terça-feira, 6 de julho de 2010

A péssima chegada familiar a Vitória

Chegamos,todos de avião,em Vitória,às 18 horas,em um dia esquecido,no começo do mês de fevereiro e fomos para a nossa nova residencia,já montada e pronta para mais uma vez reiniciarmos nossa vida.No entanto,nessa mesma noite iniciava-se uma batalha pela sobrevivencia feita por Terezinha,que aí reemergiu agora não só como esposa e mãe impar,mas também como uma mulher de fibra,como aliás já tinha mostrado em toda a meninice e adolescencia,face as dificuldades de todo tipo porque tinha passado e sempre vencido.Ao estarmos prontos para deitar,cerca de 22 horas,ela começou a passar mal,com a pressão alta,dificuldades de respirar,peso no peito,um grande inchaço nas pernas e sem estar mais urinando.Comecei a buscar ajuda e quem nos acolheu e tomou todas as providencias foi o Mottinha,amigo recem encontrado e de uma dedicação especial.Ele,atendendo meu SOS telefonico,foi lá para casa com um médico amigo,que depois trabalhou comigo na CST,o Dr.Aulair,que examinou Te e recomendou internação imediata,para retirada de líquido que estava fazendo o inchaço e que fatalmente chegaria aos pulmões e a levaria a morte.Deixamos as crianças dormindo,sob responsabilidade de Joana e Motta nos levou para a Santa Casa,em um morro no centro da cidade,que não conheciamos,ao tempo em que acionava um médico amigo dele,cardiologista,que era então simplesmente o Secretário Estadual de Saúde,o Dr.Gelio Farias,dos mais renomados e competentes do ES.Foi diagnosticado que os rins de Terezinha tinham parado de funcionar e ela teve drenado o excesso de líquido retido e ficou internada,comigo ao lado.No dia seguinte,sempre conduzido pelo Mottinha,pois nada conheciamos da cidade,fomos apresentados ao dono do Hospital São José,próximo a então Rodoviária de Vitória,atrás do SESC,no centro,o Dr.Benicio Pereira,cujo hospital estava se especializando em doenças renais,já tendo inclusive realizado alguns poucos transplantes de rim e especialidade que tinha a frente o filho dele também médico,urologista,o Dr.Fabio Pereira e para lá foi Te para realizar uma série de exames que disesse efetivamente tudo que ela tinha.Veio então a resposta da medicina a pressão alta que tinha começado ainda em Fortaleza,portanto a mais de três anos ae que se descoberto a tempo poderia ter evitado tanto sofrimento dela e o depois ocorrido transplante.Enquanto isso eu tive de apresentar-me a SR e começar a trabalhar e apareceu toda a importancia e amor de Joana,que assumiu cuidar das crianças,da casa,de mim e como Te gostava,com atenção e firmeza.Com todos os exames feitos o diagnóstico confirmou que os rins não estavam mais funcionando,estando totalmente deformados,como duas uvas passas,enrugados,sem as atividades renais,daí os edemas,a falta de urina e a pressão alta.Foi então feita uma sessão de dialise peritonial,que só Te para aguentar com tanta coragem,pois tratou-se de com um tipo de sacarrolhas medicinal abrir um buraco na barriga dela e com um caninho tirar o líquido retido.Dada alta a TE e passada a medicação contra a pressão,pois esta alta iria danificar o coração e prescrita a proibição dela ingerir qualquer quantidade de sal,a obrigação de beber o minimo possível de agua e o veto a qualquer esforço fisico,além de ter em dias alternados de submeter-se a dialise,para limpeza do sangue,o que substituiria o trabalho que teria de ser feito pelos rins.Na primeira semana ainda foi feita a dialise pelo peritonio,enquanto se instalou um "chante" no pulso esquerdo dela,que iria ajudar no bombeamento do sangue quando da hemodialise.Assim,em menos de uma semana tudo estava modificado nas nossas vidas:eu em um novo posto de trabalho,em uma SR cheia de pessoal idoso optante da policia do Rio,só pensando em aposentar-se ou passar os finais de semana lá,desestimulado e desinteressado,com um chefe macaco velho em delegacia distrital e velho em idade;TE,que era muito ativa,recolhida a uma cama praticamente o dia todo,pois bem que tentava e fazia algma coisa,mas logo perdia as forças;as crianças em uma nova cidade,em um colegio novo,com tudo e todos desconhecidos,sem nenhum amigo e a nossa salvação da lavoura foi a Joaninha,que a tudo assumiu e nada deixou faltar a nenhum de nós.Em um desses momentos de Joaninha com os três deixei-a no Parque Moscoso onde tinha uma miniatura de zoológico e ocorreu um incidente com o Caio,que redundou em uma continuada gozação com ele:ele foi dar um biscoito ou algum tipo de alimento aos macacos,na jaula dos mesmos e um dos macacos na ansia de pegar o alimento feriu o mão do Caio,obrigando-nos logo que soubemos a providenciar atendimento médico e vacinação para o Caio.A gozação veio a seguir:foi a conversa de que o macaco,que não tinha sido vacinado contra o Caio,tinha morrido.Para completar o dinheiro,muito menos do que eu ganhava antes,nas outras comissões,não dava para as novas despesas de aluguel,médicos, remedios,exames,outros e tive de me virar e ir dar aulas a noite,no que mais uma vez fui apoiado pelo Mottinha que levou-me a FAESA,uma nova faculdade,apresentou-me,pessoalmente ao dono,o Dr.Antário e que empregou-me de imediato,como professor de EB(Estudos Brasileiros),que estava sem titular.A FAESA ainda ajudou-me nos conhecimentos que fiz e que valeram depois para o Egidio os dois aps que ele comprou,pois o Diretor da Banestes Crédito Imobiliário era professor lá,o Walter Pimentel e ele ofereceu na sala de professores,em papos comigo,em vezes diferentes para mim(o Egydio ainda não dava aulas lá)financiamento na primeira vez para um ap na Mata da Praia,que indiquei para Egydio,que o comprou e logo depois outro em Guarapari,na Praia do Morro,que mesmo eu querendo comprar um lá,pois sempre que ia opara lá eu alugava,não quis,por absoluta incompatibilidade com o local,repassando também para Egydio o financiamento ofercido.O Motta ainda indicou-me para outra faculdade iniciante a hoje UVV,em Vila Velha,onde também fui aproveitado,também face ao meu curriculo e óbvio por ser delegado federal,como titular,para o curso básico,de Introdução ao Direito.Jornada diaria,portanto dobrada,de dia delegado, chefe das operações policiais e a noite professor universitário e tudo isso levando e trazendo Te para as hemodialises,às segundas,quartas e sextas.Eu levantava cedinho,comprava pão,leite e café para Joana fazer nosso café,ajudava as crianças a se arrumarem,dava café,preparava merenda ou dava o dinheiro,as levava para o colegio,voltava levava Te para o Hospital São José para a hemo,pouco antes das oito horas,a deixava lá,às oito estava na SR para o expediente,saía antes das doze e buscava Te,levando-a para casa,ocasião em que pegavamos as crianças no colégio,almoçavamos,menos Te,que comia pouquíssimo,uma batata cozida,um miojo(foi então que o conheci)e depois ela orientava,meio deitada os deveres das crianças e dava as ordens a Joana e eu voltava para o trabalho até às dezoito quando ia para casa,tirava o terno e ia para as faculdades em dias alternados.Sabados e domingos eu tentava animar Te saindo para algum passeio de carro e até para comer fora,algo que ela pudesse.Logo dona Hilda passou a vir e a ficar mais tempo conosco e esse foi o nosso inicio de vida familiar no ES.Vitória então era uma pequena e até desconhecida cidade do Sudeste.Por exemplo Camburi tinha apenas uma pista,com o mar bem pertinho dela,sempre cheia de areia da praia,trazida pelos ventos;esses imensos edificios que hoje a orlam,não existiam,Jardim Camburi muito menos pois só se acessava até lá por caminho de terra.A vida da cidade ainda girava em torno do centro da cidade.Não tinha a terceira e nem a segunda ponte.A Darly Santos também ainda não existia.A rodoviaria ficava no Parque Moscoso,ao lado do colegio Batista e do SESC e dava para apenas três onibus de cada vez.Ir de Vitoria para Vila Velha era um sacrificio,pois era pela atual ponte seca e nos horários que os trens da Vale trafegavam para o Porto,ela era fechada e tinha-se de esperar aquelas centenas de vagões passarem lentamente.Ir a Guarapari era pela BR,pois não existia a Rodovia do Sol,podendo-se até ir pelo esboço da mesma,mas por caminhos tortuosos.Em Guarapari só existia uma ponte e a frente da Praia do Morro era de areia,nãos endo a beira mar asfaltada.Ir para o interior do Estado era na maior parte por estradas de terras,à exceção da BR para Belo Horizonte e essas
estradas na chuva ficavam impraticaveis.A estrada para o Rio estava em obras perenes e trafegava-se nela por caminhos pelo lado de fora em toda a parte entre Campos e Macaé.A diversão era cinema e apenas dois eram bons,confortaveis o Paz,próximo das lojas Americanas e o São Luiz,próximo ao Parque Moscoso.Os demais ou eram poeirinhas ou de filmes pornôs.Canal de Tv era só a Gazeta,assim como jornal,pois os outros eram de escandalos.Em compensação não havia engarrafamento,nem flanelinha,deixando-se o carro estacionado com facilidade nas ruas do centro.Futebol era só no campo da Desportiva,único com iluminação e com conforto.O Rio Branco estava sem campo e o do Vitoria sem condições de utilização.A melhor forma de ir para Vila Velha era pelo aquaviario.Enfim era outra cidade...Madeira

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