sábado, 17 de julho de 2010

Setembro de 80 e a saída doída da PF

Com Terezinha,ainda que com muitas restrições pela proximidade do transplante e com muito medo dos médicos de uma rejeição,mas sentindo-se melhor a cada dia,com ânimo,fomos tocando a vida e eu dedicando-me ao trabalho e brigando com todo mundo,face ao meu sonho de uma policia perfeita.Perfeita como?Sem influencias politicas,sem atendimento a pedidos de pessoas ditas influentes,que não visse a cor ou categoria social das pessoas objeto das apurações,que tratasse efetivamente a todos com atençâo e educação,na qual houvesse clareza nas responsabilidades,uma forte hierarquia,mas uma hierarquia baseada no exemplo vindo das lideranças,dos chefes maiores e sem a presença de sindicatos,de greves,de corporativismo e sem uma clara divisão de grupos tentando dominar a corporação(esta já estava acontecendo) e de qualquer prejuizo ao povo em geral,o que eu via claramente estar para acontecer.Através do que podia eu reclamava à ADPF e não aceitava nada desse tipo.Tive um grande problema ao prender duas socialites,uma filha de um deputado e outra do prefeito da capital,por problemas tributarios e cada dia mais sentia que a revolução tinha acabado,com o Figueiredo fazendo e aceitando conchavos politicos,dando forças aos politicos,em nome dessa pseudo democarcia em que vivemos,na verdade uma tremenda e injusta demagogia,onde os fortes,os ricos,os dominantes economicamente,que são sempre os mesmos perpetuam suas vantagens.Eu que já tinha representado como assessor do DG contra ele algumas vezes,estava sofrendo e desanimado e então com um salario muito pequeno,que complementava com muito esforço dando aulas a noite nas faculdades e em cursinhos aos sabados.Então veio a gota de água,o final de tudo.No mês de agosto,próximo ao final,em uma operação contra tráfico,uma equipe nossa trocou tiros com um traficante,que levava junto esposa e filhos e morreu uma menina que estava com ele,em um sabado a noite.Fui de madrugada para a superintendencia,assumi a apuração,determinei a instauração do inquerito policial para apurar os fatos e lançei no livro de ocorrencias do delegado de dia,conforme era de minha responsabilidade como coordenador policial,mantendo a imprensa afastada do caso.Na segunda apresentei o relatório ao SR e ele virou o bicho comigo esculhambando-me e eu não aceitei e parti para o confronto,pois as medidas eram de responsabilidade policial e não administrativa.Simplificando a história,sem que eu soubesse ele solicitou a Direção Geral a minha suspensão por trinta dias e eu trabalhando normal,ainda que sem dar muito papo a ele.Então já com a punição publicada em boletim reservado,mas que todo mundo acabava sabendo e em todo o Brasil,fui chamado a sala do SR e lá estavam todos os delegados reunidos,para tomar conhecimento da punição que seria lida pelo corregedor.Uma tremenda traição,desmoralizante,que me obrigou a entregar o cargo de coordenador policial,por vergonha,por amor próprio.De imediato afastei-me do serviço e derrotado,acabado,com um imenso amor pela instituição que tinha ajudado a criar,que tinha me entregue de corpo e alma,com prejuízo de todos ao meu redor,em especial de minha familia e fui para casa chorar.Após algns dias de pensamentos tentei me mexer e reverter a situação,mas em Brasilia,mesmo aqueles que me conheciam,na quase totalidade,à exceção de um ou outro como o Marco Antonio,depois também injustiçado e do Anconi,diretor da ADPF,viraram as costas para mim,tendo o DG,o Moacir Coelho negado me receber e mandado a Vitória para saber na verdade o que tinha acontecido(porra após ter assinado a minha punição),um certo Walter Dias,corregedor,que era amigo intimo do SR,o Alexi Daher.Ora,a emenda pior do que o soneto.Fui lá,depus para o esse tal de WD,sabendo que nada adiantaria e senti que o que iria acontecer seria eles no fim acabarem por me demitir e me colocar na rua,pois havia o clima de corporativismo e eu nunca filiei-me a nenhum grupo,muito menos e esse então dominante,dos delegados antigos,oriundos da policia dos distritos de Brasilia,que inclusive tinham birra com os tenentes da GEB,grande parte então já delegados,pois achavam que nós(eu não pois não fazia parte de nenhm grupo)iriamos derrubá-los.Nessa altura Terezinha que acompanhava minha angústia,o sentimento de dor de injustiça por mim sentidos,sem que eu soubesse,tinha sabido pelo Egydio que estava havendo uma reunião de delegados na SR com o WD,para assuntos diversos,fonou para o Alexi e começou a falar com ele ao fone e deixou-o pendurado no fone e correu para lá(moravamos atrás da SR,minutinhos a pé)e invadiu a SR,meteu a mão na porta do gabinete do SR e esculhambou com eles todos,desde o Alexi pela covardia,ao WD pelo maucaratismo e aos delegados locais pelo medo de comentarem qualquer coisa a meu favor.Acabado de falar virou as costas e voltou para casa.Quando eu cheguei em casa e soube fiquei a um tempo orgulhoso dela e do amor que ela nutria por mim e por outro todo torto pelas consequencias e que vieram,pois foi instaurado um inquerito contra ela,no qual eu fui depor e que não deu em nada porque eu liguei-me com Brasilia e negociei com o DG,através do Coordenador Policial Central,Alceu,que era do time deles,o arquivamento desse inquerito,a minha não transferencia já decidida para o Piauí e o sem efeito na minha suspensão desde que eu pedisse demissão do DPF.Óbvio que eu tinha de aceitar pois não podia ir para um Piauí da vida,com a mulher recem transplantada,punido e perseguido e para ficar encostado.Ainda tentei uma licença sem vencimentos de dois anos para o tratamento de familiar doente,mas não aceitaram,só após eu ser removido e aí FIM do DPF.Depois de meu pedido de demissão ser publicado em boletim,foi tornada sem efeito a minha punição e pelo menos saí com a ficha limpa.Assim,no dia de aniversário de TE,17 de setembro de 1980 entrei pela última vez na SR,apenas na portaria,no protocolo geral e dei entrada no pedido de demissão,acompanhado de minha carteira funcional e da minha arma oficial.No entanto ainda tive de voltar mais uma vez ao prédio da PF para prestar um depoimento para o Egydio a pedido dele,que estava afastado de licença médica face a dores na coluna,já operada,por força do acidente sofrido,na capotagem do carro em que estava e do qual eu tinha sido testemunha e o socorrido,o que fiz e assim o ajudei a aposentar-se por invalidez na PF,o que ele conseguiu e o ajudou inclusive a quitar os dois aps,da Mata da Praia e de Guarapari,que eu tinha indicado e ele tinha adquirido financiado pelo Banestes...Madeira

2 comentários:

  1. Vendo a PF hoje, loteada pelos partidos políticos, vê-se que sair foi o melhor mesmo.

    É muita pilantragem.


    CAIO

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  2. Verdade:houve um prejuízo financeiro que repercute até hoje,mas houve um ganho moral,de vergonha na cara...Madeira

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