sábado, 24 de outubro de 2009

A descoberta do sexo e as iniciações da turma da José Higino(1)

A perseguição ao sexo continuou após o fim das boquinhas já relatadas e então surgiram outras alternativas.Descoberta pelo Nelson a seguinte foi um hotel inaugurado na rua Pareto,próximo a praça Saens Pena,onde na verdade funcionava um puteiro,onde,administrado por espanhóis,que eram os maiores cafetões do Rio e donos de todos os rendez-vous cariocas,tinha duas mulheres e onde por vinte cruzeiros fazia-se sexo.Bem,vinte cruzeiros era muito dinheiro,pois a entrada de cinema era na faixa de tres cruzeiros e o transporte coletivo era na faixa de centavos,mas sempre se tinha tutu para,juntado com muito sacrificio de sorvetes e saídas.Lá toda a turma ia com a mesma mulher,pois era a melhor.Era uma nordestina grande,imensa,farta de seios e coxas,cujo nome não tenho certeza,mas deveria ser Maria de qualquer coisa,ou Socorro ou Conceição.Foram grandes e envergonhadas trepadas,pois adolescente de quinze,dezesseis anos,tudo era desajeitado,com medo,com vergonha.Logo também foi descoberto na rua Conde de Bonfim 500(hoje nenhum desses prédios existe mais) um grupo de teatro amador,com placa a porta e tudo,denominado de GTCA-Grupo Teatral Chico e seus Artistas.Chico era o cabeça e dono da casa e do grupo e era uma tremenda bichona,branca,careca,de voz pastosa,que abria as portas do grupo para qualquer coisa,desde para papos,até para sexo.Era um casarão amplo com uma grande sala que servia para os ensaios e apresentações e vários quartos que serviam para as fornicações.Falsos e pretensos artistas lá se reuniam,assim como pessoas de todo tipo,inclusive prostitutas e uma viadagem enorme.Lá também frequentamos durante algum tempo e lá também descarregavamos nossa libido,inclusive muitas vezes,que maravilha,recebendo dinheiro para transarmos.Afinal um adolescente branquinho,limpinho,de boa familia era um pitéu.Ainda bem que nunca ninguém tentou comer nenhum dos nossos,pois eramos machos em busca de predar e não frangas.As mulheres que lá frequentavam eram na verdade barangas,mas naquela idade e para nós com a testerona aquecendo todo o corpo,eram lindas.Ainda bem que naquela época não havia aids,sendo que o máximo que ocorria era uma gonorreiazinha,logo debelada com uma baita e dolorida injeção,nas nadegas,de penicilina.Também,ocasionalmente,levados pelo Melequinha,que se apropriava do carro do pai dele,um Studebaker 51,bonitão,duas cores,nos aventuravamos na rua Alice,onde existiam os puteiros de melhor qualidade ou de bonde iamos para a zona do Mangue,de baixo meretricio mesmo.Nestes lugares a maior parte das vezes iamos só para olhar as mulheres que ficavam em exposição nas salas de entrada das casas,em uma verdadeira exposição.Na rua Alice porque era caro e tinha-se de beber algo e no Mangue porque tinha policiamento e aí as bichinhas que ficavam nas portas controlando o acesso dos fregueses ficavam com medo da policia criar problemas por sermos menores,mas quando tinhamos dinheiro e não tinha policia por perto lá iamos nós.Naquele tempo não existia tanto cuidado com a idade,sendo de senso comum que isso era problema dos pais.Drogas não existiam,salvo bebidas alcoolicas que mesmo assim eram vendidas sem que se perguntasse a idade do bebedor e cigarro todo mundo usava,mas no geral apenas em festas ou para se exibir.Estas foram as descobertas e as atividades sexuais,sempre em grupo,pois nunca saía um sozinho para qualquer desses programas,indo um grupo sempre,isso dos quinze,dezesseis, dezessete anos,depois lentamente substituídas por namoros e saídas particulares, individuais.Madeira

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

A descoberta do sexo e as iniciações da turma da José Higino(1)

De inicio as punhetas,formalizadas após algum tempo alisando o pinto,geralmente no banho,sempre amparadas em alguma lembrança de alguma canela de uma menina vizinha(era o máximo visto) ou na de alguma gostosa vista na praia com um maiô Catalina ou ainda e nestas com direito a melar a página,nas fotos das misses quando do concurso Miss Brasil e posteriormente Miss Universo,fotos estampadas na revista "O Cruzeiro".Outra fonte de estímulo eram as revistas pornográficas suecas,coloridas eivadas de fotos de grandiosas e indecentes trepadas e outras putarias ou nesta linha as revistas desenhadas de Carlos Zéfiro de histórias de sacanagens.Ambos esses tipos de revista eram objeto de troca ou emprestimo e eram por todos guardadas embaixo dos colchões.A demora no banho entregava,mas candidamente mentia-se,alegando dor de barriga ou que se estava muito sujo.Depois foi a enrabação geral do nosso atacante Antonio Carlos,já descrita,que passou a desapertar a turma praticamente toda,aguentando todo o time juvenil(os outro ainda eram muito pequenos),tudo com um forte espirito de companheirismo e grande dedicação a nossa satisfação.Durante um tempo,até ocorrer a desconfiança e a pessoa ser devolvida para o interior do Rio,de onde tinha vindo,houve o primeiro conhecimento generico com uma "perseguida","periquita" ou nome similar,da Maria,empregada de um dos colegas o José Heitor,goleiro reserva do juvenil.Ele grande sacana,como era comum então,o filho do dono da casa aprender com a empregada os mistérios do amor,traçou a empregada,a Maria,pois os pais dele saiam de casa,face a ambos trabalharem o dia todo e ele quando não estava no colégio,ou seja a tarde ficava sozinho com ela,acabou por comê-la.Como bom adolescente falou para algum dos colegas,não lembro quem e este o convenceu a também comparecer e daí,no fim,tinha uns cinco ou seis comendo a Maria,no quarto dela ou no sofá da sala,dentro da casa dele,sempre com ele ou outro olhando para ver e avisar se o pais dele voltassem antes para casa.Lógico que ela era mal comida,que não sabimos das coisas,mas mesmo assim foi um milagre ela não ter engravidado.Foi um tempo bom,cheio de aventura e prazer novo:enfim conheciamos uma perereca...Dentro dessa história houve lances hilários e que acabaram por detonar a putaria dentro da casa do colega.Em um o Sergio dá Sorte,que era mais novo,do infanto,foi levado,por encher muito o saco dos maiores,para comer a Maria e não houve meio dele o conseguir,face ao nível de ansiedade que o dominou.Enqunto esperavamos do lado de fora,na varanda da casa,ele só suava em bicas e nada.Chegamos a remeter um do nossos maiores epecialistas em sacanagem,o Nelson,para ajudá-lo e nada foi conseguido.Outra vez,o Melequinha,por ser um grosseiro,um tremendo porra louca,foi excluído da esbórnia,que era organizada,com dia e hora marcada,para não levantar suspeitas,ficando inclusive a turma que comia Maria brincando com algum jogo na varanda do terreo,enquanto um estava lá dentro a comendo,pois bem o Melequinha tentou escalar um poste e entrar na casa pela varanda do segundo andar...Óbvio,quase foi linchado pela turma que não queria voltar a tocar bronha.Por fim a gota dágua que encerrou essa história foi com o Zé Carlos,figura complicada,grosso que doía que quis ir e lá,depois é que soubemos dessa parte da história,não conseguia fazer a penetração por ser avantajado e (ela era comida no quartinho dela ou no sofá da sala de visitas)pegou o cacete e o colocou no pote de manteiga que ainda estava na mesa do café,lambuzando-o para fazer o serviço.Como ele não contou para ninguém e depois tampou o pote,deu-se a merda,com o Heitor tendo de explicar a mãe o que ele tinha feito no pote de manteiga.Depois dessa acabou o ciclo Maria,não sei se os pais do Heitor desconfiaram ou os vizinhos e ela voltou para o interior,tendo conhecido as partes íntimas de meia duzia de carioquinhas.E quem era Maria?Mais velha que a gente,seus vinte e poucos anos,certamente já não mais virgem,pois não creio que tenha sido o Heitor o primeiro,bem rude,cabocla no falar e nos modos,branca,cabelo meio ruim,pernas e coxas grossas,seios rijos,de altura normal,com falha dentária,alguns dentes já expulsos da boca,nada que atraísse olhares,mas também nada que adolescente não atacasse.Foi a descoberta do sexo,acho que de todos nós,ou pelo menos do órgão sexual feminino.Após Maria,continuamos nas masturbações,mas passamos a catar mulheres,mesmo da chamada vida fácil.Algum dos nossos descobriu,ao passar próximo ao muro da fábrica da Brahma,na avenida Maracanã,que duas irmãs que moravam próximo em uma casa de comodos na José Higino,costumavam a ir para lá fornicar.Casa de comodo ou cabeça de porco era como chamavam-se construções grandes,com muitos quartos,numerados que eram alugados e com banheiros coletivos no fundo dos corredores onde ficavam os quartos.Seriam um tipo de pensões,hoteis horizontais,sem refeições,onde moravam pessoas mais pobres.Essas duas irmãs tinham caracteristicas físicas diferentes,mas ambas anômalas e ambas nos pés.Uma era aleijada das duas pernas,só andava de cadeira de rodas,que movia com uma manivela,com a mão direita e a irmã,até ajeitadinha,tinha uma perna mais curta e manquitolava.Bem as duas se viravam e faziam um dinheirinho lá no escuro atrás a Brahma.A do carrinho era só no boquete e a outra em pé,enconstadinha no muro,sendo necessário,como na piada,colocar para começar um tijolo debaixo da perninha seca dela e depois era a festa.Pronto estavamos feito,pois descobriramos uma nova orgia sexual.Era um tal de fazer vaquinha e ir para a Brahma e por dez cruzeiros nos realizavamos,inclusive com um novo modo de prazer.Mas toda festa tem fim e o cortiço,a casa de comodos foi interditada e depois demolida e perdemos mais essa boquinha.Madeira

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Outras da turma da José Higino

Nossos programas juntos eram,na maioria absoluta ligados ao futebol,como jogar pelada com bola de borracha no meio da rua,pois passava um carro de meia em meia hora,se tanto,com as balisas sendo transversais,ou seja,entre a parede de uma casa e uma árvore de um lado da rua e a outra da mesma forma do outro lado,dando assim uma dimensão maior ao nosso campo,isso com as inevitáveis reclamações de alguns vizinhos chatos,mas como as casas de então eram recuadas,com jardins,sem vidros quebrados,apenas com as puladas de muro para recuperar a bola.Depois nos aperfeiçoamos e descobrimos terreno baldios,dois ou três,em todos esses anos,onde com as nossas mãos,roçando,limpando,fazendo as traves,com madeira,pregos comprados,marcando com cal as laterais e as áreas e tendo assim um campinho bem arrumadinho,para grandes peladas e até jogos contra,aí já com bolas de couro,a famosa número cinco,como era chamada.Também,no inicio,bem criança,brincavamos de bandeira e carniça,que hoje estão em desuso,brincadeiras de correr e pular,como era o hábito de meninos então.O nosso código para chamar um aos outros era simples,era só ficar quicando a bola na frente da casa do colega até ele aparecer na janela e ser informado da pelada ou novo encontro,pois a maioria era combinada com antecedencia.A noite o comum era encontro na esquina para ficar jogando conversa fora,sempre sobre mulheres e futebol.Domingo era dia de praia de manhã(sabados eram então dias úteis,com aulas e trabalho normalmente,com algumas áreas de comércio,fechando às quatorze horas,na chamada "semana inglêsa,enquanto outras iam até às dezoito horas)e futebol no Maraca às tardes,sem problemas,com alguns indo com as camisas de seus times e sentando juntos,sendo torcedores e não inimigos como hoje.Também iamos para o Maraca nas noites de quarta,dia de jogos entre um grande e um pequeno,sendo os domingos sempre para os clássicos.Nos feriados ou domingos sem futebol,nas férias do jogdores,entre o natal e o carnaval,que correspondiam as férias escolares,iamos bater uma bola na Quinta ou no Alto da Boa Vista,nos gramados de lá,onde se fazia picniques e podia se pisar na grama.Também incrementava-se as idas a praia,de lotação,em especial Leme e Copacabana,então ainda bem selvagens,ou seja vazias.Passeios mais longos ocasionais ocorriam,como ir de barca as ilhas de Paquetá e Governador,para pegar uma praia.Para a praia,qualquer uma,sempre levava-se uma bola para jogar um pouco.Bicicleta,poucos tinham,eu tinha e não ligavamos muito não,justamente porque a maioria não tinha.O cinema na praça Saens Peña era um programa ou para a manhãs de domingo,principalmente se estivesse chovendo ou para as noites e era precedido de uma juntada de dinheiro(uma vaquinha) para irem todos que queriam,inclusive os que estavam duros.As matinês,nas manhãs de domingo eram nos cines América,sempre de mocinho,faroeste ou no Carioca,chanchada brasileira,com Oscarito,Grande Otelo e outros excelentes comediantes,ambos antecedidos de um jornal esportivo,o canal 100,que passava os melhores momentos do clássico da rodada anterior e de uma série de faroeste,que passava por capitulos.Duas grandes corridas/fugas ocorreram nessa época:uma quando andando pela rua Barão de Mesquita,em uma noite voltando de uma pelada,ao passar por um casarão soturno,imenso,que era residencia do jornalista de O Cruzeiro,principal revista carioca,David Nasser,resolvemos mexer no muro e em um buraco deparamos com um revolver:resultado:desatamos a correr,com medo do dono do mesmo aparecer e nos pegar;o outro foi quando um dos nossos,de brincadeirinha,mexeu em uma pilha de latas de leite condensado Moça(até hoje não gosto deste alimento,deve ter sido um trauma),fez com que a pilha desmoronasse e uma das latas caiu na cabeça de um cara fortão que estava de lado,cortando a cabeça dele,quando o cara passou a mão na cabeça e viu o sangue escorrendo,nós desatamos a correr,cada um para sua casa.Esta foram as diversões na minha adolescencia.Madeira

Higino Atlético Clube(2)

A maior sacanagem com o Higino ocorreu na sua dissolução.Conforme já falei a chegada ao segundo grau,de então,começou a nos separar na turma,face a irmos estudar longe, a começarmos a ter namoradas,a sermos mas sérios,alguns a trabalharem e com isso o Higino comçou a não ter jogos,a não jogar mais e havia um bom dinheiro em caixa.Resultado:a diretoria reuniu-se e resolveu acabar com o clubeco e que a grana existente seria destroçada pelos membros diretores em putarias,como um remuneração pelo trabalhos prestados por tantos anos,cabendo aos demais apenas ficarem com os uniformes.Assim,eu,Nelson,Osvaldo e alguém mais que era diretor,não me lembro quem, fomos para a esbórnia,gastando a grana em um final de semana,na zona do Mangue e em bebidas e passeios(Paquetá,praias,Quinta da Boa Vista,outros),sem gastarmos um tostão nosso,tudo às custas do caixa do extinto Higino.Não preciso nem dizer a merda que deu,com reclamações mil,que levavamos na gozação.Felizmente o resto da turma acabou aceitando e fim de papo,pois eles entenderam que não daria para todo mundo mamar...Outros lances,que eu lembro são:uma vez fomos jogar futebol de campo no Engenho de Dentro,no campo do Galitos F.C.e como não tinha vestiários,tivemos de deixar as roupas com que viemos dentro do nosso gol,com o nosso goleiro o Nelson tomando conta.De outra vez jogando no campo do Porcão,no Galeão,na Ilha do Governador,em um corner contra nós,fui marcar a balisa na primeira trave e senti um forte cheiro de merda e reclamei com o Nelson,nosso goleiro e ele confessou que foi dar um peido e tinha se cagado todo,o que aliás foi excelente pois ninguém ficava dentro de nossa área.Aliás o Nelson,padrinho de batismo de minha filha Flavia,era o mais agarrado comigo,pois tinhamos uma fortíssima simpatia,saindo sempre juntos,para todos os lugares.Era um figura impar,com resposta para tudo,de uma inteligencia privilegiada.Outro lance decisivo na vida do Higino foi a chegada do Antonio Carlos para morar na rua.Era um pouco mais velho que a gente,mas um companheirão,que jogava muito bem,era até ponta esquerda do juvenil da Portuguesa Carioca,para onde me levou para jogar depois.Nós todos achavamos que ele era viado,mas enrustido,como era imposição na época.Bem,fomos jogar em Sepetiba,onde a familia do Raul,nosso Diretor Social tinha uma casa de praia e onde arranjaram um jogo contra o time local.Bem lá tinhamos de dormir todos em camas de casal,dois a dois ou até tres e o Nelson e o Toni,principalmente este,um tarado de pimeira,resolveram tentar comê-lo e o plano foi encostar a cama de casal na parede e colocar o Antonio Carlos no canto da parede e de noite,no escuro,alisá-lo.Não deu outra coisa e de noite o Toni,que foi o primeiro,o enrabou,o mais silenciosamente possível,mas com todo mundo atento,fingindo que estava dormindo.Moral da história,a partir daí houve um revezamento e todo mundo comia o nosso atacante,reservadamente.Acho que foi a partir daí que o time teve um subida de produção,com muitas vitórias,pois diminuiram as punhetas,mas logo veio,talvez pelo cansaço,um decréscimo de produção...Outro episódio foi um jogo no ginásio do Colégio Batista,contra um time do morro do Salgueiro,o Rei de Espadas(nome interessante,não?),onde levei uma porrada no rosto de um dos crioulos que o compunham e caí durinho(o que era dificilimo,pois sempre joguei muito duro)e o Toni,que era muito forte,ameaçou o cara que tinha me chutado,ajoelhando-se e mandando o cara chutá-lo no rosto e como o cara não o fez,botou o time deles todinho para correr aos gritos e pontapés,enqunto eu era socorrido.De outra feita fomos jogar na quadra do Confiança,onde eu jogava futebol de campo e algum do nossos entrou violento em um adversário,o que redundou em quase sermos linchados,pela torcida,composta de operários da fábrica de tecidos Confiança,tendo todos corrido para o vestiário e trancado o mesmo,só conseguindo ir embora,face a minha mediação e pedidos pois eu jogava lá.Tempos gostosos e inesquecíveis,que eu viveria de novo,se possível...Madeira

terça-feira, 1 de setembro de 2009

O Higino Atlético Clube(1)

Momentos bons e loucos da turma,em especial do Higino Atlético Clube vem a memória volta e meia.Vamos enfileirar alguns,sem ordem cronológica,apenas dentro da primeira metade da década de cinquenta,ou seja,no período correspondente ao então ginásio e aos estudos no Marista,de 51 a 57,dos onze aos dezesseis anos de idade.O Higino viveu,mais ou menos esse tempo,pois depois veio exército,cientifico(fui fazer o clássico em Botafogo,no Colégio Andrews),namoros,empregos,enfim,estavámos todos,passando da meninice,chegando ao fim da adolescencia e por conseguinte,mudando os hábitos,mas não apagando os laços de amizade existentes.No Higino Atlético Clube arranjavamos jogo toda a semana,em qualquer dia a noite,contra o infanto e o juvenil dos incontáveis clubes de bairro,com quadra,existentes no Rio,Sempre fizemos jogos duros,principalmente o juvenil,que era bom.O então futebol de salão era jogado,com dois na defesa e dois no ataque,bem ortodoxamente e com muito vigor físico,não valendo gol de dentro da área,da qual o goleiro não podia sair,sob pena de ter anotada falta direta contra o time.Eu e o Damião tinhamos muita força física e baixavamos o pau,sem contemplações,enquanto o Toni e o Antonio Carlos,na frente chutavam bem e tinham também um bom físico,em especial o Toni,que era fortíssimo,sendo o Antonio Carlos,que jogava no juvenil da Portuguesa carioca(depois levou-me para jogar lá),canhoto,bom de bola e exímio driblador.No gol ou o Luis Carlos,"melequinha",sem grande técnica,mas muito raçudo ou o Nelson,malandrérrimo,que sabia tudo de bola.Lembro-me de que jogamos contra o Grajaú,tanto o Tenis como a Atlética,o Vila Isabel,a Atlética Carioca(onde depois fui jogar e disputar o campeonato carioca juvenil em 56),o Raio de Sol(onde o goleiro do primeiro time era um radialista iniciante,Washington Rodrigues,depois apelidado de "Apolinho",que ficou famoso e foi até técnico do Flamengo),o Maxwell,o Galitos,o Papitos,o Montanha,o Social Ramos Clube,o Municipal,o Maracanã,o Andaraí,o América,todos da zona norte do Rio e o Carioca da Gávea,o Fluminense(então um dos melhores de futebol de salão do Rio,que tinha como segundo goleiro o depois comediante famoso José de Vasconcellos),o Flamengo,na quadra da Praia do Flamengo,próxima da sede da UNE e outros que não lembro.A maioria dos clubes de bairro citados hoje não existem mais,basicamente pela especulação imobiliária.Também jogamos em quadras alugadas,contra outro clubes de turmas,principalmente em quartéis e escolas,enfim,contra quem aceitasse o nosso oficio solicitando uma partida amistosa,lá estavamos,indo de bonde,quando próximo ou de lotação,quando longe,após reunirmo-nos no bar ao lado da padaria Elba,na esquina da José Higino com a Conde de Bonfim.Este local ou a porta da vila José Higino eram os locais onde nos reuniamo-nos toda noite e direto nos fins de semana.Eu era o diretor de esportes e responsável por arrumar jogos,semanalmente.O clube vivia de mensalidades pagas pelos jogadores,de sócios contribuintes,que eram todos os nossos parentes e moradores das redondezas,de festinhas para arrecadar,de brindes e sorteios,sendo muito comuns,umas cartelas com nomes femininos,compradas em papelarias,com o nome sorteado escondido e que no fim ainda conseguiamos,pois os brindes eram uma porcaria,ficar com eles e fazer um novo sorteio,com uma nova cartela.Quem lavava os uniformes era cada usuário,que o recebia acautelado,sendo proibido a utilização fora dos jogos.Tinhamos até um madrinha eleita e que no fim era quem fazia e costurava para nós,os escudos e fazia outro serviçinhos do lar.Ela era irmã de um do nossos,a Marly,formada pela Escola Normal e já professora pública,o que então era sinonimo de alguém importante no Rio.Nossas cores eram o verde e amarelo,camisa amarela toda amarela,números verdes, com o escudo em formato de losango,com as letras maiusculas em verde, HAC,dentro, seguindo no tamanho o formato do losango,ou seja crescendo,ficando o A como o maior,por ser a do meio do losango,calções verdes e meias zebrads verde e amarelo.Bonito mesmo.Talvez tenhamos sido os precursores da numeração louca atualmente existente,pois como não disputavamos nada oficial,salvo pequenos torneios de bairro ou de jornal,colocamos números extravagante nas camisas,sendo eu,de sacanagem o 24,o Damião 13(português doido,que certa vez comprou um tenis de número maior e na sapataria do pai colocou por dentro uma biqueira de pau,para acertar melhor a canela dos outros)o Toni 99(o maior número,como ele era o maior) e o Antonio Carlos 11(um atrás do outro,pois era uma bichona,contida por exigência da época),e o Inácio 51(beque reserva,que bebia muito bem).Até futebol de campo jogamos,com maus resultados,pois não tinhamos onze bons de bola e da mesma idade.Madeira

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Quem era quem na turma ou o Higino Atlético Clube

A minha turma,conhecida na Tijuca como a turma da José Higino,na década de 50,cujos componentes duradouros já citei,vai sofrer agora o debulhamento da forma de ser,enquanto adolescente,de cada um,sem qualquer ordem,apenas na realidade como ficou marcado em minha lembrança.Também vão ficar clareados os apelidos.Começo pelo Nelson,companheiro fiel,padrinho de batismo da minha filha Flavia,inteligente,amigo de ficar agarrado,vascaíno,peladeiro de primeira,goleiro malandro,apesar de roliço,era de enervar o adversário,peitudo,sem medo de divididas e que como eu não gostava de perder nem porrinha,piadista,filho único de uma figura adorada por todo nós,Seu Félix,que era o porteiro da sede social do Jockey Clube,no centro do Rio,na avenida Rio Branco e que vestia um unifome que mais parecia o de um almirante,sendo tremendamente afável,parando para conversar conosco sempre que vinha chegando em casa,era morador da vila.Nelson era dotado de um inglês excelente e fez carreira profissional,na maturidade,em cargos gerenciais na Cia de Cigarro Souza Cruz,na Usina da Tijuca.Osvaldo,o "olhão",por ter os olhos salteados,para fora,botafoguense,magrinho,companheiro sempre presente,tocava uma bola redonda,sempre de primeira,também morador na Vila,depois enveredou pela carreira de bancário e hoje é Diretor Social e Esportivo no Tijuca Tenis Clube,o clube da elite tijucana,próximo a Praça Saens Peña,que tinha um irmão,menor,Paulo Roberto,que adorava ficar junto com nós e por ser menor foi apelidado de Bebê,que por sinal já faleceu.Nilton e Nelio Nobre,irmãos,filhos do então Rei Momo,que à época era vitalicio,ambos botafoguenses,o primeiro peladeiro de escol,zagueiro e o Nelio,mais novo,goleiro,já falecido.Nilton fez carreira na área de representação comercial farmaceutica.Os irmãos Toni e Carlos Roberto,apelidos "Vaco" e "Santos",botoguenses,alunos do Colégio Militar,peladeiros,sendo o Toni,um atacante do tipo chuta tudo que vem pela frente,pois era muito forte,moradores da Vila,netos de ingleses,morando com eles a avó britanica.Os apelidos eram porque o Toni,cujo nome era William Anthony Smith chamar uma pessoa curta de "vaco",ao invés do tradicional "burro",Já o Carlos Roberto só falava do Nilton Santos,zagueiro do Botafogo,imitando-o ao jogar bola,daí Santos,para nós ou "caroaberto",quando chamado pela avó inglesa,que não conseguia falar Carlos Alberto.Sergio Gomes,ou Sergio da Sorte,pois qualquer que fosse o sorteio ele ganhava,além de achar dinheiro na rua e fazer goals impossíveis,que carambolavam em vários outros jogadores e acabavam entrando.Tricolor,companheirão,irmão da musa da Vila,onde morava,pois tinha uma das irmãs alta e muito bonita,mais velha,parecida com a Sofia Loren.Fez carreira na área ótica,sendo um técnico excelente,sempre na mema ótica,na Praça Saenz Peña.Luiz Carlos,o "melequinha da primavera",apelido por ter uma carne esponjosa em uma das narinas,que a primeira vista parecia uma meleca,morador da Vila,meio doidão,brigão,onde ia passear ou jogar arrumava briga.Forte e genioso,depois perdemos contato com ele.Era o nosso goleiro do juvenil do HAC(Higino Atletico Clube),dono de nenhuma técnica,mas de uma coragem indescritivel.Aliás o juvenil do HAC só tinha figuras dificeis.Formado pelo Meleca ou José Heitor no goal,Damião e Inácio,na defesa e eu e Toni na frente.Então o futebol de salão era jogado no doisxdois,ficando na reserva o pessoal do infanto que tinha feito a preliminar.José Heitor,estudava no Colégio Militar e foi o único desses que lá estudaram que fez carreira militar.Damião era um português,baixinho,vascaíno,morador na Vila,grosso,mas esforçadíssimo,que trabalhava com sapatos com o pai dele.Inácio era um mulatinho alto,espigado,muito magro,botafoguense,que morava com duas tias solteironas,pelo que sabiamos órfão,excelente companheiro,zagueiro rebatedor,que bebia muito já naquela idade e cachaça,em especial,"samba em berlim".Como é óbvio faleceu cedo de cirrose hepática.Neste time entrou depois,aliás foi entrado(depois virou a comida do time,pois era viado),um novo morador na Vila,Antonio Carlos,que jogava muito bem e que depois foi jogar na Portuguesa Carioca e me levou para lá.Canhoto,dono de um bom drible e chute a gol,era um excelente companheiro,que ficava dentro do armário,pois então não podia ninguem assumir sexualidade diferente.Depois de todo mundo da turma comê-lo deu mais trabalho mantê-lo dentro do armario.O infanto era composto pelo Nelson no gol,Nelio na reserva,Osvaldo ou o Jacques,morador de outra vila,que como bom judeu fez carreira no comercio e hoje é rico,dono de uma grande rede de lojas de móveis com e Nilton ou Sergio Eiras,"o tomate",na defesa e Luiz Carlos,o"cacau"ou o Hertz,outro companheiro já falecido,flamenguista chato e Sergio Gomes,o "da sorte"na frente.Sergio Eiras era um moreno que jogava muita bola e chutava muito forte e que dizia que ia dar um tomate,um chute forte,daí o apelido e o Cacau era apelido de familia.Flamenguista roxo,jogava muito bem,com um bom drible,mas um chute muito ruim.Tinha um irmão mais velho o Vitinho,que também jogava bem,mas que nunca quis jogar com a gente.Ambos também estudavam no Colégio Militar.Na reserva do infanto tinha o Paulo Roberto,o "Bacalhau",por não ser muito chegado a um banho,que jogava bem.Como membros da tuma,mas que acabavam por se distanciar por não jogarem bola,tinha o Raul,que ainda pelo menos ia aos jogos,estudante da Escola Técnica Federal,flamenguista,que foi inclusive presidente do HAC,o Abelardo,aluno do Colégio Militar,o José Carlos,o "alicate",pelas pernas arqueadas.Alguns outros passaram pela turma,meteoricamente,por terem morado pouco tempo na Vila ou nas proximidades,como os irmãos Edmar e Alcides,que moraram na casa da esquina da Vila,o Jacozinho,que morava em um outra vila próxima,a mesma em que morava o Raul,no número 270.Portanto foi em torno do futebol que uniu-se esse grupo de adolescentes,para jogar uniformizados,organizadamente,nas quadras dos clubes sociais do Rio,como no campo do Juca,um campinho de pelada de terra,de cinco contra cinco,mais goleiro,que ficava no fim da rua Uruguai e que depois transformou-se em um clube o Tijuca Country Club,em jogos amistosos,disputando inclusive torneios,para jogar peladas em terrenos baldios(chegamos a construir campinhos de seis/sete jogadores,com autorização dos donos) e depois chegamos a ter quadra alugada mensal para nós,um tempo foi o ginásio do Colégio Batista,bem próximo,no alto da própria rua José Higino,outro foi no Confiança e para juntos ir assitir jogos no Maraca,ir ao cinema na Saenz Peña,ir a zona do mangue,ir a praia de Copacabana,a Quinta,ao Alto,ir aos bailes de debutantes,enfim a viver uma adolescencia gostosa,sacana,mas sem maldade e violência,aprendendo a diferenciar o bem do mal,o bom do mau,através da troca de opiniões e vivencias,parcas,mas intensas e compartilhadas,conforme ainda vou descrever.Madeira

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

A minha turma:a turma da José Higino

Paralelo as atividades escolares,nesse ciclo ginasiano,de tanto passar pela rua José Higino fechei conhecimento com os também adolescentes que residiam na mesma e que iam a padaria de meu pai comprar balas,pão e outros para suas casas.À época,apesar de não haver perigo como atualmente no Rio,era de costume uma comunhão entre os vizinhos,todos conhecendo-se e relacionando-se,resolvendo-se tudo no bairro,salvo as compras de roupas,móveis,outras grandes,que eram feitas em lojas tradicionais no centro do Rio,onde se ia de bonde,tranquilamente e de forma rápida.Então,conheci e fiquei amigo de todos ao redor,em especial dos moradores da travessa José Higino,situada no número 237,uma grande vila,com muitas casas,onde moravam é lógico muitos jovens e logo unidos pelos gostos comuns,em especial pelo futebol.Formavam a turma da José Higino,que se reunia de dia na entrada da vila,para bater uma bola no meio da rua de paralepipedos,normalmente bola de borracha,ou na porta da padaria Laís,a noite,onde eu descolava umas balas ou chocolates para eles,que eram o Nelson,companheiro especial,que tinha os mesmos gostos que eu e que sempre saíamos juntos,os irmãos Osvaldo e Paulo Roberto,o bebê,Sergio Gomes,o Sergio da Sorte,Inácio,Hertz,Damião, Jacques,o Jacó,Sergio Eiras,o tomate,os irmãos Smith,Tony e Carlos Roberto,o Santos,Luiz Carlos,o melequinha,José Heitor,Raul,Zé Carlos,Luiz Carlos,o Cacau,Paulo Roberto,o Bacalhau,que foram os que mais tempo moraram e conviveram comigo.O melequinha,assim apelidado por ter uma pequena carne esponjosa na ponta de uma das narinas era um figuraço.Dele foram alguns dos melhores momentos vivenciados então.Algumas deles:certa vez,por um acaso tinhamos mais um pouco de dinheiro e fomos para os puteiros da rua Alice,uma rua na zona sul,que é uma ladeira e fomos no carro do pai dele,um velho "studebaker",na volta com ele dirigindo loucamente,em uma das curvas,passou por nós uma roda,com pneu e desatamos arir,até o carro arriar e notarmos que o pneu era do nosso carro;outro foi em um jogo de futsal em que ele goleiro do juvenil do Higino,no que não era bom,mas era louco,raçudo,se atirando em todas as bolas e com isso salvando muitos gols,ele pegou uma bola em cima da linha do gol e o time adversario reclamou,colocando o juiz em dúvida:rapidamente,melequinha,com a bola nas mãos e o jogo correndo,mostrou ao juiz que a bola não tinha entrado,através dele entrar para dentro do gol,na explicação:de imediato o juiz então marcou o gol;outro foi quando ele se apaixonou por uma dama da noite(uma puta) e a gilete escreveu o nome dela na perna,tatuando-se assim a sangue:detalhe o nome dela(devia ser de guerra)era Jeanete Charlene...Foram anos memoráveis com aprendizagem no Externato e amizades no bairro,ou melhor,à época na rua,pois tudo era muito ligado a rua onde ficava a casa,pois prédios de apartamentos não existiam.Meu dia útil dividia-se em frequentar o colégio pelas manhãs,chegar,de bonde por volta de meio-dia e pouco,ficar na esquina da Conde de Bonfim com a José Higino,junto a carrocinha de Kibon do vendedor de nome Arnaldo,onde chegavam todos até a uma hora e se reuniam,para combinar o resto do dia,que incluía sempre bater uma bolinha,no meio da rua,de inicio,pois após passamos a descobrir terrenos baldios e a "construir" campinhos de futebol,depois iamos todos almoçar em suas casas,fazer os deveres escolares,correndo,logo após o almoço,na faixa de três horas a nos reunirmos para o racha,mais tarde ao escurecer o banho e depois ficar na esquina ou da padaria,Antonio Basilio com José Higino,quando eu tinha de ficar ajudando o pai ou na esquina de Conde de Bonfim com José Higino,na porta do bar Elba,sempre jogando conversa fora.Às vezes,quando tinhamos dinheiro, iamos a um cinema na praça Saens Pena ou ver um jogo no ginásio de esportes do Colégio Batista,no alto da José Higino.Isto tudo enquanto não chegamos aos quinze anos,na época idade básica para o adolescente poder sair só e prolongar a noite,sem maiores problemas,após o qual começamos voos mais altos,como ir para o Maracanã sós,nas noites de jogos(quartas e sabados),a Praça Quinze,centro do Rio,de lotação,para comer um angu no carrinho do Angu do Gomes(eu só acompanhava pois não suporto angu) e ir aos inefáveis bailes de debutantes.Aos sabados,após as aulas(então havia aulas aos sabados),domingos, feriados e férias aí era um sem fim de ideias,tais como descer o rio Maracanã,desde a Usina da Tijuca,pelo seu leito pedregoso,pisando nas pedras,passeios ao Alto da Boa Vista,Quinta da Boa Vista,Praia de Copacabana,muita pelada,enfim uma adolescencia espetacular,movimentada,ao mesmo tempo pura e sacana,como vou descrever mais a frente,o contrário da infância,preso e só em casa,mas que também valeu.Algumas figuras bizarras marcaram esse tempo;um era um coroa doido,ex combatente,que chamavamos de "coronel",que de terno andava pelas ruas,contando as historias de guerra e que quando começava a encher o saco,nós o colocavamos para correr imtando barulho de bombas:ele colocava as mãos nos ouvidos e saía correndo com medo das explosões;outro era o "Pedro Maluco",um doidinho,de seus trinta anos,que usava as calças altas e andava quicando e com quem batiamos altos papos´só de asneiras e de preferncia de sexo.Também tinhamos o mau costume de passar trotes,em especial para um açougue,de um luso,que tinha o número de fone do estabelecimento de 2-2222 e que atendia o fone dizendo"é tudo dois" e nós diziamos separar e enfia no rabo ou perguntavamos áí para qualquer açougue,se tinha coração de galinha,pé de porco,orelha de porco e com as respostas positivas,diziamos a gracinha:então o senhor é um monstro,pois tem coração de galinha....Como era de se esperar tanta pelada redundou na criação de um clube,o Higino Atletico Clube,o HAC,que tinha como escudo essas letras dentro de um losango e tinha as cores verde e amarelo,imitando,em um rasgo de criatividade,as cores da seleção brasileira e a distribuição igual,camisa amarela,calção verde e meias zebradas verde e amarelo,que tinha dois times um juvenil e outro infanto-juvenil,conforme o tamanho e idade dos jogadores.A frente vamos esmiuçar mais isso tudo.Madeira

As marcas maristas em lembranças agradaveis

Seis anos marcantes,bem vividos,gostosos,plenos de aprendizagem,de amizades, respeito,esportes,enfim sempre lembranças de coisas boas.As instalações a um tempo sóbrias e acolhedoras,os professores,competentes,a um tempo sérios e amigos.Os professores titulares,do primeiro,no admissão,o Irmão Renato,jovem,louro,de topetinho,nos acompanhava e torcia nos jogos interclasses,ao último,o querido Irmão Ruperto,o "bule",apelido que ganhou pela maneira de comportar-se ao escutar as perguntas,encostando uma das mãos no quadro negro e a outra na cintura,lembrando um bule de café,passando pelos professores irmãos Fidelis,de matemática;Demetrio,de ciências,com sua famosa frase"o que fazer com um montalhão de lampadinhas esmagalhadas",após uma demonstração na aula;Fabiano,de música e outros, outros,inclusive,então,o único que não era irmão,era leigo,o professor Tarlé,a quem devo todos os meus,para o atual nível de estudo,elevados conhecimentos de geografia e história.Colegas,inesquecíveis,dos quais não conseguirei citar todos,sendo mais ligados a mim os esportistas,que praticavam algum esporte comigo ou que moravam próximo,o que levava a companhia a se prolongar fora de aula e nas férias.Vamos citar alguns,sem que não signifique menos importância dos não citados:os irmãos Sampaio,Fernando,goleiro rival,entre aspas e Betinho,que moravam na Dona Delfina e onde nas horas vagas eu ia bater uma bolinha na rua;idem o Gustavo Cicconi,morador da rua José Higino,a cem metros de minha casa,com quem jogava gol a gol sempre;o Ronaldo Bastos Braga,idem,que infelizmente faleceu na adolescencia,na casa de quem também eu ia bater uma bolinha;Paulo José,depois comandante do Corpo de Bombeiros/DF;os irmãos Teixeira,Sergio e José,craques de bola;Pedro Paulo,Palito, Armando,Murilo,os irmãos Lage,sendo o Flavio das nossas turmas,os irmãos Nogueira,Paulo Cesar e Ricardo,Brandão,Plácido e dentre os não boleiros mais muito ligados a mim por serem da parte bagunceira,em especial o Vicente Bozó,autor de um jornal feito aa mão,em tirinhas,"O Murrinha",distribuído em sala,com desenhos sensacionais.E as seleções esportivas do colégio,das quais sempre fiz parte,com seus jogos contra outros colégios,como Colegio Militar,São Bento,Santo Inácio,contra este sempre jogando na Gávea,campo do Flamengo,Internato São José,juvenil do América e a de voley,idem.As missas,aos domingos,antes da entrega das cadernetas semanais e do boletim mensal,as quermesses nas datas festivas,enfim um desfiar de recordações todas super agradaveis.Obrigado,Externato São José.Madeira

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Eu e o catolicismo

Para não ficar mal explicada minha situação de conflito,desde à época de aluno marista,com os príncipios da Igreja Católica,vou clarear todos os pontos.De inicio meu respeito a Igreja e a seus seguidores e minha gratidão pelos ensinamentos valiosos dela recebidos,tais como os de amar a Deus,nosso Pai Maior,respeitar os nossos pais terrenos,não furtar,não matar,enfim os básicos presentes no dez mandamentos,bem como as virtudes pregadas.Isso tudo é muito verdadeiro e importante.Os meus embates e discordâncias estão basicamente no enclausuramento das verdades por ela pregadas,ou seja,pelo arraigamento de ideias,para mim,ultrapassadas e principalmente pelos tais dogmas,ou seja pela impossibilidade de se estudar aprofundadamente,de se discutir as versões dela sobre fatos,muitos até de carater histórico.Existirá atrás disso o que?Medo de ter de mudar sua versões?De se concluir que o Papa e ela erram,como erraram nas cruzadas e na inquisição?A mim me incomoda que o Vaticano,que já se modernizou em algumas coisas,resista,com argumetos pífios a muitas outras.Assim,minha inteligência não concorda,ou pelo meno gostaria muito de ver discutidas questões tais como o celibato do sacerdotes;a não permissão de mulheres como sacerdotizas;o fato de igrejas e padres,que não maioria não tem outra atividade,terem horário de funcionamento das mesmas,sendo comum encontrar-se igrejas fechadas;as atividades politicas de sacerdotes;a tal de vida oculta de Jesus Cristo,que nos ensinou por palavras e mais por atos como comportar-nos;a santíssima trindade e a confusão(não para mim)de Cristo ser filho de Deus e Deus;a perene culpa lançada sobre cada um de nós do pecado original(por que eu tenho de já ao nascer ter culpa pelos possíveis erros de Adão e Eva);por que um padre,homem como eu,tem o poder infinito de me ouvir em confissão e perdoar minhas culpas,em troca de orações recitadas monologamente e por que se eu morrer repentinamente,sem um padre próximo e sem poder receber a extrema-unção vou para o inferno,enquanto outro que falece com tempo a recebe e vai para o chamado céu?Aliás,esta outra dificil de engolir.Céu e inferno???Que Pai é esse que não perdoa e só o faz enquanto você está na vida terrena e através de emissários?Depois é só porrada!!E demonios?Que diabos é isso?Deus deixa,conforma-se com a existencia de seres eternamente maus??Entendo que no século XXI desejar ter e manter fiéis pelo medo é meio ignaro...Lugares de paz,dentro de seus templos,hinos religiosos lindos,tradição secular,heróis e heroínas,fatos históricos marcantes,tudo isso tem a Igreja Católica,só falta um toque de modernismo,abrir as portas as pesquisas cientificas,atualizar-se,modificar a forma de conquistar e manter os fiéis,discutir,sem medo e mudar algumas verdades,que hoje soam mal,creio ser o melhor caminho para estancar a perda acentuada de seguidores e principalmente recuperar a credibilidade abalada por escandãlos sexuais e financeiros sucessivos,além de eliminar a figura social do católico "não praticante",como aqueles nela criados denominam-se,face a não comparecerem ao seus oficios...Madeira

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Discordâncias com os Maristas

Na realidade nunca tive discordâncias com os Irmãos Maristas,em seus aspectos educacionais,todos do mais alto nível,mas com os dogmas católicos.Sempre fui contestador e só concordo com o que me convence e não com o que me dizem simplesmente.Como toda organização religiosa,em especial a católica,apostólica, romana,ou você aceita,no todo,o que lhe é dito ou está cometendo algum pecado,alguma heresia.Bem,desde que me entendo,que não concordo,ou melhor não concordava(pois hoje posiciono-me religiosamente como espirita,pois esta antes de ser religião é filosofia e ciência,tendo a coragem de recomendar aos seus seguidores que,em caso de conflito entre o dito pelo lado religioso com o dito pela ciência,que se acredite nesta),como com a história dos dogma,ou seja,de que você tem de simplesmente crer,sem discussão.Eu,a partir de sete,dez anos,já implicava com algumas colocações,de crença obrigatória,tais como "fogo do inferno",obrigatoriedade da confissão ao padre,com algumas rezas para ser perdoado,que a hostia é o corpo e o vinho o sangue de Cristo,a infabilidade do Papa e outras baboseiras.Meu raciocinio lógico impedia-me de crer em um Deus,Pai Eterno,implacável,que perdoava o tempo todo,através de um padre confessor,mas que Ele não perdoava,caso você morresse sem a extrema-unção,mandando-o direto,por toda a eternidade para um inferno,comandado por um rival Dele,o aterrorizador diabo!!!Brincadeira,em pleno século XX,ameaças e medos colocados para o fiéis.Tudo era pecado,ou venial ou mortal,mas pecaminoso e proibido.No colégio essas aberrações eram colocadas nas aulas de religião,após ser rezado o terço,isto diariamente e após o recreio maior,de meia hora,onde jogavamos animadas peladas,estando portanto suados e excitados.Resultado é que era o momento máximo de minhas esculhambações,distrações,papos,desenhos sacanas ns folhas dos meus cadernos,enfim algo ridiculo para mim e no qual algumas poucas vezes,por respeito ao professores ou aos colegas carolas,fiz questionamentos aos professores,tais como,porque Deus permitia haver tanta maldade,tanta dor na Terra e vinha a resposta cretina de que era tudo por culpa de Adão e Eva,do chamado pecado original... Brincadeira...O resultado só podia ser esse a minha descrença em uma religião de ameaças,de respostas inadequadas,sem sentido,sem lógica,onde por ausencia de argumentos vinha logo as ameaças de você estar pecando,de ser dogma e assim não ter de ser explicado e sim acreditado,na marra.Com isso,certa vez fiz a minha traquinagem máxima,acho que foi no terceiro ginasial,quando a nossa sala era do lado de uma horta e do galinheiro que abastecia a cozinha dos irmãos e então antes da entrada do professor,pulei a janela,peguei uma galinha,amarrei o bico e trouxe para a sala,soltando-a depois,no auge do terço,em sala,o que redundou em uma baita punição e uma bela surra em casa.Também havia um rodizio para ser sacristão na missa dos domingos e em todos os anos de colégio só uma vez testaram-me nessas funções,pois imaginavam que eu faria merda e não deu outra,toquei a sineta nas horas erradas e me enrolei todo na entrega dos apetrechos da consagração,ou seja das hostías e do vinho.Mesmo assim foi muito bom,pois aprendi muito historicamente sobre o Catolicismo e sua principal figura,na qual acredito,que é Jesus Cristo,mestre e que não fundou nenhuma religião e sim propôs e exemplificou uma filosofia de vida terrena,bastando conhecê-la e seguí-la para termos a consciência tranquila ao findar nossas vidas.Ah,aí vai mais uma história em que não acredito e concordo,a das três pessoas em uma só,ou seja de que Jesus e Deus,sejam apenas uma pessoa espiritual,o que aliás ele mesmo o negou ao chamar o Pai no auge das dores da crucuficação.Madeira

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Concordancias com os Irmãos Maristas

Durante os anos em que fui aluno marista,no Externato São José/RJ,tive muito mais motivos de alegrias e acertos com a instituição do que de discordancias.As concordancias foram com o ensino,excelente,professores bem preparados,dedicados,que sabiam ensinar e cobrar,inclusive com as hoje tão mal faladas decorebas,mas indipensáveis para algumas áreas,como a aritmética,onde saber a taboada de cór é um imperativo e que até hoje me auxilia,fazendo eu as contas antes de vendedores acabarem de as lançar na calculadora.Na disciplina também eram muito bons,com variedade de punições e calibradas pelas reincidencias,sendo as mais aplicadas,como já dito as famosas linhas,com frases curtas sobre o erro cometido e que iam aumentando a medida que repetiam-se os erros(por exemplo,escrever cem linhas sobre"não devo falar em aula"),sendo zerada a punição a cada mês,após o lançamento da nota mensal de comportamento.Aqui havia um comercio de troca de linhas entre os punidos,pois sempre se escrevia a mais,guardando para a próxima alteração ou para trocar ou até vender para um colega,que a colocava no meio das escritas por ele.Também o eram o ficar em pé no fundo da sala,se quieto de frente assistindo a aula,se continuasse perturbando de costas para a turma.Dentro da graduação ainda tinha a de ficar após a aula,em pé,de frente para uma árvore,por nós chamado de segurar árvore,por quinze ou trinta minutos depois da saída.Por fim a terrível suspensão das aulas por três dias,acompanhada do retorno com os pais.Esta era precedida pela famosa frase:"Fulano saia da sala e apresente-se ao reitor".Nessa area eu só não concordava e não concordo quando,ocorreu umas duas ou três vezes,vinham as tais punições coletivas,ou seja quando ocorria um alteração disciplinar em sala e não identificado o autor,o professor queria punir toda a turma,tirando o recreio(esta não era punição habitual) ou prendendo todos após a hora da saída.Nestes momentos sempre rebelei-me e criei caso até ou aparecer o autor,por vontade própria ou o professor voltar atrás.Minhas notas sempre foram muito boas,pela facilidade de aprendizagem e pela excelencia do ensino,sendo ruins,o que sempre me impediu de ser um dos tres primeiros(minha melhor colocação mensal foi um quarto lugar,ficando sempre entre o sexto e o oitavo lugar em turmas de quarenta alunos),as disciplinas complementares,tipo desenho(sempre marquei a folha de baixo,pela força com que desenhava);trabalhos manuais(eu me colava todo ou serrava a madeirite errado)e canto orfeonico,onde eu sempre definava.Na disciplina sempre ficava no regular!!!Fora isso só tenho excelentes recordações do ensino marista,dos professores e colegas com quem convivi e com quem aprendi muito,mas muito mesmo.Madeira

terça-feira, 28 de julho de 2009

Externato São José,os esportes

Os irmãos maristas além de terem um excelente ensino davam a maior força para a prática esportiva.A cada semestre eram realizados e de forma muito bem organizada campeonatos internos interclasses,de todos o esportes,por ano de estudo e depois também entre os anos,ou seja de todo o ginásio e do cientifico.Assim,tinhamos atividades de competição em futebol,basquete,voley e atletismo,esportes coletivos e de ping-pong individual,além das peladas no recreio maior,de farda mesmo,o que nos levava,após o mesmo a entrar em sala,para rezar o terço e ter aula de religião,tremendamente suados,empoeirados e elétricos.Também realizavam em cada semestre os jogos maristas,desses esportes,contra o Internato São José,da Usina da Tijuca,onde sempre tomavamos ferro,em todos os esportes,menos basquete(nossos times eram muito bons),pelo simples fato dos jogos serem sempre lá no Internato,pois as instalações eram muito melhores e como internos por terem tempo de treinar e muito as seleções deles,enqunto nós iamos com a cara e a coragem.Para piorar,por exemplo no futebol, nosso campo era de sete contra sete,com árvores no meio e o deles,onde aconteciam as partidas,gramado de onze jogadores.Normalmente tomavamos uma lavada,principalmete no segundo tempo,pelo cansaço.Nossa quadra de basquete e voley era de terra e lá jogavamos em um ginasio.Não davamos vexame,nem faziamos palhaçada,mas era desigual para cacete.Para piorar mais ainda lá eles tinham material de primeira e nós cada um levava seu material,sendo tudo cobrado nos nossos torneios internos,desde aluguel da bola as camisas.Nos jogos maristas ainda no submetiam a ir jogar obedecendo a divisão interna deles,pois lá eles tinham uma divisão interna total das areas de utilização dos alunos(dormitório,refeitório,área de recreio,biblioteca,campos de futebol,áreas de esporte,tudo enfim separado,que eles denominavam de menores(tinham primário lá,o que não tinhamos no Externato),médios(ginásio) e maiores(cientifico),enquanto nós faziamos tudo separado por ano.Quando ainda no quarto ano ginasial,eu já jogava no time principal,correspondente aos maiores deles e lembro que um dos nossos,moleque toda vida,fez uma grande gozação.Foi o Oto,um lourinho,nosso ponta direita,que entrou em campo imitando ter um defeito fisico,que o impedia de correr direito;lançada uma bola para ele,deixou-a escorrer pela lateral,mostrando uma grande dificuldade para andar;ficou um tempo sem receber a bola,até que o lateral esquerdo deles,entendeu que ele seria uma figura decorativa;então lanaçada uma bola para ele livre,desatou a correr,lépido e rápido e fez o gol:foi expulso...Mas foi muito bom para mim também essa parte,pois lá calcei chuteiras pela primeira vez e disputei torneios organizados com juiz,contagem de pontos,premios e sempre com grande torcida,pois todos os alunos eram obrigados a assistir os jogos,daí advindo,para nós que jogavamos uma proeminencia junto a professores e aos colegas,principalmente aqueles que não jogavam,ficando assim "famoso" no colégio.Também ocasionalmente jogavamos com outros colegios,como o Colegio Militar,que era pertinho e o Colégio São Bento,que utilizava o campo do Flamengo,na Gávea,onde joguei,ainda ginasiano,por duas ou tres vezes,isto porque eu era titular da seleção do colégio,de futebol e de voley(antes que perguntem então ainda não existia futebol de salão,que chegou depois ao Brasil),como goleiro,posição que escolhi e na qual,no campo mais me dei bem,como relatarei mais a frente.Em um dos anos do ginásio caí na mesma sala do Fernando Sampaio,colega e excelente goleiro e nesse ano joguei nos torneios interclasses de zagueiro,batendo adoidado,o que alguns anos depois me ajudou,quando fui jogar salão,pela colocação e força que aprendi a utilizar no nosso campinho.Também,jogava de beque em todos o rachas dos recreios.Foi inesquecivel,gostoso,muito bom,foi onde aprendi muito sobre futebol,conjunto, coletivo,sobre manhas,sobre esforço(lá não existia morcego,chupasangue),entrega,sendo que cada rodada era comentada,discutida por todo o colégio,antes dos jogos e depois as atuações dos alunos jogadores.Dentro da sala de aula rodava um jornalzinho"O Marreta" criado pelo Vicente Bozó(apelido),com comentários sobre tudo e em especial sobre os jogos e um outro imenso grande(tenho um exemplar guardado comigo),inspiração de um o nossos craques o Flavio Lage,que rodava as segundas feiras,colorido,só sobre a rodada anterior,com entrevistas,notas para o jogadores,perfeito mesmo.Grandes colegas,qu ainda hoje se encontram no Rio,os que lá fizeram a carreira profissional e que ainda hoje encontram-se mensalmente e com todos nós anualmente.Os irmãos Sampaio,Flavio Lage,os irmãos Teixeira,os irmãos Nogueira,Danilo,Governo,Murilo,Armando,Lopes,Palito,Pedro Paulo,enfim uma pleiade de bons peladeiros e de inteligencias,que nunca esquecerei.Também na parte esportiva,valeu,Externato São José,ensino marcante,com os esportes adicionando valores e com colegas de escol.Madeira

sábado, 18 de julho de 2009

Externato São José,as traquinagens

Bem,fui impossível nesses anos de ginásio.Inteligente,com muita facilidade de aprendizagem,mas ao mesmo tempo muito ativo,intrometido,resoluto,sem medos e um gozador emérito,da mesma forma que aprendia com facilidade e tinha boas notas,à exceção de em trabalhos manuais,desenho e canto,disciplinas complementares,tinha mau conceito disciplinar.O que me salvava é que,como eu conhecia bem o pai que tinha e assim sabia o limite,antes deste eu parava e dava uma mergulhada,evitando as punições máximas de suspensão(em todos os anos que lá estive só tive uma e se eu não tivesse razão teria custado-me uma forte sova) e expulsão.As punições eram de ficar em pé,de castigo,no fundo da sala,de costas para a turma,virado para a parede;escrever linhas,repetitivas sobre a indisciplina,tipo "não devo falar em aula",em quantidade que aumentava conforme o aumento do erro,que era anotado por cada professor em um local próprio na pauta dele e nas quais ,muitas das vezes,nós enrolavamos,comprando linhas já feitas,em excesso,por outro colega e colocando no meio das feitas pelo responsavel;decorar poemas de autores pátrios e declamá-los para a turma(numa das minhas alterações eu tive de decorar e delamar,Y-Juca-Pyrama;ficar após o término da aula só,no pátio,de frente para uma das árvores,segurando a pasta com cadernos,por mais algum tempo,até um máximo de uma hora;ir para a sala do reitor o que poderia valer uma anotação na caderneta para o pai,o que seria uma advertencia e que repetida mais duas vezes valeria uma suspensão de três dias,sendo que estas tinham de ter na caderneta o ciente do pai.Como elas eram mensais e depois prescreviam,salvo se gravíssimas,quando iam direto para a caderneta,eu tratava de aliviar e me conter quando chegava o meio do mês e eu já estava meio complicado na disciplina.O que que eu arrumava?Eu nunca perdi a ocasião da gozação,da piadinha e a praticava e pratico até hoje,falando ou comportando-me na hora indevida.Outra mania minha,até hoje,é não ficar quieto perante injustiças e mentiras,o que valeu-me até sair da Federal,já burro velho.Nas primeiras as mais comuns foram,por exemplo,colar papéis nas costas de colegas mais babacas,tipo "dê-me um tapa" ou "chute-me na bunda";colocar rabiolas de papel penduradas nas calças da farda;tascar giz ou bolinhas de papel na cabeça dos outros(sempre sentei por ser dos mais altos então nas últimas carteiras);fazer bolinhas de papel mastigá-las e jogá-las com força no teto da sala,que passado algum tempo,após secaren caiam na cabeça de alguém;idem com giletes partidas ao meio,que lá ficavam até o final do ano quando o colégio era limpo para o ano seguinte;escrever,nos intervalos qualquer porcaria no quadro então negro,tal como desenhar o famoso "moita",aqueles olhinhos e mãos atrás de um muro;e o mais grave,soltar a cortina de lona enrolada que protegia a sala do sol e que ao desenrolar-se e cair fazia um barulho terrível,interrompendo a aula;trancar colega no banheiro na hora do recreio;jogar papel higienico molhado no colega dentro do banheiro cagando.enfim todas as molecagens possíveis e criativas.Tive poucas brigas de sair na mão com colegas no colégio(a maioria tive na rua onde morava),só alguns arranca-rabos nos torneios de futebol ou com neguinho que fazia merda e se escondia covardemente,deixando outro ser punido.Das grandes cagadas ressalto duas marcantes:uma quando,acho que na terceira série,nossa sala de aula dava para a horta e o galinheiro da residencia dos irmãos e em determinado intervalo,pulei a janela,capturei uma galinha,levei-a para a sala,com o bico preso e durante o terço a liberei,foi uma merda e castigo após a hora da saída;outra quando amarrei um irmão professor na cadeira dele,pois eles tinham na batina um cordão que amarrava a mesma a cintura,ia até os pés e terminava com um enfeite a ponta,a minha sorte é que era uma irmão gozador que não ficou puto e quebrou meu galho com um esporro alegre.Outra babaquice ocorreu nas aulas de francês,para azar do irmão professor,uma das leituras referia-se a um certo senhor Bousset e deste nome surgiu um dialogo cretino criado pelos alunos e que era o seguinte:imaginava-se que chegava uma visita na casa do referido senhor e ao ser atendido na porta por um empregado do mesmo dava-se a conversação:"o senhor Bousset tá?"Não o senhor Bousset não está.E os filhos do senhor Bousset tão?O senhor Bousset não tem filhos.Ah,eu pensei que o senhor Bousset tinha...Outra era qualquer leitura na lingua francesa que aparecesse a palavra cou(pescoço),que era motivo de inúmeras piadinhas...Uma das minhas colocadas para fora de aula foi em uma classe de latim.Eu estava distraído e o irmão professor o vendo,perguntou-me de repente:Theotonio declina caput no plural:eu que sabia que era palavra neutra e que assim o plural era feito com a no final,levantei e lancei,crente que estava abafando:caputa,caputa e era capita(cabeça)e o resultado foi,além de muita risada,eu fora de sala,pela palhaçada e o pior é que não o foi,foi de distração e não de sacanagem...Aos domingos tinha a missa obrigatória,após a qual recebia-se a caderneta com a nota disciplinar e as presenças e na missa do primeiro domingo do mês o boletim mensal com as notas do mês e havia um rodizio de alunos servindo de coroínha(auxiliar do padre na missa) e apenas uma vez me escalaram,depois nunca mais,pois fiz tudo errado(toquei as sinetas na hora errada,não toquei,esqueci de pegar os bagulhos que tinha de levar para o padre,levando a loucura o colega do outro lado e o padre)e é lógico de sacanagem,para não ter de ir de novo.As do segundo tipo foram algumas poucas vezes com professores,uma das quais valeu a única suspensão,que para a sorte de minha incolumidade física,foi aceita por meu pai,que ainda foi ao colégio e discutiu com o reitor.Existia nos maristas o mau costume,assim entendo,de quando havia uma indisciplina e o professor não descobria o responsável ou este não se acusava,de punir toda a turma e eu nunca aceitei e levantava e engrossava com o mestre e depois lá fora brigava com o covarde que não se acusava,pois eu nunca me escondi,fugi a responsabilidade pelos meus erros.Assim,logo no admissão começou essa minha saga e alguém atirou uma bolinha de papel em algum aluno que sentava na primeira fila e caiu junto ao professor que de costas para a turma escrevia no quadro.Este virou-se e perguntou quem fora e ninguém se acusou.Daí veio a ordem de a turma toda ficar após a hora da saída de castigo.Levantei na hora e reclamei e disse que eu não ficaria e daí sala do reitor,o que se repetiu mais umas duas vezes,em outras séries,até vir a suspensão não aceita por mim,nem por meu pai.Esta forma de ser vigora até hoje para mim:injustiça,não...Com essas posições,companheirismo,não fugindo as responsabilidades e mais os esportes,em especial o futebol,pois sempre fui das seleções do colégio,acabei sendo conhecido e admirado por muitos alunos,especialmente de séries abaixo,de quem inclusive virei protetor contra os trotes babacas da época(jogar talco,apertar casca de tangerina nos olhos,outros).Madeira

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Externato São José,o ensino

O ensino marista é modelo no País e tem razão de o ser.Fiz um ginásio,que agora tenho certeza do mais alto nível,com diversidade didática,cobrança dos conhecimentos passados,seriedade,disciplina.Professores,irmãos maristas na maioria,(eu tive apenas um professor leigo,de História,prof.Tarlé)muito bem preparados,sendo especialistas em alguma disciplina,rodando as salas,conforme horário de aulas e tendo cada turma um irmão titular,que era o responsável final pela disciplina,pelas aulas de religião e pela turma nas formaturas,nas missas,nas quermesses(eram comuns e se davam para arrecadar fundos,consistindo em barraquinhas de comidas,doadas pelas familia e de jogos juvenis diversos).Não esqueçamos que era um colégio apenas de meninos,não sendo meninas bem-vindas,em momento algum.Aliás arrecadar fundos era uma especialidade católica,sendo tudo alugado,cobrado,desde a bolinha e as redes do pingpong aos uniformes para os torneios de futebol,basquete,voley,outros.Algumas coisas foram aprendidas por decoreba,hoje tão condenadas,mas que para essas,somente dessa forma,como,por exemplo,a tabuada,que até hoje sei toda e vejo que os jovens atualmente não sabem.Havia as famosas e gostosas "batalhas",que consistiam em ser dado um tema para ser estudado,em qualquer disciplina,e no dia da aula,dividia-se a turma em dois grupos iguais,através de sorteio,que ficavam em pé,nas laterais da sala e então,sorteava-se,qual grupo ia fazer a primeira pergunta.Preparado o ambiente da batalha,cada equipe tendo um lider escolhido,sempre o mais cobra na disciplina,resolvido quem ia atirar primeiro,começava.Obviamente,ia se escolhendo,para fazer as perguntas,os alunos que não queriam nada,com notas ruins e para fazê-la,os melhores,a partir do capitão.Feita a pergunta,sendo o mediador o professor,que aproveitava ia dando pontos pelos acertos,se o perguntado acertava era dele a próxima pergunta ao grupo adverso.Se não soubesse ou errasse estava morto e sentava-se.Ganhava a batalha e pontos o grupo que ficasse com mais guerreiros em pé ao final do tempo de aula ou quando um grupo dizimasse todos os inimigos.Era sensacional,divertido,aprendia-se,enfim um show.As aulas de religião,únicas diárias,eram um saco,antecedidas pela reza do terço e logo após o recreio maior,de trinta minutos,onde jogava-se grandes peladas,de todos os esportes.Vejam bem,que loucura,você todo suado,cansado,cheio de poeira,voltar para a sala e rezar um terço inteiro,sendo o primeiro e o último mistérios de pé...Só em colégio católico...Após,emendando,aula de cinquenta minutos de religião católica,eivada de ameaças de fogo do inferno,com um baita enumeração de pecados mortais e veniais.Este era a única coisa negativa no ensino marista,que levei na flauta,ou seja,cagando e andando,porque não acreditava em nada do que eles ensinavam sobre Deus,mas mesmo assim valeu porque aprendi muita coisa sobre história antiga e sobre Jesus Cristo.Mas,por justiça devo agradecer todo o ensino marista,que deu-me uma base incrível,principalmente nas disciplinas sócio-humanísticas,área onde identifiquei-me e segui,pois fiz clássico,conseguindo passar em vestibulares,concursos,a ter uma boa redação e conhecimento geral.Sempre fiquei nas turmas entre o quarto/oitavo lugar sobre quarenta alunos,não sendo melhor,por ser dizimado,ficar sempre com cinco,só para passar,nas disciplinas complementares de canto(desafinava e não conseguia distinguir os sons no diapasão),trabalhos manuais(colava ou serrava tudo torto) e desenho(marcava as folhas seguintes por não conseguir desenhar de leve).Foi muito bom,de muito valor,uma escola especial.Alguns irmãos marcaram-me,como professores,como Fidelis,baixinho,cabeçudo,sabia tudo de matemática,Demetrio,de ciências,Ruperto,Fabiano,meu fã no futebol e Renato,meu primeiro professor titular no admissão e no primeiro ano ginasial.Madeira

sábado, 11 de julho de 2009

Externato São José,o meu ginásio(lay-out)

De 1951 a 1956,do admissão ao ginásio,seis anos de ensino marista,de qualidade impar,de disciplina e aprendizagem,de muito esporte e de desenvolvimento físico,cultural,com muitas amizades que deixaram marcas.Instalações excelentes,em um amplo terreno,à rua Barão de Mesquita,próximo a praça Saens Peña,com o Colégio Militar mais a frente na esquina com a São Francisco Xavier e daí ao estadio do Maracanã,um pulo.A entrada do colégio já impressionava com portões de grade de ferro pesados,um amplo e claro pátio,com estátuas,à esquerda do fundador dos Maristas e a direita de São José e em frente uma porta de madeira de lei,gigantesca,toda trabalhada,que dava ao prédio uma aparencia de nobreza,que ele na verdade tinha.A partir daí encontrava-se uma construção clara,de dois andares,com um pátio interno quadrado,grande,descoberto e de areia no centro,que só tinha por finalidade dar um espaço de ventilação e amplitude,pois o que existia eram a salas de aula,em torno dessa abertura,com um piso de ladrilho sóbrio,muito bonito.A direita da entrada estava a sala mais temida,a do reitor,que era o diretor,o responsável pela disciplina,a quem cabia a aplicação das penalidades de suspensão e expulsão.A esquerda estava a secretaria,para pagamentos,retirada e entrega de documento em geral.Nos cantos esse quadrado estavam as escadas para as salas de aula do segundo andar.Nas laterais as salas do terréo,que eram dos menores,para evitar as escadas,do admissão,em especial.O ensino Marista era referencia e ainda é e tinha fila para matrícula,tendo durante os anos cinquenta e seguintes sempre três e até quatro turmas de cada série,separadas por letras,ou seja A,B,C e D e om o alunos colocados por ordem de número de matricula e após em ordem alfabética e assim quase todos os anos que lá estudei os colegas da série foram os mesmos,mas os de sala mudaram.Bem,do lado de fora nas laterais das salas,existiam quadras de basquete e volei e muitas árvores,mas na realidade eram espaços para claridade e ventilação das salas.Já ao fim desse quadrado gigante,que não era fechado,abria-se a área do recreio e que era concomitantemente o nosso campo de futebol.Lá faziamos ginástica,denominada "calistenica",três vezes por semana e disputavamos,ao domingos,pela manhã,após a missa,os campeonatos inter-classes,por série,com oito jogadores em cada time,um torneio por semestre.Era um campo de terra batida,com oito imensas e frondosas árvores,alinhadas perfeitamente,quatro de um lado e quatro de outro,a cerca de cinco metros das laterais.Mantendo-se a descrição reta,a partir da entrada principal,depois do campo tinhamos um espaço coberto,grande,comprido,no tamanho do campo,mais ou menos,uns sessenta metros,onde ao fundo ficavam os banheiros e a frente várias mesas de ping-pong.Do lado esquerdo dessa área coberta,onde ficavamos quando chovia,ficava a cantina,que eu não frequentava,por trazer minha suculenta merenda da padaria Lais.Atrás dos gols tinhamos a direita,a igreja,grande,onde cabiam todos os alunos nas missas de domingo,obrigatórias e que,após as mesmas era o momento de receber as cadernetas com as presenças e notas de disciplina de cada semana e no fim do mês,junto,o boletim com as notas mensais.A esquerda era o acesso a uma das áreas proibidas aos alunos,o refeitório e os quartos dos irmãos professores,à exceção de em um dos cantos,o esquerdo do laboratório de ciências.Entre esta construção e a cantina existia uma passagem para chegar-se a quadra de basquete e volei e uma área de atletismo,com pista para corrida e caixa de saltos em altura e distância utilizados nas competições internas e no treinamento das seleções do colégio,pois disputavamos tudo que era torneio estudantil.As salas eram amplas para quarenta alunos,com carteira de dois lugares,janelões grandes,com cortinas de lona grossa,para proteção do sol,levantadas por meio de cordas que as enrolavam e a lousa ao lado da porta,o que tornava impossível qualquer fuga para matar aula ou saída não autorizada.A frente da lousa,que cobria toda extensão da parede,tinha um grande tablado,onde circulava o professor e de subida proibida aos alunos,no meio do qual estava a mesa do mestre.As carteiras duplas onde sentavam-se os alunos eram definidas,no primeiro dia de aula do ano,pela altura,ficando os mais altos no fundo da classe e como a entrada em sala era feita em forma,com o mais altos a frente,que quando tocava o segundo sinal,entravam e dirigiam-se aos seus lugares,sem tumultos.Após todos sentarem-se é que o professor que ficava na porta esperando todos entrarem e sentarem,assomava a porta,quando todos tinham de levantar-se,aguardando o mestre subir ao tablado e autorizar que nós nos sentassemos.Esta é a descrição física do colégio e de parte de sua rotina.Madeira

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Puberdade e adolescencia,segundo ciclo

O retorno de Portugal,com a reinstalação no sobrado,que ficara sob o cuidados de Sidonio,já formado,tenente do Exército brasileiro,servindo em um das mais importantes unidades,o glorioso Regimento Sampaio,na Vila Militar,marcou o reinicio dos estudos e o principio de uma liberdade vigiada,para mim.Vejam que educação esmerada,com príncipios claros,limites idem,conhecimento do mundo aos poucos.Buscando sempre o melhor ensino do Rio e próximo de casa,meu pai encaminhou-me para o Externato São José,dos Irmãos Maristas,à rua Barão de Mesquita,bem perto lá de casa,cerca de dois quilometros,sendo plausivel ir a pé ou pegar um bonde,ao fim da rua Antonio Basilio,na esquina com a Pinto de Figueiredo com a Barão de Mesquita.Era coisa de minutos chegar lá,a pé,quinze e de bonde cinco,se tanto.Lá após um teste de português e matemática,tirado de letra,fui matriculado,em 1951,no admissão,uma série intermediária que existia entre o primário e o ginasial,estes ambos de quatro anos de duração,já sendo assim,naquela época de nove anos o ciclo fundamental do ensino brasileiro.Em casa tudo continuava na mesma,agora reforçado para meu gaudio com a presença mais constante de meu irmão,que salvo quando estava de serviço ou em manobras,dividia o quarto comigo e os programas que eram coerentes com a minha idade.Amigo incondicional,conversava direto comigo,tirava todas as dúvidas própria da puberdade,com seus primeiros pelos e apelos do sexo.Eu lia os livros dele,as obras de nomeados autores portugueses,brasileiros e estrangeiros,do quais lembro-me bem de um livro que li e reli inúmeras vezes pela descrição picante das relações amorosas dos personagens intitulado"O crime do Padre Amaro",de Eça de Queiróz e outro complicadíssimo,que quase fundiu minha cabeça,de Dostowesky,intitulado,"a loura dolicocéfala",alem de ter lido de cabo a rabo,"os Lusíadas" do grande Luis Vaz de Camões,isso sem citar todos os demais livros,centenas,que faziam parte da biblioteca particular de meu pai,esta só de livros de autores lusos,como Almeida Garrett,Alexandre Herculano,Manuel Maria Barbosa du Bocage,Padre Antonio Vieira,os já citados Eça e Camões e de Sidonio,esta eclética,com autores como José de Alencar,Gonçalves Dias,Castro Alves,Olavo Bilac,Machado de Assis,Euclides da Cunha,Jorge Amado e com grande parte deles de guerras e de grandes guerreiros,como Napoleão,Duque de Caxias,outros.Eu de minha parte,além dos livros ganhos na infância tinha todos os escritos de Monteiro Lobato,meu guru de histórias infanto-juvenís.Então era colégio pela manhã,estudo e leitura a tarde,com umas saidinhas para bater uma bola,com uma turma de meninos vizinhos,a noite papo com eles na esquina da padaria,andar de bicicleta nas proximidades de casa,uma Monark azul,grande,de freio contra-pedal,na qual eu aprontava muito,com grande equilibrio e habilidade,ganhando corridas no bairro,equilibrando-me nela,sem as mãos,ficando em pé nela,dando finos,com apenas um acidente,quando quase caí no rio Maracanã e me arranhei todo e com uma ocorrencia policial,pois eu tinha mania de pegar carona nos bondes e onibus,pendurando-me neles de bicicleta,sendo puxado por uma das mãos e em uma dessas ocasiões fui detido por uma radio-patrulha e levado para a casa,onde por sorte minha quem nos recebeu foi Sidonio,que escutou a história e conversou comigo,nada falando com o pai,se não seria uma baita surra,pela vergonha de ter-me envolvido com a policia;também fiz uma áfrica,em ter certa ocasião,já mais taludo,ter feito,junto com três colegas a volta do Rio de bicicleta,o que durou praticamente todo o dia,tendo subido,puxado por um bonde até o Alto da Boa Vista,descido pelo Joá e voltado pela Zona Sul e Centro, até em casa e,por fim,aos domingos o almoço com meu avô Madeira e após o Maracanã. Interessante foi como aprendi a andar de bicicleta,tendo como professor meu pai,que deu-me a bicicleta,mandou-me montar nela,segurar o guidon,após o impulso inicial,no caso dado por um empurrão dele e olhar para frente sempre,nunca para o chão ou para as rodas,que eu não cairia,pois a bicicleta andando manteria meu equilibrio e para parar seria só freiar e quando ela estivesse parando colocar os pés no chão e assim foi ele empurrou-me,pedalei,dando velocidade e não caí.Não sei onde ele aprendeu isso,mas funcionou.Eu não era brigão,mas me meti em algumas brigas,sempre indigestas e nas quais acabei apanhando.Uma foi na casa de meu avô,quando instigado por um sobrinho dele,o Zeca,saí para brigar com um cara maior do que eu e mais velho,de nome Leopoldo e levei um cacete,para aprender que tamanho é documento.Em outra lá em um campinho da turma da José Higino,em uma pelada,comprei briga com um criolo forte,baixo,mas atarracado,de apelido Boneco e foi foda:dei minhas porradas,mas apanhei bastante...Madeira

terça-feira, 7 de julho de 2009

Argeriz/Valpaços/Trás-os-Montes/Portugal(ciclo intermediário)

Por acaso justamente ao fim da infância e inicio da puberdade,ao dez anos,foi trocada toda a minha forma de viver,pois fomos,meus pais e eu,morar um ano,1950,em Portugal,em uma remota aldeia,Argeriz,relativamente próximo da fronteira com a Espanha.Lá,meu pai tinha uma quinta,uma propriedade rural,com uma bela casa,muitas árvores frutíferas,macieiras,pereiras,videiras,castanheiras,oliveiras,outras,bem como plantações de trigo,batata,centeio,outras e algum gado,tanto bovino,como caprino e suíno,além de local para fazer o vinho e o azeite,os denominados "lagar".A casa era composta de uma ampla cozinha e local de refeições,com uma gostosa lareira,que servia de fogão e também de fonte de luz e calor e em seguida tinha uma imensa sala de visitas e de jantar,mobiliada para tanto,com uma pequena varanda,da qual se via a parte da frente da propriedade.A partir da sala,entrando a esquerda existiam os dois quartos,todos imensos,com móveis pesados,antigos,tendo no do meu pai um cofre,onde ele guardava os passaportes e dinheiro.No corredor de acesso aos quartos havia uma escada de acesso a um mirante,que também era um quartinho,com uma cama de solteiro,arrumado,no qual eu gostava de dormir.Era costume nas casas antigas ter esse mirante,para ver se ao longe a chegada de mensageiros e de fato neste caso viamos até muito longe a estrada poeirenta,ainda de terra batida,que ligava Argeriz a Valpaçoes,sede do municipio.Em baixo da casa havia um porão,imenso,onde no inverno,que era muito frio,recolhiam-se os animais e ao lado um deposito,onde guardavam-se os pequenos barris de vinho,de azeite,em outros vasilhames diversos os frutos e pendurado uvas,presuntos,salsichões,tudo objeto das safras e preservado pelo frio do local,até a futura safra.Saindo da casa,pela lateral,próximo a escada,havia a saída para o quintal,com figueiras e a casinha,local para urinar e defecar,pois no interior não existia banheiro,pois não tinha água corrente,sendo toda a água carregada de uma fonte existente a frente da mesma.Na retrete(o cagador)frio de doer,após obrar e limpar,jogava-se um tipo de cal,para corroer as fezes.No inverno era terrível sair de perto da lareira,quentinho e ir lá fora.Bem,nesse ano,extraoficialmente,frequentei,o colégio local,como ouvinte,pois o meu pai era amigo do professor,de nome Martins e conseguiu com ele que eu assitisse as aulas,que eram classes,agrupadas de alunos,só homens,sem ideia de ano e que ensinava,apenas aritmética,lingua portuguesa,história,geografia e ciências.A escola funcionava na casa do professor,sendo acessada pela entrada da casa,passando-se pela varanda e indo reto para uma pequena sala,com cadeiras e mesas comuns,cerca de 15/20,com um quadro negro ao fundo.A direita da varanda então ficava a morada do professor Martins.Eu já sabia de tudo e ficava quieto,só observando e fazendo os deveres.Fora isso,muita molecagem,trepando em todas as árvores,no telhado do paiol,que ficava a uns cinquenta metros da casa e de lá pulando em cima da palha do trigo,Também fazia incursões pelo campo,observando tudo,experimentando frutos,vendo os costumes lusos,andando de carro de boi, trabalhando ou melhor atrapalhando os que trabalhavam,isto quando não viajava com meus pais,para conhecer algum parente ou lugar de Portugal.Na propriedade,como em toda Argeriz,não havia água encanada,nem luz eletrica,sendo esta substituida por grandes candeeiros e aquela carregada em pesados cântaros.Assim,as noites eram frias e escuras,só sendo bom perto da lareira,na cozinha,comendo frutas,presuntos,pão caseiro,castanhas e papeando,com meu pai contando histórias de sua vida, principalmente de quando criança.Foi um ano,mais solto,ainda que no limites da quinta,onde aprendi muito de outra forma de viver,a do interior e na Pátria-Mãe.Madeira

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Máximas de Seu Dias,filosofo luso,meu pai

Meu pai,depois é que concluí,era um coração enorme,que ajudava todo mundo e um tremendo gozador.Colocava apelido em todo mundo,obviamente só para consumo interno,ou seja entre nós,que ele os usava.Também tinha uma de série palavras ou frases,criadas,que me marcaram e vamos aqui imortalizá-las:"até o talo",a pessoa estava totalmente comprometida,envolvida com algo;"quem tem cu apertado não faz trato com pica grossa",não assumir compromisso maior que as suas possibilidades de o cumprir;"para vencer em qualquer coisa tem de ter apetite",uma variável de qualquer vitória prescinde de 95% de transpiração e 5% de inspiração;"pai não é amigo,é pai",mostrando a diferença entre educar e ser compassivo,ser bonzinho,não impor os limites indipensáveis a formação de uma criança;"filhos não podem ser em maior quantidade do que as mãos e os ouvidos",declarando que os filhos devem ter a atenção e os cuidados dos pais e sendo em maior número que as mãos,como conduzí-los e que os ouvidos como escutá-los;"como diz o outro",para contar algo de origem popular;"cacuí",que era dito quando determinado assunto não o interessava ou o resultado do mesmo não lhe importava;"quem muito abaixa,aparece as calçinhas",informando que perdoar sempre,ceder sempre,tinha como resultado o abuso,a repetição do fatos;"eu não sou burro",quando não entendia algo e resolvia que devia aprendê-la;"pedir soda",significando que a pessoa queria desistir de alguma empreitada;"temos uma boca e duas orelhas",significando que temos de ouvir mais do que falar;"quem fala demais,dá bom dia a cavalo",mesma idéia da anterior,ou seja falar menos e escutar mais;"pobreza é sempre de conhecimento,nunca financeira",essa o Lula deveria escutar e pensar,indicando que para se crescer financeiramente,o melhor caminho é o estudo,a aprendizagem;"ler a bonadicha",que é chamar a atenção de alguém,dar um esporro,corrigir alguém;"ele come sardinha e arrota caviar",que significa que a pessoa está contando vantagem;"mijar fora do pinico",querendo dizer que a pessoa estava fazendo algo errado,algo que não deveria fazer ou fazendo de forma errada;"um dia você vai entender",sinalizando que só a vivência,muitas vezes,nos faz compreender aas coisas que ocorrem ao nosso redor;"quem não tem competencia não se estabelece",significando que só se deve entrar em uma empreitada com conhecimento total de como a mesma funciona;"fazer cortezia com o chapéu dos outros",querendo dizer que muitas vezes as pessoas fazem favores ou os prometem,confiando em terceiros e não em sua capacidade;"arreganhar os dentes",quando uma pessoa ria a toa,se abria para outra;"azedar o sangue",quando alguém demonstrava ódio por outra ou por uma situação;"não aguenta um gato morto pelo rabo",para dizer que a pessoa achava que faria coisas,qe na realidade não conseguiria fazer por incompetencia/fraqueza;"não tem onde cair morto",significando que a pessoa não tinha condições financeiras;"farinha pouca,meu feijão primeiro",significando que primeiro devemos cuidar dos nossos interesses e depois dos dos outros.Quando eu apresentei Terezinha a ele,tempos depois soltou mais uma das dele:"ela é magrinha,mas é forte que nem um cavalo",dizendo algo que depois seria comprovado no todo,que Te apesar de aparentemente frágil era muito forte e corajosa.Essas são as que me lembro agora.Quanto aos apelidos ele era impagável,pois batia os olhos e comparava a pessoa a alguma coisa ou marcava uma caracteristica física da mesma,advindo daí os apelidos para referencia dele.Assim,todo os meus tios tinham apelido,apenas entre nós conhecidos.Tio Ari era o "perna fina",por motivo óbvio;a esposa dele,tia Santese era a "Mineira",porque era nascida em Ubá/MG;o tio Abel era o "colete",pois sempre estava com um vestido;o tio Manduca era o "macumbeiro",pois tinha um altar repleto de orixás,nos fundos da casa;um primo de minha mãe,baixinho e gordinho,de nome Antonio,era o"batoque",nome,em Portugal,de pequenas e redondas,pipas de vinho;outro primo,o José,irmão do Antonio,tinha um dedo da mão defeituoso e assim era o Zé Dedão";um amigo que era tremendamente devagar,o João Silva,era o "João Mole";outro o Joaquim era o "João da Matta",nome da rua onde ele morava.Cachorro magro,de rua era chamado por ele de "carestia".Esse era o meu pai,sério,nas coisas sérias e um tremendo gozador naquilo que cabia.Madeira

Relações filiais e interpessoais na infância

Minha relação com meus pais e o foi durante toda a vida deles foi de um grande respeito,consideração.Nunca tive a ousadia de julgá-los ou menosprezá-los,pois quem era eu perante aqueles que me geraram,criaram,aparelharam para uma existência?Era um pequeno fruto,que se eles tinham obrigações por terem trazido a vida,tinha eu muito mais,tanto pela mesma razão,como por terem me conduzido até o momento da decolagem para o mundo,para o exercício do meu livre-arbitrio.Gratidão,eis,para mim,a palavra chave na relação pais e filhos e não é apenas pelo amor,mas também pelo discernimento do papel deles na criação dos filhos.Isso eu entendi,desde do meus primeiros raciocinios.Eles me geraram,deram-me condições de crescer,aprender, dedicaram-se a mim,enfim,nada mais custoso e amoroso que ser pai.Eu os admirava.Tinha um pai responsável,presente,sério,de poucas,mas muito sábias palavras, que me educou pelo exemplo,com firmeza,com autoridade,que infelizmente eu não consegui reproduzir,quando fui pai.Ele,ainda que com pouca erudição,possuía uma grande e sabia cultura,tendo me ensinado de tudo que era necessário,desde a tomar banho("abre o chuveiro,molha-te,fecha o chuveiro,ensaboa o corpo,abre o chuveiro e tira o sabão e antes de se enxugar com a toalha,passa a mão no corpo e tira o excesso de água"),lavar sempre as mãos ao chegar da rua,antes e depois das refeições,a me vestir,limpar os sapatos,lavar as peças intimas,arrumar a cama,logo que levantar,antes mesmo de ir escovar os dentes e lavar o rosto,enfim tive uma educação que me permitiu sempre não dar gafes nas visitas e que me ajudou no resto da vida,principalmente na adolescencia...Nunca cheguei perto dele sem pedir a benção, beijar a mão direita dele e receber um sonoro "Deus te abençoe. Abraços,outros beijos,não,ele era meu pai.Após adulto entendi,melhor ainda,essa educação dura,mas correta e entendi,porque ele muitas vezes disse-me:"Não quero ser teu amigo,quero ser teu pai",ou seja,não te darei a cumplicidade do amigo e sim o exemplo,a correção do pai.Após a infância,já conversava mais comigo,sempre orientando-me e dando exemplos de fatos presenciados,vividos por ele e após adulto eramos um papo só,então de dois amigos,mas sempre com um mais experiente,indicando o melhor caminho,e não mais educando.No entanto nunca deixei de pedir a benção,beijando a destra dele.Com minha mãe já era mais escrachado,fazendo minhas artes e fugindo dela,até vir a célebre frase,que me paralisava:"vou contar para o teu pai".A benção também era pedida,mas também minha mãe não era de afagos.Para a modernidade eu deveria ter grandes problemas psicologicos,criado sózinho,em um casarão,com rigor...De minha parte eu buscava cumprir todas as minhas obrigações de filho e da casa,como manter meu quarto perfeitamente arrumado,limpo,varrido,cama feita e estudos em dia.Portanto tudo perfeito,uma infância tranquila,com uma educação nota dez.Com meu irmão,nas férias dele,aquela relação super fraterna,protetora,amiga,confidente,de saídas,de papos,equilibradíssima.O irmão.Já com o avô materno,que me deixou como legado o nome de guerra,Madeira,os tios,funcionava tudo também na base do respeito,da distância, pedindo a benção,com beija-mão,sem intrometimento nas conversas de adultos.Com os primos,brincadeiras,de pegar,bola de gude,esconder,enfim criancices.Nas malditas visitas,o caos,tanto recebendo,como fazendo,pela necessidade,obrigatória,de não se sujar,de não correr,de ficar comportado,se não era,ao final das mesmas contemplado,com fortes cascudos ou até uma bela surra,sendo dificil saber o que era mais doloroso,se a mão ou o cinto de meu pai.Assim,o jeito era obedecer,o que eu fazia e não me deixou nenhum trauma,como os atuais mestres da educação apregoam.No entanto nunca fui espancado,eram apenas umas cintadas ou cascudos,apenas para que eu não esquecesse de obedecer sempre.Madeira

sábado, 4 de julho de 2009

Os demais familiares,parentes e amigos

Na infância já existia o costume de aos domingos almoçar toda a família na casa de meu avô materno,Antonio Madeira.Português,baixinho,gordo,viúvo(não conheci minha avó materna)era bonachão,pacifico,amigo,conciliador,tudo que desejava era paz e amor e aos domingos reunia todos os filhos,filhas e conjuges em sua casa,próxima a Praça Saens Peña,à rua Conselheiro Zenha 82,para um suculento almoço.A casa era imensa com cinco quartos e nela moravam três dos filhos,com conjuges e netos.Completando a casa tinha uma sala de costuras,uma despensa,para a guarda de mantimentos,um banheiro gigante,como todos os comodos e uma cozinha,com fogão a lenha.Alem disso tinha um baita quintal e um conjunto de três quartos aos fundos onde moravam dois sobrinhos dele solteirões.Fora ficava ainda a lavanderia,com uma grande tanque,uma horta, galinheiro e um deposito,além de um cantinho com um altar de umbanda de um tio meu,o Manduca.Para meu gaudio tinha porão,alto,escuro,que eu sempre explorava,saindo imundo de lá.Era um belo casarão.Lá reuniam-se,ao meio dia pontualmente,eu,meus pais,os tios que lá residia:meu tio Abel,português,dono de uma armazem,à época chamado de "casa de secos e molhados",o Armazem Combate,à rua Carlos de Vasconcelos,esquina com Alzira Brandão(vascaíno roxo,sócio de carteirinha,que não perdia um jogo de Vasco),com a esposa,tia Adir(ela irmã de minha mãe e minha madrinha de batismo)e os três filhos,todos meninos(Paulo Cesar,Afonso Celso e José Eduardo);o meu tio Arthur,irmão de minha mãe,meu padrinho,viúvo,dono de um loja de ferragens,também na Tijuca,fluminense doente,associado,que foi quem me induziu,junto com meu irmão a ser tricolor;minha tia Herminia,gordíssima,um doce de pessoa, bondosa, tranquila,irmã de minha mãe,casada com o tio Manduca,um figuraço,macumbeiro de primeira,não fazia porra nenhuma,vivia caçando gambá e outros bichos do mato,no morro da Babilonia,que ficava pertinho,à rua Almirante Crochane,atrás da fábrica de bebidas Antartica Paulista e que criavam,apesar de morarem juntos,o filho de meu tio Arthur,o Arnaldo,que era hidrocéfalo(fruto de uma parto mal feito,que feriu a cabeça dele e matou a mãe,tia Maria Luiza,que não conheci)que andava em um carrinho de madeira,de rodas de rolimã,pois a cabeçona não permitia que ele ficasse em pé e andasse(depois quando adulto aprendeu a equilibrar a cabeça e a andar,formando-se inclusive em técnico de contabilidade).A essa fauna juntavam-se os não residentes lá,além de nós,meu tio Ari,irmão de minha mãe,gerente geral da maior loja de artigos do lar do Rio,a casa Oliveira Leite,a maior e mais chique loja de utensilios domésticos do Rio,situada no centro do Rio,com a esposa Santese,que não tinham filhos.Este tinha volta e meia um conflito com meu pai,pois cismava de querer gozar os portugueses,mesmo sendo filho de um,e meu pai ficava muito puto e discutia com ele.Certa vez ocorreu algo mais grave,que não recordo qual o motivo e sei que meu pai correu atrás dele para agredí-lo e ele correu em volta da mesa de refeições,gritando por socorro.Foi vexamoso e conseguimos segurar meu pai,que ficou um tempo sem ir lá almoçar.Em um domingo de Carnaval quando iamos,como sempre de bonde para almoçar lá,eu e meu pai nos envolvemos em uma baita briga no bonde 66,o Usina da Tijuca.Oocrreu que o bonde estava cheio de foliões,fantasiados ou não,que mexiam com todo mundo.Minha mãe sentou na beirada do banco,próximo aos degraus de acesso e eu do lado dela e meu pai foi no estribo,em pé,como era de costume.Alguém mexeu com ela,acho que passou a mão nas pernas dela,em uma parada na praça Saens Pena e ela reclamou e meu pai sentou um murro no cara que começou a sangrar.Nesse momento,eu com meus quatorze/quinze anos,fui descer para ajudá-lo e vi um cara vindo para cima e segurei-me nos balaústres e dei com os dois pés no peito do cara,que caiu longe.Nessa altura deu-se a maior confusão e nós,eu e ele,tratamos de nos evadir face ao sangue existente nos caras.Fugimos por lados diferentes e nos encontramos depois,inclusive com a mãe,na casa do avô Madeira.Nunca sabemos o que mais aconteceu.Em Petropolis residia um tio de minha esposa,aposentado,viúvo,que morava em um hotel,no centro da cidade,o Tio Aires,que uma vez por mês visitavamos,indo e voltando de trem,uma viagem linda,pela serra acima;lá almoçavamos com ele,andavamos a pé pelo centro de Petropolis,tomavamos um café e voltavamos.Era muito bom.Assim,com esse bando,a clã estava completa e fazia a parte familiar com que eu convivia,sempre aos domingos.Meu pai tinha no Brasil mais três irmãos,dois dos quais ele perdeu o contato,pois foram morar no interior do Paraná.O outro,residia em um suburbio do Rio,Irajá,era o tio Antonio e volta e meia iámos visitá-lo e a esposa,de nome Santa,não tinham filhos,mas era uma visita boa,pois iamos de bonde e a casa era com um grande quintal,cheio de árvores frutiferas,nas quais eu trepava,divertindo-me muito.Amigos de meus pais,que visitavámos ou recebiamos em casa,nos domingos a noite ou nos aniversários,eram o seu Joaquim e esposa Adelaide,com o filhos Luiz João e Maria Regina(enfim uma menina para brincar de médico),um português,dono de padaria,que a tinha comprado com ajuda financeira de meu pai e daí a amizade;o seu João Silva e esposa,sem filhos,idem e o seu Agostinho e familia,o guarda-livros da padaria,que tornou-se compadre de meu pai ao dar a filha,para ele batizar,a Regina,que minha mãe,no futuro iria fazer de tudo para eu namorar e casar.A esses resumiu-se o restante das minhas relações de familia e de conhecimento,até os dez anos e a ida para Portugal.Detalhe:as visitas e festas de aniversário,inclusive as minhas,eram tortura profunda,pois eu tinha de colocar um merda de uns terninhos,com gravata e tudo,de calças curtas e não podia me sujar,correr,desmanchar o cabelo,impecavelmente endurecido,fixado que era com Gumex.Madeira

sexta-feira, 3 de julho de 2009

A infância e meu circulo familiar íntimo

Cresci tendo sempre ao meu lado meu pai,João Dias Pereira,minha mãe Aracy Madeira Dias e meu irmão,Sidonio Barroso Dias,companheiro de quarto,quando das férias,pois era interno,filho do primeiro casamento de meu pai.Nosso lar rodava redondinho,como era de costume então,décadas de 40 e 50,ou seja,o pai,trabalhava,era o provedor, autoridade máxima,sempre sentando às refeições à cabeceira da mesa,primeiro a ser servido e que autorizava depois a todos se servirem,aquele que dava a última, derradeira,definitiva palavra;a mãe,do lar ou doméstica,como informava ao ser lhe perguntada a profissão(a única exceção para uma mulher trabalhar fora era ser professora primária),cuidava da casa e dos filhos,sempre apoiada em uma empregada doméstica,que residia com a familia,em um quarto nos fundos da casa.O marido era o guerreiro,o que ia a luta defender o pão de cada dia e a esposa era a intendente, responsável pela retaguarda,pelo fluxo de alimentação,vestuário,limpeza,outros.Aos filhos cabia estudar,preparar-se para seguirem,quando adultos,a mesma toada dos pais,conforme o sexo.As meninas eram totalmente preparadas para o lar,devendo serem,como se falava à época,prendadas,ou seja saberem cuidar da casa,sendo com isso tolhidas em todas as iniciativas que não fossem desse tipo.Os meninos,deveriam ser imagem e semelhança do pai,de preferencia seguindo a mesma profissão e "herdando"os clientes deste.Bem,com meus pais era assim mesmo,apenas eu e Sidonio é que tinhamos de ser mais que meu pai,dono de padaria.Sidonio foi encaminhado e era vocacionado,ainda bem,para a carreira militar e eu,meu pai sonhava,deveria ser diplomata,fazer Direito(pré-requisito)e depois o Itamarati.Para isso o necessário eram os estudos e assim era o procurado por meu pai,colocando-nos nos melhores e consequentemente mais caros colégios,sendo muito cobrado de nós a aprendizagem e as notas.Educação,respeito,disciplina e estudo estes os valores que eu tinha de cultivar,vinte e quatro horas por dia.Foi fácil,pois era de minha índole e eu gostava de ler,de conhecer coisas novas.Cercado por essa atmosfera cresci.Um pai trabalhador,exemplar "chefe de familia",honesto, leitor compulsivo,apesar de semialfabetizado,indômito,companheiro,que sabia dar e negar,conforme o que fosse melhor para mim.Constante,sempre junto nas refeições,nas observações sobre os trabalhos escolares,sabendo deles,punindo,sem perdão nas falhas,mas defendendo-me quando via que eu estava com a razão,este foi o pai.Minha mãe cumpria suas obrigações e era a responsável pela intermediação divina,pois era uma carola de primeira,não perdendo uma missa,ladainha,ou algo equivalente,que representasse alguns pontos junto aos céus.Nenhum dos dois era dado a afagos,beijos e abraços,sendo a nossa relação franca,cordial,respeitosa,de subordinação minha,mas sem agarramentos,entendendo meu pai,que a função dele era de educação e não de amizade,mas no final da vida foi,além do pai,um grande amigo.Aliás ele sempre dizia que antes de ser meu amigo ele era meu pai.Com isso minha infância foi marcada por muita responsabilidade,por missões,acima de tudo,em especial,na primeira fase,até os dez anos,quando a ida a Portugal e a puberdade deram uma aliviada nisso,em especial trouxeram-me para fora do circulo familiar fechado em que vivia.O terceiro personagem dessa minha vida infantil,meu irmão foi como meus pais,fabuloso.Só convivia com ele nas férias escolares,pois,fruto do primeiro casamento de meu pai,ele já estava em colégio interno,nos Maristas,no Internato São José,na Usina da Tijuca e ao acabar o ginasial,passou em concurso para cadete do Exército e foi fazer a Escola Preparatória de Cadetes em Porto Alegre,isso aos quatorze anos de idade.Com isso só vinha para casa nas férias de fim de ano,pois a distância e os custos não ajudavam nas férias de junho.Dezembro e janeiro era quando eu tinha meu companheiro de quarto,incrível,amigo,que fazia todas as minhas vontades,atendia minhas ânsias,saindo comigo para tudo que eu gostava e queria fazer,uma ida a Praça Saens Peña,um cinema(até então não existia ainda o Maracanã e eu não tinha descoberto a paixão pelo futebol),praia,outros.Também era o companheiro e adversário de peladas com bola de meia(fiz muitas na minha infância)as tardes,um golzinho demarcado,jogadas antes de escurecer,no quintal do sobrado,um contra um e ele às vezes me deixava ganhar.Esses foram os protagonistas de minha infância,até os dez anos,quando fomos morar um ano(1950)em Portugal,o que ocorreu juntamente com a minha puberdade e a passagem para a adolescência.Madeira

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Meu primeiro colégio:alfabetização e primário

Colégio da Companhia de Santa Terezinha de Jesus,localizado no Largo da Segunda Feira,à rua São Francisco Xavier,bem na esquina com a Conde de Bonfim,lá situa-se este colégio das Irmãs Terezianas e foi onde iniciei meus estudos,sendo alfabetizado e fazendo os quatro anos do então curso primário.Pré-primário,com duração de um ano, quando fui alfabetizado e foi mole,pois em casa eu,sózinho,mas rodeado de jornais e revistas,já reconhecia letras e brincava de as juntar.Foram quatro anos,de estudos sérios,com muitas atividades,leituras,indo de ônibus escolar,dirigido pelo seu Antenor,um velhinho simpatico e cuidadoso,que me pegava e deixava na padaria,mas também com muita disciplina e castigos,quando fazia bagunça ou falava em aula.Minha professora titular foi a Madre Alzira,uma mulata,gorda,já com alguma idade,que ensinava muito bem,exigia muito,ruim de nota,que usava sem dó,nem piedade um palmatória,que para que não nos esquecessemos de seu poder corretivo,ficava pendurada atrás da mesa dela,que ficava sobre um estrado,mantendo-a em uma posição bem superior e aumetando a distancia e o temor da mestra.Antes desta correção havia o de ficar em pé,a frente da turma,virado para a parede,As salas eram amplas,de pé direito alto,as turmas eram separadas,meninos de um lado e meninas de outro,sendo até o recreio separado.As madres,todas vestidas de preto,pareciam urubus,buscando sempre algo de errado,para avançarem e nos punirem.No recreio,comia meu suculento sanduiche de presunto,com refrigerante,trazido da padaria,com algum chocolate de complementação.As brincadeiras,nesse intervalo de recreio,eram de pegar,aquela correria que sempre redundava em joelhos esfolados,pique,bandeira,chutar pedrinha ou chapinha de garrafa e era em um grande e comprido patío,com algumas palmeiras imperiais.Lá foi a minha aprendizagem de fazer guerra de giz,fazer e jogar aviãozinho,arremessar bolinha de papel,usando a regua de madeira,colocar rabo de papel nos outros,tudo regado a boas notas nas provas e más notas em comportamento.Lá também apareceu o meu lado de justiceiro,certamente parte de minha personalidade e parte do exemplo de meu lar,onde reinava a verdade acima de tudo,custasse o que custasse,com um delicadeza bem lusitana.Havia,na minha sala um garoto babaca,todo malhadinho,pintadinho,que com isso tinha o apelido de "Abelha" e volta e meia era cascudado pelos outros colegas,longe dos olhos das madres,na hora do intevalo.Eu buscava não deixar que fizessem isso com ele,tirando-o de perto do grupo.Bem determinado dia um grupo grande resolveu levar as réguas,naquele tempo de madeira para o recreio e dar uma surra de régua no Abelha e eu ao perceber isso entrei na frente dele e briguei com o grupão,com muitos pontapés e tapas,até ser um verdadeiro escandalo e as madres verem e intervirem.Mais um castigo.De lembrança a satisfação de ter sido correto com minhas idéias e alguns arranhões e manchas roxas.Nunca mais voltei nesse colégio e poucas são essas recordações.Mas valeu pela alfabetização excelente,com muita leitura,pela disciplina imposta,hoje em desuso,da qual guardo como lembrança principal a de ter de levantar quando a professora entrava em sala,onde já estavam todos os alunos e de levantar,após o sinal de término,para ela sair,só após os alunos sairem,ordenadamente e pelos primeiros conhecimentos,em especial da lingua pátria e de nosso País.Madeira

quarta-feira, 1 de julho de 2009

A localização, no coração da Tijuca

Na esquina das ruas Antonio Basilio com José Higino,tendo em frente um quartel da Corpo de Bombeiros,naquela rua e um distrito policial nesta e a frente,em outro cruzamento da José Higino com a avenida Maracanã,esta de duas pistas,com o rio Maracanã ao centro,era a localização da padaria e do nosso sobrado.Seguindo a José Higino,passava-se pela rua Maria Amália e chegava-se,cerca de cem metros depois a rua Barão de Mesquita,das principais,que tinha linha de bonde e ligava os bairros do centro até o Meyer,passando por Aldeia Campista,Andaraí,Grajaú,Lins de Vasconcellos.Voltando a rua José Higino a cerca de cinquenta metros estava a principal rua da Tijuca,a Conde de Bonfim,por onde passavam os bondes,ônibus e lotações e que se iniciava no largo da Segunda Feira e estendia-se até a Usina da Tijuca,passando pelo coração da Tijuca,a Praça Saens Peña,que ficava distante lá de casa,menos de um quilometro.A rua Antonio Basilio,descendo-a,cerca de cento e cinquenta metros,chegava-se a rua Pinto de Figueiredo,onde entrando-se a direita em trinta metros estava-se na Praça Saens Peña e a esquerda,passava-se a avenida Maracanã e estava-se na Barão de Mesquita,tendo em frente a padaria Universal,que fora de meu pai e na própria o quartel da Polícia do Exercito.Daí ao estadio do Maracanã ia-se a pé em cerca de quinze minutos,e a cerca de dois quilometros.Por isso eu fui um grande frequentador dele,tanto pela proximidade,como por então não haver violencia,nem nas ruas,nem nos estadios,sentando-se as torcidas junto,com as camisas se entrelaçando.Portanto moravámos mesmo no coração da Tijuca,então o bairro mais nobre da zona norte,tanto pelas residencias,como pela proximidade do centro do Rio,pois do inicio da Tijuca,no largo da Segunda Feira,estava-se a pouquissimos quilometros do centro,era só passar pelo largo do Estácio,entrar no canal do Mangue e aí estava a praça Onze e a avenida Presidente Vargas,com a Central do Brasil e a Igreja da Candelária ao fim.Três quilometros,se tanto.Na direção contrária estava um local paradisiaco,logo após o fim da Tijuca,após uma subida de carro ou bonde tortuosa,de cerca de quatro quilometros,o Alto da Boa Vista,local da floresta da Tijuca,com a celebre Cascatinha,cheia de verde,limpa,organizada,fresquinha no verão.Portanto morei em um paraíso,com tudo próximo,fácil,sem trânsito ensandecido,sem violencia,indo-se a pé ou de bonde ou se apressado de ônibus ou lotação.Na Praça Saens Peña a cinelândia da zona norte,com nada menos de sete cinemas:Eskie Tijuca;Metro-Tijuca,que ar refrigerado maravilhoso;Carioca,para filmes clássicos;America,especializado em faroeste;Tijuca,poeirinha,de cadeiras de madeira e baratinho,de filmes mais velhos;do outro lado o Olinda,o de maior quantidade de cadeiras,quase quatro mil e lugar de encontro e ataque da viadagem,sendo impossível ir-se ao banheiro sozinho;atrás o Santo Afonso,anexo a Igreja de santo Afonso,dos padres da Igreja,de todos os tipos e preços,que mantiveram-se inalterados durante toda a minha juventude.Além disso a Praça,principal lugar de reunião,no centro de familias e crianças pequenas,com um laguinho,onde era costume atirar-se as bichas que saíssem do armario,pois então,viado tinha de ser enrustido,até mesmo se casando,quando tivesse mais idade.Já nas calçadas o que se via eram as filas para o cinema e grupos de jovens papeando e paquerando as meninas que passavam.Também eram lugares de frequencia para as familias e casais de namorados o café Palheta,ao lado do cine Carioca,onde se lanchava muito bem,com um grande sortimento de salgados e doces e um milkshake delicioso;para os jovens o café e bar Eden,que em cima tinha um imenso salão de sinuca,onde todos da Tijuca aprenderam a jogá-la.Outro lugar era a loja de discos,próxima ao cine Olinda,o Palácio da Música,onde iámos escutar os lançamentos e as músicas dos filmes recem vistos nos cinemas próximos.Já as meninas não saiam,quando em grupo ou sós,da loja Sloper,de bijuterias,artigos femininos,em geral.Também era local de encontro,aí juntos,rapazes e moças,o Tijuca Tenis Clube,encostado a Praça,cem metros,onde sucediam-se os celebres bailes de quinze anos,as domingueiras dançantes,sempre,como todo mundo se conhecia,conseguindo-se descolar um convite.Em frente a este a Igreja dos Sagrados Corações,onde fui batizado e onde,nesta ou na de Santo Afonso,todas as familias assistiam as missas dominicais,batizados e casamentos.Madeira