sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

O Confiança em 1960 e o fim desse ciclo futebolistico

Os meses entre Natal e Carnaval eram de recesso e assim somente em fevereiro de 1960 foi disputado o super campeonato para consagrar o campeão carioca amador de 1959.Bem,nós não eramos mais a surpresa(todos os outros já disputavam o campeonato há anos e se conheciam) e a parada do campeonato nos desarticulou e fomos mal,conseguindo apenas 8 pontos ganhos,contra 12 do campeão que foi o Campo Grande,esse mesmo que até hoje disputa o campeonato carioca,ora na segunda divisão.Nossa classificação final foi,em um campeonato equilibradíssimo,em que a diferença entre cada um foi de um ponto,em quinto lugar,a quatro pontos do campeão.O último jogo desse campeonato representou a minha separação,o fim da minha carreira no Confiança,ocorrida,tanto pelo baixo nível de compreensão de torcedores,como pela minha arrogancia,ao entender melhor que a massa de operários de futebol e fazer como eu achava que devia fazer.Também pesou eu namorar a garota mais bonita da fábrica,a Gina e já então estar(1960)no CPOR e volta meia,face aos horários chegar lá fardado de aluno-oficial.O que ocorreu foi o seguinte:último jogo do super campeonato,no nosso campo,contra o São José e se vencessemos seriamos vice-campeões e se empatassemos ou perdessemos seriamos quarto ou quinto.Jogo igual,disputado,virou um a um e nós partimos para cima e eu,então capitão do time,mandei meus beques avançarem e fui jogar adiantado,na altura da linha média.Os torcedores,que já implicavam por eu não dar saída dando balão para o alto,reclamavam e eu ignorava.Ganhei uma ou outra bola esticada,mas em um contra ataque rápido,pelo chão,o centro avante do São José,um lourinho rápido,muito ágil,apelidado de "Manteiga"(era de fato muito escorregadio),caiu pelas costas de nosso quarto zagueiro e quando eu fui de encontro a ele,já pensando em fazer a falta(naquele tempo não tinha nada de último homem,nem cartões)ele deu um toque de biquinho,quase do meio dde campo e fez o gol da vitória do São José.Fim de jogo,de campeonato e de seis anos de Confiança,pois discuti com algumas pessoas,mandei se fuderem e informei que não mais jogaria pelo Confiança,o que aliás estava muito complicado face aos estudos,já na Faculdade e ao CPOR.Recebi um apelo do técnico,o seu Amancio,sábio e ponderado de esperar um pouco e fui dispensado por um mes para esfriar a cabeça,aparecendo apenas para as homenagens pelo título da zona urbana,mas confirmei a minha decisão(devo ter sido mais uma vez arrogante e dono da verdade,mas...)e depois ficou acertado,que eu faria um jogo de despedida,jogando meio tempo contra o juvenil do Flamengo,o que fiz,saindo no intervalo,vencendo por um a zero,com a alma lavada.Parei nesse ano com disputa de jogos oficiais,mas o Confiança nunca me saiu e sai da cabeça,por tudo que vivi e aprendi lá de futebol,além de ter convivido com pessoas simples e maravilhosas,como os demais jogadores,funcionários(seu Almeida,o roupeiro e o Nilton,o massagista) e meus técnicos,tanto no infanto(o Duca),como no amador(seu Amancio).Tenho ótimas recordações,tenho saudades e certamente quem errou mais uma vez fui eu,por excesso de confiança(sem trocadilho).Depois de desligado do Confiança,secura como era,fui jogar no Senhor dos Passos,equipe da região árabe do centro do Rio,que era tricolor,como o meu Flu,mas logo depois fui para Brasilia e aí abandonei o campeonato carioca do Departamento Autonomo.Antes de ir para o Senhor dos Passos disputei o campeonato amador do Estado do Rio pelo Frigorifico de Mendes,para onde eu ia toda sexta feira de trem,concentrava e jogava...Madeira

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