um colchão de solteiro,no chão.A pouca roupa era colocada também no chão e a comida era o que dava para comer.Fui a FAESA e a UVV,onde tinha turmas e apresentei-me sabendo que por estar quase em abril,só poderia voltar em agosto,no segundo semestre,mas tratando de segurar turmas,que de fato vieram,mas na área de administração,pois as de Direito,que eu era o titular,ficaram com o Egydio.Voltei a ACADEPOL e de imediato consegui várias turmas,pois estavam começando vários cursos de formação e eu tinha tempo e prestigio.Enfim fiquei mais tranquilo,pois não passaria mais fome.As noites estavam livres e eu não podia só ficar chorando de saudades de TE e das crianças e de arrependimento pelas minhas atitudes.Assim,por sorte minha,o Diretor da Academia,Dr.Valdir Vitral,que era professor da FADIC,Faculdade de Direito de Colatina,levou-me lá e tinha,em pleno abril,uma vaga para professor de EB,Estudos Brasileiros,face a titular,por motivos particulares,professora Hilaria Pergentino,esposa do dono professor Pergentino,ter de se afastar da sala de aula.Peguei no ato e assim as segundas feiras eu ia na kombi da FADIC,para Colatina,saindo às dezessete horas,onde dava aulas e voltava,chegando no meu quartinho cerca da uma da manhã.Às sextas feiras repetia,mas dormia lá,no alojamento da Faculdade,voltando depois do almoço,por conta da Faculdade,chegando em Vitoria cerca das quinze horas.Lá conheci e convivi com alguns luminares do Direito espiritossantense,como os depois desembargadores Adalto Tristão,Jorge Goes,Sergio Bizzoto.Aos domingos normalmente almoçava no Egydio e telefonava para Te.Foram quatro meses de muitas dificuldades,falta de dinheiro,tristeza,dúvidas, muitas dúvidas sobre meus comportamentos e sobre o futuro de minha familia...Porém,graças aos meus mentores,mesmo sem que eu o merecesse,uma luz abriu-se a nossa frente,pois vi em um anuncio,um recrutamento para ser analista de segurança patrimonial da então em construção CST-Companhia Siderurgica de Tubarão.Em junho,próximo ao retorno do pessoal,com a promessa de entrega de nossa casa pelo inquilino,com quem eu tinha contatado e informado dos meus problemas e que aceitou sair da casa,um pouco antes,sem qualquer multa de qualquer das partes,fiz a seleção e passei,o que com o meu curriculo não deve ter sido muito dificil,pois tanto nas entrevistas,como nos exames fisico e psicologico saí-me bem.Assim,quando o pessoal todo voltou do Ceará,as coisas já estavam melhores,com a nossa casa de volta,idem as aulas nas faculdades,para agosto e um emprego novo e decente,que comecei em julho de 81.O maior trabalho foi o de recuperá-la,pois estava meio bagunçada,mas só ter conseguido que o inquilino saísse sem maiores problemas,já valeu.Será que eu aprendi algo?Acho que não,que ainda fiz mais algumas merdas,mas sempre com uma proteção maior do que eu merecia e mereço...Madeira

Um comentário:

  1. Curiosidade e coincidência: justamente nesse prédio (com a Yung no térreo) eu, em 84, fui fazer o integrado (cursinho + 3º ano) no Promove - naquele andar inteiro transformado em salas de aula.

    CAIO

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