domingo, 14 de março de 2010
1961,eu e as atividades de trânsito
1961,João Goulart Presidente da República,no sistema parlamentarista,situação normalizada e vida que seguiu.Eu assumi minhas funções na Companhia de Trânsito,logo em seguida assumi o comando com a viagem do Marabuto e abraçado com o Código Nacional de Trânsito,dia e noite,estudando direto e tomando parte em todas as ações diariamente,desde a distribuição dos guardas em seus postos de trabalho,observando inclusive o trabalho dos mesmos até as blitzes de trãnsito,efetuadas diariamente em busca de veículos alterados e/ou de motoristas em situação irregular.Muito trabalho,inclusive aos sabados e domingos,nestes com as blitzes.Nessa vida conheci um ser humano especial que me acompanhou depois,como professor colega,nas aulas na ANP e que era o soldado de trânsito Altamir Balbino.Guarda padrão,desde o uso do uniforme ou seja no quesito aparencia pessoal até a seriedade e profissionalismo na atuação.Era tão bom profissional que era escalado nos postos de atuação mais dificil ou por serem de muita movimentação ou pela quantidade de "autoridades"que por lá circulassem.Mulato,carioca,magro,simpatico,sempre pronto a ajudar o próximo,sabia tanto orientar os motoristas como punir os recalcitrantes,aqueles que após orientados teimavam em persistir nas infrações,mas sempre com educação e respeito.A ele afeiçoei-me e só tive lucro,pois apesar da hierarquia sempre foi enquadrado e respeitador,nunca misturando a nossa relação pessoal com a profissional.Logo após estar estabelecido tratei de tirar minha carteira de motorista,pois apesar de dirigir não a possuía.Sabia dirigir porque eu lavava e manobrava o carro de meu irmão Sidonio e depois de colegas como o "melequinha".Assim,dei uns treinos em um jipe da GEB e inscrevi-me para as provas,nas quais fui aprovado sem maiores problemas,mesmo sacaneado pelo meu comanadante,o Ten. João,que era examinador e fez questão de me testar,inclusive determinando que eu parasse em uma ladeira e não deixasse o carro escorrer,o que fiz.Mesmo com muito trabalho,consegui dar uma ou outra fugida rápida ao Rio,sempre com o conhecimento e autorização do comando geral,para assistir algumas poucas aulas e inteirar-me como iam as coisas na faculdade,deixando nessas ocasiões,respondendo pelo comando da Companhia o primeiro sargento,meu adjunto,Latorraca.Também tinha como homem de confiança o meu motorista,o soldado Carvalho,por sinal primo do Balbino,que dirigia uma camionete Ford F-100,com carroceria aberta,onde colocavamos as motos irregulares apreendidas.As noites e nos finais de semana ainda arrumava um tempo para bater uma pelada de futebol de salão,na quadra da GEB,uma quadra de asfalto que comia um tenis por semana.As refeições fazia diariamente no quartel,no rancho dos oficiais,gratuitamente e dormia no alojamento de oficiais também no quartel.Aliás em contraposição a ser um alojamento de madeira e bem coletivo(lá moravamos cerca de vinte oficiais,número que vivia oscilando,pelas mudanças,tanto de chegada de novos membros,como pela saída de quem arranjava um lugar melhor),a sacanagem imperava o tempo todo,bem discreta por causa dos praças e da responsabilidade do colega oficial de dia,mas forte mesmo.Aos novatos e aos que chegavam muito tarde,às vezes bebados,havia sempre um balde de água,colocado cuidadosamente sobre a porta meio encostada e que desabava sobre o novato ou o distraído ao empurrá-la,molhando-o todo;havia,para os que tinham sono pesado e nisto o tenente Elmo Bichara era o campeão(que sono pesado)a colocação da cama,com o infeliz dormindo nela,colocada no meio da quadra de futebol de salão,que ficava bem embaixo do alojamento ou a inefavel colocação na cueca ou na calça do pijama de um tanto de cola goma árabica,levando o incauto dorminhoco a sentir um melado estranho,diferente,no rego do rabo(O Bichara chegou a passar a mão no rabo e cheirar,para saber o que era).Aliás o Bichara foi protagonista de um dos casos mais bizarros que conheci:ele tinha um carro e comprou outro para colocar na praça,ganhar mais um dineiro e dar emprego ao irmão o Carlito,que tinha ido para Brasilia e estava desempregado.Em determinada noite ao sair de um puteiro de luxo na estrada para BH,devidamente mamado,bebado,entrou errado em um trevo,derrapou e deu uma porrada em outro carro(inda bem que sem vitimas),que era o carro dele que era taxi.Em um acidente só destruiu os dois carros dele.Algumas foram mais pesadas e quase redundaram em brigas ou até em ameaça de morte,como por exemplo,quando cagaram no coturno do tenente Edson Caldas,que o calçou e sentiu o pé atolar em algo mole e quando falsificaram uma carta da namorada do tenente Gonzaga desfazendo o namoro e este se desesperou,querendo largar tudo e voltar correndo para o Rio,obviamente tudo isso com a turma na espreita para depois rir do infeliz.Outras historias marcantes foram contadas por um colega,que não vou citar o nome por ainda estar casado e com a mesma mulher e que são muito interessantes:segundo ele,sempre que via uma mulher bonita na rua e estava andando com a esposa,ele fechava o olho do lado da esposa e com o outro "tirava" a passante de alto abaixo;outra era a de que a mulher dele era muito braba e certa vez ele chegou muito tarde em casa,já de madrugada,de umas e outras e ao sentar na cama e começar a tirar os sapatos,a esposa acordou e perguntou,já irada,se ele estava chegando naquela hora e ele cansado,teve como resposta dizer,que não estava era se calçando para ir trabalhar,pois o estavam chamando no quartel,para uma emergencia e mais morto que vivo,teve de sair de casa e ir para o quartel,onde foi dormir o resto da noite;por fim sempre que ele chegava em casa e via a esposa aborrecida,tratava de pegar um colchonete e ir dormir na banheira,conforme a esposa tinha na primeira armação dele,"ensinado".Diversão fora somente uma vez ou outra um cinema em um dos dois únicos cinemas de Brasilia,um no eixo monumental e outro na W-3,respectivamente os cines Brasilia e Cultura,que passavam os filmes bem depois dos lançamentos no Rio e SP.TV não existia então e as noticias escutavamos no radio de um tenente,o Trindade,um goiano gente fina,tranquilo,que tinha em cima de seu armario um grande radio a válvula e que tocava no geral só música sertaneja de radios interioranas de Goiás e Minas Gerais.Com isso chegamos a novembro e ocorreu o retorno do comandante da Companhia,o Ten.Marabuto e passamos a fazer uma dobradinha atuante,que em certa ocasião redundou em um grande conflito e em nós respondermos um inquerito por abuso de poder,tendo então meu batismo policial,pois sem responder a alguns processos(não por corrupção,obviamente),não se consegue exercer essa profissão-sacerdócio.Ocorreu com um motorista completamente irregular e rodando com um carro chapa branca em um domingo,a passeio e que ao ter o carro apreendido por mim e pelo Marabuto negou-se a sair do veículo e a deixar rebocá-lo,o que redundou em ser preso em flagrante e a ser imobilizado e conduzido.Nesse entrevero ele,que se chamava Solivan,teve um dedo quebrado e aí o chefe dele um Ministro do TSE tentou nos pegar,o que não conseguiu,pois o processo contra nós foi arquivado e contra ele também:coisas do Brasil...Em meados de novembro ocorreu mais uma reviravolta em minha vida.O Comando Geral da GEB,mexercido pelo Ten.João Gonçalves Netto recebeu a determinação de criar uma companhia de choque,para controlar os conflitos que ocorriam na Capital Federal,em especial entre praças de todas as FFAA na zona do baixo meretricio,localizado na Cidade Livre,o Nucleo Bandeirante e eu fui um dos escolhidos,juntamente com um tenente que eu já conhecia e com quem me afinava,sendo inclusive meu companheiro de zaga na seleção de futebol de salão dos oficiais da GEB,o Ten.Egydio de Souza Fernandes.Bem,assim deixei o trânsito e tivemos três meses para montar a Companhia,escolhendo os homens,treinando-os,adquirindo o material policial para ações de combate de disturbios civis,pois estreariamos no Carnaval de l962.Dentro desse quadro ainda fui ao Rio,fiz as provas finais,sendo aprovado sem problemas(naquele tempo as provas eram apenas no meio do ano,primeiras provas parciais e no final do ano as segundas e depois as finais,tanto escritas como orais),passei uns dias com meus pais e na GEB toma de dar treinamento,em sala de aula,a parte teórica,na quadra da GEB,as formações de combate,no tatame(criamos uma sala de judô,para dar defesa pessoal e imobilizações)e no estande de tiro,para os treinamentos de tiro policial e eu fiquei com toda essa parte de treinamento,como sub-comandante da Companhia de Serviços Especiais ou simplesmente SE,com ficou conhecida(o Ten.Fernandes foi escolhido,por antiguidade para ser o comandante).Madeira
sábado, 13 de março de 2010
O início da vida em Brasilia
Cerca de uma hora da tarde pisava pela primeira vez o solo árido e vermelho de Brasilia,apresentei-me ao oficial de dia da Base Aérea de Brasilia e perguntei como faria para chegar ao quartel da GEB,pois de lá não tinha como sair,pois estava em uma base aérea e não tinha onibus na porta ou taxi(e eu com pouco dinheiro).De imediato ele colocou-me um uma viatura da FAB,uma kombi azul,que ia para o Plano Piloto,ou seja para o centro de Brasilia e que passaria na porta do quartel da GEB.Cerca das duas horas da tarde,vesgo de fome,apresentei-me ao oficial de dia da GEB,um colewga R-2,Ten Fraga,que recebeu-me com muita camaradagem,encaminhou-me ao alojamento(uma instalação comprida,com conjuntos de cama de solteiro e armario de duas portas,que serviam de divisória da próxima cama de solteiro e que tinha ao fundo um banheiro coletivo,com vários chuveiros de água fria,algumas pias e vasos sanitarios),indicou-me um conjunto que estava vazio,onde coloquei minha bolsa e levou-me para o rancho de oficiais,onde determinou ao garçom(um soldado assim travestido)que providenciasse almoço para mim.Almoçado,fui conduzido ao Gabinete do Comandante da GEB,então um oficial da Força Pública de São Paulo(a PM/SP era assim chamada),do qual não guardei o nome,onde apresentei-me declinei o motivo da minha chegada,apresentei meus documentos e recebi a ordem de apresentar-me ao tenente comandante da segunda seção,a seção de pessoal,o Ten. Geraldo Silva,para apresentação da minha documentação,marcação de meus exames,para admissão e se aprovado,logo a seguir iniciar minhas atividades(e eu que fui pensando que ainda voltaria ao Rio,antes de começar a trabalhar,se aprovado).O Comando da GEB era cargo de confiança do Diretor Geral do DFSP e todas as chefias e comandos eram de paulistas,pois o Presidente da República era o Janio Quadros,que tinha trazido tudo que era paulista para os cargos de chefia federais.No mesmo dia fiz os exames médicos,na realidade,um breve e simples exame clinico,fui declarado apto e marcados para o dia seguinte os exames físicos e intelectual.Assim,no dia 22 de agosto,fiz uma prova,basicamente de Direito Constitucional e Penal,elaborada pela ANP,Academia Nacional de Policia,comandada pelo Cel Mont Serrat,também da Força Pública/SP,que tirei de letra,pois eram duas matérias que eu tinha estudado recente da faculdade e das quais eu gostava muito(devo ter acertado tudo)e a seguir um teste físico aplicado pelo oficial de Educação Física da GEB,que depois tornou-se um grande amigo e que foi morto por um criminoso,absurdamente,no Rio,o Ten.Anselmo Jarbas Muniz Freire,um R-2 de Engenharia,umas duas turmas mais antigo que eu e que tinha curso de educação física.Constava de subir uma corda de uns três/quatro metros de altura,que subi sem utilizar os pés,pois não sabia fazê-lo com esse auxilio,fazer dez barras,sem impulsão,abdominais em um um minuto(não lembro quantos) e quarenta cangurus(pular agachando-se e neste ato trocando as pernas da frente e de trás).Dei um banho:com 21 anos de idade e praticando exercicios,em especial futebol,futebol de salão e volei,foi mole,sendo aprovado com louvor.Daí assinei todos os papéis e fui admitido como funcionário público,lotado no DFSP,como tenente da GEB,sendo o ato publicado no Diário Oficial da União em 23 de agosto de 1961.O dia 23 foi de recebimento de uniforme,de enxoval de roupa de cama e de lotação.Como o quadro de oficiais era muito pequeno fui encaminhado para servir na Companhia de Trânsito,ao lado do quartel,como sub-comandante da mesma,que só tinha um oficial,o Comandante, Ten.Nelson Marabuto Domingues,que estava escalado para fazer um curso fora e eu fui mandado para lá para assumir o comando,logo que ele saísse para o curso,no inicio de setembro.Eu teria portanto de saber toda a legislação de trânsito brasileira,a organização do mesmo em Brasilia e tudo sobre os meus comandados e seus postos de trabalho,em cerca de sete dias.E foi o que fiz,ainda que no meio houvesse um tremendo quiproquó no Brasil.Estudei,dia e noite e encontrei,por ordem divina,uma anjo da guarda que me ajudou muito e que foi um irmão depois,o soldado Altamir Balbino.O que ocorreu e até temi de ser dada última forma no meu ingresso foi que no dia 25 de agosto o Presidente Jãnio Quadros,renunciou(até hoje acho que foi por causa do meu ingresso na GEB)e foram dias de incerteza para todos com a GEB a as FFAA de prontidão e ninguém sabendo direito o que estava acontecendo.E nesse embrulho eu perdido,ainda sem arma,não sabendo se tinha sido publicada no DOU minha admissão e o que fazer.Tratei de cumprir ordens,estudar tudo sobre trânsito e ficar quieto.O comandante da GEB entregou o comando e assumiu automaticamente o oficial do quadro mais antigo,João Gonçalves Neto,ex integrante da Policia Especial no Rio de Janeiro e que tinha ido para lá ainda no governo de JK e o resto foi se normalizando até ser implantado o parlamenatrismo e assumir a Presidencia João Goulart,no dia seis de setembro de 1961,ocasião em que já trabalhei duramente,organizando todo o trânsito das cerimonias,em conjunto com o pessoal de trânsito da Policia do Exército,responsável de tudo próximo ao Presidente.Madeira
1961,um novo ciclo,com o inicio da vida profissional
Na última semana de atividades no CPOR,lá chegou a noticia,não lembro de que forma,de que a PM/DF estava recrutando oficiais,entre oriundos do CPOR,em todo o Brasil,para formar seu quadro de oficiais,bastando lá comparecer,com a documentação pessoal,certidão de bons antecedentes,a carta patente(diploma de oficial das FFAA)e prestar exames de saúde,físico(provas físicas) e prova intelectual,para ser admitido e começar a trabalhar,como Tenente da então denominada GEB/Guarda Especial de Brasilia.Esse fato ocorreu porque com a transferencia da Capital Federal para Brasilia,o pessoal que fazia parte das policias que pertenciam a União,preferiu em sua maioria absoluta,ficar no Rio,passando a pertencer ao Estado recem criado e desistindo de continuar a ser federal,para não ter de mudar para Brasilia,no que aliás,em termos de qualidade de vida,na época,era uma boa ficar no Rio,já consolidada e não encarar Brasilia,sem nada e zero em qualidade de vida.Com isso a União teve de criar às pressas uma policia para Brasilia,optando por buscar para a civil delegados e agentes das cidades de Goiás e Minas,principalmente do interior,chamando-os e para formar a policia fardada,reservistas das FFAA,todos ingressando por esses pentes finos e passando a pertencer ao então DFSP(Departamento Federal de Segurança Pública),pois os órgãos,ou melhor suas estruturas foram transferidos,ainda que sem pessoas.Bem,eu estudava Direito(segundo ano)e nada mais e teria de ficar esperando os estágios no Exército e já acostumado a ter o meu dinheiro,resolvi,decisão tomada de imediato,começar a trabalhar,para não voltar a viver de mesada(o que aliás meu pai me propôs até eu me formar),ir para Brasilia e ver no que ia dar essa proposta de emprego,meio ou melhor bem aérea...Recebi a espada e a carta patente em trinta e um de julho e logo após o reinicio das aulas na Faculdade procurei os professores(e eu tinha um bom nome junto a todos,pois não faltava,participava das aulas e tinha excelentes notas)expliquei minha intenção,negociei as faltas e a partir daí fui fardado a sede do CAN(Correio Aéreo Nacional)da FAB,na então Base Aérea do Galeão,que ainda não era aeroporto de passageiros(o era o Santos Dumont),que era um órgão para levar correspondencia e tudo que mais necessário para o interior do Brasil e em especial,para Brasilia,então carente de tudo(foi inaugurada na marra,sem a minima condição).Lá inscrevi-me para voar para Brasilia e depois recebi um telefonema confirmando meu voo para o dia 21 de agosto,dia de aniversário de meu pai,às sete horas da manhã,com apresentação uma hora antes.Avisei aos meus pais,que não gostaram muito,tendo meu pai oferecido até conseguir emprego no Rio junto a amigos influentes dele,mas convenci-os que iria seguir o meu caminho(E QUE CAMINHOS).Assim preparei-me e com a farda de passeio vestida e a bolsa verde do CPOR,contendo apenas uma muda de roupa civil,pois esperava fazer as provas e ainda voltar ao Rio,viajei.Foi em um DC-3,um avião militar,bi-motor,de hélices,que quando pousado ficava inclinado na direção da traseira e na qual você viajava de lado,em assentos de metal,com um cinto de segurança na cintura,com uma janelinha atrás e na qual tinha uma tampinha redonda no meio que quando o calor estava muito forte,você tirava para ventar dentro um pouco.Voava baixo,fazendo sombra no chão e você via claramente as casas e as pessoas,ainda que estas pequeninas.O voo RioxBrasilia durava no total cerca de seis horas,sendo uma e meia até Belo Horizonte,onde pousava,todos desciam,para o reabastecimento do avião e para fazer as necessidades,pois a bordo não tinha banheiro(era um avião militar),permanecendo no solo cerca de quarenta e cinco minutos,com reembarque e mais duas horas e meia até Brasilia,onde a vista do alto,quando da chegada,era desoladora,pois só se via terra vermelha,muito deserto e avermelhado,com poucas construções,salvo um aglomerado que era a Esplanada dos Ministerios e dois aglomerados,que eram em torno da W-3 Sul e em baixo da L-2 Sul(esses nomes eu soube depois),além de alguns poucos locais de barracos de madeira e ruas de terra,as chamadas cidades satelites,Taguatinga,Gama,Sobradinho,Cidade Livre e Velhacap,onde ficava o quartel da GEB,que no planejamento original era para serem desativadas, destruídas.De bonito mesmo somente o Lago do Paranoá,que se destacava no meio da aridez desertica local.Assim viajei e comecei esse novo ciclo.Madeira
segunda-feira, 8 de março de 2010
A vida em 60/61,fora da Faculdade e do CPOR
Noites na Faculdade,fins de semana nas aulas,quando do período descontinuo e em todos os dias nas férias academicas,no período contínuo no CPOR/RJ e os dias preenchidos por estudos,namoro nos finais de semana,peladas e de chuteira jogos em diversos times sem compromisso,ganhando um dinheirinho amador.Assim,joguei durante alguns meses em um time tradicional de Mendes,o Frigorifico,para onde ia nos sabados de manhã,quando livres,de trem,treinava leve,concentrava e jogava nos domingos a tarde,voltando de trem para casa.Também jogava as peladinhas com a turma,sempre lá no Colegio Batista,namorava muito,lia bastante e organizava-me em uma nova casa,pois meu pai tinha resolvido aposentar-se e vendeu a Padaria Laís e o sobrado em cima e comprou uma casa na Rua Souza Franco 462,em Vila Isabel,bem próximo da Av.Vinte e Oito de Setembro,rua que terminava no então pacifico Morro dos Macacos.O Rio de Janeiro de então era tão pacato que a minha turma da José Higino teve um tempo em que alugava um campo de futebol do Morro da Caixa Dágua,ao final da rua Maria Amália,na Tijuca.Iamos lá jogavamos contra outros times de adolescentes e não existia qualquer problema.O Maracanã era um programa certo com a turma e ia-se(menos eu,que nunca usei)todos juntos,torcedores de times diferentes,com as camisas de seus times,sentando junto e sem qualquer bronca.Lá vi grandes jogos, inesquecíveis de times maravilhosos,tais como o Botafogo de Garrincha e o Santos de Pelé,bem como times estrangeiros,pois naquela época era comum virem times da Europa,fazerem preparação no Brasil e disputarem torneios.Vi o Honved,com Puskas e seus companheiros;Real Madri de Di Stefano;Milan,Benfica e times argentinos e uruguaios excelentes,os primeiros com goleiros espetaculares,como Carrizo e Roma.Também tinha o Torneio Rio x São Paulo com jogos espetaculares e craques,em toda a acepção da palavra,em uma quantidade e de uma qualidade hoje não existente.Também foi um período marcante de minha vida.Madeira
A Formatura como R/2 do EB
Enfim,dois anos de estudos teóricos e práticos e chegou o dia da formatura de recebimento da carta patente de Oficial R/2 do Exército Brasileiro.Após o resultado dos dois anos de preparação e a colocação final,importantíssima,pois as promoções e demais decisões nas forças armadas o são por merecimento(elogios e avaliações de superiores)e por antiguidade,esta decidida,quando a data de ingresso é a mesma pela classsificação nos cursos de formação.Bem,conforme já explicitado,fui muito bem,desde o primeiro ano,tanto que tive durante o segundo ano sempre o exercício de cargos de comando em todos os momentos,terminei o curso como terceiro colocado da Infantaria,em um total de 250 alunos colegas,o que valeu,não ter de adquirir a espada,símbolo do oficialato e recebê-la de presente de um oficial general membro do Alto Comando e ter preferencia para escolher o local dos estágios de aprendizagem(tres meses) e de serviço(um ano).Isto foi bom e fator de muito orgulho de meus pais e irmão,mas foi também triste porque recebi a espada na tribuna de honra do estádio do Vasco da Gama,São Januário,sob o olhar de aprovação dos meus,mas não recebi,como os outros das mãos dos pais,mas dois prazeres não cabem em um saco só,como diz o ditado popular.Esta cerimonia ocorreu no dia 31 de julho de 1961 de manhã,com o estadio cheio,pois eramos no total geral de todas as armas 500 jovens recebendo espada,em um belo dia de sol,no gramado de São Januário e com muita alegria e vibração.A noite ocorreu no Clube Sirio e Libanes,na Lagoa o baile das espadas e na véspera na Igreja da Santa Cruz dos Militares,próximo a Praça XV,ocorreu a missa de benção das espadas,muito linda e emocionante.Valeu em todos os aspectos e ângulos,tanto na aprendizagem da teoria militar,na prática das situações de combate,como principalmente na educação civica de amor a Pátria,na união fraterna,na camaradagem reinante,na sinceridade,sem mentiras e falsidades,fatores que por educação paterna eu já seguia,mas que o amado EB desenvolveu no meu interior.As minhas escolhas para local dos estágios foi mais pela proximidade de minha residencia do quartel,do que de qualquer outra coisa.Escolhi o então Segundo BIB,em São Cristovão,próximo a estação de trem da Central do Brasil,da Mangueira,quase ao lado do portão principal de entrada da Quinta da Boa Vista,onde fiz tanto o de complementação de aprendizagem,de três meses,feito em 1963,como o de serviço,de um ano,em 1964/1965.Valeu CPOR.Ten.R/2 Madeira
segunda-feira, 1 de março de 2010
Ainda o CPOR/RJ
A didática de ensino militar é fabulosa e força o aluno a prestar atenção e a se sentir sono é obrigado a ficar em pé no fundo da sala.Toda aula,lá chamada de instrução,divide os cinquenta minutos em cinco de apresentação do conteúdo, obrigatoriamente e ligando-o ao último lecionado,a seguir o desenvolvimento do assunto,cerca de trinta minutos,com mais cinco de conclusão e sempre uma VI,verificação imediata,sem consulta,nos dez minutos finais,sobre o explicado,valendo nota.Não há quem possa voar,distrair-se,pois se o fizer leva ferro logo de cara.Ao final de cada disciplina tinha a VF,verificação final.Com isso eu ajudado pela minha excelente capacidade de reter os conhecimentos,além de querer aprender e ser um bom oficial,sempre me dava muito bem,não sendo o primeiro por causa de dois cdf.Também para cada aula era distribuída o material(apostila) do ensinado.Já a parte prática de exercicios de campo era também muito puxada,com marchas,com todo os apetrechos de um combatente,no primeiro ano muito pesados e como ainda não existia uma classificação distribuidos aleatoriamente(em uma das marchas eu era o municiador de morteiro 60 e carregava a placa-base do referido,que é pesada para cacete.São a cada ano várias marchas,desde a menor,a primeira,de oito km,com uma noturna de dezesseis,até a maior de trinta e dois km.Já no segundo ano,eu que estava e acabei em terceiro lugar comandava uma companhia e andava com a Colt 45 na cintura,leve e lépido.Os exercicos de tiro,que incluiam a desmontagem e limpeza perfeita do armamento,após o mesmo,eram no estande do EB,na própria Quinta da Boa Vista.As jornadas,de um dia inteiro,eram iniciadas com uma marcha de deslocamento e exercicios de combate e retorno também marchando e cantando canções militares.Quando a noite,após os exercicios de combate noturno,o restante da noite era em bivaque,dormir ao ar livre,no próprio terreno de combate.Os acampamentos,de sete dias,começavam com a montagem da barraca de dois,ou seja,você tinha o seu "de rancho",nome militar do companheiro de barraca ou de qualquer atividade e com ele montava ao chegar a barraca e desmontava no último dia,dentro do que determinava o regulamento,sendo sempre a ida e a volta a pé,marchando e todo o tempo,desde a alvorada,às seis horas até o toque de silencio,às 22 horas,repleto de atividades exaustivas,com ataques e defesas,cavando trincheiras,rastejando,atirando em todas as situações,utilizando a bússola,com o toque de rancho,almoço e de janta,com banheiro/fossa para as necessidades de defecar,banho coletivo,atrás de toldos e refeições em marmitas(no meu primeiro dia do primeiro acampamento estava chovendo e meu arroz com feijão,batata cozida e carne desfiada,boiava,devidamente misturados com a água da chuva).Tudo feito da forma correta e bem aprendido,para se necessário defender a Patria.O nosso comandante,da décima escola era o Capitão Beliard e o nosso sargento o sargento Osvaldo,ambos exigentes,mas amigos,respeitosos com a nossa inexperiencia.Havia uma disputa saudável entre os pelotões no sentido do garbo,do empenho nas atividades diárias,na limpeza do alojamento,na organização da reserva de armamento,que tinha sempre de estar brilhando,assim como nosso uniforme,dos pés à cabeça.Kaol no cinto,palha de aço no armamento,graxa nos sapatos,vinco nas calças,enfim a busca de um gabarito e de uma excelencia,na qual todos se empenhavam,incentivados pelos colegas e para não sofrer sanções disciplinares,das quais a mais temida era a revista(obrigatoriedade de dormir no quartel,apresentando-se antes das 21 horas para a revista/conferencia)e a pior a detenção,ou seja ficar recolhido ao quartel,sem poder ir para casa.Para tanto,bastava uma simples dormida em aula,ao invés de levantar-se e ir para o fim da sala,um sapato mal engraxado,continencia não feita ou não se levantar quando passava um superior,barba mal feita,cabelo não cortado regulamentarmente(máquina zero),farda mal passada,enfim algo que demonstrasse ausencia de cuidados consigo ou com o material a si distribuído.A hora da saída,após um dia de trabalho,era o momento de suspense,pois existia sempre o temor de quem seria o oficial responsável pela revista de uniforme e de como estaria o humor dele,se muito exigente ou de bom humor,liberando pequenos defeitos.Muitas vezes havia implicancia com o cabelo ou barba e o candidato a ir para casa voltava duas/três vezes,muitas vezes com o sangue escorrendo do rosto,de tão escanhoado ou com o sapato brilhando mas não satisfazendo o oficial responsável.Dentre os demais oficiais,comandantes das outras escolas,mas todos instrutores,tinhamos na sexta,o temido Capitão Ortiga,vibrador,um dos que mais massacrava na hora de saída,levando até algodão para passar na barba do aluno e ai se ficasse um fiapo no rosto,na sétima,o Capitão Lacordaire,boa gente,meio avoado,na oitava, o Capitão Pontual,outro vibrador,um baixinho temido,que chegou a general,na nona,o boa praça,Ten.Magno,que tinha feito CPOR e depois se entusiasmou e entrou para a AMAN e por isso entendia bem quem eramos nós e a nossa,a décima,com o Capitão Beliard.Madeira
O CPOR/RJ
15/12/1959 a 31/07/1961,dois anos de estudos teóricos,em sala de aula,puxados e de prática através de exercicios de campo,desde jornadas(um dia ou noite inteiros)a acampamentos(sete dias),marchas,tiro real,enfim tudo o que era necessário para formar um oficial de Infantaria do Exército Brasileiro.O curso dividido,na época,em dois anos e dentro destes em períodos continuos(os em que as atividades eram durante os seis dias da semana),que correspondiam aos períodos de férias academicas e em períodos descontinuos(atividades aos sabados e domingos),que correspondiam as datas de aulas nas faculdades,ou seja,o primeiro de dezembro a fevereiro e em julho e o outro nos demais meses de aulas,lembrando que isso era assim por só poder fazer o CPOR quem já estava cursando curso superior.No primeiro ano aprendia-se a formação básica militar,tal como os regulamentos militares,ordem unida,tiro,maneabilidade e as atividades mais básicas,incluindo faxina de alojamento,de banheiros,guarda de quartel,tal como se fosse um soldado.Já no segundo ano estudava-se as disciplinas referentes a comando como topografia,comando/liderança,planejamento,politicas militares,combate,sendo as mesmas exercidas,tendo os alunos do primeiro ano como subordinados e tendo-se a graduação das atividades pelas notas,ou seja baseado,como tudo nas FFAA,pelo merecimento.Vejam uma pequena diferença do primeiro para o segundo ano:naquele nas marchas você era um subordinado e carregava o amigo inseparavel do soldado,o fuzil,enquanto no segundo ano,a pistola no coldre,na cintura,uma diferença de dois/três quilos...Bem,escolhi a Infantaria,por desejar ser um guerreiro e como bem o diz o lema do infante,poder,quando em combate,ver o branco do olho do inimigo,o que só o infante pode.As demais armas e serviços combatem a distancia(o que é importante e sem as quais o infante não poderia ir ao ataque em condições favoráveis),mas é o infante que combate no corpo a corpo e que ocupa e assegura a ocupação do terreno,portanto algo diferenciado e que assegura a Infantaria,dentro do Exército,o justo título de "Rainha das Armas".Vibrei e muito durante todo o curso,esforçei-me,estudei,cumpri,todas as missões individuais e dei o melhor nas coletivas,terminando o curso como terceiro colocado da Infantaria,sobre 250 alunos e com isso recebendo a espada,de presente,dada por um General,na tribuna de honra do estadio de São Januario,campo do Vasco,onde era a formatura então,dos cerca de 500 aspirantes formados a cada ano.O CPOR tinha sempre 500 alunos de Infantaria,100 de Artilharia,100 de Cavalaria,100 de Engenharia e 100 de Intendencia,sempre metade em cada ano,com um total de 1000 alunos-oficiais em seu quartel,em São Cristovão,encostado no portão da Quinta da Boa Vista de São Cristovão,onde realizavamos nossos exercícios físicos e de ordem unida(marchar),alem de fazer nossos desfiles nas datas cívicas.O CPOR também tinha todo ano olímpiadas,com os esportes de quadra(futebol de salão,volei e basquete)e minha escola,a décima(era em ordem alfabética a alocação do aluno nas escolas ou pelotões,cada um com 50 componentes) marcou época por ser campeão de futebol de salão nos dois anos e invicta.Tinhamos um timaço,jogando com o Wilton(o 1250)como parado,muito forte,o Uagir Matouc(1238/Gico)ala direita,eu(1237/ala esquerda)e o Rufino(1219/atacante,muito rápido),além do Sebastião(1235),que entrava na frente ou como ala,passando eu para parado.Nem lembro quem era o goleiro,pois o time era muito bom,sendo o Gico,craque,juvenil do Botafogo e o Rufino do Vasco.Meu nome de guerra foi me imposto como Madeira e a partir daí seguiu-me por toda a vida e o foi pois por costume do EB,o mesmo é dado quando você se apresenta e de preferencia sendo um sobrenome e antes de chegar ao T,teve um Dias na sexta escola.Assim se tivesse tido um Madeira antes eu teria de ser Theotonio.A minha rotina para chegar ao quartel e iniciar as atividades diárias era sempre a mesma:acordava às quatro e meia da manhã,após deixar de véspera a farda impecável(eu mesmo a passava,bem como engraxava os sapatos e os coturnos,além de fazer brilhar com kaol a fivela dos cintos),fazia a barba,já tendo o cabelo cortado semanalmente a máquina zero,descia,após o banho e vestir parte da farda e ia pelos fundos da padaria pegar pão quentinho,para tomar com café e leite por mim preparados,pois não acordava meus pais,dormindo inclusive com o despertador,daqueles antigos,com duas grandes campaínhas debaixo do travesseiro,para não acordá-los.Após isso na faixa de cinco e quinze da manhã saía de casa e ia a pé até o fim da rua Antonio Basilio,cerca de cinco minutos,onde entrava à esquerda,passando em frente ao quartel da Policia do Exército,na esquina da Barão de Mesquita com a Pinto de Figueiredo,onde pegava o bonde das cinco e meia(ou o 69/Aldeia Campista ou o 70/Andaraí)até a Praça da Bandeira,onde saltava e ia a pé até o quartel,passando em baixo do viaduto em uma andada de mais uns dez minutos.No quartel era só ir para o vestiário e lá trocar,rapidamente,a farda de passeio pela de instrução,de maneira a estar pronto no pátio,cerca das seis horas,para a formatura diária às seis e dez.Era muito gostosa essa rotina,compensada pelas atividades do QTS(quadro de trabalho semanal),onde estava escrita a programação da semana,com seus horários,uniforme,sala e instrutor.Madeira
sábado, 27 de fevereiro de 2010
A Faculdade de Direito Cândido Mendes(1960/64)
Como eu não suportava ciências exatas,tendo mesmo grandes dificuldades com Matemática,Fisica,Quimica e similares,fugi delas desde o hoje ensino médio,indo fazer curso clássico,onde elas não existiam e depois escolhendo uma área de ciências sócio-humanisticas,no caso Direito.Decidida a área,no final de 1959,com o clássico concluído no Andrews e muito bem preparado,pois efetivamente o Andrews era e é um excelente colégio,inscrevi-me em dois vestibulares,então classificatórios e dificilimos,pois a relação candidato vaga era de uma discrepancia imensa.Escolhi a Nacional,federal e a Cândido Mendes,particular a mais antiga e tradicional do Rio,sita em um casarão,onde inclusive tinha residido D.Maria I,mãe de Dom João VI,conhecida como D.Maria,a louca,do qual ainda existe parte,tombada,na Praça XV,em frente a estação das barcas.Passei em ambas,a Cândido em terceiro lugar e optei por ela,apesar de ser paga,face aos movimentos estudantís de então,contra tudo e todos,que levavam a Nacional a viver em greve e sem aulas.O vestibular de então era em duas etapas,a primeira eliminatória e a segunda classificatória,matriculando-se os cem primeiros colocados no somatório das duas notas.A primeira fase era escrita e constava de dois dias de provas escritas,constantes sempre de uma questão discursiva e de duas outras de perguntas,que tinham de ser respondidas desenvolvendo-se um raciocinio(não existiam então questões objetivas).No primeiro dia a prova era só de Lingua Portuguesa e no segundo dia de História e Geografia e de uma lingua estrangeira,à escolha quando da inscrição e que eu tinha optado por françês,todas com questão discursiva,inclusive a lingua estrangeira.Lavei a égua,graças ao Andrews e sem fazer cursinho pré vestibular como todo mundo fazia,sendo na área de Direito o principal o curso Helio Alonso.O curso na Cândido Mendes foi excelente,mesmo eu fazendo parte dos segundo e terceiro ano,assistindo as aulas pela metade,em um tipo semi presencial(foi quando eu fui para Brasilia e entrei para a GEB,isto em 62/63)graças aos meus colegas e a me desdobrar e provar aos professores que o conseguiria.Os professores eram as maiores sumidades de Direito da então Capital Federal,juizes,desembargadores,ministros,autores de livros e com vantagem sobre a Nacional,pois tinham a prática diuturna.Posso citar Celio Borja,o maior constitucionalista brasileiro,que depois foi Ministro da Justiça,os irmãos,ambos juízes,Eliezer e Eleazar Rosas,Cristovam Breiner,um dos maiores civilistas do País,autor de vários livros,João Baptista da Costa,professor de Economia Poltica,também autor consagrado,Heleno Fragoso,o maior criminalista do Brasil,com livros até hoje insuperáveis nessa área,Helio Gomes e seu inseparavel charuto,craque em Medicina Legal,com livros até hoje biblias no assunto,dentre outros.O curso era extremamente puxado,em ritmo anual,não semestral como hoje,dividido em dois semestres,com aulas direto,sem faltas de professores,com dez pontos dados em cada semestre e provas parciais ao final de cada semestre,escritas e orais e depois no final do ano,após as segundas provas parciais,as provas finais,também escritas e orais,com os pontos sorteados pelo inspetor federal,que acompanhava as aulas ocasionalmente e as provas direto.A nota para passar de ano era cinco e sem contemplações,ou seja,ao final não alcançou cinco estava reprovado,podendo sê-lo em até duas matérias que então levava para dependencia,que fazia no ano seguinte,ou seja,já aí atrasava um ano,mas só fazia as disciplinas da reprovação.Se ficasse em mais disciplinas reprovado tinha de fazer todas,mesmo as que tinha sido aprovado.Durante os meses não existiam provas,somente ao final do semestre,conforme calendário,primeiro as escritas,uma por dia,durante os cinco dias da semana(eram senpre,durante todo o ano,cinco disciplinas) e na semana seguinte as orais,também conforme calendário e sem possibilidade de faltar,que significava zero,salvo faltas legais.Ambas eram aterrorizantes,mas as orais eram mais,principalmente as finais,onde você já entrava sabendo quanto precisava para passar,que era o que faltasse para fazer a média aritmetica cinco e na qual caíam todos os assuntos dados no ano.Assim,o ideal era fazer-se o máximo de pontos durante as provas parciais para entrar nas finais precisando de pouquíssimos pontos.Nas parciais era só o professor da disciplina e o inspetor e após você sentar na cadeira perante ele,sem o apoio de nada e de ninguém,com a turma as suas costas,sorteava o ponto e aí ele perguntava o que queria e da forma que queria e você não sabia da nota da hora,que depois era afixada na secretaria.Na final era muito pior,pois você era examinado por uma banca de três examinadores,com a presença do inspetor federal,sendo que o titular da disciplina,após o ponto sorteado por você,dizia o nome do mesmo e mandava você dissertar a respeito,assistindo a tudo impavidamente,sem tugir,nem mugir e você pensando fui bem?,Acertei?Depois ele dizia pode passar para o outro examinador e os outros dois sucessiva e independentemente faziam perguntas soltas sobre o ponto,a maioria sem te ajudar em nada.Ah,o vestibular também funcionou assim...Era foda e comparado com hoje então de lascar mesmo,sem maiores chances.Você tinha de ler muito,estudar muito mesmo.Eu estudava as manhãs e tardes em casa e quando em Brasilia devorava os livros em cima dos programas das disciplinas que recebiamos no inicio do ano,junto com as bibliografias.Eram cursos dificeis,puxadíssimos,mas quem se formava sabia mesmo.Nem precisava e existia prova para a Ordem.Quando voçê terminava o terceiro período,tinha de ir a Ordem e inscrever-se como solicitador,recebendo então uma tipo pré carteira da Ordem,com a inscrição de "Solicitador",que lhe dava direito de assistir a advogados,de frequentar os foruns,acompanhar ações,etc.A minha teve o número 777,o que me fez não esquecer desse fato.Foi um curso excelente,no qual tive um ótimo aproveitamento,terminando-o com média geral/final de 8,04,o que me permitiu inscrever-me no curso de Doutorado da Nacional,único que havia então no Rio,que fiz depois(à época não havia curso de mestrado,apenas de doutorado,no qual podiam inscrever-se quem tivesse média geral acima de oito no curso e sete de média por disciplina).As disciplinas cursadas de que me lembro foram Introdução ao Direito,Direito Romano,Ciência Politica,Economia Politica e Ciência das Finanças,no primeiro ano e depois Direito Constitucional,Direito Penal,Direito Civil,este dividido pelas suas áreas,parte geral,Familia,Sucessões,Coisas,em vários anos,Direito Processual Penal,Direito Processual Civil,Direito Trabalhista e Previdenciário,Direito Internacional Público,Internacional Privado,Medicina Legal,Direito Economico,Direito Financeiro,Direito Admlnistrativo,enfim,para então um currículo excelente.De lá lembro também de que certa feita a UNE tentou fazer ma greve,impedindo que os alunos entrassem para fazer as provas parciais e nós os peitamos e entramos na marra.Valeu minha Faculdade querida e séria,exemplar.Madeira
Um novo ciclo:1960/61,com o CPOR/RJ e a o curso superior
1960 marcou uma radical tranformação em minha vida face ao ingresso no curso de Direito,na Faculdade Cândido Mendes(também passei na Nacional,mas preferi a Cândido face aos continuos movimentos e greves estudantís da Nacional)e a prestação do serviço militar no curso de Infantaria do CPOR/RJ,com isso associando-se ainda a aposentadoria de meu pai,consumada com a venda da padaria Lais e a nossa mudança para Vila Isabel,para a rua Souza Franco 462,encostado na avenida Vinte e Oito de Setembro.A nova casa,comprada por meu pai,era um sobrado(ele gostava de sobrados),tinha o número 102 e entrada ao lado do terreo,por uma única porta,que dava acesso,por uma escada,de uns trinta degraus,a um hall,onde meu pai colocou a sua escrivaninha de madeira,onde ele apoiava os jornais diários que lia e fazia suas anotações,recibos dos aluguéis,outros;atrás dessa escrivaninha ficava o quarto do casal e o quarto de vestir,o primeiro com uma pequena varanda e o outro uma janela,na qual meu pai ficava horas olhando os passantes,a maioria conhecido e que o cumprimentavam;no quarto de dormir uma cama de casal,com duas mesinhas de cabeceira e os respectivos abatjours e em frente,no quarto de vestir,na lateral da janela,um imenso guarda-roupas e ao lado uma comoda de seis gavetas,poucos móveis e sóbrios,características de meus pais;em seguindo a esquerda do hall,um corredor,que conduzia até a sala de jantar,na lateral do mesmo ficando os dois quartos,um com minha cama e armario e no outro um monte de bagulhos,tipo máquina de costura;na sala de jantar,ao adentrar nela,uma bela cristaleira,plena de cristais,copos,taças, chicaras,outros,tendo ao lado uma velha e gostosa cadeira de balanço,a frente dos quais tinha uma mesa de refeições com seis cadeiras e um porta louças de madeira,com a janela lateral;após,na reta o grande banheiro,com banheira,a esquerda do qual tinha uma pequena dispensa,de prateleiras e a direita a cozinha,tudo terminando em uma boa área descoberta,com uma lavanderia,tanque e máquina de lavar.Era pequena e grande,pois tinha todos os compartimentos amplos e bons e no entanto era bem compactada.Casa nova,fora do Confiança,da Atletica Carioca,sem outros registros esportivos em Federações,longe da turma da José Higino(frequentada de 51 a 59),das peladas e programas de adolescentes,com a maioria dos membros da turma já trabalhando,eu estudando de noite,com os sabados e domingos,quando das aulas,no CPOR(mais um fator impeditivo de disputar torneios oficiais) e quando das férias academicas a semana toda no CPOR,estudando que nem um desesperado(isto era em dezembro,a partir do dia 15 até a mesma data de fevereiro e todo o mes de junho/julho(era assim porque só podia fazer CPOR quem era academico e o calendário do CPOR não podia bater com o das Faculdades),minha vida mudou muito.Antes eu vivia de mesada e,à exceção do Confiança,onde eu distribuía o que recebia,das gratificações dos times porque jogava e agora eu tinha salário,o de aluno do CPOR e tinha de pagar a Faculdade,pois a partir de então não aceitei mais que meu pai pagasse meus estudos.Namoro também passou a ser ocasional,quando dava e as coisas começaram a mudar mesmo.Politica na década de 50 e inicio da de 60 era feita através de inumeros partidos,mas com quatro dominantes,a UDN de Carlos Lacerda,o maior tribuno e administrador público que conheci,partidoque hoje seria tachado de direita,o PSD,conservador,o PTB de Getulio Vargas,populista/berço do sindicalismo e o PRP,paulista,de Adhemar de Barros.Sempre inclinei-me pela UDN,pela rigidez ética com que se comportavam seus membros,todos de uma lisura impar e pela politica economica liberal,pois acredito que,ainda que o Estado tenha que ter meios de controle,para evitar os excessos humanos,o homem tem de disputar,de buscar o que de melhor sua capacidade consiga e não viver de esmolas governamentais.Madeira
Os demais esportes nesse ciclo:1956/59
O Colégio Andrews não tinha,nem tem,como bandeira a prática esportiva do alunado,tendo nos três anos que lá estive,cursando o clássico,apenas em um ano uma disputa de uma olimpiada com o colégio Getulio Vargas,da Fundação do mesmo nome,em Friburgo,no qual compareci,pelo time de futebol e fomos derrotados por 3 x 1.Mas foi uma viagem gostosa e esculhambada de quase uma semana e nós ficamos hospedados lá no colégio deles,que fica no cimo de uma ladeira muito íngreme e o maior trabalho era recuperar os bebados,que não conseguiam subí-la no fim da noite.Imaginem só,uma delegação esportiva composta de filhinhos de papai,todos residentes na zona sul(Copa,Ipanema,Leme,Leblon,eu era,acho que a única exceção),soltos em uma cidade estranha.Ainda bem que não existiam drogas,só bebidas alcoolicas.Fora o futebol de campo,nesse período na Portuguesa e depois,de novo,no Confiança,eu continuava,durante a semana a jogar minhas peladas com a minha turma da José Higino,normalmente nos campinhos do Colégio Batista,no alto da José Higino,joguei ainda futebol de campo pelo Alvorada do Encantado,levado pelo Russo,quarto zagueiro do profissional da Portuguesa e que depois foi para o Vasco,substituir o Orlando Pessanha,bi-campeão que foi para o Boca Juniors(lá no Alvorada era chamado de Bibinho,apelido de infância),para onde fui para jogar um torneio amador patrocinado pelo jornal "A Noite".O campo do Alvorada(que tinha um time muito bom,fomos vice-campeões desse torneio),era no suburbio do Encantado,logo depois de Engenho de Dentro e tinha como caracteristica,ser em um local onde existiam vários outros campos de futebol amador próximos,como o do Dinamo e o do Maravilha de Quintino,bairro vizinho,onde começou a jogar o Zico.Nosso campo,no sentido de quem chegasse(não era um estadio,pois era aberto,tinha a direita,um riacho,bem imundo por sinal,onde a bola caía às vezes e onde o nosso lateral direito,o Mario Português,que como o nome diz era grosso,jogava de vez em quando um ponta esquerda,mais veloz.Também disputei o campeonato de futebol de salão da cidade pelo juvenil da Associação Atlética Carioca,que ficava também em Vila Isabel,um bom time que ficou entre os classificados da chave urbana,disputando o super campeonato e ficando em terceiro lugar,sendo campeão a AA Vila Isabel,à época dona dos melhores times do Rio.Com isso joguei em todos os campos amadores e profissionais do Rio,bem como em todas as quadras e ginásios.No futebol de salão joguei entre outros nas quadras do Flamengo,Vila Isabel,Maxwell,Carioca da Gávea,América,Grajaú,Atletica do Grajaú,Club Municipal,Raio de Sol,Social Ramos,Bonsucesso,enfim em todas de então.Assim,entre os estudos pelas manhãs no Andrews,reuniões e peladas com a minha turma,jogos de torneios oficiais nesses clubes e nessas modalidades,namoro firme com a Gina(foram cerca de seis anos de namoro),passeios e peladas ou jogos em outras cidades vizinhas do Rio,passei esse ciclo,sendo que no próximo tudo se transformaria radicalmente.Madeira
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
O Confiança em 1960 e o fim desse ciclo futebolistico
Os meses entre Natal e Carnaval eram de recesso e assim somente em fevereiro de 1960 foi disputado o super campeonato para consagrar o campeão carioca amador de 1959.Bem,nós não eramos mais a surpresa(todos os outros já disputavam o campeonato há anos e se conheciam) e a parada do campeonato nos desarticulou e fomos mal,conseguindo apenas 8 pontos ganhos,contra 12 do campeão que foi o Campo Grande,esse mesmo que até hoje disputa o campeonato carioca,ora na segunda divisão.Nossa classificação final foi,em um campeonato equilibradíssimo,em que a diferença entre cada um foi de um ponto,em quinto lugar,a quatro pontos do campeão.O último jogo desse campeonato representou a minha separação,o fim da minha carreira no Confiança,ocorrida,tanto pelo baixo nível de compreensão de torcedores,como pela minha arrogancia,ao entender melhor que a massa de operários de futebol e fazer como eu achava que devia fazer.Também pesou eu namorar a garota mais bonita da fábrica,a Gina e já então estar(1960)no CPOR e volta meia,face aos horários chegar lá fardado de aluno-oficial.O que ocorreu foi o seguinte:último jogo do super campeonato,no nosso campo,contra o São José e se vencessemos seriamos vice-campeões e se empatassemos ou perdessemos seriamos quarto ou quinto.Jogo igual,disputado,virou um a um e nós partimos para cima e eu,então capitão do time,mandei meus beques avançarem e fui jogar adiantado,na altura da linha média.Os torcedores,que já implicavam por eu não dar saída dando balão para o alto,reclamavam e eu ignorava.Ganhei uma ou outra bola esticada,mas em um contra ataque rápido,pelo chão,o centro avante do São José,um lourinho rápido,muito ágil,apelidado de "Manteiga"(era de fato muito escorregadio),caiu pelas costas de nosso quarto zagueiro e quando eu fui de encontro a ele,já pensando em fazer a falta(naquele tempo não tinha nada de último homem,nem cartões)ele deu um toque de biquinho,quase do meio dde campo e fez o gol da vitória do São José.Fim de jogo,de campeonato e de seis anos de Confiança,pois discuti com algumas pessoas,mandei se fuderem e informei que não mais jogaria pelo Confiança,o que aliás estava muito complicado face aos estudos,já na Faculdade e ao CPOR.Recebi um apelo do técnico,o seu Amancio,sábio e ponderado de esperar um pouco e fui dispensado por um mes para esfriar a cabeça,aparecendo apenas para as homenagens pelo título da zona urbana,mas confirmei a minha decisão(devo ter sido mais uma vez arrogante e dono da verdade,mas...)e depois ficou acertado,que eu faria um jogo de despedida,jogando meio tempo contra o juvenil do Flamengo,o que fiz,saindo no intervalo,vencendo por um a zero,com a alma lavada.Parei nesse ano com disputa de jogos oficiais,mas o Confiança nunca me saiu e sai da cabeça,por tudo que vivi e aprendi lá de futebol,além de ter convivido com pessoas simples e maravilhosas,como os demais jogadores,funcionários(seu Almeida,o roupeiro e o Nilton,o massagista) e meus técnicos,tanto no infanto(o Duca),como no amador(seu Amancio).Tenho ótimas recordações,tenho saudades e certamente quem errou mais uma vez fui eu,por excesso de confiança(sem trocadilho).Depois de desligado do Confiança,secura como era,fui jogar no Senhor dos Passos,equipe da região árabe do centro do Rio,que era tricolor,como o meu Flu,mas logo depois fui para Brasilia e aí abandonei o campeonato carioca do Departamento Autonomo.Antes de ir para o Senhor dos Passos disputei o campeonato amador do Estado do Rio pelo Frigorifico de Mendes,para onde eu ia toda sexta feira de trem,concentrava e jogava...Madeira
O Confiança em 1959
Em 1959 o Confiança que já tinha disputado o Campeonato Metropolitano de Futebol,quando ainda era amador,nas décadas de 20 e 30,resolveu voltar a disputar campeonatos patrocinados pelo Departamento Autonomo da Federação Metropolitana,como time amador que era.Estadio aprovado,jogadores registrados,lá fomos nós disputar o campeonato de 1959,que terminaria no primeiro trimestre de l960,face a uma excursão da seleção do campeonato,de duração de quase quatro meses,no tempo de recesso dos campeonatos europeus,de maio a agosto,para aqueles que se classificassem.O campeonato do DA era disputado dentro de series,buscando com isso diminuir os deslocamentos dos times e aproveitar-se das rivalidades dos bairros.Existiam três series,batizadas pelo nome da área de localização dos times que as compunham.A Série Central,onde o Confiança se inseria,que era disputada em turno e returno,com jogos no campo próprio e o outro no do adversário,pelos times com campo situado no centro e nos bairros do Rio;outra dos times situados nos suburbios do Rio,das ligações ferroviárias,tanto da Central,como da Leopoldina, denominada de Série Suburbana e a terceira de clubes apenas da então zona rural do Rio,chamada de Serie Rural,cada uma serie com oito clubes.Os dois primeiros de cada serie classificar-se-iam para o super campeonato que indicaria o campeão carioca de 1959.A lembrar,alguns clubes que tivemos na Serie Urbana,a nossa,eram o Atilia,da zona portuária do Rio,o Del Castilho,do bairro do mesmo nome,o Nova américa da fábrica de tecidos do mesmo nome(tinha um campo excelente),o Paredense de uma Viação de onibus,o Expressinho da Tijuca(do Alto da Boa Vista),o Senhor dos Passos do centro do Rio,do Saara;nas outras series,Campo Grande,Manufatura,Oiti,de Bangu,Irmãos Goulart de Olaria,São José de Magalhães Bastos,dentre outros.Bem,na fase classificatória,iniciada no primeiro domingo de maio,dia três,com o Torneio Inicio,tivemos uma excelente participação,classificando-nos para o super campeonato,como campeões da nossa chave,com 19 pontos ganhos,nove vitorias,um empate e duas derrotas,trinta e dois gols pró e 16 contra,sendo o segundo a Viação Paredense.Nas outras chaves classificaram-se Manufatura e São José,na suburbana e Campo Grande e Oiti na rural.Então foi o campeonato interrompido para a formação e treinamento da seleção que iria excursionar na Europa,por três meses e meio,com um total de 44 jogos,praticamente de três em três dias,sempre contra times amadores,de toda a Europa.Fui convocado,juntamente com o goleiro do Campo Grande,um também lourinho,apelidado de Castilhinho,em referencia ao goleiro do Fluminense.A apresentação foi no campo do São José,em Magalhães Bastos e lá foram os treinamentos.Tudo bem,mas logo concluí pela impossibilidade de viajar e passar mais de três meses fora e em época de provas,podendo perder o ano de estudos(estava no terceiro ano do curso clássico)e inclusive prejudicando o meu futuro vestibular,além da oposição de meu pai e pedi dispensa da seleção,o que foi uma dentro,pois depois pelas noticias nos jornais soube-se que deu tudo errado,com os atletas passando dificuldades,face aos empresarios não pagarem as diarias,com as quais eles se alimentariam e sobreviveriam,jogos as vezes em dias seguidos,viagens desconfortáveis,maus hoteis,ou seja,só os empresarios ganhando dinheiro.Essa aventura redundou,face aos resultados negativos e aos relatos dessas ocorrencias negativas,em a seleção do DA,ficar conhecida nos noticiários como "seleção cacareco".Voltamos nesse período a jogos amistosos...Madeira
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Campanha do Confiança em 1958
O Confiança e sua razoavel torcida,podia ter muito mais porque representava a fábrica e em volta da mesma e do campo moravam todos os empregados da mesma,em vilas e casas de um andar para os operários e em casa de dois andares para os chefes,mas a maioria não ia aos jogos,salvo quando contra os clubes famosos do Rio,quando iam lá jogar amistosos ou nos campeonato carioca infanto que disputavamos,tem uma história no futebol do Rio e acabou junto com a Fabrica.Bem tinhamos um bom apoio da Fábrica,com premios e homenagens nas datas do clube,no Natal e Ano Novo,bailes de Carnaval na sede social,encostada no estadio,cerca de cinquenta metros,um prédio grande de dois andares,com salas de troféus,de jogos de salão e secretaria em baixo e um grande salão de bailes e bar/restaurante em cima.Além disso recebiamos uma quantia por treino e por jogo disputado,sendo esta variável,dependendo do resultado,um minimo,normalmente o da passagem nas derrotas,mais um pouco e nas vitorias um pouco mais.Eu poderia hoje,tentando comparar,que seria um minimo obrigatório de cinquenta reais pela ida e participação,cem reais nos empates e duzentos nas vitorias.Nos treinos seria cinquenta reais.Eu desde o infanto,que recebia mais ou menos a metade desses valores,nunca fiquei com esse dinheiro,que equivalia,mais ou menos a minha mesada e que era pago no vestiário,logo após os jogos,com uma relação onde assinavamos o recebimento.Eu o recebia e o dividia entre o Seu Almeida,roupeiro o Nilton,massagista,que precisavam mais do que eu e me serviam.Resultado:minhas chuteiras e neu uniforme eram os mais bem tratados,aquelas engraxadas e sem pregos(naquela época as travas eram pregadas) e estes muito bem lavados e cheirosos,havendo até ciúmes.Também minha massagem era especial,mais demorada,com óleos a mais e eu era o único que também tomava a massagem depois do banho e dada com talco perfumado.Nossos uniformes eram lindos.O primeiro uniforme era de meias pretas,vermelhas e verdes,calções pretos e camisa verde,com faixa horizontal,a altura do peito,intercalando as cores vermelha e preta,com a gola vermelha enas beiradas das mangas as mesmas faixas do peito.Os números eram pretos e ao centro do peito ficava o escudo,que era belíssimo,com contorno de brasão,imitando em cima as colunas de um castelo medieval,na cor vermelha,com as mesmas faixas em diagonal e uma bola de futebol amarela,aparecendo,meia apenas,a direita das listas,em baixo.O segundo uniforme,que era obrigatoriamente branco e destinava-se a ser usado quando se jogava no campo de adversario e os uniformes fossem parecidos,era ainda mais bonito,com os calções brancos ou pretos,meias brancas com as listas em cima e camisas brancas com as mesmas faixas e números verdes.Eram muito,mas muito bonitos mesmos.Não existiam outros uniformes,só dois(o primeiro e o branco) e obrigatoriamente inscritos na Federação.O nosso vestiário ao entrar-se tinha a esquerda os banheiros,tanto o WC,como os chuveiros e em frente em U os bancos com os cabides acima e o estrado abaixo,tendo ao centro a mesa de massagens e ao fundo a rouparia,com a janelinha pela qual recebiamos os uniformes e chuteiras.Eu tinha,como todos os goleiros de então(até o Poy,goleiro argentino do São Paulo,jogar determinada partida com uma camisa preta do massagista e depois o Raul inventar a camisa amarela)dois uniformes um todo azul e outro todo cinza e os alternava,ambos com o escudo do Confiança no meio do peito.Neste ano,jogamos(eu tenho tudo anotado,pois amava muito jogar no Confiança,uma escola para mim,tanto por lá ter calçado minhas primeiras chuteiras,como por ter disputado competições oficiais)33 jogos,com 16 vitorias,7 empates e 10 derrotas,em uma boa campanha,destacando-se que jogamos algumas vezes no campo do rival e com adversarios categorizados,como os mistos dos profissionais do Bangu,do Olaria(com derrotas em ambos).Destaque-se ainda que nesse ano recebi dois convites para voltar ao futebol profissional,um do Jair Boaventura,técnico do Olaria e outro do Beto,meu ex-tecnico na Portuguesa,que estava no São Cristovão e queria me levar para lá.Imagine se eu aceitaria:ir para time pequeno,levar porrada dos grandes e ganhar miséria e ainda por cima prejudicar meus estudos.Nosso time base era:Eu(Pianowsky);Nenem,Varela(depois Elzio),Pedro e Ivo;Dioclecio e Genival;Zezinho,Nildo,Nego e Esquisito(apelido por correr de forma esquisita).Pode ser visto que também vinham do infanto comigo Deda,Zezinho e Celsinho.Também faziam parte do time Miquimba,Maneco(lateral esquerdo que depois jogou no juvenil do Vasco),Aercio,Deda,França,Toninho,Moreno,Pastor(goleiro reserva) Alemão,dentre outros.O Nego,nosso centro avante era um mulato muito forte e dono de um chute certeiro e muito forte,de derrubar beques e foi personagem de duas ocorrencias hilarias.Em uma nós jogavamos em um dia de muita chuva,com o campo encharcado e a bola pesadíssima contra o time,aliás muito bom,do instituto dos surdos-mudos( o juiz apitava com uma bandeirinha na mão esquerda e o apito na outra,apitando e levantando a bandeira quando tinha alguma marcação)e em uma falta o Nego acertou ma porrada no meio do gol deles e o goleiro abraçou a bola na altura do peito e gritou de dor"mamãe":é verdade,o mudo falou de dor.Na outra faltou água no banheiro do time visitante e eles vieram tomar banho no nosso vestiário e um deles começou a contar vantagem e dizer que ele era do morro e outras coisas mais.O Nego,com vários tomando banho,se emputeceu com as historias do cara e disse o seguinte"porra,morar no morro não é valentia não,é pobreza"Quase deu a brigalhada no banho,com todos pelados e ensaboados...Madeira
O retorno ao Confiança
1958:já que eu não iria mesmo ser um profissional de futebol,estando estudando no Colégio Andrews em Botafogo,pelas manhãs,fazendo o curso clássico,o colegio não tinha futebol,aliás nenhum esporte,com as tardes e noites livres para peladas,mulheres,com dezoito anos,forte,alto,para os padrões de então(hoje tem uma geração de gigantes),voltei para o Confiança e lá fiquei por mais três anos(58/59/60),direto no primeiro time,como titular do então chamado de "amador",pois vinha cheio de nome por ter sido goleiro titular do juvenil da Portuguesa,com jogos passando na TV(então os juvenis faziam as preliminares e como chamariz para os jogos principais o jogo do Maracanã tinha o juvenil televisionado),além de ter durante três anos jogado pelo infanto,disputado o campeonato carioca e com boa participação. O "amador"era o time principal,abaixo tinha os aspirantes e os juvenis(estourava ao fazer dezenove anos) e até os dezessete anos os infanto-juvenis,que só podiam ser inscritos com quinze anos de idade.Não existia infantil,fraldinha,mirim,essas coisas da modernidade.Antes dos quinze anos só se jogava nos colégios ou nas ruas:futebol,organizado,de chuteira só após os quinze anos.Também era obrigatório os infantos jogarem pelas manhãs.Bem,nós do amador jogavamos todos os domingos as 15h15,horário oficial então da FMF,pois a maioria dos estadios não tinham iluminação,com os aspirantes jogando às 13h15.Naquela época o calor era diferente,sendo quente,mas não abafado(efeito da camada de ozonio ainda existente então)e dava para jogar bem,também porque o futebol era de fato menos corrido e mais arte,que outra coisa.Bem,dezoito anos,titular,jogando com caras bons de bola,pois o futebol de varzea no Rio tinha muitos craques,que não quiseram se profissionalizar,fosse pela boemia ou por então jogador de futebol ganhar muito mal,muito pouco e não valer a pena perder a chance de um bom emprego e com isso acabei de conhecer e saber tudo sobre futebol.Treinavamos quem podia e a maioria o podia por ser empregado da fábrica Confiança,nas tardes de quintas feiras,no horário dos jogos e tinhamos um técnico que sabia das coisas,que tinha um bom nivel cultural,sendo gerente de área administrativa na fábrica,o seu Amancio.Ele já armava nosso time no 4x3x3 e por acaso com um falso ponta esquerda,o que Zagallo depois viria a fazer.Eu sempre disse que futebol joga-se com a cabeça e que os pés apenas obedecem e desde aquela época insistia em não dar chutão para a frente,saindo sempre com a bola para um companheiro que estivesse desmarcado.Isso é óbvio pois se tenho a posse da bola e a rifo,a coloco em disputa e se saio trocando passes continuo com a posse dela.Também saía jogando muito com os pés,no que tinha muita facilidade pois jogava futebol de salão,como parado ou ala.Essas ações,como as hoje do Rogerio Ceni,causavam espanto e reclamações de torcedores,acostumados com os goleiros após defenderem um chute adversário,saíam correndo,quicando a bola e em seguida dando um chutão alto para a frente para qualquer lugar,o que na maioria das vezes redundava em um retorno rápido da bola,pois os beques do oponente estando de frente rebatiam de primeira,de cabeça ou com os pés.Eu não concordava e só saía jogando,com meu laterais,com os pés ou com as mãos.Nosso campo,na rua Silva Telles,ao final da mesma,que iniciava-se na rua Barão de Mesquita,ficava a dez/quinzeminutos de minha casa na Antonio Basilio.Era só seguir a Josè Higino até o fim,dobrar a esquerda e cerca de cinquenta metros depois,pegar a direita a Silva Teles.Era um campo oficial(lembrando que o Confiança,na década de 20/30 disputou o campeonato carioca,à época não existia profissionalismo,chegando em um ano a ser quinto colocado,sempre sobre onze/doze times),era gramado(no final do ano estava sempre careca no meio dele,o que levava a ficarem as atividades paradas,entre o Natal e o Carnaval,para replantio da grama)em um terreno muito grande,sendo as balisas encostadas nos muros,uma virada para a rua Silva Teles,onde também era a entrada para o estadio e outra para edificios,com altas cercas para não isolar a bola nos chutes a gol descalibrados.Ao entrar no estadio,todo cercado de alambrado,tinha-se a geral,encostada neste e a arquibancada de madeira,com uma tribuna de honra ao centro,em baixo da qual ficavam os vestiarios,sendo o primeiro,a direita do campo para os visitantes e o da esquerda,mais ao fundo o nosso,com os dos juizes ao centro,entre os dois.Em baixo também funcionava,antes do vestiário dos visitantes o bar,onde vendia-se de tudo,mas principalmente uma cervejinha gelada e onde ficavam os corneteiros,torcedores que só iam lá para criticar.Após ficava mais geral e uma quadra descoberta,de cimento.Ao fundo ficava a rouparia,onde também morava o administrador e faz tudo do clube,o Seu Almeida,um senhor grande,forte,contratado da fábrica com a esposa.Ela era a lavadeira e faxineira do clube e ele o responsável pela rouparia e pela marcação e cuidados com o campo(regar,manter limpo...).Do outro lado,em frente era um grande descampado,com entrada pelo outro lado,que normalmente ficava vazio,mas se a torcida do rival fosse grande,lá era colocada.Esse era nosso estadio,que não era um alçapão,porque era muito largo e grande,não dando para atormentar muito os adversários.Hoje lá funciona a quadra de ensaios da escola de samba Academicos do Salgueiro,nesse espaço vazio,em instalações feitas para tal fim e no resto,onde era o campo,foi construído,pela Petrobrás,um centro cívico,para treinamentos,cursos,com um campo de futebol society,de grama artificial,diminuído em relação ao oficial.Do Confiança antigo,clube da década de 10,resta apenas a arquibancada,que está exatamente como era...Madeira
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Mais da Portuguesa Carioca
As historias que rolavam sobre o futebol profissional carioca eram muitas e terríveis e obviamente de dificil comprovação e por isso nunca comprovadas.Dentre as que corriam e de que me lembro cito as referentes ao técnico Yustrich,ex-goleiro do Atlético Mineiro,muito grande e forte e era de que ele batia em jogador que não se esforçasse em campo ou que não cumprisse suas ordens a risca;havia também a de que
o goleiro Veludo do Fluminense,muito bom goleiro,mas eterno reserva de Castilho,o maior goleiro de clube que eu vi jogar,titular em um clássico contra o Flamengo,levou seis gols suspeitos e que teria sido comprado em troca da mobilia da casa dele,pois estava se casando e não a tinha;de que o goleiro titular da Portuguesa,de nome Antoninho,com quem eu treinava,excelente goleiro,elástico e corajoso,era viado e que o homem dele era o colega de time e zagueiro central,um negão chamado Juvaldo,que depois foi para o Santos e lá brilhou;também na Portuguesa conheci,em fim de carreira e já muito alquebrado moralmente,pela culpa sobre ele lançada,o goleiro da seleção brasileira de 50,Moacyr Barbosa,crioulo educado,exscelente pessoa e goleiro elastico e corajoso;lembro que a maioria dos craques de então eram movidos a gratificações extras e diferenciadas,dadas por baixo dos panos,por diretores e benemeritos dos clubes;que os grandes faziam o que queriam por terem força politica e votos na Federação,pois naquele tempo não havia o voto unitário e assim os votos eram por titulos conquistados(quem não tinha nenhum,tinha direito a um voto) e juntando por exemplo Flu,Fla e Bota ou Vasco já tinham votos suficientes para impor o que quizessem a todos os demais.Com isso entendi porque quando disputei pelo infanto-juvenil do Confiança,todos os jogadores dos times grandes pareciam(e eram) muito mais velhos,ou seja,gatos.Mas foi muito bom e rendeu-me duas grandes alegrias,que foram ser convocado para os treinos da seleção brasileira juvenil,que ia jogar o sulamericano da categoria na Venezuela e que era formada apenas por jogadores do Rio de Janeiro(fomos convocados três goleiros,sendo eu,o Miltão do America e o Miguel do Vasco,sendo que este chegou ao profissional do Vasco),da qual solicitei dispensa,forçado pelas ideias do meu pai,que não concordava eu eu parar meus estudos por cerca de um mes e a outra foi a de ser convidado a ir para os aspirantes do Atlético Mineiro,convidado pelo então técnico do Galo,o Newton Annet,que tinha sido técnico do Canto do Rio e tinha me visto jogar e do qual também abri mão por decisão paterna,tendo eu no meu íntimo concordado com ambas as interferencias de Seu Dias.Estourada a idade ou assinava com a Portuguesa,para ir para os aspirantes,onde já estava o goleiro anterior a mim no juvenil,hoje meu amigo e que depois veio para o Espirito Santo e brilhou,sendo inclusive o recordista nacional em tempo sem tomar gol,o Jorge Reis ou parava,já que parar de estudar nem pensar.Antes de decidir minha vida futebolistica disputei algumas partidas pelo interior do Rio e de Minas,no come e dorme,composto de pessoal que tinha estourado a idade dos juvenis e reservas eternos dos titulares,para não ficar parado e ganhar algum dinheiro;em uma dessas partidas amistosas presenciei um fato que aumentou meu horror e temor por bombas juninas:o nosso half direito,hoje volante,o Haroldo,um negão,ao jogarmos um amistoso em uma cidade não mais lembrada o nome,resolveu soltar um rojão na hora da entrada de nosso time em campo,já que o time da acsa o tinha feito:resultado o rojão saiu por baixo e ele perdeu dois dedos do meio da mão direita;Disto resultou que como eu namorava a Gina e vivia lá pelo Confiança,souberam disso e chamaram-me para aos dezoito anos ser titular no primeiro time,pulando os aspirantes e eu topei,pois amava e ainda hoje,mesmo sem que ele exista mais,amo o Confiança Atletico Clube,o meu tricolor,verde,vermelho e preto,onde calçei as minhas primeira chuteiras e aprendi tudo sobre futebol.Madeira
o goleiro Veludo do Fluminense,muito bom goleiro,mas eterno reserva de Castilho,o maior goleiro de clube que eu vi jogar,titular em um clássico contra o Flamengo,levou seis gols suspeitos e que teria sido comprado em troca da mobilia da casa dele,pois estava se casando e não a tinha;de que o goleiro titular da Portuguesa,de nome Antoninho,com quem eu treinava,excelente goleiro,elástico e corajoso,era viado e que o homem dele era o colega de time e zagueiro central,um negão chamado Juvaldo,que depois foi para o Santos e lá brilhou;também na Portuguesa conheci,em fim de carreira e já muito alquebrado moralmente,pela culpa sobre ele lançada,o goleiro da seleção brasileira de 50,Moacyr Barbosa,crioulo educado,exscelente pessoa e goleiro elastico e corajoso;lembro que a maioria dos craques de então eram movidos a gratificações extras e diferenciadas,dadas por baixo dos panos,por diretores e benemeritos dos clubes;que os grandes faziam o que queriam por terem força politica e votos na Federação,pois naquele tempo não havia o voto unitário e assim os votos eram por titulos conquistados(quem não tinha nenhum,tinha direito a um voto) e juntando por exemplo Flu,Fla e Bota ou Vasco já tinham votos suficientes para impor o que quizessem a todos os demais.Com isso entendi porque quando disputei pelo infanto-juvenil do Confiança,todos os jogadores dos times grandes pareciam(e eram) muito mais velhos,ou seja,gatos.Mas foi muito bom e rendeu-me duas grandes alegrias,que foram ser convocado para os treinos da seleção brasileira juvenil,que ia jogar o sulamericano da categoria na Venezuela e que era formada apenas por jogadores do Rio de Janeiro(fomos convocados três goleiros,sendo eu,o Miltão do America e o Miguel do Vasco,sendo que este chegou ao profissional do Vasco),da qual solicitei dispensa,forçado pelas ideias do meu pai,que não concordava eu eu parar meus estudos por cerca de um mes e a outra foi a de ser convidado a ir para os aspirantes do Atlético Mineiro,convidado pelo então técnico do Galo,o Newton Annet,que tinha sido técnico do Canto do Rio e tinha me visto jogar e do qual também abri mão por decisão paterna,tendo eu no meu íntimo concordado com ambas as interferencias de Seu Dias.Estourada a idade ou assinava com a Portuguesa,para ir para os aspirantes,onde já estava o goleiro anterior a mim no juvenil,hoje meu amigo e que depois veio para o Espirito Santo e brilhou,sendo inclusive o recordista nacional em tempo sem tomar gol,o Jorge Reis ou parava,já que parar de estudar nem pensar.Antes de decidir minha vida futebolistica disputei algumas partidas pelo interior do Rio e de Minas,no come e dorme,composto de pessoal que tinha estourado a idade dos juvenis e reservas eternos dos titulares,para não ficar parado e ganhar algum dinheiro;em uma dessas partidas amistosas presenciei um fato que aumentou meu horror e temor por bombas juninas:o nosso half direito,hoje volante,o Haroldo,um negão,ao jogarmos um amistoso em uma cidade não mais lembrada o nome,resolveu soltar um rojão na hora da entrada de nosso time em campo,já que o time da acsa o tinha feito:resultado o rojão saiu por baixo e ele perdeu dois dedos do meio da mão direita;Disto resultou que como eu namorava a Gina e vivia lá pelo Confiança,souberam disso e chamaram-me para aos dezoito anos ser titular no primeiro time,pulando os aspirantes e eu topei,pois amava e ainda hoje,mesmo sem que ele exista mais,amo o Confiança Atletico Clube,o meu tricolor,verde,vermelho e preto,onde calçei as minhas primeira chuteiras e aprendi tudo sobre futebol.Madeira
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
A Associação Atlética Portuguesa Carioca
Estourada a idade no infanto juvenil do Confiança eu pretendia continuar jogando lá pelo juvenil,apesar de saber que este não disputaria nenhum torneio,mas eu nunca tinha pensado em ser profissional de futebol,gostando apenas de jogar e eu sentia-me bem no Confiança,mas o destino é quem resolve e o Antonio Carlos,a bichinha que comigo jogava no Higino,morador na José Higino,estava treinando no juvenil da Portuguesa e levou-me para um teste,já que estavam formando o time para disputar o campeonato carioca de 1957.Fui,treinei e fiquei,já titular do time.Treinavamos duas vezes por semana no campo do Abrigo Cristo Redentor,pois a Portuguesa tinha recem reingressado na primeira divisão carioca e não tinha campo,esse campo que ficava entre Manguinhos e Bonsucesso,na avenida Itaoca,às terças e quintas,as tardes,sendo as terças a parte fisica,o denominado individual,constante de aprimoramento fisico,ginastica e a parte técnica,cobranças de faltas,escanteios e as quintas os coletivos.Na época a maior parte do primeiro semestre era para o Torneio RioxSão Paulo e os times pequenos ficavam treinando e fazendo amistosos,a maior parte pelo interior do então Estado do Rio.O tecnico era um um ex-lateral direito do Bangu,o Mendonça,que ficou famoso,por ter em 1951,a perna direita quebrada pelo Didi,ao que constava propositalmente,pois ele estava batendo,machucando todo mundo com sua virilidade.Nosso time era um time mediano,com uma zaga alta e boa no jogo aéreo,dois laterais de boa categoria e um ataque de bom poder de fogo.Desse time fizeram sucesso e carreira o quarto zagueiro,magro,esguio,excelente no cabeceio,que depois foi contratado pelo Vasco,para substituir o campeão do mundo Orlando,o Bibino,que no Vasco ganhou o apelido de Russo e lá fez muito sucesso,o centro avante o Lua,um crioulo alto,forte,mas rápido,que chegou a ir para o Santos,mas lá sumiu e o meia armador,o Borges,que depois foi para o Bonsucesso e o Botafogo,onde teve muito êxito.Também joguei contra e assim conheci,pelo menos dentro de campo,alguns jogadores que depois fizeram sucesso no profissional,tais como Gerson,o canhotinha de ouro,que era armador no Canto do Rio,Miguel,zagueiro central do Vasco,que depois jogou no até no Flu,Carlinhos,apoiador,cracaço,do Flamengo,Djalma Dias,zagueiro central do América,dentre outros.Quando iniciou-se o campeonato a Portuguesa tinha conseguido fazer um aluguel do campo do Kosmos Futebol Clube,na zona rural do Rio,uma estação de trem após Campo Grande,no bairro do mesmo nome e lá começou a mandar seus jogos,para onde nos deslocavamos de trem,cada um as suas expensas,na sexta feira,com hora de apresentação até às vinte horas,para concentrar e jogar no domingo.Os treinos continuaram da mesma forma,sendo que os das terças no Abrigo Cristo Redentor.Fizemos um campeonato mediano e sobre doze times(Flu,Fla,Vasco,Botafogo,America,Bangu,os denominados seis grandes e nós os pequenos,de menor poder aquisitivo,Portuguesa, Madureira,Olaria,Bonsucesso,São Cristovão e Canto do Rio,que apesar de ser do Estado do Rio,Niteroi,era convidado da Federação e disputava o campeonato carioca,portanto doze,fomos setimos,ou seja,o primeiro dos pequenos,tendo no curriculo o fato de termos derrotado o América,então o melhor time juvenil do Rio e justamente na inauguração do nosso campo em Kosmos,por 4x3.Lá na Portuguesa fiquei conhecido como Russo,apelido dado pelo Mendonça,nosso técnico.Nossas derrotas para os grandes foram todas apertadas,por exemplo para o Flu,dois 2x1 e com os pequenos nos ombreamos tendo mais vitorias que derrotas.Com isso tive oportunidade de jogar e conhecer todos os campos dos times do Rio de Janeiro,das Laranjeiras/Gavea,onde já tinha jogado pelo infanto do Confiança,ao Maracanã,onde joguei o Torneio Inicio,que era a apresentação dos times, com os jogos sendo eliminatorios,de 10x10 minutos e se empatado decisão por penaltis e mais as partidas contra os grandes.O melhor gramado era o do Bangu e depois Maracanã e Caio Martins.São Cristovão,Olaria(rua Bariri) eram os alçapões pelo apertado que eram e são,apesar do Olaria,recente ter invertido a posição do campo.Também continuei e até melhorei as regalias de jogador,com massagista e médico,concentração,com refeições,onibus bom,vitaminas,inclusive com uma baita e dolorida injeção de vitamina B12,na veia,às terças feiras.O bicho era bom e como lá era profissionalismo eu ficava com ele.Na vitória contra o America,os dirigentes portugueses entusiasmados deram um excelente bicho,se não me engano quatrocentos cruzeiros(no infanto do Confiança era de 25 a 50...).Outra sorte imensa que dei foi que nesse ano e foi somente nesse ano,os juvenis é que faziam as preliminares dos profissionais,com a ideia de se descobrir revelações e além disso,como chamariz para os jogos e para essas descobertas,os jogos dos juvenis dos clássicos eram transmitidos pela TV Continental,canal 9,logico em preto e branco,que era uma emissora que só passava esportes e que tinha como narrador,um iniciante, chamado Leo Batista.Com isso,na escola(o Andrews)acabei ficando conhecido e na minha rua mais falado.Outro fator de sorte e que contribuiu decisivamente para o meu amadurecimento foi o de treinarmos as quintas feiras contra os profissionais,o primeiro time,a partir do momento que fomos para Kosmos.Eu lá com dezoito anos enfrentando os chutes e manhas de profissionais,concentrando com eles e ouvindo e sabendo as historias de bastidores.Madeira
Os então ainda não tão famosos
Nessa época tive ocasião dever,conhecer,encontrar muitas pessoas que já eram na época famosos ou que viriam a ser depois.Não podemos esquecer que quando reporto-me
a esses ciclos de adolescencia,em um Rio de Janeiro pequenino,falamos em uma cidade espalhada,dividida em zonas urbana,suburbana e rural,as quais só se chegava de trem e maria fumaça,com bondes sendo a principal forma de transporte urbano,taxis apenas nos pontos e chamados por telefone de numeração de quatro digitos,poucos onibus,sem televisão e com radios apenas em AM,a válvulas e recheados de chiados,com jornais matutinos e vespertinos,uma capital com cerca de setecentos mil habitantes,que a zona sul terminava em Copacabana,sendo Ipanema e Leblon ainda praias selvagens,com poucas casas e a Barra um mundão de areia,todos nos bairros conheciam-se e também na cidade eram os famosos vistos e funcionando como pessoas comuns,ou seja,ainda que admirados,andavam livremente pelas ruas.Assim,vi ou até conheci muitas figuras marcantes,famosas.O Presidente Getulio Vargas,com o seu guardacostas Gregorio Fortunato estiveram em um festejo na frente da padaria Laís,dentro do carro preto conversível presidencial,bem pertinho de minhas vistas.Os casamentos de artistas era sempre na igrejinha da Gloria ou na Calendária e eu quando menor era carregado por minha mãe para assistí-los com ela.Lembro-me bem,pois quase fui esmagado do casamento de Luis Mendes e Daisy Lucidi,de Cesar de Alencar e não sei quem.Os conjuntos e as orquestas que tocavam nas festas eram de maestros/cantores que depois fizeeram fama.Vi tocando,cantando perto de mim,Severino Araújo e sua orquestra Tabajara;Rui Rey e sua banda;Erlon Chaves e sua orquestra,ouvi,nessas ocasiões,ainda iniciando,Silvio Cesar,Wilson Simonal,Quarteto em Cy,Osvaldo Nunes,outros.Um dos cinemas que frequentavamos era o Cine Madri,que ficava em uma galeria,ampla,com lojas dos dois lados e ao fundo de um lado o cine e do outro o café Madri,que era frequentado pela turma do cine Madri,que era composta por uma turma de jovens cantores,que moravam nas proximidades,na rua do Matoso e que eram Roberto Carlos,Erasmo Carlos,Tim Maia,Osvaldo Nunes,outros.Numa vila quase em frente,em diagonal a padaria Lais,na José Higino,após o rio Maracanã,morava a Zezé Macedo(Biscoito em um quadro com o Chico Anisio),que era magra e feia que nem a necessidade.Jogadores de futebol também moravam nos bairros,na casa dos pais e na Tijuca morava o Zagalo,que também tinha estudado no Externato,uns seis anos a minha frente,enfim você esbarrava em famosos,muitos que ficaram mais famosos depois.Tenho de fato muitas lembranças da Tijuca,minha Tijuca.Madeira
a esses ciclos de adolescencia,em um Rio de Janeiro pequenino,falamos em uma cidade espalhada,dividida em zonas urbana,suburbana e rural,as quais só se chegava de trem e maria fumaça,com bondes sendo a principal forma de transporte urbano,taxis apenas nos pontos e chamados por telefone de numeração de quatro digitos,poucos onibus,sem televisão e com radios apenas em AM,a válvulas e recheados de chiados,com jornais matutinos e vespertinos,uma capital com cerca de setecentos mil habitantes,que a zona sul terminava em Copacabana,sendo Ipanema e Leblon ainda praias selvagens,com poucas casas e a Barra um mundão de areia,todos nos bairros conheciam-se e também na cidade eram os famosos vistos e funcionando como pessoas comuns,ou seja,ainda que admirados,andavam livremente pelas ruas.Assim,vi ou até conheci muitas figuras marcantes,famosas.O Presidente Getulio Vargas,com o seu guardacostas Gregorio Fortunato estiveram em um festejo na frente da padaria Laís,dentro do carro preto conversível presidencial,bem pertinho de minhas vistas.Os casamentos de artistas era sempre na igrejinha da Gloria ou na Calendária e eu quando menor era carregado por minha mãe para assistí-los com ela.Lembro-me bem,pois quase fui esmagado do casamento de Luis Mendes e Daisy Lucidi,de Cesar de Alencar e não sei quem.Os conjuntos e as orquestas que tocavam nas festas eram de maestros/cantores que depois fizeeram fama.Vi tocando,cantando perto de mim,Severino Araújo e sua orquestra Tabajara;Rui Rey e sua banda;Erlon Chaves e sua orquestra,ouvi,nessas ocasiões,ainda iniciando,Silvio Cesar,Wilson Simonal,Quarteto em Cy,Osvaldo Nunes,outros.Um dos cinemas que frequentavamos era o Cine Madri,que ficava em uma galeria,ampla,com lojas dos dois lados e ao fundo de um lado o cine e do outro o café Madri,que era frequentado pela turma do cine Madri,que era composta por uma turma de jovens cantores,que moravam nas proximidades,na rua do Matoso e que eram Roberto Carlos,Erasmo Carlos,Tim Maia,Osvaldo Nunes,outros.Numa vila quase em frente,em diagonal a padaria Lais,na José Higino,após o rio Maracanã,morava a Zezé Macedo(Biscoito em um quadro com o Chico Anisio),que era magra e feia que nem a necessidade.Jogadores de futebol também moravam nos bairros,na casa dos pais e na Tijuca morava o Zagalo,que também tinha estudado no Externato,uns seis anos a minha frente,enfim você esbarrava em famosos,muitos que ficaram mais famosos depois.Tenho de fato muitas lembranças da Tijuca,minha Tijuca.Madeira
As festas da adolescencia
Nesse novo ciclo sumiram as molecagens de rua,pois já era um rapaz,fazendo o curso clássico.Assim foram trocadas as molecagens de rua,com toda a turma,que constavam,além das peladas quase diuturnas,de brincadeiras como bandeira,carniça,bola de gude,pipa(eu não consegui nunca empinar uma pipa,era muito ruim nisso),subir até a Usina da Tijuca de bonde e descer por dentro do leito pedregoso do rio Trapicheiros até próximo de casa e outras,por atividades"mais adultas",tais como comparecer a festas de quinze anos,que era um hit na Tijuca,ir ao cinema,fraudando a idade,jogar cartas(buraco e sete e meio,principalmente),ficar na esquina apenas batendo papo,sacanear aos outros,tipo,de noite amarrar uma nota de cinco cruzeiros,através de um furo a uma linha preta e colocá-la do outro lado da calçada e quando alguém a via e se abaixava para pegá-la,puxar a nota e rir da pessoa,o que muitas vezes nos valia uma boa corrida,enfim,uma "baita evolução".As festas de debutante,que ocorriam praticamente todo sabado,a maioria no Tijuca Tenis e outras nas residencias grandiosas que havia,eram sempre com musica ao vivo,um conjunto ou uma orquestra quando no clube e tinham os convites disputados pelos adolescentes à tapa.Sempre alguém da turma arrumava convite e distribuia e os que queriam ir e não conseguiam convite,dava-se um jeito de mostrar o convite e depois pela grade do jardim ou pela janela se passava para o colega penetrar.Eram festas ricas,com muita comida e bebida,sem restrições,que começavam às nove,dez horas,com a valsa do "debut" a meia noite.Nesta quem gostava de dançar e o fazia bem se acabava,o que não era o meu caso e assim eu só fui a umas poucas,abrindo mão de meus convites e não penetrando.Dentre as que eu vi assisti duas gafes de colegas.Em uma ele após se lambuzar de doces,virou-se para um coroa,que estava alegre,brincando com o nosso grupo e disse"tô com a mão suja e o jeito vai ser limpar na cortina,aqui atrás",obtendo como resposta"não faz isso não que eu sou o dono da casa e vou te botar para fora".De outra feita ele irreverente como só,ao receber a oferta por uma senhora de docinho de côco,respondeu a ela"minha senhora por um docinho de côco eu sou capaz até de dar a bunda".Essas festas acabavam normalmente às quatro horas da madrugada,ocasião em que voltavamos a pé para casa,sem qualquer perigo,ficando ainda batendo papo na esquina e rindo dos fatos ocorridos na festa até cinco,seis horas.Eu pouquíssimas vezes fiz esse programa,salvo em janeiro,mês de férias futebolisticas,pois eu sempre tinha jogo no domingo cedo pelo Confiança e depois pela Portuguesa(nesta inclusive com concentração),mas nas vezes que fiz foram marcantes.Elas sempre terminavam com a gente comendo pão fresquinho e bebendo leite idem,apanhados no portão de alguma casa,pois então o padeiro,o leiteiro e o jornaleiro colocavam no portão das casas os pedidos feitos.Também tinhamos o costume de,muitas vezes,com nada para fazer, pegar um lotação e irmos até a Praça XV comer angu no carrinho do "Angu do Gomes",de que eu não gostava mas ia junto por companheirismo.Outra onda era ir até as gafieiras da Lapa,os dancing club,sendo os mais famosos a Estudantina e a Avenida,e lá assistir as "taxi-girls" e os "pés de valsa" se exibindo,aliás sendo um de nós um excelente dançarino,o Sergio Gomes.Madeira
Ainda o Confiança Atlético Clube
Nessa época o Confiança também ensinou-me a comparecer as festas de um clube de bairro,as homenagens e a ter a minha primeira namorada firme,firme mesmo,pois demorou até eu mudar-me para Brasilia,em 1961,portanto,cinco anos de namoro sério.Desde que cheguei ao Confiança fui diferente dos demais jogadores,pois não morava no bairro,não trabalhava na fábrica,estudava,vestia-me bem(comparando com os demais),falava mais articulado,comportava-me com fidalguia,respeitando a todos,mas sem envolver-me com os comportamentos deles,além de ser louro.Porém face a ter um comportamento descontraído,amigo,sem reclamar com ninguem,nem de nada,acabei sendo um diferencial e logo era o capitão do time,fato que eu nunca tinha visto então nos times que enfrentei ou sobre os quais li,de um goleiro ser o capitão.Com isso acabei sendo objeto de paqueras e logo,logo comecei a namorar uma lourinha,que trabalhava na fábrica,baixinha,de uns olhos verdes lindos,muito ajeitadinha,que assistia a todos os jogos e morava ao lado do campo.Chamava-se Georgina,apelido Gina.Naquele tempo os pais tinham de autorizar e a familia toda palpitava e eu não fui uma unanimidade,pois alguns achavam que era demais para ela e os meus pais,quando souberam,quiseram me jantar,por ser ela uma operária.No entanto eu gostava dela e a namorei durante muito tempo,só terminando mesmo quando mudei-me para Brasilia.O namoro então era de mão dada,com dia e hora marcada,na porta de casa ou nas proximidades,passeando pela rua,ocasião em que em algum canto da rua escura,pelas árvores que impediam a passagem da luz dos postes,aproveitava-se e se trocava beijos e amassos freneticos(naquele tempo não ocorriam assaltos,nem violencias nas ruas).Eu namorava as terças,quintas e sabados,das oito às dez da noite,invariavelmente e a via durante os jogos.Foi também no lado afetivo um bom tempo,que faz parte das recordações do Confiança.Madeira
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Mais de Confiança Atlético Clube
No infanto,que é o assunto dessa época(depois falarei do primeiro time),além desses inúmeros amistosos,disputei o primeiro campeonato carioca oficial,patrocinado pela Federação Metropolitana,da categoria infanto-juvenil do Rio de Janeiro.Houve uma divisão por chaves,sendo uma de clubes da zona sul e centro,outra da zona suburbana e outra da zona rural do Rio de Janeiro,sendo convidados os clubes que tinham campo,inscrição regular,sendo o campeonato em turno e returno,dentro das chaves e classificando-se para o turno final os dois primeiros colocados de cada zona.Nossa chave tinha o Fluminense,Flamengo,Botafogo,nós e o Rio de Janeiro,também do D.A.Nas outras chaves tinha Olaria,Bonsucesso,Oiti,Campo Grande,outros.Foi a ocasião de jogar com árbitros famosos,como Antonio Viug,Amilcar Ferreira e de jogar,pela primeira vez nos campos do Fluminense(nas Laranjeiras),Flamengo(na Gávea),Botafogo(ainda em general Severiano)e no campo do Rio de Janeiro que era o do Olaria.Fizemos uma campanha mediana,ou seja,ficamos em terceiro lugar,não passando para a fase final.Mas,estreamos ganhando em nosso campo de Fluminense por 1x0 e empatando com o mesmo Flu em 0x0 lá(que emoção ganhar de meu time de coração);perdemos as duas para o Botafogo,2x1 lá e 3x0 em casa(o time deles era muito bom)ganhamos as duas do Rio de Janeiro,3x1,em casa e 3x0 na rua Bariri e perdemos as duas para o fra,a primeira na Gávea por 5x1(jogamos uma partida desastrosa,todos nós,ou seja,trememos...) e a de volta,roubada,por 3x0.Roubada,porque eles chegaram atrasados cerca de uma hora e o juiz negou-se a dar o WO previsto no regulamento e nós entramos cabisbaixos na partida,mas mesmo que tivessemos ganho não nos teriamos classificado,pois o fra teria um ponto a mais.O campeão da nossa chave foi o Botafogo,invicto,ganhou todas de todos e era o melhor time,mas o campeão geral foi o Olaria.Foi ótimo,sensacional e senti o peso da responsabilidade de disputar um campeonato oficial e inclusive com cobertura da midia.Também no Confiança aprendi a lidar com roupeiro,que era o seu Almeida,um senhor grosseiro,que cuidava das nossas chuteiras,limpando-as,tirando os pregos,com pé-de-ferro,conservando-as com sebo,entregando-nos o uniforme limpinho,passado e recebendo-o suado,sujo,enlameado e que era lavado pela esposa dele.Seu Almeida também era quem cortava a grama do campo,marcava com cal as linhas,cuidava das bolas e em troca recebia salario da fábrica e morava em um casinha em um canto do terreno.Ele e a esposa eram as pessoas que faziam tudo pelo time.Bem,comigo ele nunca foi grosso,pelo contrário,eu era o queridinho deles e tudo meu era melhor,mais limpo,mais cheiroso e eu era atendido melhor e primeiro.Motivo é que eu sempre ia procurar e abraçar a esposa dele e a ele,tratando-os com carinho e certa e principalmente é que eu sempre dei para ele o "bicho",que recebia.Todo time de futebol à época,mesmo sendo amador dava um dinheirinho,que no nosso caso vinha da fábrica,na rubrica de manutenção do time de futebol,que era fixo e para cobrir as despesas de transporte e alimentação do dia do jogo e quando em disputa de torneios era aumentado em caso de vitorias ou empates.Lá no infanto ainda me lembro era de vinte e cinco cruzeiros,todo domingo,que era pago no vestiário após o jogo e eu recebia e passava direto para as mãos do seu Almeida,pois isso eu ganhava por semana de meu pai e não me fazia falta nenhuma.Daí eu ter me tornado peixe do Seu Almeida.Também lá pela primeira vez conheci a figura do massagista,algo sensacional e que eu adorava.O massagista do infanto era o Nilton,também empregado da fábrica,branco,com curso de enfermagem,que nos massageava(quem queria)antes dos jogos com uma mistura de vaselina e mentol,que esquentava mesmo e depois do jogo,após o banho e de nos secarmos bem,com talco.Eu não perdia uma oportunidade de ser massageado.Ali,no Confiança,conheci pois gente,aprendi a comportar-me,a conviver com pessoas menos favorecidas,a lutar até o último minuto por vitórias e a tudo que um futeboleiro fazia,tinha e passava.Valeu e muito Confiança...Tenho muitas saudades e excelentes recordações.Madeira
Ainda o Confiança Atlético Clube
A fábrica de tecidos Confiança Industrial datava de 1894 e chegou a ser a maior do Rio de Janeiro,logo ombreada pela Bangu Tecidos.Hoje como lembrança dela,lá estão imponentes a chaminé,com suas iniciais no topo,parte de suas instalações,ocupadas por um mega hiper mercado,instalado na mesma construção,além das casas ao redor,todas construídas no século retrasado para abrigar os trabalhadores da fábrica e suas familias,sendo as de dois andares para o corpo gerencial e as térreas para os operários.O clube surgiu no século seguinte,na década de 20 para que os empregados tivessem um lugar para seus momentos de lazer.O campo foi construído na rua Silva Teles,com tamanho oficial,arquibancada de madeira,com tribuna de honra e sede social ao lado,com salão de festas no segundo andar e administração e jogos de salão no térreo.Frequentei muitas vezes as festas que ocorriam aos domingos,depois dos jogos das 19 às 22/23 horas e onde os atletas eram figuras ilustres e reverenciadas pelos associados.Tinhamos duas camisas,como todo time à época,uma oficial e a outra a branca,que era uma alternativa,somente usada quando as cores do time visitante confundiam-se com as do time da casa e somente pelo time da casa,que as deixava de sobreaviso até ver a cor da camisa do visitante.Todos os times então jogavam de calções brancos(era a única cor de calção de futebol) e meias listadas das cores do clube.A nossa oficial era toda verde,com gola e a beira das mangas com duas listas pretas,tendo uma vermelha entre elas e no peito,ao centro da camisa em listas horizontais,o mesmo,ou seja,uma preta,uma vermelha e outra preta,tendo no meio o escudo do CAC,que era todo verde,com as listas já citadas em diagonal e com uma bola amarela(naquele tempo só existiam bolas marrons)embaixo,no canto direito do escudo.A camisa alternativa ou segundo uniforme era igual,apenas a cor principal da camisa era o branco ao invés do verde.O campo era todo cercado com alambrado,aprovado para jogos oficiais,sendo os vestiários embaixo das arquibancadas,sendo o nosso do lado esquerdo de quem entrasse em campo,ou seja de quem estava sentado na arquibancada.Do lado direito ficava o vestiário do visitante e no meio dos dois o dos juízes.Por um pequeno corredor entravamos em campo,que era todo gramado,sempre com uma torcida grande de sócios,empregados da fábrica e de moradores da vizinhança.Vale lembrar que o Confiança chegou a disputar o campeonato carioca,logo após a sua fundação,na decada de 20,ficando sempre na posição intermediária da tabela,quinto,sexto lugar,deixando de fazê-lo quando foi implantado o profissionalismo,que não interessava a fábrica e passando então a ser filiado ao Departamento Autonomo,que era ligado a Federação Metropolitana de Futebol e que foi criado para administrar os campeonatos dos clubes que não quiseram tornar-se profissionais.Nestes,que disputei pelo Confiança,tanto como infanto-juvenil,como no amador(primeiro time)o Confiança chegou a ser campeão carioca.Madeira
O Confiança Atlético Clube e sua importância na minha formação
O Confiança foi imensamente importante na minha formação humanistica,tanto nos meus sentimentos,como nos comportamentos,enfim na minha personalidade e no meu caráter,além de ter me ensinado o que era o trabalho coletivo,a importância de cada uma pessoa individualmente para o resultado final e a saber perder e ganhar,sem vaidades e meas-culpas.Eu era um menino de classe média-média,filho de um comerciante,ou seja com um bom padrão de vida,estudava em um dos melhores colégios do Rio de Janeiro e em vez de frequentar e praticar algum esporte em um clube desse nível,por exemplo,o América,o Tijuca Tenis,fui jogar em um clube de uma fábrica,com a maioria de meus companheiros,operários fabris ou filhos deles.Mas foi graças a essa escolha que,apesar de não ter vaidades,pois meu pai não o permitia(eu nada tinha a mais do que o necessário para o diuturno),não passava qualquer dificuldade e só me relacionava com meninos desse naipe,que aprendi muito sobre gente,sobre convivencia humana.Conheci no Confiança e a eles me afeiçoei meninos que muitas vezes não conseguiam,principalmente ao final do mês,fazer todas as refeições, alguns,aos quinze anos,já sem dentes ou com eles todos podres,cariados,de mãos e pés grosseiros e falando errado,com um nível de escolaridade bem abaixo do meu e me senti bem,ombreando-me a eles,em defesa das mesmas cores,buscando as mesmas vitórias,chorando nas mesmas derrotas.Como isso foi importante,pois cedo ainda convivi e conheci esse lado da vida e pude constatar que o pobre é no mais das vezes,mais correto e sério do que muito abonado.No Confiança eu era mais um atleta,mais um jogador e não o filho do dono da padaria,do Seu Dias.Isso colaborou e muito na minha formação moral e nas minhas relações com os meus subordinados nas minhas andanças posteriores...Lá fui comandado por um treinador com menos estudo que eu já tinha então,o DUCA,com maiusculas,pois com sua simplicidade,ensinou-me a ganhar e a perder,mas principalmente a lutar com todas as minhas forças para vencer,sempre com dignidade,olhando nos olhos dos parceiros e com altivez os rivais.Ensinou-me e depois constatei,as maledicencias,as falsidades do mundo,tanto do mundo da bola,como do mundo total.Saudades do Duca e de suas preleções,das corrigendas severas quando dos erros,da exigencia de fazer o mais simples e objetivo,deixando de lado os enfeites,enfim era um homem de carater,um operário padrão,um treinador de escol,um crioulo que honrava a cor e a brasilidade dela.Lá eu não poderia ser chamado de Theotonio e ainda com agá e então tentaram apelidar-me de "Russo"(esse depois foi meu apelido na Portuguesa Carioca),por ser louro,branquelo,enquanto a maioria do time era de pardos e negros,de Alemão não podia porque já tinha um,o lateral direito,com esse apelido,mas nenhum colou,quando alguém lembrou que o goleiro do Botafogo era um paranaense,louro(só era meio careca)chamado Pianowsky e ficou sendo esse meu nome no Confiança e no Departamento Autonomo,quando o clube a ele se associou..Logo,logo,de Pianowsky,virou Piano e assim,só assim,eu era chamado dentro do Confiança e no futebol amador do Rio de Janeiro.Bem,nos dois anos e meio de infanto-juvenil do Confiança,joguei cerca de 150 partidas,com 80% de vitórias,pois era um excelente time,jogando em seu campo,bem treinado e efetivamente a maioria das partidas contra times de bairros,de rua.Piano,Alemão,Jorge e Carlinhos,Aercio e Deda;Celio,Celsinho,Gizo,Celso e Israel,este foi o time base titular,o que mais vezes jogou,tendo importantes participações de Toninho no meio campo e de Zezinho e Marcio no ataque,estes meio titulares.Alemão,operario da fabrica,era um lateral de excelente marcação,duro,forte;Carlinhos,pela lateral esquerda era o oposto dele,clássico,muito bom no apoio,em uma época em que os laterais não subiam como hoje,foi depois,ao estourar a idade para o Fluminense,para jogar no juvenil;Jorge Berutti era um central vibrante,de muito boa impulsão,excelente cabeceador,apesar de não ser alto,depois passou no concurso no Colégio Naval e fez carreira na Marinha de Guerra;Aercio era um center-half clássico,distribuidor do jogo,como se chamava á época,o tocador de violino e Deda era o meiocampo que recuava e fazia o hoje chamado quarto zagueiro,fechando a entrada da área com o Jorge Berutti,jogava também nas duas laterais,com habilidade,quando necessário;o ataque,sendo que dois dos cinco voltavam para buscar a bola e lançar os pontas(autenticos),enfim para armar as jogadas e que eram pela direita,o Celsinho,mulatinho,ágil e rápido que gostava de correr como a bola(como Zico e hoje Kaká) e o Celso,que era gemeo do ponta direita,o Célio,esse um lançador;esses dois,junto com o Aercio que era o virtuose,eram os cabeças das jogadas de ataque,sempre através dos pontas,velocíssimos,o Celio pela direita e o Israel pela esquerda e cujas jogadas sempre terminavam na cabeça ou nos pés do Gizo,centro-avante,alto e muito forte,que depois foi para o juvenil do fra.Sempre entravam e o time não sentia o Toninho no meio,para cadenciar mais o jogo;o Zezinho,primo do Aercio,nas pontas ou no meio e o Marciano,em uma das pontas.Outros passaram por lá e jogaram conosco,mas o time base,que fez muito sucesso no Departamento Autonomo e em Vila Isabel e adjacencias foi esse.Madeira
domingo, 25 de outubro de 2009
A paixão pela prática futebolistica
Aos quinze anos,quando estava findando o segundo ciclo,ainda no ginasial do Externato,movido pela paixão pelo futebol,que praticava lá,resolvi tentar um clube e jogar em um campo oficial,com juiz,com torcida,disputando campeonatos organizados. Perto de casa,a cerca de dez minutos a pé,na rua Silva Teles,descobri um clube,que disputava o campeonato amador da então Federação Metropolitana de Futebol,o Confiança Atletico Clube,mantido pela Fábrica de Tecidos Confiança Industrial. Naquele tempo não existia esse inicio cedo de se jogar futebol em clubes,tipo fraldinha,mirim,infantil,sub isso,sub aquilo.Futebol com pouca idade era nos colegios,disputando os torneios colegiais,internos ou intercolegiais.Começava-se e sabiamente aos quinze para dezesseis anos no infanto-juvenil,ia-se até os dezoito anos,quando se estourava a idade e os que eram bons eram promovidos ao juvenil,que ia até os vinte anos,depois é que se era profissionalizado,também apenas os bons e ia-se jogar nos aspirantes que faziam a preliminar dos profissionais.Nos aspirantes os bons passavam no máximo um ano e subiam para o profissional ou largavam o profissionalismo e iam fazer outra coisa.Alguns teimavam em ficar eternamente no aspirante,quando não conseguiam subir para os titulares e acabavam na situação chamada de come e dorme,ou seja ficavam no clube encostados,apenas completando o número para os treinamentos,em troca de salarios ínfimos.Outros iam jogar em clubes do interior por merreca,através do nome de ter jogado no juvenil ou no aspirante do clube tal do Rio de Janeiro.Era uma máquina moedora que de dois em dois anos te levava ao ápice ou te expelia,pois este era o tempo de estar subindo outra leva que tinha estourado a idade.Alguns craques ou bem aventurados conseguiam subir com menos idade,pulando do juvenil(dezoito anos)direto para o profissional,mas era raro.Pelé,Edu e alguns outros poucos foram as exceções.Bem,fui ao Confiança e apresenteiu-me pedindo para fazer um teste no infanto-juvenil,apresentei minha certidão de nascimento,comprovei ter mais de dezesseis anos e na primeira quinta feira de 1956,dia dos testes e do treino coletivo para o jogo dos domingos pela manhã,às nove horas,compareci e fui testado pelo DUCA,um crioulo magrinho,muito sério e trabalhador,empregado da fábrica,que era também o técnico do infanto e fui de imediato colocado debaixo das traves para mim imensas,pois no Externato elas eram de cinco metros e lá elas tinham os mais de sete metros regulamentares,assim como me pareceu a grande área e o campo todo,de dimensões oficiais,sendo submetido a um bombardeio pelo DUCA,que chutava muito bem e colocado,pois era também o lateral direito ou esquerdo do primeiro time do Confiança.Bem saí-me muito bem,sendo de imediato colocado como um dos que participaria do treino coletivo a seguir.Como era inicio do ano o infanto estava sendo reformulado,tanto porque alguns tinham estourado a idade,como outros tinham ido embora,para outros clubes e assim fui logo chamado para jogar no time,bem como fui logo sendo escalado como titular.Aí comecei minha carreira,amadora sempre,de jogador de futebol.Nesse ano jogamos só amistosos,sempre com muito êxito,pois alem do time ser muito bom e treinado,pois todas as quintas,às 15h30 nos apresentavamos lá e treinavamos e sempre com uma peneira antes,um individual,constante de dez voltas em torno do campo e depois exercicios de aquecimento,seguido do coletivo,titulares contra reservas e finalizado com treinamento de faltas e penaltis,até escurecer,a maioria dos jogos era contra times de esquina,pois poucos times tinham a categoria infanto-juvenil.A partir desse ano,eu já estava decidido a sair do Externato e assim aos domingos eu ia lá correndo as sete da manhã,assistia a missa e pegava a caderneta,pois era obrigatório,pegava um bonde na porta,na Barão de Mesquita e as oito e trinta apresentava-me no Confiança,para o jogo,às nove horas.Era uma baita correria,mas era muito bom.Normalmente,aos sabados jogava ainda com a minha turma uma peladinha,na linha,em nossos campinhos e durante a semana a noite as peladas ou jogos do Higino de futebol de salão.Era bola adoidado,para ninguém botar defeito.Sobrava para namorar,que era com dia marcado,às tardes,na situação já descrita ou às terças,quintas e sabados a noite e durante o dia,pelas manhãs colegio e as tardes estudo e molecagens já descritas também.Era muito bom...Madeira
sábado, 24 de outubro de 2009
Adolescencia,o terceiro ciclo,o Colegio Andrews
Dezessete anos,adolescencia firmada,sexualidade em ebulição,inteligencia e conhecimentos em desenvolvimento,fim do ginasial,resolvo,por absoluta incompatibilidade com as disciplinas da área de exatas,matematica,algebra e geometria e mais com fisica e quimica,cursar o clássico voltando-me então para a área das ciencias humanas e sociais.Converso com meu pai e ele sábio como sempre ao invés de criar problema ou impor-me algo,entende e vislumbra carreiras boas nessas áreas,indicando-me o Direito e a Diplomacia.A partir daí libera-me para escolher um colegio que tivesse o clássico,pois os Maristas não o tinham.Na zona Norte apenas o Instituto Lafayette o tinha,mas era muito mal afamado,quanto a qualidade do ensino e meu pai não admitia um mal ensino pago,que a época chamava-se um colegio pagou-passou.Procurei no resto do Rio e fui encontrar em Botafogo o Colegio Andrews,da familia Flexa Ribeiro,considerado um dos melhores ou mesmo o melhor,que pelo menos era o mais caro então.Meu pai não titubeou e bancou tudo,com o trabalho honesto e duro dele,na padaria Lais.Começava o desligamento da minha turma e da boa vida juvenil,pois em três anos estaria fazendo vestibular e logo servindo o Exercito.O Andrews,excelente colégio,com professores catedráticos(de notável saber,efetivos em universidades),autores de livros didáticos e consagrados,exigentes,que ensinavam muito bem e cobravam muito,como os professores Olmar de latim,Matoso Camara de Português,Madame Marie de francês,Leontsinis de Geografia,Dante de História e que nada ficou a dever ao Externato São José dos Maristas,onde eu estivera até então.Lá era misto e novas emoções aguardavam-me,pois nunca estudara em sala com meninas e então o comportamento era outro,mas retraído,educado,gentil,cavalheiro.Nada de palavrões e brincadeiras violentas ou sujas.Estava tornado-me um homem,um adulto.Além disso os alunos eram todos filhos de ministros,desembargadores,juízes,senadores,deputados,um terror.Alguns da minha turma,que hoje são ou foram,pois já se aposentaram,altas autoridades,como Luiz Felipe Lampreia,ex-ministro de Relações Exteriores,João Agripino Filho,filho de ex-governador da Paraíba,Cecil Thiré,filho da Tonia Carreiro,Francisco de Paula Machado,filho do presidente do Jockey Clube,o filho do dono dos cinemas Severiano Ribeiro,que não lembro o nome,Noelza Guimarães, socialite,que foi casada com o Marcio Braga,ex-presidente do fra e muitos outros que foram e são manchete no Rio de Janeiro.Foram três anos em que eu aprendi muito na área de humanas e sociais,tendo lá estudado,além da lingua pátria,seis horas de latim,por semana,em todos os três anos e mais frances,ingles,espanhol,grego,historia,geografia,filosofia,sociologia, psicologia,enfim um banho de conhecimentos.Foram três anos madrugando,pegando um onibus da linha Horto às seis horas da manhã(eram cinquenta minutos de viagem)no ponto final,no alto da rua José Higino,para começar as aulas as sete e dez minutos e ir até cerca de meio dia,para retornar em mais cerca de uma hora de onibus,mas valeu.A única falha do Andrews era não dar atenção nenhuma a prática de esportes,que eu até tentei dar um incremento,arranjando uma peladinhas,mas não deu certo,pois além de não ser prática do colegio,os colegas tinham suas turmas,seus esportes e clubes,onde já estavam integrados.Mas,valeu Andrews,pela complementação,e agora direcionada,de minha formação intelectual.Madeira
Os namoros
Bem,como toda a turma demorei muito a ter namorada firme,pois não tinhamos tempo para isso,face as obrigações estudantis,futebolisticas e de sacanagem,sendo mesmo mais gostoso ficar com a turma do que namorar,pois este inclusive só poderia ser certinho,com compromisso e não como é hoje para mandar brasa.Namoro era,quando os pais deixavam que ocorresse,e já na faixa de dezoito anos,na sala ou na varanda da casa,com alguem por perto,olhando.Mesmo se você conseguisse ficar só era praticamente impossivel tocar em qualquer parte do corpo da menina,salvo no rosto,único lugar descoberto e de fácil acesso.Mesmo nesse nada de beijos,pois os beijos que conheciamos eram os dos artistas de filmes americanos,que eram comportados e dados por amor,segundo a concepção de então.Além dos costumes e da educação rigida das meninas,onde tudo era pecado e proibido,para não ficar falada e poder casar de veu e grinalda na igreja,existia um calhamaço de roupas a serem desabotoadas ou retiradas para se tocar em um simples seio,quanto mais nas coxas.As mulheres usavam vestido ou saia e blusa(mulher não usava calça comprida,que aliás não existia para mulheres)e em baixo deles um arsenal de enchimentos,tais eram:se de vestido um corpete feito de um material duríssimo e mantido duro por hastes de ferro na horizontal,acolchoadas e que iam dos seios até a calcinha,que servia para modelar o corpo,tornando-o um violão e mais uma combinação,meias finas,sendo os vestidos abaixo dos joelhos.Nas festas os vestidos eram "tomara que caia",ocasião em que nos era permitido ver o colo das mesmas,mas sem decotes.Se de saia e blusa,como nos uniformes escolares,o mesmo,apenas substituindo a combinação por uma anágua.Enfim mal havia tempo para um beijo,nos poucos momentos em que se conseguia ficar a sós,quanto mais para tentar explorar um corpo.Na praia ou piscina maiôs Catalina de corpo inteiro.Eu nunca vi um umbigo ou coxa de menina conhecida enquanto adolescente.Voltando as namoradas,existiram as namoradas platonicas,estas desde os onze anos,aquelas que nos limitavamos a conversar e conversas infantis e no máximo em pegar na mão(nem um beijo)e depois já adolescente e mais sacanas buscavamos conseguir não ter o compromisso e ter uma namorada com uns sarros aqui e ali.Na primeira categoria lembro de uma menina vizinha,muito bonita,que eu ia de bicicleta para a casa dela as tardes,na rua Maria Amalia,bem próximo e ficava de papo no portão,como dizia meu pai"arrastando a asa"para ela.Chamava-se Maria Lucia.Na viagem de navio para Portugal,logo depois desta brinquei muito a bordo e com exclusividade,pois eramos os únicos da mesma idade,com uma lourinha,chamada Suzana.Na vila,na José Higino tinha uma moreninha muito bonita,normalista que também tive um desses namoros bobinhos,chamada Vera.Depois já na adolescencia tive as primeiras que pude namorar sem ter o compromisso,por razões diversas,que foram a Leda,mineira,que morava com os tios e que frequentei a casa dela,as tardes,quando eles não estavam em casa,pois trabalhavam e onde pude então com limites,mas com alguma liberdade namorar.Enfim,sem ser com uma prostituta,pude abraçar,beijar e acariciar um exemplar do sexo oposto.Até ela mudar para Niteroi(ainda fui lá algumas vezes atrás dela)foi um tempo muito bom,de namoro com compromisso,pois os tios não sabiam das idas as tardes,mas sabiam do namoro.Depois dela houve a Cenilda,também nessa mesma batida.Estas foram as primeiras namoradas e nessa faixa de idade.Madeira
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