quarta-feira, 7 de julho de 2010
O ano de 79 e suas dificuldades
Um ano de muito trabalho e amor,união no lar.No trabalho,mesmo com a correria para atender TE e as crianças,conseguimos com muito trabalho fazer a SR deslanchar,com muitas reuniões,trabalho diuturno,acompanhamento de todas as operações,sem faltar ao trabalho e ainda acompanhando algumas operações,mais delicadas,tudo isso com muita dificuldade pelo nível de preparo dos delegados,pois era a maioria de final e desinteressada carreira.Tinham inclusive o costume de entregar tudo para o escrivão fazer,apenas assinando e onde o escrivão determinava.Tive de marcar em cima e até ameaçar essas partes para cortar esse costume.As noites aulas nas faculdades,com bom retorno nas avaliações de alunos e direções.Também fazia palestras na ADESG/ES e em colégios particulares sobre drogas.Tive a sorte de voltar a ter Egydio e Ivone junto de nós,pois ele,por motivos particulares tinha resolvido sair de Lorena e pediu-me para arrumar para ele vir para o ES.Com o meu restinho de prestigio consegui fazê-lo e com isso tivemos o apoio deles aqui junto a nós.Foram durante todo esse tempo de lutas companheiros de todos os momentos,tanto de dificuldades,quando estavam ao nosso lado,com o Egydio sempre que pedido doando sangue para TE,como para os de lazer,em churrascos aos domingos,nas diversas praias de Vitoria.Inclusive consegui para o Egydio também dar aulas nas faculdades.Nesse ano fui procurado pelo Secretario de Segurança Pública Gen.José Parente Frota que pediu o auxilio da PF para reabrir a Acadepol, Academia de Policia Civil,para o que pus-me ao dispor.Foi nomeado para reativá-la um juiz de direito aposentado,inteligentíssimo,de quem tornei-me um admirador,o Dr. Valdir Vitral.Com isso,valendo-me da minha experiencia na ANP,onde montei inúmeros cursos e concursos,obviamente junto com equipes,pedi o envio de lá de todo o material de ensino policial atualizado e montamos todos os cursos que eram desejados pela SESP/ES.Como o prédio da Acadepol estava sendo construído na Reta da Penha,atrás da sede da Policia Civil,o primeiro curso nessa reinauguração da Acadepol,de aperfeiçoamento de datiloscopista policial foi dado no pequeno auditório da SR,pois eram cerca de dezoito alunos e das oito disciplinas eu lecionei sete,ficando apenas uma especifica dessa área de atuação policial,que foi ministrada pelo nosso chefe do setor de identificação o Dr.Valdir,já aposentado e hoje conceituado advogado em Vitória.A formatura foi no auditorio do Detran e eu fui o paraninfo da turma.Depois desse fui professor e ajudei a preparar "ene"cursos, durante décadas.A relação com as policias estaduais,tanto a militar como a civil eram boas,em especial com o Cel Sebastião,chefe da DOPS/ES,o então Ten. Mario Natali,então Diretor Geral do DETRAN e com os delegados estaduais.Dentre estes o mais famoso era o delegado titular de crimes contra o patrimonio,Claudio Guerra,muito mal afamado,com quem só tive um encontro,não muito amistoso,mas que só redundou em um afastamento.Este fato ocorreu quando furtaram a bicicleta do Caio,pulando o muro lá de casa,antes de Te reformar a nossa casa,subindo os muros e colocando grades.Fui então a delegacia de crimes contra o patrimonio,onde recebido pelo Claudio Guerra,para registrar a ocorrencia e solicitar diligencias,inclusive levando a nota fiscal da bicicleta.Claudio Guerra recebeu-me e disse que eu não fizesse ocorrencia e levou-me a um deposito com dezenas e dezenas de bicicletas apreendidas e disse-me que escolhesse uma,a que melhor me atendesse e levasse,o que seria mais fácil.Agradeci e fui embora,sem mais comentarios.Bem,o mais dificil do ano foi para TE,que face a não poder beber muita água,nem comer sal e as hemodialises,foi definhando,chegando a pesar pouco mais de trinta quilos,ficando sem forças,a tal ponto que no segundo semestre do ano,nos dias da hemo,não conseguia descer,nem subir as escadas do segundo andar,onde moravamos ao terreo e eu a levava,em ambas as vezes,no meu colo.Durante a tarde do dia em que ela fazia a hemo,ainda tinha algumas forças,mas no dia seguinte estava abatida,permanecendo a maior parte do dia deitada.No entando nunca desanimou e nas noites,deitada,nos meus braços,sempre dizia que ia viver pelo menos até fazer as festas dos quinze anos das meninas(conseguiu muito mais).Também quando informada que a única saída era o transplante e de pessoa viva,de parentesco junto(ascendente ou fraterno),pois o de morto,ainda não estava regulamentado e existiam muitas dúvidas sobre compatibilidade,negava-se a aceitar essa ideía,pois dizia que era mutilar uma pessoa viva.Com isso e com a força espiritual começou,com nosso apoio,meu e de Dona Hilda a procurar orientação espiritual.No ES visitamos vários lugares,inclusive um padre paraplégico em Cobilândia,que diziam que fazia milagres e a casa espirita do IBES,com um cego,que trabalhava com psicografia,o Julinho.Fora ela viajou comigo para Porto das Caixas,próximo a Itaboraí,onde também havia um milagreiro,esteve levada pela madrinha,dona Arlete,com Chico Xavier,estivemos com Zé Arigó,em Palmeira,próximo de Recife,apoiados por um grande companheiro de lá,o Major Hiram,que tinha feito o curso no CEP comigo,Levy veio aqui vê-la,estivemos no Rio,no galpão do Curtume Carioca,onde era recebido e fazia operações espirituais o Dr. Fritz(esqueço o nome do medium),enfim foi uma peregrinação na qual procurei apoiá-la em todas as buscas,até ela convencer-se que tinha de fazer o transplante.Dona Hilda desde o inicio queria doar um dos rins para TE,mas ela também não queria pela idade dela e por entender que ela já tinha pouca saúde.Ismael sondado,já residindo no Ceará,simplesmente deixou de atender nossas ligações telefonicas e não havia outra possibilidade.Daí,com tanto sofrimento e como todas as buscas de cura espiritais tiveram como orientação que a cura dela era terrena,ela concordou em fazer o transplante.Fomos então até o Rio consultar com o maior médico de rins do Brasil,referencia mundial,Dr.José Vicente e ele confirmou que o transplante e de irmão ou pais era a saída e com menos risco de rejeição.Não nos faltou durante todo esse tempo de angústia o apoio espiritual vindo através da mediunidade de dona Hilda,que volta e meia,nas horas de mais dúvidas,em especial às quartas feiras,dia de preto velho,recebia,no nosso quarto o meu mentor espiritual,Pai José,que sempre dava passagem ao compadre seu Boiadeiro,ambos sempre nos animando,com muito carinho e amor.Confesso que me fazia muito bem e que tenho saudades dos papos com Pai José.Convencida de que a cura era na matéria e que nada podiam fazer os espiritos fez-me TE um pedido,pois tinha então certeza de que iria fazer o transplante e que ele iria dar certo:queria fazê-lo e ir morar em casa própria,com algo dela e para ela cuidar.Outra guerra,procurar casa e como ela gostasse.Pois não é que essas decisões foram todas tomadas em novembro e em poucos dias ela tinha localizado a casa que queria,perto da SR,em uma rua tranquila,sem movimento,a avenida Nossa Senhora das Graças 40,que estava a venda.Usei todos os meus conhecimentos e o cargo,me virei,consegui os documentos e o financiamento junto a CEF e como o dono já estava com a nova morada pronta e doido para morar,acertamos tudo e ela marcou a mudança para o dia 18 de janeiro e o transplante para o dia seguinte 19 de janeiro.Que mulher admiravel e corajosa...Madeira
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