sexta-feira, 23 de abril de 2010
1968:começam as mudanças profissionais
1968 no inicio repetia o ano anterior,mas o combate a subversão e o engajamento da PF no combate a mesma,levou a Alta Direção da PF a resolver centralizar as informações em um órgão novo,deixando na DOPS apenas as operações,ou seja,um órgão de inteligencia e um de ação,pois ambas as ações eram feitas pela DOPS/PF,na área federal policial.Para não mexer na estrutura e face a já existir na mesma uma Divisão de Operações,órgão da Direção Geral,onde havia,três serviços,um de Informações,onde situava-se a Interpol,outro de Planejamento e o terceiro de Operações,todos lá existentes apenas para casos de grandes operações,que extrapolassem as divisas estaduais e/ou as fronteiras do País,sobrou para mim,dentro do meu setor,dividí-lo em dois,uma parte para continuar a atender a Interpol e outro para passar a desenvolver os serviços de inteligencia de mais alto nível,ou seja de centralizar,analisar e emcaminhar os dados de casos que ultrapassassem esses limites,para os demais órgãos de informações das cúpulas dos órgãos de segurança e para o SNI e abastecer a Direção Geral de tais dados,a quem cabia determinar as providencias,que em principio eram a de o serviço de planejamento elaborar e o serviço de operações coordenar as ações.Nenhum dos serviços fazia ações/operações,apenas as "craneavam" e acompanhavam.Bem,ordem dada e cumprida,designei o Paulo Brum,já com experiencia total e dominio das coisas da Interpol,para chefiá-la e trouxe um novo colega,o Dórea para ajudar-me a montar as novas atividades,ficando assim com duas linhas de trabalho,antagonicas,pois a Interpol é proibida pelo seu regulamento geral de tratar de casos politicos,mas deu para fazê-lo.Então para minha surpresa,no segundo trimestre fui matriculado,sem consulta,juntamente com o Dórea,em um curso de inteligencia,de formação de analista(não era operacional)de informações,com duração de seis meses,no Centro de Estudos de Pessoal do Exército,no Forte do Leme,no Rio de Janeiro,destinado apenas oficiais das FFAA,a partir do posto de capitão.Com uma baba de diária,além é óbvio dos salários,mais as passagens aéreas,vendi o Gordini e mandei-me com Te e Caio para o Rio e alugamos um apto de temporada na praia do Leme,na rua Gustavo Sampaio,próximo ao forte e a uma quadra do mar,para estudar.O curso foi sensacional,dificil,no sistema de ensino militar,que eu já conhecia bem por causa dos dois anos de CPOR,formatura de madrugada,estudo o dia todo,provas dificeis,uma em cima da outra,sempre objetivas,com a papirada de estudo grossa,verdadeiros calhamaços,que eu estudava andando no calçadão da Praia.Disciplinas tais como tudo sobre a ideologia comunista,as ações de defesa contra as atividades de subversão,sabotagem,espionagem, ataques terroristas,entradas e penetrações,técnicas de entrevista e interrogatório,com a parte desportiva sempre,sendo lá o basquete predominante(aprendi atá a jogar direitinho),pois o comandante gostava de jogá-lo e colocava os alunos oficiais para jogarem com ele(o comandante era o então Cel Otavio Costa,depois General Chefe da Comunicação Social do Governo).Também tivemos parte práticas,mas nunca houve ou ocorreu qualquer treinamento ou incentivo a prática de tortura ou ao cometimento de qualquer comportamento anti-ético ou imoral,o que aliás munca um membro das FFAA brasileiras faria.Daí a certeza,pelo conhecimento de todas as operações feitas e do preparo dos nossos oficiais eu poder desmentir todas essas acusações feitas pelos que se dizem vitimas de algozes da "ditadura",que não houve em nosso País,havendo sim,mas negada por eles,em Cuba,por exemplo.Quando no Rio,frequentando o curso,ocorreu uma operação,particular e inesperada,feita por mim e pelo Dorea,a pedido dele.Ocorreu que em determinado dia a irmã dele o procurou chorosa,desesperada,pedindo para que ele recuperasse a filha,sobrinha dele,que estava sob o dominio de um espanhol,dono de um puteiro na rua do Catete,mascarado de hotel,que a obrigava a se prostituir.O Dorea me pediu apoio e de posse do endereço lá fomos nós.Após imobilizar o porteiro com a carteirada e o revolver em punho,o forçamos a levar-nos até o aposento do cafetão.Entramos sorrateiros no quarto e ouvimos gritos no banheiro.Meti o pé na porta e encontramos o cafiola trepando dentro da banheira,cheia de água(não era a sobrinha do Dorea)e demos um monte de gritos e mandamos ele ficar quieto,o que foi ridiculo,pela situação.Desengachado da mulher que estava no colo dele,mandamos ele ficar de pé e ela e eram duas figuras ridiculas,ela bem baranga e ele careca,baixinho,gordinho.Após eles vestidos o interrogamos e ele confirmou que ela estava sob a guarda dele e que tinha de faturar diariamente uma quantia x.Ficamos lá com os três detidos,esperando ela vir ao hotel,o que ocorrendo a levamos,após dar um cagaço nele(maior ainda que o susto na banheira).Foi hilário...De volta a Brasilia,ao trabalho e ao lar,tratei o resto do ano de organizar,nos moldes determinados e aprendido o novel serviço de inteligencia da PF,do qual orgulho-me de ter sido o primeiro cabeça,que depois foi chamado de Centro de Informaçõese hoje é a Divisão de Inteligencia da PF.Portanto trabalho duro e duplo,tendo inclusive perdido a reunião anual da Interpol,que ainda bem foi no Rio de Janeiro.No comando do denominado SI/DO,ou seja centro de informações da Divisão de Operações da Direção Geral tive ocasião de ajudar o Levy,a quem tanto devia e ainda devo.Ele já médico,trabalhava também em Paracambi e um curandeiro ou algo semelhante começou a criar problemas com ele,recem chegado a localidade.Ele relatou-me o fato e eu expedi um pedido de busca contando a historia e o cara foi preso pelo pessoal da nossa SR/Rio e saiu de circulação,resolvendo-se o problema.Em outubro com o aumento das violencias pela esquerda armada e covarde,com assassinatos de autoridades estrangeiras,sequestro de diplomatas,mortes de policiais,sem chance de e defesa,como a de um tenente nissei da PM/SP,veio o AI-5,que acompanhei da sala da Direção Geral e um 1969 pesado.Madeira
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